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Prova de 2015: Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-GO) — questões com gabarito

34 questões da prova de 2015 de Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-GO), em Geografia, História, Filosofia. Cada uma tem página própria, com enunciado completo, alternativas e gabarito — e dá para responder na própria página.

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Resultados

34 questões encontradas. Mostrando a página 1 de 2.

  • 6C6B5F99-24

    Geografia

    Amazônia
    PUC-GO · 2015DifícilEntre para guardar nos favoritos

    TEXTO 8

          Aos 60 anos, Rossmarc foi confinado na cadeia Raimundo Pessoa em Manaus, dividindo uma cela com 80 detentos. Dormia no chão junto de uma fossa sanitária. Para manter-se vivo usava toda a sua inteligência para fazer acordos com os detentos. Lá havia de tudo: drogados, jagunços, pseudomissionários, contrabandistas etc. Fora vítima do advogado. Com toda a lábia, nunca fora a Brasília defender Rossmarc. Por não ter apresentado a defesa, foi condenado a 13 anos de prisão. O advogado sumira, Rossmarc perdera o prazo para recorrer. Como era estrangeiro, os juízes temiam que fugisse do Brasil. O juiz ordenou sua prisão imediata. A cela, com oitenta detentos, fervilhava, era mais do que o inferno. Depressivo, mantinha-se tartamudo num canto, remoendo sua história, recordando-se dos bons tempos em que navegava pelos rios da Amazônia com seus amigos primatas.

          Visitas? Só a de Pássaro Azul. Mudara-se também para Manaus e, sem nada dizer a Rossmarc, para obter dinheiro, prostituía-se num cabaré. Estava mais magra e algumas rugas se mostravam em seu rosto antes reluzente, agora de cor negra desgastada. Com o intuito de obter dinheiro, tanto para Rossmarc pagar as contas de dois viciados em crack no presídio, como para as custas de um advogado inexperiente, pouco se alimentava e ao redor dos olhos manchas entumecidas apareciam, deixando-a como alguém que consumia droga em exagero. As noitadas no cabaré enfumaçado e fedorento deixavam-na enfraquecida. Mas não deixara de amar o biólogo holandês. Quando fugira do quilombola, naquela noite, jurara amor eterno e não estava disposta a quebrar o juramento.

          Enquanto Pássaro Azul se prostituía para obter os escassos recursos, Rossmarc, espremido entre os oitenta detentos, procurava desesperadamente uma luz no fim do túnel. Lembrava-se dos amigos influentes, de jornalistas, de políticos, e cada vez que Pássaro Azul o visitava, ele implorava que procurasse essas pessoas. Pássaro Azul corria atrás, mas sequer era recebida. Quem daria ouvidos a uma negra que se dizia íntima de Rossmarc, o biólogo que cometera crimes de biopirataria? Na visita seguinte, Rossmarc indagava:

          — E dai, procurou aquela pessoa?

          Para não magoar o amado, ela respondia que todos estavam muito interessados em sua causa. Dizia, entretanto, sem entusiasmo, com os olhos acuados e baixos, para não ver o rosto magro e chupado de Rossmarc. Entregava-lhe o pouco dinheiro que economizava, fruto da prostituição, e saia de lá com os olhos rasos d’água, tolhendo os soluços.

          Numa noite no cabaré, Pássaro Azul conheceu um homem gordo e vesgo, que usava correntões de ouro. Dizia-se dono de um garimpo no meio da selva. Bebia e fumava muito, ria alto, com gargalhadas por vezes irritantes. Entre todas as raparigas, escolheu Pássaro Azul, que lhe fez todas as vontades, pervertendo-se de forma baixa e vil. Foram três noitadas intermináveis, mas Pássaro Azul aprendera a administrar a bebida. Não era tola, como as demais, que se embebedavam a ponto de caírem e serem arrastadas. Era carinhosa com o fazendeiro e saciava-lhe todos os caprichos. Não o abandonava, sentava em seu colo gordo e fazia-lhe agrados fingidos. Dava-lhe mais bebida e um composto de viagra, e o rosto gordo se avermelhava como de um leão enraivecido. Então, ela o puxava para o quarto sórdido. Na cama, enfrentava como guerreira o monte de carne e ossos, trepando sobre suas grandes papadas balofas e cavalgando, como uma guerreira. O homem resfolegava, gritava, gemia, uivava, mas Pássaro Azul não parava aquela louca cavalgada.

          [...]

    (GONÇALVES, David. Sangue verde. Joinville: Sucesso Pocket, 2014. p. 217-218.)

    A história narrada no Texto 8 se passa na região amazônica que, mesmo próxima à Cordilheira dos Andes, pode ser considerada tectonicamente estável. No dia 30 de setembro de 2014, um abalo sísmico de magnitude 7,1 graus atingiu a porção sudoeste da Colômbia, causando expectativa nas regiões vizinhas. No que se refere às causas, locais de ocorrência desses fenômenos e suas consequências, analise os itens a seguir:

    I-A ocorrência de terremotos é um fenômeno inerente à própria dinâmica interna da Terra, tendo em vista a manifestação de energia do interior do nosso planeta.

    II-Os abalos sísmicos de grande abrangência e magnitude decorrem do acúmulo de energia térmica no limite entre duas placas tectônicas.

    III-O lineamento de montanhas conhecido como Cordilheira dos Andes fica no limite entre as placas tectônicas do Pacífico e Sul-Americana.

    IV-A Terra é um corpo em processo de resfriamento, cuja principal implicação é a formação de imensos volumes rochosos conhecidos como placas tectônicas.

    Considerando os itens propostos, marque a alternativa que contém apenas proposições corretas:

    Escolha uma alternativa para a questão 6c6b5f99-24
  • 6C4B5548-24

    Geografia

    Cartografia
    PUC-GO · 2015DifícilEntre para guardar nos favoritos

    TEXTO 7

          A gota que fez transbordar a caixa da paciência de vovó foi um casalzinho folgado. Cansada da algazarra, do som da sanfona, que por três dias e três noites vinha balançando os alicerces da Casa, vovó foi procurar refúgio na paz de seu quarto. Que paz que nada, ali também a festa rolava solta. Abismada, ela viu um casalzinho iniciando sua lua de mel, imaginem onde? Na cama de vovó! Pena que o urinol estivesse vazio. Furiosa, Ana Vitória pensou em apelar para o chicote. Depois seu pensamento voltou para os primeiros dias de seu casamento, lembrou-se da urgência que a fazia deixar tudo por fazer e ir atrás do marido no roçado. Viu a si mesma, viu os dois, ela e o marido, um casal corado e feliz se deitando debaixo de qualquer árvore. Dez meses após o casamento nasceu o primeiro filho, seguido de outros, um por ano. A leveza daquele início parecia tão distante, tão irreal. Uma lagrimazinha de saudade marejou seus olhos abatidos, rolou pela face cansada e foi morrer no peito murcho. Desanimada, ela pensou que nunca mais ia parar de ter filhos, de lavar bundinhas melecadas de cocô. Acabou deixando os pombinhos em paz, eles que aproveitassem a vida enquanto era possível. Mas avisou aos interessados que preferia perder um bom quinhão de suas terras a continuar convivendo com tamanha barafunda. Assim, a ideia remota da criação de um arraial foi posta em prática. Doações foram feitas e o terreno demarcado.

          As construções começaram a nascer com a rapidez dos cogumelos. Primeiro a igreja com a torre central, beiral duplo em madeira recortada em bicos. Paredes azuis, janelas brancas. Feinha a pobre igreja, mas nem por isso desprezada. Talvez sua maior virtude estivesse na singeleza, no aconchego. A igrejinha era o orgulho do povoado. Sobre o altar feito por um carpinteiro caprichoso, a imagem de um Cristo cansado, a cabeça pensa, o olhar vazio. Descascado, ensanguentado, provocava nos fieis uma piedade quase dolorosa. Foi nessa igreja que meus pais me apresentaram ao Nosso Criador.

    (BARROS, Adelice da Silveira. Mesa dos inocentes. Goiânia: Kelps, 2010. p. 74-75.)

    A história narrada no Texto 7 versa sobre a doação e demarcação de terras na intenção de se construir um arraial. Nesse sentido, no processo de representação do terreno por meio de um mapa, carta ou planta, é necessário o uso da escala cartográfica, que consiste na relação entre as dimensões lineares do objeto ou fenômeno representado e suas correspondentes no terreno. Acerca da escala cartográfica, seu significado, bem como outros desdobramentos, marque a alternativa correta:
    Escolha uma alternativa para a questão 6c4b5548-24
  • 6C03C4CB-24

    História

    História do Brasil
    PUC-GO · 2015MédioEntre para guardar nos favoritos

    TEXTO 5

                                 Raios de sol ao meio

          Mais uma vez ele aparecia na minha frente como se tivesse vindo do nada. Seus olhos eram grandes e negros e pareciam ter nascido bem antes dele. Suas espinhas se agigantavam conforme o ângulo de que eram vistas. Sua orelha era algo indescritível. Além de orelha ela era disforme, meio redonda e meio achatada nas pontas. Ela era meio várias coisas. Uma orelha monstro. A boca era alguma coisa que só estava ali para cumprir seu espaço no rosto. Era boca porque estava exatamente no lugar da boca. E era a segunda vez que ele me mobilizava. Mas no conjunto de elementos díspares reinava uma sensualidade ímpar que me tirava de mim sem que eu soubesse navegar no outro que em mim surgia. De mim não sabia entender o que emanava para ele em toda a sua estranha vastidão de patologia visual. No meio sol da meia-noite as coisas se anunciaram e antes que a madrugada avançasse a lua em sua metade escondida ardeu com um olhar malicioso e sorriu.

