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Prova

Prova de 2024: Universidade do Estado do Amazonas (UEA) — questões com gabarito

27 questões da prova de 2024 de Universidade do Estado do Amazonas (UEA), em Português, Inglês. Cada uma tem página própria, com enunciado completo, alternativas e gabarito — e dá para responder na própria página.

  • 27 questões

Resultados: 27 questões

Página 1 de 2

  • Linguagens

    Português

    Considere o texto “Serial lover”, escrito por Carpinejar, para responder à questão.


    Existe uma infidelidade mais secreta e menos evidente, que acontece depois do relacionamento. Só acontece depois. É uma traição póstuma, retardatária, residual. É quando você repete os mesmos lugares, os mesmos apelos, as mesmas confidências com outro.

    É quando você insiste em escrever e tecer declarações exatamente iguais.

    É uma extorsão sentimental colocar um desejo para sua nova companhia como se fosse inédito.

    Pois a paixão só é idêntica para quem não enxerga as diferenças.

    É como remanejar presentes, aproveitar alianças antigas.

    Você prova que não tem criatividade nenhuma, demonstra a maior apatia: refaz os passeios que já realizou, leva para os restaurantes que frequentava, as baladas e festas conhecidas, reincide nos roteiros de viagem, destina sonhos e palavras já gastos, reemprega até os nomes aprovados para quando nascessem seus filhos.

    Mudou a pessoa, mas não o seu jeito de seduzir. Mudou a pessoa, mas não sua rotina de amar. Mudou a pessoa, mas não seu script.

    É uma melancólica sobreposição, desastrada colagem.

    Nem precisa cometer o ato falho de trocar o nome do atual pelo ex, porque estará revisitando atmosferas e cenários. Experimenta locações contaminadas por juras velhas.

    Não há sensação mais ingrata para seu namorado anterior ao perceber que era mais um. Um qualquer, nem um pouco especial. Um sósia de cenas românticas. Um dublê da adrenalina e dos feromônios.

    Você oferece um passado usado sob o disfarce de futuro. Alcança aquilo que foi ensaiado com o antecessor. Não se dá o luxo de disfarçar, o trabalho de maquiar, colocar uma manta no mobiliário da memória.

    Recorrendo à fórmula fixa de história feliz, estabelece uma competição imaginária, anula a individualidade do seu par, apaga a invenção a dois e a costura por caminhos surpreendentes e inesquecíveis.

    Acredita em sua inocência porque ninguém comentará o assunto. Desfruta da tolerância dos garçons, dos colegas, dos amigos, dos parentes. É realmente um segredo com pequenas chances de ser revelado, porém a consciência não é boba e um dia se vinga.

    O que vive está longe de ser amor, é obsessão.

    (Carpinejar. Para onde vai o amor, 2015.)
    “Acredita em sua inocência porque ninguém comentará o assunto.” (13º parágrafo)

    O pronome sublinhado refere-se a
    Escolha uma alternativa para a questão 19b82f5b-46
  • Linguagens

    Português

    Considere o texto “Serial lover”, escrito por Carpinejar, para responder à questão.

        Existe uma infidelidade mais secreta e menos evidente, que acontece depois do relacionamento. Só acontece depois.
        É uma traição póstuma, retardatária, residual.
        É quando você repete os mesmos lugares, os mesmos apelos, as mesmas confidências com outro. É quando você insiste em escrever e tecer declarações exatamente iguais.
        É uma extorsão sentimental colocar um desejo para sua nova companhia como se fosse inédito.
        Pois a paixão só é idêntica para quem não enxerga as diferenças.
        É como remanejar presentes, aproveitar alianças antigas.
        Você prova que não tem criatividade nenhuma, demonstra a maior apatia: refaz os passeios que já realizou, leva para os restaurantes que frequentava, as baladas e festas conhecidas, reincide nos roteiros de viagem, destina sonhos e palavras já gastos, reemprega até os nomes aprovados para quando nascessem seus filhos.
        Mudou a pessoa, mas não o seu jeito de seduzir. Mudou a pessoa, mas não sua rotina de amar. Mudou a pessoa, mas não seu script.
        É uma melancólica sobreposição, desastrada colagem.
        Nem precisa cometer o ato falho de trocar o nome do atual pelo ex, porque estará revisitando atmosferas e cenários.     Experimenta locações contaminadas por juras velhas.
        Não há sensação mais ingrata para seu namorado anterior ao perceber que era mais um. Um qualquer, nem um pouco especial. Um sósia de cenas românticas. Um dublê da adrenalina e dos feromônios.
        Você oferece um passado usado sob o disfarce de futuro. Alcança aquilo que foi ensaiado com o antecessor. Não se dá o luxo de disfarçar, o trabalho de maquiar, colocar uma manta no mobiliário da memória.
        Recorrendo à fórmula fixa de história feliz, estabelece uma competição imaginária, anula a individualidade do seu par, apaga a invenção a dois e a costura por caminhos surpreendentes e inesquecíveis.
        Acredita em sua inocência porque ninguém comentará o assunto. Desfruta da tolerância dos garçons, dos colegas, dos amigos, dos parentes. É realmente um segredo com pequenas chances de ser revelado, porém a consciência não é boba e um dia se vinga.
        O que vive está longe de ser amor, é obsessão.
    (Carpinejar. Para onde vai o amor, 2015.)
    No contexto em que está inserida, a palavra sublinhada em “É uma traição póstuma, retardatária, residual” (1º parágrafo) tem o sentido de algo que
    Escolha uma alternativa para a questão a6120a82-46
  • Linguagens

