Questões do ENEM: Linguagens e Interpretação de Textos

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9.017 questões encontradas. Mostrando a página 241 de 451.

  • 67D96911-DD

    Português

    Interpretação de Textos
    Universidade Presbiteriana Mackenzie · 2016DifícilEntre para guardar nos favoritos
    Textos para a questão

    Poema de Finados
    01 Amanhã que é dia dos mortos
    02 Vai ao cemitério. Vai
    03 E procura entre as sepulturas
    04 A sepultura de meu pai.

    05 Leva três rosas bem bonitas.
    06 Ajoelha e reza uma oração.
    07 Não pelo pai, mas pelo filho:
    08 O filho tem mais precisão.

    09 O que resta de mim na vida
    10 É a amargura do que sofri.
    11 Pois nada quero, nada espero.
    12 E em verdade estou morto ali.
    Manuel Bandeira

    Versos a um coveiro
    01 Numerar sepulturas e carneiros,
    02 Reduzir carnes podres a algarismos,
    03 Tal é, sem complicados silogismos,
    04 A aritmética hedionda dos coveiros!

    05 Um, dois, três, quatro, cinco... Esoterismos
    06 Da Morte! E eu vejo, em fúlgidos letreiros,
    07 Na progressão dos números inteiros
    08 A gênese de todos os abismos!

    09 Oh! Pitágoras da última aritmética,
    10 Continua a contar na paz ascética
    11 Dos tábidos carneiros sepulcrais

    12 Tíbias, cérebros, crânios, rádios e úmeros,
    13 Porque, infinita como os próprios números
    14 A tua conta não acaba mais!
    Augusto dos Anjos
    Vocabulário:
    Carneiros -
    criptas, subterrâneos sepulcrais
    Fúlgidos - brilhantes
    Ascética - próprio do asceta, de quem se entrega a práticas espirituais, levando vida contemplativa
    Tábitos - pobres, corruptos
    Tíbias - ossos que constituem a perna
    Rádios - ossos que constituem o antebraço
    Úmeros - ossos que vão do cotovelo ao ombro

    Pai contra mãe (fragmento)
    Imagem da questão de Português, Universidade Presbiteriana Mackenzie 2016, Interpretação de Textos
    Machado de Assis
    A partir dos três autores selecionados, considere as seguintes afirmações:

    I. Manuel Bandeira foi poeta determinante na idealização e na organização da Semana de Arte Moderna de 1922.

    II. Augusto dos Anjos, em função de sua perfeição métrica e rítmica, é considerado um dos expoentes da tríade parnasiana.

    III. Machado de Assis abandonou a prosa romântica para desenvolver as digressões textuais, característica fundadora da prosa realista.

    Assinale a alternativa correta.
    Escolha uma alternativa para a questão 67d96911-dd
  • 67D64A3F-DD

    Português

    Interpretação de Textos
    Universidade Presbiteriana Mackenzie · 2016MédioEntre para guardar nos favoritos
    Textos para a questão

    Poema de Finados
    01 Amanhã que é dia dos mortos
    02 Vai ao cemitério. Vai
    03 E procura entre as sepulturas
    04 A sepultura de meu pai.

    05 Leva três rosas bem bonitas.
    06 Ajoelha e reza uma oração.
    07 Não pelo pai, mas pelo filho:
    08 O filho tem mais precisão.

    09 O que resta de mim na vida
    10 É a amargura do que sofri.
    11 Pois nada quero, nada espero.
    12 E em verdade estou morto ali.
    Manuel Bandeira

    Versos a um coveiro
    01 Numerar sepulturas e carneiros,
    02 Reduzir carnes podres a algarismos,
    03 Tal é, sem complicados silogismos,
    04 A aritmética hedionda dos coveiros!

    05 Um, dois, três, quatro, cinco... Esoterismos
    06 Da Morte! E eu vejo, em fúlgidos letreiros,
    07 Na progressão dos números inteiros
    08 A gênese de todos os abismos!

    09 Oh! Pitágoras da última aritmética,
    10 Continua a contar na paz ascética
    11 Dos tábidos carneiros sepulcrais

    12 Tíbias, cérebros, crânios, rádios e úmeros,
    13 Porque, infinita como os próprios números
    14 A tua conta não acaba mais!
    Augusto dos Anjos
    Vocabulário:
    Carneiros -
    criptas, subterrâneos sepulcrais
    Fúlgidos - brilhantes
    Ascética - próprio do asceta, de quem se entrega a práticas espirituais, levando vida contemplativa
    Tábitos - pobres, corruptos
    Tíbias - ossos que constituem a perna
    Rádios - ossos que constituem o antebraço
    Úmeros - ossos que vão do cotovelo ao ombro

    Pai contra mãe (fragmento)
    Imagem da questão de Português, Universidade Presbiteriana Mackenzie 2016, Interpretação de Textos
    Machado de Assis
    No fragmento de “Pai contra mãe”, todas as alternativas estão corretas, EXCETO:
    Escolha uma alternativa para a questão 67d64a3f-dd
  • 67D27F7D-DD

    Português

    Funções da Linguagem: emotiva, apelativa, referencial, metalinguística, fática e poética.
    Universidade Presbiteriana Mackenzie · 2016MédioEntre para guardar nos favoritos
    Textos para a questão

    Poema de Finados
    01 Amanhã que é dia dos mortos
    02 Vai ao cemitério. Vai
    03 E procura entre as sepulturas
    04 A sepultura de meu pai.