        (GONÇALVES, Aguinaldo. Das estampas. São Paulo: Nankin, 2013. p. 177.)

    A relação entre aspectos físicos e patologias morais foi uma tônica da Medicina Criminal. Estudiosos como o italiano Cesare Lombroso (1835-1909) fizeram sucesso ao relacionar a forma do crânio e do rosto ao caráter das pessoas, sugerindo que a criminalidade seria inata. Aqui no Brasil, ficou famoso o requerimento para estudar a cabeça do líder de Canudos, o beato Antônio Conselheiro, que foi decepada e enviada ao Dr. Nina Rodrigues. Acerca do impacto social dessas teorias consideradas científicas no inicio do século XX, assinale a alternativa correta:
    Escolha uma alternativa para a questão 6c03c4cb-24
  • 6BF8FEB6-24

    Geografia

    Cartografia
    PUC-GO · 2015MédioEntre para guardar nos favoritos

    TEXTO 5

                                 Raios de sol ao meio

          Mais uma vez ele aparecia na minha frente como se tivesse vindo do nada. Seus olhos eram grandes e negros e pareciam ter nascido bem antes dele. Suas espinhas se agigantavam conforme o ângulo de que eram vistas. Sua orelha era algo indescritível. Além de orelha ela era disforme, meio redonda e meio achatada nas pontas. Ela era meio várias coisas. Uma orelha monstro. A boca era alguma coisa que só estava ali para cumprir seu espaço no rosto. Era boca porque estava exatamente no lugar da boca. E era a segunda vez que ele me mobilizava. Mas no conjunto de elementos díspares reinava uma sensualidade ímpar que me tirava de mim sem que eu soubesse navegar no outro que em mim surgia. De mim não sabia entender o que emanava para ele em toda a sua estranha vastidão de patologia visual. No meio sol da meia-noite as coisas se anunciaram e antes que a madrugada avançasse a lua em sua metade escondida ardeu com um olhar malicioso e sorriu.

        (GONÇALVES, Aguinaldo. Das estampas. São Paulo: Nankin, 2013. p. 177.)

    A expressão “sol da meia-noite”, empregada no Texto 5, indica um aparente contraste, já que, para a maior parte do planeta Terra, a meia-noite, ou o momento da mudança de data, ocorre no período escuro do dia. Embora pareça estranho, em algumas regiões, ocorrem dias com duração de 24 horas para o período claro. Acerca das condições para tal ocorrência e de seus desdobramentos, analise as assertivas a seguir:

    I-A situação conhecida como sol da meia-noite é observável para além da latitude de 66° 33’, tanto no Hemisfério Norte quanto no Hemisfério Sul.

    II-Contrariamente à situação de sol da meia-noite, para além dos trópicos de Câncer e Capricórnio, é observável a situação de período escuro em pleno meio-dia.

    III-Os círculos polares Ártico e Antártico marcam a latitude mínima em que os raios solares incidem 24 horas por dia no solstício de verão.

    IV-A latitude de 23° 27’ marca o limite de incidência dos raios solares no solstício de inverno para cada um dos hemisférios.

    Em relação às proposições analisadas, assinale a alternativa cujos itens estão todos corretos:

    Escolha uma alternativa para a questão 6bf8feb6-24
  • 6BC8E8BD-24

    História

    História do Brasil
    PUC-GO · 2015DifícilEntre para guardar nos favoritos

    TEXTO 3

                               O acendedor de lampiões

    Lá vem o acendedor de lampiões da rua!

    Este mesmo que vem infatigavelmente,

    Parodiar o sol e associar-se à lua

    Quando a sombra da noite enegrece o poente!


    Um, dois, três lampiões, acende e continua

    Outros mais a acender imperturbavelmente,

    À medida que a noite aos poucos se acentua

    E a palidez da lua apenas se pressente.


    Triste ironia atroz que o senso humano irrita: —

    Ele que doura a noite e ilumina a cidade,

    Talvez não tenha luz na choupana em que habita.


    Tanta gente também nos outros insinua

    Crenças, religiões, amor, felicidade,

    Como este acendedor de lampiões da rua!


    (LIMA, Jorge de. Melhores poemas. 3. ed. São Paulo: Global, 2006. p. 25)

    O acendedor de lampiões foi desaparecendo enquanto a iluminação a gás cedia lugar à iluminação pública por meio da eletricidade. Em Goiás, esse processo se deu no inicio do século XX, com a energia produzida ainda por meio de motores a combustão. No terceiro decênio do mesmo século, um dos motivos colocados para a escolha do lugar da nova capital do Estado seria o potencial hidroelétrico dos rios que correm pela região. Considerando que o fornecimento regular de energia elétrica possui forte impacto na modernização da vida social, avalie as alternativas e assinale a que estiver correta:
    Escolha uma alternativa para a questão 6bc8e8bd-24
  • 6BC0C26E-24

    Geografia

    Geografia Física
    PUC-GO · 2015DifícilEntre para guardar nos favoritos

    TEXTO 3

                               O acendedor de lampiões

    Lá vem o acendedor de lampiões da rua!

    Este mesmo que vem infatigavelmente,

    Parodiar o sol e associar-se à lua

    Quando a sombra da noite enegrece o poente!


    Um, dois, três lampiões, acende e continua

    Outros mais a acender imperturbavelmente,

    À medida que a noite aos poucos se acentua

    E a palidez da lua apenas se pressente.


    Triste ironia atroz que o senso humano irrita: —

    Ele que doura a noite e ilumina a cidade,

    Talvez não tenha luz na choupana em que habita.


    Tanta gente também nos outros insinua

    Crenças, religiões, amor, felicidade,

    Como este acendedor de lampiões da rua!


    (LIMA, Jorge de. Melhores poemas. 3. ed. São Paulo: Global, 2006. p. 25)

    O Texto 3 relata uma situação que frequentemente ocorre no mundo contemporâneo, que é a exploração da mão de obra trabalhadora, e faz referência ao Sol e à Lua, que nos remete à temática dos movimentos da Terra. Acerca das características e dos efeitos dos dois movimentos mais importantes de nosso planeta, rotação e translação, são feitas as assertivas a seguir. Analise-as:

    I-Têm por efeito a sucessão dos dias e das noites, que influencia na organização da vida, e o solstício, em que os dias e as noites são iguais e determina o começo da primavera e do outono.

    II-Têm por efeito a sucessão dos dias e das noites, que influencia na organização da vida, e o solstício, em que os dias e as noites são desiguais e determina o começo do verão e do inverno.

    III-Ambos movimentos acontecem no sentido anti-horário, e equinócio significa que os dias e as noites têm igual duração e determina o começo do verão e do inverno.

    IV-Ambos movimentos ocorrem de oeste para leste, e equinócio significa que os dias e as noites têm igual duração e determina o começo do outono e da primavera.

    De acordo com os itens analisados, marque a alternativa que contém apenas proposições corretas:

    Escolha uma alternativa para a questão 6bc0c26e-24
  • 6B94B94E-24

    História

    Demandas políticas e sociais no mundo atual
    PUC-GO · 2015MédioEntre para guardar nos favoritos

    TEXTO 2

                                              VI

          Para entenderes bem o que é a morte e a vida, basta contar-te como morreu minha avó.

          — Como foi?

          — Senta-te.

          Rubião obedeceu, dando ao rosto o maior interesse possível, enquanto Quincas Borba continuava a andar.

          — Foi no Rio de Janeiro, começou ele, defronte da Capela Imperial, que era então Real, em dia de grande festa; minha avó saiu, atravessou o adro, para ir ter à cadeirinha, que a esperava no Largo do Paço. Gente como formiga. O povo queria ver entrar as grandes senhoras nas suas ricas traquitanas. No momento em que minha avó saía do adro para ir à cadeirinha, um pouco distante, aconteceu espantar-se uma das bestas de uma sege; a besta disparou, a outra imitou-a, confusão, tumulto, minha avó caiu, e tanto as mulas como a sege passaram-lhe por cima. Foi levada em braços para uma botica da Rua Direita, veio um sangrador, mas era tarde; tinha a cabeça rachada, uma perna e o ombro partidos, era toda sangue; expirou minutos depois.

          — Foi realmente uma desgraça, disse Rubião.

          — Não.

          — Não?