    Português

    Considere a tirinha de Pablo Carballo, publicada no perfil @opablocarballo do Instagram.

    Imagem da questão de Português, UEA 2024, Interpretação de Textos

    A palavra “ainda”, no último quadrinho, indica que “tá sem fazer nada” é um
    Escolha uma alternativa para a questão e26f4589-46
  • Linguagens

    Português

    Considere a tirinha de Will Leite, publicada no perfil @will.tirando do Instagram.

    Imagem da questão de Português, UEA 2024, Interpretação de Textos

    A atitude de Jair, no último quadrinho,
    Escolha uma alternativa para a questão e25ca272-46
  • Linguagens

    Português

        A propaganda do movimento totalitário serve também para libertar o pensamento da experiência e da realidade; procura sempre injetar um significado secreto em cada evento público tangível e farejar intenções secretas atrás de cada ato político público. Quando chegam ao poder, os movimentos passam a alterar a realidade segundo as suas afirmações ideológicas. O conceito de inimizade é substituído pelo conceito de conspiração, e isso produz uma mentalidade na qual já não se experimenta e se compreende a realidade em seus próprios termos — a verdadeira inimizade ou a verdadeira amizade — mas automaticamente se presume que ela significa outra coisa.
    (Hannah Arendt. Origens do totalitarismo, 2012.)

    De acordo com o excerto, o movimento totalitário utiliza a propaganda para
    Escolha uma alternativa para a questão b4224a5e-46
  • Linguagens

    Inglês

        Renowned for its stunning biodiversity, the Amazon rainforest region is also home to a vast array of people and cultures. “People usually think that the environment doesn’t contain and include people, but it does,” said soil scientist Judson Ferreira Valentim, who lives in Brazil’s Acre state. “There are many different Amazonias and many different Amazonians.”

    (www.aljazeera.com, 28.11.2023. Adaptado.)

    According to the information presented, a suitable title for the text is:
    Escolha uma alternativa para a questão b41ab6e1-46
  • Linguagens

    Inglês

    Leia o texto para responder à questão.

    Misinformation and disinformation



       Misinformation is false or inaccurate information — getting the facts wrong. Disinformation is false information, which is deliberately intended to mislead — intentionally misstating the facts.
        The spread of misinformation and disinformation has affected our ability to improve public health, address climate change, maintain a stable democracy, and more. By providing valuable insight into how and why we are likely to believe misinformation and disinformation, psychological science can inform how we protect ourselves against its ill effects.
    (www.apa.org. Adaptado.)
    De acordo com o texto, a distinção entre “misinformation” e “disinformation” é que
    Escolha uma alternativa para a questão b415c977-46
  • Linguagens

    Inglês

    Social media and the internet

    Imagem da questão de Inglês, UEA 2024, Interpretação de texto | Reading comprehension

        Social media are forms of digital communication through which users create online communities to share information, ideas, personal messages, and other content.
        Social media use is not inherently beneficial or harmful. Social media platforms offer powerful opportunities for socialization and connection, but may also have some negative effects, including misinformation and disinformation, hate speech, and cyberbullying. At the extreme, social media use can interfere with sleep, physical activity, and in-person social interactions.

