Questões do ENEM: Linguagens e nível médio

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8.516 questões encontradas. Mostrando a página 350 de 426.

  • 3BF4EB2F-8D

    Português

    Classificação dos verbos (Regulares, Irregulares, Defectivos, Abundantes, Unipessoais, Pronominais)
    UNESP · 2011MédioEntre para guardar nos favoritos

    Instrução: A questão toma por base uma passagem do romance O sertanejo, do romântico brasileiro José de Alencar (1829-1877).

                                                          O sertanejo

          O moço sertanejo bateu o isqueiro e acendeu fogo num toro carcomido, que lhe serviu de braseiro para aquentar o ferro; e enquanto esperava, dirigiu-se ao boi nestes termos e com um modo afável:

          – Fique descansado, camarada, que não o envergonharei levando-o à ponta de laço para mostrá-lo a toda aquela gente! Não; ninguém há de rir-se de sua desgraça. Você é um boi valente e destemido; vou dar-lhe a liberdade. Quero que viva muitos anos, senhor de si, zombando de todos os vaqueiros do mundo, para um dia, quando morrer de velhice, contar que só temeu a um homem, e esse foi Arnaldo Louredo.

          O sertanejo parou para observar o boi, como se esperasse mostra de o ter ele entendido, e continuou:

          – Mas o ferro da sua senhora, que também é a minha, tenha paciência, meu Dourado, esse há de levar; que é o sinal de o ter rendido o meu braço. Ser dela, não é ser escravo; mas servir a Deus, que a fez um anjo. Eu também trago o seu ferro aqui, no meu peito. Olhe, meu Dourado. O mancebo abriu a camisa, e mostrou ao boi o emblema que ele havia picado na pele, sobre o seio esquerdo, por meio do processo bem conhecido da inoculação de uma matéria colorante na epiderme. O debuxo de Arnaldo fora estresido com o suco do coipuna, que dá uma bela tinta escarlate, com que os índios outrora e atualmente os sertanejos tingem suas redes de algodão.

          Depois de ter assim falado ao animal, como a um homem que o entendesse, o sertanejo tomou o cabo de ferro, que já estava em brasa, e marcou o Dourado sobre a pá esquerda.

          – Agora, camarada, pertence a D. Flor, e portanto quem o ofender tem de haver-se comigo, Arnaldo Louredo. Tem entendido?... Pode voltar aos seus pastos; quando eu quiser, sei onde achá-lo. Já lhe conheço o rasto.

          O Dourado dirigiu-se com o passo moroso para o mato; chegado à beira, voltou a cabeça para olhar o sertanejo, soltou um mugido saudoso e desapareceu.

          Arnaldo acreditou que o boi tinha-lhe dito um afetuoso adeus.

          E o narrador deste conto sertanejo não se anima a afirmar que ele se iludisse em sua ingênua superstição.

                                                                                               (José de Alencar. O sertanejo. Rio de Janeiro:

                                                                                      Livraria Garnier, [s.d.]. tomo II, p. 79-80. Adaptado.)

    Tomando por base que estresido é particípio do verbo estresir, que significa no texto a passagem da marca da senhora para o peito do vaqueiro por meio de papel, tinta e um instrumento furador, complete a lacuna da seguinte frase com a forma adequada do pretérito perfeito do indicativo do verbo estresir:

    A bordadeira___________ o desenho sobre o pano.

    Escolha uma alternativa para a questão 3bf4eb2f-8d
  • 3BE1B514-8D

    Português

    Interpretação de Textos
    UNESP · 2011MédioEntre para guardar nos favoritos

    Instrução: A questão toma por base uma passagem do romance O sertanejo, do romântico brasileiro José de Alencar (1829-1877).

                                                          O sertanejo

          O moço sertanejo bateu o isqueiro e acendeu fogo num toro carcomido, que lhe serviu de braseiro para aquentar o ferro; e enquanto esperava, dirigiu-se ao boi nestes termos e com um modo afável:

          – Fique descansado, camarada, que não o envergonharei levando-o à ponta de laço para mostrá-lo a toda aquela gente! Não; ninguém há de rir-se de sua desgraça. Você é um boi valente e destemido; vou dar-lhe a liberdade. Quero que viva muitos anos, senhor de si, zombando de todos os vaqueiros do mundo, para um dia, quando morrer de velhice, contar que só temeu a um homem, e esse foi Arnaldo Louredo.

