Questões do ENEM: Linguagens e Interpretação de Textos

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9.017 questões encontradas. Mostrando a página 137 de 451.

  • 3E7A1237-0B

    Português

    Interpretação de Textos
    UFMS · 2018FácilEntre para guardar nos favoritos

    Leia o poema a seguir para responder à questão:


    Índia Velha 


    Índia Velha índia velha

    se lembra do cheiro verde

    na fonte limpa

    onde se matava a sede

    água boa de beber

    índia velha

    se lembra

    do teu tempo de criança

    tinha festa e tinha dança

    pra chover.

    índia velha

    se lembra

    do primeiro

    do segundo

    do terceiro branco

    que chegou

    se lembra?

    se lembra

    Quando tu andavas nua

    olha a cor de teu vestido

    encardido

    quando andas pela rua.

    se lembra!

    se lembra de teus colares

    teus amores a lua cheia

    lençóis de flores na aldeia

    se lembra?

    índia velha

    se lembra

    dos pés pisando no mato

    olha a cor de teu sapato

    pisando asfalto e areia.

    índia velha

    se lembra

    tantos brancos que

    chegaram

    tantos

    que até perdestes as contas

    e as contas de teus colares

    hoje andas tonta nos bares

    e é tão grande a dor que

    sentes e que o amor de tua gente

    foi junto ao rio

    foi junto ao rio

    por onde os brancos chegaram

    se lembra?

    se lembra?


    (MARINHO, Emmanuel. Cantos de terra. Campo Grande: Letra Livre, 2016. A primeira edição foi publicada em 1981 [2]).

    Considerando as relações entre o texto e o processo histórico-social sobre o qual se pronuncia, assinale a alternativa correta.
    Escolha uma alternativa para a questão 3e7a1237-0b
  • 3E769A39-0B

    Português

    Análise sintática
    UFMS · 2018DifícilEntre para guardar nos favoritos

    A questão refere ao seguinte fragmento de texto:


    Em termos muito simples, podemos dizer que o amor é um horizonte de compreensão que tem em vista a real dimensão do outro, que não o inventa em uma projeção, que permanece aberto ao seu mistério. Se o amor é aberto ao outro, o ódio é fechado a ele. Tendemos a não querer ver o ódio que nos fecha porque ele nos diminui. “Não querer ver” é uma armadilha, pois todos somos afetados pelo ódio e contribuímos com a nossa parte para a sua persistência (TIBURI, Marcia. Odiar, verbo intransitivo. Revista Cult, n. 20, ano 18, p. 59, set. 2015. Fragmento).


    A alternativa correta com relação à estrutura sintática e de significação dos enunciados é:


    Escolha uma alternativa para a questão 3e769a39-0b
  • 3E730BA8-0B

    Português

    Coesão e coerência
    UFMS · 2018DifícilEntre para guardar nos favoritos

    A questão refere ao seguinte fragmento de texto:


    Em termos muito simples, podemos dizer que o amor é um horizonte de compreensão que tem em vista a real dimensão do outro, que não o inventa em uma projeção, que permanece aberto ao seu mistério. Se o amor é aberto ao outro, o ódio é fechado a ele. Tendemos a não querer ver o ódio que nos fecha porque ele nos diminui. “Não querer ver” é uma armadilha, pois todos somos afetados pelo ódio e contribuímos com a nossa parte para a sua persistência (TIBURI, Marcia. Odiar, verbo intransitivo. Revista Cult, n. 20, ano 18, p. 59, set. 2015. Fragmento).


    Assinale a alternativa correta sobre as relações de coesão estabelecidas no texto.