          — Ouve o resto. Aqui está como se tinha passado o caso. O dono da sege estava no adro, e tinha fome, muita fome, porque era tarde, e almoçara cedo e pouco. Dali pôde fazer sinal ao cocheiro; este fustigou as mulas para ir buscar o patrão. A sege no meio do caminho achou um obstáculo e derribou-o; esse obstáculo era minha avó. O primeiro ato dessa série de atos foi um movimento de conservação: Humanitas tinha fome. Se em vez de minha avó, fosse um rato ou um cão, é certo que minha avó não morreria, mas o fato era o mesmo; Humanitas precisa comer. Se em vez de um rato ou de um cão, fosse um poeta, Byron ou Gonçalves Dias diferia o caso no sentido de dar matéria a muitos necrológios; mas o fundo subsistia. O universo ainda não parou por lhe faltarem alguns poemas mortos em flor na cabeça de um varão ilustre ou obscuro; mas Humanitas (e isto importa, antes de tudo) Humanitas precisa comer.

          Rubião escutava, com a alma nos olhos, sinceramente desejoso de entender; mas não dava pela necessidade a que o amigo atribuía a morte da avó. Seguramente o dono da sege, por muito tarde que chegasse à casa, não morria de fome, ao passo que a boa senhora morreu de verdade, e para sempre. Explicou-lhe, como pôde, essas dúvidas, e acabou perguntando-lhe:

          — E que Humanitas é esse?

          — Humanitas é o princípio. Mas não, não digo nada, tu não és capaz de entender isto, meu caro Rubião; falemos de outra coisa.

          — Diga sempre.

          Quincas Borba, que não deixara de andar, parou alguns instantes.

          — Queres ser meu discípulo?

          — Quero.

          — Bem, irás entendendo aos poucos a minha filosofia; no dia em que a houveres penetrado inteiramente, ah! nesse dia terás o maior prazer da vida, porque não há vinho que embriague como a verdade. Crê-me, o Humanitismo é o remate das coisas; e eu, que o formulei, sou o maior homem do mundo. Olha, vês como o meu bom Quincas Borba está olhando para mim? Não é ele, é Humanitas...

          — Mas que Humanitas é esse?

          — Humanitas é o principio. Há nas coisas todas certa substância recôndita e idêntica, um princípio único, universal, eterno, comum, indivisível e indestrutível, — ou, para usar a linguagem do grande Camões:

          Uma verdade que nas coisas anda,

          Que mora no visíbil e invisíbil. 

          Pois essa sustância ou verdade, esse princípio indestrutível é que é Humanitas. Assim lhe chamo, porque resume o universo, e o universo é o homem. Vais entendendo?

          — Pouco; mas, ainda assim, como é que a morte de sua avó...

          — Não há morte. O encontro de duas expansões, ou a expansão de duas formas, pode determinar a supressão de uma delas; mas, rigorosamente, não há morte, há vida, porque a supressão de uma é a condição da sobrevivência da outra, e a destruição não atinge o princípio universal e comum. Daí o carácter conservador e benéfico da guerra. Supõe tu um campo de batatas e duas tribos famintas. As batatas apenas chegam para alimentar uma das tribos, que assim adquire forças para transpor a montanha e ir à outra vertente, onde há batatas em abundância; mas, se as duas tribos dividirem em paz as batatas do campo, não chegam a nutrir-se suficientemente e morrem de inanição. A paz, nesse caso, é a destruição; a guerra é a conservação. Uma das tribos extermina a outra e recolhe os despojos. Daí a alegria da vitória, os hinos, aclamações, recompensas públicas e todos os demais efeitos das ações bélicas. Se a guerra não fosse isso, tais demonstrações não chegariam a dar-se, pelo motivo real de que o homem só comemora e ama o que lhe é aprazível ou vantajoso, e pelo motivo racional de que nenhuma pessoa canoniza uma ação que virtualmente a destrói. Ao vencido, ódio ou compaixão; ao vencedor, as batatas.

          — Mas a opinião do exterminado?

          — Não há exterminado. Desaparece o fenômeno; a substância é a mesma. Nunca viste ferver água? Hás de lembrar-te que as bolhas fazem-se e desfazem-se de contínuo, e tudo fica na mesma água. Os indivíduos são essas bolhas transitórias.

          — Bem; a opinião da bolha...

          — Bolha não tem opinião. Aparentemente, há nada mais contristador que uma dessas terríveis pestes que devastam um ponto do globo? E, todavia, esse suposto mal é um benefício, não só porque elimina os organismos fracos, incapazes de resistência, como porque dá lugar à observação, à descoberta da droga curativa. A higiene é filha de podridões seculares; devemo-la a milhões de corrompidos e infectos. Nada se perde, tudo é ganho. Repito, as bolhas ficam na água. Vês este livro? É Dom Quixote. Se eu destruir o meu exemplar, não elimino a obra, que continua eterna nos exemplares subsistentes e nas edições posteriores. Eterna e bela, belamente eterna, como este mundo divino e supradivino.

    (ASSIS, Machado de. Quincas Borba. 18. ed. São Paulo: Ática, 2011. p. 26-28.)

    O narrador, no Texto 2, fala-nos que “a guerra é a conservação”. A propósito, essa expressão nos permite fazer uma analogia com a “guerra sem fim”, decretada pelos Estados Unidos ao “terrorismo islâmico” após os atentados de 11 de setembro de 2001, com a justificativa de pôr fim à violência terrorista e reordenar o mundo para conservar a paz. Sobre essa nova reelaboração da doutrina de “guerra justa” durante o governo Bush, analise os itens que se seguem:

    I-Apesar da força militar dos EUA, essa guerra visava ao pacifismo, não exigia objetivos nem meios específicos, finitos e realizáveis.

    II- Seria uma guerra radical, contínua, irrestrita e sem limites de tempo ou fronteiras geográficas, que não buscava expansão territorial.

    III-Uma nova política de intervenção em que os EUA, diante de qualquer ameaça militar ou mesmo antecipando um perigo futuro, teria o direito de promover ataques preventivos.

    IV-Foi o resultado de acordos e alianças com outras potências e instituições internacionais visando à proteção da população civil, que seria preservada das atrocidades da guerra.

    Em relação às proposições analisadas, assinale a única alternativa cujos itens estão todos corretos:

    Escolha uma alternativa para a questão 6b94b94e-24
  • 6B82A74B-24

    História

    Brasil Monárquico – Primeiro Reinado 1822- 1831
    PUC-GO · 2015MédioEntre para guardar nos favoritos

    TEXTO 2

                                              VI

          Para entenderes bem o que é a morte e a vida, basta contar-te como morreu minha avó.

          — Como foi?

          — Senta-te.

          Rubião obedeceu, dando ao rosto o maior interesse possível, enquanto Quincas Borba continuava a andar.

          — Foi no Rio de Janeiro, começou ele, defronte da Capela Imperial, que era então Real, em dia de grande festa; minha avó saiu, atravessou o adro, para ir ter à cadeirinha, que a esperava no Largo do Paço. Gente como formiga. O povo queria ver entrar as grandes senhoras nas suas ricas traquitanas. No momento em que minha avó saía do adro para ir à cadeirinha, um pouco distante, aconteceu espantar-se uma das bestas de uma sege; a besta disparou, a outra imitou-a, confusão, tumulto, minha avó caiu, e tanto as mulas como a sege passaram-lhe por cima. Foi levada em braços para uma botica da Rua Direita, veio um sangrador, mas era tarde; tinha a cabeça rachada, uma perna e o ombro partidos, era toda sangue; expirou minutos depois.

          — Foi realmente uma desgraça, disse Rubião.

          — Não.

          — Não?

          — Ouve o resto. Aqui está como se tinha passado o caso. O dono da sege estava no adro, e tinha fome, muita fome, porque era tarde, e almoçara cedo e pouco. Dali pôde fazer sinal ao cocheiro; este fustigou as mulas para ir buscar o patrão. A sege no meio do caminho achou um obstáculo e derribou-o; esse obstáculo era minha avó. O primeiro ato dessa série de atos foi um movimento de conservação: Humanitas tinha fome. Se em vez de minha avó, fosse um rato ou um cão, é certo que minha avó não morreria, mas o fato era o mesmo; Humanitas precisa comer. Se em vez de um rato ou de um cão, fosse um poeta, Byron ou Gonçalves Dias diferia o caso no sentido de dar matéria a muitos necrológios; mas o fundo subsistia. O universo ainda não parou por lhe faltarem alguns poemas mortos em flor na cabeça de um varão ilustre ou obscuro; mas Humanitas (e isto importa, antes de tudo) Humanitas precisa comer.

          Rubião escutava, com a alma nos olhos, sinceramente desejoso de entender; mas não dava pela necessidade a que o amigo atribuía a morte da avó. Seguramente o dono da sege, por muito tarde que chegasse à casa, não morria de fome, ao passo que a boa senhora morreu de verdade, e para sempre. Explicou-lhe, como pôde, essas dúvidas, e acabou perguntando-lhe:

          — E que Humanitas é esse?

          — Humanitas é o princípio. Mas não, não digo nada, tu não és capaz de entender isto, meu caro Rubião; falemos de outra coisa.

          — Diga sempre.

