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Questões do ENEM: Linguagens

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Resultados: 18.995 questões

Página 763 de 950

  • Linguagens

    Português

    Texto 1

    COMPREENDER O BRASIL É DIFÍCIL, MAS NÃO IMPOSSÍVEL

         Ouvimos muitos comentários de analistas sociais e também do senso comum (sobretudo) de que o grande mal do Brasil é o “jeitinho brasileiro”, que é atrelado à corrupção. Pois bem, a observação não é de todo errada, mas esconde outro truísmo aparente. Os males do Brasil enquanto nação e enquanto Estado assentam-se em dois pilares: o genocídio indígena e a escravidão africana.
         Advém daí o machismo e a cultura do estupro: as índias foram as primeiras a serem violentadas pelo colonizador europeu, o que acabou naturalizando essa abominável prática de invasão do corpo do outro, tempos depois aplicando-se o mesmo “método” no corpo da mulher negra e da mulher branca. Os escravocratas, em uma sociedade patriarcal, tornaram legítima também a decisão sobre o corpo da mulher, inclusive da sua esposa: bela, recatada e do lar, e da sua ama de leite (a mãe preta), cujo leite afro acalentava seu filho branco.
         Advém daí o racismo: o colonizador branco, com a chancela da religião cristã e da ciência, arrogou para si a superioridade racial branca, em detrimento do negro, do indígena e do asiático. Nem o questionável 13 de maio nem o estado democrático de direito superou isso. Isso é reproduzido hoje em nível societário. Quem mais morre nas periferias das cidades brasileiras são negros. Alguém cantou num passado recente “todo camburão tem um pouco de navio negreiro”.
         Advém daí o paternalismo: transplantamos para nossas relações humanas as antigas relações típicas de senhor escravo, não na acepção nietzschiana (moral do senhor/moral do escravo), mas na acepção eugênica herdada do darwinismo social de Spencer, que hierarquizou as raças, estando essas associadas ao processo civilizatório de aculturação do indígena, método descrito de forma primorosa por Alfredo Bosi em “As flechas do Sagrado”. Os jesuítas arrogaram para si a responsabilidade por “cuidar do indígena”, inculcando no colonizado a dependência contínua na esteira da “benevolência” mal intencionada. Mal sabiam os colonizadores que as etnias também negociavam, como enunciou Eduardo Viveiros de Castro em “A inconstância da alma selvagem”: os tupinambás jamais abriram mão do que lhes era essencial, a guerra.
         Advém daí o genocídio negro: desde 1982 até 2014 foram 1,2 milhões de negros mortos pela polícia nas periferias, dados da Anistia Internacional. O negro de hoje é o escravizado de ontem e o corpo reificado de anteontem. Na imprensa de hoje, a morte de um jovem branco de classe média suscita debates em torno da violência, ao passo que a morte de um negro é mais uma estatística. Do mesmo modo que a violência contra a mulher é naturalizada e contra a mulher negra duas vezes mais, pois aprendemos com a “globeleza” que o corpo negro feminino é o veículo do pecado e que o corpo feminino deve ser submetido à vontade do corpo masculino, estando apto desde sempre a servi-lo.
         Advém daí o genocídio indígena, ainda em curso. Ruralistas e posseiros o fazem à luz do dia no Norte e Centro-Oeste do país. A imprensa fala pouco, o silêncio cemiterial em torno do tema é um crime confesso, típico de quem consente porque se cala.
         Advém daí a corrupção, pois, no processo colonizatório, legitimou-se a prática de que tudo tem seu preço, quando até mesmo o corpo do outro poderia ser negociado, outrora o escravizado, tempos depois o trabalhador fabril, hoje qualquer alma vulnerável ao consumismo em busca de status.
         Resumo da ópera: a corrupção é um subciclo de dois ciclos maiores: genocídio e escravidão. Por isso esses dois temas interessam a todos os brasileiros. Enquanto não encararmos isso, não avançaremos como povo ou como nação.

