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Prova de 2024: Universidade do Estado do Amazonas (UEA) — questões com gabarito

27 questões da prova de 2024 de Universidade do Estado do Amazonas (UEA), em Português. Cada uma tem página própria, com enunciado completo, alternativas e gabarito — e dá para responder na própria página.

  • 27 questões

Resultados: 27 questões

Página 2 de 2

  • Linguagens

    Português

    Leia o trecho do romance Ciranda de pedra, de Lygia Fagundes Telles, para responder à questão.


    Virgínia subiu precipitadamente a escada e trancou-se no quarto.

    — Abre, menina — ordenou Luciana do lado de fora.

    Virgínia encostou-se à parede e pôs-se a roer as unhas, seguindo com o olhar uma formiguinha que subia pelo batente da porta. “Se entrar aí nessa fresta, você morre!”, sussurrou soprando-a para o chão. “Eu te salvo, bobinha, não tenha medo”, disse em voz alta. E afastou-a com o indicador. Nesse instante fixou o olhar na unha roída até a carne. Pensou nas unhas de Otávia. E esmagou a formiga.

    — Virgínia, eu não estou brincando, menina. Abre logo, anda!

    — Agora não posso.

    — Não pode por quê?

    — Estou fazendo uma coisa — respondeu evasivamente.

    Pensava em Conrado a lhe explicar que os bichos são como gente, têm alma de gente, e que matar um bichinho era o mesmo que matar uma pessoa. “Se você for má e começar a matar só por gosto, na outra vida você será bicho também, mas um desses bichos horríveis, cobra, rato, aranha...” Deitou-se no assoalho e começou a se espojar angustiosamente, avançando de rastros até o meio do quarto.

    — Ou você abre ou conto para o seu tio. É isto que você quer, é isto?

    Virgínia imobilizou-se. Ser cobra machucava os cotovelos, melhor ser borboleta. Mas quem ia ser borboleta decerto era Otávia, que era linda. “E eu sou feia e ruim, ruim, ruim!”, exclamou dando murros no chão. Ergueu a cabeça num desafio:

    — Pode contar tudo, tio Daniel não me manda, quem manda em mim é meu pai, ouviu? Meu pai.

    (Ciranda de pedra, 2009.)
    A fala “quem manda em mim é meu pai” (11º parágrafo), passada ao discurso indireto, assume a seguinte redação:
    Escolha uma alternativa para a questão a60a8946-46
  • Linguagens

    Português

    Considere o texto “Serial lover”, escrito por Carpinejar, para responder à questão.

        Existe uma infidelidade mais secreta e menos evidente, que acontece depois do relacionamento. Só acontece depois.
        É uma traição póstuma, retardatária, residual.
        É quando você repete os mesmos lugares, os mesmos apelos, as mesmas confidências com outro. É quando você insiste em escrever e tecer declarações exatamente iguais.
        É uma extorsão sentimental colocar um desejo para sua nova companhia como se fosse inédito.
        Pois a paixão só é idêntica para quem não enxerga as diferenças.
        É como remanejar presentes, aproveitar alianças antigas.
        Você prova que não tem criatividade nenhuma, demonstra a maior apatia: refaz os passeios que já realizou, leva para os restaurantes que frequentava, as baladas e festas conhecidas, reincide nos roteiros de viagem, destina sonhos e palavras já gastos, reemprega até os nomes aprovados para quando nascessem seus filhos.
        Mudou a pessoa, mas não o seu jeito de seduzir. Mudou a pessoa, mas não sua rotina de amar. Mudou a pessoa, mas não seu script.
        É uma melancólica sobreposição, desastrada colagem.
        Nem precisa cometer o ato falho de trocar o nome do atual pelo ex, porque estará revisitando atmosferas e cenários.     Experimenta locações contaminadas por juras velhas.
        Não há sensação mais ingrata para seu namorado anterior ao perceber que era mais um. Um qualquer, nem um pouco especial. Um sósia de cenas românticas. Um dublê da adrenalina e dos feromônios.
        Você oferece um passado usado sob o disfarce de futuro. Alcança aquilo que foi ensaiado com o antecessor. Não se dá o luxo de disfarçar, o trabalho de maquiar, colocar uma manta no mobiliário da memória.
        Recorrendo à fórmula fixa de história feliz, estabelece uma competição imaginária, anula a individualidade do seu par, apaga a invenção a dois e a costura por caminhos surpreendentes e inesquecíveis.
        Acredita em sua inocência porque ninguém comentará o assunto. Desfruta da tolerância dos garçons, dos colegas, dos amigos, dos parentes. É realmente um segredo com pequenas chances de ser revelado, porém a consciência não é boba e um dia se vinga.
        O que vive está longe de ser amor, é obsessão.
    (Carpinejar. Para onde vai o amor, 2015.)
    No contexto em que está inserida, a palavra sublinhada em “É uma traição póstuma, retardatária, residual” (1º parágrafo) tem o sentido de algo que
    Escolha uma alternativa para a questão a6120a82-46
  • Linguagens

    Português

    Leia o poema “Sanduíche matinal”, de Astrid Cabral.


