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Questões do ENEM: nível médio

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Resultados

27.392 questões encontradas. Mostrando a página 979 de 1370.

  • 92551730-AF

    Conhecimentos Gerais

    Questões Sociais
    UNESP · 2013MédioEntre para guardar nos favoritos
    Os condicionantes ambientais constituem fatores que podem favorecer a incidência de determinadas doenças. São estados brasileiros onde o risco de incidência da malária é relativamente elevado:
    Escolha uma alternativa para a questão 92551730-af
  • 924A06F4-AF

    Geografia

    Geografia Física
    UNESP · 2013MédioEntre para guardar nos favoritos
    Para o geógrafo Aziz Nacib Ab’Sáber, o domínio morfoclimático e fitogeográfico pode ser entendido como um conjunto espacial extenso, com coerente grupo de feições do relevo, tipos de solo, formas de vegetação e condições climático-hidrológicas.


    Domínios morfoclimáticos brasileiros:
    áreas nucleares, 1965

    Imagem da questão de Geografia, UNESP 2013, Geografia Física

    (Aziz Nacib Ab’Sáber. Os domínios de natureza no Brasil, 2003. Adaptado.)



    São características do domínio morfoclimático dos Mares de Morros:
    Escolha uma alternativa para a questão 924a06f4-af
  • 92413071-AF

    Geografia

    Geografia Econômica
    UNESP · 2013MédioEntre para guardar nos favoritos

    Analise a tabela e o mapa.


    Ranking dos maiores PIBs do mundo em 2010

    Figura 1 de 2 da questão de Geografia, UNESP 2013, Geografia Econômica

    Concentração de renda no mundo em 2008 (Índice de Gini)*


    Figura 2 de 2 da questão de Geografia, UNESP 2013, Geografia Econômica


    *Quanto mais próximo a zero for o Índice de Gini, menor é a concentração de renda no país.



    (James Tamdjian e Ivan Mendes. Geografia: estudos para

    compreensão do espaço, 2011. Adaptado.)



    A partir da análise da tabela e do mapa, é correto afirmar que

    Escolha uma alternativa para a questão 92413071-af
  • 923B69CE-AF

    Geografia

    Meio Ambiente na Geografia
    UNESP · 2013MédioEntre para guardar nos favoritos

    Analise a tabela.


    O mundo em emissões de dióxido de carbono

    Imagem da questão de Geografia, UNESP 2013, Meio Ambiente na Geografia


    (www.theguardian.co.uk. Adaptado.)


    Considerando a tabela, é correto afirmar que, no ano de 2009, os países da

    Escolha uma alternativa para a questão 923b69ce-af
  • 922D7166-AF

    Geografia

    Geologia
    UNESP · 2013MédioEntre para guardar nos favoritos
           As rochas, que podem ser divididas em três grandes grupos, estão em constante transformação, passando de um tipo a outro, em virtude das dinâmicas interna e externa da Terra. O chamado “Ciclo das Rochas” ilustra as diversas possibilidades de transformação de um tipo de rocha em outro.

    (Wilson Teixeira et al. (orgs.). Decifrando a Terra, 2009. Adaptado.)


    Imagem da questão de Geografia, UNESP 2013, Geologia
    Considerando os processos físico-químicos envolvidos nas transformações das rochas, é correto afirmar que na passagem das rochas Y para rochas Z ocorre
    Escolha uma alternativa para a questão 922d7166-af
  • 9225D478-AF

    História

    História do Brasil
    UNESP · 2013MédioEntre para guardar nos favoritos

    Eu acho que a anistia foi a solução, mas ela não foi completa. Quer dizer, não podiam ser anistiados aqueles que mataram torturando, porque esse é um crime inafiançável. Quem mata calmamente, friamente, tem de sofrer um processo e tem de sofrer também as consequências do seu ato. Isso nunca foi executado no Brasil como foi executado na Argentina com todos os generais. O Brasil fez uma anistia pela metade, mas nós ficamos contentes porque não houve derramamento de sangue.


