Questões do ENEM: Linguagens e Interpretação de Textos
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6F7721AC-06 Leia o trecho inicial de um artigo do livro Bilhões e bilhões do astrônomo e divulgador científico Carl Sagan (1934-1996) para responder à questão.O tabuleiro de xadrez persaSegundo o modo como ouvi pela primeira vez a história, aconteceu na Pérsia antiga. Mas podia ter sido na Índia ou até na China. De qualquer forma, aconteceu há muito tempo. O grão-vizir, o principal conselheiro do rei, tinha inventado um novo jogo. Era jogado com peças móveis sobre um tabuleiro quadrado que consistia em 64 quadrados vermelhos e pretos. A peça mais importante era o rei. A segunda peça mais importante era o grão-vizir – exatamente o que se esperaria de um jogo inventado por um grão-vizir. O objetivo era capturar o rei inimigo e, por isso, o jogo era chamado, em persa, shahmat – shah para rei, mat para morto. Morte ao rei. Em russo, é ainda chamado shakhmat. Expressão que talvez transmita um remanescente sentimento revolucionário. Até em inglês, há um eco desse nome – o lance final é chamado checkmate (xeque-mate). O jogo, claro, é o xadrez. Ao longo do tempo, as peças, seus movimentos, as regras do jogo, tudo evoluiu. Por exemplo, já não existe um grão-vizir – que se metamorfoseou numa rainha, com poderes muito mais terríveis.A razão de um rei se deliciar com a invenção de um jogo chamado “Morte ao rei” é um mistério. Mas reza a história que ele ficou tão encantado que mandou o grão-vizir determinar sua própria recompensa por ter criado uma invenção tão magnífica. O grão-vizir tinha a resposta na ponta da língua: era um homem modesto, disse ao xá. Desejava apenas uma recompensa simples. Apontando as oito colunas e as oito filas de quadrados no tabuleiro que tinha inventado, pediu que lhe fosse dado um único grão de trigo no primeiro quadrado, o dobro dessa quantia no segundo, o dobro dessa quantia no terceiro e assim por diante, até que cada quadrado tivesse o seu complemento de trigo. Não, protestou o rei, era uma recompensa demasiado modesta para uma invenção tão importante. Ofereceu joias, dançarinas, palácios. Mas o grão-vizir, com os olhos apropriadamente baixos, recusou todas as ofertas. Só desejava pequenos montes de trigo. Assim, admirando-se secretamente da humildade e comedimento de seu conselheiro, o rei consentiu.No entanto, quando o mestre do Celeiro Real começou a contar os grãos, o rei se viu diante de uma surpresa desagradável. O número de grãos começa bem pequeno: 1, 2, 4, 8, 16, 32, 64, 128, 256, 512, 1024... mas quando se chega ao 64o quadrado, o número se torna colossal, esmagador. Na realidade, o número é quase 18,5 quintilhões*. Talvez o grão-vizir estivesse fazendo uma dieta rica em fibras.Quanto pesam 18,5 quintilhões de grãos de trigo? Se cada grão tivesse o tamanho de um milímetro, todos os grãos juntos pesariam cerca de 75 bilhões de toneladas métricas, o que é muito mais do que poderia ser armazenado nos celeiros do xá. Na verdade, esse número equivale a cerca de 150 anos da produção de trigo mundial no presente. O relato do que aconteceu a seguir não chegou até nós. Se o rei, inadimplente, culpando-se pela falta de atenção nos seus estudos de aritmética, entregou o reino ao vizir, ou se o último experimentou as aflições de um novo jogo chamado vizirmat, não temos o privilégio de saber.*1 quintilhão = 1 000 000 000 000 000 000 = 1018. Para se contar esse número a partir de 0 (um número por segundo, dia e noite), seriam necessários 32 bilhões de anos (mais tempo do que a idade do universo).(Carl Sagan. Bilhões e bilhões, 2008. Adaptado.)No artigo, o recurso à ironia está bem exemplificado em:6F6F8069-06 Português