    Victor Martins. Disponível em: http://www.circulopalmarino.org.br/2016/05/compreender-o-brasil-e-dificil-mas-nao-impossivel. Acesso em: 14/07/16. Adaptado.
    Do ponto de vista temático, o Texto 1 se constrói tendo como foco a abordagem
    Escolha uma alternativa para a questão a5c7f7e3-b2
  • Linguagens

    Português

               Nasceu o dia e expirou.
              Já brilha na cabana de Araquém o fogo, companheiro da noite. Correm lentas e silenciosas no azul do céu, as estrelas, filhas da lua, que esperam a volta da mãe ausente.
             Martim se embala docemente; e como a alva rede que vai e vem, sua vontade oscila de um a outro pensamento. Lá o espera a virgem loura dos castos afetos; aqui lhe sorri a virgem morena dos ardentes amores.
           Iracema recosta-se langue ao punho da rede; seus olhos negros e fúlgidos, ternos olhos de sabiá, buscam o estrangeiro, e lhe entram n’alma. O cristão sorri; a virgem palpita; como o saí, fascinado pela serpente, vai declinando o lascivo talhe, que se debruça enfim sobre o peito do guerreiro.

    José de Alencar, Iracema.

    Atente para as seguintes afirmações, extraídas e adaptadas de um estudo do crítico Augusto Meyer sobre José de Alencar:



    I. “Nesta obra, assim como nos ‘poemas americanos’ dos nossos poetas, palpita um sentimento sincero de distância poética e exotismo, de coisa notável por estranha para nós, embora a rotulemos como nativa.”

    II. “Mais do que diante de um relato, estamos diante de um poema, cujo conteúdo se concentra a cada passo na magia do ritmo e na graça da imagem.”

    III. “O tema do bom selvagem foi, neste caso, aproveitado para um romance histórico, que reproduz o enredo típico das narrativas de capa e espada, oriundas da novela de cavalaria.”


    É compatível com o trecho de Iracema aqui reproduzido, considerado no contexto dessa obra, o que se afirma em

    Escolha uma alternativa para a questão 6102e811-b2
  • Linguagens

    Inglês

    Imagem da questão de Inglês, Universidade Federal de Roraima 2016, Interpretação de texto | Reading comprehension

    Disponível em: < http://www.sumauma.net/amazonian/legends/ legends-pirarucu.html> CELEMENT, Rosa. Acesso em: 31 jul. 16 (Adaptado).

    Read the text above and choose the only CORRECT alternative
    Escolha uma alternativa para a questão 54f679e8-b1
  • Linguagens

    Inglês

    TEXT I
    ‘500 Years of Brazil’s Discovery’ 
    By GAIL FINEBERG

       Our territory was already inhabited before 1500 A.D., by a large population, estimated in the 1500s at 3 million Indians, with their own communal organization and traditions.
       The encounter occurred on April 22, 1500, when Pedro Álvares Cabral, commander of a Portuguese armada, sighted the South American mainland and staked a claim for Portugal.
       The encounter occurred on April 22, 1500, when Pedro Álvares Cabral, commander of a Portuguese armada, sighted the South American mainland and staked a claim for Portugal.
       The Portuguese found Brazil attractive, as did the French, Dutch and Spanish. The first agreement between Spain and Portugal on frontiers was not reached until 1750.
       The Jesuits were enterprising, and their missionary efforts spread throughout the country between 1625 and 1759.
       The religious influence was responsible for an extraordinarily beautiful Brazilian baroque architecture.
       Thoughts of independence began to take root in the late 18th century. Revolutionary events in Europe had a profound effect on Brazil. Napoleon’s invasion of Portugal prompted the Portuguese prince regent, Dom João, to move the Portuguese court to Brazil in 1808.
       Brazil matured quickly as the seat of the Portuguese empire. The prince opened Brazilian ports to trade with friendly nations, including Great Britain, and also government offices in Rio de Janeiro, a supreme court, a bank, the royal treasury, mint, printing office, a national library with holdings from the Portuguese National Library and other academic institutions.
       With the death of Portugal’s queen, Maria I, in 1816, the regent became King João VI. He returned to Portugal in 1821 to contain a revolution there and appointed his son, Dom Pedro, as regent in Brazil. Dom Pedro refused orders a few months later to return to Lisbon, established a legislative assembly in São Paulo and proclaimed Brazil’s independence from Portugal on Sept. 7, 1822.
       Dom Pedro I was crowned emperor in 1822, but after a troubled reign marked by conflict with the assembly, he abdicated in favor of 5-year- old Dom Pedro de Alcântara in 1831. For the next nine years, Brazil seethed with civil unrest until both houses of parliament declared the young regent had reached majority in 1840. The Brazilian Empire lasted to 1889.
       Dom Pedro II proved to be an enlightened leader. Brazil grew and prospered under his reign, and the country enjoyed a great deal of stability. (The country’s population grew from 4 million to 14 million; railroads built 5,000 miles of track; and public revenues and products multiplied.) However, support for a republic grew, and the empire finally collapsed in 1889, when the royal family went to exile in Europe.
       The country’s 19th century economy relied on slave-based agriculture. Slave trade with Africa did not cease until 1853. At the dawn of the 21st century, Brazil, with an economy that is the eighth largest in the world, is a contributor of music, painting, literature and other arts to the world’s culture.