    Escolha uma alternativa para a questão 3e730ba8-0b
  • 3E6FE537-0B

    Português

    Interpretação de Textos
    UFMS · 2018MédioEntre para guardar nos favoritos
    Em A hora da estrela, de Clarice Lispector, acompanhamos a história de Macabeá, jovem nordestina que vive, no Rio de Janeiro, uma existência solitária e anônima, marcada por privações de todo o tipo. Nessa obra, a escrita clariceana alterna momentos em que se expressa de um modo direto, próprio para remeter à dureza da vida de sua personagem central, como outros em que emprega diversos recursos afeitos à linguagem poética, como no relato do encontro de Macabéa com Olímpico de Jesus.
    “Maio, mês das borboletas noivas flutuando em brancos véus. Sua exclamação talvez tivesse sido um prenúncio do que ia acontecer no final da tarde desse mesmo dia: no meio da chuva abundante encontrou (explosão) a primeira espécie de namorado de sua vida, o coração batendo como se ela tivesse englutido um passarinho esvoaçante e preso. O rapaz e ela se olharam por entre a chuva e se reconheceram como dois nordestinos, bichos da mesma espécie que se farejam. Ele a olhara enxugando o rosto molhado com as mãos. E a moça, bastou-lhe vê-lo para torná-lo imediatamente sua goiaba-com-queijo.”
    (LISPECTOR, Clarice. A hora da estrela. 23 ed. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1995. p. 59).

    A respeito do trecho acima, é correto afirmar que:
    Escolha uma alternativa para a questão 3e6fe537-0b
  • 3E6C928D-0B

    Português

    Funções da Linguagem: emotiva, apelativa, referencial, metalinguística, fática e poética.
    UFMS · 2018MédioEntre para guardar nos favoritos
    “Quincas Borba”, considerada uma das grandes obras da fase áurea do escritor Machado de Assis, põe em cena a história de Rubião, um modesto professor de Barbacena, cidade no interior de Minas Gerais, que, ao receber uma herança inesperada do amigo Quincas Borba, resolve mudar para o Rio de Janeiro – na época, centro da vida política e econômica brasileira. Ali, encontra dificuldades para adaptar-se ao modo de ser dos que convivem com o poder, tornando-se uma vítima de aproveitadores que se fazem passar por amigos, caso, sobretudo, do casal Cristiano e Sofia Palha.
    O capítulo transcrito a seguir é o último do livro. Nele se encontra uma espécie de síntese da narrativa, ao se elencarem personagens centrais da trama a partir da notícia da morte do cão Quincas Borba, cujo nome é o mesmo de seu primeiro dono, que foi herdado por Rubião.
    “Queria dizer aqui o fim do Quincas Borba, que adoeceu também, ganiu infinitamente, fugiu desvairado em busca do dono, e amanheceu morto na rua, três dias depois. Mas, vendo a morte do cão narrada em capítulo especial, é provável que me perguntes se ele, se o seu defunto homônimo é que dá título ao livro, e por que antes um que outro, - questão prenhe de questões, que nos levariam longe... Eia! chora os dois recentes mortos, se tens lágrimas. Se só tens riso, rite. É a mesma coisa. O Cruzeiro, que a linda Sofia não quis fitar, como lhe pedia Rubião, está assaz alto para não discernir os risos e as lágrimas dos homens.”
    (MACHADO DE ASSIS. Quincas Borba. São Paulo: Penguin Classics Companhia das Letras, 2012. p. 344).

    Apesar de Machado de Assis construir parte significativa de sua obra ainda em fins do século XIX, é possível já verificar, em seus textos, o emprego de recursos próprios da literatura moderna. A esse propósito, sobre o trecho em questão, pode-se afirmar que:
    Escolha uma alternativa para a questão 3e6c928d-0b
  • 3E66D169-0B

    Português

    Interpretação de Textos
    UFMS · 2018DifícilEntre para guardar nos favoritos
    A poesia de Manuel Bandeira, marcada pela simplicidade no modo de dizer, alcança grau considerável de lirismo e de subjetividade ao tratar de cenas do cotidiano, como pode ser notado no exemplo que segue: 

    Poema de Finados

    Amanhã que é dia dos mortos 

    Vai ao cemitério. Vai 

    E procura entre as sepulturas

    A sepultura de meu pai. 