Gêneros TextuaisUNIFESP · 2015DifícilEntre para guardar nos favoritosLeia o trecho inicial de um artigo do livro Bilhões e bilhões do astrônomo e divulgador científico Carl Sagan (1934-1996) para responder à questão.O tabuleiro de xadrez persaSegundo o modo como ouvi pela primeira vez a história, aconteceu na Pérsia antiga. Mas podia ter sido na Índia ou até na China. De qualquer forma, aconteceu há muito tempo. O grão-vizir, o principal conselheiro do rei, tinha inventado um novo jogo. Era jogado com peças móveis sobre um tabuleiro quadrado que consistia em 64 quadrados vermelhos e pretos. A peça mais importante era o rei. A segunda peça mais importante era o grão-vizir – exatamente o que se esperaria de um jogo inventado por um grão-vizir. O objetivo era capturar o rei inimigo e, por isso, o jogo era chamado, em persa, shahmat – shah para rei, mat para morto. Morte ao rei. Em russo, é ainda chamado shakhmat. Expressão que talvez transmita um remanescente sentimento revolucionário. Até em inglês, há um eco desse nome – o lance final é chamado checkmate (xeque-mate). O jogo, claro, é o xadrez. Ao longo do tempo, as peças, seus movimentos, as regras do jogo, tudo evoluiu. Por exemplo, já não existe um grão-vizir – que se metamorfoseou numa rainha, com poderes muito mais terríveis.A razão de um rei se deliciar com a invenção de um jogo chamado “Morte ao rei” é um mistério. Mas reza a história que ele ficou tão encantado que mandou o grão-vizir determinar sua própria recompensa por ter criado uma invenção tão magnífica. O grão-vizir tinha a resposta na ponta da língua: era um homem modesto, disse ao xá. Desejava apenas uma recompensa simples. Apontando as oito colunas e as oito filas de quadrados no tabuleiro que tinha inventado, pediu que lhe fosse dado um único grão de trigo no primeiro quadrado, o dobro dessa quantia no segundo, o dobro dessa quantia no terceiro e assim por diante, até que cada quadrado tivesse o seu complemento de trigo. Não, protestou o rei, era uma recompensa demasiado modesta para uma invenção tão importante. Ofereceu joias, dançarinas, palácios. Mas o grão-vizir, com os olhos apropriadamente baixos, recusou todas as ofertas. Só desejava pequenos montes de trigo. Assim, admirando-se secretamente da humildade e comedimento de seu conselheiro, o rei consentiu.No entanto, quando o mestre do Celeiro Real começou a contar os grãos, o rei se viu diante de uma surpresa desagradável. O número de grãos começa bem pequeno: 1, 2, 4, 8, 16, 32, 64, 128, 256, 512, 1024... mas quando se chega ao 64o quadrado, o número se torna colossal, esmagador. Na realidade, o número é quase 18,5 quintilhões*. Talvez o grão-vizir estivesse fazendo uma dieta rica em fibras.Quanto pesam 18,5 quintilhões de grãos de trigo? Se cada grão tivesse o tamanho de um milímetro, todos os grãos juntos pesariam cerca de 75 bilhões de toneladas métricas, o que é muito mais do que poderia ser armazenado nos celeiros do xá. Na verdade, esse número equivale a cerca de 150 anos da produção de trigo mundial no presente. O relato do que aconteceu a seguir não chegou até nós. Se o rei, inadimplente, culpando-se pela falta de atenção nos seus estudos de aritmética, entregou o reino ao vizir, ou se o último experimentou as aflições de um novo jogo chamado vizirmat, não temos o privilégio de saber.*1 quintilhão = 1 000 000 000 000 000 000 = 1018. Para se contar esse número a partir de 0 (um número por segundo, dia e noite), seriam necessários 32 bilhões de anos (mais tempo do que a idade do universo).(Carl Sagan. Bilhões e bilhões, 2008. Adaptado.)Por ser um artigo de divulgação científica, o texto apresenta uma linguagem8C9DAA1B-F8 Português
Interpretação de TextosUEG · 2015MédioEntre para guardar nos favoritosObserve a pintura e leia o fragmento a seguir para responder à questão.