    05 Leva três rosas bem bonitas.
    06 Ajoelha e reza uma oração.
    07 Não pelo pai, mas pelo filho:
    08 O filho tem mais precisão.

    09 O que resta de mim na vida
    10 É a amargura do que sofri.
    11 Pois nada quero, nada espero.
    12 E em verdade estou morto ali.
    Manuel Bandeira

    Versos a um coveiro
    01 Numerar sepulturas e carneiros,
    02 Reduzir carnes podres a algarismos,
    03 Tal é, sem complicados silogismos,
    04 A aritmética hedionda dos coveiros!

    05 Um, dois, três, quatro, cinco... Esoterismos
    06 Da Morte! E eu vejo, em fúlgidos letreiros,
    07 Na progressão dos números inteiros
    08 A gênese de todos os abismos!

    09 Oh! Pitágoras da última aritmética,
    10 Continua a contar na paz ascética
    11 Dos tábidos carneiros sepulcrais

    12 Tíbias, cérebros, crânios, rádios e úmeros,
    13 Porque, infinita como os próprios números
    14 A tua conta não acaba mais!
    Augusto dos Anjos
    Vocabulário:
    Carneiros -
    criptas, subterrâneos sepulcrais
    Fúlgidos - brilhantes
    Ascética - próprio do asceta, de quem se entrega a práticas espirituais, levando vida contemplativa
    Tábitos - pobres, corruptos
    Tíbias - ossos que constituem a perna
    Rádios - ossos que constituem o antebraço
    Úmeros - ossos que vão do cotovelo ao ombro

    Pai contra mãe (fragmento)
    Imagem da questão de Português, Universidade Presbiteriana Mackenzie 2016, Funções da Linguagem: emotiva, apelativa, referencial, metalinguística, fática e poética.
    Machado de Assis
    É correto afirmar que em “Versos a um coveiro”:
    Escolha uma alternativa para a questão 67d27f7d-dd
  • 67CE635D-DD

    Português

    Flexão verbal de modo (indicativo, subjuntivo, imperativo)
    Universidade Presbiteriana Mackenzie · 2016MédioEntre para guardar nos favoritos
    Textos para a questão

    Poema de Finados
    01 Amanhã que é dia dos mortos
    02 Vai ao cemitério. Vai
    03 E procura entre as sepulturas
    04 A sepultura de meu pai.

    05 Leva três rosas bem bonitas.
    06 Ajoelha e reza uma oração.
    07 Não pelo pai, mas pelo filho:
    08 O filho tem mais precisão.

    09 O que resta de mim na vida
    10 É a amargura do que sofri.
    11 Pois nada quero, nada espero.
    12 E em verdade estou morto ali.
    Manuel Bandeira

    Versos a um coveiro
    01 Numerar sepulturas e carneiros,
    02 Reduzir carnes podres a algarismos,
    03 Tal é, sem complicados silogismos,
    04 A aritmética hedionda dos coveiros!

    05 Um, dois, três, quatro, cinco... Esoterismos
    06 Da Morte! E eu vejo, em fúlgidos letreiros,
    07 Na progressão dos números inteiros
    08 A gênese de todos os abismos!

    09 Oh! Pitágoras da última aritmética,
    10 Continua a contar na paz ascética
    11 Dos tábidos carneiros sepulcrais

    12 Tíbias, cérebros, crânios, rádios e úmeros,
    13 Porque, infinita como os próprios números
    14 A tua conta não acaba mais!
    Augusto dos Anjos
    Vocabulário:
    Carneiros -
    criptas, subterrâneos sepulcrais
    Fúlgidos - brilhantes
    Ascética - próprio do asceta, de quem se entrega a práticas espirituais, levando vida contemplativa
    Tábitos - pobres, corruptos
    Tíbias - ossos que constituem a perna
    Rádios - ossos que constituem o antebraço
    Úmeros - ossos que vão do cotovelo ao ombro

    Pai contra mãe (fragmento)
    Imagem da questão de Português, Universidade Presbiteriana Mackenzie 2016, Flexão verbal de modo (indicativo, subjuntivo, imperativo)
    Machado de Assis
    Sobre “Poema de Finados” e a obra de Manuel Bandeira é correto afirmar que:
    Escolha uma alternativa para a questão 67ce635d-dd
  • 67CAAAFF-DD

    Português

    Interpretação de Textos
    Universidade Presbiteriana Mackenzie · 2016DifícilEntre para guardar nos favoritos
    Textos para a questão

    Poema de Finados
    01 Amanhã que é dia dos mortos
    02 Vai ao cemitério. Vai
    03 E procura entre as sepulturas
    04 A sepultura de meu pai.

    05 Leva três rosas bem bonitas.
    06 Ajoelha e reza uma oração.
    07 Não pelo pai, mas pelo filho:
    08 O filho tem mais precisão.

    09 O que resta de mim na vida
    10 É a amargura do que sofri.
    11 Pois nada quero, nada espero.
    12 E em verdade estou morto ali.
    Manuel Bandeira

    Versos a um coveiro
    01 Numerar sepulturas e carneiros,
    02 Reduzir carnes podres a algarismos,
    03 Tal é, sem complicados silogismos,
    04 A aritmética hedionda dos coveiros!

