Questões do ENEM: Linguagens e nível médio
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8.516 questões encontradas. Mostrando a página 176 de 426.
F9CCF75D-CC TRABALHO ESCRAVO É AINDA UMA REALIDADE NO BRASILEsse tipo de violação não prende mais o indivíduo a correntes, mas acomete a liberdade do trabalhador e o mantém submisso a uma situação de exploração.(1) O trabalho escravo ainda é uma violação de direitos humanos que persiste no Brasil. A sua existência foi assumida pelo governo federal perante o país e a Organização Internacional do Trabalho (OIT) em 1995, o que fez com que se tornasse uma das primeiras nações do mundo a reconhecer oficialmente a escravidão contemporânea em seu território. Daquele ano até 2016, mais de 50 mil trabalhadores foram libertados de situações análogas à de escravidão em atividades econômicas nas zonas rural e urbana.(2) Mas o que é trabalho escravo contemporâneo? O trabalho escravo não é somente uma violação trabalhista, tampouco se trata daquela escravidão dos períodos colonial e imperial do Brasil. Essa violação de direitos humanos não prende mais o indivíduo a correntes, mas compreende outros mecanismos, que acometem a dignidade e a liberdade do trabalhador e o mantêm submisso a uma situação extrema de exploração.(3) Qualquer um dos quatro elementos abaixo é suficiente para configurar uma situação de trabalho escravo: TRABALHO FORÇADO: o indivíduo é obrigado a se submeter a condições de trabalho em que é explorado, sem possibilidade de deixar o local seja por causa de dívidas, seja por ameaça e violências física ou psicológica. JORNADA EXAUSTIVA: expediente penoso que vai além de horas extras e coloca em risco a integridade física do trabalhador, já que o intervalo entre as jornadas é insuficiente para a reposição de energia. Há casos em que o descanso semanal não é respeitado. Assim, o trabalhador também fica impedido de manter vida social e familiar.SERVIDÃO POR DÍVIDA: fabricação de dívidas ilegais referentes a gastos com transporte, alimentação, aluguel e ferramentas de trabalho. Esses itens são cobrados de forma abusiva e descontados do salário do trabalhador, que permanece sempre devendo ao empregador.CONDIÇÕES DEGRADANTES: um conjunto de elementos irregulares que caracterizam a precariedade do trabalho e das condições de vida sob a qual o trabalhador é submetido, atentando contra a sua dignidade.(4) Quem são os trabalhadores escravos? Em geral, são migrantes que deixaram suas casas em busca de melhores condições de vida e de sustento para as suas famílias. Saem de suas cidades atraídos por falsas promessas de aliciadores ou migram forçadamente por uma série de motivos, que podem incluir a falta de opção econômica, guerras e até perseguições políticas. No Brasil, os trabalhadores provêm de diversos estados das regiões Centro-Oeste, Nordeste e Norte, mas também podem ser migrantes internacionais de países latino-americanos – como a Bolívia, Paraguai e Peru –, africanos, além do Haiti e do Oriente Médio. Essas pessoas podem se destinar à região de expansão agrícola ou aos centros urbanos à procura de oportunidades de trabalho.(5) Tradicionalmente, o trabalho escravo é empregado em atividades econômicas na zona rural, como a pecuária, a produção de carvão e os cultivos de cana-de-açúcar, soja e algodão. Nos últimos anos, essa situação também é verificada em centros urbanos, principalmente na construção civil e na confecção têxtil.(6) No Brasil, 95% das pessoas submetidas ao trabalho escravo rural são homens. Em geral, as atividades para as quais esse tipo de mão de obra é utilizado exigem força física, por isso os aliciadores buscam principalmente homens e jovens. Os dados oficiais do Programa Seguro-Desemprego de 2003 a 2014 indicam que, entre os trabalhadores libertados, 72,1% são analfabetos ou não concluíram o quinto ano do Ensino Fundamental.(7) Muitas vezes, o trabalhador submetido ao trabalho escravo consegue fugir da situação de exploração, colocando a sua vida em risco. Quando tem sucesso em sua empreitada, recorre a órgãos governamentais ou organizações da sociedade civil para denunciar a violação que sofreu. Diante disso, o governo brasileiro tem centrado seus esforços para o combate desse crime, especialmente na fiscalização de propriedades e na repressão por meio da punição administrativa e econômica de empregadores flagrados utilizando mão de obra escrava.