Questões do ENEM: Linguagens e nível médio

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8.516 questões encontradas. Mostrando a página 227 de 426.

  • 96B19733-31

    Português

    Interpretação de Textos
    ENEM · 2016MédioEntre para guardar nos favoritos

    Há muito se sabe que a Bacia Bauru - depósito de rochas formadas por sedimentos localizado entre os estados de São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Paraná, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul - foi habitada, há milhões de anos, por uma abundante fauna de crocodiliformes, um grupo de répteis em que estão inclusos os crocodilos, jacarés e seus parentes pré-históricos extintos. Entre as famílias que por lá viveram está a Baurusuchidae, que, na região, englobava outras seis espécies de crocodiliformes exclusivamente terrestres e com grande capacidade de deslocamento, crânio alto e comprimido lateralmente e com longos dentes serrilhados. Agora, em um artigo publicado na versão on-line da revista Cretaceous Research, um grupo de pesquisadores das universidades federais do Rio de Janeiro e do Triângulo Mineiro, em Minas Gerais, identificaram mais um membro dessa antiga família.

    Disponível em: http://revistapesquisa.fapesp.br. Acesso em: 2 nov. 2013.


    A circulação do conhecimento científico ocorre de diferentes maneiras. Por meio da leitura do trecho, identifica-se que o texto é um artigo de divulgação científica, pois, entre outras características,

    Escolha uma alternativa para a questão 96b19733-31
  • 96A71035-31

    Português

    Interpretação de Textos
    ENEM · 2016MédioEntre para guardar nos favoritos

    É viajando pelo mundo que os dois profissionais do Living Tongues Institute for Endangered Languages reúnem subsídios para formar os chamados “dicionários falantes” de idiomas em fase de extinção, com poucos falantes no planeta. “A maioria das línguas do mundo é oral, o que significa que não estão escritas ou seus falantes não costumam escrevê-las. E, apesar de os projetos tradicionais dos linguistas serem os de escrever gramáticas e dicionários, gostamos de pensar em línguas vivas, e saber que as pessoas as estão falando. Então, se você vai a um dicionário, deve ser capaz de ouvi-lo. Foi com isso em mente que criamos os dicionários para oito de algumas das línguas mais ameaçadas do mundo”, disse o linguista K. David Harrison. Para os ativistas de cada comunidade com idioma ameaçado, esse dicionário é uma ferramenta que pode ser usada para disseminar o conhecimento da língua entre os mais jovens. Para todas as outras pessoas interessadas, é a oportunidade de encontrar sons e formas de discursos humanos desconhecidos para grande parte da população do globo. É a diversidade linguística escondida e que agora pode ser revelada.

    Disponível em: http://revistalingua.uol.com.br. Acesso em: 28jul. 2012 (adaptado).


    Considerando o projeto dos “dicionários falantes”, compreende-se que o trabalho dos linguistas apresentado no texto objetiva

    Escolha uma alternativa para a questão 96a71035-31
  • 9680F1D5-31

    Português

    Funções da Linguagem: emotiva, apelativa, referencial, metalinguística, fática e poética.
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    Pedra sobre pedra


    Algumas fazendas gaúchas ainda preservam as taipas, muros de pedra para cercar o gado. Um tipo de cerca primitiva. Não há nada que prenda uma pedra na outra, cuidadosamente empilhadas com altura de até um metro. Engenharia simples que já dura 300 anos. A mesma técnica usada no mangueirão, uma espécie de curral onde os animais ficavam confinados à noite. As taipas são atribuídas aos jesuítas. O objetivo era domar o gado xucro solto nos campos pelos colonizadores espanhóis.

    FERRI, M. Revista Terra da Gente, n. 96, abr. 2012.


    Um texto pode combinar diferentes funções de linguagem. Exemplo disso é Pedra sobre pedra, que se vale da função referencial e da metalinguística. A metalinguagem é estabelecida

    Escolha uma alternativa para a questão 9680f1d5-31
  • 967A04FB-31

    Português

    Interpretação de Textos
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    Como se vai de São Paulo a Curitiba (1928)


    Os tempos mudaram.

    O mundo contemporâneo pulsa em ritmos acelerados. Novos fatores revelam conveniência de outros métodos.