    05 Um, dois, três, quatro, cinco... Esoterismos
    06 Da Morte! E eu vejo, em fúlgidos letreiros,
    07 Na progressão dos números inteiros
    08 A gênese de todos os abismos!

    09 Oh! Pitágoras da última aritmética,
    10 Continua a contar na paz ascética
    11 Dos tábidos carneiros sepulcrais

    12 Tíbias, cérebros, crânios, rádios e úmeros,
    13 Porque, infinita como os próprios números
    14 A tua conta não acaba mais!
    Augusto dos Anjos
    Vocabulário:
    Carneiros -
    criptas, subterrâneos sepulcrais
    Fúlgidos - brilhantes
    Ascética - próprio do asceta, de quem se entrega a práticas espirituais, levando vida contemplativa
    Tábitos - pobres, corruptos
    Tíbias - ossos que constituem a perna
    Rádios - ossos que constituem o antebraço
    Úmeros - ossos que vão do cotovelo ao ombro

    Pai contra mãe (fragmento)
    Imagem da questão de Português, Universidade Presbiteriana Mackenzie 2016, Interpretação de Textos
    Machado de Assis
    Considere as seguintes afirmações:

    I. Os textos tratam da temática da morte a partir de um mesmo ponto de vista, independentemente de pertencerem a diferentes escolas literárias.
    II. As composições poéticas são mais adequadas para o tratamento da temática emotiva da morte do que a composição em prosa, que costumeiramente privilegia a linguagem objetiva.
    III. O poema de Manuel Bandeira e o fragmento de Machado de Assis são marcados, particularmente, por uma visão irônica e conservadora da morte.

    Assinale a alternativa correta.
    Escolha uma alternativa para a questão 67caaaff-dd
  • 67C1CD47-DD

    Português

    Advérbios
    Universidade Presbiteriana Mackenzie · 2016MédioEntre para guardar nos favoritos

    Texto para a questão

    Imagem da questão de Português, Universidade Presbiteriana Mackenzie 2016, Advérbios
    Vera Teixeira de Aguiar, O verbal e o não verbal

    Assinale a alternativa INCORRETA.
    Escolha uma alternativa para a questão 67c1cd47-dd
  • 67BD9BE3-DD

    Português

    Interpretação de Textos
    Universidade Presbiteriana Mackenzie · 2016MédioEntre para guardar nos favoritos

    Texto para a questão


    Vera Teixeira de Aguiar, O verbal e o não verbal

    Considere as seguintes afirmações sobre o texto:

    I. A palavra eminentemente (linha 08) pode ser corretamente substituída no texto por “acima de tudo”, sem que a alteração modifique sentidos originais do texto.
    II. A palavra acionados (linha 17) pode ser corretamente substituída no texto por “mobilizados”, sem que a alteração modifique sentidos originais do texto.
    III. A palavra difundem (linha 18) pode ser corretamente substituída no texto por “propagam”, sem que a alteração modifique sentidos originais do texto.

    Assinale a alternativa correta.
    Escolha uma alternativa para a questão 67bd9be3-dd
  • 67B97665-DD

    Português

    Gêneros Textuais
    Universidade Presbiteriana Mackenzie · 2016FácilEntre para guardar nos favoritos

    Texto para a questão


    Vera Teixeira de Aguiar, O verbal e o não verbal

    O texto pode ser classificado como uma:
    Escolha uma alternativa para a questão 67b97665-dd
  • 67B3D0F4-DD

    Português

    Interpretação de Textos
    Universidade Presbiteriana Mackenzie · 2016FácilEntre para guardar nos favoritos

    Texto para a questão


    Vera Teixeira de Aguiar, O verbal e o não verbal

    Assinale a alternativa que mais apropriadamente resume a ideia principal do texto.
    Escolha uma alternativa para a questão 67b3d0f4-dd
  • 53420AA4-DC

    Português

    Interpretação de Textos
    Faculdade de Medicina de Marília · 2016FácilEntre para guardar nos favoritos

    Leia o texto de Richard Conniff para responder à questão.


        Consideremos, por exemplo, a questão da morte, que, pelo menos à primeira vista, parece ser um indicador fidedigno de que se perdeu a luta darwiniana. Os ricos também morrem, é claro – só que não tão cedo. Levam uma vida mais longa e mais sadia do que o resto de nós. Diz o velho clichê que todo dinheiro do mundo não significa nada quando não se tem saúde, mas as pessoas endinheiradas geralmente a têm. E, em média, quanto mais dinheiro têm, melhor é sua saúde. O estudo Longitudinal de 1990, no Reino Unido, constatou que os donos de casa própria que têm um automóvel tendem a morrer mais moços do que os que têm dois, e assim sucessivamente, num “gradiente contínuo” de redução de mortalidade que vai das áreas mais desprivilegiadas até as mais opulentas. (O estudo considerou a posse de automóveis meramente como uma medida conveniente da riqueza; não pretendeu implicar que ter vinte carros qualificaria Elton John para a imortalidade.)

        Outras pesquisas indicaram que as pessoas abastadas tinham vida mais longa no passado. Numa das mais estranhas pesquisas demográficas de que se tem notícia, uma equipe de epidemiologistas e psicólogos vasculhou o cemitério de Glasgow, em meados dos anos 90, munidos de varas de limpar chaminés. Usaram-nas para medir a altura de mais de oitocentos obeliscos do século XIX. As pessoas enterradas sob os obeliscos tendem a ser abastadas, e os pesquisadores presumiram que os obeliscos mais altos marcariam as sepulturas mais ricas. O estudo revelou que cada metro extra de altura do obelisco traduzia-se em quase dois anos de longevidade adicional para a pessoa sepultada sob ele.

