Questões do ENEM: Linguagens e Interpretação de Textos

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9.017 questões encontradas. Mostrando a página 40 de 451.

  • D2044FF6-C4

    Português

    Interpretação de Textos
    Universidade Estadual do Maranhão · 2023FácilEntre para guardar nos favoritos
    Os casos de feminicídio, no século XXI, têm sido constantemente anunciados na mídia. Embora possa parecer “algo novo”, já se afirmava a violência à mulher em séculos anteriores. Leia os textos sobre o tema. O primeiro descreve as formas de opressão sofridas pelas mulheres; o segundo define o conceito de feminicídio no mundo contemporâneo.


    TEXTO I

    NAS MÃOS DE UM HOMEM, A LÓGICA É MUITAS VEZES VIOLÊNCIA

    0 casamento incita o homem a um imperialismo caprichoso: a tentação de dominar é a mais universal, a mais irresistível que existe; muitas vezes não basta ao esposo ser aprovado, admirado, aconselhar, guiar: ele ordena, representa o papel de soberano. Todos os rancores acumulados em sua infância, durante sua vida, acumulados quotidianamente entre os outros homens cuja existência o freia e fere, ele descarrega em casa, acenando para a mulher com sua autoridade; mima a violência, a força, a intransigência: dá ordens com voz severa, ou grita, bate na mesa; essa comédia é para a mulher uma realidade quotidiana. Ele se acha tão convencido de seus direitos que a menor autonomia conservada pela mulher lhe parece uma rebeldia; gostaria de impedi-la de respirar sem ele.

    BEAUVOIR, Simone. Segundo Sexo. São Paulo, Nova Fonteira: 2020.


    TEXTO II

    O CONCEITO DE FEMINICÍDIO

    “Trata-se de um crime de ódio. O conceito surgiu na década de 1970 com o fim de reconhecer e dar visibilidade à discriminação, opressão, desigualdade e violência sistemática contra as mulheres, que, em sua forma mais aguda, culmina na morte. Essa forma de assassinato não constitui um evento isolado e nem repentino ou inesperado; ao contrário, faz parte de um processo contínuo de violências, cujas raízes misóginas caracterizam o uso de violência extrema. Inclui uma vasta gama de abusos, desde verbais, físicos e sexuais, como o estupro, e diversas formas de mutilação e de barbárie.”

    Eleonora Menicucci

    https://dossies.agenciapatriciagalvao.org.br/feminicidio/capitulos/o-que-e-feminicidio/#o-que-e-feminicidio.
     

    Da leitura dos dois textos, pode-se afirmar que Beauvoir já identificava, nos anos 40 do século XX, que a violência contra a mulher sempre foi
    Escolha uma alternativa para a questão d2044ff6-c4
  • D1FA224B-C4

    Português

    Interpretação de Textos
    Universidade Estadual do Maranhão · 2023MédioEntre para guardar nos favoritos
    Texto I
     
    [...] A abertura da Perimetral Norte, BR-2010, sem os necessários cuidados de saúde, levou àquela região gripe, sarampo, tuberculose, moléstias de peles e doenças venéreas. [...] O garimpo irrompeu como outra modalidade de doença, subtraindo dos Yanomami mais de 150 toneladas de cassiterita. Os índios reagiram, houve conflitos e as autoridades fizeram recuar os garimpeiros, interrompendo-se as obras da Perimetral Norte. De tudo isso resultou o saldo da morte de vários indígenas.

    Carlos Drummond de Andrade (1979)
    Texto II

    Imagem da questão de Português, Universidade Estadual do Maranhão 2023, Interpretação de Textos
       

    Os dois textos podem ser unidos pela crítica à situação em que se encontra o povo Yanomami em distintos períodos. Pode-se inferir da leitura comparativa dos textos que
    Escolha uma alternativa para a questão d1fa224b-c4
  • D1D78BD1-C4

    Português

    Interpretação de Textos
    Universidade Estadual do Maranhão · 2023DifícilEntre para guardar nos favoritos

    Imagem da questão de Português, Universidade Estadual do Maranhão 2023, Interpretação de Textos

    Há relação semântica adequada nas ideias expressas entre os seguintes trechos:
    Escolha uma alternativa para a questão d1d78bd1-c4
  • D1D511FA-C4

    Português

    Interpretação de Textos
    Universidade Estadual do Maranhão · 2023Muito difícilEntre para guardar nos favoritos

    Imagem da questão de Português, Universidade Estadual do Maranhão 2023, Interpretação de Textos

    Entre as diferentes estratégias de argumentação utilizadas na construção do artigo de opinião, destaca-se, de forma proeminente, a
    Escolha uma alternativa para a questão d1d511fa-c4
  • D1D27D2D-C4

    Português

    Interpretação de Textos
    Universidade Estadual do Maranhão · 2023DifícilEntre para guardar nos favoritos

    Imagem da questão de Português, Universidade Estadual do Maranhão 2023, Interpretação de Textos

    A tese defendida pela articulista pode ser atestada na seguinte premissa:
    Escolha uma alternativa para a questão d1d27d2d-c4
  • D1CADCA3-C4

    Português

    Interpretação de Textos
    Universidade Estadual do Maranhão · 2023DifícilEntre para guardar nos favoritos

    Imagem da questão de Português, Universidade Estadual do Maranhão 2023, Interpretação de Textos

    Sobre a charge da venezuelana Suprani, analise as seguintes assertivas e julgue aquelas que são verdadeiras.


    I) A expressão fisionômica da noiva, imagem à direita, é de surpresa em relação à imagem refletida no espelho, à esquerda.

    II) A imagem da noiva e seu reflexo descrevem, de forma precisa, as relações humanas em tempos globalizados.

    III) A charge apresenta uma crítica social contundente ao papel da mulher na sociedade.

    IV) A imagem, ao fazer uma crítica social, celebra as posições invertidas da mulher na sociedade.

    V) A charge desnuda, de forma crítica, o sonho do casamento e a realidade de estar casada.


    Estão corretas, apenas, as seguintes assertivas:
    Escolha uma alternativa para a questão d1cadca3-c4
  • D1C86795-C4

    Português

    Interpretação de Textos
    Universidade Estadual do Maranhão · 2023MédioEntre para guardar nos favoritos
    Conceição Evaristo nasceu numa favela da zona sul de Belo Horizonte. Trabalhava como empregada doméstica, até concluir o Curso Normal, já então com 25 anos. Mudou-se para o Rio de Janeiro, tendo estudado Letras em uma universidade pública, a UFRJ. Suas obras abordam temas como discriminação racial, de gênero e de classe. A pobreza e a vulnerabilidade da população afro-brasileira, envolvendo mulheres e homens, é a tônica da autora em Olhos D’Água.

    O conto Maria serve de base para responder à questão.


    MARIA

        Maria estava parada há mais de meia hora no ponto do ônibus. Estava cansada de esperar. Se a distância fosse menor, teria ido a pé. Era preciso mesmo ir se acostumando com a caminhada. O preço da passagem estava aumentando tanto! Além do cansaço, a sacola estava pesada. No dia anterior, no domingo, havia tido festa na casa da patroa. Ela levava para casa os restos.
    [...]
     
