E as gentes, em volta, se depressavam para o sucedido. Me juntei às correrias, a pergunta zaranzeando: o homem estava caindo…
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Quando me vieram chamar, nem acreditei:
— É Zuzézinho! Está caindo do prédio.
E as gentes, em volta, se depressavam para o sucedido.
Me juntei às correrias, a pergunta zaranzeando: o homem
estava caindo? Aquele gerúndio era um desmando nas
graves leis da gravidade: quem cai, já caiu.
Enquanto corria, meu coração se constringia. Antevia
meu velho amigo estatelado na calçada. [...]
Me aproximava do prédio e já me aranhava na multidão.
Coisa de inacreditar: olhavam todos para cima. Quando fitei
os céus, ainda mais me perturbei: lá estava, pairando como
águia real, o Zuzé Neto. O próprio José Antunes Marques
Neto, em artes de aero-anjo. Estava caindo? Se sim, vinha
mais lento que o planar do planeta pelos céus.
(Mia Couto. O fio das missangas, 2004.)
O verbo “inacreditar” (5o
parágrafo) apresenta um prefixo
indicativo de negação, assim como a palavra
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