Questões do ENEM: Linguagens e nível difícil

Use os filtros para chegar às questões que interessam. Cada resultado abre em uma página própria com enunciado, alternativas e gabarito.

Resultados

4.735 questões encontradas. Mostrando a página 99 de 237.

  • D7DFCEDE-B7

    Inglês

    Interpretação de texto | Reading comprehension
    IFN-MG · 2016DifícilEntre para guardar nos favoritos

    Leia o texto 11 para responder à questão.

    TEXTO 11

    WORLD THAILAND 

    Thailand Is Growing Concerned That Zika May Start to Impact Tourism Thai Health officials have expressed fears that the Zika virus will have a negative impact on the country’s booming tourism industry. “If we say which province has infections [of Zika] then attention will turn on that province, and if that province is popular with tourists it will have an impact on tourism,” Anuttarasakdi Ratchatatat, an epidemiologist at the health ministry’s Bureau of Vector Borne Disease, told Reuters, 

    There have been 100 confirmed cases in Thailand since January. Twenty-two new cases of Zika were confirmed in Bangkok alone last Sunday. 

    Thai authorities also reported monitoring 30 pregnant women infected by the mosquito-borne virus. The health ministry told Reuters six women have given birth without complications so far. 

    Samlee Pliangbangchang, former regional director of WHO’s Southeast Asia office told Reuters, “We don’t know the extent of the Zika spread in Thailand.”  

    However, recent maps by the European Centre for Disease Prevention and Control (ECDPC) suggests “increasing or widespread transmission” of the virus in the country, which, with its tropical climate and rainfall, provides ideal breeding grounds for mosquitoes. 

    Thailand welcomed nearly 30 million visitors in 2015, making it one of the world’s top destinations. 

    Disponível em:<http://time.com/4487130/zika-thailand-tourism-concerns/?xid=homepage> . Acesso em: 23 ago. 2016 

    O vírus da Zica, que causou grande alvoroço na comunidade mundial antes das olimpíadas do Brasil, continua a assustar turistas em outros destinos como a Tailândia. O TEXTO 11 mostra certo receio de que a doença se torne uma epidemia no país asiático por causa:
    Escolha uma alternativa para a questão d7dfcede-b7
  • D7D264F6-B7

    Inglês

    Interpretação de texto | Reading comprehension
    IFN-MG · 2016DifícilEntre para guardar nos favoritos
    “Don't be in a hurry to condemn because he doesn't do what you do or think as you think or as fast. There was a time when you didn't know what you know today.”
    Malcolm X

    Disponível em: <http://www.goodreads.com/quotes/281078-don-t-be-in-a-hurry-to-condemn-becausehe-doesn-t>. Acesso em: 12 set. 2016

    Citações são passagens curtas retiradas de textos orais ou escritos. Nessa citação, Malcolm X aconselha a:
    Escolha uma alternativa para a questão d7d264f6-b7
  • D7C67828-B7

    Inglês

    Interpretação de texto | Reading comprehension
    IFN-MG · 2016DifícilEntre para guardar nos favoritos

    Observe o cartaz apresentado na FIGURA 1 para responder à questão.

    FIGURA 1 

    Imagem da questão de Inglês, IFN-MG 2016, Interpretação de texto | Reading comprehension

    Disponível em: <https://i.ytimg.com/vi/TVcTSLsS3WE/hqdefault.jpg>. Acesso em: 09 set. 2016 
    Cartazes são muitas vezes criados para expor posicionamentos ideológicos de maneira simples e ilustrativa. O cartaz, apresentado na FIGURA 1, sugere que:
    Escolha uma alternativa para a questão d7c67828-b7
  • D7B0B835-B7

    Português

    Gêneros Textuais
    IFN-MG · 2016DifícilEntre para guardar nos favoritos

    Leia os textos 5 e 6 para responder à questão.

    TEXTO 5 

    A língua de que usam, por toda a costa, carece de três letras; convém a saber, não se acha nela F, nem L, nem R, coisa digna de espanto, porque assim não têm Fé, nem Lei, nem Rei, e essa maneira vivem desordenadamente, sem terem além disto conta, nem peso, nem medida. 

    GÂNGAVO, P. M.. A primeira história do Brasil: história da província de Santa Cruz a que vulgarmente chamamos Brasil. Rio de Janeiro: Zahar, 2004 (Adaptado)


    TEXTO 6 

    Águas são muitas; infinitas. Em tal maneira é graciosa que, querendo-a aproveitar, dar-se-á nela tudo; por causa das águas que tem!

    Contudo, o melhor fruto que dela se pode tirar parece-me que será salvar esta gente. E esta deve ser a principal semente que Vossa Alteza em ela deve lançar. E que não houvesse mais do que ter Vossa Alteza aqui esta pousada para essa navegação de Calicute bastava. Quanto mais, disposição para se ela cumprir e fazer o que Vossa Alteza tanto deseja, a saber, acrescentamento da nossa fé! [...]”.(Fragmento da Carta de Pero Vaz de Caminha).

    Disponível em: <http://escolakids.uol.com.br/carta-de-pero-vaz-de-caminha.htm>. Acesso em: 24 ago. 2016. 

    A literatura nascente no Brasil compreende os textos com objetivo informativo e formativo. Sobre os dois trechos, apresentados nos TEXTOS 5 e 6, que compõem as crônicas do “Descobrimento do Brasil”, pode-se afirmar que:
    Escolha uma alternativa para a questão d7b0b835-b7
  • D7912653-B7

    Português

    Análise sintática
    IFN-MG · 2016DifícilEntre para guardar nos favoritos

    Leia o TEXTO 1 e responda à questão. 

    TEXTO 1 

    Figura 1 de 5 da questão de Português, IFN-MG 2016, Análise sintática

    Figura 2 de 5 da questão de Português, IFN-MG 2016, Análise sintática

    Figura 3 de 5 da questão de Português, IFN-MG 2016, Análise sintática

    Figura 4 de 5 da questão de Português, IFN-MG 2016, Análise sintática

    Figura 5 de 5 da questão de Português, IFN-MG 2016, Análise sintática

    André Felipe Portugal é advogado e mestrando em Direito Constitucional pela Universidade de Coimbra (Portugal). 