        Quando o ônibus apontou lá na esquina, Maria abaixou o corpo, pegando a sacola que estava no chão entre as suas pernas. O ônibus não estava cheio, havia lugares. Ela poderia descansar um pouco, cochilar até a hora da descida. Ao entrar, um homem levantou lá de trás, do último banco, fazendo um sinal para o trocador. Passou em silêncio, pagando a passagem dele e de Maria. Ela reconheceu o homem. Quanto tempo, que saudades! Como era difícil continuar a vida sem ele. Maria sentou-se na frente. O homem sentou-se a seu lado. Ela se lembrou do passado. Do homem deitado com ela. Da vida dos dois no barraco. Dos primeiros enjoos. Da barriga enorme que todos diziam de gêmeos, e da alegria dele. Que bom! Nasceu! Era um menino! E haveria de se tornar um homem. Maria viu, sem olhar, que era o pai de seu filho. Ele continuava o mesmo. Bonito, grande, o olhar assustado não se fixando em nada e em ninguém. Sentiu uma mágoa imensa. Por que não podia ser de uma outra forma? Por que não podiam ser felizes? E o menino, Maria? Como vai o menino? cochichou o homem. Sabe que sinto falta de vocês? Tenho um buraco no peito, tamanha a saudade! Tou sozinho! Não arrumei, não quis mais ninguém. Você já teve outros... outros filhos? A mulher baixou os olhos como que pedindo perdão. É. Ela teve mais dois filhos, mas não tinha ninguém também.
    [...]

        O homem falava, mas continuava estático, preso, fixo no banco. Cochichava com Maria as palavras, sem, entretanto, virar para o lado dela. Ela sabia o que o homem dizia. Ele estava dizendo de dor, de prazer, de alegria, de filho, de vida, de morte, de despedida. Do buraco-saudade no peito dele... Desta vez ele cochichou um pouquinho mais alto. Ela, ainda sem ouvir direito, adivinhou a fala dele: um abraço, um beijo, um carinho no filho. E, logo após, levantou rápido sacando a arma. Outro lá atrás gritou que era um assalto. Maria estava com muito medo. Não dos assaltantes. Não da morte. Sim da vida. Tinha três filhos. O mais velho, com onze anos, era filho daquele homem que estava ali na frente com uma arma na mão. O de lá de trás vinha recolhendo tudo. O motorista seguia a viagem. Havia o silêncio de todos no ônibus. Apenas a voz do outro se ouvia pedindo aos passageiros que entregassem tudo rapidamente. O medo da vida em Maria ia aumentando. Meu Deus, como seria a vida dos seus filhos?
    [...]

        Os assaltantes desceram rápido. (...). Ela não conhecia assaltante algum. Conhecia o pai de seu primeiro filho. Conhecia o homem que tinha sido dela e que ela ainda amava tanto. Ouviu uma voz: Negra safada, vai ver que estava de coleio com os dois. Outra voz vinda lá do fundo do ônibus acrescentou: Calma, gente! Se ela estivesse junto com eles, teria descido também. Alguém argumentou que ela não tinha descido só para disfarçar. Estava mesmo com os ladrões. Foi a única a não ser assaltada. Mentira, eu não fui e não sei por quê. Maria olhou na direção de onde vinha a voz e viu um rapazinho negro e magro, com feições de menino e que relembravam vagamente o seu filho. A primeira voz, a que acordou a coragem de todos, tornou-se um grito: Aquela puta, aquela negra safada estava com os ladrões! O dono da voz levantou e se encaminhou em direção à Maria. A mulher teve medo e raiva. Que merda! Não conhecia assaltante algum. Não devia satisfação a ninguém. Olha só, a negra ainda é atrevida, disse o homem, lascando um tapa no rosto da mulher. Alguém gritou: Lincha! Lincha! Lincha!... Uns passageiros desceram e outros voaram em direção à Maria. O motorista tinha parado o ônibus para defender a passageira:

    — Calma pessoal! Que loucura é esta? Eu conheço esta mulher de vista. Todos os dias, mais ou menos neste horário, ela toma o ônibus comigo. Está vindo do trabalho, da luta para sustentar os filhos...

        Lincha! Lincha! Lincha! Maria punha sangue pela boca, pelo nariz e pelos ouvidos. A sacola havia arrebentado e as frutas rolavam pelo chão. Será que os meninos iriam gostar de melão?

        Tudo foi tão rápido, tão breve, Maria tinha saudades de seu ex-homem. Por que estavam fazendo isto com ela? O homem havia segredado um abraço, um beijo, um carinho no filho. Ela precisava chegar em casa para transmitir o recado. Estavam todos armados com facas a laser que cortam até a vida. Quando o ônibus esvaziou, quando chegou a polícia, o corpo da mulher estava todo dilacerado, todo pisoteado.

    Maria queria tanto dizer ao filho que o pai havia mandado um abraço, um beijo, um carinho.


    EVARISTO, Conceição. Olhos D’Água. Rio de Janeiro: Pallas: Fundação Biblioteca Nacional, 2016.
    A linguagem tem funções que levam em consideração a intencionalidade do emissor, o que pode ser exemplificado na cena final do conto que, apesar de retratar uma situação que se poderia tornar manchete de jornal, portanto referencial, leva o leitor a observar
    Escolha uma alternativa para a questão d1c86795-c4
  • D1C5DC68-C4

    Português

    Interpretação de Textos
    Universidade Estadual do Maranhão · 2023MédioEntre para guardar nos favoritos
    Conceição Evaristo nasceu numa favela da zona sul de Belo Horizonte. Trabalhava como empregada doméstica, até concluir o Curso Normal, já então com 25 anos. Mudou-se para o Rio de Janeiro, tendo estudado Letras em uma universidade pública, a UFRJ. Suas obras abordam temas como discriminação racial, de gênero e de classe. A pobreza e a vulnerabilidade da população afro-brasileira, envolvendo mulheres e homens, é a tônica da autora em Olhos D’Água.

    O conto Maria serve de base para responder à questão.


    MARIA

        Maria estava parada há mais de meia hora no ponto do ônibus. Estava cansada de esperar. Se a distância fosse menor, teria ido a pé. Era preciso mesmo ir se acostumando com a caminhada. O preço da passagem estava aumentando tanto! Além do cansaço, a sacola estava pesada. No dia anterior, no domingo, havia tido festa na casa da patroa. Ela levava para casa os restos.
    [...]
     
        Quando o ônibus apontou lá na esquina, Maria abaixou o corpo, pegando a sacola que estava no chão entre as suas pernas. O ônibus não estava cheio, havia lugares. Ela poderia descansar um pouco, cochilar até a hora da descida. Ao entrar, um homem levantou lá de trás, do último banco, fazendo um sinal para o trocador. Passou em silêncio, pagando a passagem dele e de Maria. Ela reconheceu o homem. Quanto tempo, que saudades! Como era difícil continuar a vida sem ele. Maria sentou-se na frente. O homem sentou-se a seu lado. Ela se lembrou do passado. Do homem deitado com ela. Da vida dos dois no barraco. Dos primeiros enjoos. Da barriga enorme que todos diziam de gêmeos, e da alegria dele. Que bom! Nasceu! Era um menino! E haveria de se tornar um homem. Maria viu, sem olhar, que era o pai de seu filho. Ele continuava o mesmo. Bonito, grande, o olhar assustado não se fixando em nada e em ninguém. Sentiu uma mágoa imensa. Por que não podia ser de uma outra forma? Por que não podiam ser felizes? E o menino, Maria? Como vai o menino? cochichou o homem. Sabe que sinto falta de vocês? Tenho um buraco no peito, tamanha a saudade! Tou sozinho! Não arrumei, não quis mais ninguém. Você já teve outros... outros filhos? A mulher baixou os olhos como que pedindo perdão. É. Ela teve mais dois filhos, mas não tinha ninguém também.
    [...]

        O homem falava, mas continuava estático, preso, fixo no banco. Cochichava com Maria as palavras, sem, entretanto, virar para o lado dela. Ela sabia o que o homem dizia. Ele estava dizendo de dor, de prazer, de alegria, de filho, de vida, de morte, de despedida. Do buraco-saudade no peito dele... Desta vez ele cochichou um pouquinho mais alto. Ela, ainda sem ouvir direito, adivinhou a fala dele: um abraço, um beijo, um carinho no filho. E, logo após, levantou rápido sacando a arma. Outro lá atrás gritou que era um assalto. Maria estava com muito medo. Não dos assaltantes. Não da morte. Sim da vida. Tinha três filhos. O mais velho, com onze anos, era filho daquele homem que estava ali na frente com uma arma na mão. O de lá de trás vinha recolhendo tudo. O motorista seguia a viagem. Havia o silêncio de todos no ônibus. Apenas a voz do outro se ouvia pedindo aos passageiros que entregassem tudo rapidamente. O medo da vida em Maria ia aumentando. Meu Deus, como seria a vida dos seus filhos?
    [...]