MEIRELLES, Victor. Batalha dos Guararapes. Disponível em:<https://www.museus.gov.br/tag/victor-meirelles/>. Acesso em: 24 mar. 2015.Vinha logo de guardas rodeadoFonte de crimes, militar tesouro,Por quem deixa no rego o curto aradoO lavrador, que não conhece a glória;E vendendo a vil preço o sangue e a vidaMove, e nem sabe por que move a guerra.GAMA, Basílio. O Uraguai. In. BOSI, Alfredo. História concisa da literatura brasileira. 43. ed. São Paulo: Cultrix, 2006. p. 67.
O fragmento e a pintura se aproximam por8C94674F-F8 Português
Interpretação de TextosUEG · 2015Muito fácilEntre para guardar nos favoritosLeia o texto para responder à questão.
RICKLEFS, Robert E. A economia da natureza. 6. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2010. p. 15. (Adaptado).
A expressão “Além disso” (linha 3) tem, no texto, a função de8C8EB9D4-F8 Português
Flexão verbal de número (singular, plural)UEG · 2015FácilEntre para guardar nos favoritosLeia o texto para responder à questão.
RICKLEFS, Robert E. A economia da natureza. 6. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2010. p. 15. (Adaptado).
No trecho “Os humanos já usurpam quase metade da produtividade biológica da biosfera. Não podemos assumir essa responsabilidade de forma negligente” (linhas 10-12), os períodos apresentam pessoas verbais diferentes. O uso da primeira pessoal do plural, no segundo período, constitui um recurso linguístico por meio do qual o autor8C8BCAC5-F8 Português
Interpretação de TextosUEG · 2015MédioEntre para guardar nos favoritosLeia o texto para responder à questão.
RICKLEFS, Robert E. A economia da natureza. 6. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2010. p. 15. (Adaptado).
Os elementos estilísticos, composicionais e temáticos indicam que o texto é predominantemente elaborado a partir de qual sequência textual?2151447B-F7 Português
Interpretação de TextosUEG · 2015MédioEntre para guardar nos favoritosLeia a letra da canção e observe a pintura a seguir para responder à questão.Metamorfose ambulantePrefiro ser essa metamorfose ambulanteDo que ter aquela velha opinião formada sobre tudoQuero dizer agora o oposto do que eu disse antesEu prefiro ser essa metamorfose ambulanteDo que ter aquela velha opinião formada sobre tudoSobre o que é o amorSobre o que eu nem sei quem souSe hoje eu sou estrela amanhã já se apagouSe hoje eu lhe odeio amanhã lhe tenho amorLhe tenho amorLhe tenho horrorLhe faço amorEu sou um atorÉ chato chegar a um objetivo num instanteQuero viver nessa metamorfose ambulanteDo que ter aquela velha opinião formada sobre tudoVou desdizer aquilo tudo que eu lhe disse antesEu prefiro ser essa metamorfose ambulanteDo que ter aquela velha opinião formada sobre tudoVivi a viver a vida no segundo e no instantePrefiro ser essa metamorfose ambulanteDo que ter aquela velha opinião formada sobre tudoSEIXAS, Raul. Metamorfose ambulante. Disponível em: <https://www.letras.com.br/#!raul-seixas/metamorfose-ambulante>. Acesso em: 02 set. 2015.Em relação à letra da música, a pintura retrata uma cena
214E5618-F7 Português
Interpretação de TextosUEG · 2015FácilEntre para guardar nos favoritosLeia a letra da canção e observe a pintura a seguir para responder à questão.Metamorfose ambulantePrefiro ser essa metamorfose ambulanteDo que ter aquela velha opinião formada sobre tudoQuero dizer agora o oposto do que eu disse antesEu prefiro ser essa metamorfose ambulanteDo que ter aquela velha opinião formada sobre tudoSobre o que é o amorSobre o que eu nem sei quem souSe hoje eu sou estrela amanhã já se apagouSe hoje eu lhe odeio amanhã lhe tenho amorLhe tenho amorLhe tenho horrorLhe faço amorEu sou um atorÉ chato chegar a um objetivo num instanteQuero viver nessa metamorfose ambulanteDo que ter aquela velha opinião formada sobre tudoVou desdizer aquilo tudo que eu lhe disse antesEu prefiro ser essa metamorfose ambulanteDo que ter aquela velha opinião formada sobre tudoVivi a viver a vida no segundo e no instantePrefiro ser essa metamorfose ambulanteDo que ter aquela velha opinião formada sobre tudoSEIXAS, Raul. Metamorfose ambulante. Disponível em: <https://www.letras.com.br/#!raul-seixas/metamorfose-ambulante>. Acesso em: 02 set. 2015.Tanto a letra da canção quanto a pintura são paradoxais porque expressam
429E44CB-F7 Português
Interpretação de TextosUNEMAT · 2015FácilEntre para guardar nos favoritosAlgumas palavras e expressões funcionam como elementos de coesão no texto. Além de possibilitar uma transição de ideias entre fases e parágrafos, exprimem sentidos que garantem uma progressão temática.
