Questões do ENEM: Faculdade Cásper Líbero

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462 questões encontradas. Mostrando a página 8 de 24.

  • FDEDAF23-EF

    Português

    Análise sintática
    Faculdade Cásper Líbero · 2017FácilEntre para guardar nos favoritos

    Leia o texto a seguir e responda à questão:


    Quem são e o que querem os que negam a Internet?

    Nicholas Carr


        O Vale do Silício, conjunto monótono de centros comerciais, parques empresariais e complexos de fast-food, não parece um núcleo cultural, e, no entanto, se converteu exatamente nisso. Nos últimos 20 anos, a partir do exato momento em que a empresa de tecnologia norte-americana Netscape comercializou o navegador inventado pelo visionário inglês Tim Berners-Lee, o Silicon Valley tem remodelado os Estados Unidos e grande parte do mundo à sua imagem e semelhança. Provocou uma revolução na forma de trabalhar dos meios de comunicação, mudou a forma de conversar das pessoas e reescreveu as regras de realização, venda e valorização das obras de arte e outros trabalhos relacionados com o intelecto.

        De bom grado, a maioria das pessoas foi outorgando ao setor tecnológico um crescente poder sobre suas mentes e suas vidas. No fim das contas, os computadores e a Internet são úteis e divertidos, e os empresários e engenheiros se dedicaram a fundo para inventar novas maneiras de fazer com que desfrutemos dos prazeres, benefícios e vantagens práticas da revolução tecnológica, geralmente sem ter que pagar por esse privilégio. Um bilhão de habitantes do planeta usam o Facebook diariamente. Cerca de dois bilhões levam consigo um smartphone a todos os lugares e costumam dar uma olhada no dispositivo a cada poucos minutos durante o tempo em que passam acordadas. Os números reforçam o que já sabemos: ansiamos pelas dádivas do Vale do Silício. Compramos no Amazon, viajamos com o Uber, dançamos com o Spotify e falamos por WhatsApp e Twitter.

        Mas as dúvidas sobre a chamada revolução digital têm crescido. A visão imaculada que as pessoas tinham do famoso vale tem ganhado uma sombra inclusive nos Estados Unidos, um país de apaixonados pelos equipamentos eletrônicos. Uma onda de artigos recentes, surgida após as revelações de Edward Snowden sobre a vigilância na Internet por parte dos serviços secretos, tem manchado a imagem positiva que os consumidores tinham do setor de informática. Dão a entender que, por trás da retórica sobre o empoderamento pessoal e a democratização, se esconde uma realidade que pode ser exploradora, manipuladora e até misantrópica.

        As investigações jornalísticas encontraram provas de que nos armazéns e escritórios do Amazon, assim como nas fábricas asiáticas de computadores, os trabalhadores enfrentam condições abusivas. Descobriu-se que o Facebook realiza experiências clandestinas para avaliar o efeito psicológico em seus usuários manipulando o “conteúdo emocional” das publicações e notícias sugeridas. As análises econômicas das chamadas empresas de serviços compartilhados, como Uber e Airbnb, indicam que, apesar de proporcionarem lucros a investidores privados, é possível que estejam empobrecendo as comunidades em que operam. Livros como The People’s Platform [A plataforma do povo], de Astra Taylor, publicado em 2014, mostram que com certeza a Internet está aprofundando as desigualdades econômicas e sociais, em vez de ajudar a reduzi-las.

        As incertezas políticas e econômicas ligadas aos efeitos do poder do Vale do Silício vão além, enquanto o impacto cultural dos meios de comunicação digitais se submete a uma severa reavaliação. Prestigiosos autores e intelectuais, entre eles o prêmio Nobel peruano Mario Vargas Llosa e o romancista norte-americano Jonathan Franzen, apresentam a Internet como causa e sintoma da homogeneização e da trivialização da cultura. No início deste ano, o editor e crítico social Leon Wieseltier publicou no The New York Times uma enérgica condenação do “tecnologicismo”, em que sustentou que os “gangsteres” empresariais e os filisteus tecnológicos confiscaram a cultura. “À medida que aumenta a frequência da expressão, sua força diminui”, disse, e “o debate cultural está sendo absorvido sem parar pelo debate empresarial”.