        Os assaltantes desceram rápido. (...). Ela não conhecia assaltante algum. Conhecia o pai de seu primeiro filho. Conhecia o homem que tinha sido dela e que ela ainda amava tanto. Ouviu uma voz: Negra safada, vai ver que estava de coleio com os dois. Outra voz vinda lá do fundo do ônibus acrescentou: Calma, gente! Se ela estivesse junto com eles, teria descido também. Alguém argumentou que ela não tinha descido só para disfarçar. Estava mesmo com os ladrões. Foi a única a não ser assaltada. Mentira, eu não fui e não sei por quê. Maria olhou na direção de onde vinha a voz e viu um rapazinho negro e magro, com feições de menino e que relembravam vagamente o seu filho. A primeira voz, a que acordou a coragem de todos, tornou-se um grito: Aquela puta, aquela negra safada estava com os ladrões! O dono da voz levantou e se encaminhou em direção à Maria. A mulher teve medo e raiva. Que merda! Não conhecia assaltante algum. Não devia satisfação a ninguém. Olha só, a negra ainda é atrevida, disse o homem, lascando um tapa no rosto da mulher. Alguém gritou: Lincha! Lincha! Lincha!... Uns passageiros desceram e outros voaram em direção à Maria. O motorista tinha parado o ônibus para defender a passageira:

    — Calma pessoal! Que loucura é esta? Eu conheço esta mulher de vista. Todos os dias, mais ou menos neste horário, ela toma o ônibus comigo. Está vindo do trabalho, da luta para sustentar os filhos...

        Lincha! Lincha! Lincha! Maria punha sangue pela boca, pelo nariz e pelos ouvidos. A sacola havia arrebentado e as frutas rolavam pelo chão. Será que os meninos iriam gostar de melão?

        Tudo foi tão rápido, tão breve, Maria tinha saudades de seu ex-homem. Por que estavam fazendo isto com ela? O homem havia segredado um abraço, um beijo, um carinho no filho. Ela precisava chegar em casa para transmitir o recado. Estavam todos armados com facas a laser que cortam até a vida. Quando o ônibus esvaziou, quando chegou a polícia, o corpo da mulher estava todo dilacerado, todo pisoteado.

    Maria queria tanto dizer ao filho que o pai havia mandado um abraço, um beijo, um carinho.


    EVARISTO, Conceição. Olhos D’Água. Rio de Janeiro: Pallas: Fundação Biblioteca Nacional, 2016.
    As palavras denotativas, modernamente, são consideradas marcadores discursivos, que contribuem para a coesão, a ligação entre as partes do texto.

    No trecho “Olha só, a negra ainda é atrevida, disse o homem, lascando um tapa no rosto da mulher.”, a função semântica do termo sublinhado é
    Escolha uma alternativa para a questão d1c5dc68-c4
  • D1C35E53-C4

    Português

    Interpretação de Textos
    Universidade Estadual do Maranhão · 2023FácilEntre para guardar nos favoritos
    Conceição Evaristo nasceu numa favela da zona sul de Belo Horizonte. Trabalhava como empregada doméstica, até concluir o Curso Normal, já então com 25 anos. Mudou-se para o Rio de Janeiro, tendo estudado Letras em uma universidade pública, a UFRJ. Suas obras abordam temas como discriminação racial, de gênero e de classe. A pobreza e a vulnerabilidade da população afro-brasileira, envolvendo mulheres e homens, é a tônica da autora em Olhos D’Água.

    O conto Maria serve de base para responder à questão.


    MARIA

        Maria estava parada há mais de meia hora no ponto do ônibus. Estava cansada de esperar. Se a distância fosse menor, teria ido a pé. Era preciso mesmo ir se acostumando com a caminhada. O preço da passagem estava aumentando tanto! Além do cansaço, a sacola estava pesada. No dia anterior, no domingo, havia tido festa na casa da patroa. Ela levava para casa os restos.
    [...]
     
        Quando o ônibus apontou lá na esquina, Maria abaixou o corpo, pegando a sacola que estava no chão entre as suas pernas. O ônibus não estava cheio, havia lugares. Ela poderia descansar um pouco, cochilar até a hora da descida. Ao entrar, um homem levantou lá de trás, do último banco, fazendo um sinal para o trocador. Passou em silêncio, pagando a passagem dele e de Maria. Ela reconheceu o homem. Quanto tempo, que saudades! Como era difícil continuar a vida sem ele. Maria sentou-se na frente. O homem sentou-se a seu lado. Ela se lembrou do passado. Do homem deitado com ela. Da vida dos dois no barraco. Dos primeiros enjoos. Da barriga enorme que todos diziam de gêmeos, e da alegria dele. Que bom! Nasceu! Era um menino! E haveria de se tornar um homem. Maria viu, sem olhar, que era o pai de seu filho. Ele continuava o mesmo. Bonito, grande, o olhar assustado não se fixando em nada e em ninguém. Sentiu uma mágoa imensa. Por que não podia ser de uma outra forma? Por que não podiam ser felizes? E o menino, Maria? Como vai o menino? cochichou o homem. Sabe que sinto falta de vocês? Tenho um buraco no peito, tamanha a saudade! Tou sozinho! Não arrumei, não quis mais ninguém. Você já teve outros... outros filhos? A mulher baixou os olhos como que pedindo perdão. É. Ela teve mais dois filhos, mas não tinha ninguém também.
    [...]

        O homem falava, mas continuava estático, preso, fixo no banco. Cochichava com Maria as palavras, sem, entretanto, virar para o lado dela. Ela sabia o que o homem dizia. Ele estava dizendo de dor, de prazer, de alegria, de filho, de vida, de morte, de despedida. Do buraco-saudade no peito dele... Desta vez ele cochichou um pouquinho mais alto. Ela, ainda sem ouvir direito, adivinhou a fala dele: um abraço, um beijo, um carinho no filho. E, logo após, levantou rápido sacando a arma. Outro lá atrás gritou que era um assalto. Maria estava com muito medo. Não dos assaltantes. Não da morte. Sim da vida. Tinha três filhos. O mais velho, com onze anos, era filho daquele homem que estava ali na frente com uma arma na mão. O de lá de trás vinha recolhendo tudo. O motorista seguia a viagem. Havia o silêncio de todos no ônibus. Apenas a voz do outro se ouvia pedindo aos passageiros que entregassem tudo rapidamente. O medo da vida em Maria ia aumentando. Meu Deus, como seria a vida dos seus filhos?
    [...]

        Os assaltantes desceram rápido. (...). Ela não conhecia assaltante algum. Conhecia o pai de seu primeiro filho. Conhecia o homem que tinha sido dela e que ela ainda amava tanto. Ouviu uma voz: Negra safada, vai ver que estava de coleio com os dois. Outra voz vinda lá do fundo do ônibus acrescentou: Calma, gente! Se ela estivesse junto com eles, teria descido também. Alguém argumentou que ela não tinha descido só para disfarçar. Estava mesmo com os ladrões. Foi a única a não ser assaltada. Mentira, eu não fui e não sei por quê. Maria olhou na direção de onde vinha a voz e viu um rapazinho negro e magro, com feições de menino e que relembravam vagamente o seu filho. A primeira voz, a que acordou a coragem de todos, tornou-se um grito: Aquela puta, aquela negra safada estava com os ladrões! O dono da voz levantou e se encaminhou em direção à Maria. A mulher teve medo e raiva. Que merda! Não conhecia assaltante algum. Não devia satisfação a ninguém. Olha só, a negra ainda é atrevida, disse o homem, lascando um tapa no rosto da mulher. Alguém gritou: Lincha! Lincha! Lincha!... Uns passageiros desceram e outros voaram em direção à Maria. O motorista tinha parado o ônibus para defender a passageira:

    — Calma pessoal! Que loucura é esta? Eu conheço esta mulher de vista. Todos os dias, mais ou menos neste horário, ela toma o ônibus comigo. Está vindo do trabalho, da luta para sustentar os filhos...

