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Questões do ENEM: Linguagens

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18.995 questões encontradas. Mostrando a página 458 de 950.

  • 9B8C5302-DD

    Português

    Figuras de Linguagem
    UNIFESP · 2017FácilEntre para guardar nos favoritos

    Aquela triste e leda madrugada, 
    cheia toda de mágoa e de piedade,
    enquanto houver no mundo saudade 
    quero que seja sempre celebrada.

    Ela só, quando amena e marchetada 
    saía, dando ao mundo claridade, 
    viu apartar-se de uma outra vontade,
     que nunca poderá ver-se apartada.

    Ela só viu as lágrimas em fio 
    que, de uns e de outros olhos derivadas, 
    se acrescentaram em grande e largo rio.

    Ela viu as palavras magoadas
     que puderam tornar o fogo frio,
     e dar descanso às almas condenadas.

     (Sonetos, 2001.)

    A imagem das lágrimas a formarem um “largo rio” (3a estrofe) produz um efeito expressivo que se classifica como
    Escolha uma alternativa para a questão 9b8c5302-dd
  • 9B891999-DD

    Português

    Interpretação de Textos
    UNIFESP · 2017MédioEntre para guardar nos favoritos

    Aquela triste e leda madrugada, 
    cheia toda de mágoa e de piedade,
    enquanto houver no mundo saudade 
    quero que seja sempre celebrada.

    Ela só, quando amena e marchetada 
    saía, dando ao mundo claridade, 
    viu apartar-se de uma outra vontade,
     que nunca poderá ver-se apartada.

    Ela só viu as lágrimas em fio 
    que, de uns e de outros olhos derivadas, 
    se acrescentaram em grande e largo rio.

    Ela viu as palavras magoadas
     que puderam tornar o fogo frio,
     e dar descanso às almas condenadas.

     (Sonetos, 2001.)

    O pronome “Ela”, que se repete no início de três estrofes, refere-se a
    Escolha uma alternativa para a questão 9b891999-dd
  • 9B85ED85-DD

    Português

    Morfologia
    UNIFESP · 2017FácilEntre para guardar nos favoritos

    Leia a crônica “Premonitório”, de Carlos Drummond de Andrade (1902-1987).

          Do fundo de Pernambuco, o pai mandou-lhe um telegrama:

    “Não saia casa 3 outubro abraços”.

         O rapaz releu, sob emoção grave. Ainda bem que o velho avisara: em cima da hora, mas avisara. Olhou a data: 28 de setembro. Puxa vida, telegrama com a nota de urgente, levar cinco dias de Garanhuns a Belo Horizonte! Só mesmo com uma revolução esse telégrafo endireita. E passado às sete da manhã, veja só; o pai nem tomara o mingau com broa,precipitara-se na agência para expedir a mensagem.

        Não havia tempo a perder. Marcara encontros para o dia seguinte, e precisava cancelar tudo, sem alarde, como se deve agir em tais ocasiões. Pegou o telefone, pediu linha,mas a voz de d. Anita não respondeu. Havia tempo que morava naquele hotel e jamais deixara de ouvir o “pois não” melodioso de d. Anita, durante o dia. A voz grossa, que resmungara qualquer coisa, não era de empregado da casa; insistira:“como é?”, e a ligação foi dificultosa, havia besouros na linha.Falou rapidamente a diversas pessoas, aludiu a uma ponte que talvez resistisse ainda uns dias, teve oportunidade de escandir as sílabas de arma virumque cano1, disse que achava pouco cem mil unidades, em tal emergência, e arrematou:“Dia 4 nós conversamos.” Vestiu-se, desceu. Na portaria, um sujeito de panamá bege, chapéu de aba larga e sapato de duas cores levantou-se e seguiu-o. Tomou um carro, o outro fez o mesmo. Desceu na praça da Liberdade e pôs-se a contemplar um ponto qualquer. Tirou do bolso um caderninho e anotou qualquer coisa. Aí, já havia dois sujeitos de panamá, aba larga e sapato bicolor, confabulando a pequena distância.Foi saindo de mansinho, mas os dois lhe seguiram na cola. Estava calmo, com o telegrama do pai dobrado na carteira, placidez satisfeita na alma. O pai avisara a tempo, tudo correria bem. Ia tomar a calçada quando a baioneta em riste advertiu: “Passe de largo”; a Delegacia Fiscal estava cercada de praças, havia armas cruzadas nos antos. Nos Correios, a mesma coisa, também na Telefônica. Bondes passavam escoltados. Caminhões conduziam tropa, jipes chispavam. As manchetes dos jornais eram sombrias; pouca gente na rua. Céu escuro, abafado, chuva próxima.

        Pensando bem, o melhor era recolher-se ao hotel; não havia nada a fazer. Trancou-se no quarto, procurou ler, de vez em quando o telefone chamava: “Desculpe, é engano”,ou ficava mudo, sem desligar. Dizendo-se incomodado, jantou no quarto, e estranhou a camareira, que olhava para os móveis como se fossem bichos. Deliberou deitar-se,embora a noite apenas começasse. Releu o telegrama, apagou a luz.
    Acordou assustado, com golpes na porta. Cinco da manhã. Alguém o convidava a ir à Delegacia de Ordem Política e Social. “Deve ser engano.” “Não é não, o chefe está à espera.” “Tão cedinho? Precisa ser hoje mesmo? Amanhã eu vou.” “É hoje e é já.” “Impossível.” Pegaram-lhe dos braços e levaram-no sem polêmica. A cidade era uma praça de guerra, toda a polícia a postos. “O senhor vai dizer a verdade bonitinho e logo” – disse-lhe o chefe. – “Que sabe a respeito do troço?” “Não se faça de bobo, o troço que vai estourar hoje.” “Vai estourar?” “Não sabia? E aquela ponte que o senhor ia dinamitar mas era difícil?” “Doutor, eu falei a meu dentista, é um trabalho de prótese que anda abalado. Quer ver? Eu tiro.” “Não, mas e aquela frase em código muito vagabundo, com palavras que todo mundo manja logo, como arma e cano?” “Sou professor de latim, e corrigi a epígrafe de um trabalho.” “Latim, hem? E a conversa sobre os cem mil homens que davam para vencer?” “São unidades de penicilina que um colega tomou para uma infecção no ouvido.” “E os cálculos que o senhor fazia diante do palácio?” Emudeceu. “Diga, vamos!” “Desculpe, eram uns versinhos, estão aqui no bolso.” “O senhor é esperto, mas saia desta. Vê este telegrama? É cópia do que o senhor recebeu de Pernambuco. Ainda tem coragem de negar que está alheio ao golpe?” “Ah, então é por isso que o telegrama custou tanto a chegar?” “Mais custou ao país, gritou o chefe. Sabe que por causa dele as Forças Armadas ficaram de prontidão, e que isso custa cinco mil contos? Diga depressa.” “Mas, doutor…” Foi levado para outra sala, onde ficou horas. O que aconteceu, Deus sabe. Afinal, exausto, confessou: “O senhor entende conversa de pai pra filho? Papai costuma ter sonhos premonitórios, e toda a família acredita neles. Sonhou que me aconteceria uma coisa no dia 3, se eu saísse de casa, e telegrafou prevenindo. Juro!” 

        Dia 4, sem golpe nenhum, foi mandado em paz. O sonho se confirmara: realmente, não devia ter saído de casa.

    (70 historinhas, 2016.)

    1 arma virumque cano: “canto as armas e o varão” (palavras iniciais da
    epopeia Eneida, do escritor Vergílio, referentes ao herói Eneias).

    “Falou rapidamente a diversas pessoas, aludiu a uma ponte que talvez resistisse ainda uns dias, teve oportunidade de escandir as sílabas de arma virumque cano” (3o parágrafo)
    Os termos em destaque constituem, respectivamente,
    Escolha uma alternativa para a questão 9b85ed85-dd
  • 9B82BA0D-DD

    Português

    Análise sintática
    UNIFESP · 2017FácilEntre para guardar nos favoritos

    Leia a crônica “Premonitório”, de Carlos Drummond de Andrade (1902-1987).

          Do fundo de Pernambuco, o pai mandou-lhe um telegrama:

    “Não saia casa 3 outubro abraços”.

         O rapaz releu, sob emoção grave. Ainda bem que o velho avisara: em cima da hora, mas avisara. Olhou a data: 28 de setembro. Puxa vida, telegrama com a nota de urgente, levar cinco dias de Garanhuns a Belo Horizonte! Só mesmo com uma revolução esse telégrafo endireita. E passado às sete da manhã, veja só; o pai nem tomara o mingau com broa,precipitara-se na agência para expedir a mensagem.