    Surgem, no decurso dos nossos dias, motivos que nos convencem de que cada município deve levar a sério o problema da circulação rodoviária.

    Para facilitar a ação administrativa.

    Para uma revisão das suas possibilidades econômicas.

    Ritmo de ruralização.

    Costurar o país com estradas alegres, desligadas de horários. Livres e cheias de sol como um verso moderno!

    BOPP, R. Poesia completa de Raul Bopp. Rio de Janeiro: José Olympio; São Paulo: Edusp, 1998 (fragmento).


    Nos anos de 1920, a necessidade de modernizar o Brasil refletiu-se na proposta de renovação estética defendida por artistas modernistas como Raul Bopp. No poema, o posicionamento favorável às transformações da sociedade brasileira aparece diretamente relacionado à experimentação na poesia. A relação direta entre modernização e procedimento estético no poema deve-se à correspondência entre

    Escolha uma alternativa para a questão 967a04fb-31
  • 9672DC18-31

    Português

    Interpretação de Textos
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    Chegou de Montes Claros uma irmã da nora de tia Clarinha e foi visitar tia Agostinha no Jogo da Bola. Ela é bonita, simpática e veste-se muito bem. [...] Ficaram todas as tias admiradas da beleza da moça e de seus modos políticos de conversar. Falava explicado e tudo muito correto. Dizia “você” em vez de “ocê”. Palavra que eu nunca tinha visto ninguém falar tão bem; tudo como se escreve sem engolir um s nem um r. Tia Agostinha mandou vir uma bandeja de uvas e lhe perguntou se ela gostava de uvas. Ela respondeu: “Aprecio sobremaneira um cacho de uvas, Dona Agostinha.” Estas palavras nos fizeram ficar de queixo caído. Depois ela foi passear com outras e laiá aproveitou para lhe fazer elogios e comparar conosco. Ela dizia: “Vocês não tiveram inveja de ver uma moça [...] falar tão bonito como ela? Vocês devem aproveitar a companhia dela para aprenderem”. [...] Na hora do jantar eu e as primas começamos a dizer, para enfezar laiá: “Aprecio sobremaneira as batatas fritas”, “Aprecio sobremaneira uma coxa de galinha”.

    MORLEY, H. Minha vida de menina: cadernos de uma menina provinciana nos fins do século XIX. Rio de Janeiro: José Olympio, 1997.


    Nesse texto, no que diz respeito ao vocabulário empregado pela moça de Montes Claros, a narradora expõe uma visão indicativa de

    Escolha uma alternativa para a questão 9672dc18-31
  • 966FD70B-31

    Português

    Interpretação de Textos
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    Ainda os equívocos no combate aos estrangeirismos


    Por que não se reconhece a existência de norma nas variedades populares? Para desqualificá-las? Por que só uma norma é reconhecida como norma e, não por acaso, a da elite?

    Por tantos equívocos, só nos resta lamentar que algumas pessoas, imbuídas da crença de que estão defendendo a língua, a identidade e a pátria, na verdade estejam reforçando velhos preconceitos e imposições. O português do Brasil há muito distanciou-se do português de Portugal e das prescrições dos gramáticos, cujo serviço às classes dominantes é definir a língua do poder em face de ameaças - internas e externas.

    ZILLES, A. M. S. In: FARACO, C. A. (Org.). Estrangeirismos: guerras em torno da língua. São Paulo: Parábola, 2004 (adaptado).


    O texto aborda a linguagem como um campo de disputas e poder. As interrogações da autora são estratégias que conduzem ao convencimento do leitor de que

    Escolha uma alternativa para a questão 966fd70b-31
  • 96692B89-31

    Português

    Interpretação de Textos
    ENEM · 2016MédioEntre para guardar nos favoritos

    o::... o Brasil... no meu ponto de vista... entendeu? o país só cresce através da educação... entendeu? Eu penso assim... então quer dizer... você dando uma prioridade pra... pra educação... a tendência é melhorar mais... entendeu? e as pessoas... como eu posso explicar assim? as pessoas irem... tomando conhecimento mais das coisas... né? porque eu acho que a pior coisa que tem é a pessoa alienada... né? a pessoa que não tem noção de na::da... entendeu?

