Questões do ENEM: Linguagens e Interpretação de Textos

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9.017 questões encontradas. Mostrando a página 373 de 451.

  • 7738853E-E2

    Português

    Coesão e coerência
    FATEC · 2011DifícilEntre para guardar nos favoritos
          O parnasianismo, entre nós, foi especialmente uma reação de cultura. É mesmo isso que o torna simpático... As academias de arte, algumas delas, até ridículas superfetações1 em nosso meio, como a de Belas Artes da Missão Lebreton, mesmo criadas muito anteriormente, só nesse período começam a produzir verdadeiros frutos nativos, na pintura, na música. Se dava então um progresso cultural verdadeiramente fatal, escolas que tradicionalizavam seu tipo, maior difusão de leitura, maior difusão da imprensa. Essa difusão de cultura atingiu também a poesia. Excetuado um Gonçalves Dias, a nossa poesia romântica é fundamentalmente um lirismo inculto. Todo o nosso romantismo se caracteriza bem brasileiramente por essa poesia analfabeta, canto de passarinho, ou melhor, canto de cantador; em sensível oposição à poética culteranista anterior. Mesmo da escola mineira, que, se não se poderá dizer culteranista, era bastante cultivada, principalmente com Cláudio Manuel e Dirceu. É possível reconhecer que os nossos românticos liam muito os poetas e poetastros estrangeiros do tempo. Isso lhes deu apenas uma chuvarada de citações para epígrafe de seus poemas; por dentro, estes poemas perseveraram edenicamente analfabetos.

        A necessidade nova de cultura, se em grande parte produziu apenas, em nossos parnasianos, maior leitura e consequente enriquecimento de temática em sua poesia, teve uma consequência que me parece fundamental. Levou poetas e prosadores em geral a um.... culteranismo novo, o bem falar conforme às regras das gramáticas lusas. Com isso foi abandonada aquela franca tendência pra escrever apenas pondo em estilo gráfico a linguagem falada, com que os românticos estavam caminhando vertiginosamente para a fixação estilística de uma língua nacional. Os parnasianos, e foi talvez o seu maior crime, deformaram a língua nascente, “em prol do estilo". [...]

          Essa foi a grande transformação. Uma necessidade de maior extensão de cultivo intelectual para o poeta, atingiu também a poesia. Da língua boa passou-se para a língua certa.

    (ANDRADE, Mário de. Parnasianismo. In: ______ O empalhador de passarinhos. 3.ed. São Paulo: Martins; Brasília: INL, 1972, p. 11-2)

    superfetações1 : A palavra significa, literalmente, fecundação de um segundo óvulo, no curso de uma gestação. Mário de Andrade a emprega em sentido figurado.
    Observe as palavras então e isso, nos contextos em que se encontram. É correto afirmar que

    Escolha uma alternativa para a questão 7738853e-e2
  • 7733E8E2-E2

    Português

    Interpretação de Textos
    FATEC · 2011DifícilEntre para guardar nos favoritos
          O parnasianismo, entre nós, foi especialmente uma reação de cultura. É mesmo isso que o torna simpático... As academias de arte, algumas delas, até ridículas superfetações1 em nosso meio, como a de Belas Artes da Missão Lebreton, mesmo criadas muito anteriormente, só nesse período começam a produzir verdadeiros frutos nativos, na pintura, na música. Se dava então um progresso cultural verdadeiramente fatal, escolas que tradicionalizavam seu tipo, maior difusão de leitura, maior difusão da imprensa. Essa difusão de cultura atingiu também a poesia. Excetuado um Gonçalves Dias, a nossa poesia romântica é fundamentalmente um lirismo inculto. Todo o nosso romantismo se caracteriza bem brasileiramente por essa poesia analfabeta, canto de passarinho, ou melhor, canto de cantador; em sensível oposição à poética culteranista anterior. Mesmo da escola mineira, que, se não se poderá dizer culteranista, era bastante cultivada, principalmente com Cláudio Manuel e Dirceu. É possível reconhecer que os nossos românticos liam muito os poetas e poetastros estrangeiros do tempo. Isso lhes deu apenas uma chuvarada de citações para epígrafe de seus poemas; por dentro, estes poemas perseveraram edenicamente analfabetos.

        A necessidade nova de cultura, se em grande parte produziu apenas, em nossos parnasianos, maior leitura e consequente enriquecimento de temática em sua poesia, teve uma consequência que me parece fundamental. Levou poetas e prosadores em geral a um.... culteranismo novo, o bem falar conforme às regras das gramáticas lusas. Com isso foi abandonada aquela franca tendência pra escrever apenas pondo em estilo gráfico a linguagem falada, com que os românticos estavam caminhando vertiginosamente para a fixação estilística de uma língua nacional. Os parnasianos, e foi talvez o seu maior crime, deformaram a língua nascente, “em prol do estilo". [...]

          Essa foi a grande transformação. Uma necessidade de maior extensão de cultivo intelectual para o poeta, atingiu também a poesia. Da língua boa passou-se para a língua certa.

    (ANDRADE, Mário de. Parnasianismo. In: ______ O empalhador de passarinhos. 3.ed. São Paulo: Martins; Brasília: INL, 1972, p. 11-2)

    superfetações1 : A palavra significa, literalmente, fecundação de um segundo óvulo, no curso de uma gestação. Mário de Andrade a emprega em sentido figurado.
    Assinale a alternativa contendo afirmação correta acerca do emprego de palavras no primeiro parágrafo do texto.
    Escolha uma alternativa para a questão 7733e8e2-e2
  • 772B41AB-E2

    Português

    Interpretação de Textos
    FATEC · 2011DifícilEntre para guardar nos favoritos
          O parnasianismo, entre nós, foi especialmente uma reação de cultura. É mesmo isso que o torna simpático... As academias de arte, algumas delas, até ridículas superfetações1 em nosso meio, como a de Belas Artes da Missão Lebreton, mesmo criadas muito anteriormente, só nesse período começam a produzir verdadeiros frutos nativos, na pintura, na música. Se dava então um progresso cultural verdadeiramente fatal, escolas que tradicionalizavam seu tipo, maior difusão de leitura, maior difusão da imprensa. Essa difusão de cultura atingiu também a poesia. Excetuado um Gonçalves Dias, a nossa poesia romântica é fundamentalmente um lirismo inculto. Todo o nosso romantismo se caracteriza bem brasileiramente por essa poesia analfabeta, canto de passarinho, ou melhor, canto de cantador; em sensível oposição à poética culteranista anterior. Mesmo da escola mineira, que, se não se poderá dizer culteranista, era bastante cultivada, principalmente com Cláudio Manuel e Dirceu. É possível reconhecer que os nossos românticos liam muito os poetas e poetastros estrangeiros do tempo. Isso lhes deu apenas uma chuvarada de citações para epígrafe de seus poemas; por dentro, estes poemas perseveraram edenicamente analfabetos.

        A necessidade nova de cultura, se em grande parte produziu apenas, em nossos parnasianos, maior leitura e consequente enriquecimento de temática em sua poesia, teve uma consequência que me parece fundamental. Levou poetas e prosadores em geral a um.... culteranismo novo, o bem falar conforme às regras das gramáticas lusas. Com isso foi abandonada aquela franca tendência pra escrever apenas pondo em estilo gráfico a linguagem falada, com que os românticos estavam caminhando vertiginosamente para a fixação estilística de uma língua nacional. Os parnasianos, e foi talvez o seu maior crime, deformaram a língua nascente, “em prol do estilo". [...]

          Essa foi a grande transformação. Uma necessidade de maior extensão de cultivo intelectual para o poeta, atingiu também a poesia. Da língua boa passou-se para a língua certa.