    (www.apa.org. Adaptado.)

    The text intends to
    Escolha uma alternativa para a questão b4136147-46
  • Linguagens

    Português

    Leia o trecho do romance Capitães da areia, de Jorge Amado, para responder à questão.

        Pedro Bala e João Grande abalaram pela ladeira da Praça. Barandão abriu no mundo também. Mas o Sem-Pernas ficou encurralado na rua. Jogava picula1 com os guardas. Estes tinham se despreocupado dos outros, pensavam que já era alguma coisa pegar aquele coxo. Sem-Pernas corria de um lado para outro da rua, os guardas avançavam. Ele fez que ia escapulir por outro lado, driblou um dos guardas, saiu pela ladeira. Mas em vez de descer e tomar pela Baixa dos Sapateiros, se dirigiu para a praça do Palácio. Porque Sem-Pernas sabia que se corresse na rua o pegariam com certeza. Eram homens, de pernas maiores que as suas, e além do mais ele era coxo, pouco podia correr. E acima de tudo não queria que o pegassem. Lembrava-se da vez que fora à polícia. Dos sonhos das suas noites más. Não o pegariam e enquanto corre este é o único pensamento que vai com ele. [...] Não o levarão. Vêm em seus calcanhares, mas não o levarão. Pensam que ele vai parar junto ao grande elevador. Mas Sem-Pernas não para. Sobe para o pequeno muro, volve o rosto para os guardas que ainda correm, ri com toda a força do seu ódio, cospe na cara de um que se aproxima estendendo os braços, se atira de costas no espaço como se fosse um trapezista de circo.
        A praça toda fica em suspenso por um momento. “Se jogou”, diz uma mulher, e desmaia. Sem-Pernas se rebenta na montanha como um trapezista de circo que não tivesse alcançado o outro trapézio. O cachorro late entre as grades do muro.
    (Capitães da areia, 2008.)

    1picula: brincadeira infantil também conhecida como pega-pega, pegador e manja-pega.
    A palavra sublinhada indica uma condição em:
    Escolha uma alternativa para a questão b4111307-46
  • Linguagens

    Português

    Leia o trecho do romance Capitães da areia, de Jorge Amado, para responder à questão.

        Pedro Bala e João Grande abalaram pela ladeira da Praça. Barandão abriu no mundo também. Mas o Sem-Pernas ficou encurralado na rua. Jogava picula1 com os guardas. Estes tinham se despreocupado dos outros, pensavam que já era alguma coisa pegar aquele coxo. Sem-Pernas corria de um lado para outro da rua, os guardas avançavam. Ele fez que ia escapulir por outro lado, driblou um dos guardas, saiu pela ladeira. Mas em vez de descer e tomar pela Baixa dos Sapateiros, se dirigiu para a praça do Palácio. Porque Sem-Pernas sabia que se corresse na rua o pegariam com certeza. Eram homens, de pernas maiores que as suas, e além do mais ele era coxo, pouco podia correr. E acima de tudo não queria que o pegassem. Lembrava-se da vez que fora à polícia. Dos sonhos das suas noites más. Não o pegariam e enquanto corre este é o único pensamento que vai com ele. [...] Não o levarão. Vêm em seus calcanhares, mas não o levarão. Pensam que ele vai parar junto ao grande elevador. Mas Sem-Pernas não para. Sobe para o pequeno muro, volve o rosto para os guardas que ainda correm, ri com toda a força do seu ódio, cospe na cara de um que se aproxima estendendo os braços, se atira de costas no espaço como se fosse um trapezista de circo.
        A praça toda fica em suspenso por um momento. “Se jogou”, diz uma mulher, e desmaia. Sem-Pernas se rebenta na montanha como um trapezista de circo que não tivesse alcançado o outro trapézio. O cachorro late entre as grades do muro.
    (Capitães da areia, 2008.)

    1picula: brincadeira infantil também conhecida como pega-pega, pegador e manja-pega.
    Na frase “E acima de tudo não queria que o pegassem” (1º parágrafo), a expressão sublinhada indica que a ação pretendida pelo personagem é
    Escolha uma alternativa para a questão b40ec1b9-46
  • Linguagens

    Português

    Leia o texto de Debora Pazetto Ferreira para responder à questão.