    Leva três rosas bem bonitas.

    Ajoelha e reza uma oração.


    Não pelo pai, mas pelo filho:

    O filho tem mais precisão.


    O que resta de mim na vida

    É a amargura do que sofri.

    Pois nada quero, nada espero.

    E em verdade estou morto ali.


    (BANDEIRA, Manuel. Estrela da Vida Inteira. 20 ed. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1993. p. 144-5).


    Ao observar a relação entre o conteúdo do Poema de Finados e seus aspectos formais, pode-se afirmar que:  
    Escolha uma alternativa para a questão 3e66d169-0b
  • 3E5FA5F3-0B

    Português

    Figuras de Linguagem
    UFMS · 2018DifícilEntre para guardar nos favoritos
    Analise os elementos empregados na construção da letra da canção e assinale a alternativa correta. 

    A Via Láctea 

    Quando tudo está perdido

    Sempre existe um caminho

    Quando tudo está perdido

    Sempre existe uma luz

    Mas não me diga isso

    Hoje a tristeza não é passageira

    Hoje fiquei com febre a tarde inteira

    E quando chegar a noite

    Cada estrela parecerá uma lágrima

    Queria ser como os outros

    E rir das desgraças da vida

    Ou fingir estar sempre bem

    Ver a leveza das coisas com humor

    Mas não me diga isso

    É só hoje e isso passa

    Só me deixe aqui quieto isso passa

    Amanhã é um outro dia, não é?


    Eu nem sei porque me sinto assim

    Vem de repente um anjo triste perto de mim

    E essa febre que não passa

    E meu sorriso sem graça

    Não me dê atenção

    Mas obrigado por pensar em mim

    Quando tudo está perdido

    Sempre existe uma luz

    Quando tudo está perdido

    Sempre existe um caminho

    Quando tudo está perdido

    Eu me sinto tão sozinho

    Quando tudo está perdido

    Não quero mais ser quem eu sou

    Mas não me diga isso

    Não me dê atenção

    E obrigado por pensar em mim


    (LEGIÃO URBANA. A tempestade ou O livro dos dias (álbum). Rio de Janeiro: EMI Music Ltda, 1996).
    Escolha uma alternativa para a questão 3e5fa5f3-0b
  • 3E5BDAD1-0B

    Português

    Interpretação de Textos
    UFMS · 2018MédioEntre para guardar nos favoritos

    Leia atentamente o texto informativo a seguir.

    Nosso símbolo

    O nome já deixa evidente a origem indígena da bebida consumida diariamente por sulmato-grossenses de todos os cantos. O tereré só se tornou símbolo do Estado porque os índios guaranis aprenderam a domesticar a erva-mate.

    Depois da Guerra do Paraguai, Tomás Laranjeira consegue a concessão de aproximadamente 8 milhões de hectares da região sul-fronteira para explorar a planta. Posteriormente, funda a Companhia Mate Laranjeira, que exporta grande volume para Argentina e para o Uruguai. O professor da UFMS Antônio Hilário Urquiza destaca que 70% da mão de obra utilizada nos ervais era guarani, que já tinham prática na lida.

    “Os guaranis que domesticaram a erva-mate, que criaram o tereré, o chimarrão. Não qualquer índio. Foram os guaranis que estão aqui no nosso Estado. E hoje [o tereré] é um símbolo da juventude, da gastronomia, um símbolo identitário do nosso Estado. E é indígena”, reforça o professor e antropólogo. [...]

    (Correio do Estado. Caderno especial “MS 41 anos”, 11 out. 2018).


    A respeito dos sentidos construídos por esse texto, cujo objetivo maior é o de informar os leitores a respeito do tereré como elemento identitário de Mato Grosso do Sul, é possível afirmar que:

    Escolha uma alternativa para a questão 3e5bdad1-0b
  • 60E3A21E-09

    Português

    Interpretação de Textos
    UEA · 2018Muito fácilEntre para guardar nos favoritos

    Considere o texto de Rodrigo Duarte para responder à questão.


