Questões do ENEM: Linguagens e Interpretação de Textos

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Resultados

9.017 questões encontradas. Mostrando a página 304 de 451.

  • 198FC250-DC

    Português

    Interpretação de Textos
    FAME · 2014DifícilEntre para guardar nos favoritos
    Leia os versos de “Se se morre de amor” de Gonçalves Dias e da letra de música “Não Se Morre de Mal de Amor”, de Taiguara.

    Imagem da questão de Português, FAME 2014, Interpretação de Textos

    Assinale a alternativa INCORRETA acerca da leitura dos textos.
    Escolha uma alternativa para a questão 198fc250-dc
  • 198826B1-DC

    Português

    Interpretação de Textos
    FAME · 2014DifícilEntre para guardar nos favoritos
    Decifrando os rolezinhos

    “Note-se que nas jornadas de junho os jovens se manifestaram nas ruas, que é o local mais adequado para esse tipo de mobilização. Não houve, em seu primeiro momento, nenhuma conotação anticapitalista, mas, ao contrário, uma indignação apartidária com os governos federal, estaduais e municipais pela péssima qualidade dos serviços públicos. Ademais, havia uma clara insatisfação com os partidos políticos e os movimentos sociais organizados.

    Agora há uma diferença essencial. As manifestações estão sendo feitas em shoppings, que são locais privados, empresariais. Isto é, os manifestantes, mesmo nos genuínos rolezinhos, apesar de gostarem de roupas de grife, já se dirigem a estabelecimentos privados apagando a distinção entre o público e o privado. De um lado, identificam-se com a economia de mercado e o consumo, procurando ter mais de seus produtos; são prócapitalistas nessa perspectiva. De outro, não respeitam a propriedade privada”.

    ROSENFIELD, Denis. Decifrando os rolezinhos. O Estado de São Paulo. 27 jan. 2014.(fragmento). Disponível em : < http://goo.gl/iUbWMG> .Acesso em 13 abr.2014.

    Ao relacionar os pontos de vista dos dois textos, é CORRETO afirmar que
    Escolha uma alternativa para a questão 198826b1-dc
  • 6D9EF15C-D9

    Português

    Interpretação de Textos
    Faculdade Santa Marcelina · 2014MédioEntre para guardar nos favoritos
    Leia um trecho do conto Uma vela para Dario, do escritor curitibano Dalton Trevisan, para responder à questão.


        Dario vinha apressado, guarda-chuva no braço esquerdo e, assim que dobrou a esquina, diminuiu o passo até parar, encostando-se à parede de uma casa. Por ela escorregando, sentou-se na calçada, ainda úmida de chuva, e descansou na pedra o cachimbo.
        Dois ou três passantes rodearam-no e indagaram se não se sentia bem. Dario abriu a boca, moveu os lábios, não se ouviu resposta. O senhor gordo, de branco, sugeriu que devia sofrer de ataque.
        Ele reclinou-se mais um pouco, estendido agora na calçada, e o cachimbo tinha apagado. O rapaz de bigode pediu aos outros que se afastassem e o deixassem respirar. Abriu-lhe o paletó, o colarinho, a gravata e a cinta. Quando lhe retiraram os sapatos, Dario roncou feio e bolhas de espuma surgiram no canto da boca.
        Cada pessoa que chegava erguia-se na ponta dos pés, embora não o pudesse ver. O senhor gordo repetia que Dario sentara-se na calçada, soprando ainda a fumaça do cachimbo e encostando o guarda-chuva na parede. Mas não se via guarda-chuva ou cachimbo ao seu lado.
        A velhinha de cabeça grisalha gritou que ele estava morrendo. Um grupo o arrastou para o táxi da esquina. Já no carro a metade do corpo, protestou o motorista: quem pagaria a corrida? Concordaram chamar a ambulância. Dario conduzido de volta e recostado à parede – não tinha os sapatos nem o alfinete de pérola na gravata.
        Alguém informou da farmácia na outra rua. Não carregaram Dario além da esquina; a farmácia no fim do quarteirão e, além do mais, muito pesado. Foi largado na porta de uma peixaria.
        Ocupado o café próximo pelas pessoas que vieram apreciar o incidente e, agora, comendo e bebendo, gozavam as delícias da noite. Dario ficou torto como o deixaram, no degrau da peixaria, sem o relógio de pulso.
        Um terceiro sugeriu que lhe examinassem os papéis, retirados – com vários objetos – de seus bolsos e alinhados sobre a camisa branca. Ficaram sabendo do nome, idade, sinal de nascença. O endereço na carteira era de outra cidade.
        Registrou-se correria de mais de duzentos curiosos que, a essa hora, ocupavam toda a rua e as calçadas: era a polícia. O carro negro investiu a multidão. Várias pessoas tropeçaram no corpo de Dario. O guarda aproximou-se do cadáver e não pôde identificá-lo – os bolsos vazios.