    Danto1 introduz o problema da interpretação de obras de arte propondo, como de costume, um experimento mental: imaginar duas obras de arte que sejam sensorialmente indiscerníveis, mas que foram produzidas em épocas e lugares diferentes. Esse experimento tem o objetivo de mostrar que, embora os objetos materiais que as corporificam sejam idênticos, as referidas obras são distintas, uma vez que têm significados diferentes. Danto concorda, portanto, com a tese wölffliniana2 de que nem tudo é possível em qualquer época, ou seja, os significados artísticos são condicionados pelo seu contexto histórico. Desse modo, o problema da interpretação está inserido no cerne da definição de arte.
    (Revista Kriterion, 2018. Adaptado.)

    1Arthur Danto (1924-2013): filósofo e crítico de arte estadunidense.

    2Heinrich Wölfflin (1864-1945): filósofo e crítico de arte suíço.
    “embora os objetos materiais que as corporificam sejam idênticos, as referidas obras são distintas, uma vez que têm significados diferentes.”

    Ao falar dos objetos e seus significados, a autora estabelece uma oposição entre
    Escolha uma alternativa para a questão b404c66d-46
  • Linguagens

    Português

    Leia o texto de Debora Pazetto Ferreira para responder à questão.

    Danto1 introduz o problema da interpretação de obras de arte propondo, como de costume, um experimento mental: imaginar duas obras de arte que sejam sensorialmente indiscerníveis, mas que foram produzidas em épocas e lugares diferentes. Esse experimento tem o objetivo de mostrar que, embora os objetos materiais que as corporificam sejam idênticos, as referidas obras são distintas, uma vez que têm significados diferentes. Danto concorda, portanto, com a tese wölffliniana2 de que nem tudo é possível em qualquer época, ou seja, os significados artísticos são condicionados pelo seu contexto histórico. Desse modo, o problema da interpretação está inserido no cerne da definição de arte.
    (Revista Kriterion, 2018. Adaptado.)

    1Arthur Danto (1924-2013): filósofo e crítico de arte estadunidense.

    2Heinrich Wölfflin (1864-1945): filósofo e crítico de arte suíço.
    Segundo o texto, o experimento proposto por Danto serviria para mostrar que o significado de um objeto de arte depende
    Escolha uma alternativa para a questão b4025497-46
  • Linguagens

    Português

    Considere o texto “Serial lover”, escrito por Carpinejar, para responder à questão.


    Existe uma infidelidade mais secreta e menos evidente, que acontece depois do relacionamento. Só acontece depois. É uma traição póstuma, retardatária, residual. É quando você repete os mesmos lugares, os mesmos apelos, as mesmas confidências com outro.

    É quando você insiste em escrever e tecer declarações exatamente iguais.

    É uma extorsão sentimental colocar um desejo para sua nova companhia como se fosse inédito.

    Pois a paixão só é idêntica para quem não enxerga as diferenças.

    É como remanejar presentes, aproveitar alianças antigas.

    Você prova que não tem criatividade nenhuma, demonstra a maior apatia: refaz os passeios que já realizou, leva para os restaurantes que frequentava, as baladas e festas conhecidas, reincide nos roteiros de viagem, destina sonhos e palavras já gastos, reemprega até os nomes aprovados para quando nascessem seus filhos.

    Mudou a pessoa, mas não o seu jeito de seduzir. Mudou a pessoa, mas não sua rotina de amar. Mudou a pessoa, mas não seu script.

    É uma melancólica sobreposição, desastrada colagem.

    Nem precisa cometer o ato falho de trocar o nome do atual pelo ex, porque estará revisitando atmosferas e cenários. Experimenta locações contaminadas por juras velhas.

    Não há sensação mais ingrata para seu namorado anterior ao perceber que era mais um. Um qualquer, nem um pouco especial. Um sósia de cenas românticas. Um dublê da adrenalina e dos feromônios.

    Você oferece um passado usado sob o disfarce de futuro. Alcança aquilo que foi ensaiado com o antecessor. Não se dá o luxo de disfarçar, o trabalho de maquiar, colocar uma manta no mobiliário da memória.

    Recorrendo à fórmula fixa de história feliz, estabelece uma competição imaginária, anula a individualidade do seu par, apaga a invenção a dois e a costura por caminhos surpreendentes e inesquecíveis.