    (D. Paulo Evaristo Arns. Cult, março de 2004.)


    Segundo a declaração de D. Paulo Evaristo Arns, Arcebispo de São Paulo entre 1970 e 1998, a Lei da Anistia no Brasil, de 1979,

    Escolha uma alternativa para a questão 9225d478-af
  • 92161F4A-AF

    História

    História do Brasil
    UNESP · 2013MédioEntre para guardar nos favoritos
    A disputa pelo Acre, entre Brasil e Bolívia, na passagem do século XIX para o XX, envolveu
    Escolha uma alternativa para a questão 92161f4a-af
  • 920D85A2-AF

    História

    História Geral
    UNESP · 2013MédioEntre para guardar nos favoritos

    As redes de comércio, os fortes costeiros, as relações tecidas ao longo dos séculos entre comerciantes europeus e chefes africanos, continuaram a ser o sustentáculo do fornecimento de mercadorias para os europeus, só que agora estas não eram mais pessoas, e sim matérias-primas.


    (Marina de Mello e Souza. África e Brasil africano, 2007.)


    O texto refere-se à redefinição das relações comerciais entre europeus e africanos, ocorrida quando

    Escolha uma alternativa para a questão 920d85a2-af
  • 91FE811F-AF

    História

    História Geral
    UNESP · 2013MédioEntre para guardar nos favoritos
    “Servir” ou, como também se dizia, “auxiliar”, – “proteger”: era nestes termos tão simples que os textos mais antigos resumiam as obrigações recíprocas do fiel armado e do seu chefe.


    (Marc Bloch. A sociedade feudal, 1987.)


    O mais importante dos deveres que, na sociedade feudal, o vassalo tinha em relação ao seu senhor era:
    Escolha uma alternativa para a questão 91fe811f-af
  • 91FB6435-AF

    História

    Antiguidade Oriental (Egípcios, Mesopotâmicos, Persas, Indianos e Chineses)
    UNESP · 2013MédioEntre para guardar nos favoritos
    [Na Mesopotâmia,] todos os bens produzidos pelos próprios palácios e templos não eram suficientes para seu sustento. Assim, outros rendimentos eram buscados na exploração da população das aldeias e das cidades. As formas de exploração eram principalmente duas: os impostos e os trabalhos forçados.

    (Marcelo Rede. A Mesopotâmia, 2002.)


    Entre os trabalhos forçados a que o texto se refere, podemos mencionar a
    Escolha uma alternativa para a questão 91fb6435-af
  • 91D4F3DA-AF

    Inglês

    Interpretação de texto | Reading comprehension
    UNESP · 2013MédioEntre para guardar nos favoritos

    Instrução: Leia a tira para responder à questão.


    Imagem da questão de Inglês, UNESP 2013, Interpretação de texto | Reading comprehension

    (www.hagardunor.net)


    A expressão sick and tired no primeiro quadrinho tem sentido equivalente, em português, a
    Escolha uma alternativa para a questão 91d4f3da-af
  • 91D0785A-AF

    Inglês

    Interpretação de texto | Reading comprehension
    UNESP · 2013MédioEntre para guardar nos favoritos

    Instrução: Leia a tira para responder à questão.


    Imagem da questão de Inglês, UNESP 2013, Interpretação de texto | Reading comprehension

    (www.hagardunor.net)


    A personagem de barba, Hagar,
    Escolha uma alternativa para a questão 91d0785a-af
  • 91BB1292-AF

    Português

    Coesão e coerência
    UNESP · 2013MédioEntre para guardar nos favoritos
    Instrução: A questão toma por base uma passagem de um livro de José Ribeiro sobre o folclore nacional.