        Não havia tempo a perder. Marcara encontros para o dia seguinte, e precisava cancelar tudo, sem alarde, como se deve agir em tais ocasiões. Pegou o telefone, pediu linha,mas a voz de d. Anita não respondeu. Havia tempo que morava naquele hotel e jamais deixara de ouvir o “pois não” melodioso de d. Anita, durante o dia. A voz grossa, que resmungara qualquer coisa, não era de empregado da casa; insistira:“como é?”, e a ligação foi dificultosa, havia besouros na linha.Falou rapidamente a diversas pessoas, aludiu a uma ponte que talvez resistisse ainda uns dias, teve oportunidade de escandir as sílabas de arma virumque cano1, disse que achava pouco cem mil unidades, em tal emergência, e arrematou:“Dia 4 nós conversamos.” Vestiu-se, desceu. Na portaria, um sujeito de panamá bege, chapéu de aba larga e sapato de duas cores levantou-se e seguiu-o. Tomou um carro, o outro fez o mesmo. Desceu na praça da Liberdade e pôs-se a contemplar um ponto qualquer. Tirou do bolso um caderninho e anotou qualquer coisa. Aí, já havia dois sujeitos de panamá, aba larga e sapato bicolor, confabulando a pequena distância.Foi saindo de mansinho, mas os dois lhe seguiram na cola. Estava calmo, com o telegrama do pai dobrado na carteira, placidez satisfeita na alma. O pai avisara a tempo, tudo correria bem. Ia tomar a calçada quando a baioneta em riste advertiu: “Passe de largo”; a Delegacia Fiscal estava cercada de praças, havia armas cruzadas nos antos. Nos Correios, a mesma coisa, também na Telefônica. Bondes passavam escoltados. Caminhões conduziam tropa, jipes chispavam. As manchetes dos jornais eram sombrias; pouca gente na rua. Céu escuro, abafado, chuva próxima.

        Pensando bem, o melhor era recolher-se ao hotel; não havia nada a fazer. Trancou-se no quarto, procurou ler, de vez em quando o telefone chamava: “Desculpe, é engano”,ou ficava mudo, sem desligar. Dizendo-se incomodado, jantou no quarto, e estranhou a camareira, que olhava para os móveis como se fossem bichos. Deliberou deitar-se,embora a noite apenas começasse. Releu o telegrama, apagou a luz.
    Acordou assustado, com golpes na porta. Cinco da manhã. Alguém o convidava a ir à Delegacia de Ordem Política e Social. “Deve ser engano.” “Não é não, o chefe está à espera.” “Tão cedinho? Precisa ser hoje mesmo? Amanhã eu vou.” “É hoje e é já.” “Impossível.” Pegaram-lhe dos braços e levaram-no sem polêmica. A cidade era uma praça de guerra, toda a polícia a postos. “O senhor vai dizer a verdade bonitinho e logo” – disse-lhe o chefe. – “Que sabe a respeito do troço?” “Não se faça de bobo, o troço que vai estourar hoje.” “Vai estourar?” “Não sabia? E aquela ponte que o senhor ia dinamitar mas era difícil?” “Doutor, eu falei a meu dentista, é um trabalho de prótese que anda abalado. Quer ver? Eu tiro.” “Não, mas e aquela frase em código muito vagabundo, com palavras que todo mundo manja logo, como arma e cano?” “Sou professor de latim, e corrigi a epígrafe de um trabalho.” “Latim, hem? E a conversa sobre os cem mil homens que davam para vencer?” “São unidades de penicilina que um colega tomou para uma infecção no ouvido.” “E os cálculos que o senhor fazia diante do palácio?” Emudeceu. “Diga, vamos!” “Desculpe, eram uns versinhos, estão aqui no bolso.” “O senhor é esperto, mas saia desta. Vê este telegrama? É cópia do que o senhor recebeu de Pernambuco. Ainda tem coragem de negar que está alheio ao golpe?” “Ah, então é por isso que o telegrama custou tanto a chegar?” “Mais custou ao país, gritou o chefe. Sabe que por causa dele as Forças Armadas ficaram de prontidão, e que isso custa cinco mil contos? Diga depressa.” “Mas, doutor…” Foi levado para outra sala, onde ficou horas. O que aconteceu, Deus sabe. Afinal, exausto, confessou: “O senhor entende conversa de pai pra filho? Papai costuma ter sonhos premonitórios, e toda a família acredita neles. Sonhou que me aconteceria uma coisa no dia 3, se eu saísse de casa, e telegrafou prevenindo. Juro!” 

        Dia 4, sem golpe nenhum, foi mandado em paz. O sonho se confirmara: realmente, não devia ter saído de casa.

    (70 historinhas, 2016.)

    1 arma virumque cano: “canto as armas e o varão” (palavras iniciais da
    epopeia Eneida, do escritor Vergílio, referentes ao herói Eneias).

    “Deliberou deitar-se, embora a noite apenas começasse.” (4º parágrafo)

    Em relação à oração anterior, a oração destacada exprime ideia de

    Escolha uma alternativa para a questão 9b82ba0d-dd
  • 9B7F5930-DD

    Português

    Interpretação de Textos
    UNIFESP · 2017MédioEntre para guardar nos favoritos

    Leia a crônica “Premonitório”, de Carlos Drummond de Andrade (1902-1987).

          Do fundo de Pernambuco, o pai mandou-lhe um telegrama:

    “Não saia casa 3 outubro abraços”.

         O rapaz releu, sob emoção grave. Ainda bem que o velho avisara: em cima da hora, mas avisara. Olhou a data: 28 de setembro. Puxa vida, telegrama com a nota de urgente, levar cinco dias de Garanhuns a Belo Horizonte! Só mesmo com uma revolução esse telégrafo endireita. E passado às sete da manhã, veja só; o pai nem tomara o mingau com broa,precipitara-se na agência para expedir a mensagem.

        Não havia tempo a perder. Marcara encontros para o dia seguinte, e precisava cancelar tudo, sem alarde, como se deve agir em tais ocasiões. Pegou o telefone, pediu linha,mas a voz de d. Anita não respondeu. Havia tempo que morava naquele hotel e jamais deixara de ouvir o “pois não” melodioso de d. Anita, durante o dia. A voz grossa, que resmungara qualquer coisa, não era de empregado da casa; insistira:“como é?”, e a ligação foi dificultosa, havia besouros na linha.Falou rapidamente a diversas pessoas, aludiu a uma ponte que talvez resistisse ainda uns dias, teve oportunidade de escandir as sílabas de arma virumque cano1, disse que achava pouco cem mil unidades, em tal emergência, e arrematou:“Dia 4 nós conversamos.” Vestiu-se, desceu. Na portaria, um sujeito de panamá bege, chapéu de aba larga e sapato de duas cores levantou-se e seguiu-o. Tomou um carro, o outro fez o mesmo. Desceu na praça da Liberdade e pôs-se a contemplar um ponto qualquer. Tirou do bolso um caderninho e anotou qualquer coisa. Aí, já havia dois sujeitos de panamá, aba larga e sapato bicolor, confabulando a pequena distância.Foi saindo de mansinho, mas os dois lhe seguiram na cola. Estava calmo, com o telegrama do pai dobrado na carteira, placidez satisfeita na alma. O pai avisara a tempo, tudo correria bem. Ia tomar a calçada quando a baioneta em riste advertiu: “Passe de largo”; a Delegacia Fiscal estava cercada de praças, havia armas cruzadas nos antos. Nos Correios, a mesma coisa, também na Telefônica. Bondes passavam escoltados. Caminhões conduziam tropa, jipes chispavam. As manchetes dos jornais eram sombrias; pouca gente na rua. Céu escuro, abafado, chuva próxima.

        Pensando bem, o melhor era recolher-se ao hotel; não havia nada a fazer. Trancou-se no quarto, procurou ler, de vez em quando o telefone chamava: “Desculpe, é engano”,ou ficava mudo, sem desligar. Dizendo-se incomodado, jantou no quarto, e estranhou a camareira, que olhava para os móveis como se fossem bichos. Deliberou deitar-se,embora a noite apenas começasse. Releu o telegrama, apagou a luz.
    Acordou assustado, com golpes na porta. Cinco da manhã. Alguém o convidava a ir à Delegacia de Ordem Política e Social. “Deve ser engano.” “Não é não, o chefe está à espera.” “Tão cedinho? Precisa ser hoje mesmo? Amanhã eu vou.” “É hoje e é já.” “Impossível.” Pegaram-lhe dos braços e levaram-no sem polêmica. A cidade era uma praça de guerra, toda a polícia a postos. “O senhor vai dizer a verdade bonitinho e logo” – disse-lhe o chefe. – “Que sabe a respeito do troço?” “Não se faça de bobo, o troço que vai estourar hoje.” “Vai estourar?” “Não sabia? E aquela ponte que o senhor ia dinamitar mas era difícil?” “Doutor, eu falei a meu dentista, é um trabalho de prótese que anda abalado. Quer ver? Eu tiro.” “Não, mas e aquela frase em código muito vagabundo, com palavras que todo mundo manja logo, como arma e cano?” “Sou professor de latim, e corrigi a epígrafe de um trabalho.” “Latim, hem? E a conversa sobre os cem mil homens que davam para vencer?” “São unidades de penicilina que um colega tomou para uma infecção no ouvido.” “E os cálculos que o senhor fazia diante do palácio?” Emudeceu. “Diga, vamos!” “Desculpe, eram uns versinhos, estão aqui no bolso.” “O senhor é esperto, mas saia desta. Vê este telegrama? É cópia do que o senhor recebeu de Pernambuco. Ainda tem coragem de negar que está alheio ao golpe?” “Ah, então é por isso que o telegrama custou tanto a chegar?” “Mais custou ao país, gritou o chefe. Sabe que por causa dele as Forças Armadas ficaram de prontidão, e que isso custa cinco mil contos? Diga depressa.” “Mas, doutor…” Foi levado para outra sala, onde ficou horas. O que aconteceu, Deus sabe. Afinal, exausto, confessou: “O senhor entende conversa de pai pra filho? Papai costuma ter sonhos premonitórios, e toda a família acredita neles. Sonhou que me aconteceria uma coisa no dia 3, se eu saísse de casa, e telegrafou prevenindo. Juro!” 