    Trecho da fala de J. L, sexo masculino, 26 anos. In: VOTRE, S.; OLIVEIRA, M. R. (Coord.). A língua falada e escrita na cidade do Rio de Janeiro. Disponível em: www.discursoegramatica.letras.ufrj.br. Acesso em: 4 dez. 2012.


    A língua falada caracteriza-se por hesitações, pausas e outras peculiaridades. As ocorrências de “entendeu” e “né”, na fala de J. L., indicam que

    Escolha uma alternativa para a questão 96692b89-31
  • 966252B2-31

    Português

    Interpretação de Textos
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    Ao acompanharmos a história do telefone, verificamos que esse meio está se mostrando capaz de reunir em seu conteúdo uma quantidade cada vez maior de outros meios - envio de e-mails, recebimento de notícias, música através de rádio e mensagens de texto. Esta última função vem servindo como suporte para uma nova forma de sociabilidade, o fenômeno do flash mob - mobilizações relâmpago, que têm como característica principal realizar uma encenação em algum ponto da cidade.

    PAMPANELLI, G. A. A evolução do telefone e uma nova forma de sociabilidade: o flash mob. Disponível em: www.razonypalabra.org.mx. Acesso em: 1 jun. 2015 (adaptado).


    De acordo com o texto, a evolução das tecnologias de comunicação repercute na vida social, revelando que

    Escolha uma alternativa para a questão 966252b2-31
  • 965B8557-31

    Português

    Interpretação de Textos
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    Apuram o passo, por entre campinas ricas, onde pastam ou ruminam outros mil e mais bois. Mas os vaqueiros não esmorecem nos eias e cantigas, porque a boiada ainda tem passagens inquietantes: alarga-se e recomprime-se, sem motivo, e mesmo dentro da multidão movediça há giros estranhos, que não os deslocamentos normais do gado em marcha - quando sempre alguns disputam a colocação na vanguarda, outros procuram o centro, e muitos se deixam levar, empurrados, sobrenadando quase, com os mais fracos rolando para os lados e os mais pesados tardando para trás, no coice da procissão.

    — Eh, boi lá!... Eh-ê-ê-eh, boi!... Tou! Tou! Tou...

    As ancas balançam, e as vagas de dorsos, das vacas e touros, batendo com as caudas, mugindo no meio, na massa embolada, com atritos de couros, estralos e guampas, estrondos e baques, e o berro queixoso do gado junqueira, de chifres imensos, com muita tristeza, saudade dos campos, querência dos pastos de lá do sertão...

    “Um boi preto, um boi pintado,

    cada um tem sua cor.

    Cada coração um jeito

    de mostrar seu amor”.

    Boi bem bravo, bate baixo, bota baba, boi berrando... Dança doido, dá de duro, dá de dentro, dá direito...

    Vai, vem, volta, vem na vara, vai não volta, vai varando...

    ROSA, J. G. O burrinho pedrês. Sagarana. Rio de Janeiro: José Olympio, 1968.


    Próximo do homem e do sertão mineiros, Guimarães Rosa criou um estilo que ressignifica esses elementos. O fragmento expressa a peculiaridade desse estilo narrativo, pois

    Escolha uma alternativa para a questão 965b8557-31
  • 962AB7FF-31

    Inglês

    Interpretação de texto | Reading comprehension
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    Hunger Games Review: Family Film Guide


    Parent Concerns: There is definitely violence in this film. The central Hunger Games may not be as bloody and brutal as author Suzanne Collins describes in the novel, but there’s a visceral reaction to seeing the kid-on-kid violence ratherthanconjuring it inyourown imagination. The tributes kill each other in a host of ways, from spear, knife and arrow wounds to hand-to-hand battles that leave teens with their heads smashed in or necks snapped. The editing is quick and the shots never linger on anything overly graphic, but there is blood and twenty-two adolescents, aged 12-18, die in the annual blood sport pageant. Immature teens, even if they’ve read the books, may not be ready to handle to the film just yet. A good rule of thumb: if they’re not old enough to be reaped into the Hunger Games, theyYe probably not mature enough to see it.