(8) Enquanto isso, o trabalhador libertado tende a retornar à sua cidade de origem, onde as condições que o levaram a migrar permanecem as mesmas. Diante dessa situação, o indivíduo pode novamente ser aliciado para outro trabalho em que será explorado, perpetuando uma dinâmica que chamamos de “Ciclo do Trabalho Escravo”.(9) Para que esse ciclo vicioso seja rompido, são necessárias ações que incidam na vida do trabalhador para além do âmbito da repressão do crime. Por isso, a erradicação do problema passa também pela adoção de políticas públicas de assistência à vítima e prevenção para reverter a situação de pobreza e de vulnerabilidade de comunidades.Adaptado.SUZUKI, Natalia; CASTELI, Thiago. Trabalho escravo é ainda uma realidade no Brasil.Disponível em:<http://www.cartaeducacao.com.br/aulas/fundamental-2/trabalho-escravo-e-ainda-uma-realidade-no-brasil/> .Acesso:19 mar. 2017.Em relação às impressões transmitidas pelo TEXTO, é CORRETO afirmar que ele87E845FD-CB Português
Interpretação de TextosIF-PR · 2017MédioEntre para guardar nos favoritosGeralmente, há mais homens que mulheres na academia, cada um “sabendo” mais do que o outro sobre como cuidar melhor do corpo, ficar mais definido, conseguir um tanquinho permanente. (..) Nessa disputa cega, os homens começam a aumentar o tempo de academia. Junto a isso, fazem dietas para ganhar massa muscular sem acompanhamento profissional. Por fim, acabam tomando anabolizantes. Tudo isso, no curto prazo, tem resultados excelentes para o corpo. No longo prazo, a história é outra: insuficiência renal, câncer, tumores, necrose da pele. Acredite ou não, a não ser que você tenha uma genética muito favorável, só tem tanquinho e corpo definido quem usa anabolizantes ou vive pra isso. Se você estiver fora desses dois exemplos, terá que criar uma autoimagem diferente para não viver frustrado e não ter que apelar para recursos nada saudáveis(www.belezamasculina.com.br).Assinale a alternativa que apresenta o melhor título para o texto base.87D7B74E-CB Português
Interpretação de TextosIF-PR · 2017MédioEntre para guardar nos favoritosO texto a seguir, um excerto do conto As Cerejas, de Lygia Fagundes Telles, servirá de base para a questão.Aquela gente teria mesmo existido? Madrinha tecendo a cortina de crochê com um anjinho a esvoaçar por entre rosas, a pobre Madrinha sempre afobada, piscando os olhinhos estrábicos, vocês não viram onde deixei meus óculos? A preta Dionísia a bater as claras de ovos em ponto de neve, a voz ácida contrastando com a doçura dos cremes, esta receita é nova... Tia Olívia enfastiada e lânguida, abanando-se com uma ventarola chinesa, a voz pesada indo e vindo ao embalo da rede, fico exausta no calor... (...)A casa em meio do arvoredo, o rio, as tardes como que suspensas na poeira do ar - desapareceu tudo sem deixar vestígios. Ficaram as cerejas, só elas resistiram com sua vermelhidão de loucura. Basta abrir a gaveta: algumas foram roídas por alguma barata e nessas o algodão estoura, empelotado, não, tia Olívia, não eram de cera, eram de algodão suas cerejas vermelhas.Ela chegou inesperadamente. Um cavaleiro trouxe o recado do chefe da estação pedindo a charrete para a visita que acabara de desembarcar.– É Olívia! – exclamou Madrinha. – É a prima! Alberto escreveu dizendo que ela viria, mas não disse quando, ficou de avisar. (...)– Como se já não bastasse esse menino que também chegou sem aviso...O menino era Marcelo. Tinha apenas dois anos mais do que eu mas era tão alto e parecia tão adulto com suas belas roupas de montaria, que tive vontade de entrar debaixo do armário quando o vi pela primeira vez.– Um calor na viagem! – gemeu tia Olívia em meio de uma onda de perfumes e malas. – E quem é este rapazinho?– Pois este é o Marcelo, filho do Romeu – disse Madrinha. – Você não se lembra do Romeu? Primo-irmão do Alberto...Tia Olívia desprendeu do chapeuzinho preto dois grandes alfinetes de pérola em formato de pera. O galho de cerejas estremeceu no vértice do decote da blusa transparente. Desabotoou o casaco. (...)Tia Olívia ajeitou com as mãos em concha o farto coque preso na nuca. Umedeceu os lábios com a ponta da língua. (...)Aproximei-me fascinada. Nunca tinha visto ninguém como tia Olívia, ninguém com aqueles olhos pintados de verde e com aquele decote assim fundo.– É de cera? – perguntei tocando-lhe uma das cerejas.Ela acariciou-me a cabeça com um gesto distraído. Senti bem de perto seu perfume.– Acho que sim, querida. Por quê? Você nunca viu cerejas?– Só na folhinha.Ela teve um risinho cascateante. No rosto muito branco a boca parecia um largo talho aberto, com o mesmo brilho das cerejas.– Na Europa são tão carnudas, tão frescas. (...)