        Também no plano pessoal estão se multiplicando as preocupações sobre a nossa obsessão com os dispositivos fornecedores de dados. Em vários estudos recentes, os cientistas começaram a relacionar algumas perdas de memória e empatia com o uso de computadores e da Internet, e estão encontrando novas provas que corroboram descobertas anteriores de que as distrações do mundo digital podem dificultar nossas percepções e julgamentos. Quando o trivial nos invade, parece que perdemos o controle do que é essencial. Em Reclaiming Conversation [Recuperando a conversa], seu controverso novo livro, Sherry Turkle, professora do Massachusetts Institute of Technology (MIT), mostra como uma excessiva dependência das redes sociais e dos sistemas de mensagens eletrônicas pode empobrecer as nossas conversas e até mesmo nossos relacionamentos. Substituímos a verdadeira intimidade por uma simulada.

        Quando examinamos mais de perto a crença do Vale do Silício, descobrimos sua incoerência básica. É uma filosofia quimérica que abrange um amálgama estranho de credos, incluindo a fé neoliberal no livre mercado, a confiança maoísta no coletivismo, a desconfiança libertária na sociedade e a crença evangélica em um paraíso a caminho. Mas o que realmente motiva o Vale do Silício tem muito pouco a ver com ideologia e quase tudo com a forma de pensar de um adolescente. A veneração do setor de tecnologia pela ruptura se assemelha ao desejo de um adolescente por destruir coisas, sem conserto, mesmo que as consequências sejam as piores possíveis.

        Portanto, não surpreende que cada vez mais pessoas contemplem com olhar crítico e cético o legado do setor. Apesar de proliferarem, os críticos continuam, no entanto, constituindo a minoria. A fé da sociedade na tecnologia como uma panaceia para os males sociais e individuais permanece firme, e continua a haver uma forte resistência a qualquer questionamento ao Vale do Silício e seus produtos. Ainda hoje se costuma descartar os opositores da revolução digital chamando-os de nostálgicos retrógrados ou os tachando de “antitecnologia”.

        Tais acusações mostram como está distorcida a visão predominante da tecnologia. Ao confundir seu avanço com o progresso social, sacrificamos nossa capacidade de ver claramente a tecnologia e de diferenciar os seus efeitos. No melhor dos casos, a inovação tecnológica nos possibilita novas ferramentas para ampliar nossas aptidões, concentrar nosso pensamento e exercitar a nossa criatividade; amplia as possibilidades humanas e o poder de ação individual. Mas, com frequência demais, as tecnologias promulgadas pelo Vale do Silício têm o efeito oposto. As ferramentas da era digital geram uma cultura de distração e dependência, uma subordinação irreflexiva que acaba por restringir os horizontes das pessoas, em vez de ampliá-los.

        Colocar em dúvida o Vale do Silício não é se opor à tecnologia. É pedir mais aos nossos tecnólogos, a nossas ferramentas, a nós mesmos. É situar a tecnologia no plano humano que corresponde a ela. Olhando retrospectivamente, nos equivocamos ao ceder tanto poder sobre nossa cultura e nossa vida cotidiana a um punhado de grandes empresas da Costa Oeste dos Estados Unidos. Chegou o momento de corrigir o erro.

    Fonte: https://brasil.elpais.com/brasil/2015/10/23/tecnologia/1445612531_992107.html Publicado em 25/10/2015. Acesso em 06/11/2017 [Adaptado]

    Assinale a opção que justifica corretamente o uso da vírgula depois de “divertidos” em: “No fim das contas, os computadores e a Internet são úteis e divertidos, e os empresários e engenheiros se dedicaram a fundo para inventar novas maneiras de fazer com que desfrutemos dos prazeres, benefícios e vantagens práticas da revolução tecnológica...”
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  • FDDE7A72-EF

    Português

    Advérbios
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    Leia o texto a seguir e responda à questão:


    Quem são e o que querem os que negam a Internet?