    ANGULO-CHEN, S. Disponível em: http://news.moviefone.com. Acesso em: 28jun. 2012.


    Produções literárias e cinematográficas estão, muitas vezes, articuladas. No caso do filme Hunger Games, a autora da resenha chama a atenção para a questão da violência, que é mais

    Escolha uma alternativa para a questão 962ab7ff-31
  • 9626DEBB-31

    Inglês

    Interpretação de texto | Reading comprehension
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    On the Meaning of Being Chinese


    Ethnically speaking, I feel I am complicated to classify, but who isn’t, right? To me, being Chinese-Brazilian in America means a history of living in three opposite cultures, and sometimes feeling that I did not belong in neither, a constant struggle that immigrants, and national citizens, face when their appearance is foreign to natives in the country. Jokingly, I say that I am Asian in America, Brazilian in China, and a “gringa” in Brazil. Nevertheless, 1 believe that dealing with these hard to reconcile extremes have somehow helped me to become more comfortable with my identity.

    BELEZA LI. Disponível em: www.aiisf.org. Acesso em: 28 mar. 2014.


    Nesse fragmento, Beleza Li resume sua experiência de vida ao descrever a complexidade em

    Escolha uma alternativa para a questão 9626debb-31
  • 36B8CC64-42

    Inglês

    Interpretação de texto | Reading comprehension
    FGV · 2016MédioEntre para guardar nos favoritos

    Imagem da questão de Inglês, FGV 2016, Interpretação de texto | Reading comprehension

    According to the information in the article, which of the following is most likely to happen when a venomous animal group enters a new habitat?
    Escolha uma alternativa para a questão 36b8cc64-42
  • 369E0B59-42

    Inglês

    Interpretação de texto | Reading comprehension
    FGV · 2016MédioEntre para guardar nos favoritos

    Imagem da questão de Inglês, FGV 2016, Interpretação de texto | Reading comprehension

    According to the information in the article, which of the following is a strange aspect of what happened in Cologne on New Year’s Eve?
    Escolha uma alternativa para a questão 369e0b59-42
  • 36967E49-42

    Português

    Interpretação de Textos
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     Nova canção do exílio

                                          Um sabiá

                                          na palmeira, longe.

                                         Estas aves cantam

                                         um outro canto.


                                         O céu cintila

                                         sobre flores úmidas.

                                         Vozes na mata,

                                         e o maior amor.


                                         Só, na noite,

                                         seria feliz:

                                         um sabiá,

                                         na palmeira, longe.


                                         Onde é tudo belo

                                         e fantástico,

                                         só, na noite,

                                         seria feliz.

                                         (Um sabiá,

                                         na palmeira, longe.)


                                         Ainda um grito de vida e

                                         voltar

                                         para onde é tudo belo

                                         e fantástico:

                                         a palmeira, o sabiá,

                                         o longe.


                                        Carlos Drummond de Andrade, A rosa do povo


    Da “Canção do exílio”, de Gonçalves Dias, o poema de Drummond conserva, sobretudo, 

    Escolha uma alternativa para a questão 36967e49-42
  • 3693C92E-42

    Português

    Intertextualidade
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                                         Nova canção do exílio

                                          Um sabiá

                                          na palmeira, longe.

                                         Estas aves cantam

                                         um outro canto.


                                         O céu cintila

                                         sobre flores úmidas.

                                         Vozes na mata,

                                         e o maior amor.


                                         Só, na noite,

                                         seria feliz:

                                         um sabiá,

                                         na palmeira, longe.


                                         Onde é tudo belo

                                         e fantástico,

                                         só, na noite,

                                         seria feliz.

                                         (Um sabiá,

                                         na palmeira, longe.)


                                         Ainda um grito de vida e

                                         voltar

                                         para onde é tudo belo

                                         e fantástico:

                                         a palmeira, o sabiá,

                                         o longe.