    Acredita em sua inocência porque ninguém comentará o assunto. Desfruta da tolerância dos garçons, dos colegas, dos amigos, dos parentes. É realmente um segredo com pequenas chances de ser revelado, porém a consciência não é boba e um dia se vinga.

    O que vive está longe de ser amor, é obsessão.

    (Carpinejar. Para onde vai o amor, 2015.)
    Ocorre uma palavra formada com um prefixo que expressa negação em:
    Escolha uma alternativa para a questão 19bb3022-46
  • Linguagens

    Português

    Leia o trecho do romance Ciranda de pedra, de Lygia Fagundes Telles, para responder à questão.


    Virgínia subiu precipitadamente a escada e trancou-se no quarto.

    — Abre, menina — ordenou Luciana do lado de fora.

    Virgínia encostou-se à parede e pôs-se a roer as unhas, seguindo com o olhar uma formiguinha que subia pelo batente da porta. “Se entrar aí nessa fresta, você morre!”, sussurrou soprando-a para o chão. “Eu te salvo, bobinha, não tenha medo”, disse em voz alta. E afastou-a com o indicador. Nesse instante fixou o olhar na unha roída até a carne. Pensou nas unhas de Otávia. E esmagou a formiga.

    — Virgínia, eu não estou brincando, menina. Abre logo, anda!

    — Agora não posso.

    — Não pode por quê?

    — Estou fazendo uma coisa — respondeu evasivamente.

    Pensava em Conrado a lhe explicar que os bichos são como gente, têm alma de gente, e que matar um bichinho era o mesmo que matar uma pessoa. “Se você for má e começar a matar só por gosto, na outra vida você será bicho também, mas um desses bichos horríveis, cobra, rato, aranha...” Deitou-se no assoalho e começou a se espojar angustiosamente, avançando de rastros até o meio do quarto.

    — Ou você abre ou conto para o seu tio. É isto que você quer, é isto?

    Virgínia imobilizou-se. Ser cobra machucava os cotovelos, melhor ser borboleta. Mas quem ia ser borboleta decerto era Otávia, que era linda. “E eu sou feia e ruim, ruim, ruim!”, exclamou dando murros no chão. Ergueu a cabeça num desafio:

    — Pode contar tudo, tio Daniel não me manda, quem manda em mim é meu pai, ouviu? Meu pai.

    (Ciranda de pedra, 2009.)
    “— Ou você abre ou conto para o seu tio.” (9o parágrafo) Em relação à primeira, a segunda oração expressa uma
    Escolha uma alternativa para a questão 19ad8a7b-46
  • Linguagens

    Português

    Leia o trecho do romance Ciranda de pedra, de Lygia Fagundes Telles, para responder à questão.


    Virgínia subiu precipitadamente a escada e trancou-se no quarto.

    — Abre, menina — ordenou Luciana do lado de fora.

    Virgínia encostou-se à parede e pôs-se a roer as unhas, seguindo com o olhar uma formiguinha que subia pelo batente da porta. “Se entrar aí nessa fresta, você morre!”, sussurrou soprando-a para o chão. “Eu te salvo, bobinha, não tenha medo”, disse em voz alta. E afastou-a com o indicador. Nesse instante fixou o olhar na unha roída até a carne. Pensou nas unhas de Otávia. E esmagou a formiga.

    — Virgínia, eu não estou brincando, menina. Abre logo, anda!

    — Agora não posso.

    — Não pode por quê?

    — Estou fazendo uma coisa — respondeu evasivamente.

    Pensava em Conrado a lhe explicar que os bichos são como gente, têm alma de gente, e que matar um bichinho era o mesmo que matar uma pessoa. “Se você for má e começar a matar só por gosto, na outra vida você será bicho também, mas um desses bichos horríveis, cobra, rato, aranha...” Deitou-se no assoalho e começou a se espojar angustiosamente, avançando de rastros até o meio do quarto.

    — Ou você abre ou conto para o seu tio. É isto que você quer, é isto?

    Virgínia imobilizou-se. Ser cobra machucava os cotovelos, melhor ser borboleta. Mas quem ia ser borboleta decerto era Otávia, que era linda. “E eu sou feia e ruim, ruim, ruim!”, exclamou dando murros no chão. Ergueu a cabeça num desafio:

    — Pode contar tudo, tio Daniel não me manda, quem manda em mim é meu pai, ouviu? Meu pai.