    Sanduíche matinal


    Mastigam-se ao café

    entre fatias torradas

    jornais com pingos de sangue

    jornais com furos de bala.

    No portal da manhã

    o sinistro sanduíche

    energiza os transeuntes do dia.

    (Engavetado o remorso

    dos crimes bem menores)

    Omissões? traições? covardias?

    Transgressões mínimas.

    Todos, subitamente, melhores.


    (Astrid Cabral. Intramuros, 2011.)



    No contexto apresentado pelo poema, a leitura matinal dos jornais

    Escolha uma alternativa para a questão a61c2c07-46
  • Linguagens

    Português

    Leia o trecho do romance Ciranda de pedra, de Lygia Fagundes Telles, para responder à questão.


    Virgínia subiu precipitadamente a escada e trancou-se no quarto.

    — Abre, menina — ordenou Luciana do lado de fora.

    Virgínia encostou-se à parede e pôs-se a roer as unhas, seguindo com o olhar uma formiguinha que subia pelo batente da porta. “Se entrar aí nessa fresta, você morre!”, sussurrou soprando-a para o chão. “Eu te salvo, bobinha, não tenha medo”, disse em voz alta. E afastou-a com o indicador. Nesse instante fixou o olhar na unha roída até a carne. Pensou nas unhas de Otávia. E esmagou a formiga.

    — Virgínia, eu não estou brincando, menina. Abre logo, anda!

    — Agora não posso.

    — Não pode por quê?

    — Estou fazendo uma coisa — respondeu evasivamente.

    Pensava em Conrado a lhe explicar que os bichos são como gente, têm alma de gente, e que matar um bichinho era o mesmo que matar uma pessoa. “Se você for má e começar a matar só por gosto, na outra vida você será bicho também, mas um desses bichos horríveis, cobra, rato, aranha...” Deitou-se no assoalho e começou a se espojar angustiosamente, avançando de rastros até o meio do quarto.

    — Ou você abre ou conto para o seu tio. É isto que você quer, é isto?

    Virgínia imobilizou-se. Ser cobra machucava os cotovelos, melhor ser borboleta. Mas quem ia ser borboleta decerto era Otávia, que era linda. “E eu sou feia e ruim, ruim, ruim!”, exclamou dando murros no chão. Ergueu a cabeça num desafio:

    — Pode contar tudo, tio Daniel não me manda, quem manda em mim é meu pai, ouviu? Meu pai.

    (Ciranda de pedra, 2009.)
    De acordo com a cena narrada, a personagem Virgínia, quando criança, era:
    Escolha uma alternativa para a questão 19a22ede-46
  • Linguagens

    Português

    Leia o trecho do romance Ciranda de pedra, de Lygia Fagundes Telles, para responder à questão.


    Virgínia subiu precipitadamente a escada e trancou-se no quarto.

    — Abre, menina — ordenou Luciana do lado de fora.

    Virgínia encostou-se à parede e pôs-se a roer as unhas, seguindo com o olhar uma formiguinha que subia pelo batente da porta. “Se entrar aí nessa fresta, você morre!”, sussurrou soprando-a para o chão. “Eu te salvo, bobinha, não tenha medo”, disse em voz alta. E afastou-a com o indicador. Nesse instante fixou o olhar na unha roída até a carne. Pensou nas unhas de Otávia. E esmagou a formiga.

    — Virgínia, eu não estou brincando, menina. Abre logo, anda!

    — Agora não posso.

    — Não pode por quê?

    — Estou fazendo uma coisa — respondeu evasivamente.

    Pensava em Conrado a lhe explicar que os bichos são como gente, têm alma de gente, e que matar um bichinho era o mesmo que matar uma pessoa. “Se você for má e começar a matar só por gosto, na outra vida você será bicho também, mas um desses bichos horríveis, cobra, rato, aranha...” Deitou-se no assoalho e começou a se espojar angustiosamente, avançando de rastros até o meio do quarto.

    — Ou você abre ou conto para o seu tio. É isto que você quer, é isto?

    Virgínia imobilizou-se. Ser cobra machucava os cotovelos, melhor ser borboleta. Mas quem ia ser borboleta decerto era Otávia, que era linda. “E eu sou feia e ruim, ruim, ruim!”, exclamou dando murros no chão. Ergueu a cabeça num desafio:

    — Pode contar tudo, tio Daniel não me manda, quem manda em mim é meu pai, ouviu? Meu pai.

    (Ciranda de pedra, 2009.)
    “— Ou você abre ou conto para o seu tio.” (9o parágrafo) Em relação à primeira, a segunda oração expressa uma
    Escolha uma alternativa para a questão 19ad8a7b-46
  • Linguagens

    Português

    Considere o texto “Serial lover”, escrito por Carpinejar, para responder à questão.