     https://www.loc.gov/loc/lcib/0006/brazil.html


    Roraima is an interesting mountain located in the Guiana Highlands. The peak actually shares the border with Venezuela, Brazil, and Guyana, but the mountain is almost always approached from the Venezuela side. The Brazil and Guyana sides are much more difficult. The mountain’s highest point is Maverick Rock which is at and on the Venezuela side (thought some other sources may differ on this).
    Mount Roraima was the first of the Tepuis to be climbed and the credit goes to English botanist Everard Im Thurn on an expedition sponsored by the Royal Geographical Society in 1884. It was his subsequent lectures in England that are believed to have inspired Sir Arthur Conan Doyle’s book ‘The Lost World’

    According to the sentence highlighted in the text, the CORRECT alternative is in:

    Escolha uma alternativa para a questão 54e69ae3-b1
  • Linguagens

    Português

    Leia os fragmentos retirados da obra Terras do sem fim de Jorge Amado, em seguida, observe os termos destacados e a análise feita em cada uma das proposições:


    I - “(...) Ester ficou com os avós que lhe faziam todas as vontades, que a mimavam”. A flexão do verbo “fazer” está perfeita, concordando com o sujeito “os avós”;

    II - “escapou da justa condenação devido à chacina de advogados que desmoralizavam a profissão, mas não escapou da condenação pública”. O uso da crase na expressão “à chacina” está de acordo com a norma culta; bem como a ausência da crase na expressão “a profissão” também está correta em função da transitividade do verbo “desmoralizar”;

    III - “O vestido é meu, foi o senhor quem me deu”, a colocação do pronome “me” não está de acordo com a norma culta. O correto seria “... o senhor quem deu-me”, não há nenhum elemento atrativo para a posição proclítica, ou seja, o pronome antes do verbo;

    IV - “Passo a passo até alcançar o caminho mais largo, onde são menos numerosos os espinhos e os atoleiros.” A crase é obrigatória na expressão “passo à passo”;

    V - “O menino que assistia ao júri, saíra pela mão do pai, mas já estava na porta da sala quando o meirinho badalou a grande sineta chamando os advogados e os escrivães.” A regência do verbo “assistir” está de acordo com a norma culta, ou seja, assistir com sentido de “presenciar” é transitivo indireto e exige o emprego da preposição “a”, portanto, a expressão “ao júri” está corretíssima.


    Considerando a análise feita em cada proposição, é CORRETO afirmar que:
    Escolha uma alternativa para a questão 53f67b86-b1
  • Linguagens

    Português

    Leia os fragmentos retirados da obra “Dois irmãos”, em seguida, observe a análise feita referente a cada termo destacado:


    I - “Trouxera livros de matemática para mim e roupa para Domingas”. Os termos “livros” e “roupa” são objetos diretos; enquanto o pronome “mim” e o substantivo “Domingas” são objetos indiretos;

    II - “(…) eu tentava dizer que as coisas não têm alma nem carne”. A oração destacada é subordinada substantiva objetiva direta - exerce função de objeto direto do verbo dizer;

    III - “Uma carta de Yaqub, pontual, chegava de São Paulo no fim de cada mês.” Ambos são adjuntos adverbiais;

    IV - “Os filhos haviam se intrometido na vida de Halim,” A concordância do verbo haver está em desacordo com a norma culta, fazendo a correção ficaria: “Os filhos havia ...”;

    V - “(…) Omar cometia o erro de trair a mulher que nunca o havia traído. Zana se remexeu na cadeira ao ver o filho aproximar-se de Dália…” todos os termos destacados exercem função de sujeito.