    Curupira


           Na teogonia* tupi, o anhangá, gênio andante, espírito andejo ou vagabundo, destinava-se a proteger a caça do campo. Era imaginado, segundo a tradição colhida pelo Dr. Couto de Magalhães, sob a figura de um veado branco, com olhos de fogo.
          Todo aquele que perseguisse um animal que estivesse amamentando corria o risco de ver Anhangá e a visão determinava logo a febre e, às vezes, a loucura. O caapora é o mesmo tipo mítico encontrado nas regiões central e meridional e aí representado por um homem enorme coberto de pelos negros por todo o rosto e por todo o corpo, ao qual se confiou a proteção da caça do mato. Tristonho e taciturno, anda sempre montado em um porco de grandes dimensões, dando de quando em vez um grito para impelir a vara. Quem o encontra adquire logo a certeza de ficar infeliz e de ser mal sucedido em tudo que intentar. Dele se originaram as expressões portuguesas caipora e caiporismo, como sinônimo de má sorte, infelicidade, desdita nos negócios. Bilac assim o descreve: “Companheiro do curupira, ou sua duplicata, é o Caapora, ora gigante, ora anão, montado num caititu, e cavalgando à frente de varas de porcos do mato, fumando cachimbo ou cigarro, pedindo fogo aos viajores; à frente dele voam os vaga-lumes, seus batedores, alumiando o caminho”.
         Ambos representam um só mito com diferente configuração e a mesma identidade com o curupira e o jurupari, numes que guardam a floresta. Todos convergem mais ou menos para o mesmo fim, sendo que o curupira é representado na região setentrional por um “pequeno tapuio” com os pés voltados para trás e sem os orifícios necessários para as secreções indispensáveis à vida, pelo que a gente do Pará diz que ele é músico. O Curupira ou Currupira, como é chamado no sul, aliás erroneamente, figura em uma infinidade de lendas tanto no norte como no sul do Brasil. No Pará, quando se viaja pelos rios e se ouve alguma pancada longínqua no meio dos bosques, “os romeiros dizem que é o Curupira que está batendo nas sapupemas, a ver se as árvores estão suficientemente fortes para sofrerem a ação de alguma tempestade que está próxima. A função do Curupira é proteger as florestas. Todo aquele que derriba, ou por qualquer modo estraga inutilmente as árvores, é punido por ele com a pena de errar tempos imensos pelos bosques, sem poder atinar com o caminho de casa, ou meio algum de chegar até os seus”. Como se vê, qualquer desses tipos é a manifestação de um só mito em regiões e circunstâncias diferentes.

    (O Brasil no folclore, 1970.)



    (*) Teogonia, s.f.: 1. Filos. Doutrina mística relativa ao nascimento dos deuses, e que frequentemente se relaciona com a formação do mundo. 2. Conjunto de divindades cujo culto forma o sistema religioso dum povo politeísta. (Dicionário Aurélio Eletrônico – Século XXI.)
    Todo aquele que perseguisse um animal que estivesse amamentando corria o risco de ver Anhangá [...].


    Se a frase apresentada for reescrita trocando-se perseguisse, que está no pretérito imperfeito do modo subjuntivo, por perseguir, futuro do mesmo modo, as formas estivesse e corria assumirão, por correlação de modos e tempos, as seguintes flexões:
    Escolha uma alternativa para a questão 91bb1292-af
  • 919DDC9E-AF

    Português

    Interpretação de Textos
    UNESP · 2013MédioEntre para guardar nos favoritos

    Instrução: A questão toma por base um fragmento de Glória moribunda, do poeta romântico brasileiro Álvares de Azevedo (1831-1852).



    É uma visão medonha uma caveira?

    Não tremas de pavor, ergue-a do lodo.

    Foi a cabeça ardente de um poeta,

    Outrora à sombra dos cabelos loiros.

    Quando o reflexo do viver fogoso

    Ali dentro animava o pensamento,

    Esta fronte era bela. Aqui nas faces

    Formosa palidez cobria o rosto;

    Nessas órbitas — ocas, denegridas! —

    Como era puro seu olhar sombrio!