        Dia 4, sem golpe nenhum, foi mandado em paz. O sonho se confirmara: realmente, não devia ter saído de casa.

    (70 historinhas, 2016.)

    1 arma virumque cano: “canto as armas e o varão” (palavras iniciais da
    epopeia Eneida, do escritor Vergílio, referentes ao herói Eneias).

    •  “A cidade era uma praça de guerra, toda a polícia a postos. ‘O senhor vai dizer a verdade bonitinho e logo’ – disse-lhe o chefe.” (5o parágrafo)

    •  “‘E os cálculos que o senhor fazia diante do palácio?’ Emudeceu. ‘Diga, vamos!’ ‘Desculpe, eram uns versinhos, estão aqui no bolso.’” (5o parágrafo)

    No contexto em que se inserem, as palavras “bonitinho” e “versinhos” exprimem, respectivamente,

    Escolha uma alternativa para a questão 9b7f5930-dd
  • 9B7C1E6E-DD

    Português

    Denotação e Conotação
    UNIFESP · 2017MédioEntre para guardar nos favoritos

    Leia a crônica “Premonitório”, de Carlos Drummond de Andrade (1902-1987).

          Do fundo de Pernambuco, o pai mandou-lhe um telegrama:

    “Não saia casa 3 outubro abraços”.

         O rapaz releu, sob emoção grave. Ainda bem que o velho avisara: em cima da hora, mas avisara. Olhou a data: 28 de setembro. Puxa vida, telegrama com a nota de urgente, levar cinco dias de Garanhuns a Belo Horizonte! Só mesmo com uma revolução esse telégrafo endireita. E passado às sete da manhã, veja só; o pai nem tomara o mingau com broa,precipitara-se na agência para expedir a mensagem.

        Não havia tempo a perder. Marcara encontros para o dia seguinte, e precisava cancelar tudo, sem alarde, como se deve agir em tais ocasiões. Pegou o telefone, pediu linha,mas a voz de d. Anita não respondeu. Havia tempo que morava naquele hotel e jamais deixara de ouvir o “pois não” melodioso de d. Anita, durante o dia. A voz grossa, que resmungara qualquer coisa, não era de empregado da casa; insistira:“como é?”, e a ligação foi dificultosa, havia besouros na linha.Falou rapidamente a diversas pessoas, aludiu a uma ponte que talvez resistisse ainda uns dias, teve oportunidade de escandir as sílabas de arma virumque cano1, disse que achava pouco cem mil unidades, em tal emergência, e arrematou:“Dia 4 nós conversamos.” Vestiu-se, desceu. Na portaria, um sujeito de panamá bege, chapéu de aba larga e sapato de duas cores levantou-se e seguiu-o. Tomou um carro, o outro fez o mesmo. Desceu na praça da Liberdade e pôs-se a contemplar um ponto qualquer. Tirou do bolso um caderninho e anotou qualquer coisa. Aí, já havia dois sujeitos de panamá, aba larga e sapato bicolor, confabulando a pequena distância.Foi saindo de mansinho, mas os dois lhe seguiram na cola. Estava calmo, com o telegrama do pai dobrado na carteira, placidez satisfeita na alma. O pai avisara a tempo, tudo correria bem. Ia tomar a calçada quando a baioneta em riste advertiu: “Passe de largo”; a Delegacia Fiscal estava cercada de praças, havia armas cruzadas nos antos. Nos Correios, a mesma coisa, também na Telefônica. Bondes passavam escoltados. Caminhões conduziam tropa, jipes chispavam. As manchetes dos jornais eram sombrias; pouca gente na rua. Céu escuro, abafado, chuva próxima.

        Pensando bem, o melhor era recolher-se ao hotel; não havia nada a fazer. Trancou-se no quarto, procurou ler, de vez em quando o telefone chamava: “Desculpe, é engano”,ou ficava mudo, sem desligar. Dizendo-se incomodado, jantou no quarto, e estranhou a camareira, que olhava para os móveis como se fossem bichos. Deliberou deitar-se,embora a noite apenas começasse. Releu o telegrama, apagou a luz.
    Acordou assustado, com golpes na porta. Cinco da manhã. Alguém o convidava a ir à Delegacia de Ordem Política e Social. “Deve ser engano.” “Não é não, o chefe está à espera.” “Tão cedinho? Precisa ser hoje mesmo? Amanhã eu vou.” “É hoje e é já.” “Impossível.” Pegaram-lhe dos braços e levaram-no sem polêmica. A cidade era uma praça de guerra, toda a polícia a postos. “O senhor vai dizer a verdade bonitinho e logo” – disse-lhe o chefe. – “Que sabe a respeito do troço?” “Não se faça de bobo, o troço que vai estourar hoje.” “Vai estourar?” “Não sabia? E aquela ponte que o senhor ia dinamitar mas era difícil?” “Doutor, eu falei a meu dentista, é um trabalho de prótese que anda abalado. Quer ver? Eu tiro.” “Não, mas e aquela frase em código muito vagabundo, com palavras que todo mundo manja logo, como arma e cano?” “Sou professor de latim, e corrigi a epígrafe de um trabalho.” “Latim, hem? E a conversa sobre os cem mil homens que davam para vencer?” “São unidades de penicilina que um colega tomou para uma infecção no ouvido.” “E os cálculos que o senhor fazia diante do palácio?” Emudeceu. “Diga, vamos!” “Desculpe, eram uns versinhos, estão aqui no bolso.” “O senhor é esperto, mas saia desta. Vê este telegrama? É cópia do que o senhor recebeu de Pernambuco. Ainda tem coragem de negar que está alheio ao golpe?” “Ah, então é por isso que o telegrama custou tanto a chegar?” “Mais custou ao país, gritou o chefe. Sabe que por causa dele as Forças Armadas ficaram de prontidão, e que isso custa cinco mil contos? Diga depressa.” “Mas, doutor…” Foi levado para outra sala, onde ficou horas. O que aconteceu, Deus sabe. Afinal, exausto, confessou: “O senhor entende conversa de pai pra filho? Papai costuma ter sonhos premonitórios, e toda a família acredita neles. Sonhou que me aconteceria uma coisa no dia 3, se eu saísse de casa, e telegrafou prevenindo. Juro!” 

        Dia 4, sem golpe nenhum, foi mandado em paz. O sonho se confirmara: realmente, não devia ter saído de casa.

    (70 historinhas, 2016.)

    1 arma virumque cano: “canto as armas e o varão” (palavras iniciais da
    epopeia Eneida, do escritor Vergílio, referentes ao herói Eneias).

    Estão empregados em sentido figurado os termos destacados nos trechos:
    Escolha uma alternativa para a questão 9b7c1e6e-dd
  • 9B78C882-DD

    Português

    Figuras de Linguagem
    UNIFESP · 2017MédioEntre para guardar nos favoritos

    Leia a crônica “Premonitório”, de Carlos Drummond de Andrade (1902-1987).

          Do fundo de Pernambuco, o pai mandou-lhe um telegrama:

    “Não saia casa 3 outubro abraços”.

         O rapaz releu, sob emoção grave. Ainda bem que o velho avisara: em cima da hora, mas avisara. Olhou a data: 28 de setembro. Puxa vida, telegrama com a nota de urgente, levar cinco dias de Garanhuns a Belo Horizonte! Só mesmo com uma revolução esse telégrafo endireita. E passado às sete da manhã, veja só; o pai nem tomara o mingau com broa,precipitara-se na agência para expedir a mensagem.

