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Questões do ENEM: Linguagens

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Resultados: 18.995 questões

Página 839 de 950

  • Linguagens

    Português

    Texto 1

    A ARMADILHA DOS VAPES

    Imagem da questão de Português, UECE 2022, Sintaxe 

    (Disponível em: https://super.abril.com.br).
    As figuras de sintaxe são recursos associados à organização e à estrutura gramatical das frases que contribuem para a coesão textual. Assim, no trecho: “No Brasil, 20% dos jovens adultos já experimentaram. Nos EUA, virou um problema de saúde pública grave” (linhas 1-3), há a figura de sintaxe classificada como
    Escolha uma alternativa para a questão b59c5b61-a9
  • Linguagens

    Português

    Texto 1

    A ARMADILHA DOS VAPES

    Imagem da questão de Português, UECE 2022, Conjunções: Relação de causa e consequência 

    (Disponível em: https://super.abril.com.br).
    Em “Com uma perversidade adicional: ela não altera nosso estado consciente, então o usuário pode passar o dia inteiro mimando os neurônios” (linhas 20-22), o termo destacado estabelece, entre as orações, uma relação de
    Escolha uma alternativa para a questão b59e695a-a9
  • Linguagens

    Português

    Texto 2

    Da solidão 

    Figura 1 de 2 da questão de Português, UECE 2022, Gêneros Textuais 
    Figura 2 de 2 da questão de Português, UECE 2022, Gêneros Textuais  

    MEIRELES, Cecília. Da solidão. In: MEIRELES, Cecília. Janela Mágica. São
    Paulo: Global, 2016, pp. 71-74. 
    A partir da leitura da crônica “Da solidão”, de Cecília Meireles, nota-se a presença dos seguintes elementos que caracterizam o estilo da escritora:
    Escolha uma alternativa para a questão b5a0e08a-a9
  • Linguagens

    Português

    Texto 2

    Da solidão 

    Figura 1 de 2 da questão de Português, UECE 2022, Funções da Linguagem: emotiva, apelativa, referencial, metalinguística, fática e poética. 
    Figura 2 de 2 da questão de Português, UECE 2022, Funções da Linguagem: emotiva, apelativa, referencial, metalinguística, fática e poética.  

    MEIRELES, Cecília. Da solidão. In: MEIRELES, Cecília. Janela Mágica. São
    Paulo: Global, 2016, pp. 71-74. 
    No texto 2, o eu lírico demonstra sentir-se
    Escolha uma alternativa para a questão b5a2fd7b-a9
  • Linguagens

    Português

    Texto 2

    Da solidão 

    Figura 1 de 2 da questão de Português, UECE 2022, Gêneros Textuais 
    Figura 2 de 2 da questão de Português, UECE 2022, Gêneros Textuais  

    MEIRELES, Cecília. Da solidão. In: MEIRELES, Cecília. Janela Mágica. São
    Paulo: Global, 2016, pp. 71-74. 
    O recurso que classifica o texto 2 como uma crônica é a
    Escolha uma alternativa para a questão b5a52e4c-a9
  • Linguagens

    Português

    Texto 2

    Da solidão 

    Figura 1 de 2 da questão de Português, UECE 2022, Interpretação de Textos 
    Figura 2 de 2 da questão de Português, UECE 2022, Interpretação de Textos  

    MEIRELES, Cecília. Da solidão. In: MEIRELES, Cecília. Janela Mágica. São
    Paulo: Global, 2016, pp. 71-74. 
    A expressão destacada no trecho “Façamo-nos também desse modo videntes: olhemos devagar para a cor das paredes, o desenho das cadeiras, a transparência das vidraças, os dóceis panos tecidos sem maiores pretensões.” (linhas 28-31) pode ser substituída sem mudança de sentido por
    Escolha uma alternativa para a questão b5a74037-a9
  • Linguagens

    Português

    Texto 2

    Da solidão 

    Figura 1 de 2 da questão de Português, UECE 2022, Funções da Linguagem: emotiva, apelativa, referencial, metalinguística, fática e poética. 
    Figura 2 de 2 da questão de Português, UECE 2022, Funções da Linguagem: emotiva, apelativa, referencial, metalinguística, fática e poética.  