                                         

                                         Carlos Drummond de Andrade, A rosa do povo


    0 sentido do poema depende, em boa medida, do reconhecimento de que, em sua composição, o autor se vale de uma relação intertextual com a “Canção do exílio”, de Gonçalves Dias. 0 que viabiliza a escolha do poema gonçalvino como referência intertextual é, em primeiro lugar, o fato de ele ser 

    Escolha uma alternativa para a questão 3693c92e-42
  • 368E7400-42

    Português

    Interpretação de Textos
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          Em uma outra casinha do cortiço acabava de estalar uma nova sobremesa, engrossando o barulho geral: era o jantar de um grupo de italianos mascates, onde o Delporto, o Pompeo, o Francesco e o Andrea representavam as principais figuras. Todos eles cantavam em coro, mais afinados que nas outras duas casas; quase, porém, que se lhes não podia ouvir as vozes, tantas e tão estrondosas eram as pragas que soltavam ao mesmo tempo. De quando em quando, de entre o grosso e macho vozear dos homens, esguichava um falsete feminino, tão estridente que provocava réplica aos papagaios e aos perus da vizinhança. E, daqui e dali, iam rebentando novas algazarras em grupos formados cá e lá pela estalagem. Havia nos operários e nos trabalhadores decidida disposição para pandegar, para aproveitar bem, até ao fim, aquele dia de folga. A casa de pasto fermentava revolucionada, como um estômago de bêbado depois de grande bródio, e arrotava sobre o pátio uma baforada quente e ruidosa que entontecia.

                                                                                                 Aluísio Azevedo, O cortiço

    A crítica literária costuma observar que, em O cortiço, considerado como um todo, ocorre uma espécie de ampla personificação, na medida em que, convertido em um único ente, o próprio cortiço figurado na obra seria sua personagem principal. Esse mesmo processo de personificação ocorre, em escala menor, no seguinte trecho do texto: 

    Escolha uma alternativa para a questão 368e7400-42
  • 368BDFA9-42

    Português

    Interpretação de Textos
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          Em uma outra casinha do cortiço acabava de estalar uma nova sobremesa, engrossando o barulho geral: era o jantar de um grupo de italianos mascates, onde o Delporto, o Pompeo, o Francesco e o Andrea representavam as principais figuras. Todos eles cantavam em coro, mais afinados que nas outras duas casas; quase, porém, que se lhes não podia ouvir as vozes, tantas e tão estrondosas eram as pragas que soltavam ao mesmo tempo. De quando em quando, de entre o grosso e macho vozear dos homens, esguichava um falsete feminino, tão estridente que provocava réplica aos papagaios e aos perus da vizinhança. E, daqui e dali, iam rebentando novas algazarras em grupos formados cá e lá pela estalagem. Havia nos operários e nos trabalhadores decidida disposição para pandegar, para aproveitar bem, até ao fim, aquele dia de folga. A casa de pasto fermentava revolucionada, como um estômago de bêbado depois de grande bródio, e arrotava sobre o pátio uma baforada quente e ruidosa que entontecia.

                                                                                                 Aluísio Azevedo, O cortiço

    Bastante notável no texto, a grande quantidade de anotações oriundas da percepção dos sentidos (no caso, sobretudo o da audição), constitui 

    Escolha uma alternativa para a questão 368bdfa9-42
  • 36891A02-42

    Português

    Interpretação de Textos
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           - A excelentíssima, declarou Seu Ribeiro, entende de escrituração.

          Seu Ribeiro morava aqui, trabalhava comigo, mas não gostava de mim. Creio que não gostava de ninguém. Tudo nele se voltava para o lugarejo que se transformou em cidade e que tinha, há meio século, bolandeira, terços, candeias de azeite e adivinhações em noites de São João. Com mais de setenta anos, andava a pé, de preferência pelas veredas. E só falava ao telefone constrangido. Odiava a época em que vivia, mas tirava-se de dificuldades empregando uns modos cerimoniosos e expressões que hoje não se usam. O reduzido calor que ainda guardava servia para aquecer aqueles livros grossos, de cantos e lombadas de couro. Escrevia neles com amor lançamentos complicados, e gastava quinze minutos para abrir um título, em letras grandes e curvas, um pouco trêmulas, as iniciais cheias de enfeites.

         - Entende muito, continuou. E embora eu não concorde integralmente com o método que preconiza, reconheço que poderá, querendo, encarregar-se da escrita.

            - Obrigada.