    Nicholas Carr


        O Vale do Silício, conjunto monótono de centros comerciais, parques empresariais e complexos de fast-food, não parece um núcleo cultural, e, no entanto, se converteu exatamente nisso. Nos últimos 20 anos, a partir do exato momento em que a empresa de tecnologia norte-americana Netscape comercializou o navegador inventado pelo visionário inglês Tim Berners-Lee, o Silicon Valley tem remodelado os Estados Unidos e grande parte do mundo à sua imagem e semelhança. Provocou uma revolução na forma de trabalhar dos meios de comunicação, mudou a forma de conversar das pessoas e reescreveu as regras de realização, venda e valorização das obras de arte e outros trabalhos relacionados com o intelecto.

        De bom grado, a maioria das pessoas foi outorgando ao setor tecnológico um crescente poder sobre suas mentes e suas vidas. No fim das contas, os computadores e a Internet são úteis e divertidos, e os empresários e engenheiros se dedicaram a fundo para inventar novas maneiras de fazer com que desfrutemos dos prazeres, benefícios e vantagens práticas da revolução tecnológica, geralmente sem ter que pagar por esse privilégio. Um bilhão de habitantes do planeta usam o Facebook diariamente. Cerca de dois bilhões levam consigo um smartphone a todos os lugares e costumam dar uma olhada no dispositivo a cada poucos minutos durante o tempo em que passam acordadas. Os números reforçam o que já sabemos: ansiamos pelas dádivas do Vale do Silício. Compramos no Amazon, viajamos com o Uber, dançamos com o Spotify e falamos por WhatsApp e Twitter.

        Mas as dúvidas sobre a chamada revolução digital têm crescido. A visão imaculada que as pessoas tinham do famoso vale tem ganhado uma sombra inclusive nos Estados Unidos, um país de apaixonados pelos equipamentos eletrônicos. Uma onda de artigos recentes, surgida após as revelações de Edward Snowden sobre a vigilância na Internet por parte dos serviços secretos, tem manchado a imagem positiva que os consumidores tinham do setor de informática. Dão a entender que, por trás da retórica sobre o empoderamento pessoal e a democratização, se esconde uma realidade que pode ser exploradora, manipuladora e até misantrópica.

        As investigações jornalísticas encontraram provas de que nos armazéns e escritórios do Amazon, assim como nas fábricas asiáticas de computadores, os trabalhadores enfrentam condições abusivas. Descobriu-se que o Facebook realiza experiências clandestinas para avaliar o efeito psicológico em seus usuários manipulando o “conteúdo emocional” das publicações e notícias sugeridas. As análises econômicas das chamadas empresas de serviços compartilhados, como Uber e Airbnb, indicam que, apesar de proporcionarem lucros a investidores privados, é possível que estejam empobrecendo as comunidades em que operam. Livros como The People’s Platform [A plataforma do povo], de Astra Taylor, publicado em 2014, mostram que com certeza a Internet está aprofundando as desigualdades econômicas e sociais, em vez de ajudar a reduzi-las.

        As incertezas políticas e econômicas ligadas aos efeitos do poder do Vale do Silício vão além, enquanto o impacto cultural dos meios de comunicação digitais se submete a uma severa reavaliação. Prestigiosos autores e intelectuais, entre eles o prêmio Nobel peruano Mario Vargas Llosa e o romancista norte-americano Jonathan Franzen, apresentam a Internet como causa e sintoma da homogeneização e da trivialização da cultura. No início deste ano, o editor e crítico social Leon Wieseltier publicou no The New York Times uma enérgica condenação do “tecnologicismo”, em que sustentou que os “gangsteres” empresariais e os filisteus tecnológicos confiscaram a cultura. “À medida que aumenta a frequência da expressão, sua força diminui”, disse, e “o debate cultural está sendo absorvido sem parar pelo debate empresarial”.