    (História natural dos ricos, 2004. Adaptado.)

    “As pessoas enterradas sob os obeliscos tendem a ser abastadas, e os pesquisadores presumiram que os obeliscos mais altos marcariam as sepulturas mais ricas” (2o parágrafo).


    As palavras em destaque indicam que o texto trata, nessa passagem, de

    Escolha uma alternativa para a questão 53420aa4-dc
  • 533DB02E-DC

    Português

    Coesão e coerência
    Faculdade de Medicina de Marília · 2016FácilEntre para guardar nos favoritos

    Leia o texto de Richard Conniff para responder à questão.


        Consideremos, por exemplo, a questão da morte, que, pelo menos à primeira vista, parece ser um indicador fidedigno de que se perdeu a luta darwiniana. Os ricos também morrem, é claro – só que não tão cedo. Levam uma vida mais longa e mais sadia do que o resto de nós. Diz o velho clichê que todo dinheiro do mundo não significa nada quando não se tem saúde, mas as pessoas endinheiradas geralmente a têm. E, em média, quanto mais dinheiro têm, melhor é sua saúde. O estudo Longitudinal de 1990, no Reino Unido, constatou que os donos de casa própria que têm um automóvel tendem a morrer mais moços do que os que têm dois, e assim sucessivamente, num “gradiente contínuo” de redução de mortalidade que vai das áreas mais desprivilegiadas até as mais opulentas. (O estudo considerou a posse de automóveis meramente como uma medida conveniente da riqueza; não pretendeu implicar que ter vinte carros qualificaria Elton John para a imortalidade.)

        Outras pesquisas indicaram que as pessoas abastadas tinham vida mais longa no passado. Numa das mais estranhas pesquisas demográficas de que se tem notícia, uma equipe de epidemiologistas e psicólogos vasculhou o cemitério de Glasgow, em meados dos anos 90, munidos de varas de limpar chaminés. Usaram-nas para medir a altura de mais de oitocentos obeliscos do século XIX. As pessoas enterradas sob os obeliscos tendem a ser abastadas, e os pesquisadores presumiram que os obeliscos mais altos marcariam as sepulturas mais ricas. O estudo revelou que cada metro extra de altura do obelisco traduzia-se em quase dois anos de longevidade adicional para a pessoa sepultada sob ele.

    (História natural dos ricos, 2004. Adaptado.)

    “Diz o velho clichê que todo dinheiro do mundo não significa nada quando não se tem saúde”.


    Assinale a alternativa que estabelece a correta relação entre o texto e o clichê citado.

    Escolha uma alternativa para a questão 533db02e-dc
  • 5333ADED-DC

    Português

    Figuras de Linguagem
    Faculdade de Medicina de Marília · 2016FácilEntre para guardar nos favoritos

    Leia o texto de Claudia Wallin para responder à questão.


        Vossas excelências, ilustríssimos senhores e senhoras, trago notícias urgentes de um reino distante. É mister vos alertar, Vossas Excelências, que nesta estranha terra os habitantes criaram um país onde os mui digníssimos e respeitáveis representantes do povo são tratados, imaginem Vossas Senhorias, como o próprio povo. Insânia! Dirão que as histórias que aqui relato são meras alucinações de contos de fada, pois há neste rico reino, que chamam de Suécia, rei, rainha e princesas. Mas não se iludam! Os habitantes desta terra já tiraram todos os poderes do rei, em nome de uma democracia que proclama uma tal igualdade entre todos, e o que digo são coisas que tenho visto com os olhos que esta mesma terra um dia há de comer.

        Nestas longínquas comarcas, os mui distintos parlamentares, ministros e prefeitos viajam de trem ou de ônibus para o trabalho, em sua labuta para adoçar as mazelas do povo. De ônibus, Eminências! E muitos castelos há pelos quatro cantos deste próspero reino, mas aos egrégios representantes do povo é oferecido abrigo apenas em pífias habitações de um cômodo, indignas dos ilustríssimos defensores dos direitos dos cidadãos e da democracia.

        Este reino está cercado por outros ricos reinos, numa península chamada Escandinávia, onde também há príncipes e reis, e onde os representantes do povo vivem como sobrevive um súdito qualquer. E isto eu também vi, com os olhos que esta terra há de comer: em um dos povos vizinhos, conhecido como o reino dos noruegueses, os nobres representantes do povo chegam a almoçar sanduíches que trazem de casa, e que tiram dos bolsos dos paletós quando a fome aperta.

        É preciso cautela, Vossas Excelências. Deste reino, que chamam de Suécia ainda pouco se ouve falar. Mas as notícias sobre o igualitário reino dos suecos se espalham.

    Estocolmo, 6 de janeiro de 2013.

    (Um país sem excelências e mordomias, 2014. Adaptado.)

    Assinale a alternativa em que ocorre um pleonasmo.
    Escolha uma alternativa para a questão 5333aded-dc
  • 532DC0C0-DC

    Português

    Interpretação de Textos
    Faculdade de Medicina de Marília · 2016FácilEntre para guardar nos favoritos

    Leia o texto de Claudia Wallin para responder à questão.