          - Não há de quê. A excelentíssima conhece a matéria e tem caligrafia. Eu sou uma ruína. Qualquer dia destes ...

                                                                                                         Graciliano Ramos, São Bernardo.


    Na frase “E embora eu não concorde integralmente com o método que preconiza”, os termos sublinhados podem ser substituídos, sem alteração de sentido, por: 
    Escolha uma alternativa para a questão 36891a02-42
  • 36814DBA-42

    Português

    Interpretação de Textos
    FGV · 2016MédioEntre para guardar nos favoritos

           - A excelentíssima, declarou Seu Ribeiro, entende de escrituração.

          Seu Ribeiro morava aqui, trabalhava comigo, mas não gostava de mim. Creio que não gostava de ninguém. Tudo nele se voltava para o lugarejo que se transformou em cidade e que tinha, há meio século, bolandeira, terços, candeias de azeite e adivinhações em noites de São João. Com mais de setenta anos, andava a pé, de preferência pelas veredas. E só falava ao telefone constrangido. Odiava a época em que vivia, mas tirava-se de dificuldades empregando uns modos cerimoniosos e expressões que hoje não se usam. O reduzido calor que ainda guardava servia para aquecer aqueles livros grossos, de cantos e lombadas de couro. Escrevia neles com amor lançamentos complicados, e gastava quinze minutos para abrir um título, em letras grandes e curvas, um pouco trêmulas, as iniciais cheias de enfeites.

         - Entende muito, continuou. E embora eu não concorde integralmente com o método que preconiza, reconheço que poderá, querendo, encarregar-se da escrita.

            - Obrigada.

          - Não há de quê. A excelentíssima conhece a matéria e tem caligrafia. Eu sou uma ruína. Qualquer dia destes ...

                                                                                                         Graciliano Ramos, São Bernardo


    As informações contidas no texto, consideradas no contexto de São Bernardo, indicam como importante coordenada histórico-social dessa obra o processo de 
    Escolha uma alternativa para a questão 36814dba-42
  • 36798D0D-42

    Português

    Interpretação de Textos
    FGV · 2016MédioEntre para guardar nos favoritos

           Por que o senhor não escreve coisas poéticas, soltas, gostosas? As crônicas, antigamente, nos deixavam mais leves, de bem com a vida e o mundo. Agora, tudo o que a gente lê nos leva para baixo. Está difícil de suportar. Escrevo na manhã de um domingo. Sete horas. Aquele sol que nos tem castigado, começava a dar sinais de ardência profunda. Olhei pela porta de vidro do terraço e descobri, maravilhado e feliz, que a pitangueira plantada em vaso, que chegou há dois anos, estava repleta de frutos vermelhos, reluzentes, envernizados. Os primeiros. Fiquei admirado. Os pássaros não tinham descoberto? Aquelas frutinhas tinham se salvado? Chupei uma, duas três, queria todas, mas precisava guardar para a família, afinal, eram as primeiras. Pitanga, coisa de infância, do interior. Uma das frutas mais sofisticadas do Brasil, a meu ver. Antigamente, quando viajávamos pela Varig, ao sair do Recife, recebíamos um copo de suco fresco de pitanga, perfumado. Dia desses, Maria Eduarda, amiga pernambucana, me disse: “Você está chegando aqui, sabemos que gosta de vinhos. Que vinho prefere?”. E eu: “Nenhum! Quero suco de pitanga”. Maria Eduarda: “Pois vai tomar das pitangas do pomar de meu pai, Cornélio”. Foi uma celebração!

          Esta é a pitada de poesia que encontrei neste momento. Mas ficaram em minha mente essas perguntas cotidianas que todos estão fazendo. Ouço no dia a dia, pela manhã ao comprar o pão e o leite, no supermercado, no bar, numa escola, na livraria, ao entrar no cinema. Ouvi agora, ao percorrer cinco cidades do litoral (...). Jovens e mais velhos, acreditando que o escritor tem as respostas, me olhavam: “O senhor acha que a gente sai dessa?”. Só consegui dizer: “Não sei e acho que ninguém sabe”.

                                                         Ignácio de Loyola Brandão, O Estado de S. Paulo, 02/10/2015. 



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