        Lincha! Lincha! Lincha! Maria punha sangue pela boca, pelo nariz e pelos ouvidos. A sacola havia arrebentado e as frutas rolavam pelo chão. Será que os meninos iriam gostar de melão?

        Tudo foi tão rápido, tão breve, Maria tinha saudades de seu ex-homem. Por que estavam fazendo isto com ela? O homem havia segredado um abraço, um beijo, um carinho no filho. Ela precisava chegar em casa para transmitir o recado. Estavam todos armados com facas a laser que cortam até a vida. Quando o ônibus esvaziou, quando chegou a polícia, o corpo da mulher estava todo dilacerado, todo pisoteado.

    Maria queria tanto dizer ao filho que o pai havia mandado um abraço, um beijo, um carinho.


    EVARISTO, Conceição. Olhos D’Água. Rio de Janeiro: Pallas: Fundação Biblioteca Nacional, 2016.
    Em “Ouviu uma voz: negra safada, vai ver que estava de coleio com os dois.” e “Olha só, a negra ainda é atrevida, disse o homem, lascando um tapa no rosto da mulher. Alguém gritou: Lincha! Lincha! Lincha!...” , a seleção vocabular dos fragmentos revela, com veemência, por parte dos demais personagens da cena narrada, uma atitude (de)
    Escolha uma alternativa para a questão d1c35e53-c4
  • D1C0E2A7-C4

    Português

    Interpretação de Textos
    Universidade Estadual do Maranhão · 2023FácilEntre para guardar nos favoritos
    Conceição Evaristo nasceu numa favela da zona sul de Belo Horizonte. Trabalhava como empregada doméstica, até concluir o Curso Normal, já então com 25 anos. Mudou-se para o Rio de Janeiro, tendo estudado Letras em uma universidade pública, a UFRJ. Suas obras abordam temas como discriminação racial, de gênero e de classe. A pobreza e a vulnerabilidade da população afro-brasileira, envolvendo mulheres e homens, é a tônica da autora em Olhos D’Água.

    O conto Maria serve de base para responder à questão.


    MARIA

        Maria estava parada há mais de meia hora no ponto do ônibus. Estava cansada de esperar. Se a distância fosse menor, teria ido a pé. Era preciso mesmo ir se acostumando com a caminhada. O preço da passagem estava aumentando tanto! Além do cansaço, a sacola estava pesada. No dia anterior, no domingo, havia tido festa na casa da patroa. Ela levava para casa os restos.
    [...]
     
        Quando o ônibus apontou lá na esquina, Maria abaixou o corpo, pegando a sacola que estava no chão entre as suas pernas. O ônibus não estava cheio, havia lugares. Ela poderia descansar um pouco, cochilar até a hora da descida. Ao entrar, um homem levantou lá de trás, do último banco, fazendo um sinal para o trocador. Passou em silêncio, pagando a passagem dele e de Maria. Ela reconheceu o homem. Quanto tempo, que saudades! Como era difícil continuar a vida sem ele. Maria sentou-se na frente. O homem sentou-se a seu lado. Ela se lembrou do passado. Do homem deitado com ela. Da vida dos dois no barraco. Dos primeiros enjoos. Da barriga enorme que todos diziam de gêmeos, e da alegria dele. Que bom! Nasceu! Era um menino! E haveria de se tornar um homem. Maria viu, sem olhar, que era o pai de seu filho. Ele continuava o mesmo. Bonito, grande, o olhar assustado não se fixando em nada e em ninguém. Sentiu uma mágoa imensa. Por que não podia ser de uma outra forma? Por que não podiam ser felizes? E o menino, Maria? Como vai o menino? cochichou o homem. Sabe que sinto falta de vocês? Tenho um buraco no peito, tamanha a saudade! Tou sozinho! Não arrumei, não quis mais ninguém. Você já teve outros... outros filhos? A mulher baixou os olhos como que pedindo perdão. É. Ela teve mais dois filhos, mas não tinha ninguém também.
    [...]

        O homem falava, mas continuava estático, preso, fixo no banco. Cochichava com Maria as palavras, sem, entretanto, virar para o lado dela. Ela sabia o que o homem dizia. Ele estava dizendo de dor, de prazer, de alegria, de filho, de vida, de morte, de despedida. Do buraco-saudade no peito dele... Desta vez ele cochichou um pouquinho mais alto. Ela, ainda sem ouvir direito, adivinhou a fala dele: um abraço, um beijo, um carinho no filho. E, logo após, levantou rápido sacando a arma. Outro lá atrás gritou que era um assalto. Maria estava com muito medo. Não dos assaltantes. Não da morte. Sim da vida. Tinha três filhos. O mais velho, com onze anos, era filho daquele homem que estava ali na frente com uma arma na mão. O de lá de trás vinha recolhendo tudo. O motorista seguia a viagem. Havia o silêncio de todos no ônibus. Apenas a voz do outro se ouvia pedindo aos passageiros que entregassem tudo rapidamente. O medo da vida em Maria ia aumentando. Meu Deus, como seria a vida dos seus filhos?
    [...]

        Os assaltantes desceram rápido. (...). Ela não conhecia assaltante algum. Conhecia o pai de seu primeiro filho. Conhecia o homem que tinha sido dela e que ela ainda amava tanto. Ouviu uma voz: Negra safada, vai ver que estava de coleio com os dois. Outra voz vinda lá do fundo do ônibus acrescentou: Calma, gente! Se ela estivesse junto com eles, teria descido também. Alguém argumentou que ela não tinha descido só para disfarçar. Estava mesmo com os ladrões. Foi a única a não ser assaltada. Mentira, eu não fui e não sei por quê. Maria olhou na direção de onde vinha a voz e viu um rapazinho negro e magro, com feições de menino e que relembravam vagamente o seu filho. A primeira voz, a que acordou a coragem de todos, tornou-se um grito: Aquela puta, aquela negra safada estava com os ladrões! O dono da voz levantou e se encaminhou em direção à Maria. A mulher teve medo e raiva. Que merda! Não conhecia assaltante algum. Não devia satisfação a ninguém. Olha só, a negra ainda é atrevida, disse o homem, lascando um tapa no rosto da mulher. Alguém gritou: Lincha! Lincha! Lincha!... Uns passageiros desceram e outros voaram em direção à Maria. O motorista tinha parado o ônibus para defender a passageira:

    — Calma pessoal! Que loucura é esta? Eu conheço esta mulher de vista. Todos os dias, mais ou menos neste horário, ela toma o ônibus comigo. Está vindo do trabalho, da luta para sustentar os filhos...

        Lincha! Lincha! Lincha! Maria punha sangue pela boca, pelo nariz e pelos ouvidos. A sacola havia arrebentado e as frutas rolavam pelo chão. Será que os meninos iriam gostar de melão?

        Tudo foi tão rápido, tão breve, Maria tinha saudades de seu ex-homem. Por que estavam fazendo isto com ela? O homem havia segredado um abraço, um beijo, um carinho no filho. Ela precisava chegar em casa para transmitir o recado. Estavam todos armados com facas a laser que cortam até a vida. Quando o ônibus esvaziou, quando chegou a polícia, o corpo da mulher estava todo dilacerado, todo pisoteado.