        Não havia tempo a perder. Marcara encontros para o dia seguinte, e precisava cancelar tudo, sem alarde, como se deve agir em tais ocasiões. Pegou o telefone, pediu linha,mas a voz de d. Anita não respondeu. Havia tempo que morava naquele hotel e jamais deixara de ouvir o “pois não” melodioso de d. Anita, durante o dia. A voz grossa, que resmungara qualquer coisa, não era de empregado da casa; insistira:“como é?”, e a ligação foi dificultosa, havia besouros na linha.Falou rapidamente a diversas pessoas, aludiu a uma ponte que talvez resistisse ainda uns dias, teve oportunidade de escandir as sílabas de arma virumque cano1, disse que achava pouco cem mil unidades, em tal emergência, e arrematou:“Dia 4 nós conversamos.” Vestiu-se, desceu. Na portaria, um sujeito de panamá bege, chapéu de aba larga e sapato de duas cores levantou-se e seguiu-o. Tomou um carro, o outro fez o mesmo. Desceu na praça da Liberdade e pôs-se a contemplar um ponto qualquer. Tirou do bolso um caderninho e anotou qualquer coisa. Aí, já havia dois sujeitos de panamá, aba larga e sapato bicolor, confabulando a pequena distância.Foi saindo de mansinho, mas os dois lhe seguiram na cola. Estava calmo, com o telegrama do pai dobrado na carteira, placidez satisfeita na alma. O pai avisara a tempo, tudo correria bem. Ia tomar a calçada quando a baioneta em riste advertiu: “Passe de largo”; a Delegacia Fiscal estava cercada de praças, havia armas cruzadas nos antos. Nos Correios, a mesma coisa, também na Telefônica. Bondes passavam escoltados. Caminhões conduziam tropa, jipes chispavam. As manchetes dos jornais eram sombrias; pouca gente na rua. Céu escuro, abafado, chuva próxima.

        Pensando bem, o melhor era recolher-se ao hotel; não havia nada a fazer. Trancou-se no quarto, procurou ler, de vez em quando o telefone chamava: “Desculpe, é engano”,ou ficava mudo, sem desligar. Dizendo-se incomodado, jantou no quarto, e estranhou a camareira, que olhava para os móveis como se fossem bichos. Deliberou deitar-se,embora a noite apenas começasse. Releu o telegrama, apagou a luz.
    Acordou assustado, com golpes na porta. Cinco da manhã. Alguém o convidava a ir à Delegacia de Ordem Política e Social. “Deve ser engano.” “Não é não, o chefe está à espera.” “Tão cedinho? Precisa ser hoje mesmo? Amanhã eu vou.” “É hoje e é já.” “Impossível.” Pegaram-lhe dos braços e levaram-no sem polêmica. A cidade era uma praça de guerra, toda a polícia a postos. “O senhor vai dizer a verdade bonitinho e logo” – disse-lhe o chefe. – “Que sabe a respeito do troço?” “Não se faça de bobo, o troço que vai estourar hoje.” “Vai estourar?” “Não sabia? E aquela ponte que o senhor ia dinamitar mas era difícil?” “Doutor, eu falei a meu dentista, é um trabalho de prótese que anda abalado. Quer ver? Eu tiro.” “Não, mas e aquela frase em código muito vagabundo, com palavras que todo mundo manja logo, como arma e cano?” “Sou professor de latim, e corrigi a epígrafe de um trabalho.” “Latim, hem? E a conversa sobre os cem mil homens que davam para vencer?” “São unidades de penicilina que um colega tomou para uma infecção no ouvido.” “E os cálculos que o senhor fazia diante do palácio?” Emudeceu. “Diga, vamos!” “Desculpe, eram uns versinhos, estão aqui no bolso.” “O senhor é esperto, mas saia desta. Vê este telegrama? É cópia do que o senhor recebeu de Pernambuco. Ainda tem coragem de negar que está alheio ao golpe?” “Ah, então é por isso que o telegrama custou tanto a chegar?” “Mais custou ao país, gritou o chefe. Sabe que por causa dele as Forças Armadas ficaram de prontidão, e que isso custa cinco mil contos? Diga depressa.” “Mas, doutor…” Foi levado para outra sala, onde ficou horas. O que aconteceu, Deus sabe. Afinal, exausto, confessou: “O senhor entende conversa de pai pra filho? Papai costuma ter sonhos premonitórios, e toda a família acredita neles. Sonhou que me aconteceria uma coisa no dia 3, se eu saísse de casa, e telegrafou prevenindo. Juro!” 

        Dia 4, sem golpe nenhum, foi mandado em paz. O sonho se confirmara: realmente, não devia ter saído de casa.

    (70 historinhas, 2016.)

    1 arma virumque cano: “canto as armas e o varão” (palavras iniciais da
    epopeia Eneida, do escritor Vergílio, referentes ao herói Eneias).

        Metonímia: figura de retórica que consiste no uso de uma palavra fora do seu contexto semântico normal, por ter uma significação que tenha relação objetiva, de contiguidade [vizinhança, proximidade], material ou conceitual, com o conteúdo ou o referente ocasionalmente pensado.

    (Dicionário Houaiss da língua portuguesa, 2009.)

    Verifica-se a ocorrência de metonímia no trecho:
    Escolha uma alternativa para a questão 9b78c882-dd
  • 9B71BC91-DD

    Português

    Interpretação de Textos
    UNIFESP · 2017MédioEntre para guardar nos favoritos

    Leia a crônica “Premonitório”, de Carlos Drummond de Andrade (1902-1987).

          Do fundo de Pernambuco, o pai mandou-lhe um telegrama:

    “Não saia casa 3 outubro abraços”.

         O rapaz releu, sob emoção grave. Ainda bem que o velho avisara: em cima da hora, mas avisara. Olhou a data: 28 de setembro. Puxa vida, telegrama com a nota de urgente, levar cinco dias de Garanhuns a Belo Horizonte! Só mesmo com uma revolução esse telégrafo endireita. E passado às sete da manhã, veja só; o pai nem tomara o mingau com broa,precipitara-se na agência para expedir a mensagem.

        Não havia tempo a perder. Marcara encontros para o dia seguinte, e precisava cancelar tudo, sem alarde, como se deve agir em tais ocasiões. Pegou o telefone, pediu linha,mas a voz de d. Anita não respondeu. Havia tempo que morava naquele hotel e jamais deixara de ouvir o “pois não” melodioso de d. Anita, durante o dia. A voz grossa, que resmungara qualquer coisa, não era de empregado da casa; insistira:“como é?”, e a ligação foi dificultosa, havia besouros na linha.Falou rapidamente a diversas pessoas, aludiu a uma ponte que talvez resistisse ainda uns dias, teve oportunidade de escandir as sílabas de arma virumque cano1, disse que achava pouco cem mil unidades, em tal emergência, e arrematou:“Dia 4 nós conversamos.” Vestiu-se, desceu. Na portaria, um sujeito de panamá bege, chapéu de aba larga e sapato de duas cores levantou-se e seguiu-o. Tomou um carro, o outro fez o mesmo. Desceu na praça da Liberdade e pôs-se a contemplar um ponto qualquer. Tirou do bolso um caderninho e anotou qualquer coisa. Aí, já havia dois sujeitos de panamá, aba larga e sapato bicolor, confabulando a pequena distância.Foi saindo de mansinho, mas os dois lhe seguiram na cola. Estava calmo, com o telegrama do pai dobrado na carteira, placidez satisfeita na alma. O pai avisara a tempo, tudo correria bem. Ia tomar a calçada quando a baioneta em riste advertiu: “Passe de largo”; a Delegacia Fiscal estava cercada de praças, havia armas cruzadas nos antos. Nos Correios, a mesma coisa, também na Telefônica. Bondes passavam escoltados. Caminhões conduziam tropa, jipes chispavam. As manchetes dos jornais eram sombrias; pouca gente na rua. Céu escuro, abafado, chuva próxima.