        Um dos aspectos mais óbvios de nossa realidade – amplamente difundido em todo o mundo contemporâneo – é a divisão do tempo de cada um numa parte dedicada ao trabalho e noutra dedicada ao lazer. Mas essa realidade atual, por mais evidente que seja para nós, não deveria nos levar à crença enganosa de que terá sido sempre assim: a divisão entre tempo de trabalho e tempo livre – inexistente na Idade Média e no período que a sucedeu imediatamente – se consolidou apenas com o amadurecimento do modo de produção capitalista, isto é, após a chamada Revolução Industrial, que eliminou o trabalho produtivo realizado nas próprias casas dos trabalhadores (quase sempre com o auxílio de suas famílias), limitando as atividades à grande indústria: um estabelecimento exclusivamente dedicado à produção por meio de maquinário pesado, concentrando massas de operários em turnos de trabalhos previamente estabelecidos.

        Na Idade Média, por um lado, a aristocracia, mesmo não tendo necessidade de se dedicar a qualquer trabalho produtivo, reservava para si atividades que, não obstante seu caráter socialmente obrigatório, eram também consideradas prazerosas. Os bailes e jantares, as festas e os concertos, as caçadas e a frequência às óperas eram parte integrante da vida cortesã e nobre.

        Por outro lado, o horizonte vital das classes servis – e possivelmente também da burguesia em sua fase inicial – era dado pelo trabalho de sol a sol, com pouquíssimo tempo que extrapolasse a produção material. Esse exíguo período antes do sono preparador para a próxima jornada de trabalho, embora não deva ser entendido como tempo de lazer no sentido moderno do termo, provavelmente constituía o momento coletivo de se cantar e narrar, tempo que servia, ao mesmo tempo, como pretexto e elemento aglutinador para a comida e a bebida em comum.


    (Indústria cultural: uma introdução, 2010.)

    “um estabelecimento exclusivamente dedicado à produção por meio de maquinário pesado, concentrando massas de operários em turnos de trabalhos previamente estabelecidos” (1º parágrafo)

    O termo sublinhado, no contexto em que está inserido, indica que se trata de
    Escolha uma alternativa para a questão 60e3a21e-09
  • 60E00896-09

    Português

    Interpretação de Textos
    UEA · 2018MédioEntre para guardar nos favoritos

    Considere o texto de Rodrigo Duarte para responder à questão.


        Um dos aspectos mais óbvios de nossa realidade – amplamente difundido em todo o mundo contemporâneo – é a divisão do tempo de cada um numa parte dedicada ao trabalho e noutra dedicada ao lazer. Mas essa realidade atual, por mais evidente que seja para nós, não deveria nos levar à crença enganosa de que terá sido sempre assim: a divisão entre tempo de trabalho e tempo livre – inexistente na Idade Média e no período que a sucedeu imediatamente – se consolidou apenas com o amadurecimento do modo de produção capitalista, isto é, após a chamada Revolução Industrial, que eliminou o trabalho produtivo realizado nas próprias casas dos trabalhadores (quase sempre com o auxílio de suas famílias), limitando as atividades à grande indústria: um estabelecimento exclusivamente dedicado à produção por meio de maquinário pesado, concentrando massas de operários em turnos de trabalhos previamente estabelecidos.

        Na Idade Média, por um lado, a aristocracia, mesmo não tendo necessidade de se dedicar a qualquer trabalho produtivo, reservava para si atividades que, não obstante seu caráter socialmente obrigatório, eram também consideradas prazerosas. Os bailes e jantares, as festas e os concertos, as caçadas e a frequência às óperas eram parte integrante da vida cortesã e nobre.