Observe uma narrativa abaixo:O jogo transcorria sem incidentes, até que um atacante do tempo A cometeu uma falta visivelmente grave contra o goleiro do tempo B. O juiz não marcou, porque, segundo ele , o lance foi normal. Logo em seguida, um zagueiro do tempo B, numa dividida banal, derrubou um jogador do tempo A. E o juiz marcou falta! Sem dúvida, o juiz errou, acendendo a ira dos torcedores do tempo B. Inesperadamente, formou-se um verdadeira batalha nas arquibancadas, com as cenas lamentáveis que todos vimos. Algumas pessoas se feriram, sobretudo como que tentavam separar os brigões.Assinale a alternativa que indica, respectivamente, os sentidos presentes nos termos destacados.429B3B16-F7 Português
Interpretação de TextosUNEMAT · 2015DifícilEntre para guardar nos favoritosMillôr Fernandes, morto em 2012, foi um dos mais profícuos intelectuais brasileiros das últimas décadas. Escritor, poeta, tradutor, cartunista, jornalista e dramaturgo, seus escritos e desenhos são a expressão de seu talento humorístico, sua irreverência e sua perspicácia.São dele as seguintes sentenças:(1) Quando um quer, dois brigam.(2) A esperança é a última que mata.(3) Cão que ladra não morde. Enquanto ladra.Sobre as sentenças, assinale a alternativa incorreta.4294C1AF-F7 Português
Interpretação de TextosUNEMAT · 2015FácilEntre para guardar nos favoritos[...]Grave, grave, o caso. Premia-nos uma multidão, e estava na área de baixa pressão do ciclone. -“Disse que era, mas que, vendo a humanidade já enlouquecida, e em véspera de mais tresloucar-se, inventara a decisão de se internar, voluntário: assim, quando a coisa se varresse de infernal a pior, já estava garantido ali, com lugar, tratamento e defesa, que, à maioria, cá fora, viriam a fazer falta ... ”- e o Adalgiso, a seguir, nem se culpava de venial descuido, quando no ir querer preencher-lhe a ficha.
- “Você se espanta?” - esquivei-me. De fato, o homem exagerara somente uma teoria antiga: a do professor Dartanhã, que, mesmo a nós, seus alunos, declarava-nos em quarenta por cento casos típicos, larvados; e, ainda, dos restantes, outra boa parte, apenas de mais puxado diagnóstico.
[...]Reaparecendo o humano e o estranho. O homem. Vejo que ele se vê, tivo de notá-lo. E algo terrível de repente se passou. Ele queria falar, mas a voz esmorecida; e embrulhou-se-lhe a fala. Estava em equilíbrio de razão: isto é, lúcido, nu, pendurado. Pior que lúcido, relucidado; com a cabeça comportada. Acordava! Seu acesso, pois, tivera termo, e, da ideia delirante, via-se dessonambulizado. Desintuído, desinfluído - se não se quando - soprado. Em doente consciente, apenas, detumescera-se, recuando ao real e autônomo, a seu mau pedaço de espaço e tempo, ao sem-fim do comedido.Aquele pobre homem descoroçoava. E tinha medo e tinha horror - de tão novamente humano. [...] Desprojetava-se, coitado, e tentava agarrar-se, inapto, à Razão Absoluta? Adivinhava isso o desvairar da multidão espaventosa - enlouquecida. Contra ele, que, de algum modo, de alguma maravilhosa continuação, de repente nos frustrava. Portanto, em baixo, alto bramiam.