    Assinale a alternativa em que a análise NÃO corresponde aos termos destacados:

    Escolha uma alternativa para a questão 53f3407d-b1
  • Linguagens

    Português

    Entre as obras sugeridas, está a de Milton Hatoum, como se verifica na imagem a seguir:

    Imagem da questão de Português, Universidade Federal de Roraima 2016, Interpretação de Textos

    Considerando a leitura da obra, assinale a única alternativa em que as informações NÃO são verdadeiras.

    Escolha uma alternativa para a questão 53ef8f09-b1
  • Linguagens

    Português

    Leia o texto para responder à questão.

        De repente, uma variante trágica.
        Aproxima-se a seca.
      O sertanejo adivinha-a e prefixa-a graças ao ritmo singular com que se desencadeia o flagelo. Entretanto não foge logo, abandonando a terra a pouco e pouco invadida pelo limbo candente que irradia do Ceará.
        [...]
        Os sintomas do flagelo despontam-lhe, então, encadeados em série, sucedendo-se inflexíveis, como sinais comemorativos de uma moléstia cíclica, da sezão assombradora da Terra. [...] E ao descer das tardes, dia a dia menores e sem crepúsculos, considera, entristecido, nos ares, em bandos, as primeiras aves emigrantes, transvoando a outras climas...
        É o prelúdio da desgraça.
        Vê-o acentuar, num crescente, até dezembro.
        Precautela-se: revista, apreensivo, as malhadas. Percorre os logradouros longos. Procura entre as chapadas que se esterilizam várzeas mais benignas para onde tange os rebanhos. E espera, resignado, o dia 13 daquele mês. Porque, em tal data, usança avoenga lhe faculta sondar o futuro, interrogando a Providência.
        É a experiência tradicional de Santa Luzia. No dia 12 ao anoitecer expõe ao relento, em linha, seis pedrinhas de sal, que representam, em ordem sucessiva da esquerda para a direita, os seis meses vindouros, de janeiro a junho. Ao alvorecer de 13 observa-as: se estão intactas, pressagiam a seca; se a primeira apenas se deliu, transmudada em aljôfar límpido, é certa a chuva em janeiro; se a segunda, em fevereiro; se a maioria ou todas, é inevitável o inverno benfazejo.
        Esta experiência é belíssima. Em que pese ao estigma supersticioso, tem base positiva, e é aceitável desde que se considere que dela se colhe a maior ou menor dosagem de vapor d’água nos ares, e, dedutivamente, maiores ou menores probabilidades de depressões barométricas, capazes de atrair o afluxo das chuvas.
    (Euclides da Cunha. Os Sertões, 1979. Adaptado)
    No texto, os pronomes exercem relevante função, organizando as referências, necessárias para uma leitura produtiva das informações. Nas passagens “Os sintomas do flagelo despontam-lhe, então, encadeados em série...” e “Vê-o acentuar, num crescente, até dezembro.”, os pronomes em destaque têm como referentes, respectivamente,
    Escolha uma alternativa para a questão 0f0db9dc-b1
  • Linguagens

    Português

    Leia o texto para responder à questão.

        De repente, uma variante trágica.
        Aproxima-se a seca.
      O sertanejo adivinha-a e prefixa-a graças ao ritmo singular com que se desencadeia o flagelo. Entretanto não foge logo, abandonando a terra a pouco e pouco invadida pelo limbo candente que irradia do Ceará.
        [...]
        Os sintomas do flagelo despontam-lhe, então, encadeados em série, sucedendo-se inflexíveis, como sinais comemorativos de uma moléstia cíclica, da sezão assombradora da Terra. [...] E ao descer das tardes, dia a dia menores e sem crepúsculos, considera, entristecido, nos ares, em bandos, as primeiras aves emigrantes, transvoando a outras climas...
        É o prelúdio da desgraça.
        Vê-o acentuar, num crescente, até dezembro.
        Precautela-se: revista, apreensivo, as malhadas. Percorre os logradouros longos. Procura entre as chapadas que se esterilizam várzeas mais benignas para onde tange os rebanhos. E espera, resignado, o dia 13 daquele mês. Porque, em tal data, usança avoenga lhe faculta sondar o futuro, interrogando a Providência.
        É a experiência tradicional de Santa Luzia. No dia 12 ao anoitecer expõe ao relento, em linha, seis pedrinhas de sal, que representam, em ordem sucessiva da esquerda para a direita, os seis meses vindouros, de janeiro a junho. Ao alvorecer de 13 observa-as: se estão intactas, pressagiam a seca; se a primeira apenas se deliu, transmudada em aljôfar límpido, é certa a chuva em janeiro; se a segunda, em fevereiro; se a maioria ou todas, é inevitável o inverno benfazejo.
        Esta experiência é belíssima. Em que pese ao estigma supersticioso, tem base positiva, e é aceitável desde que se considere que dela se colhe a maior ou menor dosagem de vapor d’água nos ares, e, dedutivamente, maiores ou menores probabilidades de depressões barométricas, capazes de atrair o afluxo das chuvas.
    (Euclides da Cunha. Os Sertões, 1979. Adaptado)
    A leitura do texto permite concluir, com correção, que no último parágrafo o autor sustenta
    Escolha uma alternativa para a questão 0f05a84e-b1
  • Linguagens