    (Herberto Sales (org.). Antologia escolar de contos brasileiros, s/d. Adaptado.)
    Afirma-se sobre a obra de Dalton Trevisan que seus personagens vivenciam situações banais, porém carregadas de significação, pois o autor insere em seus contos a crítica ao processo de desumanização do ser humano.

    É correto concluir que o trecho do conto
    Escolha uma alternativa para a questão 6d9ef15c-d9
  • 6D90EC92-D9

    Português

    Interpretação de Textos
    Faculdade Santa Marcelina · 2014MédioEntre para guardar nos favoritos

    Considere a charge de Caco Galhardo para responder à questão.


    Imagem da questão de Português, Faculdade Santa Marcelina 2014, Interpretação de Textos

    (Folha de S.Paulo, 26.01.2014.)

    Interpretando-se a charge, é correto afirmar que o homem com o celular comporta-se
    Escolha uma alternativa para a questão 6d90ec92-d9
  • 6D8CEA03-D9

    Português

    Interpretação de Textos
    Faculdade Santa Marcelina · 2014FácilEntre para guardar nos favoritos
    Leia a letra da canção Chiclete com banana, de Gordurinha e Almira Castilho.


    Mas eu só boto o be-bop no meu samba,
    Quando o Tio Sam tocar um tamborim.
    Quando ele pegar no pandeiro e no zabumba,
    Quando ele aprender que o samba não é rumba.
    Aí eu vou misturar
    Miami com Copacabana,
    Chiclete eu misturo com banana
    E o meu samba vai ficar assim:
    Bop-be-bop-be-bop […]
    Olha aí o samba-rock, meu irmão.
    É, mas em compensação
    Eu quero ver o boogie-woogie* de pandeiro e violão.
    Quero ver o Tio Sam de frigideira
    Numa batucada brasileira.
    (João Carlos Botezelli e Arley Pereira. A música brasileira deste século por seus autores e intérpretes, 2000.)

    *boogie-woogie: tipo de música criada nos Estados Unidos.
    Comparando-se a letra desta canção com o texto de Pasquale Cipro Neto, é correto afirmar que
    Escolha uma alternativa para a questão 6d8cea03-d9
  • 2E0FD729-D8

    Português

    Interpretação de Textos
    FGV · 2014MédioEntre para guardar nos favoritos

    NOSSO TEMPO


    (...)
                                     V
    Escuta a hora formidável do almoço
    na cidade. Os escritórios, num passe, esvaziam-se. 
    As bocas sugam um rio de carne, legumes e tortas vitaminosas. 
    Salta depressa do mar a bandeja de peixes argênteos! 
    Os subterrâneos da fome choram caldo de sopa, 
    olhos líquidos de cão através do vidro devoram teu osso. 
    Come, braço mecânico, alimenta-te, mão de papel, é tempo de comida, 
    mais tarde será o de amor. 
    Lentamente os escritórios se recuperam, e os negócios, forma indecisa, evoluem. 


    O esplêndido negócio insinua-se no tráfego. 
    Multidões que o cruzam não veem. É sem cor e sem cheiro. 
    Está dissimulado no bonde, por trás da brisa do sul, 
    vem na areia, no telefone, na batalha de aviões, 
    toma conta de tua alma e dela extrai uma porcentagem. 
    (...) 