Feros, ferozes. Ele estava são. Versânicos, queriam linchá-lo. [...](ROSA, João Guimarães. Primeiras estórias . Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2001)O conto Darandina , de João Guimarães Rosa, narra o episódio de um homem que, após escapar de um instituto onde havia se internado e tentar alguns pequenos furtos, sobe em uma palmeira no meio de uma praça para escapar à perseguição das pessoas, tirando a própria roupa e provocando aglomeração e desordem. A partir dos trechos acima, que se situam os próximos ao início e ao fim do conto, respectivamente, percebe-se que:42910603-F7 Português
Interpretação de TextosUNEMAT · 2015MédioEntre para guardar nos favoritos[...]
Capitulo IX
Passaram-se semanas. Jerônimo tomava agora, todas as manhãs, uma xícara de café bem grosso, à moda da Ritinha, e trabalhava dedos dois de parati “pr'a cortar a friagem”.
Uma transformação, lenta e profunda, operava-se nele, dia a dia, hora a hora, reviscerando-lhe o corpo e alando-lhe os sentidos, num trabalho misterioso e surdo de crisálida. A sua energia afrouxava lentamente: fazer-se contemplativo e amoroso. A vida americana e a natureza do Brasil patenteavam agora os aspectos imprevistos e sedutores que o comoviam; esquecia-se dos seus primitivos sonhos de ambição, para idealizar felicidades novas, picantes e violentas; tornava-se liberal, imprevidente e franco, mais amigo de gastar que de guardar. [...](AZEVEDO, Aluísio. O Cortiço. 3ª ed. São Paulo: Martin Claret, 2010, p.90)
No romance O Cortiço, o personagem português Jerônimo vai, segundo o narrador, aos poucos, “abrasileirando-se”, afrouxando seus trajes, o que confirma a filiação da obra a corrente filosófica em voga no mundo ocidental, na época (século XIX ), a qual defendia que o ser humano:
428A917C-F7 Português
Interpretação de TextosUNEMAT · 2015MédioEntre para guardar nos favoritosSó os óioAo regressar de Mineiros, em Goiás, [...] perdemos a hora de atravessar o Rio dos Bois. Não houve rogos nem promessas que demovessem o balseiro de sua resolução. Eram mais de seis horas e não daria passagem.Tocamos rastro atrás cinco léguas e fomos pedir pouso em casa de um sertanejo pobre, casa de pau-a-pique [...].Estávamos em julho e o frio era intenso.Ao pedir o pouso, o caipira me perguntou:- Vacê trôxe rede?- Não.- Curchuádo?- Também não.- E cuberta?- Também não trouxe.- Aãã ... Intãoce vacê, de durmi, só troxe os óio?(PIRES, Cornélio. Patacoadas. Coleção Conversa caipira. Itu, Ottoni Editora, 2002)Com base no texto e considerando a diversidade da fala dos brasileiros, assinale a correta.42874BB3-F7 Português
Interpretação de TextosUNEMAT · 2015FácilEntre para guardar nos favoritosCrise da ÁguaCantareira bate novo recorde negativo e opera com 3,2% de sua capacidadeO sistema Cantareira voltou a ter mais um recorde negativo nesta quarta-feira (22). De acordo com dados da Sabesp, o nível do reservatório é de apenas 3,2%, índice considerado o pior da história. Desde a segunda (20), chuvas têm atingido o reservatório, mas sem impedir a queda nos índices.Mesmo diante da grave crise hídrica, o governo estadual ainda se nega a fazer um racionamento na cidade.Novo BônusNa terça-feira (21), o Conselho Diretor da Sabesp, responsável pelo abastecimento na Grande São Paulo, aprovou proposta do governo estadual de conceder a redução na conta de água para os que não atingirem o patamar de 20%, necessário para obter o atual desconto de 30%.Pelas novas regras, o bônus antigo continua em vigor, mas quem conseguir economizar de 10% a 15%, ganhará uma redução de 10% na conta de água.Se o consumo cair de 15% a 20%, o desconto será de 20%.A proposta será enviada agora para a Arsesp (Agência Reguladora de Saneamento e Energia), que definirá a data para a iniciativa entrar em vigor.Disponível em: www.1.folha.uol.com.br./cotidiano/2014. Acesso em 22 out. 2014.No trecho “Mesmo diante da grave crise hídrica, o governo estadual ainda se nega a fazer um racionamento na cidade.”, a palavra em destaque:7BC70B36-F6 Português