    PORTUGAL, André Felipe. Não ao pensamento único. Disponível em:<http://www.gazetadopovo.com.br/opiniao/artigos/nao-ao-pensamento-unico-8n51aku1uc9ghd632l0zsrcqg>Acesso em: 10 jun. 2016 (Adaptado)

    “[...] Logo, pode-se dizer que, a não ser pela linguagem, pelas palavras, não conseguimos compreendê-lo. O que é o real? Não saberemos senão através da linguagem. Isto é, não saberemos – ao menos não completamente.” (linhas 4–7)

    Considerando o trecho do TEXTO 1, destacado anteriormente, o discurso se organiza, sequencialmente, por elementos linguísticos que, além de estabelecerem a coesão, introduzem ideias de:
    Escolha uma alternativa para a questão d7912653-b7
  • D78C8649-B7

    Português

    Interpretação de Textos
    IFN-MG · 2016DifícilEntre para guardar nos favoritos

    Leia o TEXTO 1 e responda à questão. 

    TEXTO 1 

    Figura 1 de 5 da questão de Português, IFN-MG 2016, Interpretação de Textos

    Figura 2 de 5 da questão de Português, IFN-MG 2016, Interpretação de Textos

    Figura 3 de 5 da questão de Português, IFN-MG 2016, Interpretação de Textos

    Figura 4 de 5 da questão de Português, IFN-MG 2016, Interpretação de Textos

    Figura 5 de 5 da questão de Português, IFN-MG 2016, Interpretação de Textos

    André Felipe Portugal é advogado e mestrando em Direito Constitucional pela Universidade de Coimbra (Portugal). 

    PORTUGAL, André Felipe. Não ao pensamento único. Disponível em:<http://www.gazetadopovo.com.br/opiniao/artigos/nao-ao-pensamento-unico-8n51aku1uc9ghd632l0zsrcqg>Acesso em: 10 jun. 2016 (Adaptado)

    O autor do TEXTO 1 utiliza-se de argumentos de autoridade, fatos, exemplos e constrói suas opiniões para fortalecer a argumentação. Dos trechos a seguir, a única opção em que se recorreu ao fato é:
    Escolha uma alternativa para a questão d78c8649-b7
  • D7878321-B7

    Português

    Interpretação de Textos
    IFN-MG · 2016DifícilEntre para guardar nos favoritos

    Leia o TEXTO 1 e responda à questão. 

    TEXTO 1 

    Figura 1 de 5 da questão de Português, IFN-MG 2016, Interpretação de Textos

    Figura 2 de 5 da questão de Português, IFN-MG 2016, Interpretação de Textos

    Figura 3 de 5 da questão de Português, IFN-MG 2016, Interpretação de Textos

    Figura 4 de 5 da questão de Português, IFN-MG 2016, Interpretação de Textos

    Figura 5 de 5 da questão de Português, IFN-MG 2016, Interpretação de Textos

    André Felipe Portugal é advogado e mestrando em Direito Constitucional pela Universidade de Coimbra (Portugal). 

    PORTUGAL, André Felipe. Não ao pensamento único. Disponível em:<http://www.gazetadopovo.com.br/opiniao/artigos/nao-ao-pensamento-unico-8n51aku1uc9ghd632l0zsrcqg>Acesso em: 10 jun. 2016 (Adaptado)

    Segundo o TEXTO 1, os discursos autoritários, ao redor do mundo, trazem como consequência:
    Escolha uma alternativa para a questão d7878321-b7
  • D77C0893-B7

    Português

    Interpretação de Textos
    IFN-MG · 2016DifícilEntre para guardar nos favoritos

    Leia o TEXTO 1 e responda à questão. 

    TEXTO 1 

    Figura 1 de 5 da questão de Português, IFN-MG 2016, Interpretação de Textos

    Figura 2 de 5 da questão de Português, IFN-MG 2016, Interpretação de Textos

    Figura 3 de 5 da questão de Português, IFN-MG 2016, Interpretação de Textos

    Figura 4 de 5 da questão de Português, IFN-MG 2016, Interpretação de Textos

    Figura 5 de 5 da questão de Português, IFN-MG 2016, Interpretação de Textos

    André Felipe Portugal é advogado e mestrando em Direito Constitucional pela Universidade de Coimbra (Portugal). 

    PORTUGAL, André Felipe. Não ao pensamento único. Disponível em:<http://www.gazetadopovo.com.br/opiniao/artigos/nao-ao-pensamento-unico-8n51aku1uc9ghd632l0zsrcqg>Acesso em: 10 jun. 2016 (Adaptado)

    “[...] a linguagem não é uma entidade objetiva e atemporal, mas, pelo contrário, essencialmente intersubjetiva e historicamente determinada.” (linhas 19-21)

    Ao defender que a linguagem não é uma entidade objetiva e atemporal, o autor do TEXTO 1 reconhece que:
    Escolha uma alternativa para a questão d77c0893-b7
  • B3497DBF-B6

    Inglês

    Tradução | Translation
    Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri de Minas Gerais · 2016DifícilEntre para guardar nos favoritos

    Imagem da questão de Inglês, Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri de Minas Gerais 2016, Tradução | Translation
    A palavra “scholarship” (linha 1) pode ser traduzida como
    Escolha uma alternativa para a questão b3497dbf-b6
  • 5E705187-B6

    Português

    Colocação Pronominal
    Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri de Minas Gerais · 2016DifícilEntre para guardar nos favoritos

    Texto I


    ME EXPLICA

    Entenda o zika vírus e seus sintomas

    Doença é transmitida pelo mosquito 'Aedes aegypti', o mesmo vetor da dengue e da febre chikungunya

    O que é o zika?

    É uma infecção causada pelo zika vírus, transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, o mesmo transmissor da dengue e da febre chikungunya.

    Posso ser contaminado se entrar em contato com alguém contaminado pelo vírus?

    Não. A transmissão acontece pelo picada do mosquito, que após picar alguém contaminado, pode transportar o vírus durante toda a sua vida.

    Como é o processo de transmissão?

    A fêmea do mosquito deposita seus ovos em locais com água parada. Ao saírem dos ovos, as larvas vivem na água por cerca de uma semana, transformam-se em mosquitos adultos, prontos para picar as pessoas.