          O sertanejo parou para observar o boi, como se esperasse mostra de o ter ele entendido, e continuou:

          – Mas o ferro da sua senhora, que também é a minha, tenha paciência, meu Dourado, esse há de levar; que é o sinal de o ter rendido o meu braço. Ser dela, não é ser escravo; mas servir a Deus, que a fez um anjo. Eu também trago o seu ferro aqui, no meu peito. Olhe, meu Dourado. O mancebo abriu a camisa, e mostrou ao boi o emblema que ele havia picado na pele, sobre o seio esquerdo, por meio do processo bem conhecido da inoculação de uma matéria colorante na epiderme. O debuxo de Arnaldo fora estresido com o suco do coipuna, que dá uma bela tinta escarlate, com que os índios outrora e atualmente os sertanejos tingem suas redes de algodão.

          Depois de ter assim falado ao animal, como a um homem que o entendesse, o sertanejo tomou o cabo de ferro, que já estava em brasa, e marcou o Dourado sobre a pá esquerda.

          – Agora, camarada, pertence a D. Flor, e portanto quem o ofender tem de haver-se comigo, Arnaldo Louredo. Tem entendido?... Pode voltar aos seus pastos; quando eu quiser, sei onde achá-lo. Já lhe conheço o rasto.

          O Dourado dirigiu-se com o passo moroso para o mato; chegado à beira, voltou a cabeça para olhar o sertanejo, soltou um mugido saudoso e desapareceu.

          Arnaldo acreditou que o boi tinha-lhe dito um afetuoso adeus.

          E o narrador deste conto sertanejo não se anima a afirmar que ele se iludisse em sua ingênua superstição.

                                                                                               (José de Alencar. O sertanejo. Rio de Janeiro:

                                                                                      Livraria Garnier, [s.d.]. tomo II, p. 79-80. Adaptado.)

    Considere as seguintes palavras do texto:

    I. Moço.

    II. Mancebo.

    III. Sertanejo.

    IV. Valente.

    As palavras utilizadas pelo narrador para referir-se a Arnaldo Louredo estão contidas apenas em:

    Escolha uma alternativa para a questão 3be1b514-8d
  • 3BBBDF5B-8D

    Português

    Interpretação de Textos
    UNESP · 2011MédioEntre para guardar nos favoritos

    Instrução: A questão toma por base uma passagem da Proposta Curricular do Estado de São Paulo (2008).

                                   Prioridade para a competência da leitura e da escrita

          A humanidade criou a palavra, que é constitutiva do humano, seu traço distintivo. O ser humano constitui-se assim um ser de linguagem e disso decorre todo o restante, tudo o que transformou a humanidade naquilo que é. Ao associar palavras e sinais, criando a escrita, o homem construiu um instrumental que ampliou exponencialmente sua capacidade de comunicar-se, incluindo pessoas que estão longe no tempo e no espaço.

          Representar, comunicar e expressar são atividades de construção de significado relacionadas a vivências que se incorporam ao repertório de saberes de cada indivíduo. Os sentidos são construídos na relação entre a linguagem e o universo natural e cultural em que nos situamos. E é na adolescência, como vimos, que a linguagem adquire essa qualidade de instrumento para compreender e agir sobre o mundo real.

          A ampliação das capacidades de representação, comunicação e expressão está articulada ao domínio não apenas da língua mas de todas as outras linguagens e, principalmente, ao repertório cultural de cada indivíduo e de seu grupo social, que a elas dá sentido. A escola é o espaço em que ocorre a transmissão, entre as gerações, do ativo cultural da humanidade, seja artístico e literário, histórico e social, seja científico e tecnológico. Em cada uma dessas áreas, as linguagens são essenciais.

          As linguagens são sistemas simbólicos, com os quais recortamos e representamos o que está em nosso exterior, em nosso interior e na relação entre esses âmbitos; é com eles também que nos comunicamos com os nossos iguais e expressamos nossa articulação com o mundo.

          Em nossa sociedade, as linguagens e os códigos se multiplicam: os meios de comunicação estão repletos de gráficos, esquemas, diagramas, infográficos, fotografias e desenhos. O design diferencia produtos equivalentes quanto ao desempenho ou à qualidade. A publicidade circunda nossas vidas, exigindo permanentes tomadas de decisão e fazendo uso de linguagens sedutoras e até enigmáticas. Códigos sonoros e visuais estabelecem a comunicação nos diferentes espaços. As ciências construíram suas próprias linguagens, plenas de símbolos e códigos. A produção de bens e serviços foi em grande parte automatizada e cabe a nós programar as máquinas, utilizando linguagens específicas. As manifestações artísticas e de entretenimento utilizam, cada vez mais, diversas linguagens que se articulam.