    Maria queria tanto dizer ao filho que o pai havia mandado um abraço, um beijo, um carinho.


    EVARISTO, Conceição. Olhos D’Água. Rio de Janeiro: Pallas: Fundação Biblioteca Nacional, 2016.
    “Maria viu, sem olhar, que era o pai de seu filho. Ele continuava o mesmo. Bonito, grande, o olhar assustado não se fixando em nada e em ninguém. Por que não podia ser de outra forma? Por que não podiam ser felizes?”

    Essa passagem inicia uma sequência que caracteriza a
    Escolha uma alternativa para a questão d1c0e2a7-c4
  • D1BE552F-C4

    Português

    Interpretação de Textos
    Universidade Estadual do Maranhão · 2023FácilEntre para guardar nos favoritos
    Conceição Evaristo nasceu numa favela da zona sul de Belo Horizonte. Trabalhava como empregada doméstica, até concluir o Curso Normal, já então com 25 anos. Mudou-se para o Rio de Janeiro, tendo estudado Letras em uma universidade pública, a UFRJ. Suas obras abordam temas como discriminação racial, de gênero e de classe. A pobreza e a vulnerabilidade da população afro-brasileira, envolvendo mulheres e homens, é a tônica da autora em Olhos D’Água.

    O conto Maria serve de base para responder à questão.


    MARIA

        Maria estava parada há mais de meia hora no ponto do ônibus. Estava cansada de esperar. Se a distância fosse menor, teria ido a pé. Era preciso mesmo ir se acostumando com a caminhada. O preço da passagem estava aumentando tanto! Além do cansaço, a sacola estava pesada. No dia anterior, no domingo, havia tido festa na casa da patroa. Ela levava para casa os restos.
    [...]
     
        Quando o ônibus apontou lá na esquina, Maria abaixou o corpo, pegando a sacola que estava no chão entre as suas pernas. O ônibus não estava cheio, havia lugares. Ela poderia descansar um pouco, cochilar até a hora da descida. Ao entrar, um homem levantou lá de trás, do último banco, fazendo um sinal para o trocador. Passou em silêncio, pagando a passagem dele e de Maria. Ela reconheceu o homem. Quanto tempo, que saudades! Como era difícil continuar a vida sem ele. Maria sentou-se na frente. O homem sentou-se a seu lado. Ela se lembrou do passado. Do homem deitado com ela. Da vida dos dois no barraco. Dos primeiros enjoos. Da barriga enorme que todos diziam de gêmeos, e da alegria dele. Que bom! Nasceu! Era um menino! E haveria de se tornar um homem. Maria viu, sem olhar, que era o pai de seu filho. Ele continuava o mesmo. Bonito, grande, o olhar assustado não se fixando em nada e em ninguém. Sentiu uma mágoa imensa. Por que não podia ser de uma outra forma? Por que não podiam ser felizes? E o menino, Maria? Como vai o menino? cochichou o homem. Sabe que sinto falta de vocês? Tenho um buraco no peito, tamanha a saudade! Tou sozinho! Não arrumei, não quis mais ninguém. Você já teve outros... outros filhos? A mulher baixou os olhos como que pedindo perdão. É. Ela teve mais dois filhos, mas não tinha ninguém também.
    [...]

        O homem falava, mas continuava estático, preso, fixo no banco. Cochichava com Maria as palavras, sem, entretanto, virar para o lado dela. Ela sabia o que o homem dizia. Ele estava dizendo de dor, de prazer, de alegria, de filho, de vida, de morte, de despedida. Do buraco-saudade no peito dele... Desta vez ele cochichou um pouquinho mais alto. Ela, ainda sem ouvir direito, adivinhou a fala dele: um abraço, um beijo, um carinho no filho. E, logo após, levantou rápido sacando a arma. Outro lá atrás gritou que era um assalto. Maria estava com muito medo. Não dos assaltantes. Não da morte. Sim da vida. Tinha três filhos. O mais velho, com onze anos, era filho daquele homem que estava ali na frente com uma arma na mão. O de lá de trás vinha recolhendo tudo. O motorista seguia a viagem. Havia o silêncio de todos no ônibus. Apenas a voz do outro se ouvia pedindo aos passageiros que entregassem tudo rapidamente. O medo da vida em Maria ia aumentando. Meu Deus, como seria a vida dos seus filhos?
    [...]

        Os assaltantes desceram rápido. (...). Ela não conhecia assaltante algum. Conhecia o pai de seu primeiro filho. Conhecia o homem que tinha sido dela e que ela ainda amava tanto. Ouviu uma voz: Negra safada, vai ver que estava de coleio com os dois. Outra voz vinda lá do fundo do ônibus acrescentou: Calma, gente! Se ela estivesse junto com eles, teria descido também. Alguém argumentou que ela não tinha descido só para disfarçar. Estava mesmo com os ladrões. Foi a única a não ser assaltada. Mentira, eu não fui e não sei por quê. Maria olhou na direção de onde vinha a voz e viu um rapazinho negro e magro, com feições de menino e que relembravam vagamente o seu filho. A primeira voz, a que acordou a coragem de todos, tornou-se um grito: Aquela puta, aquela negra safada estava com os ladrões! O dono da voz levantou e se encaminhou em direção à Maria. A mulher teve medo e raiva. Que merda! Não conhecia assaltante algum. Não devia satisfação a ninguém. Olha só, a negra ainda é atrevida, disse o homem, lascando um tapa no rosto da mulher. Alguém gritou: Lincha! Lincha! Lincha!... Uns passageiros desceram e outros voaram em direção à Maria. O motorista tinha parado o ônibus para defender a passageira:

    — Calma pessoal! Que loucura é esta? Eu conheço esta mulher de vista. Todos os dias, mais ou menos neste horário, ela toma o ônibus comigo. Está vindo do trabalho, da luta para sustentar os filhos...

        Lincha! Lincha! Lincha! Maria punha sangue pela boca, pelo nariz e pelos ouvidos. A sacola havia arrebentado e as frutas rolavam pelo chão. Será que os meninos iriam gostar de melão?

        Tudo foi tão rápido, tão breve, Maria tinha saudades de seu ex-homem. Por que estavam fazendo isto com ela? O homem havia segredado um abraço, um beijo, um carinho no filho. Ela precisava chegar em casa para transmitir o recado. Estavam todos armados com facas a laser que cortam até a vida. Quando o ônibus esvaziou, quando chegou a polícia, o corpo da mulher estava todo dilacerado, todo pisoteado.

    Maria queria tanto dizer ao filho que o pai havia mandado um abraço, um beijo, um carinho.


    EVARISTO, Conceição. Olhos D’Água. Rio de Janeiro: Pallas: Fundação Biblioteca Nacional, 2016.
    No início do conto, primeiro parágrafo, a personagem Maria não é definida, nem apresentada ao leitor, porque o enunciador tem a expectativa de
    Escolha uma alternativa para a questão d1be552f-c4
  • D1B95DFA-C4

    Português

    Interpretação de Textos
    Universidade Estadual do Maranhão · 2023FácilEntre para guardar nos favoritos
    Na década de 80, a canção Mulher (Sexo frágil) fez muito sucesso. Trata-se de uma declaração sobre a força feminina, que se vale do poder que as mulheres têm na relação com os homens. Ao mesmo tempo que a canção mostra a realidade de como a mulher é vista na sociedade, o eu lírico marca a posição de quão equivocada é essa perspectiva.