    (ANDRADE, Mário de. Parnasianismo. In: ______ O empalhador de passarinhos. 3.ed. São Paulo: Martins; Brasília: INL, 1972, p. 11-2)

    superfetações1 : A palavra significa, literalmente, fecundação de um segundo óvulo, no curso de uma gestação. Mário de Andrade a emprega em sentido figurado.
    A construção, empregada por Mário de Andrade, que mais se desvia da norma culta do português escrito, para expressar tendência da língua coloquial falada, é:
    Escolha uma alternativa para a questão 772b41ab-e2
  • 77253C5D-E2

    Português

    Interpretação de Textos
    FATEC · 2011DifícilEntre para guardar nos favoritos
          O parnasianismo, entre nós, foi especialmente uma reação de cultura. É mesmo isso que o torna simpático... As academias de arte, algumas delas, até ridículas superfetações1 em nosso meio, como a de Belas Artes da Missão Lebreton, mesmo criadas muito anteriormente, só nesse período começam a produzir verdadeiros frutos nativos, na pintura, na música. Se dava então um progresso cultural verdadeiramente fatal, escolas que tradicionalizavam seu tipo, maior difusão de leitura, maior difusão da imprensa. Essa difusão de cultura atingiu também a poesia. Excetuado um Gonçalves Dias, a nossa poesia romântica é fundamentalmente um lirismo inculto. Todo o nosso romantismo se caracteriza bem brasileiramente por essa poesia analfabeta, canto de passarinho, ou melhor, canto de cantador; em sensível oposição à poética culteranista anterior. Mesmo da escola mineira, que, se não se poderá dizer culteranista, era bastante cultivada, principalmente com Cláudio Manuel e Dirceu. É possível reconhecer que os nossos românticos liam muito os poetas e poetastros estrangeiros do tempo. Isso lhes deu apenas uma chuvarada de citações para epígrafe de seus poemas; por dentro, estes poemas perseveraram edenicamente analfabetos.

        A necessidade nova de cultura, se em grande parte produziu apenas, em nossos parnasianos, maior leitura e consequente enriquecimento de temática em sua poesia, teve uma consequência que me parece fundamental. Levou poetas e prosadores em geral a um.... culteranismo novo, o bem falar conforme às regras das gramáticas lusas. Com isso foi abandonada aquela franca tendência pra escrever apenas pondo em estilo gráfico a linguagem falada, com que os românticos estavam caminhando vertiginosamente para a fixação estilística de uma língua nacional. Os parnasianos, e foi talvez o seu maior crime, deformaram a língua nascente, “em prol do estilo". [...]

          Essa foi a grande transformação. Uma necessidade de maior extensão de cultivo intelectual para o poeta, atingiu também a poesia. Da língua boa passou-se para a língua certa.

    (ANDRADE, Mário de. Parnasianismo. In: ______ O empalhador de passarinhos. 3.ed. São Paulo: Martins; Brasília: INL, 1972, p. 11-2)

    superfetações1 : A palavra significa, literalmente, fecundação de um segundo óvulo, no curso de uma gestação. Mário de Andrade a emprega em sentido figurado.
    À vista do texto e das teses correntes sobre os estilos de época em nossa literatura, é correto afirmar que, nesse texto, Mário de Andrade
    Escolha uma alternativa para a questão 77253c5d-e2
  • E8D8F12C-94

    Português

    Interpretação de Textos
    UNESP · 2011FácilEntre para guardar nos favoritos
    Texto 1
         A proibição do véu islâmico, que cobre todo o rosto, aprovada pelo Senado francês, é um passo certo. Essa proibição não tem nada a ver com intolerância ou mesmo cerceamento da liberdade de praticar uma religião. O véu integral, seja o niqab ou a burca, é um obstáculo de primeira ordem à integração, que não pode ser tolerado em uma sociedade europeia aberta. O véu integral não é parte da liberdade religiosa, mas apenas instrumento da tradição, usado para privar as mulheres de suas personalidades e autonomia. A separação entre a Igreja e o Estado, na Europa, é uma grande conquista do Iluminismo.
    (Bernd Riegert. Deutsche Welle. Adaptado.)

    Texto 2
         Há algo de profundamente cínico na lei francesa que proíbe mulheres de portar indumentárias como a burca e o niqab. Primeiro, essa lei nada tem a ver com a laicidade do Estado.
         Na verdade, o Estado laico é aquele indiferente à religiosidade da sociedade. Tal distância significa duas coisas: as leis não serão influenciadas pela religião e o Estado não legisla sobre práticas e costumes religiosos. No entanto, não cabe ao Estado dizer que uma roupa é signo de opressão. Até porque a opressão é algo que só pode ser enunciado na primeira pessoa do singular (“Eu me sinto oprimido”), e não na terceira pessoa (“Você está oprimido, mesmo que não saiba
    ou não tenha coragem de dizer. Vim libertá-lo”).
    (Vladimir Safatle. Folha de S.Paulo, 26.04.2011. Adaptado.)
    Da leitura dos textos, pode-se inferir corretamente que:
    Escolha uma alternativa para a questão e8d8f12c-94
  • E8D23679-94

    Português

    Interpretação de Textos
    UNESP · 2011FácilEntre para guardar nos favoritos

    Leia o texto sobre a tragédia de Realengo.


        É possível que a vida escolar de Wellington, o assassino de Realengo, tenha sido um suplício. Mas a simples vingança pelo bullying sofrido não basta para explicar seu ato. Eis um modelo um pouco mais plausível.
       A matança, neste caso, é uma maneira de suprimir os objetos de desejo, cuja existência ameaça o ideal de pureza do jovem. Para transformar os fracassos amorosos em glória, o fanatismo religioso é o cúmplice perfeito. Você acha que seu desejo volta e insiste? Nada disso, é o demônio que continua trabalhando para sujar sua pureza.
       Graças ao fanatismo, em vez de sofrer com a frustração de meus desejos, oponho-me a eles como se fossem tentações externas. As meninas me dão um certo frio na barriga? Nenhum problema, preciso apenas evitar sua sedução – quem sabe, silenciá-las.
        Fanático (e sempre perigoso) é aquele que, para reprimir suas dúvidas e seus próprios desejos impuros, sai caçando os impuros e os infiéis mundo afora.
       Há uma lição na história de Realengo – e não é sobre prevenção psiquiátrica nem sobre segurança nas escolas. É uma lição sobre os riscos do aparente consolo que é oferecido pelo fanatismo moral ou religioso. Dito brutalmente, na carta sinistra de Wellington, eu leio isto: minha fé me autorizou a matar meninas (e a me matar) para evitar a frustrante infâmia de pensamentos e atos impuros.
    (Contardo Calligaris. Folha de S.Paulo, 14.04.2011. Adaptado.)
    De acordo com o autor,
    Escolha uma alternativa para a questão e8d23679-94
  • E8C02E16-94

    Português

    Interpretação de Textos
    UNESP · 2011FácilEntre para guardar nos favoritos
    Leia os dois textos.
    Texto 1

        O livro de língua portuguesa ‘Por uma Vida Melhor’, adotado pelo Ministério da Educação (MEC), contém alguns erros gramaticais. “Nós pega o peixe” ou “os menino pega o peixe” são dois exemplos de erros. Na avaliação dos autores
    do livro, o uso da língua popular, ainda que contendo erros, é válido. Os escritores também ressaltam que, caso deixem a norma culta, os alunos podem sofrer “preconceito linguístico”. A autora Heloisa Ramos justifica o conteúdo da obra. “O importante é chamar a atenção para o fato de que a ideia de correto e incorreto no uso da língua deve ser substituída pela ideia de uso da língua adequado e inadequado, dependendo da situação comunicativa.”

    (www.opiniaoenoticia.com.br. Adaptado.)

    Texto 2

        Ninguém de bom-senso discorda de que a expressão popular tem validade como forma de comunicação. Só que é preciso que se reconheça que a língua culta reúne infinitamente mais qualidades e valores. Ela é a única que consegue produzir e traduzir os pensamentos que circulam no mundo da filosofia, da literatura, das artes e das ciências. A linguagem popular a que alguns colegas meus se referem, por sua vez, não apresenta vocabulário nem tampouco estatura gramatical que permitam desenvolver ideias de maior complexidade – tão caras a uma sociedade que almeja evoluir. Por isso, é óbvio que não cabe às escolas ensiná-la.