          Quincas Borba, que não deixara de andar, parou alguns instantes.

          — Queres ser meu discípulo?

          — Quero.

          — Bem, irás entendendo aos poucos a minha filosofia; no dia em que a houveres penetrado inteiramente, ah! nesse dia terás o maior prazer da vida, porque não há vinho que embriague como a verdade. Crê-me, o Humanitismo é o remate das coisas; e eu, que o formulei, sou o maior homem do mundo. Olha, vês como o meu bom Quincas Borba está olhando para mim? Não é ele, é Humanitas...

          — Mas que Humanitas é esse?

          — Humanitas é o principio. Há nas coisas todas certa substância recôndita e idêntica, um princípio único, universal, eterno, comum, indivisível e indestrutível, — ou, para usar a linguagem do grande Camões:

          Uma verdade que nas coisas anda,

          Que mora no visíbil e invisíbil. 

          Pois essa sustância ou verdade, esse princípio indestrutível é que é Humanitas. Assim lhe chamo, porque resume o universo, e o universo é o homem. Vais entendendo?

          — Pouco; mas, ainda assim, como é que a morte de sua avó...

          — Não há morte. O encontro de duas expansões, ou a expansão de duas formas, pode determinar a supressão de uma delas; mas, rigorosamente, não há morte, há vida, porque a supressão de uma é a condição da sobrevivência da outra, e a destruição não atinge o princípio universal e comum. Daí o carácter conservador e benéfico da guerra. Supõe tu um campo de batatas e duas tribos famintas. As batatas apenas chegam para alimentar uma das tribos, que assim adquire forças para transpor a montanha e ir à outra vertente, onde há batatas em abundância; mas, se as duas tribos dividirem em paz as batatas do campo, não chegam a nutrir-se suficientemente e morrem de inanição. A paz, nesse caso, é a destruição; a guerra é a conservação. Uma das tribos extermina a outra e recolhe os despojos. Daí a alegria da vitória, os hinos, aclamações, recompensas públicas e todos os demais efeitos das ações bélicas. Se a guerra não fosse isso, tais demonstrações não chegariam a dar-se, pelo motivo real de que o homem só comemora e ama o que lhe é aprazível ou vantajoso, e pelo motivo racional de que nenhuma pessoa canoniza uma ação que virtualmente a destrói. Ao vencido, ódio ou compaixão; ao vencedor, as batatas.

          — Mas a opinião do exterminado?

          — Não há exterminado. Desaparece o fenômeno; a substância é a mesma. Nunca viste ferver água? Hás de lembrar-te que as bolhas fazem-se e desfazem-se de contínuo, e tudo fica na mesma água. Os indivíduos são essas bolhas transitórias.

          — Bem; a opinião da bolha...

          — Bolha não tem opinião. Aparentemente, há nada mais contristador que uma dessas terríveis pestes que devastam um ponto do globo? E, todavia, esse suposto mal é um benefício, não só porque elimina os organismos fracos, incapazes de resistência, como porque dá lugar à observação, à descoberta da droga curativa. A higiene é filha de podridões seculares; devemo-la a milhões de corrompidos e infectos. Nada se perde, tudo é ganho. Repito, as bolhas ficam na água. Vês este livro? É Dom Quixote. Se eu destruir o meu exemplar, não elimino a obra, que continua eterna nos exemplares subsistentes e nas edições posteriores. Eterna e bela, belamente eterna, como este mundo divino e supradivino.

    (ASSIS, Machado de. Quincas Borba. 18. ed. São Paulo: Ática, 2011. p. 26-28.)

    No Texto 2 o narrador nos remete a uma cena cotidiana da vida urbana na capital do Império, Rio de Janeiro, subverte o tempo e o espaço e nos descortina as relações de poder que eram vivenciadas pela sociedade naquela cidade. Com relação a esse tema, analise as afirmativas a seguir:

    I-A vinda da Corte portuguesa para o Brasil em 1808 promoveu mudanças sociais. Dentre essas, o surgimento de um grupo de proprietários de terra que se notabilizou por abastecer com produtos agrários o mercado carioca e, com isso, conseguir ascensão política local e provincial. Porém, esse grupo não era aceito na Corte por estar ligado ao comércio.

    II-O surto cafeeiro, por ter se desenvolvido com recursos nacionais, possibilitou a autonomia e independência das elites cariocas com relação ao capital estrangeiro para implementar suas atividades comerciais e financeiras.

    III-Era comum encontrar na cidade escravos exercendo todas as formas de trabalho, dentro e fora das casas, no comércio, nas ruas, nas artes e em outros ofícios. Esses escravos, diferentemente dos escravos das fazendas, não sofriam castigos e gozavam de liberdade e autonomia.

    IV-A proibição do tráfico de escravos liberou capitais para aplicações bancárias e ampliação de serviços. Com isso, criaram-se condições favoráveis à diminuição das desigualdades sociais, pois os ex-escravos foram incorporados no mercado e se transformaram em prestadores de serviços assalariados.

    Em relação às proposições analisadas, assinale a única alternativa cujos itens estão todos corretos:

    Escolha uma alternativa para a questão 6b82a74b-24
  • 6B71B718-24

    História

    Civilizações Pré-Colombianas: Maias, Aztecas e Incas
    PUC-GO · 2015MédioEntre para guardar nos favoritos

    TEXTO 1

                                  Queimada

    À fúria da rubra língua

    do fogo

    na queimada

    envolve e lambe

    o campinzal

    estiolado em focos

    enos

    sinal.

    É um correr desesperado

    de animais silvestres

    o que vai, ali, pelo mundo

    incendiado e fundo,

    talvez,


    como o canto da araponga

    nos vãos da brisa!


    Tambores na tempestade


    [...]

    E os tambores

      e os tambores

        e os tambores

    soando na tempestade,

    ao efêmero de sua eterna idade.


    [...]

              Onde?

    Eu vos contemplo

         à inércia do que me leva

         ao movimento


    de naufragar-me

         eternamente

    na secura de suas águas

       mais à frente!


    Ó tambores

       ruflai

    sacudi suas dores!


    Eu

    que não me sei

    não me venho

       por ser

    busco apenas ser somenos

    no viver,

    nada mais que isso!

    (VIEIRA, Delermando. Os tambores da tempestade. Goiânia: Poligráfica, 2010. p. 164, 544, 552.)

    Os versos do Texto 1 tratam da destruição da fauna e da flora em uma queimada e de tambores. Esse cenário nos lembra a situação da América antes da conquista dos europeus. O continente era habitado por cerca de 50 milhões de pessoas, que possuíam diversos níveis culturais. Assinale a alternativa que indica corretamente tal diversidade entre os povos ameríndios e suas respectivas regiões:
    Escolha uma alternativa para a questão 6b71b718-24
  • 6B691968-24

    Geografia

    Geografia Física
    PUC-GO · 2015MédioEntre para guardar nos favoritos

    TEXTO 1

                                  Queimada

    À fúria da rubra língua

    do fogo

    na queimada

    envolve e lambe

    o campinzal

    estiolado em focos

    enos

    sinal.

    É um correr desesperado

    de animais silvestres

    o que vai, ali, pelo mundo

    incendiado e fundo,

    talvez,


    como o canto da araponga

    nos vãos da brisa!


    Tambores na tempestade


    [...]

    E os tambores

      e os tambores

        e os tambores

    soando na tempestade,

    ao efêmero de sua eterna idade.


    [...]

              Onde?

    Eu vos contemplo

         à inércia do que me leva

         ao movimento


    de naufragar-me

         eternamente

    na secura de suas águas

       mais à frente!


    Ó tambores

       ruflai

    sacudi suas dores!


    Eu

    que não me sei

    não me venho

       por ser

    busco apenas ser somenos

    no viver,

    nada mais que isso!

    (VIEIRA, Delermando. Os tambores da tempestade. Goiânia: Poligráfica, 2010. p. 164, 544, 552.)

    O Texto 1 faz referência a queimadas, que, quando realizadas de maneira não controlada são maléficas ao ambiente florístico e faunístico de qualquer bioma. Levando-se em conta o clima, o relevo e a vegetação, o território brasileiro é constituído de diferentes e diversificados mosaicos paisagísticos. Assinale, dentre as alternativas a seguir, a que melhor correlaciona as regiões brasileiras e os biomas nelas predominantes:

    Marque a alternativa correta.

    Escolha uma alternativa para a questão 6b691968-24
  • C207726F-9A

    Geografia

    Urbanização
    PUC-GO · 2015MédioEntre para guardar nos favoritos

    TEXTO 6

    […]

    Amado (na sua euforia profissional) – Cunha,

    escuta. Vi um caso agora. Ali, na praça da Bandeira. Um caso que. Cunha, ouve. Esse caso pode ser a tua salvação!

    Cunha (num lamento) – Estou mais sujo do que pau de galinheiro!

    Amado (incisivo e jocundo) – Porque você é uma besta, Cunha. Você é o delegado mais burro do Rio de Janeiro.

    (Cunha ergue-se.)

    Cunha (entre ameaçador e suplicante) – Não pense que. Você não se ofende, mas eu me ofendo.