        Pensando bem, o melhor era recolher-se ao hotel; não havia nada a fazer. Trancou-se no quarto, procurou ler, de vez em quando o telefone chamava: “Desculpe, é engano”,ou ficava mudo, sem desligar. Dizendo-se incomodado, jantou no quarto, e estranhou a camareira, que olhava para os móveis como se fossem bichos. Deliberou deitar-se,embora a noite apenas começasse. Releu o telegrama, apagou a luz.
    Acordou assustado, com golpes na porta. Cinco da manhã. Alguém o convidava a ir à Delegacia de Ordem Política e Social. “Deve ser engano.” “Não é não, o chefe está à espera.” “Tão cedinho? Precisa ser hoje mesmo? Amanhã eu vou.” “É hoje e é já.” “Impossível.” Pegaram-lhe dos braços e levaram-no sem polêmica. A cidade era uma praça de guerra, toda a polícia a postos. “O senhor vai dizer a verdade bonitinho e logo” – disse-lhe o chefe. – “Que sabe a respeito do troço?” “Não se faça de bobo, o troço que vai estourar hoje.” “Vai estourar?” “Não sabia? E aquela ponte que o senhor ia dinamitar mas era difícil?” “Doutor, eu falei a meu dentista, é um trabalho de prótese que anda abalado. Quer ver? Eu tiro.” “Não, mas e aquela frase em código muito vagabundo, com palavras que todo mundo manja logo, como arma e cano?” “Sou professor de latim, e corrigi a epígrafe de um trabalho.” “Latim, hem? E a conversa sobre os cem mil homens que davam para vencer?” “São unidades de penicilina que um colega tomou para uma infecção no ouvido.” “E os cálculos que o senhor fazia diante do palácio?” Emudeceu. “Diga, vamos!” “Desculpe, eram uns versinhos, estão aqui no bolso.” “O senhor é esperto, mas saia desta. Vê este telegrama? É cópia do que o senhor recebeu de Pernambuco. Ainda tem coragem de negar que está alheio ao golpe?” “Ah, então é por isso que o telegrama custou tanto a chegar?” “Mais custou ao país, gritou o chefe. Sabe que por causa dele as Forças Armadas ficaram de prontidão, e que isso custa cinco mil contos? Diga depressa.” “Mas, doutor…” Foi levado para outra sala, onde ficou horas. O que aconteceu, Deus sabe. Afinal, exausto, confessou: “O senhor entende conversa de pai pra filho? Papai costuma ter sonhos premonitórios, e toda a família acredita neles. Sonhou que me aconteceria uma coisa no dia 3, se eu saísse de casa, e telegrafou prevenindo. Juro!” 

        Dia 4, sem golpe nenhum, foi mandado em paz. O sonho se confirmara: realmente, não devia ter saído de casa.

    (70 historinhas, 2016.)

    1 arma virumque cano: “canto as armas e o varão” (palavras iniciais da
    epopeia Eneida, do escritor Vergílio, referentes ao herói Eneias).

    Depreende-se da crônica que o telegrama demorou a chegar
    Escolha uma alternativa para a questão 9b71bc91-dd
  • 9B6B1870-DD

    Português

    Interpretação de Textos
    UNIFESP · 2017DifícilEntre para guardar nos favoritos

    Leia a crônica “Premonitório”, de Carlos Drummond de Andrade (1902-1987).

          Do fundo de Pernambuco, o pai mandou-lhe um telegrama:

    “Não saia casa 3 outubro abraços”.

         O rapaz releu, sob emoção grave. Ainda bem que o velho avisara: em cima da hora, mas avisara. Olhou a data: 28 de setembro. Puxa vida, telegrama com a nota de urgente, levar cinco dias de Garanhuns a Belo Horizonte! Só mesmo com uma revolução esse telégrafo endireita. E passado às sete da manhã, veja só; o pai nem tomara o mingau com broa,precipitara-se na agência para expedir a mensagem.

        Não havia tempo a perder. Marcara encontros para o dia seguinte, e precisava cancelar tudo, sem alarde, como se deve agir em tais ocasiões. Pegou o telefone, pediu linha,mas a voz de d. Anita não respondeu. Havia tempo que morava naquele hotel e jamais deixara de ouvir o “pois não” melodioso de d. Anita, durante o dia. A voz grossa, que resmungara qualquer coisa, não era de empregado da casa; insistira:“como é?”, e a ligação foi dificultosa, havia besouros na linha.Falou rapidamente a diversas pessoas, aludiu a uma ponte que talvez resistisse ainda uns dias, teve oportunidade de escandir as sílabas de arma virumque cano1, disse que achava pouco cem mil unidades, em tal emergência, e arrematou:“Dia 4 nós conversamos.” Vestiu-se, desceu. Na portaria, um sujeito de panamá bege, chapéu de aba larga e sapato de duas cores levantou-se e seguiu-o. Tomou um carro, o outro fez o mesmo. Desceu na praça da Liberdade e pôs-se a contemplar um ponto qualquer. Tirou do bolso um caderninho e anotou qualquer coisa. Aí, já havia dois sujeitos de panamá, aba larga e sapato bicolor, confabulando a pequena distância.Foi saindo de mansinho, mas os dois lhe seguiram na cola. Estava calmo, com o telegrama do pai dobrado na carteira, placidez satisfeita na alma. O pai avisara a tempo, tudo correria bem. Ia tomar a calçada quando a baioneta em riste advertiu: “Passe de largo”; a Delegacia Fiscal estava cercada de praças, havia armas cruzadas nos antos. Nos Correios, a mesma coisa, também na Telefônica. Bondes passavam escoltados. Caminhões conduziam tropa, jipes chispavam. As manchetes dos jornais eram sombrias; pouca gente na rua. Céu escuro, abafado, chuva próxima.

        Pensando bem, o melhor era recolher-se ao hotel; não havia nada a fazer. Trancou-se no quarto, procurou ler, de vez em quando o telefone chamava: “Desculpe, é engano”,ou ficava mudo, sem desligar. Dizendo-se incomodado, jantou no quarto, e estranhou a camareira, que olhava para os móveis como se fossem bichos. Deliberou deitar-se,embora a noite apenas começasse. Releu o telegrama, apagou a luz.
    Acordou assustado, com golpes na porta. Cinco da manhã. Alguém o convidava a ir à Delegacia de Ordem Política e Social. “Deve ser engano.” “Não é não, o chefe está à espera.” “Tão cedinho? Precisa ser hoje mesmo? Amanhã eu vou.” “É hoje e é já.” “Impossível.” Pegaram-lhe dos braços e levaram-no sem polêmica. A cidade era uma praça de guerra, toda a polícia a postos. “O senhor vai dizer a verdade bonitinho e logo” – disse-lhe o chefe. – “Que sabe a respeito do troço?” “Não se faça de bobo, o troço que vai estourar hoje.” “Vai estourar?” “Não sabia? E aquela ponte que o senhor ia dinamitar mas era difícil?” “Doutor, eu falei a meu dentista, é um trabalho de prótese que anda abalado. Quer ver? Eu tiro.” “Não, mas e aquela frase em código muito vagabundo, com palavras que todo mundo manja logo, como arma e cano?” “Sou professor de latim, e corrigi a epígrafe de um trabalho.” “Latim, hem? E a conversa sobre os cem mil homens que davam para vencer?” “São unidades de penicilina que um colega tomou para uma infecção no ouvido.” “E os cálculos que o senhor fazia diante do palácio?” Emudeceu. “Diga, vamos!” “Desculpe, eram uns versinhos, estão aqui no bolso.” “O senhor é esperto, mas saia desta. Vê este telegrama? É cópia do que o senhor recebeu de Pernambuco. Ainda tem coragem de negar que está alheio ao golpe?” “Ah, então é por isso que o telegrama custou tanto a chegar?” “Mais custou ao país, gritou o chefe. Sabe que por causa dele as Forças Armadas ficaram de prontidão, e que isso custa cinco mil contos? Diga depressa.” “Mas, doutor…” Foi levado para outra sala, onde ficou horas. O que aconteceu, Deus sabe. Afinal, exausto, confessou: “O senhor entende conversa de pai pra filho? Papai costuma ter sonhos premonitórios, e toda a família acredita neles. Sonhou que me aconteceria uma coisa no dia 3, se eu saísse de casa, e telegrafou prevenindo. Juro!” 

        Dia 4, sem golpe nenhum, foi mandado em paz. O sonho se confirmara: realmente, não devia ter saído de casa.

    (70 historinhas, 2016.)

    1 arma virumque cano: “canto as armas e o varão” (palavras iniciais da
    epopeia Eneida, do escritor Vergílio, referentes ao herói Eneias).

    De acordo com a crônica, o filho recebeu o telegrama do pai no dia
    Escolha uma alternativa para a questão 9b6b1870-dd
  • DC285E44-CB

    Inglês

    Interpretação de texto | Reading comprehension
    UECE · 2017DifícilEntre para guardar nos favoritos

                                                  T E X T


          If all of the children who currently are sedentary started exercising every day, societies could save enormous amounts of money in the coming decades and have healthier citizens as a whole, according to a remarkable new study. In the United States alone, we could expect to save more than $120 billion every year in health care and associated expenses. The study is the first to use sophisticated computer simulations to arrive at a literal and sobering societal price tag for allowing our children to be sedentary.

          Inactivity is, of course, widespread among young people today. Recent research shows that in the United States and Europe, physical activity tends to peak at about age 7 for both boys and girls and tail off continually throughout adolescence. More than two-thirds of children in the United States rarely exercise at all.

          The immediate health consequences for inactive children and their families are worrisome. Childhood obesity, which is linked to lack of exercise, is common, as is the incidence of Type 2 diabetes and other health problems related to being overweight among children as young as 6.

          But the long-term financial costs of inactivity in the young, both for them and society as a whole, have never been quantified. So for the new study, which was published this week in Health Affairs, researchers with the Global Obesity Prevention Center at Johns Hopkins University in Baltimore and other institutions decided to create a bogglingly complex computer model of what the future could look like if we do or do not get more of our children moving.