        Também no plano pessoal estão se multiplicando as preocupações sobre a nossa obsessão com os dispositivos fornecedores de dados. Em vários estudos recentes, os cientistas começaram a relacionar algumas perdas de memória e empatia com o uso de computadores e da Internet, e estão encontrando novas provas que corroboram descobertas anteriores de que as distrações do mundo digital podem dificultar nossas percepções e julgamentos. Quando o trivial nos invade, parece que perdemos o controle do que é essencial. Em Reclaiming Conversation [Recuperando a conversa], seu controverso novo livro, Sherry Turkle, professora do Massachusetts Institute of Technology (MIT), mostra como uma excessiva dependência das redes sociais e dos sistemas de mensagens eletrônicas pode empobrecer as nossas conversas e até mesmo nossos relacionamentos. Substituímos a verdadeira intimidade por uma simulada.

        Quando examinamos mais de perto a crença do Vale do Silício, descobrimos sua incoerência básica. É uma filosofia quimérica que abrange um amálgama estranho de credos, incluindo a fé neoliberal no livre mercado, a confiança maoísta no coletivismo, a desconfiança libertária na sociedade e a crença evangélica em um paraíso a caminho. Mas o que realmente motiva o Vale do Silício tem muito pouco a ver com ideologia e quase tudo com a forma de pensar de um adolescente. A veneração do setor de tecnologia pela ruptura se assemelha ao desejo de um adolescente por destruir coisas, sem conserto, mesmo que as consequências sejam as piores possíveis.

        Portanto, não surpreende que cada vez mais pessoas contemplem com olhar crítico e cético o legado do setor. Apesar de proliferarem, os críticos continuam, no entanto, constituindo a minoria. A fé da sociedade na tecnologia como uma panaceia para os males sociais e individuais permanece firme, e continua a haver uma forte resistência a qualquer questionamento ao Vale do Silício e seus produtos. Ainda hoje se costuma descartar os opositores da revolução digital chamando-os de nostálgicos retrógrados ou os tachando de “antitecnologia”.

        Tais acusações mostram como está distorcida a visão predominante da tecnologia. Ao confundir seu avanço com o progresso social, sacrificamos nossa capacidade de ver claramente a tecnologia e de diferenciar os seus efeitos. No melhor dos casos, a inovação tecnológica nos possibilita novas ferramentas para ampliar nossas aptidões, concentrar nosso pensamento e exercitar a nossa criatividade; amplia as possibilidades humanas e o poder de ação individual. Mas, com frequência demais, as tecnologias promulgadas pelo Vale do Silício têm o efeito oposto. As ferramentas da era digital geram uma cultura de distração e dependência, uma subordinação irreflexiva que acaba por restringir os horizontes das pessoas, em vez de ampliá-los.

        Colocar em dúvida o Vale do Silício não é se opor à tecnologia. É pedir mais aos nossos tecnólogos, a nossas ferramentas, a nós mesmos. É situar a tecnologia no plano humano que corresponde a ela. Olhando retrospectivamente, nos equivocamos ao ceder tanto poder sobre nossa cultura e nossa vida cotidiana a um punhado de grandes empresas da Costa Oeste dos Estados Unidos. Chegou o momento de corrigir o erro.

    Fonte: https://brasil.elpais.com/brasil/2015/10/23/tecnologia/1445612531_992107.html Publicado em 25/10/2015. Acesso em 06/11/2017 [Adaptado]

    Assinale a opção que identifica corretamente a substituição da locução adverbial “apesar de” por outra que expresse a mesma circunstância em: “Apesar de proliferarem, os críticos continuam, no entanto, constituindo a minoria”.
    Escolha uma alternativa para a questão fdde7a72-ef
  • FDD34F48-EF

    Português

    Interpretação de Textos
    Faculdade Cásper Líbero · 2017DifícilEntre para guardar nos favoritos

    Leia o texto a seguir e responda à questão:


    Quem são e o que querem os que negam a Internet?