    (Evanildo Bechara. Veja, 01.06.2011. Adaptado.)
    Assinale a alternativa correta acerca da relação entre linguagem popular e norma culta.
    Escolha uma alternativa para a questão e8c02e16-94
  • E7E318EA-94

    Português

    Figuras de Linguagem
    UNESP · 2011FácilEntre para guardar nos favoritos

                   A literatura em perigo


    A análise das obras feita na escola não deveria mais ter
    por objetivo ilustrar os conceitos recém-introduzidos por este
    ou aquele linguista, este ou aquele teórico da literatura, quando,
    então, os textos são apresentados como uma aplicação da
    língua e do discurso; sua tarefa deveria ser a de nos fazer ter
    acesso ao sentido dessas obras — pois postulamos que esse
    sentido, por sua vez, nos conduz a um conhecimento do humano,
    o qual importa a todos. Como já o disse, essa ideia não é
    estranha a uma boa parte do próprio mundo do ensino; mas é
    necessário passar das ideias à ação. Num relatório estabelecido
    pela Associação dos Professores de Letras, podemos ler:
    “O estudo de Letras implica o estudo do homem, sua relação
    consigo mesmo e com o mundo, e sua relação com os outros.”
    Mais exatamente, o estudo da obra remete a círculos concêntricos
    cada vez mais amplos: o dos outros escritos do mesmo
    autor, o da literatura nacional, o da literatura mundial; mas
    seu contexto final, o mais importante de todos, nos é efetivamente
    dado pela própria existência humana. Todas as grandes
    obras, qualquer que seja sua origem, demandam uma reflexão
    dessa dimensão.
    O que devemos fazer para desdobrar o sentido de uma
    obra e revelar o pensamento do artista? Todos os “métodos”
    são bons, desde que continuem a ser meios, em vez de se tornarem
    fins em si mesmos. (...)
    (...)
    (...) Sendo o objeto da literatura a própria condição humana,
    aquele que a lê e a compreende se tornará não um
    especialista em análise literária, mas um conhecedor do ser
    humano. Que melhor introdução à compreensão das paixões
    e dos comportamentos humanos do que uma imersão na obra
    dos grandes escritores que se dedicam a essa tarefa há milênios?
    E, de imediato: que melhor preparação pode haver para
    todas as profissões baseadas nas relações humanas? Se entendermos
    assim a literatura e orientarmos dessa maneira o seu
    ensino, que ajuda mais preciosa poderia encontrar o futuro
    estudante de direito ou de ciências políticas, o futuro assistente
    social ou psicoterapeuta, o historiador ou o sociólogo? Ter
    como professores Shakespeare e Sófocles, Dostoievski e Proust
    não é tirar proveito de um ensino excepcional? E não se vê que
    mesmo um futuro médico, para exercer o seu ofício, teria mais
    a aprender com esses mesmos professores do que com os manuais
    preparatórios para concurso que hoje determinam o seu
    destino? Assim, os estudos literários encontrariam o seu lugar
    no coração das humanidades, ao lado da história dos eventos
    e das ideias, todas essas disciplinas fazendo progredir o pensamento
    e se alimentando tanto de obras quanto de doutrinas,
    tanto de ações políticas quanto de mutações sociais, tanto da
    vida dos povos quanto da de seus indivíduos.
    Se aceitarmos essa finalidade para o ensino literário, o
    qual não serviria mais unicamente à reprodução dos professores
    de Letras, podemos facilmente chegar a um acordo sobre
    o espírito que o deve conduzir: é necessário incluir as obras
    no grande diálogo entre os homens, iniciado desde a noite dos

    tempos e do qual cada um de nós, por mais ínfimo que seja,
    ainda participa. “É nessa comunicação inesgotável, vitoriosa
    do espaço e do tempo, que se afirma o alcance universal da
    literatura”, escrevia Paul Bénichou. A nós, adultos, nos cabe
    transmitir às novas gerações essa herança frágil, essas palavras
    que ajudam a viver melhor.


                (Tzvetan Todorov. A literatura em perigo. 2 ed.Trad. Caio Meira. Rio de Janeiro: DIFEL, 2009, p. 89-94.)

    Considerando que o pronome o, usado na sequência que o deve conduzir, tem valor anafórico, isto é, faz referência a um termo já enunciado no último parágrafo, identifique esse termo.
    Escolha uma alternativa para a questão e7e318ea-94
  • E7DE2E38-94

    Português

    Interpretação de Textos
    UNESP · 2011FácilEntre para guardar nos favoritos

                   A literatura em perigo


    A análise das obras feita na escola não deveria mais ter
    por objetivo ilustrar os conceitos recém-introduzidos por este
    ou aquele linguista, este ou aquele teórico da literatura, quando,
    então, os textos são apresentados como uma aplicação da
    língua e do discurso; sua tarefa deveria ser a de nos fazer ter
    acesso ao sentido dessas obras — pois postulamos que esse
    sentido, por sua vez, nos conduz a um conhecimento do humano,
    o qual importa a todos. Como já o disse, essa ideia não é
    estranha a uma boa parte do próprio mundo do ensino; mas é
    necessário passar das ideias à ação. Num relatório estabelecido
    pela Associação dos Professores de Letras, podemos ler:
    “O estudo de Letras implica o estudo do homem, sua relação
    consigo mesmo e com o mundo, e sua relação com os outros.”
    Mais exatamente, o estudo da obra remete a círculos concêntricos
    cada vez mais amplos: o dos outros escritos do mesmo
    autor, o da literatura nacional, o da literatura mundial; mas
    seu contexto final, o mais importante de todos, nos é efetivamente
    dado pela própria existência humana. Todas as grandes
    obras, qualquer que seja sua origem, demandam uma reflexão
    dessa dimensão.
    O que devemos fazer para desdobrar o sentido de uma
    obra e revelar o pensamento do artista? Todos os “métodos”
    são bons, desde que continuem a ser meios, em vez de se tornarem
    fins em si mesmos. (...)
    (...)
    (...) Sendo o objeto da literatura a própria condição humana,
    aquele que a lê e a compreende se tornará não um
    especialista em análise literária, mas um conhecedor do ser
    humano. Que melhor introdução à compreensão das paixões
    e dos comportamentos humanos do que uma imersão na obra
    dos grandes escritores que se dedicam a essa tarefa há milênios?
    E, de imediato: que melhor preparação pode haver para
    todas as profissões baseadas nas relações humanas? Se entendermos
    assim a literatura e orientarmos dessa maneira o seu
    ensino, que ajuda mais preciosa poderia encontrar o futuro
    estudante de direito ou de ciências políticas, o futuro assistente
    social ou psicoterapeuta, o historiador ou o sociólogo? Ter
    como professores Shakespeare e Sófocles, Dostoievski e Proust
    não é tirar proveito de um ensino excepcional? E não se vê que
    mesmo um futuro médico, para exercer o seu ofício, teria mais
    a aprender com esses mesmos professores do que com os manuais
    preparatórios para concurso que hoje determinam o seu
    destino? Assim, os estudos literários encontrariam o seu lugar
    no coração das humanidades, ao lado da história dos eventos
    e das ideias, todas essas disciplinas fazendo progredir o pensamento
    e se alimentando tanto de obras quanto de doutrinas,
    tanto de ações políticas quanto de mutações sociais, tanto da
    vida dos povos quanto da de seus indivíduos.
    Se aceitarmos essa finalidade para o ensino literário, o
    qual não serviria mais unicamente à reprodução dos professores
    de Letras, podemos facilmente chegar a um acordo sobre
    o espírito que o deve conduzir: é necessário incluir as obras
    no grande diálogo entre os homens, iniciado desde a noite dos

    tempos e do qual cada um de nós, por mais ínfimo que seja,
    ainda participa. “É nessa comunicação inesgotável, vitoriosa
    do espaço e do tempo, que se afirma o alcance universal da
    literatura”, escrevia Paul Bénichou. A nós, adultos, nos cabe
    transmitir às novas gerações essa herança frágil, essas palavras
    que ajudam a viver melhor.


                (Tzvetan Todorov. A literatura em perigo. 2 ed.Trad. Caio Meira. Rio de Janeiro: DIFEL, 2009, p. 89-94.)