          The researchers began by gathering as much public data as is currently available about the health, weight and physical activity patterns of all 31.7 million American children now aged 8 to 11, using large-scale databases from the Census Bureau, the Centers for Disease Control and Prevention, and other groups.

          The researchers fed this information into a computerized modeling program that created an electronic avatar for every American child today. In line with reality, two-thirds of these children were programmed to rarely exercise and many were overweight or obese.

          The scientists then had the simulated children grow up. Using estimations about how calorie intake and activity patterns affect body weight, the program changed each virtual child’s body day-by-day and year-by-year into adulthood. Most became increasingly overweight.

          As the simulated children became adults, the scientists then modeled each one’s health, based on obesity-associated risks for heart disease, diabetes, stroke and cancer, and also the probable financial price of dealing with those diseases (adjusted for future inflation), both in terms of direct expenses for hospitalizations, drugs and so on, and lost productivity because of someone’s being ill.

          The results were staggering. According to the computer model, the costs of today’s 8- to 11- year-olds being inactive and consequently overweight would be almost $3 trillion in medical expenses and lost productivity every year once the children reached adulthood and for decades until their deaths.

          But when the researchers tweaked children’s activity levels within their model, the numbers began to look quite different. If they presumed that, in an imaginary America, half of all children exercised vigorously for about 25 minutes three times a week, such as during active recess or sports or, more ambitiously, ran around and moved for at least an hour every day, which is the amount of youth exercise recommended by the C.D.C., their virtual lives were transformed.

          Most obviously, the incidence of childhood obesity fell by more than 4 percent, a change that resonated throughout the simulated children’s lives and society. There were about half a million fewer cases of adult-onset heart disease, diabetes, cancer and strokes in this simulation, and the society-wide costs associated with these illnesses dropped by about $32 billion every year if the children romped about for 25 minutes three times per week and by almost $37 billion if they moved for an hour every day.

          The impacts were even more substantial when the researchers assumed that 100 percent of the children who are now sedentary got regular exercise. In this scenario, the annual total costs during adulthood from obesity-associated medical expenses and lost productivity plummeted by about $62 billion when children were active three times a week and by more than $120 billion every year when all of the virtual children played and moved for at least an hour each day.

                                                         From: https://www.nytimes.com May 3, 2017

    According to the article, the researchers, taking into account the current reality of children in the US, fed the computer program with the information about the lack of exercising and the calorie intaking patterns and made the computer model go through the growing process year by year, thus revealing that these children
    Escolha uma alternativa para a questão dc285e44-cb
  • DC24425B-CB

    Inglês

    Interpretação de texto | Reading comprehension
    UECE · 2017MédioEntre para guardar nos favoritos

                                                  T E X T


          If all of the children who currently are sedentary started exercising every day, societies could save enormous amounts of money in the coming decades and have healthier citizens as a whole, according to a remarkable new study. In the United States alone, we could expect to save more than $120 billion every year in health care and associated expenses. The study is the first to use sophisticated computer simulations to arrive at a literal and sobering societal price tag for allowing our children to be sedentary.

          Inactivity is, of course, widespread among young people today. Recent research shows that in the United States and Europe, physical activity tends to peak at about age 7 for both boys and girls and tail off continually throughout adolescence. More than two-thirds of children in the United States rarely exercise at all.

          The immediate health consequences for inactive children and their families are worrisome. Childhood obesity, which is linked to lack of exercise, is common, as is the incidence of Type 2 diabetes and other health problems related to being overweight among children as young as 6.

          But the long-term financial costs of inactivity in the young, both for them and society as a whole, have never been quantified. So for the new study, which was published this week in Health Affairs, researchers with the Global Obesity Prevention Center at Johns Hopkins University in Baltimore and other institutions decided to create a bogglingly complex computer model of what the future could look like if we do or do not get more of our children moving.

          The researchers began by gathering as much public data as is currently available about the health, weight and physical activity patterns of all 31.7 million American children now aged 8 to 11, using large-scale databases from the Census Bureau, the Centers for Disease Control and Prevention, and other groups.

          The researchers fed this information into a computerized modeling program that created an electronic avatar for every American child today. In line with reality, two-thirds of these children were programmed to rarely exercise and many were overweight or obese.

          The scientists then had the simulated children grow up. Using estimations about how calorie intake and activity patterns affect body weight, the program changed each virtual child’s body day-by-day and year-by-year into adulthood. Most became increasingly overweight.

          As the simulated children became adults, the scientists then modeled each one’s health, based on obesity-associated risks for heart disease, diabetes, stroke and cancer, and also the probable financial price of dealing with those diseases (adjusted for future inflation), both in terms of direct expenses for hospitalizations, drugs and so on, and lost productivity because of someone’s being ill.

          The results were staggering. According to the computer model, the costs of today’s 8- to 11- year-olds being inactive and consequently overweight would be almost $3 trillion in medical expenses and lost productivity every year once the children reached adulthood and for decades until their deaths.

          But when the researchers tweaked children’s activity levels within their model, the numbers began to look quite different. If they presumed that, in an imaginary America, half of all children exercised vigorously for about 25 minutes three times a week, such as during active recess or sports or, more ambitiously, ran around and moved for at least an hour every day, which is the amount of youth exercise recommended by the C.D.C., their virtual lives were transformed.

          Most obviously, the incidence of childhood obesity fell by more than 4 percent, a change that resonated throughout the simulated children’s lives and society. There were about half a million fewer cases of adult-onset heart disease, diabetes, cancer and strokes in this simulation, and the society-wide costs associated with these illnesses dropped by about $32 billion every year if the children romped about for 25 minutes three times per week and by almost $37 billion if they moved for an hour every day.

          The impacts were even more substantial when the researchers assumed that 100 percent of the children who are now sedentary got regular exercise. In this scenario, the annual total costs during adulthood from obesity-associated medical expenses and lost productivity plummeted by about $62 billion when children were active three times a week and by more than $120 billion every year when all of the virtual children played and moved for at least an hour each day.

                                                         From: https://www.nytimes.com May 3, 2017

    In terms of how the study was conducted, the text mentions that researchers used a computer program that made it possible for every child to be
    Escolha uma alternativa para a questão dc24425b-cb
  • DC20A828-CB

    Inglês

    Interpretação de texto | Reading comprehension
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                                                  T E X T


          If all of the children who currently are sedentary started exercising every day, societies could save enormous amounts of money in the coming decades and have healthier citizens as a whole, according to a remarkable new study. In the United States alone, we could expect to save more than $120 billion every year in health care and associated expenses. The study is the first to use sophisticated computer simulations to arrive at a literal and sobering societal price tag for allowing our children to be sedentary.

          Inactivity is, of course, widespread among young people today. Recent research shows that in the United States and Europe, physical activity tends to peak at about age 7 for both boys and girls and tail off continually throughout adolescence. More than two-thirds of children in the United States rarely exercise at all.

          The immediate health consequences for inactive children and their families are worrisome. Childhood obesity, which is linked to lack of exercise, is common, as is the incidence of Type 2 diabetes and other health problems related to being overweight among children as young as 6.

          But the long-term financial costs of inactivity in the young, both for them and society as a whole, have never been quantified. So for the new study, which was published this week in Health Affairs, researchers with the Global Obesity Prevention Center at Johns Hopkins University in Baltimore and other institutions decided to create a bogglingly complex computer model of what the future could look like if we do or do not get more of our children moving.

          The researchers began by gathering as much public data as is currently available about the health, weight and physical activity patterns of all 31.7 million American children now aged 8 to 11, using large-scale databases from the Census Bureau, the Centers for Disease Control and Prevention, and other groups.

          The researchers fed this information into a computerized modeling program that created an electronic avatar for every American child today. In line with reality, two-thirds of these children were programmed to rarely exercise and many were overweight or obese.

          The scientists then had the simulated children grow up. Using estimations about how calorie intake and activity patterns affect body weight, the program changed each virtual child’s body day-by-day and year-by-year into adulthood. Most became increasingly overweight.

          As the simulated children became adults, the scientists then modeled each one’s health, based on obesity-associated risks for heart disease, diabetes, stroke and cancer, and also the probable financial price of dealing with those diseases (adjusted for future inflation), both in terms of direct expenses for hospitalizations, drugs and so on, and lost productivity because of someone’s being ill.

          The results were staggering. According to the computer model, the costs of today’s 8- to 11- year-olds being inactive and consequently overweight would be almost $3 trillion in medical expenses and lost productivity every year once the children reached adulthood and for decades until their deaths.

          But when the researchers tweaked children’s activity levels within their model, the numbers began to look quite different. If they presumed that, in an imaginary America, half of all children exercised vigorously for about 25 minutes three times a week, such as during active recess or sports or, more ambitiously, ran around and moved for at least an hour every day, which is the amount of youth exercise recommended by the C.D.C., their virtual lives were transformed.