        Vossas excelências, ilustríssimos senhores e senhoras, trago notícias urgentes de um reino distante. É mister vos alertar, Vossas Excelências, que nesta estranha terra os habitantes criaram um país onde os mui digníssimos e respeitáveis representantes do povo são tratados, imaginem Vossas Senhorias, como o próprio povo. Insânia! Dirão que as histórias que aqui relato são meras alucinações de contos de fada, pois há neste rico reino, que chamam de Suécia, rei, rainha e princesas. Mas não se iludam! Os habitantes desta terra já tiraram todos os poderes do rei, em nome de uma democracia que proclama uma tal igualdade entre todos, e o que digo são coisas que tenho visto com os olhos que esta mesma terra um dia há de comer.

        Nestas longínquas comarcas, os mui distintos parlamentares, ministros e prefeitos viajam de trem ou de ônibus para o trabalho, em sua labuta para adoçar as mazelas do povo. De ônibus, Eminências! E muitos castelos há pelos quatro cantos deste próspero reino, mas aos egrégios representantes do povo é oferecido abrigo apenas em pífias habitações de um cômodo, indignas dos ilustríssimos defensores dos direitos dos cidadãos e da democracia.

        Este reino está cercado por outros ricos reinos, numa península chamada Escandinávia, onde também há príncipes e reis, e onde os representantes do povo vivem como sobrevive um súdito qualquer. E isto eu também vi, com os olhos que esta terra há de comer: em um dos povos vizinhos, conhecido como o reino dos noruegueses, os nobres representantes do povo chegam a almoçar sanduíches que trazem de casa, e que tiram dos bolsos dos paletós quando a fome aperta.

        É preciso cautela, Vossas Excelências. Deste reino, que chamam de Suécia ainda pouco se ouve falar. Mas as notícias sobre o igualitário reino dos suecos se espalham.

    Estocolmo, 6 de janeiro de 2013.

    (Um país sem excelências e mordomias, 2014. Adaptado.)

    Quanto aos recursos formais e ao conteúdo, o texto
    Escolha uma alternativa para a questão 532dc0c0-dc
  • 53289889-DC

    Português

    Flexão verbal de modo (indicativo, subjuntivo, imperativo)
    Faculdade de Medicina de Marília · 2016MédioEntre para guardar nos favoritos

    Leia o trecho do romance O guarani, de José de Alencar, para responder à questão.


        A inundação crescia sempre; o leito do rio elevava-se gradualmente; as árvores pequenas desapareciam; e a folhagem dos soberbos jacarandás sobrenadava já como grandes moitas de arbustos.

        A cúpula da palmeira, em que se achavam Peri e Cecília, parecia uma ilha de verdura banhando-se nas águas da corrente; as palmas que se abriam formavam no centro um berço mimoso, onde os dois amigos, estreitando-se, pediam ao céu para ambos uma só morte, pois uma só era a sua vida.

        Cecília esperava o seu último momento com a sublime resignação evangélica, que só dá a religião do Cristo; morria feliz; Peri tinha confundido as suas almas na derradeira prece que expirara dos seus lábios.

        — Podemos morrer, meu amigo! disse ela com uma expressão sublime.

        Peri estremeceu; ainda nessa hora suprema seu espírito revoltava-se contra aquela ideia, e não podia conceber que a vida de sua senhora tivesse de perecer como a de um simples mortal.

        — Não! exclamou ele. Tu não podes morrer.

        A menina sorriu docemente.

        — Olha! disse ela com a sua voz maviosa, a água sobe, sobe...

        — Que importa! Peri vencerá a água, como venceu a todos os teus inimigos.

        — Se fosse um inimigo, tu o vencerias, Peri. Mas é Deus... É o seu poder infinito!

        — Tu não sabes? disse o índio como inspirado pelo seu amor ardente, o Senhor do céu manda às vezes àqueles a quem ama um bom pensamento.

        E o índio ergueu os olhos com uma expressão inefável de reconhecimento.

        Falou com um tom solene:

        “Foi longe, bem longe dos tempos de agora. As águas caíram, e começaram a cobrir toda a terra. Os homens subiram ao alto dos montes; um só ficou na várzea com sua esposa.

        “Era Tamandaré; forte entre os fortes; sabia mais que todos. O Senhor falava-lhe de noite; e de dia ele ensinava aos filhos da tribo o que aprendia do céu.

        [...]”

    (O guarani, 1997.)

    “A inundação crescia sempre; o leito do rio elevava-se gradualmente; as árvores pequenas desapareciam; e a folhagem dos soberbos jacarandás sobrenadava já como grandes moitas de arbustos.” 


    Nesse trecho, os verbos indicam

    Escolha uma alternativa para a questão 53289889-dc
  • 53249845-DC

    Português

    Interpretação de Textos
    Faculdade de Medicina de Marília · 2016MédioEntre para guardar nos favoritos

    Leia o trecho do romance O guarani, de José de Alencar, para responder à questão.


        A inundação crescia sempre; o leito do rio elevava-se gradualmente; as árvores pequenas desapareciam; e a folhagem dos soberbos jacarandás sobrenadava já como grandes moitas de arbustos.

        A cúpula da palmeira, em que se achavam Peri e Cecília, parecia uma ilha de verdura banhando-se nas águas da corrente; as palmas que se abriam formavam no centro um berço mimoso, onde os dois amigos, estreitando-se, pediam ao céu para ambos uma só morte, pois uma só era a sua vida.