    MEIRELES, Cecília. Da solidão. In: MEIRELES, Cecília. Janela Mágica. São
    Paulo: Global, 2016, pp. 71-74. 
    No texto 2, o eu lírico, apresenta o estado de solidão como
    Escolha uma alternativa para a questão b5a9591f-a9
  • Linguagens

    Inglês

    T E X T

    Nearly Half of Covid Patients Haven’t Fully Recovered Months
    Later, Study Finds 

    Figura 1 de 2 da questão de Inglês, UECE 2022, Interpretação de texto | Reading comprehension
    Figura 2 de 2 da questão de Inglês, UECE 2022, Interpretação de texto | Reading comprehension 

    Adapted from: https://www.nytimes.com/2022/10/12/
    The research referred to in the text was carried out in
    Escolha uma alternativa para a questão b6443ab1-a9
  • Linguagens

    Inglês

    T E X T

    Nearly Half of Covid Patients Haven’t Fully Recovered Months
    Later, Study Finds 

    Figura 1 de 2 da questão de Inglês, UECE 2022, Interpretação de texto | Reading comprehension
    Figura 2 de 2 da questão de Inglês, UECE 2022, Interpretação de texto | Reading comprehension 

    Adapted from: https://www.nytimes.com/2022/10/12/
    According to Dr. Ziyad Al-Aly, long Covid is a health disorder that affects  
    Escolha uma alternativa para a questão b646893e-a9
  • Linguagens

    Inglês

    T E X T

    Nearly Half of Covid Patients Haven’t Fully Recovered Months
    Later, Study Finds 

    Figura 1 de 2 da questão de Inglês, UECE 2022, Interpretação de texto | Reading comprehension
    Figura 2 de 2 da questão de Inglês, UECE 2022, Interpretação de texto | Reading comprehension 

    Adapted from: https://www.nytimes.com/2022/10/12/
    The study found that people at higher risk of having long Covid, of going through long-term problems, are those who
    Escolha uma alternativa para a questão b648e726-a9
  • Linguagens

    Inglês

    T E X T

    Nearly Half of Covid Patients Haven’t Fully Recovered Months
    Later, Study Finds 

    Figura 1 de 2 da questão de Inglês, UECE 2022, Interpretação de texto | Reading comprehension
    Figura 2 de 2 da questão de Inglês, UECE 2022, Interpretação de texto | Reading comprehension 

    Adapted from: https://www.nytimes.com/2022/10/12/
    Another finding of the research refers to groups of people more seriously affected by long Covid. Among those groups are
    Escolha uma alternativa para a questão b64b23b9-a9
  • Linguagens

    Inglês

    T E X T

    Nearly Half of Covid Patients Haven’t Fully Recovered Months
    Later, Study Finds 

    Figura 1 de 2 da questão de Inglês, UECE 2022, Interpretação de texto | Reading comprehension
    Figura 2 de 2 da questão de Inglês, UECE 2022, Interpretação de texto | Reading comprehension 

    Adapted from: https://www.nytimes.com/2022/10/12/
    The text mentions that in the United States, according to statistics, people affected by long Covid reach the mark of  
    Escolha uma alternativa para a questão b64d616b-a9
  • Linguagens

    Inglês

    T E X T

    Nearly Half of Covid Patients Haven’t Fully Recovered Months
    Later, Study Finds 

    Figura 1 de 2 da questão de Inglês, UECE 2022, Interpretação de texto | Reading comprehension
    Figura 2 de 2 da questão de Inglês, UECE 2022, Interpretação de texto | Reading comprehension 