    Quais são os sintomas?

    Os maiores incômodos são febre baixa e comichão na pele, além de manchas avermelhadas. O mosquito adulto do Aedes aegypti vive em média 45 dias, e depois que a pessoa é picada leva de 3 a 12 dias para os sintomas aparecerem.

    Mas zika é dengue? Qual a diferença entre um e outro?

    Os sintomas do zika vírus são bastante parecidos (febre, mal-estar, dores nas articulações) com os da dengue, mas menos intensos. E, claro, o vírus da dengue não causa microcefalia.

    Zika pode causar microcefalia?

    Sim. Foram encontrados vírus no líquido que envolve o bebê durante a gravidez e também no líquido do sistema nervoso central dos bebês diagnosticados com microcefalia.

    Como isso acontece?

    O vírus invade a placenta, entra na corrente sanguínea do bebê e vai direto para o cérebro. Ali, o vírus pode provocar uma inflamação que retarda a multiplicação dos neurônios e prejudica a formação do cérebro da criança.

    Existe algum tratamento para o zika? Como posso me prevenir?

    Ainda não há tratamento específico para a doença, apenas para o alívio dos sintomas. Para limitar a transmissão do vírus, a pessoa deve ser mantida sob mosquiteiros durante o estado febril, para evitar que algum Aedes aegypti a pique.

    Mas alguém já está pesquisando a cura para o vírus?

    Claro. Alguns cientistas da Universidade do Texas estão em busca de uma vacina contra o zika.

    É verdade que o vírus se espalhou pela América Latina?

    Sim. Ao menos 21 países já estão contaminados. A OMS, por sua vez, estima que pelo menos 4 milhões de pessoas serão infectadas pelo zika vírus na América em 2016.

    E ele pode se espalhar pelo mundo?

    Sim. No dia 1º de fevereiro a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou emergência mundial por conta dos casos de microcefalia causados pelo zika.

    Fonte: ME EXPLICA, de 29 de fevereiro de 2016. Disponível em <http://www.cartaeducacao.com.br/reportagens/me-explica/entenda-o-zika-virus-e-seus-sintomas/>. Acessado em 07/03/2016.

    O título do texto I “ME EXPLICA” deve ser considerado
    Escolha uma alternativa para a questão 5e705187-b6
  • 49299AA4-B6

    Inglês

    Interpretação de texto | Reading comprehension
    IF-RR · 2016DifícilEntre para guardar nos favoritos
    Facebook and Google Are Going To War Against Hate Speech
    Offending posts will be deleted within 24 hours

       Facebook, Twitter, Google, and Microsoft have agreed to work with European officials to crack down on hateful speech published on their respective platforms. Each company has agreed to review potentially problematic posts and remove offending content within 24 hours. 
       “The recent terror attacks have reminded us of the urgent need to address illegal online hate speech,” Vĕra Jourová, EU Commissioner for Justice, Consumers and Gender Equality, said in a joint statement from the European Commission and the participating companies. “Social media is unfortunately one of the tools that terrorist groups use to radicalize young people and racist use to spread violence and hatred.”
         The new partnership comes after Facebook, Twitter, and Google agreed to erase hate speech from their platforms within 24 hours in Germany, an attempt to address racism following the refugee crisis. That agreement, which Reuters reported last year, also made it easier for individual users to report hateful speech.
         Under the new code of conduct, technology companies will have clear rules in place for reviewing content that may be deemed malicious or hateful. The document also says the companies should be responsible for educating their users on the types of content that are disallowed.
          Tech companies assure that the recently announced code of conduct won’t interfere with freedom of speech. “We remain committed to letting the Tweets flow,” Karen White, Twitter’s head of public policy for Europe, said in the statement. “However, there is a clear distinction between freedom of expression and conduct that incites violence and hate.”
    (Time Magazine, May 31, 2016)

    Glossary: hate speech – discurso de ódio; to agree: concordar; to erase: apagar; partnership – parceria. 
    A nova parceria entre as redes sociais surgiu após:
    Escolha uma alternativa para a questão 49299aa4-b6
  • 4924B5A2-B6

    Inglês

    Interpretação de texto | Reading comprehension
    IF-RR · 2016DifícilEntre para guardar nos favoritos
    Facebook and Google Are Going To War Against Hate Speech
    Offending posts will be deleted within 24 hours

       Facebook, Twitter, Google, and Microsoft have agreed to work with European officials to crack down on hateful speech published on their respective platforms. Each company has agreed to review potentially problematic posts and remove offending content within 24 hours. 
       “The recent terror attacks have reminded us of the urgent need to address illegal online hate speech,” Vĕra Jourová, EU Commissioner for Justice, Consumers and Gender Equality, said in a joint statement from the European Commission and the participating companies. “Social media is unfortunately one of the tools that terrorist groups use to radicalize young people and racist use to spread violence and hatred.”
         The new partnership comes after Facebook, Twitter, and Google agreed to erase hate speech from their platforms within 24 hours in Germany, an attempt to address racism following the refugee crisis. That agreement, which Reuters reported last year, also made it easier for individual users to report hateful speech.
         Under the new code of conduct, technology companies will have clear rules in place for reviewing content that may be deemed malicious or hateful. The document also says the companies should be responsible for educating their users on the types of content that are disallowed.
          Tech companies assure that the recently announced code of conduct won’t interfere with freedom of speech. “We remain committed to letting the Tweets flow,” Karen White, Twitter’s head of public policy for Europe, said in the statement. “However, there is a clear distinction between freedom of expression and conduct that incites violence and hate.”
    (Time Magazine, May 31, 2016)

    Glossary: hate speech – discurso de ódio; to agree: concordar; to erase: apagar; partnership – parceria. 
    Assinale a alternativa que expressa a ideia principal do texto.
    Escolha uma alternativa para a questão 4924b5a2-b6
  • 484F19C1-B6

    Português

    Análise sintática
    IF-RR · 2016DifícilEntre para guardar nos favoritos
    Para responder a questão, considere o fragmento do conto O Enfermeiro, de Machado de Assis, da obra Várias Histórias.