        Por outro lado, o horizonte vital das classes servis – e possivelmente também da burguesia em sua fase inicial – era dado pelo trabalho de sol a sol, com pouquíssimo tempo que extrapolasse a produção material. Esse exíguo período antes do sono preparador para a próxima jornada de trabalho, embora não deva ser entendido como tempo de lazer no sentido moderno do termo, provavelmente constituía o momento coletivo de se cantar e narrar, tempo que servia, ao mesmo tempo, como pretexto e elemento aglutinador para a comida e a bebida em comum.


    (Indústria cultural: uma introdução, 2010.)

    Segundo o texto, na Idade Média,
    Escolha uma alternativa para a questão 60e00896-09
  • 60DCDA68-09

    Português

    Interpretação de Textos
    UEA · 2018MédioEntre para guardar nos favoritos

    Leia os versos do poema “Os estatutos do homem”, de Thiago de Mello, para responder às questões 32 e 33.


    Artigo 12

    Decreta-se que nada será obrigado nem proibido.

    Tudo será permitido,

    sobretudo brincar com os rinocerontes

    e caminhar pelas tardes

    com uma imensa begônia na lapela.

    (Estatutos do homem, 1986.)


    No poema, expressam uma regra geral e um exemplo dessa regra, respectivamente,

    Escolha uma alternativa para a questão 60dcda68-09
  • 60D9E0A0-09

    Português

    Interpretação de Textos
    UEA · 2018FácilEntre para guardar nos favoritos
    O aparecimento de elementos de linguagem poética, fantasiosa, no interior de um formato tipicamente jurídico reafirma
    Escolha uma alternativa para a questão 60d9e0a0-09
  • 60C50C3C-09

    Português

    Interpretação de Textos
    UEA · 2018FácilEntre para guardar nos favoritos

    Considere o poema de Chacal para responder à questão.


    Beijo beijos

    qual o sentido da palavra beijo?

    ato de tocar com os lábios em alguém

    ou alguma coisa, fazendo leve sucção; ósculo?

    ou aquele que o cauã reymond deu na mariana

    ximenes na novela?

    ou aquele que você deu no daniel que só você sentiu?

    que é diferente do que eu dei na dolores que nunca

    vou esquecer.

    já a gabi, sempre que sai de casa, dá em sua mãe

    um beijo automático

    parecido com os dois beijos de cumprimento que eu

    dou numa garota

    se estiver no rio, um em são paulo ou três em minas

    gerais.

    diferente ainda do beijo de despedida apaixonado que

    você deu no julinho

    quando ele foi para a austrália

    diferente do derradeiro beijo no leito de morte que o

    luís deu na laís, sua avó

    ou do beijo da traição de judas ou do beijo que a

    princesa deu no sapo.

    diante de tantos sentidos diferentes da palavra beijo,

    a melhor forma de saber o que significa é ir direto ao

    assunto:

    língua pra que te quero!

    (Murundum, 2012.)

    Os dois últimos versos do poema
    Escolha uma alternativa para a questão 60c50c3c-09
  • 60C16F53-09

    Português

    Interpretação de Textos
    UEA · 2018Muito fácilEntre para guardar nos favoritos

    Considere o poema de Chacal para responder à questão.


    Beijo beijos

    qual o sentido da palavra beijo?

    ato de tocar com os lábios em alguém

    ou alguma coisa, fazendo leve sucção; ósculo?

    ou aquele que o cauã reymond deu na mariana

    ximenes na novela?

    ou aquele que você deu no daniel que só você sentiu?

    que é diferente do que eu dei na dolores que nunca

    vou esquecer.

    já a gabi, sempre que sai de casa, dá em sua mãe

    um beijo automático

    parecido com os dois beijos de cumprimento que eu

    dou numa garota

    se estiver no rio, um em são paulo ou três em minas

    gerais.

    diferente ainda do beijo de despedida apaixonado que

    você deu no julinho

    quando ele foi para a austrália

    diferente do derradeiro beijo no leito de morte que o

    luís deu na laís, sua avó

    ou do beijo da traição de judas ou do beijo que a

    princesa deu no sapo.

    diante de tantos sentidos diferentes da palavra beijo,

    a melhor forma de saber o que significa é ir direto ao

    assunto:

    língua pra que te quero!