Sobre os elementos narrativos do excerto do conto As Cerejas de Lygia Fagundes Telles, é correto afirmar que:87D212FE-CB Português
Interpretação de TextosIF-PR · 2017MédioEntre para guardar nos favoritosAnalise os textos (itens) abaixo, considerando os conhecimentos sobre variação linguística e norma padrão.I) Aqui em Minas os pobres não vão badaponti, nem pro meidaprass.II) O Arnesto nos convidô prum samba, ele mora no Brás nóis fumo e não encontremos ninguém... (Adoniram Barbosa).III) Toma aí, chê, uma guampa de canha.IV) V.Exª, data vênia, não adentrou às entranhas meritórias doutrinárias e jurisprudenciais acopladas na inicial, que caracterizam, hialinamente, o dano sofrido.Identifique a alternativa correta, quanto ao uso da língua, nos textos acima.87CC695E-CB Português
Interpretação de TextosIF-PR · 2017MédioEntre para guardar nos favoritosCom base na charge abaixo, assinale a alternativa correta na questão.
Em relação aos elementos constitutivos da charge:
87C9767B-CB Português
Interpretação de TextosIF-PR · 2017MédioEntre para guardar nos favoritosCom base na charge abaixo, assinale a alternativa correta na questão.
O que confere humor ao texto?
4994BF2D-CA Português
Interpretação de TextosUniversidade Estadual do Sudoeste da Bahia · 2017MédioEntre para guardar nos favoritosTEXTO:
Auto da Barca do Inferno
(Aproxima-se um corregedor com uma vara na mão
e diz chegando à Barca do Inferno:)
Corregedor – Hou da barca?
Diabo – Que quereis?
Corregedor – Está aqui o senhor juiz.
Diabo – Oh amador de perdiz* / quantos processos
trazeis?
Corregedor – Por trazê-los, bem vereis, / venho muito
contrafeito.
Diabo – Como anda lá o Direito?
Corregedor – Nos autos constatareis.
Diabo – Ora, pois, entrai, vejamos / o que dizem tais
Corregedor – Para onde vai o batel?
Diabo – No inferno nós ancoramos.
Corregedor – Como? À terra dos demônios / há de ir um
corregedor? [...]
Diabo – Ora, entrai nos negros fados. / Ireis ao lago dos
cães / e vereis os escrivães / como estão bem
prosperados.
Corregedor – Vão à terra dos danados / os novos
evangelistas?
Diabo – Os mestres das fraudes vistas / lá estão bem
atormentados [...]
*“amador de perdiz” – referência ao fato de os juízes aceitarem,
como agrado, a doação de coelhos e perdizes.
VICENTE, GIL. Três autos: da alma; da barca do inferno; de Mofina Mendes. Livre adaptação de Walmir Ayala. Rio de Janeiro: Ediouro; São Paulo: Publifolha, 1997. p. 145 -153.
Sobre o trecho da cena transcrito e a obra de onde foi extraído, é correto afirmar:
I. A cena se inicia com a chegada do corregedor, que é representante do judiciário, à Barca do Inferno, quando o Diabo lhe dirige a primeira acusação: a de corrupção, por manipular a justiça em benefício próprio, com a aceitação de suborno sob a forma de presentes ou doações.
II. Na obra, através de farta argumentação e de provas forjadas, o corregedor consegue convencer o Diabo e o Anjo de sua inocência. Por isso, após ser perdoado, aceita o pedido de desculpas de ambos e se encaminha para a Barca do Paraíso, onde é recebido com muitos festejos e intensa louvação.
III. Na obra, o autor, para relativizar os conceitos de bem e mal, de certo e errado, evitando uma perspectiva maniqueísta, coloca circunstâncias em que o Anjo e o Diabo trocam de papéis e passam a dirigir, respectivamente, a Barca do Inferno e a Barca da Glória. Com isso, o julgamento se torna mais preciso e a punição mais justa.