         Parece-lhe então que o que se deu comigo em 1860, pode entrar numa página de livro? Vá que seja, com a condição única de que não há de divulgar nada antes da minha morte. Não esperará muito, pode ser que oito dias, se não for menos; estou desenganado. 
        Olhe, eu podia mesmo contar-lhe a minha vida inteira, em que há outras cousas interessantes, mas para isso era preciso tempo, ânimo e papel, e eu só tenho papel; o ânimo é frouxo, e o tempo assemelha-se à lamparina de madrugada. Não tarda o sol do outro dia, um sol dos diabos, impenetrável como a vida. Adeus, meu caro senhor, leia isto e queira-me bem; perdoe-me o que lhe parecer mau, e não maltrate muito a arruda, se lhe não cheira a rosas. Pediu-me um documento humano, ei-lo aqui. Não me peça também o império do Grão-Mogol, nem a fotografia dos Macabeus; peça, porém, os meus sapatos de defunto e não os dou a ninguém mais.
        Já sabe que foi em 1860. No ano anterior, ali pelo mês de agosto, tendo eu quarenta e dois anos, fiz-me teólogo, — quero dizer, copiava os estudos de teologia de um padre de Niterói, antigo companheiro de colégio, que assim me dava, delicadamente, casa, cama e mesa. Naquele mês de agosto de 1859, recebeu ele uma carta de um vigário de certa vila do interior, perguntando se conhecia pessoa entendida, discreta e paciente, que quisesse ir servir de enfermeiro ao coronel Felisberto, mediante um bom ordenado. O padre falou-me, aceitei com ambas as mãos, estava já enfarado de copiar citações latinas e fórmulas eclesiásticas. Vim à Corte despedir-me de um irmão, e segui para a vila.
         Chegando à vila, tive más notícias do coronel. Era homem insuportável, estúrdio, exigente, ninguém o aturava, nem os próprios amigos. Gastava mais enfermeiros que remédios. A dous deles quebrou a cara. Respondi que não tinha medo de gente sã, menos ainda de doentes; e depois de entender-me com o vigário, que me confirmou as notícias recebidas, e me recomendou mansidão e caridade, segui para a residência do coronel.
        Achei-o na varanda da casa estirado numa cadeira, bufando muito. Não me recebeu mal. Começou por não dizer nada; pôs em mim dous olhos de gato que observa; depois, uma espécie de riso maligno alumiou-lhe as feições, que eram duras. Afinal, disse-me que nenhum dos enfermeiros que tivera, prestava para nada, dormiam muito, eram respondões e andavam ao faro das escravas; dous eram até gatunos!
        — Você é gatuno?
        — Não, senhor
       Em seguida, perguntou-me pelo nome: disse-lho e ele fez um gesto de espanto. Colombo? Não, senhor: Procópio José Gomes Valongo. Valongo? achou que não era nome de gente, e propôs chamar-me tão somente Procópio, ao que respondi que estaria pelo que fosse de seu agrado. Conto-lhe esta particularidade, não só porque me parece pintá-lo bem, como porque a minha resposta deu de mim a melhor idéia ao coronel. Ele mesmo o declarou ao vigário, acrescentando que eu era o mais simpático dos enfermeiros que tivera. A verdade é que vivemos uma lua-de-mel de sete dias.
         No oitavo dia, entrei na vida dos meus predecessores, uma vida de cão, não dormir, não pensar em mais nada, recolher injúrias, e, às vezes, rir delas, com um ar de resignação e conformidade; reparei que era um modo de lhe fazer corte. Tudo impertinências de moléstia e do temperamento. A moléstia era um rosário delas, padecia de aneurisma, de reumatismo e de três ou quatro afecções menores. Tinha perto de sessenta anos, e desde os cinco toda a gente lhe fazia a vontade. Se fosse só rabugento, vá; mas ele era também mau, deleitava-se com a dor e a humilhação dos outros. No fim de três meses estava farto de o aturar; determinei vir embora; só esperei ocasião. Não tardou a ocasião.
          Um dia, como lhe não desse a tempo uma fomentação, pegou da bengala e atirou-me dous ou três golpes. Não era preciso mais; despedi-me imediatamente, e fui aprontar a mala. Ele foi ter comigo, ao quarto, pediu-me que ficasse, que não valia a pena zangar por uma rabugice de velho. Instou tanto que fiquei.
          — Estou na dependura, Procópio, dizia-me ele à noite; não posso viver muito tempo. Estou aqui, estou na cova. Você há de ir ao meu enterro, Procópio; não o dispenso por nada. Há de ir, há de rezar ao pé da minha sepultura. Se não for, acrescentou rindo, eu voltarei de noite para lhe puxar as pernas. Você crê em almas de outro mundo, Procópio?
          — Qual o quê!
         — E por que é que não há de crer, seu burro? redargüiu vivamente, arregalando os olhos.
        Eram assim as pazes; imagine a guerra. Coibiu-se das bengaladas; mas as injúrias ficaram as mesmas, se não piores. Eu, com o tempo, fui calejando, e não dava mais por nada; era burro, camelo, pedaço d’asno, idiota, moleirão, era tudo. Nem, ao menos, havia mais gente que recolhesse uma parte desses nomes.
          Não tinha parentes; tinha um sobrinho que morreu tísico, em fins de maio ou princípios de julho, em Minas. Os amigos iam por lá às vezes aprová-lo, aplaudi-lo, e nada mais; cinco, dez minutos de visita. Restava eu; era eu sozinho para um dicionário inteiro. Mais de uma vez resolvi sair; mas, instado pelo vigário, ia ficando. Não só as relações foram-se tornando melindrosas, mas eu estava ansioso por tornar à Corte. Aos quarenta e dois anos não é que havia de acostumar-me à reclusão constante, ao pé de um doente bravio, no interior.
         Para avaliar o meu isolamento, basta saber que eu nem lia os jornais; salvo alguma notícia mais importante que levavam ao coronel, eu nada sabia do resto do mundo. Entendi, portanto, voltar para a Corte, na primeira ocasião, ainda que tivesse de brigar com o vigário. Bom é dizer (visto que faço uma confissão geral) que, nada gastando e tendo guardado integralmente os ordenados, estava ansioso por vir dissipá-los aqui. Era provável que a ocasião aparecesse.
         O coronel estava pior, fez testamento, descompondo o tabelião, quase tanto como a mim. O trato era mais duro, os breves lapsos de sossego e brandura faziam-se raros. Já por esse tempo tinha eu perdido a escassa dose de piedade que me fazia esquecer os excessos do doente; trazia dentro de mim um fermento de ódio e aversão.
         No princípio de agosto resolvi definitivamente sair; o vigário e o médico, aceitando as razões, pediram-me que ficasse algum tempo mais. Concedi-lhes um mês; no fim de um mês viria embora, qualquer que fosse o estado do doente. O vigário tratou de procurar-me substituto. Vai ver o que aconteceu. Na noite de vinte e quatro de agosto, o coronel teve um acesso de raiva, atropelou-me, disse-me muito nome cru, ameaçou-me de um tiro, e acabou atirando-me um prato de mingau, que achou frio, o prato foi cair na parede onde se fez em pedaços.
             — Hás de pagá-lo, ladrão! bradou ele. Resmungou ainda muito tempo.
           Às onze horas passou pelo sono. Enquanto ele dormia, saquei um livro do bolso, um velho romance de d’Arlincourt, traduzido, que lá achei, e pus-me a lê-lo, no mesmo quarto, a pequena distância da cama; tinha de acordá-lo à meia-noite para lhe dar o remédio. Ou fosse de cansaço, ou do livro, antes de chegar ao fim da segunda página adormeci também. Acordei aos gritos do coronel, e levantei-me estremunhado. Ele, que parecia delirar, continuou nos mesmos gritos, e acabou por lançar mão da moringa e arremessá-la contra mim. Não tive tempo de desviar-me; a moringa bateu-me na face esquerda, e tal foi a dor que não vi mais nada; atirei-me ao doente, pus-lhe as mãos ao pescoço, lutamos, e esganei-o. (...)
    Analise o trecho abaixo:
    Olhe, eu podia mesmo contar-lhe a minha vida inteira, em que há outras cousas interessantes, mas para isso era preciso tempo, ânimo e papel, e eu só tenho papel.