    Adapted from: https://www.nytimes.com/2022/10/12/
    Among the recurrent symptoms reported by people with long Covid who participated in the study, the text mentions, among others, problems related to  
    Escolha uma alternativa para a questão b64fbc32-a9
  • Linguagens

    Inglês

    T E X T

    Nearly Half of Covid Patients Haven’t Fully Recovered Months
    Later, Study Finds 

    Figura 1 de 2 da questão de Inglês, UECE 2022, Interpretação de texto | Reading comprehension
    Figura 2 de 2 da questão de Inglês, UECE 2022, Interpretação de texto | Reading comprehension 

    Adapted from: https://www.nytimes.com/2022/10/12/
    Dr. Jill Pell, who conducted the research, states that long Covid patients need assistance that goes beyond the health system reach and involves areas such as  
    Escolha uma alternativa para a questão b6522b41-a9
  • Linguagens

    Inglês

    T E X T

    Nearly Half of Covid Patients Haven’t Fully Recovered Months
    Later, Study Finds 

    Figura 1 de 2 da questão de Inglês, UECE 2022, Interpretação de texto | Reading comprehension
    Figura 2 de 2 da questão de Inglês, UECE 2022, Interpretação de texto | Reading comprehension 

    Adapted from: https://www.nytimes.com/2022/10/12/
    At a global level, according to the director of the World Health Organization, the effects of long Covid on people’s lives is considered
    Escolha uma alternativa para a questão b654999a-a9
  • Linguagens

    Português

    O (não) lugar do “pardo”

         Lá no fim do século XIX e no começo do XX, o Brasil passava pelo dilema que todas as nações modernas enfrentaram (e, de certa maneira, ainda enfrentam): como criar uma identidade nacional que justifique e mantenha o Estado?

         Notem que eu ouso criar, porque é bem isso mesmo, inventar uma história que servisse aos interesses da elite dominante e homogeneizasse a população brasileira. Ora, essa população era formada, principalmente, por pretos escravos ou ex-escravos, indígenas perseguidos e uma parcela de gente branca. No centro da discussão estava: quem seria o cidadão brasileiro.

         Houve quem defendesse a educação para o trabalho: ensinar os pretos amolecidos e degenerados pela escravidão (faz me rir) a trabalhar resignado. Teve aqueles que achavam que a inferioridade dos pretos era tão grande que não adiantava educar nem nada, era melhor expulsar ou deixar morrer. O Brasil, em seus debates sobre a nação e seus cidadãos, bebeu muito das teorias racialistas que estavam em voga na Europa e sendo amplamente utilizadas para justificar a colonização na África depois de séculos e séculos de saque humano. [...]

        Daí surge o pardo como a gente conhece hoje. O pardo não é raça, não é povo, não é cidadão brasileiro. Ele é o estágio transitório entre a base da pirâmide (os negros) e o topo (os brancos). Não é branco, ainda não chegou no estágio sublime de branquitude que garante o direito à vida, oportunidades e cidadania, mas é prova viva da boa vontade e do esforço de se embranquecer tão valorizado por uma elite branca que, desde sempre, morre de medo dos pretos fazerem daqui o Haiti.

         Como fala Foucault, o poder, no estado moderno, não é negativo, ele é normatizador. Ou seja, estabelece normas de conduta, estéticas, discursivas, e beneficia aqueles que fazem o jogo. No caso do Brasil, o jogo da branquitude. Quanto mais branco você tentar ser, seja usando intervenções estéticas ou compartilhando o discurso político e social, mais “tolerável” você vai ser. Nisso, nós que somos claros, temos uma vantagem: o branqueamento estético é mais alcançável para nós. Mas nada disso garante que você vai passar de boa em uma sociedade racialmente hierarquizada, o embranquecimento é, sobretudo, uma mutilação. E pra quem ainda tem dúvidas, mutilação é sempre ruim ok? Não tem gradação de violência e mutilação. [...]