                                                     Carlos Drummond de Andrade, Poesia completa.

    A representação de um processo generalizado de alienação social só NÃO é realizada, no poema, pela figuração
    Escolha uma alternativa para a questão 2e0fd729-d8
  • 2E0B763B-D8

    Português

    Interpretação de Textos
    FGV · 2014DifícilEntre para guardar nos favoritos

    NOSSO TEMPO


    (...)
                                     V
    Escuta a hora formidável do almoço
    na cidade. Os escritórios, num passe, esvaziam-se. 
    As bocas sugam um rio de carne, legumes e tortas vitaminosas. 
    Salta depressa do mar a bandeja de peixes argênteos! 
    Os subterrâneos da fome choram caldo de sopa, 
    olhos líquidos de cão através do vidro devoram teu osso. 
    Come, braço mecânico, alimenta-te, mão de papel, é tempo de comida, 
    mais tarde será o de amor. 
    Lentamente os escritórios se recuperam, e os negócios, forma indecisa, evoluem. 


    O esplêndido negócio insinua-se no tráfego. 
    Multidões que o cruzam não veem. É sem cor e sem cheiro. 
    Está dissimulado no bonde, por trás da brisa do sul, 
    vem na areia, no telefone, na batalha de aviões, 
    toma conta de tua alma e dela extrai uma porcentagem. 
    (...) 

                                                     Carlos Drummond de Andrade, Poesia completa.

    Tanto esse trecho de Drummond quanto o romance O cortiço, de Aluísio Azevedo, apresentam a figuração de coletivos humanos em ação. Embora em proporções diferentes, em ambas as obras esses coletivos são movidos sobretudo por forças de caráter
    Escolha uma alternativa para a questão 2e0b763b-d8
  • 2E082838-D8

    Português

    Interpretação de Textos
    FGV · 2014MédioEntre para guardar nos favoritos
    Esse livro representa a fase intensa, mas breve, de uma esperança que nasceu sob a resistência do mundo livre à fúria nazifacista, mas que logo se retraiu com o advento da guerra fria.
    As indicações presentes na afirmação acima permitem concluir que o livro nela mencionado é 
    Escolha uma alternativa para a questão 2e082838-d8
  • 2E04F3FC-D8

    Português

    Interpretação de Textos
    FGV · 2014MédioEntre para guardar nos favoritos
        Depois de uma parte de concerto, que foi como descanso reparador, seguiu-se a oferta do busto. Teve a palavra o Professor Venâncio.
    (...)
    O orador acumulou paciente todos os epítetos de engrandecimento, desde o raro metal da sinceridade até o cobre dúctil, cantante das adulações. Fundiu a mistura numa fogueira de calorosas ênfases, e sobre a massa bateu como um ciclope, longamente, até acentuar a imagem monumental do diretor.
        Aristarco depois do primeiro receio esquecia-se na delícia de uma metamorfose. Venâncio era o seu escultor.
        A estátua não era mais uma aspiração: batiam-na ali. Ele sentia metalizar-se a carne à medida que o Venâncio falava. Compreendia inversamente o prazer de transmutação da matéria bruta que a alma artística penetra e anima: congelava-lhe os membros uma frialdade de ferro; à epiderme, nas mãos, na face, via, adivinhava reflexos desconhecidos de polimento. Consolidavam-se as dobras das roupas em modelagem resistente e fixa. Sentia-se estranhamente maciço por dentro, como se houvera bebido gesso. Parava-lhe o sangue nas artérias comprimidas. Perdia a sensação da roupa; empedernia-se, mineralizava-se todo. Não era um ser humano: era um corpo inorgânico, rochedo inerte, bloco metálico, escória de fundição, forma de bronze, vivendo a vida exterior das esculturas, sem consciência, sem individualidade, morto sobre a cadeira, oh, glória! Mas feito estátua.
        “Coroemo-lo!” bradou de súbito Venâncio.