    Nicholas Carr


        O Vale do Silício, conjunto monótono de centros comerciais, parques empresariais e complexos de fast-food, não parece um núcleo cultural, e, no entanto, se converteu exatamente nisso. Nos últimos 20 anos, a partir do exato momento em que a empresa de tecnologia norte-americana Netscape comercializou o navegador inventado pelo visionário inglês Tim Berners-Lee, o Silicon Valley tem remodelado os Estados Unidos e grande parte do mundo à sua imagem e semelhança. Provocou uma revolução na forma de trabalhar dos meios de comunicação, mudou a forma de conversar das pessoas e reescreveu as regras de realização, venda e valorização das obras de arte e outros trabalhos relacionados com o intelecto.

        De bom grado, a maioria das pessoas foi outorgando ao setor tecnológico um crescente poder sobre suas mentes e suas vidas. No fim das contas, os computadores e a Internet são úteis e divertidos, e os empresários e engenheiros se dedicaram a fundo para inventar novas maneiras de fazer com que desfrutemos dos prazeres, benefícios e vantagens práticas da revolução tecnológica, geralmente sem ter que pagar por esse privilégio. Um bilhão de habitantes do planeta usam o Facebook diariamente. Cerca de dois bilhões levam consigo um smartphone a todos os lugares e costumam dar uma olhada no dispositivo a cada poucos minutos durante o tempo em que passam acordadas. Os números reforçam o que já sabemos: ansiamos pelas dádivas do Vale do Silício. Compramos no Amazon, viajamos com o Uber, dançamos com o Spotify e falamos por WhatsApp e Twitter.

        Mas as dúvidas sobre a chamada revolução digital têm crescido. A visão imaculada que as pessoas tinham do famoso vale tem ganhado uma sombra inclusive nos Estados Unidos, um país de apaixonados pelos equipamentos eletrônicos. Uma onda de artigos recentes, surgida após as revelações de Edward Snowden sobre a vigilância na Internet por parte dos serviços secretos, tem manchado a imagem positiva que os consumidores tinham do setor de informática. Dão a entender que, por trás da retórica sobre o empoderamento pessoal e a democratização, se esconde uma realidade que pode ser exploradora, manipuladora e até misantrópica.

        As investigações jornalísticas encontraram provas de que nos armazéns e escritórios do Amazon, assim como nas fábricas asiáticas de computadores, os trabalhadores enfrentam condições abusivas. Descobriu-se que o Facebook realiza experiências clandestinas para avaliar o efeito psicológico em seus usuários manipulando o “conteúdo emocional” das publicações e notícias sugeridas. As análises econômicas das chamadas empresas de serviços compartilhados, como Uber e Airbnb, indicam que, apesar de proporcionarem lucros a investidores privados, é possível que estejam empobrecendo as comunidades em que operam. Livros como The People’s Platform [A plataforma do povo], de Astra Taylor, publicado em 2014, mostram que com certeza a Internet está aprofundando as desigualdades econômicas e sociais, em vez de ajudar a reduzi-las.

        As incertezas políticas e econômicas ligadas aos efeitos do poder do Vale do Silício vão além, enquanto o impacto cultural dos meios de comunicação digitais se submete a uma severa reavaliação. Prestigiosos autores e intelectuais, entre eles o prêmio Nobel peruano Mario Vargas Llosa e o romancista norte-americano Jonathan Franzen, apresentam a Internet como causa e sintoma da homogeneização e da trivialização da cultura. No início deste ano, o editor e crítico social Leon Wieseltier publicou no The New York Times uma enérgica condenação do “tecnologicismo”, em que sustentou que os “gangsteres” empresariais e os filisteus tecnológicos confiscaram a cultura. “À medida que aumenta a frequência da expressão, sua força diminui”, disse, e “o debate cultural está sendo absorvido sem parar pelo debate empresarial”.