IV. O cenário da obra é um porto onde se encontram ancoradas duas barcas: uma, guiada pelo Diabo, tem como destino o inferno; outra, guiada por um Anjo, leva ao paraíso. Nelas são acomodadas as pessoas que se aproximam e que já morreram, selecionadas pelo Diabo ou pelo Anjo, segundo sua conduta quando estavam vivas.
V. A obra é uma sátira social e moral, pois veicula criticas aos costumes impróprios ou pecados de figuras poderosas da época, que são julgadas e punidas com a condenação ao inferno. Trata-se de uma temática que, embora contextualizada no século XVI, em Portugal, guarda certa atualidade e pertinência com questões contemporâneas.
A alternativa em que todas as afirmativas indicadas estão corretas é a
4962D540-CA Português
Análise sintáticaUniversidade Estadual do Sudoeste da Bahia · 2017MédioEntre para guardar nos favoritosTEXTO:

Releia o seguinte trecho: “São parte fundamental dos jogos de dominação e de poder, servem para mistificar, para manipular, mas servem, sobretudo, para sustentar um ideal falso na pessoa do preconceituoso, ideal acerca de si mesmo, um ideal de ‘superioridade’, sem o qual os preconceitos seriam eliminados porque perderiam, aí sim, a sua função fundante.” (l. 7-14)Sobre aspectos de morfossintaxe desse período, é correto afirmar que
4948175C-CA Português
Coesão e coerênciaUniversidade Estadual do Sudoeste da Bahia · 2017MédioEntre para guardar nos favoritosTEXTO:

De acordo com uma associação de ideias ensejada pelo texto, “esclarecimento” e “discernimento” (l. 45) se relacionam comC646BDD4-CA Espanhol
Interpretação de Texto | Comprensión de LecturaUniversidade Estadual do Sudoeste da Bahia · 2017MédioEntre para guardar nos favoritos
LAVADO, Joaquín Salvador. (QUINO). Disponível em:<http://www.revalorizandoam.org/blog/wp-content/uploads/2012/05/v40.gif> . Acesso em: 12. out. 2016. Adaptado.
El autor de la viñetaC63FBEBC-CA Espanhol
Interpretação de Texto | Comprensión de LecturaUniversidade Estadual do Sudoeste da Bahia · 2017MédioEntre para guardar nos favoritos
LAVADO, Joaquín Salvador. (QUINO). Disponível em:<http://www.revalorizandoam.org/blog/wp-content/uploads/2012/05/v40.gif> . Acesso em: 12. out. 2016. Adaptado.
Es correcto afirmar que en la viñeta,C639FE9C-CA Espanhol
Interpretação de Texto | Comprensión de LecturaUniversidade Estadual do Sudoeste da Bahia · 2017MédioEntre para guardar nos favoritos
MOISÉS, Gabriel. Disponível em: <http://elpais.com/elpais/2016/11/07/opinion/1478542244_140714.htm>. Acesso em: 12. out. 2016. Adaptado.
El autor del texto opina queC6374238-CA Espanhol
Interpretação de Texto | Comprensión de LecturaUniversidade Estadual do Sudoeste da Bahia · 2017MédioEntre para guardar nos favoritos
MOISÉS, Gabriel. Disponível em: <http://elpais.com/elpais/2016/11/07/opinion/1478542244_140714.htm>. Acesso em: 12. out. 2016. Adaptado.
De acuerdo con el texto,C630B2E7-CA Espanhol
Interpretação de Texto | Comprensión de LecturaUniversidade Estadual do Sudoeste da Bahia · 2017MédioEntre para guardar nos favoritos
Disponível em:<https://s-media-cache-ak0.pinimg.com/564x/4d/bf/16/4dbf16d66a0dd0298fb157e460aa4ce2.jpg>. Acesso em: 12. out. 2016.
En el texto seC60AF496-CA Português
Interpretação de TextosUniversidade Estadual do Sudoeste da Bahia · 2017MédioEntre para guardar nos favoritos


TIBURI, Marcia e CASARA, Rubens. Ódio à inteligência: sobre o antiintelectualismo. Disponível em: . Acesso em: 08 nov. 2016.
Caracteriza o “anti-intelectualismo” (l. 43)47C75EEF-CA Inglês
Interpretação de texto | Reading comprehensionUniversidade Estadual do Sudoeste da Bahia · 2017MédioEntre para guardar nos favoritos

THEY can reach. Disponível em:<www1.folha.uol.com.br/internacional/2016/11/18284245conservationists-attempt-to-dissuade…alligatorhunting-in-brazil.shtm> . Acesso em: 8 dez. 2016. Adaptado.