                                                   Raul Pompeia, O Ateneu
    Por perceber na mineralização (da personagem) um processo de reificação (coisificação) do ser, recusa-se expressamente a converter-se em mineral a personagem
    Escolha uma alternativa para a questão 2e04f3fc-d8
  • 2E011CE0-D8

    Português

    Interpretação de Textos
    FGV · 2014MédioEntre para guardar nos favoritos
        Depois de uma parte de concerto, que foi como descanso reparador, seguiu-se a oferta do busto. Teve a palavra o Professor Venâncio.
    (...)
    O orador acumulou paciente todos os epítetos de engrandecimento, desde o raro metal da sinceridade até o cobre dúctil, cantante das adulações. Fundiu a mistura numa fogueira de calorosas ênfases, e sobre a massa bateu como um ciclope, longamente, até acentuar a imagem monumental do diretor.
        Aristarco depois do primeiro receio esquecia-se na delícia de uma metamorfose. Venâncio era o seu escultor.
        A estátua não era mais uma aspiração: batiam-na ali. Ele sentia metalizar-se a carne à medida que o Venâncio falava. Compreendia inversamente o prazer de transmutação da matéria bruta que a alma artística penetra e anima: congelava-lhe os membros uma frialdade de ferro; à epiderme, nas mãos, na face, via, adivinhava reflexos desconhecidos de polimento. Consolidavam-se as dobras das roupas em modelagem resistente e fixa. Sentia-se estranhamente maciço por dentro, como se houvera bebido gesso. Parava-lhe o sangue nas artérias comprimidas. Perdia a sensação da roupa; empedernia-se, mineralizava-se todo. Não era um ser humano: era um corpo inorgânico, rochedo inerte, bloco metálico, escória de fundição, forma de bronze, vivendo a vida exterior das esculturas, sem consciência, sem individualidade, morto sobre a cadeira, oh, glória! Mas feito estátua.
        “Coroemo-lo!” bradou de súbito Venâncio.

                                                   Raul Pompeia, O Ateneu
    No excerto, diz o narrador que Aristarco “mineralizava-se todo”, via-se mudado, de ser vivo, em elemento mineral. Processos de mineralização são também centrais na caracterização da principal personagem feminina do romance
    Escolha uma alternativa para a questão 2e011ce0-d8
  • 2DFDACD4-D8

    Português

    Interpretação de Textos
    FGV · 2014DifícilEntre para guardar nos favoritos
        Depois de uma parte de concerto, que foi como descanso reparador, seguiu-se a oferta do busto. Teve a palavra o Professor Venâncio.
    (...)
    O orador acumulou paciente todos os epítetos de engrandecimento, desde o raro metal da sinceridade até o cobre dúctil, cantante das adulações. Fundiu a mistura numa fogueira de calorosas ênfases, e sobre a massa bateu como um ciclope, longamente, até acentuar a imagem monumental do diretor.
        Aristarco depois do primeiro receio esquecia-se na delícia de uma metamorfose. Venâncio era o seu escultor.
        A estátua não era mais uma aspiração: batiam-na ali. Ele sentia metalizar-se a carne à medida que o Venâncio falava. Compreendia inversamente o prazer de transmutação da matéria bruta que a alma artística penetra e anima: congelava-lhe os membros uma frialdade de ferro; à epiderme, nas mãos, na face, via, adivinhava reflexos desconhecidos de polimento. Consolidavam-se as dobras das roupas em modelagem resistente e fixa. Sentia-se estranhamente maciço por dentro, como se houvera bebido gesso. Parava-lhe o sangue nas artérias comprimidas. Perdia a sensação da roupa; empedernia-se, mineralizava-se todo. Não era um ser humano: era um corpo inorgânico, rochedo inerte, bloco metálico, escória de fundição, forma de bronze, vivendo a vida exterior das esculturas, sem consciência, sem individualidade, morto sobre a cadeira, oh, glória! Mas feito estátua.
        “Coroemo-lo!” bradou de súbito Venâncio.