    Português

    Controlar como as outras pessoas veem você

    Na sua página “Sobre mim”, é possível escolher quais informações as outras pessoas veem sobre você nos serviços do Google, como Gmail e Hangouts. Também é possível visualizar como suas informações são exibidas para outras pessoas.

    Estes são alguns dos itens que podem ser alterados:

    •  apelido;

    •  sexo;

    •  informações profissionais, por exemplo, local de trabalho;

    •  informações de contato pessoal, como seu número de telefone e endereço para correspondência;

    •  informações de contato comercial, como o e-mail e o número de telefone do seu trabalho;

    •  lugares que você visitou;

    •  informações educacionais.

    (https://support.google.com)


    As informações apresentadas no suporte do Google orientam o usuário em relação ao modo de controlar como é visto pelas outras pessoas. Entende-se, portanto, que o usuário do Google

    Escolha uma alternativa para a questão 0efdc721-b1
  • Linguagens

    Português

    Leia os textos para responder à questão.

    Texto I

        A palavra falada é um fenômeno natural; a palavra escrita é um fenômeno cultural. O homem natural pode viver perfeitamente sem ler nem escrever. Não o pode o homem a que chamamos civilizado: por isso, como disse, a palavra escrita é um fenômeno cultural, não da natureza mas da civilização, da qual a cultura é a essência e o esteio.

        Pertencendo, pois, a mundos (mentais) essencialmente diferentes, os dois tipos de palavra obedecem forçosamente a leis ou regras essencialmente diferentes. A palavra falada é um caso, por assim dizer, democrático. Ao falar, temos que obedecer à lei do maior número, sob pena de não sermos compreendidos ou sermos inutilmente ridículos. Se a maioria pronuncia mal uma palavra, temos que a pronunciar mal: diremos anedota, embora sabíamos que se deve dizer anécdota. Se a maioria usa de uma construção gramatical errada, da mesma construção teremos que usar: diremos “hás-de tu compreender”, embora saibamos que “hás tu de compreender” é a fórmula verdadeira. Se a maioria caiu em usar estrangeirismos ou outras irregularidades verbais, assim temos que fazer: “match de football” diremos, e não “partida de bolapé”. Os termos ou expressões que na linguagem escrita são justos, e até obrigatórios, tornam-se uma estupidez e pedantaria, se deles fazemos uso no trato verbal. Tornam-se até em má-criação, pois o preceito fundamental da civilidade é que nos conformemos o mais possível com as maneiras, os hábitos, e a educação da pessoa com quem falamos, ainda que nisso faltemos às boas- -maneiras ou à etiqueta, que são a cultura exterior.

    (Fernando Pessoa, A Língua Portuguesa. São Paulo: Companhia das Letras, 1999)

    Texto II

        (...) há duas línguas no Brasil: uma que se escreve (e recebe o nome de “português”); e outra que se fala (e que é tão desprezada que nem tem nome). E é esta última que é a língua materna dos brasileiros; a outra (o “português”) tem de ser aprendida na escola, e a maior parte da população nunca chega a dominá-la adequadamente.

        Vamos chamar a língua falada no Brasil de vernáculo brasileiro (...). Assim, diremos que no Brasil se escreve em português, uma língua que também funciona como língua de civilização em Portugal e em alguns países da África. Mas a língua que se fala no Brasil é o vernáculo brasileiro, que não se usa nem em Portugal nem na África.