    Do ponto de vista da construção sintática, é correto afirmar que esse período é composto por:
    Escolha uma alternativa para a questão 484f19c1-b6
  • 484A4D09-B6

    Português

    Concordância verbal, Concordância nominal
    IF-RR · 2016DifícilEntre para guardar nos favoritos
    Para responder a questão, considere o fragmento do conto O Enfermeiro, de Machado de Assis, da obra Várias Histórias.

         Parece-lhe então que o que se deu comigo em 1860, pode entrar numa página de livro? Vá que seja, com a condição única de que não há de divulgar nada antes da minha morte. Não esperará muito, pode ser que oito dias, se não for menos; estou desenganado. 
        Olhe, eu podia mesmo contar-lhe a minha vida inteira, em que há outras cousas interessantes, mas para isso era preciso tempo, ânimo e papel, e eu só tenho papel; o ânimo é frouxo, e o tempo assemelha-se à lamparina de madrugada. Não tarda o sol do outro dia, um sol dos diabos, impenetrável como a vida. Adeus, meu caro senhor, leia isto e queira-me bem; perdoe-me o que lhe parecer mau, e não maltrate muito a arruda, se lhe não cheira a rosas. Pediu-me um documento humano, ei-lo aqui. Não me peça também o império do Grão-Mogol, nem a fotografia dos Macabeus; peça, porém, os meus sapatos de defunto e não os dou a ninguém mais.
        Já sabe que foi em 1860. No ano anterior, ali pelo mês de agosto, tendo eu quarenta e dois anos, fiz-me teólogo, — quero dizer, copiava os estudos de teologia de um padre de Niterói, antigo companheiro de colégio, que assim me dava, delicadamente, casa, cama e mesa. Naquele mês de agosto de 1859, recebeu ele uma carta de um vigário de certa vila do interior, perguntando se conhecia pessoa entendida, discreta e paciente, que quisesse ir servir de enfermeiro ao coronel Felisberto, mediante um bom ordenado. O padre falou-me, aceitei com ambas as mãos, estava já enfarado de copiar citações latinas e fórmulas eclesiásticas. Vim à Corte despedir-me de um irmão, e segui para a vila.
         Chegando à vila, tive más notícias do coronel. Era homem insuportável, estúrdio, exigente, ninguém o aturava, nem os próprios amigos. Gastava mais enfermeiros que remédios. A dous deles quebrou a cara. Respondi que não tinha medo de gente sã, menos ainda de doentes; e depois de entender-me com o vigário, que me confirmou as notícias recebidas, e me recomendou mansidão e caridade, segui para a residência do coronel.
        Achei-o na varanda da casa estirado numa cadeira, bufando muito. Não me recebeu mal. Começou por não dizer nada; pôs em mim dous olhos de gato que observa; depois, uma espécie de riso maligno alumiou-lhe as feições, que eram duras. Afinal, disse-me que nenhum dos enfermeiros que tivera, prestava para nada, dormiam muito, eram respondões e andavam ao faro das escravas; dous eram até gatunos!
        — Você é gatuno?
        — Não, senhor
       Em seguida, perguntou-me pelo nome: disse-lho e ele fez um gesto de espanto. Colombo? Não, senhor: Procópio José Gomes Valongo. Valongo? achou que não era nome de gente, e propôs chamar-me tão somente Procópio, ao que respondi que estaria pelo que fosse de seu agrado. Conto-lhe esta particularidade, não só porque me parece pintá-lo bem, como porque a minha resposta deu de mim a melhor idéia ao coronel. Ele mesmo o declarou ao vigário, acrescentando que eu era o mais simpático dos enfermeiros que tivera. A verdade é que vivemos uma lua-de-mel de sete dias.
         No oitavo dia, entrei na vida dos meus predecessores, uma vida de cão, não dormir, não pensar em mais nada, recolher injúrias, e, às vezes, rir delas, com um ar de resignação e conformidade; reparei que era um modo de lhe fazer corte. Tudo impertinências de moléstia e do temperamento. A moléstia era um rosário delas, padecia de aneurisma, de reumatismo e de três ou quatro afecções menores. Tinha perto de sessenta anos, e desde os cinco toda a gente lhe fazia a vontade. Se fosse só rabugento, vá; mas ele era também mau, deleitava-se com a dor e a humilhação dos outros. No fim de três meses estava farto de o aturar; determinei vir embora; só esperei ocasião. Não tardou a ocasião.