    No segundo parágrafo do fragmento apresentado, Todorov afirma que Todos os “métodos" são bons, desde que continuem a ser meios, em vez de se tornarem fins em si mesmos.
    O autor defende, com essa afirmação, o argumento segundo o qual o verdadeiro valor de um método de análise literária
    Escolha uma alternativa para a questão e7de2e38-94
  • E7D93AFC-94

    Português

    Denotação e Conotação
    UNESP · 2011FácilEntre para guardar nos favoritos

                   A literatura em perigo


    A análise das obras feita na escola não deveria mais ter
    por objetivo ilustrar os conceitos recém-introduzidos por este
    ou aquele linguista, este ou aquele teórico da literatura, quando,
    então, os textos são apresentados como uma aplicação da
    língua e do discurso; sua tarefa deveria ser a de nos fazer ter
    acesso ao sentido dessas obras — pois postulamos que esse
    sentido, por sua vez, nos conduz a um conhecimento do humano,
    o qual importa a todos. Como já o disse, essa ideia não é
    estranha a uma boa parte do próprio mundo do ensino; mas é
    necessário passar das ideias à ação. Num relatório estabelecido
    pela Associação dos Professores de Letras, podemos ler:
    “O estudo de Letras implica o estudo do homem, sua relação
    consigo mesmo e com o mundo, e sua relação com os outros.”
    Mais exatamente, o estudo da obra remete a círculos concêntricos
    cada vez mais amplos: o dos outros escritos do mesmo
    autor, o da literatura nacional, o da literatura mundial; mas
    seu contexto final, o mais importante de todos, nos é efetivamente
    dado pela própria existência humana. Todas as grandes
    obras, qualquer que seja sua origem, demandam uma reflexão
    dessa dimensão.
    O que devemos fazer para desdobrar o sentido de uma
    obra e revelar o pensamento do artista? Todos os “métodos”
    são bons, desde que continuem a ser meios, em vez de se tornarem
    fins em si mesmos. (...)
    (...)
    (...) Sendo o objeto da literatura a própria condição humana,
    aquele que a lê e a compreende se tornará não um
    especialista em análise literária, mas um conhecedor do ser
    humano. Que melhor introdução à compreensão das paixões
    e dos comportamentos humanos do que uma imersão na obra
    dos grandes escritores que se dedicam a essa tarefa há milênios?
    E, de imediato: que melhor preparação pode haver para
    todas as profissões baseadas nas relações humanas? Se entendermos
    assim a literatura e orientarmos dessa maneira o seu
    ensino, que ajuda mais preciosa poderia encontrar o futuro
    estudante de direito ou de ciências políticas, o futuro assistente
    social ou psicoterapeuta, o historiador ou o sociólogo? Ter
    como professores Shakespeare e Sófocles, Dostoievski e Proust
    não é tirar proveito de um ensino excepcional? E não se vê que
    mesmo um futuro médico, para exercer o seu ofício, teria mais
    a aprender com esses mesmos professores do que com os manuais
    preparatórios para concurso que hoje determinam o seu
    destino? Assim, os estudos literários encontrariam o seu lugar
    no coração das humanidades, ao lado da história dos eventos
    e das ideias, todas essas disciplinas fazendo progredir o pensamento
    e se alimentando tanto de obras quanto de doutrinas,
    tanto de ações políticas quanto de mutações sociais, tanto da
    vida dos povos quanto da de seus indivíduos.
    Se aceitarmos essa finalidade para o ensino literário, o
    qual não serviria mais unicamente à reprodução dos professores
    de Letras, podemos facilmente chegar a um acordo sobre
    o espírito que o deve conduzir: é necessário incluir as obras
    no grande diálogo entre os homens, iniciado desde a noite dos

    tempos e do qual cada um de nós, por mais ínfimo que seja,
    ainda participa. “É nessa comunicação inesgotável, vitoriosa
    do espaço e do tempo, que se afirma o alcance universal da
    literatura”, escrevia Paul Bénichou. A nós, adultos, nos cabe
    transmitir às novas gerações essa herança frágil, essas palavras
    que ajudam a viver melhor.


                (Tzvetan Todorov. A literatura em perigo. 2 ed.Trad. Caio Meira. Rio de Janeiro: DIFEL, 2009, p. 89-94.)

    Que melhor introdução à compreensão das paixões e dos comportamentos humanos do que uma imersão na obra dos grandes escritores que se dedicam a essa tarefa há milênios?

    Com base no fato de que a palavra “imersão", usada na expressão uma imersão na obra, caracteriza uma metáfora, indique a alternativa que elimina essa metáfora sem perda relevante de sentido:
    Escolha uma alternativa para a questão e7d93afc-94
  • E7D2D9D6-94

    Português

    Interpretação de Textos
    UNESP · 2011MédioEntre para guardar nos favoritos

                   A literatura em perigo


    A análise das obras feita na escola não deveria mais ter
    por objetivo ilustrar os conceitos recém-introduzidos por este
    ou aquele linguista, este ou aquele teórico da literatura, quando,
    então, os textos são apresentados como uma aplicação da
    língua e do discurso; sua tarefa deveria ser a de nos fazer ter
    acesso ao sentido dessas obras — pois postulamos que esse
    sentido, por sua vez, nos conduz a um conhecimento do humano,
    o qual importa a todos. Como já o disse, essa ideia não é
    estranha a uma boa parte do próprio mundo do ensino; mas é
    necessário passar das ideias à ação. Num relatório estabelecido
    pela Associação dos Professores de Letras, podemos ler:
    “O estudo de Letras implica o estudo do homem, sua relação
    consigo mesmo e com o mundo, e sua relação com os outros.”
    Mais exatamente, o estudo da obra remete a círculos concêntricos
    cada vez mais amplos: o dos outros escritos do mesmo
    autor, o da literatura nacional, o da literatura mundial; mas
    seu contexto final, o mais importante de todos, nos é efetivamente
    dado pela própria existência humana. Todas as grandes
    obras, qualquer que seja sua origem, demandam uma reflexão
    dessa dimensão.
    O que devemos fazer para desdobrar o sentido de uma
    obra e revelar o pensamento do artista? Todos os “métodos”
    são bons, desde que continuem a ser meios, em vez de se tornarem
    fins em si mesmos. (...)
    (...)
    (...) Sendo o objeto da literatura a própria condição humana,
    aquele que a lê e a compreende se tornará não um
    especialista em análise literária, mas um conhecedor do ser
    humano. Que melhor introdução à compreensão das paixões
    e dos comportamentos humanos do que uma imersão na obra
    dos grandes escritores que se dedicam a essa tarefa há milênios?
    E, de imediato: que melhor preparação pode haver para
    todas as profissões baseadas nas relações humanas? Se entendermos
    assim a literatura e orientarmos dessa maneira o seu
    ensino, que ajuda mais preciosa poderia encontrar o futuro
    estudante de direito ou de ciências políticas, o futuro assistente
    social ou psicoterapeuta, o historiador ou o sociólogo? Ter
    como professores Shakespeare e Sófocles, Dostoievski e Proust
    não é tirar proveito de um ensino excepcional? E não se vê que
    mesmo um futuro médico, para exercer o seu ofício, teria mais
    a aprender com esses mesmos professores do que com os manuais
    preparatórios para concurso que hoje determinam o seu
    destino? Assim, os estudos literários encontrariam o seu lugar
    no coração das humanidades, ao lado da história dos eventos
    e das ideias, todas essas disciplinas fazendo progredir o pensamento
    e se alimentando tanto de obras quanto de doutrinas,
    tanto de ações políticas quanto de mutações sociais, tanto da
    vida dos povos quanto da de seus indivíduos.
    Se aceitarmos essa finalidade para o ensino literário, o
    qual não serviria mais unicamente à reprodução dos professores
    de Letras, podemos facilmente chegar a um acordo sobre
    o espírito que o deve conduzir: é necessário incluir as obras
    no grande diálogo entre os homens, iniciado desde a noite dos

    tempos e do qual cada um de nós, por mais ínfimo que seja,
    ainda participa. “É nessa comunicação inesgotável, vitoriosa
    do espaço e do tempo, que se afirma o alcance universal da
    literatura”, escrevia Paul Bénichou. A nós, adultos, nos cabe
    transmitir às novas gerações essa herança frágil, essas palavras
    que ajudam a viver melhor.


                (Tzvetan Todorov. A literatura em perigo. 2 ed.Trad. Caio Meira. Rio de Janeiro: DIFEL, 2009, p. 89-94.)

    Ter como professores Shakespeare e Sófocles, Dostoievski e Proust não é tirar proveito de um ensino excepcional?