    Mulher (Sexo frágil)
    Canção de Erasmo Carlos


    Dizem que a mulher é o sexo frágil
    Mas que mentira absurda!
    Eu que faço parte da rotina de uma delas
    Sei que a força está com elas

    Vejam como é forte a que eu conheço
    Sua sapiência não tem preço
    Satisfaz meu ego se fingindo submissa
    Mas no fundo me enfeitiça

    Quando eu chego em casa à noitinha
    Quero uma mulher só minha
    Mas pra quem deu luz não tem mais jeito
    Porque um filho quer seu peito

    O outro já reclama a sua mão
    E o outro quer o amor que ela tiver
    Quatro homens dependentes e carentes
    Da força da mulher
     
    Mulher, mulher
    Do barro de que você foi gerada
    Me veio inspiração
    Pra decantar você nessa canção

    Na escola em que você foi ensinada
    Jamais tirei um dez
    Sou forte mas não chego aos seus pés

    Mulher, mulher
    Mulher, mulher


    https://www.letras.mus.br/erasmo-carlos/
     

    A letra da canção deixa transparecer o machismo vigente na sociedade. Essa assertiva está comprovada nos seguintes versos:
    Escolha uma alternativa para a questão d1b95dfa-c4
  • D1B6D4E7-C4

    Português

    Interpretação de Textos
    Universidade Estadual do Maranhão · 2023MédioEntre para guardar nos favoritos

    Antônio Gonçalves Dias, filho de um comerciante português e de uma mestiça de negro com índio, nasceu em um sítio próximo à cidade maranhense de Caxias, em 1823. Além dos temas de amor, o poeta engajou-se com uma poética de cunho social, centrada, sobretudo, nas questões dos povos originários, ao enobrecer o indígena, em uma perspectiva do conhecido “Mito do bom selvagem”.


    Leia as estrofes extraídas de “O Canto do Piaga” para responder à questão.


    O CANTO DO PIAGA

    I



    Ó Guerreiros da Taba sagrada,

    Ó Guerreiros da Tribo Tupi,

    Falam Deuses nos cantos do Piaga,

    Ó Guerreiros, meus cantos ouvi.


    Esta noite - era a lua já morta –

    Anhangá me vedava sonhar;

    Eis na horrível caverna, que habito,

    Rouca voz começou-me a chamar.


    Abro os olhos, inquieto, medroso,

    Manitôs! que prodígios que vi!

    Arde o pau de resina fumosa,

    Não fui eu, não fui eu, que o acendi!


    Eis rebenta a meus pés um fantasma,

    Um fantasma d’imensa extensão;

    Liso crânio repousa a meu lado,

    Feia cobra se enrosca no chão. 


    O meu sangue gelou-se nas veias,

    Todo inteiro - ossos, carnes – tremi.

    Frio horror me coou pelos membros,

    Frio vento no rosto senti.

    Era feio, medonho, tremendo


    Ó Guerreiros, o espectro que eu vi.

    Falam Deuses nos cantos do Piaga,

    Ó Guerreiros, meus cantos ouvi!

    [...]

    Vem trazer-vos crueza, impiedade –

    Dons cruéis do cruel Anhangá;

    Vem quebrar-vos a maça valente,

    Profanar Manitôs, Maracás.


    Vem trazer-vos algemas pesadas,

    Com que a tribo Tupi vai gemer;

    Hão-de os velhos servirem de escravos

    Mesmo o Piaga inda escravo há de ser!


    Fugireis procurando um asilo,

    Triste asilo por ínvio sertão;

    Anhangá de prazer há de rir-se,

    Vendo os vossos quão poucos serão.


    Vossos Deuses, ó Piaga, conjura,

    Susta as iras do fero Anhangá.

    Manitôs já fugiram da Taba,

    Ó desgraça! ó ruína!! ó Tupá!


    DIAS, Gonçalves. Primeiros cantos. Belo Horizonte:Autêntica Ed.: 1998. 

    No contexto poético, são versos que mais caracterizam enfaticamente o pavor do homem branco:
    Escolha uma alternativa para a questão d1b6d4e7-c4
  • D1B32390-C4

    Português

    Interpretação de Textos
    Universidade Estadual do Maranhão · 2023FácilEntre para guardar nos favoritos

    Antônio Gonçalves Dias, filho de um comerciante português e de uma mestiça de negro com índio, nasceu em um sítio próximo à cidade maranhense de Caxias, em 1823. Além dos temas de amor, o poeta engajou-se com uma poética de cunho social, centrada, sobretudo, nas questões dos povos originários, ao enobrecer o indígena, em uma perspectiva do conhecido “Mito do bom selvagem”.


    Leia as estrofes extraídas de “O Canto do Piaga” para responder à questão.


    O CANTO DO PIAGA

    I



    Ó Guerreiros da Taba sagrada,

    Ó Guerreiros da Tribo Tupi,

    Falam Deuses nos cantos do Piaga,

    Ó Guerreiros, meus cantos ouvi.


    Esta noite - era a lua já morta –

    Anhangá me vedava sonhar;

    Eis na horrível caverna, que habito,

    Rouca voz começou-me a chamar.


    Abro os olhos, inquieto, medroso,

    Manitôs! que prodígios que vi!

    Arde o pau de resina fumosa,

    Não fui eu, não fui eu, que o acendi!


    Eis rebenta a meus pés um fantasma,

    Um fantasma d’imensa extensão;

    Liso crânio repousa a meu lado,

    Feia cobra se enrosca no chão. 


    O meu sangue gelou-se nas veias,

    Todo inteiro - ossos, carnes – tremi.

    Frio horror me coou pelos membros,

    Frio vento no rosto senti.

    Era feio, medonho, tremendo


    Ó Guerreiros, o espectro que eu vi.

    Falam Deuses nos cantos do Piaga,

    Ó Guerreiros, meus cantos ouvi!

    [...]

    Vem trazer-vos crueza, impiedade –

    Dons cruéis do cruel Anhangá;

    Vem quebrar-vos a maça valente,

    Profanar Manitôs, Maracás.


    Vem trazer-vos algemas pesadas,

    Com que a tribo Tupi vai gemer;

    Hão-de os velhos servirem de escravos

    Mesmo o Piaga inda escravo há de ser!


    Fugireis procurando um asilo,

    Triste asilo por ínvio sertão;

    Anhangá de prazer há de rir-se,

    Vendo os vossos quão poucos serão.


    Vossos Deuses, ó Piaga, conjura,

    Susta as iras do fero Anhangá.

    Manitôs já fugiram da Taba,

    Ó desgraça! ó ruína!! ó Tupá!


    DIAS, Gonçalves. Primeiros cantos. Belo Horizonte:Autêntica Ed.: 1998. 

    Pode-se afirmar que, ao iniciar seu canto, o eu lírico confere ao Piaga
    Escolha uma alternativa para a questão d1b32390-c4
  • A25ABA1E-B1

    Português

    Interpretação de Textos
    IFN-MG · 2023FácilEntre para guardar nos favoritos
    Texto 01