    (Mário A. Perini, Sofrendo a gramática. São Paulo: Ática, 1997)

    10 DE MAIO Fui na delegacia e falei com o tenente. Que homem amavel! Se eu soubesse que ele era tão amavel, eu teria ido na delegacia na primeira intimação. (...) O tenente interessou-se pela educação dos meus filhos. Disse-me que a favela é um ambiente propenso que as pessoas tem mais possibilidades de delinquir do que tornar-se util a patria e ao país. Pensei: Se ele sabe disto, porque não faz um relatorio e envia para os politicos? O senhor Janio Quadros, o Kubstchek e o Dr. Adhemar de Barros? Agora falar para mim, que sou uma pobre lixeira. Não posso resolver nem as minhas dificuldades.
    ... O Brasil precisa ser dirigido por uma pessoa que já passou fome. A fome também é professora.
    Quem passa fome aprende a pensar no proximo, e nas crianças.
    (Carolina Maria de Jesus. Quarto de despejo: diário de uma favelada, 1993)

    Relacionando o texto de Carolina Maria de Jesus aos conceitos de língua apresentados nos Textos I e II, conclui-se que os usos da linguagem feitos pela autora recobrem a noção de
    Escolha uma alternativa para a questão 0efa7a77-b1
  • Linguagens

    Português

    Pizza por drone
        Não ria, mas a entrega de pizzas nas noites de sexta e sábado é um problema para as grandes cidades. Em nome do conforto das famílias, os motoboys das pizzarias tomam as ruas com a preciosa carga, infernizam o trânsito, comprometem o ambiente com seus canos de descarga e neurotizam os motoristas fazendo bibibi. Sei bem que, diante do prazer que as pizzas proporcionam, seus consumidores fazem vista grossa a isso e ao despropósito de se comprometer um veículo de 200 kg para transportar um pacote de 2 kg.     Mas a tecnologia se preocupa. Agora, graças à Amazon e ao Google, são os satélites que trazem uma solução nova: a entrega por drone. Pede-se a pizza pelo celular; ela é acomodada num drone equipado com GPS e, em poucos minutos, chega, fofa e quentinha, à porta do prédio ou casa do cliente. Pode-se recolhê-la já de guardanapo ao pescoço. Não congestiona as ruas, não polui, não faz barulho e deixa um perfume de orégano no ar.
        Mas há alguns inconvenientes. As autoridades não gostam que os drones voem à noite. A fiação aérea nas cidades não é favorável a objetos que voam baixo. E há ainda o risco de colisão com corujas e morcegos.
        Mas, pelo menos, 59 anos depois do Sputnik, ficamos sabendo para que se inventou o satélite. Para acabar em pizza.
    (Ruy Castro, Pizza por drone. Folha de S.Paulo, 31.08.2016. Adaptado)
    Na organização textual, a frase que inicia o segundo parágrafo – Mas a tecnologia se preocupa. – deve ser entendida como uma informação que
    Escolha uma alternativa para a questão 0ee7c0d9-b1
  • Linguagens

    Português

    Imagem da questão de Português, UDESC 2016, Crase



    Analise as proposições em relação à obra As fantasias eletivas, Carlos Henrique Schroeder, e ao Texto 5.

    I. Na obra, as personagens Renê e Copi têm em comum o sentimento de solidão, ambos tentam o suicídio, mas apenas Copi consegue por fim à amargurada vida que ela levava.

    II. No período “que ligam o continente à ilha de Florianópolis” (linha 3) ainda que retirada as palavras ilha de, a crase permanece: que ligam o continente à Florianópolis.

    III. Em “Dizem os locais que Cruz e Sousa” (linha 6) há referência ao escritor catarinense, representante máximo da estética Simbolista, cuja poesia ficou marcada pela transcendência espiritual e pelo eterno conflito entre a matéria e o espírito.

    IV. Em “observa todos os dias a massagem que os carros, caminhões, ônibus e motos fazem” (linhas 2 e 3) ocorre a figura de linguagem personificação.

    V. A leitura da parte da obra Poesia completa de Copi revela a personagem Copi uma poetisa nos moldes parnasianos, com uma poesia metrificada que tem como objetivo maior “A arte pela arte”.