          Para acompanhar tal contexto, a competência de leitura e de escrita vai além da linguagem verbal, vernácula – ainda que esta tenha papel fundamental – e refere-se a sistemas simbólicos como os citados, pois essas múltiplas linguagens estão presentes no mundo contemporâneo, na vida cultural e política, bem como nas designações e nos conceitos científicos e tecnológicos usados atualmente.

                                                    (Proposta Curricular do Estado de São Paulo: Língua Portuguesa / Coord.

                                                                              Maria Inês Fini. São Paulo: SEE, 2008. p. 16. Adaptado.)

    Segundo o que é afirmado no primeiro parágrafo do texto, a criação da escrita
    Escolha uma alternativa para a questão 3bbbdf5b-8d
  • B80425E0-13

    Espanhol

    Interpretação de Texto | Comprensión de Lectura
    UNICENTRO · 2011MédioEntre para guardar nos favoritos

    Imagem da questão de Espanhol, UNICENTRO 2011, Interpretação de Texto | Comprensión de Lectura

    La observación de la viñeta permite afirmar que
    Escolha uma alternativa para a questão b80425e0-13
  • B8029A70-13

    Espanhol

    Interpretação de Texto | Comprensión de Lectura
    UNICENTRO · 2011MédioEntre para guardar nos favoritos

    Imagem da questão de Espanhol, UNICENTRO 2011, Interpretação de Texto | Comprensión de Lectura

    “Llega para sus mayores el momento de marcarles hasta dónde pueden llegar.” (l. 4-5)

    El fragmento transcrito quiere decir que
    Escolha uma alternativa para a questão b8029a70-13
  • 312E28B5-CF

    Português

    Formação das Palavras: Composição, Derivação, Hibridismo, Onomatopeia e Abreviação
    IF-BA · 2011MédioEntre para guardar nos favoritos
    TEXTO II

                      A noite dissolve os homens

    A noite
    desceu. Que noite!
    Já não enxergo meus irmãos.
    E nem tão pouco os rumores que outrora me perturbavam.

    A noite desceu. Nas casas, nas ruas onde se combate,
    nos campos desfalecidos, a noite espalhou o medo e a total
    incompreensão.
    A noite caiu. Tremenda, sem esperança...
    Os suspiros acusam a presença negra que paralisa os
    guerreiros.

    E o amor não abre caminho na noite.
    A noite é mortal, completa, sem reticências,
    a noite dissolve os homens, diz que é inútil sofrer,
    a noite dissolve as pátrias, apagou os almirantes cintilantes!
    nas suas fardas.

    A noite anoiteceu tudo... O mundo não tem remédio...
    Os suicidas tinham razão.

    Aurora, entretanto eu te diviso,
    ainda tímida, inexperiente das luzes que vais ascender
    e dos bens que repartirás com todos os homens.

    Sob o úmido véu de raivas, queixas e humilhações,
    adivinho-te que sobes,
    vapor róseo, expulsando a treva noturna.

    O triste mundo fascista se decompõe ao contato de teus
    dedos,
    teus dedos frios, que ainda se não modelaram mas que
    avançam
    na escuridão
    como um sinal verde e peremptório.

    Minha fadiga encontrará em ti o seu termo,
    minha carne estremece na certeza de tua vinda.

    O suor é um óleo suave, as mãos dos sobreviventes
    se enlaçam,
    os corpos hirtos adquirem uma fluidez, uma inocência, um
    perdão
    simples e macio...

    Havemos de amanhecer.
    O mundo se tinge com as tintas da antemanhã
    e o sangue que escorre é doce, de tão necessário
    para colorir tuas pálidas faces, aurora.

    (ANDRADE, Carlos Drummond de. Obra completa. Vol. único. Rio de Janeiro: Aguillar, 1964, p.112)


    Considerando-se o processo de formação de palavras, é correto afirmar que em
    Escolha uma alternativa para a questão 312e28b5-cf
  • 2E2A44B8-CF

    Português

    Interpretação de Textos
    IF-BA · 2011MédioEntre para guardar nos favoritos
    TEXTO II

                      A noite dissolve os homens

    A noite
    desceu. Que noite!
    Já não enxergo meus irmãos.
    E nem tão pouco os rumores que outrora me perturbavam.

    A noite desceu. Nas casas, nas ruas onde se combate,
    nos campos desfalecidos, a noite espalhou o medo e a total
    incompreensão.
    A noite caiu. Tremenda, sem esperança...
    Os suspiros acusam a presença negra que paralisa os
    guerreiros.

    E o amor não abre caminho na noite.
    A noite é mortal, completa, sem reticências,
    a noite dissolve os homens, diz que é inútil sofrer,
    a noite dissolve as pátrias, apagou os almirantes cintilantes!
    nas suas fardas.