    Fake news


        Não é de hoje que mentiras são divulgadas como verdades, mas foi com o advento das redes sociais que esse tipo de publicação se popularizou. A imprensa internacional começou a usar com mais frequência o termo fake news durante a eleição de 2016 nos Estados Unidos, na qual Donald Trump tornou-se presidente. Fake news é um termo em inglês e é usado para referir-se a falsas informações divulgadas, principalmente, em redes sociais.
         Na época em que Trump foi eleito, algumas empresas especializadas identificaram uma série de sites com conteúdo duvidoso. A maioria das notícias divulgadas por esses sites explorava conteúdos sensacionalistas, envolvendo, em alguns casos, personalidades importantes, como a adversária de Trump, Hillary Clinton.
         Os motivos para que sejam criadas notícias falsas são diversos. Em alguns casos, os autores criam manchetes absurdas com o claro intuito de atrair acessos aos sites e, assim, faturar com a publicidade digital. No entanto, além da finalidade puramente comercial, as fake news podem ser usadas apenas para criar boatos e reforçar um pensamento, por meio de mentiras e da disseminação de ódio. Dessa maneira, prejudicam-se pessoas comuns, celebridades, políticos e empresas.
        Existem grupos específicos que trabalham espalhando boatos. Porém, não é fácil encontrar as empresas que atuam nesse segmento, pois elas operam na chamada deep web, isto é, uma parte da rede que não é indexada pelos mecanismos de buscas, ficando oculta ao grande público. Para disseminar informações falsas, é criada uma página na internet. Um robô criado pelos programadores desses grupos é o responsável por disseminar o link nas redes. Quanto mais o assunto é mencionado nas redes, mais o robô atua, chegando a disparar informações a cada dois segundos, o que é humanamente impossível. Com tamanho volume de disseminação de conteúdos, pessoas reais ficam vulneráveis às fake news e acabam compartilhando essas informações. Dessa forma, está criada uma rede de mentiras com pessoas reais.
        Como os responsáveis pelas fake news atuam, geralmente, em uma região da web que é oculta para a grande maioria dos usuários, não é fácil identificá-los e, consequentemente, puni-los. Além disso, essas pessoas usam servidores de fora do país, em lan houses que não exigem identificação.
        Qualquer tipo de informação falsa, da mais simples à mais descabida, induz as pessoas ao erro. Em vários casos, a notícia contém uma informação falsa cercada de outras verdadeiras. É principalmente nessas situações que estão escondidos os perigos das fake news, e suas consequências podem ser desastrosas.
        Um caso que ficou conhecido e chegou ao extremo foi o da dona de casa Fabiane Maria de Jesus, que morreu após ter sido espancada por dezenas de moradores de Guarujá, no litoral de São Paulo, em 2014. A revolta dos moradores foi em virtude de informações publicadas em uma rede social, com um retrato falado de uma possível sequestradora de crianças [...]. A dona de casa foi confundida com a criminosa e acabou linchada por moradores.
        Outro boato que tomou conta das redes e influenciou diretamente o calendário de vacinação infantil foi o de que algumas vacinas seriam mortais e teriam matado milhares de crianças. O impacto foi tão grande que doenças como o sarampo, do qual o Brasil era considerado livre, voltaram a acometer crianças.
        Depois da greve dos caminhoneiros em 2018, que durou 11 dias, fechou rodovias de Norte a Sul do país e provocou desabastecimento de diversos produtos, alguns boatos de uma nova greve geraram tumulto nas grandes cidades. Em alguns municípios, filas de carros formaram-se em postos de combustíveis, pois as pessoas temiam o aumento do preço e até mesmo a falta do produto.
         Em época de eleições, é comum candidatos ou eleitores usarem mentiras para levar vantagem. Com a presença de tantos eleitores nas redes sociais, uma mentira bem plantada pode alterar os rumos de uma eleição, como no caso das eleições de 2016 nos Estados Unidos.
        Um dado grave que foi constatado pelos pesquisadores do Massachusetts Institute of Tecnology (MIT), nos Estados Unidos, é que a chance de uma notícia falsa ser repassada é consideravelmente maior que a de uma verdadeira. Foram analisadas 126 mil notícias, e percebeu-se que a probabilidade de republicar uma informação falsa é 70% maior do que a de republicar uma notícia verdadeira.


    Disponível em: https://mundoeducacao.uol.com.br/curiosidades/fake-news.htm. Acesso em: 15 out. 2023. Adaptado. 
    O assunto principal abordado no texto 01 é/são
    Escolha uma alternativa para a questão a25aba1e-b1
  • 9AAAEB45-B1

    Português

    Interpretação de Textos
    IFN-MG · 2023MédioEntre para guardar nos favoritos
    Texto 03

    Pronominais

    Dê-me um cigarro
    Diz a gramática
    Do professor e do aluno
    E do mulato sabido
    Mas o bom negro e o bom branco
    Da Nação Brasileira
    Dizem todos os dias
    Deixa disso camarada
    Me dá um cigarro 

    Fonte: ANDRADE, Oswald. Pronominais. Disponível em: https://www.escritas.org/pt/t/7793/pronominais. Acesso em: 15 out. 2023. 



    Da leitura do texto 03, é CORRETO afirmar que
    Escolha uma alternativa para a questão 9aaaeb45-b1
  • 9AA64C7C-B1

    Português

    Interpretação de Textos
    IFN-MG · 2023MédioEntre para guardar nos favoritos

    Texto 02



    Imagem da questão de Português, IFN-MG 2023, Interpretação de Textos



    Disponível em: https://cafecomsociologia.com/charges-fake-news/#jp-carousel-18025. Acesso em: 15 out. 2023. 

    Entre os recursos utilizados para a construção do sentido do texto 02, está a
    Escolha uma alternativa para a questão 9aa64c7c-b1
  • 9A98096E-B1

    Português

    Interpretação de Textos
    IFN-MG · 2023DifícilEntre para guardar nos favoritos
    Texto 01


    Fake news


        Não é de hoje que mentiras são divulgadas como verdades, mas foi com o advento das redes sociais que esse tipo de publicação se popularizou. A imprensa internacional começou a usar com mais frequência o termo fake news durante a eleição de 2016 nos Estados Unidos, na qual Donald Trump tornou-se presidente. Fake news é um termo em inglês e é usado para referir-se a falsas informações divulgadas, principalmente, em redes sociais.
         Na época em que Trump foi eleito, algumas empresas especializadas identificaram uma série de sites com conteúdo duvidoso. A maioria das notícias divulgadas por esses sites explorava conteúdos sensacionalistas, envolvendo, em alguns casos, personalidades importantes, como a adversária de Trump, Hillary Clinton.
         Os motivos para que sejam criadas notícias falsas são diversos. Em alguns casos, os autores criam manchetes absurdas com o claro intuito de atrair acessos aos sites e, assim, faturar com a publicidade digital. No entanto, além da finalidade puramente comercial, as fake news podem ser usadas apenas para criar boatos e reforçar um pensamento, por meio de mentiras e da disseminação de ódio. Dessa maneira, prejudicam-se pessoas comuns, celebridades, políticos e empresas.
        Existem grupos específicos que trabalham espalhando boatos. Porém, não é fácil encontrar as empresas que atuam nesse segmento, pois elas operam na chamada deep web, isto é, uma parte da rede que não é indexada pelos mecanismos de buscas, ficando oculta ao grande público. Para disseminar informações falsas, é criada uma página na internet. Um robô criado pelos programadores desses grupos é o responsável por disseminar o link nas redes. Quanto mais o assunto é mencionado nas redes, mais o robô atua, chegando a disparar informações a cada dois segundos, o que é humanamente impossível. Com tamanho volume de disseminação de conteúdos, pessoas reais ficam vulneráveis às fake news e acabam compartilhando essas informações. Dessa forma, está criada uma rede de mentiras com pessoas reais.
        Como os responsáveis pelas fake news atuam, geralmente, em uma região da web que é oculta para a grande maioria dos usuários, não é fácil identificá-los e, consequentemente, puni-los. Além disso, essas pessoas usam servidores de fora do país, em lan houses que não exigem identificação.
        Qualquer tipo de informação falsa, da mais simples à mais descabida, induz as pessoas ao erro. Em vários casos, a notícia contém uma informação falsa cercada de outras verdadeiras. É principalmente nessas situações que estão escondidos os perigos das fake news, e suas consequências podem ser desastrosas.
        Um caso que ficou conhecido e chegou ao extremo foi o da dona de casa Fabiane Maria de Jesus, que morreu após ter sido espancada por dezenas de moradores de Guarujá, no litoral de São Paulo, em 2014. A revolta dos moradores foi em virtude de informações publicadas em uma rede social, com um retrato falado de uma possível sequestradora de crianças [...]. A dona de casa foi confundida com a criminosa e acabou linchada por moradores.
        Outro boato que tomou conta das redes e influenciou diretamente o calendário de vacinação infantil foi o de que algumas vacinas seriam mortais e teriam matado milhares de crianças. O impacto foi tão grande que doenças como o sarampo, do qual o Brasil era considerado livre, voltaram a acometer crianças.
        Depois da greve dos caminhoneiros em 2018, que durou 11 dias, fechou rodovias de Norte a Sul do país e provocou desabastecimento de diversos produtos, alguns boatos de uma nova greve geraram tumulto nas grandes cidades. Em alguns municípios, filas de carros formaram-se em postos de combustíveis, pois as pessoas temiam o aumento do preço e até mesmo a falta do produto.
         Em época de eleições, é comum candidatos ou eleitores usarem mentiras para levar vantagem. Com a presença de tantos eleitores nas redes sociais, uma mentira bem plantada pode alterar os rumos de uma eleição, como no caso das eleições de 2016 nos Estados Unidos.
        Um dado grave que foi constatado pelos pesquisadores do Massachusetts Institute of Tecnology (MIT), nos Estados Unidos, é que a chance de uma notícia falsa ser repassada é consideravelmente maior que a de uma verdadeira. Foram analisadas 126 mil notícias, e percebeu-se que a probabilidade de republicar uma informação falsa é 70% maior do que a de republicar uma notícia verdadeira.