    Amado (jocundo) – Senta!

    (Cunha obedece novamente.)

    Cunha (com um esgar de choro) – Te dou um tiro!

    Amado – Você não é de nada. Então, dá. Dá!

    Quedê?

    Cunha – Qual é o caso?

    Amado – Olha. Agorinha, na praça da Bandeira. Um rapaz foi atropelado. Estava juntinho de mim. Nessa distância. O fato é que caiu. Vinha um lotação raspando. Rente ao meio-fio. Apanha o cara. Em cheio. Joga longe. Há aquele bafafá. Corre pra cá, pra lá. O sujeito estava lá, estendido, morrendo.

    Cunha (que parece beber as palavras do repórter) – E daí?

    Amado (valorizando o efeito culminante) – De repente, um outro cara aparece, ajoelha-se no asfalto, ajoelha-se. Apanha a cabeça do atropelado e dá-lhe um beijo na boca.

    CUNHA (confuso e insatisfeito) – Que mais?

    Amado (rindo) – Só.

    Cunha (desorientado) – Quer dizer que. Um sujeito beija outro na boca e. Não houve mais nada. Só isso?

    (Amado ergue-se. Anda de um lado para outro. Estaca, alarga o peito.)

    Amado – Só isso!

    Cunha – Não entendo.

    Amado (abrindo os braços para o teto) – Sujeito burro! (para o delegado) Escuta, escuta! Você não quer se limpar? Hein? Não quer se limpar?

    Cunha – Quero!

    Amado – Pois esse caso.

    Cunha – Mas ...

    Amado – Não interrompe! Ou você não percebe?

    Escuta […]

    (RODRIGUES,  Nelson. O beijo no asfalto. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1995. p. 12/13.)

    O Texto 6 tematiza a vida urbana, com carro, lotação, trânsito, atropelamento. A cidade de Goiânia foi planejada para que a movimentação urbana fosse prática e não houvesse tantos problemas de trânsito. Tal ideal de cidade moderna se contrapunha ao estilo de vida da antiga capital. Assinale a alternativa que caracteriza corretamente o projeto liderado pelo interventor Pedro Ludovico Teixeira:
    Escolha uma alternativa para a questão c207726f-9a
  • C2027976-9A

    Geografia

    Geografia Física
    PUC-GO · 2015FácilEntre para guardar nos favoritos

    TEXTO 6

    […]

    Amado (na sua euforia profissional) – Cunha,

    escuta. Vi um caso agora. Ali, na praça da Bandeira. Um caso que. Cunha, ouve. Esse caso pode ser a tua salvação!

    Cunha (num lamento) – Estou mais sujo do que pau de galinheiro!

    Amado (incisivo e jocundo) – Porque você é uma besta, Cunha. Você é o delegado mais burro do Rio de Janeiro.

    (Cunha ergue-se.)

    Cunha (entre ameaçador e suplicante) – Não pense que. Você não se ofende, mas eu me ofendo.

    Amado (jocundo) – Senta!

    (Cunha obedece novamente.)

    Cunha (com um esgar de choro) – Te dou um tiro!

    Amado – Você não é de nada. Então, dá. Dá!

    Quedê?

    Cunha – Qual é o caso?

    Amado – Olha. Agorinha, na praça da Bandeira. Um rapaz foi atropelado. Estava juntinho de mim. Nessa distância. O fato é que caiu. Vinha um lotação raspando. Rente ao meio-fio. Apanha o cara. Em cheio. Joga longe. Há aquele bafafá. Corre pra cá, pra lá. O sujeito estava lá, estendido, morrendo.

    Cunha (que parece beber as palavras do repórter) – E daí?

    Amado (valorizando o efeito culminante) – De repente, um outro cara aparece, ajoelha-se no asfalto, ajoelha-se. Apanha a cabeça do atropelado e dá-lhe um beijo na boca.

    CUNHA (confuso e insatisfeito) – Que mais?

    Amado (rindo) – Só.

    Cunha (desorientado) – Quer dizer que. Um sujeito beija outro na boca e. Não houve mais nada. Só isso?

    (Amado ergue-se. Anda de um lado para outro. Estaca, alarga o peito.)

    Amado – Só isso!

    Cunha – Não entendo.

    Amado (abrindo os braços para o teto) – Sujeito burro! (para o delegado) Escuta, escuta! Você não quer se limpar? Hein? Não quer se limpar?

    Cunha – Quero!

    Amado – Pois esse caso.

    Cunha – Mas ...

    Amado – Não interrompe! Ou você não percebe?

    Escuta […]

    (RODRIGUES,  Nelson. O beijo no asfalto. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1995. p. 12/13.)

    O Texto 6 apresenta uma situação do cotidiano da cidade do Rio de Janeiro. Além dos acontecimentos diários, outro aspecto nos chama atenção na paisagem carioca: os morros, que por vezes formam notáveis monólitos, que caracterizam a paisagem não só da capital fluminense, mas de todo o estado. Acerca dessa paisagem, das manifestações humanas e seus desdobramentos, avalie os itens apresentados a seguir:

     I-O estado do Rio de Janeiro está inserido no domínio geomorfológico de Mares de Morros, os quais são formados por grandes volumes rochosos expostos pelo processo de soerguimento.

    II-As ocupações, por vezes irregulares, nos sopés de vertentes íngremes estão entre as principais causas de acidentes gerados pelo desmoronamento de terra em algumas áreas do Rio de Janeiro.

    III-Em grande parte do domínio de Mares de Morros, como na conhecida Região Serrana do Rio de Janeiro, em anos de excepcionais elevados índices pluviométricos, são recorrentes os desmoronamentos de terra, que provocam prejuízos socioambientais diversos.

    IV-Os acidentes envolvendo os deslizamentos de terra em encostas íngremes é um fenômeno tipicamente urbano, praticamente inexistindo nas áreas rurais do Rio de Janeiro.

    Marque a alternativa que contém apenas afirmações corretas:


    Escolha uma alternativa para a questão c2027976-9a
  • C1EC291D-9A

    Filosofia

    A Política
    PUC-GO · 2015FácilEntre para guardar nos favoritos

    TEXTO 6

    […]

    Amado (na sua euforia profissional) – Cunha,

    escuta. Vi um caso agora. Ali, na praça da Bandeira. Um caso que. Cunha, ouve. Esse caso pode ser a tua salvação!

    Cunha (num lamento) – Estou mais sujo do que pau de galinheiro!

    Amado (incisivo e jocundo) – Porque você é uma besta, Cunha. Você é o delegado mais burro do Rio de Janeiro.

    (Cunha ergue-se.)

    Cunha (entre ameaçador e suplicante) – Não pense que. Você não se ofende, mas eu me ofendo.

    Amado (jocundo) – Senta!

    (Cunha obedece novamente.)

    Cunha (com um esgar de choro) – Te dou um tiro!

    Amado – Você não é de nada. Então, dá. Dá!

    Quedê?

    Cunha – Qual é o caso?

    Amado – Olha. Agorinha, na praça da Bandeira. Um rapaz foi atropelado. Estava juntinho de mim. Nessa distância. O fato é que caiu. Vinha um lotação raspando. Rente ao meio-fio. Apanha o cara. Em cheio. Joga longe. Há aquele bafafá. Corre pra cá, pra lá. O sujeito estava lá, estendido, morrendo.

    Cunha (que parece beber as palavras do repórter) – E daí?

    Amado (valorizando o efeito culminante) – De repente, um outro cara aparece, ajoelha-se no asfalto, ajoelha-se. Apanha a cabeça do atropelado e dá-lhe um beijo na boca.

    CUNHA (confuso e insatisfeito) – Que mais?

    Amado (rindo) – Só.

    Cunha (desorientado) – Quer dizer que. Um sujeito beija outro na boca e. Não houve mais nada. Só isso?

    (Amado ergue-se. Anda de um lado para outro. Estaca, alarga o peito.)

    Amado – Só isso!

    Cunha – Não entendo.

    Amado (abrindo os braços para o teto) – Sujeito burro! (para o delegado) Escuta, escuta! Você não quer se limpar? Hein? Não quer se limpar?

    Cunha – Quero!

    Amado – Pois esse caso.

    Cunha – Mas ...

    Amado – Não interrompe! Ou você não percebe?

    Escuta […]

    (RODRIGUES,  Nelson. O beijo no asfalto. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1995. p. 12/13.)