    https://medium.com/@isabelapsena/o-n%C3%A3o-lugar-do-pardo 

    Considerando o contexto de circulação de um artigo de opinião e o propósito discursivo do produtor do texto acima, os recursos argumentativos utilizados têm a função de 
    Escolha uma alternativa para a questão 643dc68b-b0
  • Linguagens

    Português

    O (não) lugar do “pardo”

         Lá no fim do século XIX e no começo do XX, o Brasil passava pelo dilema que todas as nações modernas enfrentaram (e, de certa maneira, ainda enfrentam): como criar uma identidade nacional que justifique e mantenha o Estado?

         Notem que eu ouso criar, porque é bem isso mesmo, inventar uma história que servisse aos interesses da elite dominante e homogeneizasse a população brasileira. Ora, essa população era formada, principalmente, por pretos escravos ou ex-escravos, indígenas perseguidos e uma parcela de gente branca. No centro da discussão estava: quem seria o cidadão brasileiro.

         Houve quem defendesse a educação para o trabalho: ensinar os pretos amolecidos e degenerados pela escravidão (faz me rir) a trabalhar resignado. Teve aqueles que achavam que a inferioridade dos pretos era tão grande que não adiantava educar nem nada, era melhor expulsar ou deixar morrer. O Brasil, em seus debates sobre a nação e seus cidadãos, bebeu muito das teorias racialistas que estavam em voga na Europa e sendo amplamente utilizadas para justificar a colonização na África depois de séculos e séculos de saque humano. [...]

        Daí surge o pardo como a gente conhece hoje. O pardo não é raça, não é povo, não é cidadão brasileiro. Ele é o estágio transitório entre a base da pirâmide (os negros) e o topo (os brancos). Não é branco, ainda não chegou no estágio sublime de branquitude que garante o direito à vida, oportunidades e cidadania, mas é prova viva da boa vontade e do esforço de se embranquecer tão valorizado por uma elite branca que, desde sempre, morre de medo dos pretos fazerem daqui o Haiti.

         Como fala Foucault, o poder, no estado moderno, não é negativo, ele é normatizador. Ou seja, estabelece normas de conduta, estéticas, discursivas, e beneficia aqueles que fazem o jogo. No caso do Brasil, o jogo da branquitude. Quanto mais branco você tentar ser, seja usando intervenções estéticas ou compartilhando o discurso político e social, mais “tolerável” você vai ser. Nisso, nós que somos claros, temos uma vantagem: o branqueamento estético é mais alcançável para nós. Mas nada disso garante que você vai passar de boa em uma sociedade racialmente hierarquizada, o embranquecimento é, sobretudo, uma mutilação. E pra quem ainda tem dúvidas, mutilação é sempre ruim ok? Não tem gradação de violência e mutilação. [...]


    https://medium.com/@isabelapsena/o-n%C3%A3o-lugar-do-pardo 

    Dos fragmentos a seguir, a palavra sublinhada cuja relação morfossintática difere das demais é
    Escolha uma alternativa para a questão 6440fd64-b0
  • Linguagens

    Português

    O (não) lugar do “pardo”

         Lá no fim do século XIX e no começo do XX, o Brasil passava pelo dilema que todas as nações modernas enfrentaram (e, de certa maneira, ainda enfrentam): como criar uma identidade nacional que justifique e mantenha o Estado?

         Notem que eu ouso criar, porque é bem isso mesmo, inventar uma história que servisse aos interesses da elite dominante e homogeneizasse a população brasileira. Ora, essa população era formada, principalmente, por pretos escravos ou ex-escravos, indígenas perseguidos e uma parcela de gente branca. No centro da discussão estava: quem seria o cidadão brasileiro.