                                                   Raul Pompeia, O Ateneu
    Tendo em vista que a cena aqui reproduzida representa o ápice da solenidade bienal de distribuição dos prêmios aos colegiais, confirma-se o paradoxo de que o colégio Ateneu tem como objetivo primordial
    Escolha uma alternativa para a questão 2dfdacd4-d8
  • 2DFA0C2C-D8

    Português

    Interpretação de Textos
    FGV · 2014MédioEntre para guardar nos favoritos
        Depois de uma parte de concerto, que foi como descanso reparador, seguiu-se a oferta do busto. Teve a palavra o Professor Venâncio.
    (...)
    O orador acumulou paciente todos os epítetos de engrandecimento, desde o raro metal da sinceridade até o cobre dúctil, cantante das adulações. Fundiu a mistura numa fogueira de calorosas ênfases, e sobre a massa bateu como um ciclope, longamente, até acentuar a imagem monumental do diretor.
        Aristarco depois do primeiro receio esquecia-se na delícia de uma metamorfose. Venâncio era o seu escultor.
        A estátua não era mais uma aspiração: batiam-na ali. Ele sentia metalizar-se a carne à medida que o Venâncio falava. Compreendia inversamente o prazer de transmutação da matéria bruta que a alma artística penetra e anima: congelava-lhe os membros uma frialdade de ferro; à epiderme, nas mãos, na face, via, adivinhava reflexos desconhecidos de polimento. Consolidavam-se as dobras das roupas em modelagem resistente e fixa. Sentia-se estranhamente maciço por dentro, como se houvera bebido gesso. Parava-lhe o sangue nas artérias comprimidas. Perdia a sensação da roupa; empedernia-se, mineralizava-se todo. Não era um ser humano: era um corpo inorgânico, rochedo inerte, bloco metálico, escória de fundição, forma de bronze, vivendo a vida exterior das esculturas, sem consciência, sem individualidade, morto sobre a cadeira, oh, glória! Mas feito estátua.
        “Coroemo-lo!” bradou de súbito Venâncio.

                                                   Raul Pompeia, O Ateneu
    Considerada no contexto de O Ateneu, a cena em que Aristarco se vê, simbolicamente, convertido em estátua de metal representa o resultado ou a consumação das motivações principais da personagem, a saber, a
    Escolha uma alternativa para a questão 2dfa0c2c-d8
  • 2DF6887C-D8

    Português

    Interpretação de Textos
    FGV · 2014DifícilEntre para guardar nos favoritos
        Depois de uma parte de concerto, que foi como descanso reparador, seguiu-se a oferta do busto. Teve a palavra o Professor Venâncio.
    (...)
    O orador acumulou paciente todos os epítetos de engrandecimento, desde o raro metal da sinceridade até o cobre dúctil, cantante das adulações. Fundiu a mistura numa fogueira de calorosas ênfases, e sobre a massa bateu como um ciclope, longamente, até acentuar a imagem monumental do diretor.
        Aristarco depois do primeiro receio esquecia-se na delícia de uma metamorfose. Venâncio era o seu escultor.
        A estátua não era mais uma aspiração: batiam-na ali. Ele sentia metalizar-se a carne à medida que o Venâncio falava. Compreendia inversamente o prazer de transmutação da matéria bruta que a alma artística penetra e anima: congelava-lhe os membros uma frialdade de ferro; à epiderme, nas mãos, na face, via, adivinhava reflexos desconhecidos de polimento. Consolidavam-se as dobras das roupas em modelagem resistente e fixa. Sentia-se estranhamente maciço por dentro, como se houvera bebido gesso. Parava-lhe o sangue nas artérias comprimidas. Perdia a sensação da roupa; empedernia-se, mineralizava-se todo. Não era um ser humano: era um corpo inorgânico, rochedo inerte, bloco metálico, escória de fundição, forma de bronze, vivendo a vida exterior das esculturas, sem consciência, sem individualidade, morto sobre a cadeira, oh, glória! Mas feito estátua.
        “Coroemo-lo!” bradou de súbito Venâncio.

                                                   Raul Pompeia, O Ateneu

    Considere os seguintes pares de palavras retirados do texto:

    I     “metamorfose” – “transmutação”; 
    II     “dúctil” – “inerte”;
    III    “empedernia” – “mineralizava”.