    Existe uma infidelidade mais secreta e menos evidente, que acontece depois do relacionamento. Só acontece depois. É uma traição póstuma, retardatária, residual. É quando você repete os mesmos lugares, os mesmos apelos, as mesmas confidências com outro.

    É quando você insiste em escrever e tecer declarações exatamente iguais.

    É uma extorsão sentimental colocar um desejo para sua nova companhia como se fosse inédito.

    Pois a paixão só é idêntica para quem não enxerga as diferenças.

    É como remanejar presentes, aproveitar alianças antigas.

    Você prova que não tem criatividade nenhuma, demonstra a maior apatia: refaz os passeios que já realizou, leva para os restaurantes que frequentava, as baladas e festas conhecidas, reincide nos roteiros de viagem, destina sonhos e palavras já gastos, reemprega até os nomes aprovados para quando nascessem seus filhos.

    Mudou a pessoa, mas não o seu jeito de seduzir. Mudou a pessoa, mas não sua rotina de amar. Mudou a pessoa, mas não seu script.

    É uma melancólica sobreposição, desastrada colagem.

    Nem precisa cometer o ato falho de trocar o nome do atual pelo ex, porque estará revisitando atmosferas e cenários. Experimenta locações contaminadas por juras velhas.

    Não há sensação mais ingrata para seu namorado anterior ao perceber que era mais um. Um qualquer, nem um pouco especial. Um sósia de cenas românticas. Um dublê da adrenalina e dos feromônios.

    Você oferece um passado usado sob o disfarce de futuro. Alcança aquilo que foi ensaiado com o antecessor. Não se dá o luxo de disfarçar, o trabalho de maquiar, colocar uma manta no mobiliário da memória.

    Recorrendo à fórmula fixa de história feliz, estabelece uma competição imaginária, anula a individualidade do seu par, apaga a invenção a dois e a costura por caminhos surpreendentes e inesquecíveis.

    Acredita em sua inocência porque ninguém comentará o assunto. Desfruta da tolerância dos garçons, dos colegas, dos amigos, dos parentes. É realmente um segredo com pequenas chances de ser revelado, porém a consciência não é boba e um dia se vinga.

    O que vive está longe de ser amor, é obsessão.

    (Carpinejar. Para onde vai o amor, 2015.)
    “Acredita em sua inocência porque ninguém comentará o assunto.” (13º parágrafo)

    O pronome sublinhado refere-se a
    Escolha uma alternativa para a questão 19b82f5b-46
  • Linguagens

    Português

    Considere o texto “Serial lover”, escrito por Carpinejar, para responder à questão.


    Existe uma infidelidade mais secreta e menos evidente, que acontece depois do relacionamento. Só acontece depois. É uma traição póstuma, retardatária, residual. É quando você repete os mesmos lugares, os mesmos apelos, as mesmas confidências com outro.

    É quando você insiste em escrever e tecer declarações exatamente iguais.

    É uma extorsão sentimental colocar um desejo para sua nova companhia como se fosse inédito.

    Pois a paixão só é idêntica para quem não enxerga as diferenças.

    É como remanejar presentes, aproveitar alianças antigas.

    Você prova que não tem criatividade nenhuma, demonstra a maior apatia: refaz os passeios que já realizou, leva para os restaurantes que frequentava, as baladas e festas conhecidas, reincide nos roteiros de viagem, destina sonhos e palavras já gastos, reemprega até os nomes aprovados para quando nascessem seus filhos.

    Mudou a pessoa, mas não o seu jeito de seduzir. Mudou a pessoa, mas não sua rotina de amar. Mudou a pessoa, mas não seu script.

    É uma melancólica sobreposição, desastrada colagem.

    Nem precisa cometer o ato falho de trocar o nome do atual pelo ex, porque estará revisitando atmosferas e cenários. Experimenta locações contaminadas por juras velhas.

    Não há sensação mais ingrata para seu namorado anterior ao perceber que era mais um. Um qualquer, nem um pouco especial. Um sósia de cenas românticas. Um dublê da adrenalina e dos feromônios.

    Você oferece um passado usado sob o disfarce de futuro. Alcança aquilo que foi ensaiado com o antecessor. Não se dá o luxo de disfarçar, o trabalho de maquiar, colocar uma manta no mobiliário da memória.

    Recorrendo à fórmula fixa de história feliz, estabelece uma competição imaginária, anula a individualidade do seu par, apaga a invenção a dois e a costura por caminhos surpreendentes e inesquecíveis.

    Acredita em sua inocência porque ninguém comentará o assunto. Desfruta da tolerância dos garçons, dos colegas, dos amigos, dos parentes. É realmente um segredo com pequenas chances de ser revelado, porém a consciência não é boba e um dia se vinga.

    O que vive está longe de ser amor, é obsessão.

    (Carpinejar. Para onde vai o amor, 2015.)
    Ocorre uma palavra formada com um prefixo que expressa negação em:
    Escolha uma alternativa para a questão 19bb3022-46