    (Murundum, 2012.)

    Em grande parte da primeira estrofe, o eu lírico
    Escolha uma alternativa para a questão 60c16f53-09
  • 79BE2771-07

    Português

    Coesão e coerência
    Centro Universitário São Camilo · 2018FácilEntre para guardar nos favoritos
    Leia o trecho do livro A dança do universo, do físico brasileiro Marcelo Gleiser, para responder à questão.

         Na dedicatória de seu livro O progresso da sabedoria (1605) a Jaime I, sir Francis Bacon declara: “de todas as pessoas ainda vivas que conheci, sua Majestade é o melhor exemplo de um homem que representa a opinião de Platão, de que todo conhecimento é apenas memória”. Embora Platão tenha provavelmente escrito essas linhas como uma alegoria à sua crença na imortalidade da alma, e Bacon, como parte de um astuto plano para obter certos favores do rei, podemos nos referir a elas como uma alegoria à enorme importância que o pensamento grego exerceu e exerce no desenvolvimento da cultura ocidental.
          Após derrotar os persas em uma série de conflitos durante as primeiras décadas do século V a.C., a civilização grega viveu um século e meio de grande esplendor, inspirada pela liderança de Péricles, que governou Atenas por 32 anos, de 461 a 429. Nem mesmo as amargas disputas entre Atenas, Esparta e outros Estados, que acabaram resultando na Guerra do Peloponeso, entre 431 e 404, conseguiram ofuscar o incrível nível de sofisticação atingido durante esse período. Nas palavras de H. G. Wells, “durante esse período o pensamento e o impulso criativo e artístico dos gregos ascenderam a níveis que os transformaram numa fonte de luz para o resto da História”. Que essa luz tenha continuado a brilhar através dos tempos, sobrevivendo a séculos de intolerância religiosa e muitas guerras, é a prova concreta de coragem intelectual daqueles que acreditam que a busca do conhecimento é o antídoto contra a cegueira causada pela repressão e pelo medo.

    (A dança do universo, 2006. Adaptado.)
    Embora Platão tenha provavelmente escrito essas linhas como uma alegoria à sua crença na imortalidade da alma, e Bacon, como parte de um astuto plano para obter certos favores do rei, podemos nos referir a elas como uma alegoria à enorme importância que o pensamento grego exerceu e exerce no desenvolvimento da cultura ocidental.” (1° parágrafo)

    Tendo em vista as relações de sentido estabelecidas entre as orações que compõem esse período, a conjunção sublinhada pode ser substituída, sem prejuízo para o sentido, por
    Escolha uma alternativa para a questão 79be2771-07
  • 79BA2E33-07

    Português

    Interpretação de Textos
    Centro Universitário São Camilo · 2018FácilEntre para guardar nos favoritos
    Leia o trecho do livro A dança do universo, do físico brasileiro Marcelo Gleiser, para responder à questão.

         Na dedicatória de seu livro O progresso da sabedoria (1605) a Jaime I, sir Francis Bacon declara: “de todas as pessoas ainda vivas que conheci, sua Majestade é o melhor exemplo de um homem que representa a opinião de Platão, de que todo conhecimento é apenas memória”. Embora Platão tenha provavelmente escrito essas linhas como uma alegoria à sua crença na imortalidade da alma, e Bacon, como parte de um astuto plano para obter certos favores do rei, podemos nos referir a elas como uma alegoria à enorme importância que o pensamento grego exerceu e exerce no desenvolvimento da cultura ocidental.
          Após derrotar os persas em uma série de conflitos durante as primeiras décadas do século V a.C., a civilização grega viveu um século e meio de grande esplendor, inspirada pela liderança de Péricles, que governou Atenas por 32 anos, de 461 a 429. Nem mesmo as amargas disputas entre Atenas, Esparta e outros Estados, que acabaram resultando na Guerra do Peloponeso, entre 431 e 404, conseguiram ofuscar o incrível nível de sofisticação atingido durante esse período. Nas palavras de H. G. Wells, “durante esse período o pensamento e o impulso criativo e artístico dos gregos ascenderam a níveis que os transformaram numa fonte de luz para o resto da História”. Que essa luz tenha continuado a brilhar através dos tempos, sobrevivendo a séculos de intolerância religiosa e muitas guerras, é a prova concreta de coragem intelectual daqueles que acreditam que a busca do conhecimento é o antídoto contra a cegueira causada pela repressão e pelo medo.