Interpretação de TextosUniversidade Nove de Julho – UNINOVE · 2015MédioEntre para guardar nos favoritosLeia o texto de Marshall Berman para responder à questão.Existe um tipo de experiência vital − experiência de tempo e espaço, de si mesmo e dos outros, das possibilidades e dos perigos da vida − que é compartilhada por homens e mulheres em todo o mundo, hoje. Designarei esse conjunto de experiências como “modernidade”. Ser moderno é encontrar-se em um ambiente que promete aventura, poder, alegria, crescimento, autotransformação e transformação das coisas em redor −, mas ao mesmo tempo ameaça destruir tudo o que temos, tudo o que sabemos, tudo o que somos. A experiência ambientada na modernidade anula todas as fronteiras geográficas e raciais, de classe e nacionalidade, de religião e ideologia: nesse sentido, pode-se dizer que a modernidade une a espécie humana. Porém, é uma unidade paradoxal, uma unidade de desunidade: ela nos despeja a todos num turbilhão de permanente desintegração e mudança, de luta e contradição, de ambiguidade e angústia. Ser moderno é fazer parte de um universo no qual, como disse Marx, “tudo que é sólido desmancha no ar”.(Tudo que é sólido desmancha no ar, 2007. Adaptado.)A citação “tudo que é sólido desmancha no ar”7BC1E724-F6 Português
Interpretação de TextosUniversidade Nove de Julho – UNINOVE · 2015FácilEntre para guardar nos favoritosLeia o texto de Marshall Berman para responder à questão.Existe um tipo de experiência vital − experiência de tempo e espaço, de si mesmo e dos outros, das possibilidades e dos perigos da vida − que é compartilhada por homens e mulheres em todo o mundo, hoje. Designarei esse conjunto de experiências como “modernidade”. Ser moderno é encontrar-se em um ambiente que promete aventura, poder, alegria, crescimento, autotransformação e transformação das coisas em redor −, mas ao mesmo tempo ameaça destruir tudo o que temos, tudo o que sabemos, tudo o que somos. A experiência ambientada na modernidade anula todas as fronteiras geográficas e raciais, de classe e nacionalidade, de religião e ideologia: nesse sentido, pode-se dizer que a modernidade une a espécie humana. Porém, é uma unidade paradoxal, uma unidade de desunidade: ela nos despeja a todos num turbilhão de permanente desintegração e mudança, de luta e contradição, de ambiguidade e angústia. Ser moderno é fazer parte de um universo no qual, como disse Marx, “tudo que é sólido desmancha no ar”.(Tudo que é sólido desmancha no ar, 2007. Adaptado.)Segundo o texto, a modernidade7BB8AD53-F6 Português
Interpretação de TextosUniversidade Nove de Julho – UNINOVE · 2015FácilEntre para guardar nos favoritosLeia o texto de Herbert Marcuse para responder à questão.O conceito de homem que emerge da teoria freudiana é a mais irrefutável acusação à civilização ocidental – e, ao mesmo tempo, a mais inabalável defesa dessa civilização. Segundo Freud, a história do homem é a história da sua repressão. A cultura coage tanto a sua existência social como a biológica, não só partes do ser humano, mas também sua própria estrutura instintiva. Contudo, essa coação é a própria precondição do progresso. Se tivessem liberdade de perseguir seus objetivos naturais, os instintos básicos do homem seriam incompatíveis com toda a associação e preservação duradoura: destruiriam até aquilo a que se unem ou em que se conjugam. Sua força destrutiva deriva do fato de eles lutarem por uma gratificação que a cultura não pode consentir: a gratificação como tal e como um fim em si mesma, a qualquer momento. Portanto, os instintos têm de ser desviados de seus objetivos, inibidos em seus anseios. A civilização começa quando o objetivo primário – isto é, a satisfação integral de necessidades – é abandonado.