         Houve quem defendesse a educação para o trabalho: ensinar os pretos amolecidos e degenerados pela escravidão (faz me rir) a trabalhar resignado. Teve aqueles que achavam que a inferioridade dos pretos era tão grande que não adiantava educar nem nada, era melhor expulsar ou deixar morrer. O Brasil, em seus debates sobre a nação e seus cidadãos, bebeu muito das teorias racialistas que estavam em voga na Europa e sendo amplamente utilizadas para justificar a colonização na África depois de séculos e séculos de saque humano. [...]

        Daí surge o pardo como a gente conhece hoje. O pardo não é raça, não é povo, não é cidadão brasileiro. Ele é o estágio transitório entre a base da pirâmide (os negros) e o topo (os brancos). Não é branco, ainda não chegou no estágio sublime de branquitude que garante o direito à vida, oportunidades e cidadania, mas é prova viva da boa vontade e do esforço de se embranquecer tão valorizado por uma elite branca que, desde sempre, morre de medo dos pretos fazerem daqui o Haiti.

         Como fala Foucault, o poder, no estado moderno, não é negativo, ele é normatizador. Ou seja, estabelece normas de conduta, estéticas, discursivas, e beneficia aqueles que fazem o jogo. No caso do Brasil, o jogo da branquitude. Quanto mais branco você tentar ser, seja usando intervenções estéticas ou compartilhando o discurso político e social, mais “tolerável” você vai ser. Nisso, nós que somos claros, temos uma vantagem: o branqueamento estético é mais alcançável para nós. Mas nada disso garante que você vai passar de boa em uma sociedade racialmente hierarquizada, o embranquecimento é, sobretudo, uma mutilação. E pra quem ainda tem dúvidas, mutilação é sempre ruim ok? Não tem gradação de violência e mutilação. [...]


    https://medium.com/@isabelapsena/o-n%C3%A3o-lugar-do-pardo 

    A fluidez do texto é perceptível e garante ao leitor interesse por sua leitura pelo fato de serem inseridas expressões coloquiais, descontraídas, gerando atração muito mais pelo conteúdo do que pela forma.


    Essa assertiva é comprovada no seguinte exemplo: 

    Escolha uma alternativa para a questão 6443ec0b-b0
  • Linguagens

    Português

    O estrangeiro apertou a mão calosa e áspera do velho, que abriu os lábios numa rude expressão de riso, mostrando as gengivas roxas e desdentadas. A cafuza não se mexeu; apenas, mudando vagarosamente o olhar, descansou-o, cheio de preguiça e desalento, no rosto do viajante. A criança acolheu-se a ela, boquiaberta, com a baba a escorrer dos beiços túmidos.

    [...]

    — Mora aqui há muito tempo? perguntou Milkau.

    — Fui nascido e criado nessas bandas, sinhô moço... Ali perto do Mangaraí.

    — E, tateando o espaço, estendia a mão para o outro lado do rio. — Não vê um casarão lá no fundo? Foi ali que me fiz homem, na fazenda do Capitão Matos, defunto meu sinhô, que Deus haja!

    O estrangeiro, acompanhando o gesto, apenas divisava ao longe um amontoado de ruínas que interrompia a verdura da mata.

    E a conversa foi continuando por uma série de perguntas de Milkau sobre a vida passada daquela região, às quais o velho respondia gostoso, por ter ocasião de relembrar os tempos de outrora, sentindo-se incapaz, como todos os humildes e primitivos, de tomar a iniciativa dos assuntos.

    [...]

    — Ah, tudo isto, meu sinhô moço, se acabou... Cadê fazenda? Defunto meu sinhô morreu, filho dele foi vivendo até que governo tirou os escravos. Tudo debandou. Patrão se mudou com a família para Vitória, onde tem seu emprego; meus parceiros furaram esse mato grande e cada um levantou casa aqui e acolá, onde bem quiseram. Eu com minha gente vim para cá, para essas terras do seu coronel. Tempo hoje anda triste. Governo acabou com as fazendas, e nos pôs todos no olho do mundo, a caçar de comer, a comprar de vestir, a trabalhar como boi para viver. Ah! tempo bom de fazenda!