    Esta questão levantada por Todorov, no contexto do terceiro parágrafo, significa:
    Escolha uma alternativa para a questão e7d2d9d6-94
  • E7CE24FF-94

    Português

    Interpretação de Textos
    UNESP · 2011MédioEntre para guardar nos favoritos

                   A literatura em perigo


    A análise das obras feita na escola não deveria mais ter
    por objetivo ilustrar os conceitos recém-introduzidos por este
    ou aquele linguista, este ou aquele teórico da literatura, quando,
    então, os textos são apresentados como uma aplicação da
    língua e do discurso; sua tarefa deveria ser a de nos fazer ter
    acesso ao sentido dessas obras — pois postulamos que esse
    sentido, por sua vez, nos conduz a um conhecimento do humano,
    o qual importa a todos. Como já o disse, essa ideia não é
    estranha a uma boa parte do próprio mundo do ensino; mas é
    necessário passar das ideias à ação. Num relatório estabelecido
    pela Associação dos Professores de Letras, podemos ler:
    “O estudo de Letras implica o estudo do homem, sua relação
    consigo mesmo e com o mundo, e sua relação com os outros.”
    Mais exatamente, o estudo da obra remete a círculos concêntricos
    cada vez mais amplos: o dos outros escritos do mesmo
    autor, o da literatura nacional, o da literatura mundial; mas
    seu contexto final, o mais importante de todos, nos é efetivamente
    dado pela própria existência humana. Todas as grandes
    obras, qualquer que seja sua origem, demandam uma reflexão
    dessa dimensão.
    O que devemos fazer para desdobrar o sentido de uma
    obra e revelar o pensamento do artista? Todos os “métodos”
    são bons, desde que continuem a ser meios, em vez de se tornarem
    fins em si mesmos. (...)
    (...)
    (...) Sendo o objeto da literatura a própria condição humana,
    aquele que a lê e a compreende se tornará não um
    especialista em análise literária, mas um conhecedor do ser
    humano. Que melhor introdução à compreensão das paixões
    e dos comportamentos humanos do que uma imersão na obra
    dos grandes escritores que se dedicam a essa tarefa há milênios?
    E, de imediato: que melhor preparação pode haver para
    todas as profissões baseadas nas relações humanas? Se entendermos
    assim a literatura e orientarmos dessa maneira o seu
    ensino, que ajuda mais preciosa poderia encontrar o futuro
    estudante de direito ou de ciências políticas, o futuro assistente
    social ou psicoterapeuta, o historiador ou o sociólogo? Ter
    como professores Shakespeare e Sófocles, Dostoievski e Proust
    não é tirar proveito de um ensino excepcional? E não se vê que
    mesmo um futuro médico, para exercer o seu ofício, teria mais
    a aprender com esses mesmos professores do que com os manuais
    preparatórios para concurso que hoje determinam o seu
    destino? Assim, os estudos literários encontrariam o seu lugar
    no coração das humanidades, ao lado da história dos eventos
    e das ideias, todas essas disciplinas fazendo progredir o pensamento
    e se alimentando tanto de obras quanto de doutrinas,
    tanto de ações políticas quanto de mutações sociais, tanto da
    vida dos povos quanto da de seus indivíduos.
    Se aceitarmos essa finalidade para o ensino literário, o
    qual não serviria mais unicamente à reprodução dos professores
    de Letras, podemos facilmente chegar a um acordo sobre
    o espírito que o deve conduzir: é necessário incluir as obras
    no grande diálogo entre os homens, iniciado desde a noite dos

    tempos e do qual cada um de nós, por mais ínfimo que seja,
    ainda participa. “É nessa comunicação inesgotável, vitoriosa
    do espaço e do tempo, que se afirma o alcance universal da
    literatura”, escrevia Paul Bénichou. A nós, adultos, nos cabe
    transmitir às novas gerações essa herança frágil, essas palavras
    que ajudam a viver melhor.


                (Tzvetan Todorov. A literatura em perigo. 2 ed.Trad. Caio Meira. Rio de Janeiro: DIFEL, 2009, p. 89-94.)

    Observe as seguintes opiniões referentes ao ensino de literatura.


    I. O estudo de obras literárias na escola tem como objetivo fundamental ensinar os fundamentos da Linguística.
    II. A análise das obras feita na escola deve levar o estudante a ter acesso ao sentido dessas obras.
    III. O objetivo do ensino da literatura na escola não é formar teóricos da literatura.
    IV. De nada adianta a leitura das obras literárias sem a prévia fundamentação das teorias literárias.


    Das quatro opiniões, as que se enquadram na argumentação manifestada por Todorov em seu texto estão contidas apenas em:

    Escolha uma alternativa para a questão e7ce24ff-94
  • E7C8F87B-94

    Português

    Figuras de Linguagem
    UNESP · 2011MédioEntre para guardar nos favoritos

       Elegia na morte de Clodoaldo Pereira da Silva Moraes,
    poeta e cidadão

    A morte chegou pelo interurbano em longas espirais metálicas.
    Era de madrugada. Ouvi a voz de minha mãe, viúva.
    De repente não tinha pai.
    No escuro de minha casa em Los Angeles procurei recompor
        [tua lembrança
    Depois de tanta ausência. Fragmentos da infância
    Boiaram do mar de minhas lágrimas. Vi-me eu menino
    Correndo ao teu encontro. Na ilha noturna
    Tinham-se apenas acendido os lampiões a gás, e a clarineta
    De Augusto geralmente procrastinava a tarde.
    Era belo esperar-te, cidadão. O bondinho
    Rangia nos trilhos a muitas praias de distância...
    Dizíamos: “Ê-vem meu pai!”. Quando a curva
    Se acendia de luzes semoventes*, ah, corríamos
    Corríamos ao teu encontro. A grande coisa era chegar antes
    Mas ser marraio** em teus braços, sentir por último
    Os doces espinhos da tua barba.
    Trazias de então uma expressão indizível de fidelidade e
       [paciência
    Teu rosto tinha os sulcos fundamentais da doçura
    De quem se deixou ser. Teus ombros possantes
    Se curvavam como ao peso da enorme poesia
    Que não realizaste. O barbante cortava teus dedos
    Pesados de mil embrulhos: carne, pão, utensílios
    Para o cotidiano (e frequentemente o binóculo
    Que vivias comprando e com que te deixavas horas inteiras
    Mirando o mar). Dize-me, meu pai
    Que viste tantos anos através do teu óculo de alcance
    Que nunca revelaste a ninguém?
    Vencias o percurso entre a amendoeira e a casa como o atleta
        [exausto no último lance da maratona.

    Te grimpávamos. Eras penca de filho. Jamais
    Uma palavra dura, um rosnar paterno. Entravas a casa
    humilde

    A um gesto do mar. A noite se fechava
    Sobre o grupo familial como uma grande porta espessa.
    Muitas vezes te vi desejar. Desejavas. Deixavas-te olhando
       [o mar
    Com mirada de argonauta. Teus pequenos olhos feios
    Buscavam ilhas, outras ilhas... — as imaculadas, inacessíveis
    Ilhas do Tesouro. Querias. Querias um dia aportar
    E trazer — depositar aos pés da amada as joias fulgurantes
    Do teu amor. Sim, foste descobridor, e entre eles
    Dos mais provectos***. Muitas vezes te vi, comandante
    Comandar, batido de ventos, perdido na fosforência
    De vastos e noturnos oceanos
    Sem jamais.
    Deste-nos pobreza e amor. A mim me deste
    A suprema pobreza: o dom da poesia, e a capacidade de amar
    Em silêncio. Foste um pobre. Mendigavas nosso amor
    Em silêncio. Foste um no lado esquerdo. Mas
    Teu amor inventou. Financiaste uma lancha
    Movida a água: foi reta para o fundo. Partiste um dia
    Para um brasil além, garimpeiro sem medo e sem mácula.
    Doze luas voltaste. Tua primogênita — diz-se —
    Não te reconheceu. Trazias grandes barbas e pequenas
         [águas-marinhas.
        (Vinicius de Moraes. Antologia poética. 11 ed. Rio de Janeiro: José Olympio Editora, 1974, p. 180-181.)


    (*) Semovente: “Que ou o que anda ou se move por si próprio.”
    (**) Marraio: “No gude e noutros jogos, palavra que dá, a quem
    primeiro a grita, o direito de ser o último a jogar.”
    (***) Provecto: “Que conhece muito um assunto ou uma ciência,
    experiente, versado, mestre.”
                 (Dicionário Eletrônico Houaiss)

    Partiste um dia / Para um brasil além, garimpeiro sem medo e sem mácula.

