Num mundo ideal, o cronista funcionaria como o paciente de Lacan. Ficaria por aí, tocando sua vida, indo ao banco, almoçando no…
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Num mundo ideal, o cronista funcionaria como o
paciente de Lacan. Ficaria por aí, tocando sua vida, indo
ao banco, almoçando no quilo, olhando vitrines atrás de
um presente de Dia das Mães, até que surgisse uma ideia.
Imediatamente, ele encontraria uma praça, se acomodaria
num banco — se possível fosse, até alugaria um quartinho
de hotel —, tiraria o laptop da mochila e escreveria seu
texto, com todos os ingredientes colhidos na hora.
Um romancista não precisa levar o laptop na mochila.
Suas ideias podem amadurecer antes de ir pro papel.
Ele está contando uma longa história, é bom que tenha
algumas pistas de para onde está indo. Já o cronista, quanto
mais cego ao iniciar seu passeio, maiores as chances de
conhecer lugares novos no caminho.
PRATA, A. Trinta e poucos. São Paulo: Cia. das Letras, 2016.
Nesse texto, a reflexão acerca dos processos de elaboração
que resultam em crônica ou em romance baseia-se na
Alternativas
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