    O Texto 6 relata uma situação polêmica sobre o beijo na boca entre dois homens. Sobre o beijo, até onde se tem notícia, o primeiro beijo entre pessoas do mesmo sexo na história do cinema foi no ano de 1927, no filme Wings (Asas). Os astros Buddy Rogers e Richard Arlen interpretam dois pilotos de combate que disputam a afeição de uma mesma mulher (Clara Bow). Essa é a trama do filme. Nenhum dos dois “mostra tanto amor por ela... como demonstra um pelo outro.” O beijo foi bastante tímido. No ano de 2014, uma cena se destacou nas novelas da Globo. O beijo gay entre Felix (Mateus Solano) e Niko (Thiago Fragoso) que foi ao ar no último capítulo da novela Amor à vida. Na verdade, a quebra de determinados preconceitos ou mudança de comportamento geralmente ocorre porque a sociedade constituída de homens está em constante mudança. Há os que defendem a quebra de paradigmas e lutam por sua liberdade e autonomia. Dentre as correntes filosóficas citadas a seguir, marque a alternativa que apresenta a corrente que contribuiu para a valorização da autonomia e liberdade do indivíduo.
    Escolha uma alternativa para a questão c1ec291d-9a
  • C1CB6026-9A

    História

    História Geral
    PUC-GO · 2015MédioEntre para guardar nos favoritos

    TEXTO 5

          NA VIRADA DO SÉCULO, o biólogo Roosmarc conheceu o ápice da fama ao descobrir um novo gênero de primata: o sagui-anão-de-coroa-preta. Foi considerado pela revista Time o grande herói do planeta. Entre os mais de 500 primatas no mundo, Roosmarc descobrira o Callibella humilis, o macaquinho mais saltitante e alegre, anãozinho, com aquela coroa preta. Enquanto outros primatólogos matavam os animais para descrevê-los, dissecando-os em laboratórios, longe da Amazônia, ele criava macacos em sua casa. Esperava que morressem de forma natural e, aí sim, dissecava-os.

          O sagui-anão-de-coroa-preta foi a sensação mundial. Então, ele viveu o ápice da glória. As publicações científicas não se cansaram de elogiá-lo. Quase todos os dias, jornais e revistas estampavam: “Protetor dos animais”, “O bandeirantes da Amazônia”, “O último primatólogo”. De Manaus para o mundo. Os ribeirinhos o saudavam; os políticos o pajeavam; os estudantes de biologia o veneravam. Sim, Roosmarc era visto e considerado como herói do planeta.

          Vida simples, com suas vestes quase sempre largas cobrindo o corpo magro e alto, enfiado semanas na floresta, nunca quisera dinheiro, jamais almejara fortuna. O verdadeiro cientista, dizia, quer, antes de tudo, reconhecimento. Não havia prêmio maior do que isso. Sequer gastava o que ganhava. Aprendera com os bichos que, na vida, não se precisa de muitas coisas...

          Nascera no sul da Holanda e, aos 17 anos, mudou-se para Amsterdã. Queria estudar biologia. Nos fins do ano 60, a cidade fervilhava, era a capital da contestação. John Lennon e Yoko Ono haviam escolhido a cidade para protestar contra a Guerra do Vietnã. Os rebeldes desfilavam pelas ruas, enquanto John Lennon e Yoko Ono incitavam a quebra de valores deitados uma semana num hotel da cidade, consumindo droga e criando suas canções. O gosto pela contracultura crescia, agigantava-se. Rebelde, Roosmarc desfilava pelas ruas, gritando pela paz, também queimando maconha e outras ervas.

          Mas foi, nesta época, que ele se interessou pelos primatas. Depois que terminou a universidade, fez amizade com uma estudante, que também saboreava a contracultura, o desprezo a normas e procedimentos, e com ela, vivendo um romance apaixonado, deu volta ao mundo, como se fosse o famigerado navegante português Vasco da Gama. Estudante de artes plásticas, Marie tinha sede por aventuras: o novo lhe apetecia; o velho não era mais do que um mundo cinzento. A Europa, com seus prédios cinzentos e frios, uma população resignada, não lhe apetecia. Queria quebrar barreiras, outras fronteiras. Não queria apodrecer naquelas cidadezinhas holandesas, onde as mulheres envelheciam rapidamente e só cuidavam de casa. Não queria se transformar num símbolo de cama, fogão e igreja. Menosprezava o título “rainha do lar”, que os pastores tanto veneravam entre a população fiel. Tinha horror ao ver sua mãe de lenço na cabeça e avental cobrindo a gordura da barriga. Se ficasse numa daquelas cidadezinhas, em poucos anos estaria como a mãe – brigava constantemente com o seu pai, saía de casa aos domingos para assistir a mesmice do partor Simeão, e que, rapidamente, voltava para casa para preparar o almoço para os filhos. Que destino! A liberdade a chamava. Não era o que dizia a canção de John Lennon? Ao conhecer Roosmarc, o desejo por aventuras avivou como brasa viva. Quando convidada para segui-lo, e ela queria produzir desenhos e aquarelas jamais vistas no mundo, não titubeou, como se a oportunidade fosse um cavalo encilhado. E cavalo encilhado passa por nós somente uma vez ...

                         (GONÇALVES, David. Sangue verde. Joinville: Sucesso Pocket, 2014. p. 200-201.Adaptado.)

    Ao longo do Texto 5 é possível identificar passagens que nos remetem ao período pós-Segunda Guerra, quando o autor menciona a Europa, com seus prédios cinzentos e frios, uma população resignada e protestos contra a Guerra do Vietnã. Com base na leitura do texto, nas informações deste enunciado e em seus conhecimentos, assinale a alternativa correta:
    Escolha uma alternativa para a questão c1cb6026-9a
  • C1B74315-9A

    História

    História do Brasil
    PUC-GO · 2015MédioEntre para guardar nos favoritos

    TEXTO 5

          NA VIRADA DO SÉCULO, o biólogo Roosmarc conheceu o ápice da fama ao descobrir um novo gênero de primata: o sagui-anão-de-coroa-preta. Foi considerado pela revista Time o grande herói do planeta. Entre os mais de 500 primatas no mundo, Roosmarc descobrira o Callibella humilis, o macaquinho mais saltitante e alegre, anãozinho, com aquela coroa preta. Enquanto outros primatólogos matavam os animais para descrevê-los, dissecando-os em laboratórios, longe da Amazônia, ele criava macacos em sua casa. Esperava que morressem de forma natural e, aí sim, dissecava-os.

          O sagui-anão-de-coroa-preta foi a sensação mundial. Então, ele viveu o ápice da glória. As publicações científicas não se cansaram de elogiá-lo. Quase todos os dias, jornais e revistas estampavam: “Protetor dos animais”, “O bandeirantes da Amazônia”, “O último primatólogo”. De Manaus para o mundo. Os ribeirinhos o saudavam; os políticos o pajeavam; os estudantes de biologia o veneravam. Sim, Roosmarc era visto e considerado como herói do planeta.

          Vida simples, com suas vestes quase sempre largas cobrindo o corpo magro e alto, enfiado semanas na floresta, nunca quisera dinheiro, jamais almejara fortuna. O verdadeiro cientista, dizia, quer, antes de tudo, reconhecimento. Não havia prêmio maior do que isso. Sequer gastava o que ganhava. Aprendera com os bichos que, na vida, não se precisa de muitas coisas...

          Nascera no sul da Holanda e, aos 17 anos, mudou-se para Amsterdã. Queria estudar biologia. Nos fins do ano 60, a cidade fervilhava, era a capital da contestação. John Lennon e Yoko Ono haviam escolhido a cidade para protestar contra a Guerra do Vietnã. Os rebeldes desfilavam pelas ruas, enquanto John Lennon e Yoko Ono incitavam a quebra de valores deitados uma semana num hotel da cidade, consumindo droga e criando suas canções. O gosto pela contracultura crescia, agigantava-se. Rebelde, Roosmarc desfilava pelas ruas, gritando pela paz, também queimando maconha e outras ervas.

          Mas foi, nesta época, que ele se interessou pelos primatas. Depois que terminou a universidade, fez amizade com uma estudante, que também saboreava a contracultura, o desprezo a normas e procedimentos, e com ela, vivendo um romance apaixonado, deu volta ao mundo, como se fosse o famigerado navegante português Vasco da Gama. Estudante de artes plásticas, Marie tinha sede por aventuras: o novo lhe apetecia; o velho não era mais do que um mundo cinzento. A Europa, com seus prédios cinzentos e frios, uma população resignada, não lhe apetecia. Queria quebrar barreiras, outras fronteiras. Não queria apodrecer naquelas cidadezinhas holandesas, onde as mulheres envelheciam rapidamente e só cuidavam de casa. Não queria se transformar num símbolo de cama, fogão e igreja. Menosprezava o título “rainha do lar”, que os pastores tanto veneravam entre a população fiel. Tinha horror ao ver sua mãe de lenço na cabeça e avental cobrindo a gordura da barriga. Se ficasse numa daquelas cidadezinhas, em poucos anos estaria como a mãe – brigava constantemente com o seu pai, saía de casa aos domingos para assistir a mesmice do partor Simeão, e que, rapidamente, voltava para casa para preparar o almoço para os filhos. Que destino! A liberdade a chamava. Não era o que dizia a canção de John Lennon? Ao conhecer Roosmarc, o desejo por aventuras avivou como brasa viva. Quando convidada para segui-lo, e ela queria produzir desenhos e aquarelas jamais vistas no mundo, não titubeou, como se a oportunidade fosse um cavalo encilhado. E cavalo encilhado passa por nós somente uma vez ...

                         (GONÇALVES, David. Sangue verde. Joinville: Sucesso Pocket, 2014. p. 200-201.Adaptado.)

