A exploração aurífera no Brasil colonial possibilitou um grande desenvolvimento artístico e cultural na região das Minas Gerais, do qual a imagem abaixo é um exemplo.
Comentando essa prosperidade econômica e esse desenvolvimento artístico-cultural, na dimensão religiosa, a historiadora Laura de Mello e Souza assim descreve uma celebração litúrgica no século XVIII, em Minas Gerais:
Em 1733, houve em Vila Rica uma
festividade religiosa que retirou o
Santíssimo Sacramento da Igreja do
Rosário e o conduziu para a Matriz do Pilar.
[...]
As janelas foram adornadas com colchas
de seda e damasco, e as ruas se enfeitaram
com arcos para além dos quais foi montado
um altar “para descanso do Divino
Sacramento, e deliberado ato da pública
veneração”. [...]
Minas estava então no seu apogeu. Vila
Rica era “por situação da natureza cabeça
de toda a América, pela opulência das
riquezas a pérola preciosa do Brasil”.
O que está sendo festejado é antes o
êxito da empresa aurífera do que o
Santíssimo Sacramento, e nessa excitação
visual caracteristicamente barroca, é a
comunidade mineira que se celebra a si própria, esfumaçando, na celebração do
metal precioso, as diferenças sociais que
separam os homens que buscam o ouro
daqueles que usufruem do seu produto. [...]
No momento de sua maior abundância, é
como se o ouro estivesse ao alcance de
todos, a todos iluminando com seu brilho na
festa barroca.
Considerando-se o fragmento textual de Laura de Mello e Souza, pode-se afirmar que