    [...]

    — Mas, meu amigo — disse Milkau

    —, você aqui ao menos está no que é seu, tem sua casa, sua terra, é dono de si mesmo.

    — Qual terra, qual nada... Rancho é do marido de minha filha, que está aí sentada, terra é de seu coronel, arrendada por dez mil-réis por ano. Hoje em dia tudo aqui é de estrangeiro, Governo não faz nada por brasileiro, só pune por alemão... ARANHA, G. (1868-1931). Canaã. 3 ed. São Paulo: Martins Claret, 2013.

    Dentre os trechos extraídos do diálogo dos personagens, indique aquele em que predomina a intenção crítica do autor acerca da política da época. 

    Escolha uma alternativa para a questão 6446913e-b0
  • Linguagens

    Português

    O estrangeiro apertou a mão calosa e áspera do velho, que abriu os lábios numa rude expressão de riso, mostrando as gengivas roxas e desdentadas. A cafuza não se mexeu; apenas, mudando vagarosamente o olhar, descansou-o, cheio de preguiça e desalento, no rosto do viajante. A criança acolheu-se a ela, boquiaberta, com a baba a escorrer dos beiços túmidos.

    [...]

    — Mora aqui há muito tempo? perguntou Milkau.

    — Fui nascido e criado nessas bandas, sinhô moço... Ali perto do Mangaraí.

    — E, tateando o espaço, estendia a mão para o outro lado do rio. — Não vê um casarão lá no fundo? Foi ali que me fiz homem, na fazenda do Capitão Matos, defunto meu sinhô, que Deus haja!

    O estrangeiro, acompanhando o gesto, apenas divisava ao longe um amontoado de ruínas que interrompia a verdura da mata.

    E a conversa foi continuando por uma série de perguntas de Milkau sobre a vida passada daquela região, às quais o velho respondia gostoso, por ter ocasião de relembrar os tempos de outrora, sentindo-se incapaz, como todos os humildes e primitivos, de tomar a iniciativa dos assuntos.

    [...]

    — Ah, tudo isto, meu sinhô moço, se acabou... Cadê fazenda? Defunto meu sinhô morreu, filho dele foi vivendo até que governo tirou os escravos. Tudo debandou. Patrão se mudou com a família para Vitória, onde tem seu emprego; meus parceiros furaram esse mato grande e cada um levantou casa aqui e acolá, onde bem quiseram. Eu com minha gente vim para cá, para essas terras do seu coronel. Tempo hoje anda triste. Governo acabou com as fazendas, e nos pôs todos no olho do mundo, a caçar de comer, a comprar de vestir, a trabalhar como boi para viver. Ah! tempo bom de fazenda!

    [...]

    — Mas, meu amigo — disse Milkau

    —, você aqui ao menos está no que é seu, tem sua casa, sua terra, é dono de si mesmo.

    — Qual terra, qual nada... Rancho é do marido de minha filha, que está aí sentada, terra é de seu coronel, arrendada por dez mil-réis por ano. Hoje em dia tudo aqui é de estrangeiro, Governo não faz nada por brasileiro, só pune por alemão... ARANHA, G. (1868-1931). Canaã. 3 ed. São Paulo: Martins Claret, 2013.

    Nos fragmentos, observa-se um procedimento descritivo, típico do Naturalismo Literário: detalhismo por meio de elementos sensoriais. Releia-os.


    “A criança acolheu-se a ela boquiaberta, com a baba a escorrer dos beiços túmidos.”

    “— E, tateando o espaço, estendia a mão para o outro lado do rio.”


    Nas expressões “beiços túmidos” e “tateando o espaço”, destacam-se, respectivamente, os seguintes elementos sensoriais: 

    Escolha uma alternativa para a questão 64493b31-b0