    Nas décadas de 1960/1970, como o Texto 5 afirma, as cidades fervilhavam, os tempos eram de contestação e inovação. Assim como os acontecimentos políticos e econômicos no Sudeste Asiático e Oriente Médio afetaram a Europa, nas Américas, a inovação de valores e a invenção visual também se difundiam rapidamente. Uma cultura internacional irreverente e questionadora nascia atravessando as fronteiras nacionais, estendendo-se dos grandes centros para todo o Planeta. Assinale a alternativa que se relaciona a esse movimento histórico-cultural no Brasil nesse período:
    Escolha uma alternativa para a questão c1b74315-9a
  • C19EC9CA-9A

    História

    História do Brasil
    PUC-GO · 2015MédioEntre para guardar nos favoritos

    TEXTO 5

          NA VIRADA DO SÉCULO, o biólogo Roosmarc conheceu o ápice da fama ao descobrir um novo gênero de primata: o sagui-anão-de-coroa-preta. Foi considerado pela revista Time o grande herói do planeta. Entre os mais de 500 primatas no mundo, Roosmarc descobrira o Callibella humilis, o macaquinho mais saltitante e alegre, anãozinho, com aquela coroa preta. Enquanto outros primatólogos matavam os animais para descrevê-los, dissecando-os em laboratórios, longe da Amazônia, ele criava macacos em sua casa. Esperava que morressem de forma natural e, aí sim, dissecava-os.

          O sagui-anão-de-coroa-preta foi a sensação mundial. Então, ele viveu o ápice da glória. As publicações científicas não se cansaram de elogiá-lo. Quase todos os dias, jornais e revistas estampavam: “Protetor dos animais”, “O bandeirantes da Amazônia”, “O último primatólogo”. De Manaus para o mundo. Os ribeirinhos o saudavam; os políticos o pajeavam; os estudantes de biologia o veneravam. Sim, Roosmarc era visto e considerado como herói do planeta.

          Vida simples, com suas vestes quase sempre largas cobrindo o corpo magro e alto, enfiado semanas na floresta, nunca quisera dinheiro, jamais almejara fortuna. O verdadeiro cientista, dizia, quer, antes de tudo, reconhecimento. Não havia prêmio maior do que isso. Sequer gastava o que ganhava. Aprendera com os bichos que, na vida, não se precisa de muitas coisas...

          Nascera no sul da Holanda e, aos 17 anos, mudou-se para Amsterdã. Queria estudar biologia. Nos fins do ano 60, a cidade fervilhava, era a capital da contestação. John Lennon e Yoko Ono haviam escolhido a cidade para protestar contra a Guerra do Vietnã. Os rebeldes desfilavam pelas ruas, enquanto John Lennon e Yoko Ono incitavam a quebra de valores deitados uma semana num hotel da cidade, consumindo droga e criando suas canções. O gosto pela contracultura crescia, agigantava-se. Rebelde, Roosmarc desfilava pelas ruas, gritando pela paz, também queimando maconha e outras ervas.

          Mas foi, nesta época, que ele se interessou pelos primatas. Depois que terminou a universidade, fez amizade com uma estudante, que também saboreava a contracultura, o desprezo a normas e procedimentos, e com ela, vivendo um romance apaixonado, deu volta ao mundo, como se fosse o famigerado navegante português Vasco da Gama. Estudante de artes plásticas, Marie tinha sede por aventuras: o novo lhe apetecia; o velho não era mais do que um mundo cinzento. A Europa, com seus prédios cinzentos e frios, uma população resignada, não lhe apetecia. Queria quebrar barreiras, outras fronteiras. Não queria apodrecer naquelas cidadezinhas holandesas, onde as mulheres envelheciam rapidamente e só cuidavam de casa. Não queria se transformar num símbolo de cama, fogão e igreja. Menosprezava o título “rainha do lar”, que os pastores tanto veneravam entre a população fiel. Tinha horror ao ver sua mãe de lenço na cabeça e avental cobrindo a gordura da barriga. Se ficasse numa daquelas cidadezinhas, em poucos anos estaria como a mãe – brigava constantemente com o seu pai, saía de casa aos domingos para assistir a mesmice do partor Simeão, e que, rapidamente, voltava para casa para preparar o almoço para os filhos. Que destino! A liberdade a chamava. Não era o que dizia a canção de John Lennon? Ao conhecer Roosmarc, o desejo por aventuras avivou como brasa viva. Quando convidada para segui-lo, e ela queria produzir desenhos e aquarelas jamais vistas no mundo, não titubeou, como se a oportunidade fosse um cavalo encilhado. E cavalo encilhado passa por nós somente uma vez ...

                         (GONÇALVES, David. Sangue verde. Joinville: Sucesso Pocket, 2014. p. 200-201.Adaptado.)

          O fragmento do Texto 5: “Quase todos os dias, jornais e revistas estampavam: 'Protetor dos animais', 'O bandeirantes da Amazônia'" pode remeter-nos à temática das missões realizadas na história do povoamento do Brasil Colonial. A historiografia e o molde geográfico do estado de Goiás são, em grande parte, delineados por tais missões, responsáveis pela exploração e por promoverem a ocupação em território outrora isolado. A respeito das tipologias e dos objetivos dessas missões, analise os itens que seguem:

    I-As Bandeiras eram missões financiadas pelo governo, inicialmente, para mapeamento do interior do País e prospecção de minérios, com o intuito de justificar a posse da Colônia e ampliar o lucro da Coroa.

    II-As Entradas eram explorações particulares realizadas para a busca por metais e pedras preciosas e aprisionamento e venda de índios como escravos.

    III-As Descidas eram expedições jesuítas que buscavam converter os índios ao catolicismo, exercendo importante papel na exploração e ocupação do interior do País.

    IV-Algumas Bandeiras foram realizadas com o intuito de combater as populações indígenas mais violentas ou realizar a recaptura de escravos africanos fugitivos.

    Em relação às proposições analisadas, assinale a única alternativa cujos itens estão todos corretos:

    Escolha uma alternativa para a questão c19ec9ca-9a
  • C18E8E65-9A

    Filosofia

    Conceitos Filosóficos
    PUC-GO · 2015FácilEntre para guardar nos favoritos

    TEXTO 4

          A dúvida, continuou Laura, maldita dúvida. Essa é minha companheira, a sombra inconveniente que me segura pelos calcanhares, que há de seguir comigo até o túmulo. A morte de Tomázia, será que ela me convinha? Talvez me conviesse. Essa hipótese, eu não tenho como descartar. Seu desaparecimento anularia a prova de meu crime? Teria poder para apaziguar a culpa que continuava latejando mesmo depois de meu rompimento definitivo com Vítor? A dúvida acabou se revelando muito superior à certeza. Mil, um milhão de vezes mais forte. Talvez se eu tivesse sido obrigada a confessar meu crime aos pés de um juiz, se tivesse sido enjaulada entre mulheres que me odiavam, que me submetessem ao horror do estupro, que atentassem contra minha pessoa, a sensação de culpa tivesse sido atenuada. Juro que cheguei a sentir inveja do destino reservado às muçulmanas que cometem o pecado do adultério. Desejei, sim, ser publicamente difamada, arrastada pelos cabelos, enterrada até o pescoço, e, finalmente, ter a cabeça esfacelada a pedradas. Qualquer coisa, qualquer situação limite teria sido menos penosa do que seguir carregando a culpa, enquanto simulava a mais absoluta indiferença. Não tenho vocação para o disfarce, a simulação. Ah, como eu lamentei a perda de meu direito de exibir minha fraqueza como outras mulheres faziam! Mas não, eu tinha a permanente obrigação de ser forte, de estar preparada para o momento em que meu mundo viesse abaixo, como veio.

          A visão de mulheres com as cabeças esfaceladas, transformadas em um bolo de carne sangrento e disforme, partículas de cérebro espatifadas pra tudo que é lado, arrepiou meu corpo dolorido. Sentindo um princípio de náusea, comecei a fungar uma emoçãozinha desconfiada. Essa bruxa tá me embromando, penso, daqui a pouco eu entro na dela, caio em prantos e, alagada de piedade, abraço a velha, aliso seus cabelos grisalhos, cubro-lhe a face enrugada com beijinhos consoladores. Calma, tia, calma! Cuidado com a pressão. Tem aí algum tranquilizante que eu possa lhe dar?

                                       (BARROS, Adelice da Silveira. A mesa dos inocentes. Goiânia: Kelps, 2010. p. 23.)

    Chama atenção o drama vivido pela personagem do fragmento extraído do livro A mesa dos inocentes, de Adelice Barros (Texto 4).