    Agora tudo é cinza. Resta apenas

    A caveira que a alma em si guardava,

    Como a concha no mar encerra a pérola,

    Como a caçoula a mirra incandescente.



    Tu outrora talvez desses-lhe um beijo;

    Por que repugnas levantá-la agora?

    Olha-a comigo! Que espaçosa fronte!

    Quanta vida ali dentro fermentava,

    Como a seiva nos ramos do arvoredo!

    E a sede em fogo das ideias vivas

    Onde está? onde foi? Essa alma errante

    Que um dia no viver passou cantando,

    Como canta na treva um vagabundo,

    Perdeu-se acaso no sombrio vento,

    Como noturna lâmpada apagou-se?

    E a centelha da vida, o eletrismo

    Que as fibras tremulantes agitava

    Morreu para animar futuras vidas?



    Sorris? eu sou um louco. As utopias,

    Os sonhos da ciência nada valem.

    A vida é um escárnio sem sentido,

    Comédia infame que ensanguenta o lodo.

    Há talvez um segredo que ela esconde;

    Mas esse a morte o sabe e o não revela.

    Os túmulos são mudos como o vácuo.

    Desde a primeira dor sobre um cadáver,

    Quando a primeira mãe entre soluços

    Do filho morto os membros apertava

    Ao ofegante seio, o peito humano

    Caiu tremendo interrogando o túmulo...

    E a terra sepulcral não respondia.



                        (Poesias completas, 1962.)

    E a centelha da vida, o eletrismo


    No contexto em que é empregado, o termo eletrismo, que não consta dos dicionários, significa:
    Escolha uma alternativa para a questão 919ddc9e-af
  • 919A4153-AF

    Português

    Interpretação de Textos
    UNESP · 2013MédioEntre para guardar nos favoritos

    Instrução: A questão toma por base um fragmento de Glória moribunda, do poeta romântico brasileiro Álvares de Azevedo (1831-1852).



    É uma visão medonha uma caveira?

    Não tremas de pavor, ergue-a do lodo.

    Foi a cabeça ardente de um poeta,

    Outrora à sombra dos cabelos loiros.

    Quando o reflexo do viver fogoso

    Ali dentro animava o pensamento,

    Esta fronte era bela. Aqui nas faces

    Formosa palidez cobria o rosto;

    Nessas órbitas — ocas, denegridas! —

    Como era puro seu olhar sombrio!



    Agora tudo é cinza. Resta apenas

    A caveira que a alma em si guardava,

    Como a concha no mar encerra a pérola,

    Como a caçoula a mirra incandescente.



    Tu outrora talvez desses-lhe um beijo;

    Por que repugnas levantá-la agora?

    Olha-a comigo! Que espaçosa fronte!

    Quanta vida ali dentro fermentava,

    Como a seiva nos ramos do arvoredo!

    E a sede em fogo das ideias vivas

    Onde está? onde foi? Essa alma errante

    Que um dia no viver passou cantando,

    Como canta na treva um vagabundo,

    Perdeu-se acaso no sombrio vento,

    Como noturna lâmpada apagou-se?

    E a centelha da vida, o eletrismo

    Que as fibras tremulantes agitava

    Morreu para animar futuras vidas?



    Sorris? eu sou um louco. As utopias,

    Os sonhos da ciência nada valem.

    A vida é um escárnio sem sentido,

    Comédia infame que ensanguenta o lodo.

    Há talvez um segredo que ela esconde;

    Mas esse a morte o sabe e o não revela.

    Os túmulos são mudos como o vácuo.

    Desde a primeira dor sobre um cadáver,

    Quando a primeira mãe entre soluços

    Do filho morto os membros apertava

    Ao ofegante seio, o peito humano

    Caiu tremendo interrogando o túmulo...

    E a terra sepulcral não respondia.