        Cecília esperava o seu último momento com a sublime resignação evangélica, que só dá a religião do Cristo; morria feliz; Peri tinha confundido as suas almas na derradeira prece que expirara dos seus lábios.

        — Podemos morrer, meu amigo! disse ela com uma expressão sublime.

        Peri estremeceu; ainda nessa hora suprema seu espírito revoltava-se contra aquela ideia, e não podia conceber que a vida de sua senhora tivesse de perecer como a de um simples mortal.

        — Não! exclamou ele. Tu não podes morrer.

        A menina sorriu docemente.

        — Olha! disse ela com a sua voz maviosa, a água sobe, sobe...

        — Que importa! Peri vencerá a água, como venceu a todos os teus inimigos.

        — Se fosse um inimigo, tu o vencerias, Peri. Mas é Deus... É o seu poder infinito!

        — Tu não sabes? disse o índio como inspirado pelo seu amor ardente, o Senhor do céu manda às vezes àqueles a quem ama um bom pensamento.

        E o índio ergueu os olhos com uma expressão inefável de reconhecimento.

        Falou com um tom solene:

        “Foi longe, bem longe dos tempos de agora. As águas caíram, e começaram a cobrir toda a terra. Os homens subiram ao alto dos montes; um só ficou na várzea com sua esposa.

        “Era Tamandaré; forte entre os fortes; sabia mais que todos. O Senhor falava-lhe de noite; e de dia ele ensinava aos filhos da tribo o que aprendia do céu.

        [...]”

    (O guarani, 1997.)

    O romance O guarani, exemplificado pelo trecho apresentado, é expressão de uma intenção literária de José de Alencar:
    Escolha uma alternativa para a questão 53249845-dc
  • 531B38F5-DC

    Português

    Interpretação de Textos
    Faculdade de Medicina de Marília · 2016FácilEntre para guardar nos favoritos

    Leia o poema de Manuel Bandeira para responder à questão.



    A estrada

    Esta estrada onde moro, entre duas voltas do caminho,

    Interessa mais que uma avenida urbana.

    Nas cidades todas as pessoas se parecem.

    Todo o mundo é igual. Todo o mundo é toda a gente.

    Aqui, não: sente-se bem que cada um traz a sua alma.

    Cada criatura é única.

    Até os cães.

    Estes cães da roça parecem homens de negócios:

    Andam sempre preocupados.

    E quanta gente vem e vai!

    E tudo tem aquele caráter impressivo que faz meditar:

    Enterro a pé ou a carrocinha de leite puxada por um bodezinho manhoso.

    Nem falta o murmúrio da água, para sugerir, pela voz dos símbolos,

    Que a vida passa! que a vida passa!

    E que a mocidade vai acabar.

    (Estrela da vida inteira, 2009.)

    O poema se desenvolve em acordo com uma característica típica da poesia de Manuel Bandeira:
    Escolha uma alternativa para a questão 531b38f5-dc
  • 09303C25-DA

    Português

    Coesão e coerência
    UNIFESP · 2016FácilEntre para guardar nos favoritos
    Para responder à, leia o poema “Dissolução”, de Carlos Drummond de Andrade (1902- 1987), que integra o livro Claro enigma, publicado originalmente em 1951. 

    Escurece, e não me seduz 
    tatear sequer uma lâmpada. 
    Pois que aprouve1 ao dia findar, 
    aceito a noite.

    E com ela aceito que brote 
    uma ordem outra de seres 
    e coisas não figuradas. 
    Braços cruzados. 

    Vazio de quanto amávamos, 
    mais vasto é o céu. Povoações 
    surgem do vácuo. 
    Habito alguma?

    E nem destaco minha pele 
    da confluente escuridão. 
    Um fim unânime concentra-se 
    e pousa no ar. Hesitando.

    E aquele agressivo espírito 
    que o dia carreia2 consigo, 
    já não oprime. Assim a paz,
    destroçada.

    Vai durar mil anos, ou 
    extinguir-se na cor do galo? 
    Esta rosa é definitiva, 
    ainda que pobre.

    Imaginação, falsa demente, 
    já te desprezo. E tu, palavra. 
    No mundo, perene trânsito, 
    calamo-nos.
    E sem alma, corpo, és suave.

    (Claro enigma, 2012.)

    1 aprazer: causar ou sentir prazer; contentar(-se).
    2 carrear: carregar. 
    O pronome “te”, empregado no segundo verso da última estrofe, refere-se a
    Escolha uma alternativa para a questão 09303c25-da
  • 0929C584-DA

    Português

    Interpretação de Textos
    UNIFESP · 2016Muito fácilEntre para guardar nos favoritos
    Para responder à, leia o poema “Dissolução”, de Carlos Drummond de Andrade (1902- 1987), que integra o livro Claro enigma, publicado originalmente em 1951. 

    Escurece, e não me seduz 
    tatear sequer uma lâmpada. 
    Pois que aprouve1 ao dia findar, 
    aceito a noite.

    E com ela aceito que brote 
    uma ordem outra de seres 
    e coisas não figuradas. 
    Braços cruzados. 

    Vazio de quanto amávamos, 
    mais vasto é o céu. Povoações 
    surgem do vácuo. 
    Habito alguma?

    E nem destaco minha pele 
    da confluente escuridão. 
    Um fim unânime concentra-se 
    e pousa no ar. Hesitando.