    Assinale a alternativa correta.
    Escolha uma alternativa para a questão ac305e1b-b1
  • Linguagens

    Português

    Imagem da questão de Português, UDESC 2016, Conjunções: Relação de causa e consequência

    Assinale a alternativa incorreta em relação à obra Esaú e Jacó, Machado de Assis, e ao Texto 4.
    Escolha uma alternativa para a questão ac217e82-b1
  • Linguagens

    Português

    Imagem da questão de Português, UDESC 2016, Análise sintática

    Assinale a alternativa incorreta em relação à obra Olhos d’água, Conceição Evaristo, e ao Texto 3.
    Escolha uma alternativa para a questão ac1cbb33-b1
  • Linguagens

    Português

    Imagem da questão de Português, UDESC 2016, Interpretação de Textos

    Analise as proposições em relação à obra Olhos d’água, Conceição Evaristo, e ao Texto 3.

    I. Na oração “Mas o que fazer” (linha 5) há o pressuposto das dificuldades dos laços afetivos familiares, dos conflitos internos, das reflexões, procurando humanizar quem a sociedade busca desumanizar.

    II. A narrativa da autora traz uma ficção densa, embora em um estilo evidenciado pelo uso de uma linguagem poética que, muitas vezes, transcende a prosa.

    III. A leitura da estrutura “Em poucos minutos a boneca estava destruída” (linha 12) leva o leitor a inferir uma correlação ao ocorrido com a menina Zaíta, no final do conto.

    IV. A leitura do conto leva o leitor a constatar a inocência infantil ante o perigo, pois não o identifica, ignora-o, seguindo o que se tinha determinado a alcançar, a exemplo, a personagem Zaíta.

    V. Da leitura da estrutura, “mas não queria compactuar com a escolha dele” (linhas 2 e 3) infere-se que a mãe não sentia orgulho pela escolha de vida que o segundo filho fizera, ela o aceitava como filho, mas repudiava as atividades que ele realizava.

    Assinale a alternativa correta.
    Escolha uma alternativa para a questão ac110abb-b1
  • Linguagens

    Português

    Texto 2

    MUITOS ANOS DE ASILO.
    NINGUÉM OS QUIS.
    NEM A COR NEM A IDADE CERTAS.
    FICARAM LÁ.
    E FICARAM ATÉ DEPOIS QUE SAÍRAM.
    GUARADARAM O APELIDO.
    ELE, 36.
    ELA, 37.
    ERAM OS NÚMEROS QUE MARCAVAM AS ROUPAS.
    E AS CAMAS.
    OS NÚMEROS DA CHAMADA.
    DAS CADEIRAS DO CAFÉ DA MANHÃ.
    ELA SE FORMOU PROFESSORA.
    ELE, DEPOIS DE TUDO,
    PASSOU A DETESTAR MOTO.
    E, POR ISSO MESMO,
    FOI SER MOTOBOY.
    TINHA OUTRO TRABALHO.
    VENDIA INFORMAÇÃO.
    COM OU SEM FOTOS DE CELULAR.
    SEMPRE QUE VIA ALGUMA COISA.
    NAS RUAS, NAS ANDANÇAS.
    VENDIA PARA UM PORTAL DE NOTÍCIAS.
    UMA MERRECA.
    MAS DIVERTIA.
    AH, E NUNCA TREPARAM.
    NUNCA. NÃO ERA ESSE O LANCE DELES.

    VIGNA, Elvira. Vitória Valentina, Ed. Lamparina, 2016.
    Analise as proposições em relação à obra Vitória Valentina, Elvira Vigna.

    I. No nível da linguagem, pode-se perceber na obra a não preocupação com a valorização das palavras, buscando palavras semanticamente fortes, que por vezes chegam a quebrar a homogeneidade do texto.

    II. A leitura da obra leva o leitor a inferir que a linguagem visual, na forma de HQ, apresenta mais característica lúdica que propriamente artística.

    III. A obra apresenta dois níveis de leitura, logo infere-se a percepção de um tempo diferente em relação à leitura gráfica e à das imagens - linguagem visual, esta de entendimento mais rápido, pois, por ser um romance também imagético, estas representações podem se aproximar mais, ou menos, do referente real.