    O emprego da palavra brasil com inicial minúscula, no poema de Vinicius, tem a seguinte justificativa:

    Escolha uma alternativa para a questão e7c8f87b-94
  • E7C3FBF5-94

    Português

    Figuras de Linguagem
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       Elegia na morte de Clodoaldo Pereira da Silva Moraes,
    poeta e cidadão

    A morte chegou pelo interurbano em longas espirais metálicas.
    Era de madrugada. Ouvi a voz de minha mãe, viúva.
    De repente não tinha pai.
    No escuro de minha casa em Los Angeles procurei recompor
        [tua lembrança
    Depois de tanta ausência. Fragmentos da infância
    Boiaram do mar de minhas lágrimas. Vi-me eu menino
    Correndo ao teu encontro. Na ilha noturna
    Tinham-se apenas acendido os lampiões a gás, e a clarineta
    De Augusto geralmente procrastinava a tarde.
    Era belo esperar-te, cidadão. O bondinho
    Rangia nos trilhos a muitas praias de distância...
    Dizíamos: “Ê-vem meu pai!”. Quando a curva
    Se acendia de luzes semoventes*, ah, corríamos
    Corríamos ao teu encontro. A grande coisa era chegar antes
    Mas ser marraio** em teus braços, sentir por último
    Os doces espinhos da tua barba.
    Trazias de então uma expressão indizível de fidelidade e
       [paciência
    Teu rosto tinha os sulcos fundamentais da doçura
    De quem se deixou ser. Teus ombros possantes
    Se curvavam como ao peso da enorme poesia
    Que não realizaste. O barbante cortava teus dedos
    Pesados de mil embrulhos: carne, pão, utensílios
    Para o cotidiano (e frequentemente o binóculo
    Que vivias comprando e com que te deixavas horas inteiras
    Mirando o mar). Dize-me, meu pai
    Que viste tantos anos através do teu óculo de alcance
    Que nunca revelaste a ninguém?
    Vencias o percurso entre a amendoeira e a casa como o atleta
        [exausto no último lance da maratona.

    Te grimpávamos. Eras penca de filho. Jamais
    Uma palavra dura, um rosnar paterno. Entravas a casa
    humilde

    A um gesto do mar. A noite se fechava
    Sobre o grupo familial como uma grande porta espessa.
    Muitas vezes te vi desejar. Desejavas. Deixavas-te olhando
       [o mar
    Com mirada de argonauta. Teus pequenos olhos feios
    Buscavam ilhas, outras ilhas... — as imaculadas, inacessíveis
    Ilhas do Tesouro. Querias. Querias um dia aportar
    E trazer — depositar aos pés da amada as joias fulgurantes
    Do teu amor. Sim, foste descobridor, e entre eles
    Dos mais provectos***. Muitas vezes te vi, comandante
    Comandar, batido de ventos, perdido na fosforência
    De vastos e noturnos oceanos
    Sem jamais.
    Deste-nos pobreza e amor. A mim me deste
    A suprema pobreza: o dom da poesia, e a capacidade de amar
    Em silêncio. Foste um pobre. Mendigavas nosso amor
    Em silêncio. Foste um no lado esquerdo. Mas
    Teu amor inventou. Financiaste uma lancha
    Movida a água: foi reta para o fundo. Partiste um dia
    Para um brasil além, garimpeiro sem medo e sem mácula.
    Doze luas voltaste. Tua primogênita — diz-se —
    Não te reconheceu. Trazias grandes barbas e pequenas
         [águas-marinhas.
        (Vinicius de Moraes. Antologia poética. 11 ed. Rio de Janeiro: José Olympio Editora, 1974, p. 180-181.)


    (*) Semovente: “Que ou o que anda ou se move por si próprio.”
    (**) Marraio: “No gude e noutros jogos, palavra que dá, a quem
    primeiro a grita, o direito de ser o último a jogar.”
    (***) Provecto: “Que conhece muito um assunto ou uma ciência,
    experiente, versado, mestre.”
                 (Dicionário Eletrônico Houaiss)

    Quando a curva / Se acendia de luzes semoventes,

    Esta imagem significa, nos versos em que surge,

    Escolha uma alternativa para a questão e7c3fbf5-94
  • E7BEC741-94

    Português

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       Elegia na morte de Clodoaldo Pereira da Silva Moraes,
    poeta e cidadão

    A morte chegou pelo interurbano em longas espirais metálicas.
    Era de madrugada. Ouvi a voz de minha mãe, viúva.
    De repente não tinha pai.
    No escuro de minha casa em Los Angeles procurei recompor
        [tua lembrança
    Depois de tanta ausência. Fragmentos da infância
    Boiaram do mar de minhas lágrimas. Vi-me eu menino
    Correndo ao teu encontro. Na ilha noturna
    Tinham-se apenas acendido os lampiões a gás, e a clarineta
    De Augusto geralmente procrastinava a tarde.
    Era belo esperar-te, cidadão. O bondinho
    Rangia nos trilhos a muitas praias de distância...
    Dizíamos: “Ê-vem meu pai!”. Quando a curva
    Se acendia de luzes semoventes*, ah, corríamos
    Corríamos ao teu encontro. A grande coisa era chegar antes
    Mas ser marraio** em teus braços, sentir por último
    Os doces espinhos da tua barba.
    Trazias de então uma expressão indizível de fidelidade e
       [paciência
    Teu rosto tinha os sulcos fundamentais da doçura
    De quem se deixou ser. Teus ombros possantes
    Se curvavam como ao peso da enorme poesia
    Que não realizaste. O barbante cortava teus dedos
    Pesados de mil embrulhos: carne, pão, utensílios
    Para o cotidiano (e frequentemente o binóculo
    Que vivias comprando e com que te deixavas horas inteiras
    Mirando o mar). Dize-me, meu pai
    Que viste tantos anos através do teu óculo de alcance
    Que nunca revelaste a ninguém?
    Vencias o percurso entre a amendoeira e a casa como o atleta
        [exausto no último lance da maratona.

    Te grimpávamos. Eras penca de filho. Jamais
    Uma palavra dura, um rosnar paterno. Entravas a casa
    humilde

    A um gesto do mar. A noite se fechava
    Sobre o grupo familial como uma grande porta espessa.
    Muitas vezes te vi desejar. Desejavas. Deixavas-te olhando
       [o mar
    Com mirada de argonauta. Teus pequenos olhos feios
    Buscavam ilhas, outras ilhas... — as imaculadas, inacessíveis
    Ilhas do Tesouro. Querias. Querias um dia aportar
    E trazer — depositar aos pés da amada as joias fulgurantes
    Do teu amor. Sim, foste descobridor, e entre eles
    Dos mais provectos***. Muitas vezes te vi, comandante
    Comandar, batido de ventos, perdido na fosforência
    De vastos e noturnos oceanos
    Sem jamais.
    Deste-nos pobreza e amor. A mim me deste
    A suprema pobreza: o dom da poesia, e a capacidade de amar
    Em silêncio. Foste um pobre. Mendigavas nosso amor
    Em silêncio. Foste um no lado esquerdo. Mas
    Teu amor inventou. Financiaste uma lancha
    Movida a água: foi reta para o fundo. Partiste um dia
    Para um brasil além, garimpeiro sem medo e sem mácula.
    Doze luas voltaste. Tua primogênita — diz-se —
    Não te reconheceu. Trazias grandes barbas e pequenas
         [águas-marinhas.
        (Vinicius de Moraes. Antologia poética. 11 ed. Rio de Janeiro: José Olympio Editora, 1974, p. 180-181.)