    (A dança do universo, 2006. Adaptado.)
    Está empregado em sentido figurado o termo sublinhado em:
    Escolha uma alternativa para a questão 79ba2e33-07
  • 79B6812E-07

    Português

    Flexão verbal de modo (indicativo, subjuntivo, imperativo)
    Centro Universitário São Camilo · 2018MédioEntre para guardar nos favoritos
    Leia o poema do escritor português Fernando Pessoa para responder à questão. 

    Às vezes, em sonho triste
    Nos meus desejos existe
    Longinquamente um país
    Onde ser feliz consiste
    Apenas em ser feliz.

    Vive-se como se nasce
    Sem o querer nem saber.
    Nessa ilusão de viver
    O tempo morre e renasce
    Sem que o sintamos correr. 

    O sentir e o desejar
    São banidos dessa terra.
    O amor não é amor
    Nesse país por onde erra
    Meu longínquo divagar.

    Nem se sonha nem se vive:
    É uma infância sem fim.
    Parece que se revive
    Tão suave é viver assim
    Nesse impossível jardim.

    (Obra poética, 1997.)
    Os versos “O sentir e o desejar / São banidos dessa terra.” (3a estrofe) podem ser reescritos, sem prejuízo para o seu sentido e respeitando-se a correção gramatical, da seguinte forma:
    Escolha uma alternativa para a questão 79b6812e-07
  • 79B2EFF6-07

    Português

    Coesão e coerência
    Centro Universitário São Camilo · 2018Muito fácilEntre para guardar nos favoritos
    Leia o poema do escritor português Fernando Pessoa para responder à questão. 

    Às vezes, em sonho triste
    Nos meus desejos existe
    Longinquamente um país
    Onde ser feliz consiste
    Apenas em ser feliz.

    Vive-se como se nasce
    Sem o querer nem saber.
    Nessa ilusão de viver
    O tempo morre e renasce
    Sem que o sintamos correr. 

    O sentir e o desejar
    São banidos dessa terra.
    O amor não é amor
    Nesse país por onde erra
    Meu longínquo divagar.

    Nem se sonha nem se vive:
    É uma infância sem fim.
    Parece que se revive
    Tão suave é viver assim
    Nesse impossível jardim.

    (Obra poética, 1997.)
    Em “Sem que o sintamos correr.” (2a estrofe), o termo sublinhado refere-se a
    Escolha uma alternativa para a questão 79b2eff6-07
  • 79AF40F8-07

    Português

    Figuras de Linguagem
    Centro Universitário São Camilo · 2018FácilEntre para guardar nos favoritos
    Leia o poema do escritor português Fernando Pessoa para responder à questão. 

    Às vezes, em sonho triste
    Nos meus desejos existe
    Longinquamente um país
    Onde ser feliz consiste
    Apenas em ser feliz.

    Vive-se como se nasce
    Sem o querer nem saber.
    Nessa ilusão de viver
    O tempo morre e renasce
    Sem que o sintamos correr. 

    O sentir e o desejar
    São banidos dessa terra.
    O amor não é amor
    Nesse país por onde erra
    Meu longínquo divagar.

    Nem se sonha nem se vive:
    É uma infância sem fim.
    Parece que se revive
    Tão suave é viver assim
    Nesse impossível jardim.