    (Ciranda de pedra, 2009.)
    De acordo com a cena narrada, a personagem Virgínia, quando criança, era:
    Escolha uma alternativa para a questão 19a22ede-46
  • Linguagens

    Português

    Leia o poema “Sanduíche matinal”, de Astrid Cabral.


    Sanduíche matinal


    Mastigam-se ao café

    entre fatias torradas

    jornais com pingos de sangue

    jornais com furos de bala.

    No portal da manhã

    o sinistro sanduíche

    energiza os transeuntes do dia.

    (Engavetado o remorso

    dos crimes bem menores)

    Omissões? traições? covardias?

    Transgressões mínimas.

    Todos, subitamente, melhores.


    (Astrid Cabral. Intramuros, 2011.)



    No contexto apresentado pelo poema, a leitura matinal dos jornais

    Escolha uma alternativa para a questão a61c2c07-46
  • Linguagens

    Português

    Leia o trecho do romance Ciranda de pedra, de Lygia Fagundes Telles, para responder à questão.


    Virgínia subiu precipitadamente a escada e trancou-se no quarto.

    — Abre, menina — ordenou Luciana do lado de fora.

    Virgínia encostou-se à parede e pôs-se a roer as unhas, seguindo com o olhar uma formiguinha que subia pelo batente da porta. “Se entrar aí nessa fresta, você morre!”, sussurrou soprando-a para o chão. “Eu te salvo, bobinha, não tenha medo”, disse em voz alta. E afastou-a com o indicador. Nesse instante fixou o olhar na unha roída até a carne. Pensou nas unhas de Otávia. E esmagou a formiga.

    — Virgínia, eu não estou brincando, menina. Abre logo, anda!

    — Agora não posso.

    — Não pode por quê?

    — Estou fazendo uma coisa — respondeu evasivamente.

    Pensava em Conrado a lhe explicar que os bichos são como gente, têm alma de gente, e que matar um bichinho era o mesmo que matar uma pessoa. “Se você for má e começar a matar só por gosto, na outra vida você será bicho também, mas um desses bichos horríveis, cobra, rato, aranha...” Deitou-se no assoalho e começou a se espojar angustiosamente, avançando de rastros até o meio do quarto.

    — Ou você abre ou conto para o seu tio. É isto que você quer, é isto?

    Virgínia imobilizou-se. Ser cobra machucava os cotovelos, melhor ser borboleta. Mas quem ia ser borboleta decerto era Otávia, que era linda. “E eu sou feia e ruim, ruim, ruim!”, exclamou dando murros no chão. Ergueu a cabeça num desafio:

    — Pode contar tudo, tio Daniel não me manda, quem manda em mim é meu pai, ouviu? Meu pai.

    (Ciranda de pedra, 2009.)
    A fala “quem manda em mim é meu pai” (11º parágrafo), passada ao discurso indireto, assume a seguinte redação:
    Escolha uma alternativa para a questão a60a8946-46
  • Linguagens

    Português

    Considere o texto “Serial lover”, escrito por Carpinejar, para responder à questão.

        Existe uma infidelidade mais secreta e menos evidente, que acontece depois do relacionamento. Só acontece depois. É uma traição póstuma, retardatária, residual.
        É quando você repete os mesmos lugares, os mesmos apelos, as mesmas confidências com outro. É quando você insiste em escrever e tecer declarações exatamente iguais.
        É uma extorsão sentimental colocar um desejo para sua nova companhia como se fosse inédito.
    Pois a paixão só é idêntica para quem não enxerga as diferenças.
        É como remanejar presentes, aproveitar alianças antigas.
        Você prova que não tem criatividade nenhuma, demonstra a maior apatia: refaz os passeios que já realizou, leva para os restaurantes que frequentava, as baladas e festas conhecidas, reincide nos roteiros de viagem, destina sonhos e palavras já gastos, reemprega até os nomes aprovados para quando nascessem seus filhos. Mudou a pessoa, mas não o seu jeito de seduzir.
        Mudou a pessoa, mas não sua rotina de amar. Mudou a pessoa, mas não seu script.
        É uma melancólica sobreposição, desastrada colagem.
      Nem precisa cometer o ato falho de trocar o nome do atual pelo ex, porque estará revisitando atmosferas e cenários.     Experimenta locações contaminadas por juras velhas.
       Não há sensação mais ingrata para seu namorado anterior ao perceber que era mais um. Um qualquer, nem um pouco especial. Um sósia de cenas românticas. Um dublê da adrenalina e dos feromônios.
        Você oferece um passado usado sob o disfarce de futuro. Alcança aquilo que foi ensaiado com o antecessor. Não se dá o luxo de disfarçar, o trabalho de maquiar, colocar uma manta no mobiliário da memória.
        Recorrendo à fórmula fixa de história feliz, estabelece uma competição imaginária, anula a individualidade do seu par, apaga a invenção a dois e a costura por caminhos surpreendentes e inesquecíveis.
       Acredita em sua inocência porque ninguém comentará o assunto. Desfruta da tolerância dos garçons, dos colegas, dos amigos, dos parentes. É realmente um segredo com pequenas chances de ser revelado, porém a consciência não é boba e um dia se vinga.
        O que vive está longe de ser amor, é obsessão.
    (Carpinejar. Para onde vai o amor, 2015.)
    Em “porém a consciência não é boba e um dia se vinga” (13º parágrafo), o autor recorre, sobretudo,
    Escolha uma alternativa para a questão e274fcf0-46
  • Linguagens