    (*) Semovente: “Que ou o que anda ou se move por si próprio.”
    (**) Marraio: “No gude e noutros jogos, palavra que dá, a quem
    primeiro a grita, o direito de ser o último a jogar.”
    (***) Provecto: “Que conhece muito um assunto ou uma ciência,
    experiente, versado, mestre.”
                 (Dicionário Eletrônico Houaiss)

    Marque a alternativa cujo verso contém um pleonasmo, ou seja, uma redundância de termos com bom efeito estilístico.
    Escolha uma alternativa para a questão e7bec741-94
  • E7B3FB37-94

    Português

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       Elegia na morte de Clodoaldo Pereira da Silva Moraes,
    poeta e cidadão

    A morte chegou pelo interurbano em longas espirais metálicas.
    Era de madrugada. Ouvi a voz de minha mãe, viúva.
    De repente não tinha pai.
    No escuro de minha casa em Los Angeles procurei recompor
        [tua lembrança
    Depois de tanta ausência. Fragmentos da infância
    Boiaram do mar de minhas lágrimas. Vi-me eu menino
    Correndo ao teu encontro. Na ilha noturna
    Tinham-se apenas acendido os lampiões a gás, e a clarineta
    De Augusto geralmente procrastinava a tarde.
    Era belo esperar-te, cidadão. O bondinho
    Rangia nos trilhos a muitas praias de distância...
    Dizíamos: “Ê-vem meu pai!”. Quando a curva
    Se acendia de luzes semoventes*, ah, corríamos
    Corríamos ao teu encontro. A grande coisa era chegar antes
    Mas ser marraio** em teus braços, sentir por último
    Os doces espinhos da tua barba.
    Trazias de então uma expressão indizível de fidelidade e
       [paciência
    Teu rosto tinha os sulcos fundamentais da doçura
    De quem se deixou ser. Teus ombros possantes
    Se curvavam como ao peso da enorme poesia
    Que não realizaste. O barbante cortava teus dedos
    Pesados de mil embrulhos: carne, pão, utensílios
    Para o cotidiano (e frequentemente o binóculo
    Que vivias comprando e com que te deixavas horas inteiras
    Mirando o mar). Dize-me, meu pai
    Que viste tantos anos através do teu óculo de alcance
    Que nunca revelaste a ninguém?
    Vencias o percurso entre a amendoeira e a casa como o atleta
        [exausto no último lance da maratona.

    Te grimpávamos. Eras penca de filho. Jamais
    Uma palavra dura, um rosnar paterno. Entravas a casa
    humilde

    A um gesto do mar. A noite se fechava
    Sobre o grupo familial como uma grande porta espessa.
    Muitas vezes te vi desejar. Desejavas. Deixavas-te olhando
       [o mar
    Com mirada de argonauta. Teus pequenos olhos feios
    Buscavam ilhas, outras ilhas... — as imaculadas, inacessíveis
    Ilhas do Tesouro. Querias. Querias um dia aportar
    E trazer — depositar aos pés da amada as joias fulgurantes
    Do teu amor. Sim, foste descobridor, e entre eles
    Dos mais provectos***. Muitas vezes te vi, comandante
    Comandar, batido de ventos, perdido na fosforência
    De vastos e noturnos oceanos
    Sem jamais.
    Deste-nos pobreza e amor. A mim me deste
    A suprema pobreza: o dom da poesia, e a capacidade de amar
    Em silêncio. Foste um pobre. Mendigavas nosso amor
    Em silêncio. Foste um no lado esquerdo. Mas
    Teu amor inventou. Financiaste uma lancha
    Movida a água: foi reta para o fundo. Partiste um dia
    Para um brasil além, garimpeiro sem medo e sem mácula.
    Doze luas voltaste. Tua primogênita — diz-se —
    Não te reconheceu. Trazias grandes barbas e pequenas
         [águas-marinhas.
        (Vinicius de Moraes. Antologia poética. 11 ed. Rio de Janeiro: José Olympio Editora, 1974, p. 180-181.)


    (*) Semovente: “Que ou o que anda ou se move por si próprio.”
    (**) Marraio: “No gude e noutros jogos, palavra que dá, a quem
    primeiro a grita, o direito de ser o último a jogar.”
    (***) Provecto: “Que conhece muito um assunto ou uma ciência,
    experiente, versado, mestre.”
                 (Dicionário Eletrônico Houaiss)

    Compare o conteúdo das frases a seguir com o que o eu-poemático afirma no poema.

    I. A notícia da morte do pai chegou por telefone.
    II. O falecimento foi informado pela primogênita.
    III. A morte do pai provocou reminiscências da infância.
    IV. Apesar de não ter sido um bom pai, o filho perdoa e sente
    saudades.

    As frases que correspondem ao que é efetivamente expresso no poema estão contidas apenas em
    Escolha uma alternativa para a questão e7b3fb37-94
  • E7AE6492-94

    Português

    Interpretação de Textos
    UNESP · 2011FácilEntre para guardar nos favoritos

                       O fim do marketing
    A empresa vende ao consumidor
    — com a web não é mais assim


    Com a internet se tornando onipresente, os Quatro Ps do
    marketing — produto, praça, preço e promoção — não funcionam
    mais. O paradigma era simples e unidirecional: as
    empresas vendem aos consumidores. Nós criamos produtos;
    fixamos preços; definimos os locais onde vendê-los; e fazemos
    anúncios. Nós controlamos a mensagem. A internet transforma
    todas essas atividades.
    (...)
    Os produtos agora são customizados em massa, envolvem
    serviços e são marcados pelo conhecimento e os gostos dos
    consumidores. Por meio de comunidades online, os consumidores
    hoje participam do desenvolvimento do produto. Produtos
    estão se tornando experiências. Estão mortas as velhas
    concepções industriais na definição e marketing de produtos.
    (...)

    Graças às vendas online e à nova dinâmica do mercado,
    os preços fixados pelo fornecedor estão sendo cada vez mais
    desafiados. Hoje questionamos até o conceito de “preço”, à
    medida que os consumidores ganham acesso a ferramentas
    que lhes permitem determinar quanto querem pagar. Os consumidores
    vão oferecer vários preços por um produto, dependendo
    de condições específicas. Compradores e vendedores
    trocam mais informações e o preço se torna fluido. Os mercados,
    e não as empresas, decidem sobre os preços de produtos
    e serviços.
    (...)
    A empresa moderna compete em dois mundos: um físico
    (a praça, ou marketplace) e um mundo digital de informação
    (o espaço mercadológico, ou marketspace). As empresas não
    devem preocupar-se com a criação de um web site vistoso,
    mas sim de uma grande comunidade online e com o capital
    de relacionamento. Corações, e não olhos, são o que conta.
    Dentro de uma década, a maioria dos produtos será vendida
    no espaço mercadológico. Uma nova fronteira de comércio é a
    marketface — a interface entre o marketplace e o marketspace.
    (...)
    Publicidade, promoção, relações públicas etc. exploram
    “mensagens” unidirecionais, de um-para-muitos e de tamanho
    único, dirigidas a consumidores sem rosto e sem poder.
    As comunidades online perturbam drasticamente esse modelo.
    Os consumidores com frequência têm acesso a informações
    sobre os produtos, e o poder passa para o lado deles. São eles
    que controlam as regras do mercado, não você. Eles escolhem
    o meio e a mensagem. Em vez de receber mensagens enviadas
    por profissionais de relações públicas, eles criam a “opinião
    pública” online.
       Os marqueteiros estão perdendo o controle, e isso é muito bom.
    (Don Tapscott. O fim do marketing. INFO, São Paulo,Editora Abril, janeiro 2011, p. 22.)

    Os marqueteiros estão perdendo o controle, e isso é muito bom.

    O termo marqueteiro, presente nesta frase, foi formado em português por influência do inglês e tem como uma de suas acepções usuais:
    Escolha uma alternativa para a questão e7ae6492-94
  • E7A411E3-94

    Português

    Figuras de Linguagem
    UNESP · 2011FácilEntre para guardar nos favoritos

                       O fim do marketing
    A empresa vende ao consumidor
    — com a web não é mais assim


    Com a internet se tornando onipresente, os Quatro Ps do
    marketing — produto, praça, preço e promoção — não funcionam
    mais. O paradigma era simples e unidirecional: as
    empresas vendem aos consumidores. Nós criamos produtos;
    fixamos preços; definimos os locais onde vendê-los; e fazemos
    anúncios. Nós controlamos a mensagem. A internet transforma
    todas essas atividades.
    (...)
    Os produtos agora são customizados em massa, envolvem
    serviços e são marcados pelo conhecimento e os gostos dos
    consumidores. Por meio de comunidades online, os consumidores
    hoje participam do desenvolvimento do produto. Produtos
    estão se tornando experiências. Estão mortas as velhas
    concepções industriais na definição e marketing de produtos.
    (...)