It can be inferred from the text that Brazilian conservationists47BED7F4-CA Inglês
Interpretação de texto | Reading comprehensionUniversidade Estadual do Sudoeste da Bahia · 2017MédioEntre para guardar nos favoritos

According to the new labeling system proposed47BA909F-CA Inglês
Interpretação de texto | Reading comprehensionUniversidade Estadual do Sudoeste da Bahia · 2017MédioEntre para guardar nos favoritos
Fill in the parentheses with T (True) or F (False).The new labeling system has been proposed because( ) consumers have difficulty understanding the various now-existing labels.( ) the nutritional information about foods will be immediately grasped by its color.( ) people prefer to look at a package’s back or sides.( ) colors are likely to give misleading information about foods.The correct sequence, from top to bottom, is47B7C4D1-CA Inglês
Interpretação de texto | Reading comprehensionUniversidade Estadual do Sudoeste da Bahia · 2017MédioEntre para guardar nos favoritos
As far as food labels are concerned, the British Department of Health wants food manufacturers to use47AF4A5A-CA Português
Interpretação de TextosUniversidade Estadual do Sudoeste da Bahia · 2017MédioEntre para guardar nos favoritosAuto da Barca do Inferno(Aproxima-se um corregedor com uma vara na mão e diz chegando à Barca do Inferno:)Corregedor – Hou da barca?Diabo – Que quereis?Corregedor – Está aqui o senhor juiz.Diabo – Oh amador de perdiz* / quantos processos trazeis?Corregedor – Por trazê-los, bem vereis, / venho muito contrafeito.Diabo – Como anda lá o Direito?Corregedor – Nos autos constatareis.Diabo – Ora, pois, entrai, vejamos / o que dizem tais papéis.Corregedor – Para onde vai o batel?Diabo – No inferno nós ancoramos.Corregedor – Como? À terra dos demônios / há de ir um corregedor? [...]Diabo – Ora, entrai nos negros fados. / Ireis ao lago dos cães / e vereis os escrivães / como estão bem prosperados.Corregedor – Vão à terra dos danados / os novos evangelistas?Diabo – Os mestres das fraudes vistas / lá estão bem atormentados [...]*“amador de perdiz” – referência ao fato de os juízes aceitarem, como agrado, a doação de coelhos e perdizes.VICENTE, GIL. Três autos: da alma; da barca do inferno; de Mofina Mendes. Livre adaptação de Walmir Ayala. Rio de Janeiro: Ediouro; São Paulo: Publifolha, 1997. p. 145 -153.Sobre o trecho da cena transcrito e a obra de onde foi extraído, é correto afirmar:I. A cena se inicia com a chegada do corregedor, que é representante do judiciário, à Barca do Inferno, quando o Diabo lhe dirige a primeira acusação: a de corrupção, por manipular a justiça em benefício próprio, com a aceitação de suborno sob a forma de presentes ou doações.II. Na obra, através de farta argumentação e de provas forjadas, o corregedor consegue convencer o Diabo e o Anjo de sua inocência. Por isso, após ser perdoado, aceita o pedido de desculpas de ambos e se encaminha para a Barca do Paraíso, onde é recebido com muitos festejos e intensa louvação.III. Na obra, o autor, para relativizar os conceitos de bem e mal, de certo e errado, evitando uma perspectiva maniqueísta, coloca circunstâncias em que o Anjo e o Diabo trocam de papéis e passam a dirigir, respectivamente, a Barca do Inferno e a Barca da Glória. Com isso, o julgamento se torna mais preciso e a punição mais justa.IV. O cenário da obra é um porto onde se encontram ancoradas duas barcas: uma, guiada pelo Diabo, tem como destino o inferno; outra, guiada por um Anjo, leva ao paraíso. Nelas são acomodadas as pessoas que se aproximam e que já morreram, selecionadas pelo Diabo ou pelo Anjo, segundo sua conduta quando estavam vivas.V. A obra é uma sátira social e moral, pois veicula criticas aos costumes impróprios ou pecados de figuras poderosas da época, que são julgadas e punidas com a condenação ao inferno. Trata-se de uma temática que, embora contextualizada no século XVI, em Portugal, guarda certa atualidade e pertinência com questões contemporâneas.A alternativa em que todas as afirmativas indicadas estão corretas é a