    E aquele agressivo espírito 
    que o dia carreia2 consigo, 
    já não oprime. Assim a paz,
    destroçada.

    Vai durar mil anos, ou 
    extinguir-se na cor do galo? 
    Esta rosa é definitiva, 
    ainda que pobre.

    Imaginação, falsa demente, 
    já te desprezo. E tu, palavra. 
    No mundo, perene trânsito, 
    calamo-nos.
    E sem alma, corpo, és suave.

    (Claro enigma, 2012.)

    1 aprazer: causar ou sentir prazer; contentar(-se).
    2 carrear: carregar. 
    Constituem termos que reforçam o tom pessimista do poema:
    Escolha uma alternativa para a questão 0929c584-da
  • 09130845-DA

    Português

    Interpretação de Textos
    UNIFESP · 2016MédioEntre para guardar nos favoritos

    Leia o trecho do conto “A igreja do Diabo”, de Machado de Assis (1839-1908), para responder à questão.

         Uma vez na terra, o Diabo não perdeu um minuto. Deu-se pressa em enfiar a cogula¹ beneditina, como hábito de boa fama, e entrou a espalhar uma doutrina nova e extraordinária, com uma voz que reboava nas entranhas do século. Ele prometia aos seus discípulos e fiéis as delícias da terra, todas as glórias, os deleites mais íntimos. Confessava que era o Diabo; mas confessava-o para retificar a noção que os homens tinham dele e desmentir as histórias que a seu respeito contavam as velhas beatas.

        – Sim, sou o Diabo, repetia ele; não o Diabo das noites sulfúreas, dos contos soníferos, terror das crianças, mas o Diabo verdadeiro e único, o próprio gênio da natureza, a que se deu aquele nome para arredá-lo do coração dos homens. Vede-me gentil e airoso. Sou o vosso verdadeiro pai. Vamos lá: tomai daquele nome, inventado para meu desdouro², fazei dele um troféu e um lábaro3 , e eu vos darei tudo, tudo, tudo, tudo, tudo, tudo...

        Era assim que falava, a princípio, para excitar o entusiasmo, espertar os indiferentes, congregar, em suma, as multidões ao pé de si. E elas vieram; e logo que vieram, o Diabo passou a definir a doutrina. A doutrina era a que podia ser na boca de um espírito de negação. Isso quanto à substância, porque, acerca da forma, era umas vezes sutil, outras cínica e deslavada.

        Clamava ele que as virtudes aceitas deviam ser substituídas por outras, que eram as naturais e legítimas. A soberba, a luxúria, a preguiça foram reabilitadas, e assim também a avareza, que declarou não ser mais do que a mãe da economia, com a diferença que a mãe era robusta, e a filha uma esgalgada4 . A ira tinha a melhor defesa na existência de Homero; sem o furor de Aquiles, não haveria a Ilíada: “Musa, canta a cólera de Aquiles, filho de Peleu”... [...] Pela sua parte o Diabo prometia substituir a vinha do Senhor, expressão metafórica, pela vinha do Diabo, locução direta e verdadeira, pois não faltaria nunca aos seus com o fruto das mais belas cepas do mundo. Quanto à inveja, pregou friamente que era a virtude principal, origem de prosperidades infinitas; virtude preciosa, que chegava a suprir todas as outras, e ao próprio talento.

        As turbas corriam atrás dele entusiasmadas. O Diabo incutia-lhes, a grandes golpes de eloquência, toda a nova ordem de coisas, trocando a noção delas, fazendo amar as perversas e detestar as sãs.

        Nada mais curioso, por exemplo, do que a definição que ele dava da fraude. Chamava-lhe o braço esquerdo do homem; o braço direito era a força; e concluía: Muitos homens são canhotos, eis tudo. Ora, ele não exigia que todos fossem canhotos; não era exclusivista. Que uns fossem canhotos, outros destros; aceitava a todos, menos os que não fossem nada. A demonstração, porém, mais rigorosa e profunda, foi a da venalidade5 . Um casuísta6 do tempo chegou a confessar que era um monumento de lógica. A venalidade, disse o Diabo, era o exercício de um direito superior a todos os direitos. Se tu podes vender a tua casa, o teu boi, o teu sapato, o teu chapéu, coisas que são tuas por uma razão jurídica e legal, mas que, em todo caso, estão fora de ti, como é que não podes vender a tua opinião, o teu voto, a tua palavra, a tua fé, coisas que são mais do que tuas, porque são a tua própria consciência, isto é, tu mesmo? Negá-lo é cair no absurdo e no contraditório. Pois não há mulheres que vendem os cabelos? não pode um homem vender uma parte do seu sangue para transfundi-lo a outro homem anêmico? e o sangue e os cabelos, partes físicas, terão um privilégio que se nega ao caráter, à porção moral do homem? Demonstrando assim o princípio, o Diabo não se demorou em expor as vantagens de ordem temporal ou pecuniária; depois, mostrou ainda que, à vista do preconceito social, conviria dissimular o exercício de um direito tão legítimo, o que era exercer ao mesmo tempo a venalidade e a hipocrisia, isto é, merecer duplicadamente.

    (Contos: uma antologia, 1998.)

    1 cogula: espécie de túnica larga, sem mangas, usada por certos religiosos.

    2 desdouro: descrédito, desonra.

    3 lábaro: estandarte, bandeira.

    4 esgalgado: comprido e estreito.