(Eros e civilização, 1999. Adaptado.)Para o autor do texto,7BB47C47-F6 Português
Interpretação de TextosUniversidade Nove de Julho – UNINOVE · 2015MédioEntre para guardar nos favoritosLeia o trecho do poema “Catar feijão”, de João Cabral de Melo Neto, para responder à questão.Catar feijão se limita com escrever:
jogam-se os grãos na água do alguidar1e as palavras na da folha de papel;e depois, joga-se fora o que boiar.Certo, toda palavra boiará no papel,água congelada, por chumbo seu verbo:pois para catar esse feijão, soprar nele,e jogar fora o leve e oco, palha e eco.(Melhores poemas, 2009.)1 alguidar: vasilha rasa utilizada em tarefas domésticas.“Jogar o feijão na água” e “jogar fora o que boiar”7B9FDD6B-F6 Português
AdjetivosUniversidade Nove de Julho – UNINOVE · 2015FácilEntre para guardar nos favoritosLeia o trecho do romance O guarani, de José de Alencar, para responder à questão.Quando a cavalgata chegou à margem da clareira, aí se passava uma cena curiosa.Em pé, no meio do espaço que formava a grande abóbada de árvores, encostado a um velho tronco decepado pelo raio, via-se um índio na flor da idade.Uma simples túnica de algodão, a que os indígenas chamavam aimará, apertada à cintura por uma faixa de penas escarlates, caía-lhe dos ombros até ao meio da perna, e desenhava o talhe delgado e esbelto como um junco selvagem.Sobre a alvura diáfana do algodão, a sua pele, cor do cobre, brilhava com reflexos dourados; os cabelos pretos cortados rentes, a tez lisa, os olhos grandes com os cantos exteriores erguidos para a fronte; a pupila negra, móbil, cintilante; a boca forte mas bem modelada e guarnecida de dentes alvos, davam ao rosto pouco oval a beleza inculta da graça, da força e da inteligência.Tinha a cabeça cingida por uma fita de couro, à qual se prendiam do lado esquerdo duas plumas matizadas, que descrevendo uma longa espiral, vinham roçar com as pontas negras o pescoço flexível.Era de alta estatura; tinha as mãos delicadas; a perna ágil e nervosa, ornada com uma axorca1 de frutos amarelos, apoiava-se sobre um pé pequeno, mas firme no andar e veloz na corrida. Segurava o arco e as flechas com a mão direita caída, e com a esquerda mantinha verticalmente diante de si um longo forcado de pau enegrecido pelo fogo.(O guarani, 2006.)1 axorca: argolaIdentifica-se corretamente no texto7B969D55-F6 Português
Interpretação de TextosUniversidade Nove de Julho – UNINOVE · 2015MédioEntre para guardar nos favoritosLeia o trecho do romance O guarani, de José de Alencar, para responder à questão.Quando a cavalgata chegou à margem da clareira, aí se passava uma cena curiosa.Em pé, no meio do espaço que formava a grande abóbada de árvores, encostado a um velho tronco decepado pelo raio, via-se um índio na flor da idade.Uma simples túnica de algodão, a que os indígenas chamavam aimará, apertada à cintura por uma faixa de penas escarlates, caía-lhe dos ombros até ao meio da perna, e desenhava o talhe delgado e esbelto como um junco selvagem.Sobre a alvura diáfana do algodão, a sua pele, cor do cobre, brilhava com reflexos dourados; os cabelos pretos cortados rentes, a tez lisa, os olhos grandes com os cantos exteriores erguidos para a fronte; a pupila negra, móbil, cintilante; a boca forte mas bem modelada e guarnecida de dentes alvos, davam ao rosto pouco oval a beleza inculta da graça, da força e da inteligência.Tinha a cabeça cingida por uma fita de couro, à qual se prendiam do lado esquerdo duas plumas matizadas, que descrevendo uma longa espiral, vinham roçar com as pontas negras o pescoço flexível.Era de alta estatura; tinha as mãos delicadas; a perna ágil e nervosa, ornada com uma axorca1 de frutos amarelos, apoiava-se sobre um pé pequeno, mas firme no andar e veloz na corrida. Segurava o arco e as flechas com a mão direita caída, e com a esquerda mantinha verticalmente diante de si um longo forcado de pau enegrecido pelo fogo.(O guarani, 2006.)1 axorca: argolaO trecho pode ser corretamente caracterizado como uma