          Um dia, como lhe não desse a tempo uma fomentação, pegou da bengala e atirou-me dous ou três golpes. Não era preciso mais; despedi-me imediatamente, e fui aprontar a mala. Ele foi ter comigo, ao quarto, pediu-me que ficasse, que não valia a pena zangar por uma rabugice de velho. Instou tanto que fiquei.
          — Estou na dependura, Procópio, dizia-me ele à noite; não posso viver muito tempo. Estou aqui, estou na cova. Você há de ir ao meu enterro, Procópio; não o dispenso por nada. Há de ir, há de rezar ao pé da minha sepultura. Se não for, acrescentou rindo, eu voltarei de noite para lhe puxar as pernas. Você crê em almas de outro mundo, Procópio?
          — Qual o quê!
         — E por que é que não há de crer, seu burro? redargüiu vivamente, arregalando os olhos.
        Eram assim as pazes; imagine a guerra. Coibiu-se das bengaladas; mas as injúrias ficaram as mesmas, se não piores. Eu, com o tempo, fui calejando, e não dava mais por nada; era burro, camelo, pedaço d’asno, idiota, moleirão, era tudo. Nem, ao menos, havia mais gente que recolhesse uma parte desses nomes.
          Não tinha parentes; tinha um sobrinho que morreu tísico, em fins de maio ou princípios de julho, em Minas. Os amigos iam por lá às vezes aprová-lo, aplaudi-lo, e nada mais; cinco, dez minutos de visita. Restava eu; era eu sozinho para um dicionário inteiro. Mais de uma vez resolvi sair; mas, instado pelo vigário, ia ficando. Não só as relações foram-se tornando melindrosas, mas eu estava ansioso por tornar à Corte. Aos quarenta e dois anos não é que havia de acostumar-me à reclusão constante, ao pé de um doente bravio, no interior.
         Para avaliar o meu isolamento, basta saber que eu nem lia os jornais; salvo alguma notícia mais importante que levavam ao coronel, eu nada sabia do resto do mundo. Entendi, portanto, voltar para a Corte, na primeira ocasião, ainda que tivesse de brigar com o vigário. Bom é dizer (visto que faço uma confissão geral) que, nada gastando e tendo guardado integralmente os ordenados, estava ansioso por vir dissipá-los aqui. Era provável que a ocasião aparecesse.
         O coronel estava pior, fez testamento, descompondo o tabelião, quase tanto como a mim. O trato era mais duro, os breves lapsos de sossego e brandura faziam-se raros. Já por esse tempo tinha eu perdido a escassa dose de piedade que me fazia esquecer os excessos do doente; trazia dentro de mim um fermento de ódio e aversão.
         No princípio de agosto resolvi definitivamente sair; o vigário e o médico, aceitando as razões, pediram-me que ficasse algum tempo mais. Concedi-lhes um mês; no fim de um mês viria embora, qualquer que fosse o estado do doente. O vigário tratou de procurar-me substituto. Vai ver o que aconteceu. Na noite de vinte e quatro de agosto, o coronel teve um acesso de raiva, atropelou-me, disse-me muito nome cru, ameaçou-me de um tiro, e acabou atirando-me um prato de mingau, que achou frio, o prato foi cair na parede onde se fez em pedaços.
             — Hás de pagá-lo, ladrão! bradou ele. Resmungou ainda muito tempo.
           Às onze horas passou pelo sono. Enquanto ele dormia, saquei um livro do bolso, um velho romance de d’Arlincourt, traduzido, que lá achei, e pus-me a lê-lo, no mesmo quarto, a pequena distância da cama; tinha de acordá-lo à meia-noite para lhe dar o remédio. Ou fosse de cansaço, ou do livro, antes de chegar ao fim da segunda página adormeci também. Acordei aos gritos do coronel, e levantei-me estremunhado. Ele, que parecia delirar, continuou nos mesmos gritos, e acabou por lançar mão da moringa e arremessá-la contra mim. Não tive tempo de desviar-me; a moringa bateu-me na face esquerda, e tal foi a dor que não vi mais nada; atirei-me ao doente, pus-lhe as mãos ao pescoço, lutamos, e esganei-o. (...)
    Assinale a alternativa cuja frase apresenta concordância correta, obedecendo à regra empregada em "Afinal, disse-me que nenhum dos enfermeiros que tivera, prestava para nada".
    Escolha uma alternativa para a questão 484a4d09-b6
  • 48414229-B6

    Português

    Análise sintática
    IF-RR · 2016DifícilEntre para guardar nos favoritos
    Para responder a questão, considere o fragmento do conto O Enfermeiro, de Machado de Assis, da obra Várias Histórias.