    Tendo em vista as relações de sentido estabelecidas no texto, é correto afirmar que pode ser lido como sinônimo apenas o par indicado em

    Escolha uma alternativa para a questão 2df6887c-d8
  • 2DF261FF-D8

    Português

    Adjetivos
    FGV · 2014MédioEntre para guardar nos favoritos
    A exaltação do indivíduo como representante dos mais elevados valores humanos que esta sociedade produziu, combinada ao achatamento subjetivo sofrido pelos sujeitos sob os apelos monolíticos da sociedade de consumo, produz este estranho fenômeno em que as pessoas, despojadas ou empobrecidas em sua subjetividade, dedicam-se a cultuar a imagem de outras, destacadas pelos meios de comunicação como representantes de dimensões de humanidade que o homem comum já não reconhece em si mesmo. Consome-se a imagem espetacularizada de atores, cantores, esportistas e alguns (raros) políticos, em busca do que se perdeu exatamente como efeito da espetacularização da imagem: a dimensão, humana e singular, do que pode vir a ser uma pessoa, a partir do singelo ponto de vista de sua história de vida.

                    Eugênio Bucci e Maria R. Kehl, Videologias: ensaios sobre televisão. São Paulo: Boitempo, 2004.
    Depreende-se da leitura do texto que
    Escolha uma alternativa para a questão 2df261ff-d8
  • 2DDBEB1F-D8

    Português

    Denotação e Conotação
    FGV · 2014MédioEntre para guardar nos favoritos

    Sem aspas na língua


        De início, o que me incomodava era o peso desproporcional que as aspas dão à palavra. Se escrevo mouse pad, por exemplo, suscito em seu pensamento apenas o quadradinho discreto que vive ao lado do teclado, objeto não mais notável na economia do cotidiano do que as dobradiças da janela ou o porta-escova de dentes. Já "mouse pad" parece grafado em neon, brilha diante de seus olhos como o luminoso de uma lanchonete americana. Desequilibra.
        Tá legal, eu aceito o argumento: não se pode exigir do leitor que saiba outra língua além do português. Se encasqueto em ornar meu texto com "dramblys" ou "haveloos" - termos em lituano e holandês para elefante e mulambento, respectivamente -, as aspas surgem para acalmar quem me lê, como se dissessem: "Queridão, os termos discriminados são coisa doutras terras e doutra gente, nada que você devesse conhecer".
        Pois é essa discriminação o que, agora sei, mais me incomoda. Vejo por trás das aspas uma pontinha de xenofobia, como se para circular entre nós a palavra estrangeira precisasse andar com o passaporte aberto, mostrando o carimbo na entrada e na saída.
        Ora, por quê? Será que "blackberries" rolando livremente por nossa terra poderiam frutificar e, como ervas daninhas, roubar os nutrientes da graviola, da mangaba e do cajá? "Samplers", sem as barrinhas duplas de proteção, acabariam poluindo o português com "beats" exógenos, condenando-o a uma versão "remix"? Caso recebêssemos "blowjobs" sem o supracitado preservativo gráfico, doenças venéreas se espalhariam por nosso exposto vernáculo?
        Bobagem, pessoal. Livremos as nossas frases desses arames farpados, desses cacos de vidro. A língua é viva: quanto mais línguas tocar, mais sabores irá provar e experiências poderá acumular.


                                Antônio Prata, Folha de S. Paulo, 22/05/2013. Adaptado

    O título do texto resulta de um trocadilho com a frase feita de origem popular “não ter papas na língua”. Comparados título e frase feita, pode-se afirmar:
    Escolha uma alternativa para a questão 2ddbeb1f-d8
  • 6497350F-D7

    Português

    Interpretação de Textos
    FGV · 2014MédioEntre para guardar nos favoritos
    Texto para a questão

    Escrevo neste instante com algum prévio pudor por vos estar invadindo com tal narrativa tão exterior e explícita. De onde no entanto até sangue arfante de tão vivo de vida poderá quem sabe escorrer e logo se coagular em cubos de geleia trêmula. Será essa história um dia o meu coágulo? Que sei eu. Se há veracidade nela – e é claro que a história é verdadeira embora inventada –, que cada um a reconheça em si mesmo porque todos nós somos um e quem não tem pobreza de dinheiro tem pobreza de espírito ou saudade por lhe faltar coisa mais preciosa que ouro – existe a quem falte o delicado essencial.