    Português

    Leia o trecho do romance Ciranda de pedra, de Lygia Fagundes Telles, para responder à questão.

        Virgínia subiu precipitadamente a escada e trancou-se no quarto.
        — Abre, menina — ordenou Luciana do lado de fora. Virgínia encostou-se à parede e pôs-se a roer as unhas, seguindo com o olhar uma formiguinha que subia pelo batente da porta. “Se entrar aí nessa fresta, você morre!”, sussurrou soprando-a para o chão. “Eu te salvo, bobinha, não tenha medo”, disse em voz alta. E afastou-a com o indicador. Nesse instante fixou o olhar na unha roída até a carne. Pensou nas unhas de Otávia. E esmagou a formiga.
        — Virgínia, eu não estou brincando, menina. Abre logo, anda!
        — Agora não posso.
        — Não pode por quê?
        — Estou fazendo uma coisa — respondeu evasivamente.
       Pensava em Conrado a lhe explicar que os bichos são como gente, têm alma de gente, e que matar um bichinho era o mesmo que matar uma pessoa. “Se você for má e começar a matar só por gosto, na outra vida você será bicho também, mas um desses bichos horríveis, cobra, rato, aranha...” Deitou-se no assoalho e começou a se espojar angustiosamente, avançando de rastros até o meio do quarto.
        — Ou você abre ou conto para o seu tio. É isto que você quer, é isto?
       Virgínia imobilizou-se. Ser cobra machucava os cotovelos, melhor ser borboleta. Mas quem ia ser borboleta decerto era Otávia, que era linda. “E eu sou feia e ruim, ruim, ruim!”, exclamou dando murros no chão. Ergueu a cabeça num desafio:
        — Pode contar tudo, tio Daniel não me manda, quem manda em mim é meu pai, ouviu? Meu pai.
    (Ciranda de pedra, 2009.)
    No trecho “— Estou fazendo uma coisa — respondeu evasivamente” (7º parágrafo), a palavra “evasivamente” indica que a resposta foi
    Escolha uma alternativa para a questão e2664673-46
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    Português

        A região Amazônica reúne desafios complexos, tanto relacionados à infraestrutura quanto ao seu acesso pela população local. Não só questões de saneamento, transporte e desenvolvimento social, como também desafios relacionados às questões tecnológicas como o acesso à internet com qualidade. Para muitos especialistas, somente a atribuição de valor econômico à floresta em pé permitirá a ela competir com outros usos que pressupõem sua derrubada ou degradação, e somente a Ciência, a Tecnologia e a Inovação poderão mostrar o caminho de como utilizar o patrimônio natural sem destruí-lo.

    (Academia Brasileira de Ciências. Amazônia: desafio brasileiro do século XXI, 2008. Adaptado.)

    Uma estratégia que vem sendo adotada no estado do Amazonas para superar esses desafios ocorre por meio de iniciativas __________________, que alinha os conhecimentos das comunidades tradicionais à valorização econômica da floresta, e cria novas oportunidades de negócio fundamentadas no princípio _________________.

    As lacunas do texto são preenchidas, respectivamente, por:
    Escolha uma alternativa para a questão b44e5f44-46