         Parece-lhe então que o que se deu comigo em 1860, pode entrar numa página de livro? Vá que seja, com a condição única de que não há de divulgar nada antes da minha morte. Não esperará muito, pode ser que oito dias, se não for menos; estou desenganado. 
        Olhe, eu podia mesmo contar-lhe a minha vida inteira, em que há outras cousas interessantes, mas para isso era preciso tempo, ânimo e papel, e eu só tenho papel; o ânimo é frouxo, e o tempo assemelha-se à lamparina de madrugada. Não tarda o sol do outro dia, um sol dos diabos, impenetrável como a vida. Adeus, meu caro senhor, leia isto e queira-me bem; perdoe-me o que lhe parecer mau, e não maltrate muito a arruda, se lhe não cheira a rosas. Pediu-me um documento humano, ei-lo aqui. Não me peça também o império do Grão-Mogol, nem a fotografia dos Macabeus; peça, porém, os meus sapatos de defunto e não os dou a ninguém mais.
        Já sabe que foi em 1860. No ano anterior, ali pelo mês de agosto, tendo eu quarenta e dois anos, fiz-me teólogo, — quero dizer, copiava os estudos de teologia de um padre de Niterói, antigo companheiro de colégio, que assim me dava, delicadamente, casa, cama e mesa. Naquele mês de agosto de 1859, recebeu ele uma carta de um vigário de certa vila do interior, perguntando se conhecia pessoa entendida, discreta e paciente, que quisesse ir servir de enfermeiro ao coronel Felisberto, mediante um bom ordenado. O padre falou-me, aceitei com ambas as mãos, estava já enfarado de copiar citações latinas e fórmulas eclesiásticas. Vim à Corte despedir-me de um irmão, e segui para a vila.
         Chegando à vila, tive más notícias do coronel. Era homem insuportável, estúrdio, exigente, ninguém o aturava, nem os próprios amigos. Gastava mais enfermeiros que remédios. A dous deles quebrou a cara. Respondi que não tinha medo de gente sã, menos ainda de doentes; e depois de entender-me com o vigário, que me confirmou as notícias recebidas, e me recomendou mansidão e caridade, segui para a residência do coronel.
        Achei-o na varanda da casa estirado numa cadeira, bufando muito. Não me recebeu mal. Começou por não dizer nada; pôs em mim dous olhos de gato que observa; depois, uma espécie de riso maligno alumiou-lhe as feições, que eram duras. Afinal, disse-me que nenhum dos enfermeiros que tivera, prestava para nada, dormiam muito, eram respondões e andavam ao faro das escravas; dous eram até gatunos!
        — Você é gatuno?
        — Não, senhor
       Em seguida, perguntou-me pelo nome: disse-lho e ele fez um gesto de espanto. Colombo? Não, senhor: Procópio José Gomes Valongo. Valongo? achou que não era nome de gente, e propôs chamar-me tão somente Procópio, ao que respondi que estaria pelo que fosse de seu agrado. Conto-lhe esta particularidade, não só porque me parece pintá-lo bem, como porque a minha resposta deu de mim a melhor idéia ao coronel. Ele mesmo o declarou ao vigário, acrescentando que eu era o mais simpático dos enfermeiros que tivera. A verdade é que vivemos uma lua-de-mel de sete dias.
         No oitavo dia, entrei na vida dos meus predecessores, uma vida de cão, não dormir, não pensar em mais nada, recolher injúrias, e, às vezes, rir delas, com um ar de resignação e conformidade; reparei que era um modo de lhe fazer corte. Tudo impertinências de moléstia e do temperamento. A moléstia era um rosário delas, padecia de aneurisma, de reumatismo e de três ou quatro afecções menores. Tinha perto de sessenta anos, e desde os cinco toda a gente lhe fazia a vontade. Se fosse só rabugento, vá; mas ele era também mau, deleitava-se com a dor e a humilhação dos outros. No fim de três meses estava farto de o aturar; determinei vir embora; só esperei ocasião. Não tardou a ocasião.
          Um dia, como lhe não desse a tempo uma fomentação, pegou da bengala e atirou-me dous ou três golpes. Não era preciso mais; despedi-me imediatamente, e fui aprontar a mala. Ele foi ter comigo, ao quarto, pediu-me que ficasse, que não valia a pena zangar por uma rabugice de velho. Instou tanto que fiquei.
          — Estou na dependura, Procópio, dizia-me ele à noite; não posso viver muito tempo. Estou aqui, estou na cova. Você há de ir ao meu enterro, Procópio; não o dispenso por nada. Há de ir, há de rezar ao pé da minha sepultura. Se não for, acrescentou rindo, eu voltarei de noite para lhe puxar as pernas. Você crê em almas de outro mundo, Procópio?
          — Qual o quê!
         — E por que é que não há de crer, seu burro? redargüiu vivamente, arregalando os olhos.
        Eram assim as pazes; imagine a guerra. Coibiu-se das bengaladas; mas as injúrias ficaram as mesmas, se não piores. Eu, com o tempo, fui calejando, e não dava mais por nada; era burro, camelo, pedaço d’asno, idiota, moleirão, era tudo. Nem, ao menos, havia mais gente que recolhesse uma parte desses nomes.
          Não tinha parentes; tinha um sobrinho que morreu tísico, em fins de maio ou princípios de julho, em Minas. Os amigos iam por lá às vezes aprová-lo, aplaudi-lo, e nada mais; cinco, dez minutos de visita. Restava eu; era eu sozinho para um dicionário inteiro. Mais de uma vez resolvi sair; mas, instado pelo vigário, ia ficando. Não só as relações foram-se tornando melindrosas, mas eu estava ansioso por tornar à Corte. Aos quarenta e dois anos não é que havia de acostumar-me à reclusão constante, ao pé de um doente bravio, no interior.
         Para avaliar o meu isolamento, basta saber que eu nem lia os jornais; salvo alguma notícia mais importante que levavam ao coronel, eu nada sabia do resto do mundo. Entendi, portanto, voltar para a Corte, na primeira ocasião, ainda que tivesse de brigar com o vigário. Bom é dizer (visto que faço uma confissão geral) que, nada gastando e tendo guardado integralmente os ordenados, estava ansioso por vir dissipá-los aqui. Era provável que a ocasião aparecesse.
         O coronel estava pior, fez testamento, descompondo o tabelião, quase tanto como a mim. O trato era mais duro, os breves lapsos de sossego e brandura faziam-se raros. Já por esse tempo tinha eu perdido a escassa dose de piedade que me fazia esquecer os excessos do doente; trazia dentro de mim um fermento de ódio e aversão.
         No princípio de agosto resolvi definitivamente sair; o vigário e o médico, aceitando as razões, pediram-me que ficasse algum tempo mais. Concedi-lhes um mês; no fim de um mês viria embora, qualquer que fosse o estado do doente. O vigário tratou de procurar-me substituto. Vai ver o que aconteceu. Na noite de vinte e quatro de agosto, o coronel teve um acesso de raiva, atropelou-me, disse-me muito nome cru, ameaçou-me de um tiro, e acabou atirando-me um prato de mingau, que achou frio, o prato foi cair na parede onde se fez em pedaços.
             — Hás de pagá-lo, ladrão! bradou ele. Resmungou ainda muito tempo.
           Às onze horas passou pelo sono. Enquanto ele dormia, saquei um livro do bolso, um velho romance de d’Arlincourt, traduzido, que lá achei, e pus-me a lê-lo, no mesmo quarto, a pequena distância da cama; tinha de acordá-lo à meia-noite para lhe dar o remédio. Ou fosse de cansaço, ou do livro, antes de chegar ao fim da segunda página adormeci também. Acordei aos gritos do coronel, e levantei-me estremunhado. Ele, que parecia delirar, continuou nos mesmos gritos, e acabou por lançar mão da moringa e arremessá-la contra mim. Não tive tempo de desviar-me; a moringa bateu-me na face esquerda, e tal foi a dor que não vi mais nada; atirei-me ao doente, pus-lhe as mãos ao pescoço, lutamos, e esganei-o. (...)