    IV. A leitura do romance gráfico leva o leitor a inferir que, à primeira vista, ele parece uma narrativa que vai construindo e desconstruindo os sentidos, por meio de uma linguagem gráfica e visual, para formar a tessitura textual.

    V. Da leitura da obra, infere-se como temática valores que deveriam estar desgastados e, no entanto, permanecem na sociedade atual, tais como opressão causada pelo poder econômico, consumismo a favor da liberdade do ser e do ter.

    Assinale a alternativa correta.
    Escolha uma alternativa para a questão ac044f3b-b1
  • Linguagens

    Português

    Imagem da questão de Português, UDESC 2016, Interpretação de Textos

    Analise as proposições em relação à obra Quarenta dias, Maria Valéria Rezende, e ao Texto 1.

    I. A leitura da obra mostra que a personagem/narradora, durante a sua perambulação, faz descobertas que a surpreendem, como ser reconhecida como idosa, pois jamais lhe cobram passagem ao entrar em um ônibus; de poder dormir em hospitais e rodoviárias sem ser incomodada; ter alimentação a baixo custo. Assim, essas passagens tornam-se partes da epifania de Alice, do seu processo de autoconhecimento.

    II. A expressão “inventar um jantar” (linha 16) traduz o grau de ansiedade de Alice em relação à escrita, pois em seu diálogo com a Barbie a narradora sugere um jantar na linha da ficção.

    III. A leitura do sintagma verbal “ou era vagar por mundo nenhum” (linha 7) leva o leitor a inferir a sensação de vazio da personagem/narradora, fazendo alusão ao niilismo.

    IV. Da leitura do período “que amanhã mesmo volto cedo pra fazer você subir comigo à Vila Maria Degolada” (linhas 19 e 20), infere-se que Alice retomaria sua escrita voltando à Vila e que levaria Barbie para passear e conhecer a Vila em que encontrara Cícero Araújo.

    V. Intertextualidade, tema estudado pela Linguística Textual, é um elemento recorrente na escrita de textos. Considerando o romance de Maria Valéria e a obra clássica de Lewis Carroll, Cícero Araújo representa, metaforicamente, o coelho de Alice.

    Assinale a alternativa correta.
    Escolha uma alternativa para a questão abfde703-b1
  • Linguagens

    Português

    Imagem da questão de Português, UDESC 2016, Coesão e coerência

    Em relação à obra Quarenta dias, Maria Valéria Rezende, e ao Texto 1, assinale (V) para a proposição verdadeira e (F) para a falsa.

    ( ) A leitura da obra leva o leitor a inferir que o título da obra bem como a peregrinação de Alice, por quarenta dias, lembram os quarenta dias em que Jesus permaneceu no deserto, onde teve uma peregrinação sofrida, mas necessária para a preparação de um encontro com Deus. Enquanto que os quarentas dias de perambulação de Alice, por Porto Alegre, foram necessários para criar uma nova aliança com ela, um reencontro consigo mesma.

    ( ) As expressões destacadas em “da Protásio até a Bento” (linha 18) fazem a concordância não com os substantivos próprios masculinos e sim com a ideia que eles representam; logo, em relação à concordância nominal, há concordância ideológica.

    ( ) No período “Acho que eu teria ido de qualquer jeito” (linha 11) se a expressão destacada for substituída por mesmo assim, a coerência e o sentido, no texto, são mantidos.

    ( ) A protagonista registra a história da sua perambulação em um velho caderno com a imagem da boneca Barbie estampada na capa, e é com esta imagem inanimada – que está ali sempre disposta a escutar, que não fala, não interrompe, não aconselha e, principalmente, não perturba e nem é censurável – que Alice dialoga para dividir suas aflições.

    ( ) A leitura da obra leva o leitor a inferir que a arte da produção escrita da personagem/narradora é um subterfúgio que ela encontra para abrandar a solidão e não sufocar com as memórias e inquietações; dar sentido ao vivido, de passar toda a angústia convivida para uma plano que a absorva.

    Assinale a alternativa que contém a sequência correta, de cima para baixo.
    Escolha uma alternativa para a questão abf7db29-b1
  • Linguagens

    Português

    Imagem da questão de Português, UDESC 2016, Interpretação de Textos

    Assinale a alternativa incorreta em relação à obra Quarenta dias, Maria Valéria Rezende, e ao Texto 1.
    Escolha uma alternativa para a questão abf1bb27-b1