    Clarice Lispector, A hora da estrela.
    No contexto da narração de A hora da estrela, é complementar ao “pudor” que confessa o narrador, no excerto, uma outra espécie de pudor, motivado, este, pela
    Escolha uma alternativa para a questão 6497350f-d7
  • AC9175C8-D6

    Português

    Interpretação de Textos
    Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto · 2014MédioEntre para guardar nos favoritos

    Considere a tirinha de Laerte.


    Imagem da questão de Português, Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto 2014, Interpretação de Textos


    Na tirinha, pode-se observar uma sequência de imagens, de um homem sobre uma corda-bamba, e uma sequência de frases. A interação entre imagens e frases

    Escolha uma alternativa para a questão ac9175c8-d6
  • AC88F534-D6

    Português

    Interpretação de Textos
    Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto · 2014FácilEntre para guardar nos favoritos

    Leia o texto de Oswaldo Porchat Pereira para responder às questão.


        A experiência do cotidiano nos brinda sempre com anomalias, incongruências, contradições. E, quando tentamos explicá-las, explicações à primeira vista razoáveis acabam por revelar-se insatisfatórias após exame mais acurado. A natureza das coisas e dos eventos não nos parece facilmente inteligível. As opiniões e os pontos de vista dos homens são dificilmente conciliáveis ou, mesmo, uns com os outros inconsistentes. Consensos porventura emergentes se mostram provisórios e precários. Quem sente a necessidade de pensar com um espírito mais crítico e tenta melhor compreender, essa diversidade toda o desnorteia.
       Talvez a maioria dos homens conviva bem com esse espetáculo da anomalia mundana. Uns poucos não o conseguem e essa experiência muito os perturba. Alguns destes se fazem filósofos e buscam na filosofia o fim dessa perturbação e a tranquilidade de espírito. Uma tranquilidade de espírito que esperam obter, por exemplo, graças à posse da verdade. A filosofia lhes promete explicar o mundo, dar conta da experiência cotidiana, dissipar as contradições, afastar as névoas da incompreensão. Revelando o ser, que o aparecer oculta; ou, se isso não for possível, desvendando os mistérios do conhecimento e deste delineando a natureza e os precisos limites; ou, pelo menos, esclarecendo a natureza e a função de nossa humana linguagem, na qual dizemos o mundo e formulamos os problemas da filosofia. A filosofia distingue e propõe-se ensinar-nos a distinguir entre verdade e falsidade, conhecimento e crença, ser e aparência, sujeito e objeto, representação e representado, além de muitas outras distinções.
        Mas a filosofia não nos dá o que nos prometera e buscáramos nela. Muito pelo contrário, o que ela nos descobre é uma extraordinária diversidade de posições e pontos de vista, totalmente incompatíveis uns com os outros e nunca conciliáveis. A discordância que divide o comum dos homens, nós a encontramos de novo nas filosofias, mas potencializada agora como ao infinito, de mil modos sofisticada num discurso arguto. Sobre coisa nenhuma se põem os filósofos de acordo, nem mesmo sobre o objeto, a natureza ou o método do próprio empreendimento de filosofar.

    (Rumo ao ceticismo, 2006. Adaptado.)

         

    Com base na leitura do texto, é correto afirmar que a filosofia
    Escolha uma alternativa para a questão ac88f534-d6
  • AC839723-D6

    Português

    Interpretação de Textos
    Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto · 2014MédioEntre para guardar nos favoritos

    Leia o texto de Oswaldo Porchat Pereira para responder às questão.