                        (Poesias completas, 1962.)

    Morreu para animar futuras vidas?


    No verso em destaque, sob forma interrogativa, o eu lírico sugere com o termo animar que
    Escolha uma alternativa para a questão 919a4153-af
  • 9196EC7F-AF

    Português

    Coesão e coerência
    UNESP · 2013MédioEntre para guardar nos favoritos

    Instrução: A questão toma por base um fragmento de Glória moribunda, do poeta romântico brasileiro Álvares de Azevedo (1831-1852).



    É uma visão medonha uma caveira?

    Não tremas de pavor, ergue-a do lodo.

    Foi a cabeça ardente de um poeta,

    Outrora à sombra dos cabelos loiros.

    Quando o reflexo do viver fogoso

    Ali dentro animava o pensamento,

    Esta fronte era bela. Aqui nas faces

    Formosa palidez cobria o rosto;

    Nessas órbitas — ocas, denegridas! —

    Como era puro seu olhar sombrio!



    Agora tudo é cinza. Resta apenas

    A caveira que a alma em si guardava,

    Como a concha no mar encerra a pérola,

    Como a caçoula a mirra incandescente.



    Tu outrora talvez desses-lhe um beijo;

    Por que repugnas levantá-la agora?

    Olha-a comigo! Que espaçosa fronte!

    Quanta vida ali dentro fermentava,

    Como a seiva nos ramos do arvoredo!

    E a sede em fogo das ideias vivas

    Onde está? onde foi? Essa alma errante

    Que um dia no viver passou cantando,

    Como canta na treva um vagabundo,

    Perdeu-se acaso no sombrio vento,

    Como noturna lâmpada apagou-se?

    E a centelha da vida, o eletrismo

    Que as fibras tremulantes agitava

    Morreu para animar futuras vidas?



    Sorris? eu sou um louco. As utopias,

    Os sonhos da ciência nada valem.

    A vida é um escárnio sem sentido,

    Comédia infame que ensanguenta o lodo.

    Há talvez um segredo que ela esconde;

    Mas esse a morte o sabe e o não revela.

    Os túmulos são mudos como o vácuo.

    Desde a primeira dor sobre um cadáver,

    Quando a primeira mãe entre soluços

    Do filho morto os membros apertava

    Ao ofegante seio, o peito humano

    Caiu tremendo interrogando o túmulo...

    E a terra sepulcral não respondia.



                        (Poesias completas, 1962.)

    Como a concha no mar encerra a pérola,
    Como a caçoula a mirra incandescente.


    Nos versos em destaque, após a palavra caçoula, está subentendida, por elipse, a forma verbal
    Escolha uma alternativa para a questão 9196ec7f-af
  • 918CCB94-AF

    Português

    Interpretação de Textos
    UNESP · 2013MédioEntre para guardar nos favoritos
    Instrução: A questão a seguir toma por base uma passagem da crônica O pai, hoje e amanhã, de Carlos Drummond de Andrade (1902-1987).