    5 venalidade: condição ou qualidade do que pode ser vendido.

    6 casuísta: pessoa que pratica o casuísmo (argumento fundamentado em raciocínio enganador ou falso).

    As palavras do texto cujos prefixos traduzem, respectivamente, ideia de repetição e ideia de negação são
    Escolha uma alternativa para a questão 09130845-da
  • 090F7C77-DA

    Português

    Interpretação de Textos
    UNIFESP · 2016MédioEntre para guardar nos favoritos

    Leia o trecho do conto “A igreja do Diabo”, de Machado de Assis (1839-1908), para responder à questão.

         Uma vez na terra, o Diabo não perdeu um minuto. Deu-se pressa em enfiar a cogula¹ beneditina, como hábito de boa fama, e entrou a espalhar uma doutrina nova e extraordinária, com uma voz que reboava nas entranhas do século. Ele prometia aos seus discípulos e fiéis as delícias da terra, todas as glórias, os deleites mais íntimos. Confessava que era o Diabo; mas confessava-o para retificar a noção que os homens tinham dele e desmentir as histórias que a seu respeito contavam as velhas beatas.

        – Sim, sou o Diabo, repetia ele; não o Diabo das noites sulfúreas, dos contos soníferos, terror das crianças, mas o Diabo verdadeiro e único, o próprio gênio da natureza, a que se deu aquele nome para arredá-lo do coração dos homens. Vede-me gentil e airoso. Sou o vosso verdadeiro pai. Vamos lá: tomai daquele nome, inventado para meu desdouro², fazei dele um troféu e um lábaro3 , e eu vos darei tudo, tudo, tudo, tudo, tudo, tudo...

        Era assim que falava, a princípio, para excitar o entusiasmo, espertar os indiferentes, congregar, em suma, as multidões ao pé de si. E elas vieram; e logo que vieram, o Diabo passou a definir a doutrina. A doutrina era a que podia ser na boca de um espírito de negação. Isso quanto à substância, porque, acerca da forma, era umas vezes sutil, outras cínica e deslavada.

        Clamava ele que as virtudes aceitas deviam ser substituídas por outras, que eram as naturais e legítimas. A soberba, a luxúria, a preguiça foram reabilitadas, e assim também a avareza, que declarou não ser mais do que a mãe da economia, com a diferença que a mãe era robusta, e a filha uma esgalgada4 . A ira tinha a melhor defesa na existência de Homero; sem o furor de Aquiles, não haveria a Ilíada: “Musa, canta a cólera de Aquiles, filho de Peleu”... [...] Pela sua parte o Diabo prometia substituir a vinha do Senhor, expressão metafórica, pela vinha do Diabo, locução direta e verdadeira, pois não faltaria nunca aos seus com o fruto das mais belas cepas do mundo. Quanto à inveja, pregou friamente que era a virtude principal, origem de prosperidades infinitas; virtude preciosa, que chegava a suprir todas as outras, e ao próprio talento.

        As turbas corriam atrás dele entusiasmadas. O Diabo incutia-lhes, a grandes golpes de eloquência, toda a nova ordem de coisas, trocando a noção delas, fazendo amar as perversas e detestar as sãs.

        Nada mais curioso, por exemplo, do que a definição que ele dava da fraude. Chamava-lhe o braço esquerdo do homem; o braço direito era a força; e concluía: Muitos homens são canhotos, eis tudo. Ora, ele não exigia que todos fossem canhotos; não era exclusivista. Que uns fossem canhotos, outros destros; aceitava a todos, menos os que não fossem nada. A demonstração, porém, mais rigorosa e profunda, foi a da venalidade5 . Um casuísta6 do tempo chegou a confessar que era um monumento de lógica. A venalidade, disse o Diabo, era o exercício de um direito superior a todos os direitos. Se tu podes vender a tua casa, o teu boi, o teu sapato, o teu chapéu, coisas que são tuas por uma razão jurídica e legal, mas que, em todo caso, estão fora de ti, como é que não podes vender a tua opinião, o teu voto, a tua palavra, a tua fé, coisas que são mais do que tuas, porque são a tua própria consciência, isto é, tu mesmo? Negá-lo é cair no absurdo e no contraditório. Pois não há mulheres que vendem os cabelos? não pode um homem vender uma parte do seu sangue para transfundi-lo a outro homem anêmico? e o sangue e os cabelos, partes físicas, terão um privilégio que se nega ao caráter, à porção moral do homem? Demonstrando assim o princípio, o Diabo não se demorou em expor as vantagens de ordem temporal ou pecuniária; depois, mostrou ainda que, à vista do preconceito social, conviria dissimular o exercício de um direito tão legítimo, o que era exercer ao mesmo tempo a venalidade e a hipocrisia, isto é, merecer duplicadamente.

    (Contos: uma antologia, 1998.)

    1 cogula: espécie de túnica larga, sem mangas, usada por certos religiosos.

    2 desdouro: descrédito, desonra.

    3 lábaro: estandarte, bandeira.

    4 esgalgado: comprido e estreito.

    5 venalidade: condição ou qualidade do que pode ser vendido.

    6 casuísta: pessoa que pratica o casuísmo (argumento fundamentado em raciocínio enganador ou falso).

    No último parágrafo, o principal recurso retórico mobilizado pelo Diabo em sua argumentação a respeito da venalidade é
    Escolha uma alternativa para a questão 090f7c77-da