        A experiência do cotidiano nos brinda sempre com anomalias, incongruências, contradições. E, quando tentamos explicá-las, explicações à primeira vista razoáveis acabam por revelar-se insatisfatórias após exame mais acurado. A natureza das coisas e dos eventos não nos parece facilmente inteligível. As opiniões e os pontos de vista dos homens são dificilmente conciliáveis ou, mesmo, uns com os outros inconsistentes. Consensos porventura emergentes se mostram provisórios e precários. Quem sente a necessidade de pensar com um espírito mais crítico e tenta melhor compreender, essa diversidade toda o desnorteia.
       Talvez a maioria dos homens conviva bem com esse espetáculo da anomalia mundana. Uns poucos não o conseguem e essa experiência muito os perturba. Alguns destes se fazem filósofos e buscam na filosofia o fim dessa perturbação e a tranquilidade de espírito. Uma tranquilidade de espírito que esperam obter, por exemplo, graças à posse da verdade. A filosofia lhes promete explicar o mundo, dar conta da experiência cotidiana, dissipar as contradições, afastar as névoas da incompreensão. Revelando o ser, que o aparecer oculta; ou, se isso não for possível, desvendando os mistérios do conhecimento e deste delineando a natureza e os precisos limites; ou, pelo menos, esclarecendo a natureza e a função de nossa humana linguagem, na qual dizemos o mundo e formulamos os problemas da filosofia. A filosofia distingue e propõe-se ensinar-nos a distinguir entre verdade e falsidade, conhecimento e crença, ser e aparência, sujeito e objeto, representação e representado, além de muitas outras distinções.
        Mas a filosofia não nos dá o que nos prometera e buscáramos nela. Muito pelo contrário, o que ela nos descobre é uma extraordinária diversidade de posições e pontos de vista, totalmente incompatíveis uns com os outros e nunca conciliáveis. A discordância que divide o comum dos homens, nós a encontramos de novo nas filosofias, mas potencializada agora como ao infinito, de mil modos sofisticada num discurso arguto. Sobre coisa nenhuma se põem os filósofos de acordo, nem mesmo sobre o objeto, a natureza ou o método do próprio empreendimento de filosofar.

    (Rumo ao ceticismo, 2006. Adaptado.)

         

    Segundo o autor do texto,
    Escolha uma alternativa para a questão ac839723-d6
  • AC7F293F-D6

    Português

    Interpretação de Textos
    Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto · 2014MédioEntre para guardar nos favoritos

    Leia o texto de Machado de Assis para responder à questão


        Uma noite destas, vindo da cidade para o Engenho Novo, encontrei num trem da Central um rapaz aqui do bairro, que eu conheço de vista e de chapéu. Cumprimentou-me, sentou- -se ao pé de mim, falou da lua e dos ministros, e acabou recitando-me versos. A viagem era curta, e os versos pode ser que não fossem inteiramente maus. Sucedeu, porém, que, como eu estava cansado, fechei os olhos três ou quatro vezes; tanto bastou para que ele interrompesse a leitura e metesse os versos no bolso.

        – Continue, disse eu acordando.
        − Já acabei, murmurou ele.
        − São muito bonitos.

    Vi-lhe fazer um gesto para tirá-los outra vez do bolso, mas não passou do gesto; estava amuado. No dia seguinte entrou a dizer de mim nomes feios, e acabou alcunhando- -me Dom Casmurro. Os vizinhos, que não gostam dos meus hábitos reclusos e calados, deram curso à alcunha, que afinal pegou. Nem por isso me zanguei.
        [...]
        Não consultes dicionários. Casmurro não está aqui no sentido que eles lhe dão, mas no que lhe pôs o vulgo de homem calado e metido consigo. Dom veio por ironia, para atribuir-me fumos de fidalgo. Tudo por estar cochilando! Também não achei melhor título para a minha narração; se não tiver outro daqui até o fim do livro, vai este mesmo. O meu poeta do trem ficará sabendo que não lhe guardo rancor. E com pequeno esforço, sendo o título seu, poderá cuidar que a obra é sua. Há livros que apenas terão isso dos seus autores; alguns nem tanto.


    (Dom Casmurro, 2008.)


    “um rapaz aqui do bairro, que eu conheço de vista e de chapéu.”

    Nessa frase, são associados dois substantivos semanticamente díspares: “vista” e “chapéu”. A quebra de paralelismo semântico provoca um curioso efeito de estilo.

    Entre as frases, retiradas de outro romance de Machado de Assis, a que produz efeito de estilo semelhante é:
    Escolha uma alternativa para a questão ac7f293f-d6