    A noite anoiteceu tudo... O mundo não tem remédio...
    Os suicidas tinham razão.

    Aurora, entretanto eu te diviso,
    ainda tímida, inexperiente das luzes que vais ascender
    e dos bens que repartirás com todos os homens.

    Sob o úmido véu de raivas, queixas e humilhações,
    adivinho-te que sobes,
    vapor róseo, expulsando a treva noturna.

    O triste mundo fascista se decompõe ao contato de teus
    dedos,
    teus dedos frios, que ainda se não modelaram mas que
    avançam
    na escuridão
    como um sinal verde e peremptório.

    Minha fadiga encontrará em ti o seu termo,
    minha carne estremece na certeza de tua vinda.

    O suor é um óleo suave, as mãos dos sobreviventes
    se enlaçam,
    os corpos hirtos adquirem uma fluidez, uma inocência, um
    perdão
    simples e macio...

    Havemos de amanhecer.
    O mundo se tinge com as tintas da antemanhã
    e o sangue que escorre é doce, de tão necessário
    para colorir tuas pálidas faces, aurora.

    (ANDRADE, Carlos Drummond de. Obra completa. Vol. único. Rio de Janeiro: Aguillar, 1964, p.112)


    Constitui uma afirmativa que sintetiza a ideia central do poema a indicada na alternativa:
    Escolha uma alternativa para a questão 2e2a44b8-cf
  • 291E7285-CF

    Português

    Interpretação de Textos
    IF-BA · 2011MédioEntre para guardar nos favoritos
    Imagem da questão de Português, IF-BA 2011, Interpretação de Textos

    Com base na leitura do texto, pode-se inferir que
    Escolha uma alternativa para a questão 291e7285-cf
  • DA019DD3-2D

    Inglês

    Interpretação de texto | Reading comprehension
    PUC - RS · 2011MédioEntre para guardar nos favoritos
    Imagem da questão de Inglês, PUC - RS 2011, Interpretação de texto | Reading comprehension
    According to the last sentence in the first paragraph (lines 12 to 14), methods to keep track of surgeons’ abilities/skills
    Escolha uma alternativa para a questão da019dd3-2d
  • D90EE608-2D

    Inglês

    Interpretação de texto | Reading comprehension
    PUC - RS · 2011MédioEntre para guardar nos favoritos
    Imagem da questão de Inglês, PUC - RS 2011, Interpretação de texto | Reading comprehension
    According to the text,
    Escolha uma alternativa para a questão d90ee608-2d
  • D726D264-2D

    Inglês

    Interpretação de texto | Reading comprehension
    PUC - RS · 2011MédioEntre para guardar nos favoritos
    Imagem da questão de Inglês, PUC - RS 2011, Interpretação de texto | Reading comprehension
    According to the text, the best definition for the term “short-cut” (line 09) is
    Escolha uma alternativa para a questão d726d264-2d
  • C7EEA5CF-2D

    Português

    Interpretação de Textos
    PUC - RS · 2011MédioEntre para guardar nos favoritos
    Imagem da questão de Português, PUC - RS 2011, Interpretação de Textos

    Neste poema, os retratos antigos

    I. buscam uma espécie de diálogo com o observador, porque nunca perdem a sua humanidade.

    II. mesmo pendurados na parede, parecem ter vida própria.

    III. simbolizam um passado fantasmagórico que pode continuar aterrorizando, por isso devem ser olhados com cautela.

    A(s) afirmativa(s) correta(s) é/são:
    Escolha uma alternativa para a questão c7eea5cf-2d
  • C31B4D4D-2D

    Português

    Interpretação de Textos
    PUC - RS · 2011MédioEntre para guardar nos favoritos
    Imagem da questão de Português, PUC - RS 2011, Interpretação de Textos
    Com base na leitura do poema, preencha os parênte- ses com V para verdadeiro e F para falso.

    ( ) O retrato tem uma determinada hora para dialogar com o Eu poético, primeira voz no poema.

    ( ) O leitor pode ser levado, pelo retrato, a pensar sobre a brevidade da vida.

    ( ) O retrato é uma espécie de duplo ameaçador do Eu poético.

    ( ) O poema sugere que o retrato é mais duradouro do que a vida.

    ( ) O retrato suscita terror na alma do Eu poético.