          A civilização industrial, entidade abstrata, nem por isso menos poderosa, encomendou à ciência aplicada a execução de um projeto extremamente concreto: a fabricação do ser humano sem pais.
           A ciência aplicada faz o possível para aviar a encomenda a médio prazo. Já venceu a primeira etapa, com a inseminação artificial, que, de um lado, acelera a produtividade dos rebanhos (resultado econômico) e, de outro, anestesia o sentimento filial (resultado moral).
         O ser humano concebido por esse processo tanto pode considerar-se filho de dois pais como de nenhum. Em fase mais evoluída, o chamado bebê de proveta dispensará a incubação em ventre materno, desenvolvendo-se sob condições artificiais plenamente satisfatórias. Nenhum vínculo de memória, gratidão, amor, interesse, costume – direi mesmo: de ressentimento ou ódio – o ligará a qualquer pessoa responsável por seu aparecimento. O sêmen, anônimo, obtido por masturbação profissional e recolhido ao banco especializado, por sua vez cederá lugar ao gerador sintético, extraído de recursos da natureza vegetal e mineral. Estará abolida, assim, qualquer participação consciente do homem e da mulher no preparo e formação de uma unidade humana. Esta será produzida sob critérios políticos e econômicos tecnicamente estabelecidos, que excluem a inútil e mesmo perturbadora intromissão do casal. Pai? Mito do passado.
           Aparentemente, tal projeto parece coincidir com a tendência, acentuada nos últimos anos, de se contestar a figura tradicional do pai. Eliminando-se a presença incômoda, ter-se-ia realizado o ideal de inúmeros jovens que se revoltam contra ela – o pai de família e o pai social, o governo, a lei – e aspiram à vida isenta de compromissos com valores do passado.
          Julgo ilusória esta interpretação. O projeto tecnológico de eliminação do pai vai longe demais no caminho da quebra de padrões. A meu ver, a insubmissão dos filhos aos pais é fenômeno que envolve novo conceito de relações, e não ruptura de relações.

    (De notícias e não notícias faz-se a crônica, 1975.)

    Pai? Mito do passado.


    Esta pergunta e sua resposta, de acordo com o conteúdo da crônica, sintetizam um dos argumentos que, aparentemente, fundamentaram o projeto:

    Escolha uma alternativa para a questão 918ccb94-af
  • 91803D17-AF

    Português

    Interpretação de Textos
    UNESP · 2013MédioEntre para guardar nos favoritos
    Instrução: A questão a seguir toma por base uma passagem da crônica O pai, hoje e amanhã, de Carlos Drummond de Andrade (1902-1987).

          A civilização industrial, entidade abstrata, nem por isso menos poderosa, encomendou à ciência aplicada a execução de um projeto extremamente concreto: a fabricação do ser humano sem pais.
           A ciência aplicada faz o possível para aviar a encomenda a médio prazo. Já venceu a primeira etapa, com a inseminação artificial, que, de um lado, acelera a produtividade dos rebanhos (resultado econômico) e, de outro, anestesia o sentimento filial (resultado moral).
         O ser humano concebido por esse processo tanto pode considerar-se filho de dois pais como de nenhum. Em fase mais evoluída, o chamado bebê de proveta dispensará a incubação em ventre materno, desenvolvendo-se sob condições artificiais plenamente satisfatórias. Nenhum vínculo de memória, gratidão, amor, interesse, costume – direi mesmo: de ressentimento ou ódio – o ligará a qualquer pessoa responsável por seu aparecimento. O sêmen, anônimo, obtido por masturbação profissional e recolhido ao banco especializado, por sua vez cederá lugar ao gerador sintético, extraído de recursos da natureza vegetal e mineral. Estará abolida, assim, qualquer participação consciente do homem e da mulher no preparo e formação de uma unidade humana. Esta será produzida sob critérios políticos e econômicos tecnicamente estabelecidos, que excluem a inútil e mesmo perturbadora intromissão do casal. Pai? Mito do passado.
           Aparentemente, tal projeto parece coincidir com a tendência, acentuada nos últimos anos, de se contestar a figura tradicional do pai. Eliminando-se a presença incômoda, ter-se-ia realizado o ideal de inúmeros jovens que se revoltam contra ela – o pai de família e o pai social, o governo, a lei – e aspiram à vida isenta de compromissos com valores do passado.
          Julgo ilusória esta interpretação. O projeto tecnológico de eliminação do pai vai longe demais no caminho da quebra de padrões. A meu ver, a insubmissão dos filhos aos pais é fenômeno que envolve novo conceito de relações, e não ruptura de relações.

    (De notícias e não notícias faz-se a crônica, 1975.)
    Com ironia e fingida concordância, o cronista afirma que o resultado final do projeto encomendado à ciência aplicada será
    Escolha uma alternativa para a questão 91803d17-af