    (Obra poética, 1997.)
    O eu lírico recorre a uma construção paradoxal em:
    Escolha uma alternativa para a questão 79af40f8-07
  • 79A4F818-07

    Português

    Interpretação de Textos
    Centro Universitário São Camilo · 2018FácilEntre para guardar nos favoritos
    Leia a crônica “Conto carioca”, de Vinicius de Moraes, para responder à questão.

         O rapaz vinha passando num Cadillac novo pela avenida Atlântica. Vinha despreocupado, assoviando um blue, os olhos esquecidos no asfalto em retração. A noite era longa, alta e esférica, cheia de uma paz talvez macabra, mas o rapaz nada sentia. Ganhara o bastante na roleta para resolver a despesa do cassino, o que lhe dava essa sensação de comando do homem que paga: porque tratava-se de um “duro”, e o automóvel era o carro paterno, obtido depois de uma promessa de fazer força nos estudos. O show estivera agradável e ele flertara com quase todas as mulheres da sua mesa. A lua imobilizava-se no céu, imparticipante, clareando a cabeleira das ondas que rugiam, mas como que em silêncio.
         De súbito, em frente ao Lido, uma mulher sentada num banco. Uma mulher de branco, o rosto envolto num véu branco, e tão elegante e bonita, meu Deus, que parecia também, em sua claridade, um luar dormente. O freio de pé agiu quase automaticamente e a borracha deslizou, levando o carro maneiroso até o meio-fio, onde estacou num rincho ousado. Depois ele deu ré, até junto da dama branca.
          – Sozinha a essas horas?
       Ela não respondeu. Limitou-se a olhar serenamente o rapaz do Cadillac, com seu olhar extraordinariamente fluido, enquanto o vento sul agitava-lhe docemente os cabelos cor de cinza.
         – Sabe que é muito perigoso ficar aqui até estas horas, uma mulher tão bonita?
         A voz veio de longe, uma voz branca, branca como a mulher, e ao mesmo tempo crestada por um ligeiro sotaque nórdico:
          – Perdi a condução... Não sei... é tão difícil arranjar condução...
         O rapaz examinou-a já com olhos de cobiça. Que criatura fascinante! Tão branca... Devia ser uma coisa branca, um mar de leite, um amor pálido. Suas pernas tinham uma alvura de marfim e suas mãos pareciam porcelanas brancas. Veio-lhe uma sensação estranha, um arrepio percorreu-lhe todo o corpo e ele se sentiu entregar a um sono triste, onde a volúpia cantava baixinho. Teve um gesto para ela: 
          – Vem... Eu levo você... 
        Ela foi. Abriu a porta do carro e sentou-se a seu lado. Fosse porque a madrugada avançasse, a noite se fizera mais fria e, ao tê-la aconchegada – talvez emoção –, o rapaz tiritou. Seus braços eram frios como o mármore e sua boca gelada como éter. Vinha dela um suave perfume de flores que o levou para longe. Ela se deixou, passiva, em seus braços, entregue a um mundo de beijos mansos.
          Quando a madrugada rompeu, ele acordou do seu letargo amoroso. A moça branca parecia mais branca ainda, e agora olhava o mar, de onde vinha um vento branco. Ele disse:
            – Amor, vou levar você agora.
           Ela deu-lhe seus olhos quase inexistentes, de tão claros:
           – Em Botafogo, por favor.
         Tocou o carro. A aventura dera-lhe um delírio de velocidade. Entrou pelo túnel como um louco e fez, a pedido dela, a curva de General Polidoro num ângulo quase absurdo. 
          – É aqui – disse ela em voz baixa.
          Ele parou. Olhou para ela espantado:
           – Por que aqui?
          – Eu moro aqui. Venha me ver quando quiser. Muito obrigada por tudo.
        E dando-lhe um último longo beijo, frio como o éter, abriu a porta do carro, passou através do portão fechado do cemitério e desapareceu.

    (Para uma menina com uma flor, 2009.)
    O desfecho da crônica pode ser caracterizado como
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