    A sequência correta de preenchimento dos parênte- ses, de cima para baixo, é:
    Escolha uma alternativa para a questão c31b4d4d-2d
  • 24BAA923-27

    Inglês

    Adjetivos | Adjectives
    PUC - RS · 2011MédioEntre para guardar nos favoritos
    Imagem da questão de Inglês, PUC - RS 2011, Adjetivos | Adjectives De acordo com seu uso no texto, pertencem à mesma categoria gramatical os termos da alternativa

    Escolha uma alternativa para a questão 24baa923-27
  • 1838BD7A-27

    Português

    Interpretação de Textos
    PUC - RS · 2011MédioEntre para guardar nos favoritos
    INSTRUÇÃO: Para responder à questão 40, leia o excerto do poema denominado “Graciliano Ramos”, de João Cabral de Melo Neto.

    Falo somente com o que falo:
    com as mesmas vinte palavras
    girando ao redor do sol
    que as limpa do que não é faca:
    de toda uma crosta viscosa,
    resto de janta abaianada,
    que fica na lâmina e cega
    seu gosto da cicatriz clara.
    Falo somente do que falo:
    do seco e de suas paisagens,
    Nordestes, debaixo de um sol
    ali do mais quente vinagre:
    que reduz tudo ao espinhaço,
    cresta o simplesmente folhagem,
    folha prolixa, folharada,
    onde possa esconder- se na fraude.
    Falo somente por quem falo:
    por quem existe nesses climas
    condicionados pelo sol,
    pelo gavião e outras rapinas:
    e onde estão os solos inertes
    de tantas condições caatinga
    em que só cabe cultivar
    o que é sinônimo da míngua.
    Falo somente para quem falo:
    quem padece sono de morto
    e precisa um despertador
    acre, como o sol sobre o olho:
    que é quando o sol é estridente,
    a contrapelo, imperioso,
    e bate nas pálpebras como
    se bate numa porta a socos.

    I. O poema de João Cabral dialoga com o imaginário acre e violento presente no livro Vidas Secas, de Graciliano Ramos.

    II. O poema se dirige aos que sofrem com as radicais condições da caatinga nordestina, onde o sol é estridente, atingindo as pálpebras como se bate numa porta a socos.

    III. Apesar de todas as adversidades sertanejas, a natureza local possibilita um momento para cultivar uma multiplicidade de alimentos.

    A(s) afirmativa(s) correta(s) é/são:

    Escolha uma alternativa para a questão 1838bd7a-27
  • 1751E3E8-27

    Português

    Interpretação de Textos
    PUC - RS · 2011MédioEntre para guardar nos favoritos
    INSTRUÇÃO: Para responder à questão 39, leia o fragmento do conto “A Hora e a Vez de Augusto Matraga”, de João Guimarães Rosa.

    O cavalo de Nhô Augusto obedeceu para diante; as ferraduras tinham e deram fogo no lajeado; e o cavaleiro, em pé nos estribos, trouxe a taca no ar, querendo a figura do velho. Mas o Major piscou, apenas, e encolheu a cabeça, porque mais não era preciso, e os capangas pulavam de cada beirada, e eram só pernas e braços. – Frecha, povo! Desmancha! Já os porretes caíam em cima do cavaleiro, que nem pinotes de matrinxãs na rede. Pauladas na cabeça, nos ombros, nas coxas. Nhô Augusto desceu o corpo e caiu. Ainda se ajoelhou em terra, querendo firmar- se nas mãos, mas isso só lhe serviu para poder ver as caras horríveis dos seus próprios bate- paus, e, no, meio deles, o capiauzinho mongo que amava a mulher- a toa Sariema. E Nhô Augusto fechou os olhos, de gastura, porque ele sabia que capiau de testa peluda, com o cabelo quase nos olhos, é uma raça de homem capaz de guardar o passado em casa, em lugar fresco perto do pote, e ir buscar na rua outras raivas pequenas, tudo para ajuntar à massa- mãe do ódio grande, até chegar o dia de tirar vingança. (...) Puxaram e arrastaram Nhô Augusto, pelo atalho do rancho do Barranco, que ficou sendo um caminho de pragas e judiação. E quando chegaram ao rancho do Barranco, ao fim da légua, o Nhô Augusto já vinha quase que só carregado, meio nu, todo picado de faca, quebrado de pancadas e enlameado grosso, poeira com sangue. Empurraram- no para o chão, e ele nem se moveu. (...) E, aí, quando tudo esteve a ponto, abrasaram o ferro com a marca do gado do Major – que soía ser um triângulo inscrito numa circunferência –, e imprimiram-na, com chiado, chamusco e fumaça, na polpa glútea direita de Nhô Augusto. Mas recuaram todos, num susto, porque Nhô Augusto viveu- se, com um berro e um salto, medonhos.

    Considerando o fragmento acima, todas as afirmativas são corretas, EXCETO:
    Escolha uma alternativa para a questão 1751e3e8-27