    Marque a alternativa correta concernente às reflexões da personagem no fragmento em questão:

    Escolha uma alternativa para a questão c18e8e65-9a
  • C1887FA6-9A

    Filosofia

    Conceitos Filosóficos
    PUC-GO · 2015DifícilEntre para guardar nos favoritos

    TEXTO 4

          A dúvida, continuou Laura, maldita dúvida. Essa é minha companheira, a sombra inconveniente que me segura pelos calcanhares, que há de seguir comigo até o túmulo. A morte de Tomázia, será que ela me convinha? Talvez me conviesse. Essa hipótese, eu não tenho como descartar. Seu desaparecimento anularia a prova de meu crime? Teria poder para apaziguar a culpa que continuava latejando mesmo depois de meu rompimento definitivo com Vítor? A dúvida acabou se revelando muito superior à certeza. Mil, um milhão de vezes mais forte. Talvez se eu tivesse sido obrigada a confessar meu crime aos pés de um juiz, se tivesse sido enjaulada entre mulheres que me odiavam, que me submetessem ao horror do estupro, que atentassem contra minha pessoa, a sensação de culpa tivesse sido atenuada. Juro que cheguei a sentir inveja do destino reservado às muçulmanas que cometem o pecado do adultério. Desejei, sim, ser publicamente difamada, arrastada pelos cabelos, enterrada até o pescoço, e, finalmente, ter a cabeça esfacelada a pedradas. Qualquer coisa, qualquer situação limite teria sido menos penosa do que seguir carregando a culpa, enquanto simulava a mais absoluta indiferença. Não tenho vocação para o disfarce, a simulação. Ah, como eu lamentei a perda de meu direito de exibir minha fraqueza como outras mulheres faziam! Mas não, eu tinha a permanente obrigação de ser forte, de estar preparada para o momento em que meu mundo viesse abaixo, como veio.

          A visão de mulheres com as cabeças esfaceladas, transformadas em um bolo de carne sangrento e disforme, partículas de cérebro espatifadas pra tudo que é lado, arrepiou meu corpo dolorido. Sentindo um princípio de náusea, comecei a fungar uma emoçãozinha desconfiada. Essa bruxa tá me embromando, penso, daqui a pouco eu entro na dela, caio em prantos e, alagada de piedade, abraço a velha, aliso seus cabelos grisalhos, cubro-lhe a face enrugada com beijinhos consoladores. Calma, tia, calma! Cuidado com a pressão. Tem aí algum tranquilizante que eu possa lhe dar?

                                       (BARROS, Adelice da Silveira. A mesa dos inocentes. Goiânia: Kelps, 2010. p. 23.)

    O Texto 4 retrata o conflito de uma mulher consigo mesma em razão de um sentimento de culpa. Culpa e punição sempre estiveram presentes no universo feminino. Durante a Idade Média e no limiar da modernidade, na Europa, as atitudes das mulheres eram vistas como ameaças à ordem estabelecida pelo poder patriarcal e pelo poder soberano, em nome do povo, para defender a moral e o direito da comunidade. Analise os itens a seguir sobre a temática:

    I-Para os teólogos e moralistas da Idade Média, a sensualidade da mulher sempre esteve no centro das reprovações. Por isso, a preocupação constante dos religiosos com a repressão ou o controle da sexualidade, pois as mulheres, fracas e entregues aos próprios instintos, dificilmente resistiam às artimanhas do Demônio.

    II-As canções medievais das fiandeiras retratam o espaço privado das mulheres como lugar de recolhimento, de devaneio, de espera e de convivência.

    III-Na perspectiva do pensamento burguês, a imagem da mulher aparece depreciada nas narrativas literárias dos séculos XIV e XV. O amor cortês se transforma em ridicularização, malícia e reprovação dos excessos das mulheres, especialmente a gula e a falta de controle dos instintos.

    De acordo com os itens analisados, marque a alternativa que contém apenas proposições corretas:

    Escolha uma alternativa para a questão c1887fa6-9a
  • C182984C-9A

    Filosofia

    A Política
    PUC-GO · 2015MédioEntre para guardar nos favoritos

    TEXTO 4

          A dúvida, continuou Laura, maldita dúvida. Essa é minha companheira, a sombra inconveniente que me segura pelos calcanhares, que há de seguir comigo até o túmulo. A morte de Tomázia, será que ela me convinha? Talvez me conviesse. Essa hipótese, eu não tenho como descartar. Seu desaparecimento anularia a prova de meu crime? Teria poder para apaziguar a culpa que continuava latejando mesmo depois de meu rompimento definitivo com Vítor? A dúvida acabou se revelando muito superior à certeza. Mil, um milhão de vezes mais forte. Talvez se eu tivesse sido obrigada a confessar meu crime aos pés de um juiz, se tivesse sido enjaulada entre mulheres que me odiavam, que me submetessem ao horror do estupro, que atentassem contra minha pessoa, a sensação de culpa tivesse sido atenuada. Juro que cheguei a sentir inveja do destino reservado às muçulmanas que cometem o pecado do adultério. Desejei, sim, ser publicamente difamada, arrastada pelos cabelos, enterrada até o pescoço, e, finalmente, ter a cabeça esfacelada a pedradas. Qualquer coisa, qualquer situação limite teria sido menos penosa do que seguir carregando a culpa, enquanto simulava a mais absoluta indiferença. Não tenho vocação para o disfarce, a simulação. Ah, como eu lamentei a perda de meu direito de exibir minha fraqueza como outras mulheres faziam! Mas não, eu tinha a permanente obrigação de ser forte, de estar preparada para o momento em que meu mundo viesse abaixo, como veio.

          A visão de mulheres com as cabeças esfaceladas, transformadas em um bolo de carne sangrento e disforme, partículas de cérebro espatifadas pra tudo que é lado, arrepiou meu corpo dolorido. Sentindo um princípio de náusea, comecei a fungar uma emoçãozinha desconfiada. Essa bruxa tá me embromando, penso, daqui a pouco eu entro na dela, caio em prantos e, alagada de piedade, abraço a velha, aliso seus cabelos grisalhos, cubro-lhe a face enrugada com beijinhos consoladores. Calma, tia, calma! Cuidado com a pressão. Tem aí algum tranquilizante que eu possa lhe dar?

                                       (BARROS, Adelice da Silveira. A mesa dos inocentes. Goiânia: Kelps, 2010. p. 23.)

    O Texto 4 faz referência a dúvida e a certeza. Descartes, o pai da filosofia moderna, começa duvidando de tudo. Na verdade, o seu método parte de um ceticismo que é levado ao extremo para se chegar a uma verdade indubitável. Tendo Descartes como referência, analise as proposições a seguir e marque a alternativa correta:
    Escolha uma alternativa para a questão c182984c-9a
  • C1797268-9A

    História

    História Geral
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    TEXTO 4

          A dúvida, continuou Laura, maldita dúvida. Essa é minha companheira, a sombra inconveniente que me segura pelos calcanhares, que há de seguir comigo até o túmulo. A morte de Tomázia, será que ela me convinha? Talvez me conviesse. Essa hipótese, eu não tenho como descartar. Seu desaparecimento anularia a prova de meu crime? Teria poder para apaziguar a culpa que continuava latejando mesmo depois de meu rompimento definitivo com Vítor? A dúvida acabou se revelando muito superior à certeza. Mil, um milhão de vezes mais forte. Talvez se eu tivesse sido obrigada a confessar meu crime aos pés de um juiz, se tivesse sido enjaulada entre mulheres que me odiavam, que me submetessem ao horror do estupro, que atentassem contra minha pessoa, a sensação de culpa tivesse sido atenuada. Juro que cheguei a sentir inveja do destino reservado às muçulmanas que cometem o pecado do adultério. Desejei, sim, ser publicamente difamada, arrastada pelos cabelos, enterrada até o pescoço, e, finalmente, ter a cabeça esfacelada a pedradas. Qualquer coisa, qualquer situação limite teria sido menos penosa do que seguir carregando a culpa, enquanto simulava a mais absoluta indiferença. Não tenho vocação para o disfarce, a simulação. Ah, como eu lamentei a perda de meu direito de exibir minha fraqueza como outras mulheres faziam! Mas não, eu tinha a permanente obrigação de ser forte, de estar preparada para o momento em que meu mundo viesse abaixo, como veio.

          A visão de mulheres com as cabeças esfaceladas, transformadas em um bolo de carne sangrento e disforme, partículas de cérebro espatifadas pra tudo que é lado, arrepiou meu corpo dolorido. Sentindo um princípio de náusea, comecei a fungar uma emoçãozinha desconfiada. Essa bruxa tá me embromando, penso, daqui a pouco eu entro na dela, caio em prantos e, alagada de piedade, abraço a velha, aliso seus cabelos grisalhos, cubro-lhe a face enrugada com beijinhos consoladores. Calma, tia, calma! Cuidado com a pressão. Tem aí algum tranquilizante que eu possa lhe dar?

                                       (BARROS, Adelice da Silveira. A mesa dos inocentes. Goiânia: Kelps, 2010. p. 23.)

    A religião mulçumana, referida no texto, teve seus primórdios na Arábia do século VI d.C. Logo após o falecimento do profeta Maomé, ela se espalhou pelo norte do continente africano, chegando a ocupar territórios europeus, e permaneceu por vários séculos na Península Ibérica. Acerca dessa religião, seus valores éticos e sua cultura, assinale a alternativa correta:
    Escolha uma alternativa para a questão c1797268-9a