          Most obviously, the incidence of childhood obesity fell by more than 4 percent, a change that resonated throughout the simulated children’s lives and society. There were about half a million fewer cases of adult-onset heart disease, diabetes, cancer and strokes in this simulation, and the society-wide costs associated with these illnesses dropped by about $32 billion every year if the children romped about for 25 minutes three times per week and by almost $37 billion if they moved for an hour every day.

          The impacts were even more substantial when the researchers assumed that 100 percent of the children who are now sedentary got regular exercise. In this scenario, the annual total costs during adulthood from obesity-associated medical expenses and lost productivity plummeted by about $62 billion when children were active three times a week and by more than $120 billion every year when all of the virtual children played and moved for at least an hour each day.

                                                         From: https://www.nytimes.com May 3, 2017

    The new study conducted in the US linking the lack of children’s physical activity and the huge expenses in the coming years was carried out with data about children
    Escolha uma alternativa para a questão dc20a828-cb
  • DC1CDF48-CB

    Inglês

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                                                  T E X T


          If all of the children who currently are sedentary started exercising every day, societies could save enormous amounts of money in the coming decades and have healthier citizens as a whole, according to a remarkable new study. In the United States alone, we could expect to save more than $120 billion every year in health care and associated expenses. The study is the first to use sophisticated computer simulations to arrive at a literal and sobering societal price tag for allowing our children to be sedentary.

          Inactivity is, of course, widespread among young people today. Recent research shows that in the United States and Europe, physical activity tends to peak at about age 7 for both boys and girls and tail off continually throughout adolescence. More than two-thirds of children in the United States rarely exercise at all.

          The immediate health consequences for inactive children and their families are worrisome. Childhood obesity, which is linked to lack of exercise, is common, as is the incidence of Type 2 diabetes and other health problems related to being overweight among children as young as 6.

          But the long-term financial costs of inactivity in the young, both for them and society as a whole, have never been quantified. So for the new study, which was published this week in Health Affairs, researchers with the Global Obesity Prevention Center at Johns Hopkins University in Baltimore and other institutions decided to create a bogglingly complex computer model of what the future could look like if we do or do not get more of our children moving.

          The researchers began by gathering as much public data as is currently available about the health, weight and physical activity patterns of all 31.7 million American children now aged 8 to 11, using large-scale databases from the Census Bureau, the Centers for Disease Control and Prevention, and other groups.

          The researchers fed this information into a computerized modeling program that created an electronic avatar for every American child today. In line with reality, two-thirds of these children were programmed to rarely exercise and many were overweight or obese.

          The scientists then had the simulated children grow up. Using estimations about how calorie intake and activity patterns affect body weight, the program changed each virtual child’s body day-by-day and year-by-year into adulthood. Most became increasingly overweight.

          As the simulated children became adults, the scientists then modeled each one’s health, based on obesity-associated risks for heart disease, diabetes, stroke and cancer, and also the probable financial price of dealing with those diseases (adjusted for future inflation), both in terms of direct expenses for hospitalizations, drugs and so on, and lost productivity because of someone’s being ill.

          The results were staggering. According to the computer model, the costs of today’s 8- to 11- year-olds being inactive and consequently overweight would be almost $3 trillion in medical expenses and lost productivity every year once the children reached adulthood and for decades until their deaths.

          But when the researchers tweaked children’s activity levels within their model, the numbers began to look quite different. If they presumed that, in an imaginary America, half of all children exercised vigorously for about 25 minutes three times a week, such as during active recess or sports or, more ambitiously, ran around and moved for at least an hour every day, which is the amount of youth exercise recommended by the C.D.C., their virtual lives were transformed.

          Most obviously, the incidence of childhood obesity fell by more than 4 percent, a change that resonated throughout the simulated children’s lives and society. There were about half a million fewer cases of adult-onset heart disease, diabetes, cancer and strokes in this simulation, and the society-wide costs associated with these illnesses dropped by about $32 billion every year if the children romped about for 25 minutes three times per week and by almost $37 billion if they moved for an hour every day.

          The impacts were even more substantial when the researchers assumed that 100 percent of the children who are now sedentary got regular exercise. In this scenario, the annual total costs during adulthood from obesity-associated medical expenses and lost productivity plummeted by about $62 billion when children were active three times a week and by more than $120 billion every year when all of the virtual children played and moved for at least an hour each day.

                                                         From: https://www.nytimes.com May 3, 2017

    In terms of the future financial costs for individuals and the society as a result of inactivity in young people, it is mentioned that they
    Escolha uma alternativa para a questão dc1cdf48-cb
  • DC1927CC-CB

    Inglês

    Interpretação de texto | Reading comprehension
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                                                  T E X T


          If all of the children who currently are sedentary started exercising every day, societies could save enormous amounts of money in the coming decades and have healthier citizens as a whole, according to a remarkable new study. In the United States alone, we could expect to save more than $120 billion every year in health care and associated expenses. The study is the first to use sophisticated computer simulations to arrive at a literal and sobering societal price tag for allowing our children to be sedentary.

          Inactivity is, of course, widespread among young people today. Recent research shows that in the United States and Europe, physical activity tends to peak at about age 7 for both boys and girls and tail off continually throughout adolescence. More than two-thirds of children in the United States rarely exercise at all.

          The immediate health consequences for inactive children and their families are worrisome. Childhood obesity, which is linked to lack of exercise, is common, as is the incidence of Type 2 diabetes and other health problems related to being overweight among children as young as 6.

          But the long-term financial costs of inactivity in the young, both for them and society as a whole, have never been quantified. So for the new study, which was published this week in Health Affairs, researchers with the Global Obesity Prevention Center at Johns Hopkins University in Baltimore and other institutions decided to create a bogglingly complex computer model of what the future could look like if we do or do not get more of our children moving.

          The researchers began by gathering as much public data as is currently available about the health, weight and physical activity patterns of all 31.7 million American children now aged 8 to 11, using large-scale databases from the Census Bureau, the Centers for Disease Control and Prevention, and other groups.

          The researchers fed this information into a computerized modeling program that created an electronic avatar for every American child today. In line with reality, two-thirds of these children were programmed to rarely exercise and many were overweight or obese.

          The scientists then had the simulated children grow up. Using estimations about how calorie intake and activity patterns affect body weight, the program changed each virtual child’s body day-by-day and year-by-year into adulthood. Most became increasingly overweight.

          As the simulated children became adults, the scientists then modeled each one’s health, based on obesity-associated risks for heart disease, diabetes, stroke and cancer, and also the probable financial price of dealing with those diseases (adjusted for future inflation), both in terms of direct expenses for hospitalizations, drugs and so on, and lost productivity because of someone’s being ill.

          The results were staggering. According to the computer model, the costs of today’s 8- to 11- year-olds being inactive and consequently overweight would be almost $3 trillion in medical expenses and lost productivity every year once the children reached adulthood and for decades until their deaths.

          But when the researchers tweaked children’s activity levels within their model, the numbers began to look quite different. If they presumed that, in an imaginary America, half of all children exercised vigorously for about 25 minutes three times a week, such as during active recess or sports or, more ambitiously, ran around and moved for at least an hour every day, which is the amount of youth exercise recommended by the C.D.C., their virtual lives were transformed.

          Most obviously, the incidence of childhood obesity fell by more than 4 percent, a change that resonated throughout the simulated children’s lives and society. There were about half a million fewer cases of adult-onset heart disease, diabetes, cancer and strokes in this simulation, and the society-wide costs associated with these illnesses dropped by about $32 billion every year if the children romped about for 25 minutes three times per week and by almost $37 billion if they moved for an hour every day.

          The impacts were even more substantial when the researchers assumed that 100 percent of the children who are now sedentary got regular exercise. In this scenario, the annual total costs during adulthood from obesity-associated medical expenses and lost productivity plummeted by about $62 billion when children were active three times a week and by more than $120 billion every year when all of the virtual children played and moved for at least an hour each day.

                                                         From: https://www.nytimes.com May 3, 2017

    According to the text, the lack of exercise in childhood years is associated with very early health problems such as
    Escolha uma alternativa para a questão dc1927cc-cb
  • DC1587A4-CB

    Inglês

    Interpretação de texto | Reading comprehension
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                                                  T E X T


          If all of the children who currently are sedentary started exercising every day, societies could save enormous amounts of money in the coming decades and have healthier citizens as a whole, according to a remarkable new study. In the United States alone, we could expect to save more than $120 billion every year in health care and associated expenses. The study is the first to use sophisticated computer simulations to arrive at a literal and sobering societal price tag for allowing our children to be sedentary.

          Inactivity is, of course, widespread among young people today. Recent research shows that in the United States and Europe, physical activity tends to peak at about age 7 for both boys and girls and tail off continually throughout adolescence. More than two-thirds of children in the United States rarely exercise at all.

          The immediate health consequences for inactive children and their families are worrisome. Childhood obesity, which is linked to lack of exercise, is common, as is the incidence of Type 2 diabetes and other health problems related to being overweight among children as young as 6.