    Disponível em: https://mundoeducacao.uol.com.br/curiosidades/fake-news.htm. Acesso em: 15 out. 2023. Adaptado. 
    Sobre as ideias presentes no texto 01, avalie as afirmativas a seguir.

    I - As redes sociais ajudam a mitigar a divulgação das fake news.
    II - Trump foi eleito nos Estados Unidos unicamente pelas fake news.
    III - Algumas notícias falsas lançam mão do sensacionalismo em busca de maior visibilidade.
    IV - As fake News, embora já existentes, ganharam maior destaque a partir do ano de 2016.

    Estão CORRETAS as afirmativas 
    Escolha uma alternativa para a questão 9a98096e-b1
  • AA86CC86-B1

    Português

    Interpretação de Textos
    IFN-MG · 2023Muito fácilEntre para guardar nos favoritos

    Texto 02



    Imagem da questão de Português, IFN-MG 2023, Interpretação de Textos




    Disponível em: https://cafecomsociologia.com/charges-fake-news/#jp-carousel-18025. Acesso em: 15 out. 2023. 

    Sobre as ideias contidas no texto 02, avalie as afirmativas a seguir.

    I - O texto revela, a partir de imagens ligadas às redes sociais, preocupação com as fake news.
    II - A mão que segura o boneco simboliza a tentativa legal de se frear o avanço das fake news.
    III - A face do boneco indica indignação com o tolhimento da liberdade pelo Poder Legislativo.
    IV - O texto é uma tentativa de induzir as pessoas a usarem cada vez menos as redes sociais.

    Estão CORRETAS as afirmativas 
    Escolha uma alternativa para a questão aa86cc86-b1
  • 0B186194-B1

    Português

    Interpretação de Textos
    IFN-MG · 2023DifícilEntre para guardar nos favoritos
    Texto 01


    Fake news


        Não é de hoje que mentiras são divulgadas como verdades, mas foi com o advento das redes sociais que esse tipo de publicação se popularizou. A imprensa internacional começou a usar com mais frequência o termo fake news durante a eleição de 2016 nos Estados Unidos, na qual Donald Trump tornou-se presidente. Fake news é um termo em inglês e é usado para referir-se a falsas informações divulgadas, principalmente, em redes sociais.
         Na época em que Trump foi eleito, algumas empresas especializadas identificaram uma série de sites com conteúdo duvidoso. A maioria das notícias divulgadas por esses sites explorava conteúdos sensacionalistas, envolvendo, em alguns casos, personalidades importantes, como a adversária de Trump, Hillary Clinton.
         Os motivos para que sejam criadas notícias falsas são diversos. Em alguns casos, os autores criam manchetes absurdas com o claro intuito de atrair acessos aos sites e, assim, faturar com a publicidade digital. No entanto, além da finalidade puramente comercial, as fake news podem ser usadas apenas para criar boatos e reforçar um pensamento, por meio de mentiras e da disseminação de ódio. Dessa maneira, prejudicam-se pessoas comuns, celebridades, políticos e empresas.
        Existem grupos específicos que trabalham espalhando boatos. Porém, não é fácil encontrar as empresas que atuam nesse segmento, pois elas operam na chamada deep web, isto é, uma parte da rede que não é indexada pelos mecanismos de buscas, ficando oculta ao grande público. Para disseminar informações falsas, é criada uma página na internet. Um robô criado pelos programadores desses grupos é o responsável por disseminar o link nas redes. Quanto mais o assunto é mencionado nas redes, mais o robô atua, chegando a disparar informações a cada dois segundos, o que é humanamente impossível. Com tamanho volume de disseminação de conteúdos, pessoas reais ficam vulneráveis às fake news e acabam compartilhando essas informações. Dessa forma, está criada uma rede de mentiras com pessoas reais.
        Como os responsáveis pelas fake news atuam, geralmente, em uma região da web que é oculta para a grande maioria dos usuários, não é fácil identificá-los e, consequentemente, puni-los. Além disso, essas pessoas usam servidores de fora do país, em lan houses que não exigem identificação.
        Qualquer tipo de informação falsa, da mais simples à mais descabida, induz as pessoas ao erro. Em vários casos, a notícia contém uma informação falsa cercada de outras verdadeiras. É principalmente nessas situações que estão escondidos os perigos das fake news, e suas consequências podem ser desastrosas.
        Um caso que ficou conhecido e chegou ao extremo foi o da dona de casa Fabiane Maria de Jesus, que morreu após ter sido espancada por dezenas de moradores de Guarujá, no litoral de São Paulo, em 2014. A revolta dos moradores foi em virtude de informações publicadas em uma rede social, com um retrato falado de uma possível sequestradora de crianças [...]. A dona de casa foi confundida com a criminosa e acabou linchada por moradores.
        Outro boato que tomou conta das redes e influenciou diretamente o calendário de vacinação infantil foi o de que algumas vacinas seriam mortais e teriam matado milhares de crianças. O impacto foi tão grande que doenças como o sarampo, do qual o Brasil era considerado livre, voltaram a acometer crianças.
        Depois da greve dos caminhoneiros em 2018, que durou 11 dias, fechou rodovias de Norte a Sul do país e provocou desabastecimento de diversos produtos, alguns boatos de uma nova greve geraram tumulto nas grandes cidades. Em alguns municípios, filas de carros formaram-se em postos de combustíveis, pois as pessoas temiam o aumento do preço e até mesmo a falta do produto.
         Em época de eleições, é comum candidatos ou eleitores usarem mentiras para levar vantagem. Com a presença de tantos eleitores nas redes sociais, uma mentira bem plantada pode alterar os rumos de uma eleição, como no caso das eleições de 2016 nos Estados Unidos.
        Um dado grave que foi constatado pelos pesquisadores do Massachusetts Institute of Tecnology (MIT), nos Estados Unidos, é que a chance de uma notícia falsa ser repassada é consideravelmente maior que a de uma verdadeira. Foram analisadas 126 mil notícias, e percebeu-se que a probabilidade de republicar uma informação falsa é 70% maior do que a de republicar uma notícia verdadeira.


    Disponível em: https://mundoeducacao.uol.com.br/curiosidades/fake-news.htm. Acesso em: 15 out. 2023. Adaptado. 
    Com base no trecho “No entanto, além da finalidade puramente comercial, as fake news podem ser usadas apenas para criar boatos e reforçar um pensamento, por meio de mentiras e da disseminação de ódio.”, responda: Das reescritas a seguir, qual provoca alteração no sentido original do trecho?
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