    Graças às vendas online e à nova dinâmica do mercado,
    os preços fixados pelo fornecedor estão sendo cada vez mais
    desafiados. Hoje questionamos até o conceito de “preço”, à
    medida que os consumidores ganham acesso a ferramentas
    que lhes permitem determinar quanto querem pagar. Os consumidores
    vão oferecer vários preços por um produto, dependendo
    de condições específicas. Compradores e vendedores
    trocam mais informações e o preço se torna fluido. Os mercados,
    e não as empresas, decidem sobre os preços de produtos
    e serviços.
    (...)
    A empresa moderna compete em dois mundos: um físico
    (a praça, ou marketplace) e um mundo digital de informação
    (o espaço mercadológico, ou marketspace). As empresas não
    devem preocupar-se com a criação de um web site vistoso,
    mas sim de uma grande comunidade online e com o capital
    de relacionamento. Corações, e não olhos, são o que conta.
    Dentro de uma década, a maioria dos produtos será vendida
    no espaço mercadológico. Uma nova fronteira de comércio é a
    marketface — a interface entre o marketplace e o marketspace.
    (...)
    Publicidade, promoção, relações públicas etc. exploram
    “mensagens” unidirecionais, de um-para-muitos e de tamanho
    único, dirigidas a consumidores sem rosto e sem poder.
    As comunidades online perturbam drasticamente esse modelo.
    Os consumidores com frequência têm acesso a informações
    sobre os produtos, e o poder passa para o lado deles. São eles
    que controlam as regras do mercado, não você. Eles escolhem
    o meio e a mensagem. Em vez de receber mensagens enviadas
    por profissionais de relações públicas, eles criam a “opinião
    pública” online.
       Os marqueteiros estão perdendo o controle, e isso é muito bom.
    (Don Tapscott. O fim do marketing. INFO, São Paulo,Editora Abril, janeiro 2011, p. 22.)

    São eles que controlam as regras do mercado, não você. Eles escolhem o meio e a mensagem. Em vez de receber mensagens enviadas por profissionais de relações públicas, eles criam a “opinião pública" online.

    Nesta passagem do penúltimo parágrafo do texto, o autor repete por três vezes o pronome eles, para referir-se enfaticamente aos


    Escolha uma alternativa para a questão e7a411e3-94
  • E79FB738-94

    Português

    Interpretação de Textos
    UNESP · 2011MédioEntre para guardar nos favoritos

                       O fim do marketing
    A empresa vende ao consumidor
    — com a web não é mais assim


    Com a internet se tornando onipresente, os Quatro Ps do
    marketing — produto, praça, preço e promoção — não funcionam
    mais. O paradigma era simples e unidirecional: as
    empresas vendem aos consumidores. Nós criamos produtos;
    fixamos preços; definimos os locais onde vendê-los; e fazemos
    anúncios. Nós controlamos a mensagem. A internet transforma
    todas essas atividades.
    (...)
    Os produtos agora são customizados em massa, envolvem
    serviços e são marcados pelo conhecimento e os gostos dos
    consumidores. Por meio de comunidades online, os consumidores
    hoje participam do desenvolvimento do produto. Produtos
    estão se tornando experiências. Estão mortas as velhas
    concepções industriais na definição e marketing de produtos.
    (...)

    Graças às vendas online e à nova dinâmica do mercado,
    os preços fixados pelo fornecedor estão sendo cada vez mais
    desafiados. Hoje questionamos até o conceito de “preço”, à
    medida que os consumidores ganham acesso a ferramentas
    que lhes permitem determinar quanto querem pagar. Os consumidores
    vão oferecer vários preços por um produto, dependendo
    de condições específicas. Compradores e vendedores
    trocam mais informações e o preço se torna fluido. Os mercados,
    e não as empresas, decidem sobre os preços de produtos
    e serviços.
    (...)
    A empresa moderna compete em dois mundos: um físico
    (a praça, ou marketplace) e um mundo digital de informação
    (o espaço mercadológico, ou marketspace). As empresas não
    devem preocupar-se com a criação de um web site vistoso,
    mas sim de uma grande comunidade online e com o capital
    de relacionamento. Corações, e não olhos, são o que conta.
    Dentro de uma década, a maioria dos produtos será vendida
    no espaço mercadológico. Uma nova fronteira de comércio é a
    marketface — a interface entre o marketplace e o marketspace.
    (...)
    Publicidade, promoção, relações públicas etc. exploram
    “mensagens” unidirecionais, de um-para-muitos e de tamanho
    único, dirigidas a consumidores sem rosto e sem poder.
    As comunidades online perturbam drasticamente esse modelo.
    Os consumidores com frequência têm acesso a informações
    sobre os produtos, e o poder passa para o lado deles. São eles
    que controlam as regras do mercado, não você. Eles escolhem
    o meio e a mensagem. Em vez de receber mensagens enviadas
    por profissionais de relações públicas, eles criam a “opinião
    pública” online.
       Os marqueteiros estão perdendo o controle, e isso é muito bom.
    (Don Tapscott. O fim do marketing. INFO, São Paulo,Editora Abril, janeiro 2011, p. 22.)

    Publicidade, promoção, relações públicas etc. exploram “mensagens" unidirecionais, de um-para-muitos e de tamanho único, dirigidas a consumidores sem rosto e sem poder.

    Nesta passagem do quinto parágrafo, ao empregar a expressão consumidores sem rosto e sem poder, o autor sugere que:
    Escolha uma alternativa para a questão e79fb738-94
  • E78F9654-94

    Português

    Coesão e coerência
    UNESP · 2011MédioEntre para guardar nos favoritos
    Uma campanha alegre, IX
    Há muitos anos que a política em Portugal apresenta este
    singular estado:
    Doze ou quinze homens, sempre os mesmos, alternadamente
    possuem o Poder, perdem o Poder, reconquistam o Poder,
    trocam o Poder... O Poder não sai duns certos grupos,
    como uma pela* que quatro crianças, aos quatro cantos de
    uma sala, atiram umas às outras, pelo ar, num rumor de risos.
    Quando quatro ou cinco daqueles homens estão no Poder,
    esses homens são, segundo a opinião, e os dizeres de todos os
    outros que lá não estão — os corruptos, os esbanjadores da
    Fazenda, a ruína do País!
    Os outros, os que não estão no Poder, são, segundo a sua
    própria opinião e os seus jornais — os verdadeiros liberais, os
    salvadores da causa pública, os amigos do povo, e os interesses
    do País.
    Mas, coisa notável! — os cinco que estão no Poder fazem
    tudo o que podem para continuar a ser os esbanjadores da
    Fazenda e a ruína do País, durante o maior tempo possível! E
    os que não estão no Poder movem-se, conspiram, cansam-se,
    para deixar de ser o mais depressa que puderem — os verdadeiros
    liberais, e os interesses do País!
    Até que enfim caem os cinco do Poder, e os outros, os
    verdadeiros liberais, entram triunfantemente na designação
    herdada de esbanjadores da Fazenda e ruína do País; em tanto
    que os que caíram do Poder se resignam, cheios de fel e de tédio
    — a vir a ser os verdadeiros liberais e os interesses do País.
    Ora como todos os ministros são tirados deste grupo de
    doze ou quinze indivíduos, não há nenhum deles que não tenha
    sido por seu turno esbanjador da Fazenda e ruína do País...
    Não há nenhum que não tenha sido demitido, ou obrigado
    a pedir a demissão, pelas acusações mais graves e pelas votações
    mais hostis...
    Não há nenhum que não tenha sido julgado incapaz de
    dirigir as coisas públicas — pela Imprensa, pela palavra dos
    oradores, pelas incriminações da opinião, pela afirmativa
    constitucional do poder moderador...
    E todavia serão estes doze ou quinze indivíduos os que
    continuarão dirigindo o País, neste caminho em que ele vai,
    feliz, abundante, rico, forte, coroado de rosas, e num chouto**
    tão triunfante!
    (*) Pela: bola.
    (**) Chouto: trote miúdo.
                        (Eça de Queirós. Obras. Porto: Lello & Irmão-Editores, [s.d.].)
    Não há nenhum que não tenha sido demitido, ou obrigado a pedir a demissão, pelas acusações mais graves e pelas votações mais hostis...

    Com esta frase, o cronista afirma que
    Escolha uma alternativa para a questão e78f9654-94