          But the long-term financial costs of inactivity in the young, both for them and society as a whole, have never been quantified. So for the new study, which was published this week in Health Affairs, researchers with the Global Obesity Prevention Center at Johns Hopkins University in Baltimore and other institutions decided to create a bogglingly complex computer model of what the future could look like if we do or do not get more of our children moving.

          The researchers began by gathering as much public data as is currently available about the health, weight and physical activity patterns of all 31.7 million American children now aged 8 to 11, using large-scale databases from the Census Bureau, the Centers for Disease Control and Prevention, and other groups.

          The researchers fed this information into a computerized modeling program that created an electronic avatar for every American child today. In line with reality, two-thirds of these children were programmed to rarely exercise and many were overweight or obese.

          The scientists then had the simulated children grow up. Using estimations about how calorie intake and activity patterns affect body weight, the program changed each virtual child’s body day-by-day and year-by-year into adulthood. Most became increasingly overweight.

          As the simulated children became adults, the scientists then modeled each one’s health, based on obesity-associated risks for heart disease, diabetes, stroke and cancer, and also the probable financial price of dealing with those diseases (adjusted for future inflation), both in terms of direct expenses for hospitalizations, drugs and so on, and lost productivity because of someone’s being ill.

          The results were staggering. According to the computer model, the costs of today’s 8- to 11- year-olds being inactive and consequently overweight would be almost $3 trillion in medical expenses and lost productivity every year once the children reached adulthood and for decades until their deaths.

          But when the researchers tweaked children’s activity levels within their model, the numbers began to look quite different. If they presumed that, in an imaginary America, half of all children exercised vigorously for about 25 minutes three times a week, such as during active recess or sports or, more ambitiously, ran around and moved for at least an hour every day, which is the amount of youth exercise recommended by the C.D.C., their virtual lives were transformed.

          Most obviously, the incidence of childhood obesity fell by more than 4 percent, a change that resonated throughout the simulated children’s lives and society. There were about half a million fewer cases of adult-onset heart disease, diabetes, cancer and strokes in this simulation, and the society-wide costs associated with these illnesses dropped by about $32 billion every year if the children romped about for 25 minutes three times per week and by almost $37 billion if they moved for an hour every day.

          The impacts were even more substantial when the researchers assumed that 100 percent of the children who are now sedentary got regular exercise. In this scenario, the annual total costs during adulthood from obesity-associated medical expenses and lost productivity plummeted by about $62 billion when children were active three times a week and by more than $120 billion every year when all of the virtual children played and moved for at least an hour each day.

                                                         From: https://www.nytimes.com May 3, 2017

    As to how physically active American and European children are, recent studies show that
    Escolha uma alternativa para a questão dc1587a4-cb
  • DB58722D-CB

    Português

    Interpretação de Textos
    UECE · 2017DifícilEntre para guardar nos favoritos

    Imagem da questão de Português, UECE 2017, Interpretação de Textos

    Leia com atenção os excertos abaixo e assinale o único que NÃO apresenta discurso indireto livre (DIL).
    Escolha uma alternativa para a questão db58722d-cb
  • DB550AAC-CB

    Português

    Interpretação de Textos
    UECE · 2017FácilEntre para guardar nos favoritos

    Imagem da questão de Português, UECE 2017, Interpretação de Textos

    Em uma narrativa, as personagens se manifestam de três maneiras: na forma de discurso direto (DD), na forma de discurso indireto (DI) e na forma de discurso indireto livre (DIL). Atente ao que se diz a respeito desses tipos de discurso:


    I. No DD, o narrador cede a fala à personagem, mesmo que ela não queira ou não possa apresentar seu próprio ponto de vista. A estrutura do DD caracteriza-se pela presença de uma oração subordinada substantiva.

    II. No DI, tudo é filtrado pela voz do narrador, que pode impor seu ponto de vista. É caracterizado pela presença de marcas gráficas.

    III. No DIL, misturam-se as falas do narrador e da personagem, de maneira que essas duas vozes podem dificultar a compreensão do leitor. Esse terceiro tipo de discurso caracteriza as narrativas mais complexas.


    Está correto o que se diz apenas em

    Escolha uma alternativa para a questão db550aac-cb
  • DB51D0C1-CB

    Português

    Flexão verbal de modo (indicativo, subjuntivo, imperativo)
    UECE · 2017MédioEntre para guardar nos favoritos

    Imagem da questão de Português, UECE 2017, Flexão verbal de modo (indicativo, subjuntivo, imperativo)

    Sabe-se que o pretérito mais-que-perfeito do indicativo é empregado quando se quer mencionar um passado que ocorreu antes de outro passado. Atente ao emprego desse tempo verbal no excerto abaixo e ao que se diz em seguida.


    “Luciana quis aproximar-se das pessoas grandes, mas lembrou-se do que lhe tinha acontecido na véspera. Andara com mamãe pela cidade, percorrera diversas ruas, satisfeita. Num lugar feio e escorregadio, onde a água da chuva empoçava, resistira, acuara e caíra no chão, sentara-se na lama, esperneando e berrando. Em casa, antes de tirar-lhe a camisa suja, mamãe lhe infligira três palmadas enérgicas. Por quê? Luciana passara o dia tentando reconciliar-se com o ser poderoso que lhe magoara as nádegas.” (linhas 10- 21)


    I. Há, no início do excerto transcrito, formas do pretérito perfeito do indicativo.

    II. Tinha acontecido é uma locução verbal que configura o mais-que-perfeito composto, equivalendo, portanto, à forma simples, acontecera.

    III. Das formas do pretérito perfeito, a que vai determinar o emprego do pretérito-mais-que-perfeito, no excerto transcrito (andara, percorrera, resistira, acuara, caíra e sentara) é lembrou. Todas essas ações ocorreram antes da lembrança, do contrário não poderiam ser lembradas.


    Está correto o que se diz em

    Escolha uma alternativa para a questão db51d0c1-cb
  • DB4DC296-CB

    Português

    Figuras de Linguagem
    UECE · 2017DifícilEntre para guardar nos favoritos

    Imagem da questão de Português, UECE 2017, Figuras de Linguagem

    O conteúdo denotativo de uma palavra corresponde ao seu sentido usual, isto é, próprio, não figurado, não metafórico. Nessa perspectiva, o sentido dessa palavra é o mesmo para todos os membros de uma mesma comunidade linguística. “Uma palavra assim empregada é entendida independentemente de interpretações individuais, interpretações de natureza afetiva ou emocional. Se, no entanto, a significação de uma palavra não é a mesma para certa comunidade linguística; se a palavra não sugere ou evoca por associação outras ideias de ordem abstrata, de natureza afetiva ou emocional, então se diz que seu valor, i. e., seu sentido, é conotativo ou afetivo”.

    (Othon Moacyr Garcia)


    Leia com atenção os seguintes excertos:


    1. “E lá ia ela remedando um pássaro que se dispõe a voar” (linhas 28-29);

    2. “Luciana recusava as princesas e as estrelas. Seu Adão coçaria o pixaim, encolheria os ombros. Levá-la-ia para a gaiola. Mamãe recebê-la-ia zangadíssima” (linhas 133-136).


    Compare as duas expressões destacadas nos excertos acima, e assinale com V o que for verdadeiro e com F o que for falso.


    ( ) Os dois enunciados constituem metáforas.

    ( ) O verbo remedar, da maneira como foi empregado no texto, equivale à partícula comparativa como.

    ( ) Deve-se considerar os dois enunciados como duas imagens independentes que fecham o sentido do conto.

    ( ) O primeiro enunciado, “E lá ia ela remedando um pássaro que se dispõe a voar” fala do desejo de liberdade que caracterizava Luciana.

    ( ) O segundo enunciado, “Levá-la-ia para a gaiola”, fecha a imagem iniciada pelo primeiro, exprimindo a recusa da satisfação desse desejo.

    ( ) O texto, como um único signo, isto é, um todo formado por significante (aspecto material e significado (representação mental) fecha-se com a legitimação da sujeição e com a não deslegitimação da liberdade.


    Está correta, de cima para baixo, a seguinte sequência:

    Escolha uma alternativa para a questão db4dc296-cb
  • DB4A1716-CB

    Português

    Figuras de Linguagem
    UECE · 2017DifícilEntre para guardar nos favoritos

    Imagem da questão de Português, UECE 2017, Figuras de Linguagem

    A figura de linguagem denominada hipálage é um recurso linguístico pelo qual uma palavra que deveria qualificar determinado termo passa a qualificar outro. Considerando as duas ocorrências de hipálage nas seguintes passagens do texto: “A fala ranzinza feria-lhe os ouvidos. Dedos finos e nervosos agarravam-na” (linhas 113-114), assinale a afirmação FALSA.
    Escolha uma alternativa para a questão db4a1716-cb