    Considere o seguinte fragmento e assinale a alternativa incorreta:


    Um dia, como lhe não desse a tempo uma fomentação, pegou da bengala e atirou-me dous ou três golpes.

    Escolha uma alternativa para a questão 48414229-b6
  • 4837708E-B6

    Português

    Estrutura das Palavras: Radical, Desinência, Prefixo e Sufixo
    IF-RR · 2016DifícilEntre para guardar nos favoritos
    Para responder a questão, considere o poema Ave Roraima da poetisa Eli Macuxi:

    Ave Roraima

    Ave Roraima que canta
    Feito pássaro mítico.
    No peito de quem se encanta
    Por seus líricos fascínios
    Correm rios, cores quentes
    Queimam lavrados ardentes
    Choram guaribas no cio.
    Mesmo quem vem do asfalto
    Do barulho e da poeira
    Quando vê é roraimeira
    Pretoneubereliakin...
    Ave Roraima que canta
    Amor que chega e suplanta
    Todos males em mim!
    Sabe-se que as palavras podem apresentar diferentes elementos em suas estruturas e são formadas por alguns processos básicos que, articulados, ampliam o léxico da língua portuguesa. Considerando essa reflexão, o seu conhecimento sobre Estrutura e Formação de Palavras, e tomando como referência o poema lido, assinale a alternativa correta:
    Escolha uma alternativa para a questão 4837708e-b6
  • 4830D0AC-B6

    Português

    Interpretação de Textos
    IF-RR · 2016DifícilEntre para guardar nos favoritos
    Para responder a questão, considere o poema Ave Roraima da poetisa Eli Macuxi:

    Ave Roraima

    Ave Roraima que canta
    Feito pássaro mítico.
    No peito de quem se encanta
    Por seus líricos fascínios
    Correm rios, cores quentes
    Queimam lavrados ardentes
    Choram guaribas no cio.
    Mesmo quem vem do asfalto
    Do barulho e da poeira
    Quando vê é roraimeira
    Pretoneubereliakin...
    Ave Roraima que canta
    Amor que chega e suplanta
    Todos males em mim!
    No verso “Amor que chega e suplanta", é possível afirmar que:
    Escolha uma alternativa para a questão 4830d0ac-b6
  • 710F10F3-B6

    Português

    Coesão e coerência
    FGV · 2016DifícilEntre para guardar nos favoritos
    Leia o texto para responder a questão.

        A notícia da morte de Domingos Montagner, o protagonista de Velho Chico, pegou todos de surpresa. Em um de seus melhores trabalhos na televisão, o ator encerrou uma carreira curta, porém com êxito no veículo.
        Tão logo surgiu em seu primeiro papel de destaque, Capitão Herculano, de Cordel Encantado (2011), Montagner foi alçado ao posto de galã.
         Em 2015, Montagner viveu um de seus principais papéis nas telenovelas. Mais uma vez, não decepcionou. Cativou o público e foi um dos pontos de destaque do sucesso de Sete Vidas.
        Montagner foi escalado para o principal papel da história Velho Chico, de Benedito Ruy Barbosa. Como Santo, vivia seu melhor momento na carreira: bem dirigida, sua interpretação estava irretocável. O nordestino era a alma da novela, que perde completamente o sentido com a morte do ator.
        A estupidez da morte de Domingos Montagner abrevia uma carreira no auge e que tinha tudo para seguir em crescimento. Sem dúvida alguma, as artes brasileiras perdem um magnífico ator. Velho Chico, a razão de ser.
    (Raphael Scire. Notícias da TV. http://bit.ly/2eQMcW3, 15.09.2016. Adaptado)
    Assinale a alternativa em que uma das vírgulas está sinalizando a elipse de um termo da frase.
    Escolha uma alternativa para a questão 710f10f3-b6
  • 70EAD340-B6

    Português

    Coesão e coerência
    FGV · 2016DifícilEntre para guardar nos favoritos

    Leia o texto.

    Imagem da questão de Português, FGV 2016, Coesão e coerência


    Mil dias após seu lançamento, em 19 de dezembro de 2013, o telescópio espacial europeu Gaia revelou nesta quarta-feira [14.09.2016] o resultado de suas buscas no espaço, observando a passagem de 60 milhões de estrelas por dia em nossa galáxia, que tem 100 mil anos-luz de diâmetro.

    O resultado é o mapa 3D mais detalhado já produzido da Via Láctea, um catálogo de 1 bilhão de estrelas.

    (Uol Notícias.http://bit.ly/2ev0ikx, 14.09.2016. Adaptado)

    Em conformidade com a norma-padrão e com o sentido das informações apresentadas, um título coerente para o texto é:

    Escolha uma alternativa para a questão 70ead340-b6
  • 705CE085-B6

    Inglês

    Interpretação de texto | Reading comprehension
    FGV · 2016DifícilEntre para guardar nos favoritos

    Leia o texto para responder a questão.


    Economists Reduce Outlook for Brazil Inflation – Survey

    By Rogerio Jelmayer – Dow Jones Business News 


    Imagem da questão de Inglês, FGV 2016, Interpretação de texto | Reading comprehension

    Shutterstock phot


       Economists reduced their inflation estimate in Brazil for this year and next year, according to the central bank’s weekly survey of 100 economists published Monday. Economists now expect inflation, as measured by the consumer-price index, to be 7.25% this year, compared with last week’s estimate of 7.34%, the survey showed.

         Economists estimate Brazil’s gross domestic product is likely to contract 3.14% this year, compared with an expected contraction of 3.15% in last week’s survey. Last year, Brazil’s economy contracted 3.80%, according to the country’s statistical bureau, IBGE. For 2017, economists reduced their view of GDP growth to 1.30% from 1.36%.

    (www.nasdaq.com. 26.06.2016. Adaptado)

    The survey mentioned in the text
    Escolha uma alternativa para a questão 705ce085-b6