Não é certo que a forma particular assumida entre nós
pelo latifúndio agrário fosse uma espécie de manipulação
original, fruto da vontade criadora um pouco arbitrária dos
colonos portugueses. Surgiu, em grande parte, [...] ao sabor
das conveniências da produção e do mercado. [...] Foi a circunstância de não se achar a Europa industrializada ao tempo dos descobrimentos, de modo que produzia gêneros agrícolas em quantidade suficiente para seu próprio consumo,
só carecendo efetivamente de produtos naturais dos climas
quentes, que tornou possível e fomentou a expansão desse
sistema agrário.
É instrutivo, a propósito, o fato de o mesmo sistema, nas
colônias inglesas da América do Norte, ter podido florescer
apenas em regiões apropriadas às lavouras do tabaco, do
arroz e do algodão.
(Sérgio Buarque de Holanda. Raízes do Brasil, 2006.)
Segundo o excerto, a produção agrária em grandes propriedades predominou na colonização do Brasil porque