        Também no plano pessoal estão se multiplicando as preocupações sobre a nossa obsessão com os dispositivos fornecedores de dados. Em vários estudos recentes, os cientistas começaram a relacionar algumas perdas de memória e empatia com o uso de computadores e da Internet, e estão encontrando novas provas que corroboram descobertas anteriores de que as distrações do mundo digital podem dificultar nossas percepções e julgamentos. Quando o trivial nos invade, parece que perdemos o controle do que é essencial. Em Reclaiming Conversation [Recuperando a conversa], seu controverso novo livro, Sherry Turkle, professora do Massachusetts Institute of Technology (MIT), mostra como uma excessiva dependência das redes sociais e dos sistemas de mensagens eletrônicas pode empobrecer as nossas conversas e até mesmo nossos relacionamentos. Substituímos a verdadeira intimidade por uma simulada.

        Quando examinamos mais de perto a crença do Vale do Silício, descobrimos sua incoerência básica. É uma filosofia quimérica que abrange um amálgama estranho de credos, incluindo a fé neoliberal no livre mercado, a confiança maoísta no coletivismo, a desconfiança libertária na sociedade e a crença evangélica em um paraíso a caminho. Mas o que realmente motiva o Vale do Silício tem muito pouco a ver com ideologia e quase tudo com a forma de pensar de um adolescente. A veneração do setor de tecnologia pela ruptura se assemelha ao desejo de um adolescente por destruir coisas, sem conserto, mesmo que as consequências sejam as piores possíveis.

        Portanto, não surpreende que cada vez mais pessoas contemplem com olhar crítico e cético o legado do setor. Apesar de proliferarem, os críticos continuam, no entanto, constituindo a minoria. A fé da sociedade na tecnologia como uma panaceia para os males sociais e individuais permanece firme, e continua a haver uma forte resistência a qualquer questionamento ao Vale do Silício e seus produtos. Ainda hoje se costuma descartar os opositores da revolução digital chamando-os de nostálgicos retrógrados ou os tachando de “antitecnologia”.

        Tais acusações mostram como está distorcida a visão predominante da tecnologia. Ao confundir seu avanço com o progresso social, sacrificamos nossa capacidade de ver claramente a tecnologia e de diferenciar os seus efeitos. No melhor dos casos, a inovação tecnológica nos possibilita novas ferramentas para ampliar nossas aptidões, concentrar nosso pensamento e exercitar a nossa criatividade; amplia as possibilidades humanas e o poder de ação individual. Mas, com frequência demais, as tecnologias promulgadas pelo Vale do Silício têm o efeito oposto. As ferramentas da era digital geram uma cultura de distração e dependência, uma subordinação irreflexiva que acaba por restringir os horizontes das pessoas, em vez de ampliá-los.

        Colocar em dúvida o Vale do Silício não é se opor à tecnologia. É pedir mais aos nossos tecnólogos, a nossas ferramentas, a nós mesmos. É situar a tecnologia no plano humano que corresponde a ela. Olhando retrospectivamente, nos equivocamos ao ceder tanto poder sobre nossa cultura e nossa vida cotidiana a um punhado de grandes empresas da Costa Oeste dos Estados Unidos. Chegou o momento de corrigir o erro.

    Fonte: https://brasil.elpais.com/brasil/2015/10/23/tecnologia/1445612531_992107.html Publicado em 25/10/2015. Acesso em 06/11/2017 [Adaptado]

    Assinale a opção que identifica corretamente o sentido do adjetivo “misantropo”, relacionado à forma “misantrópica” que aparece em: “Dão a entender que, por trás da retórica sobre o empoderamento pessoal e a democratização, se esconde uma realidade que pode ser exploradora, manipuladora e até misantrópica”.
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  • FDCB3F32-EF

    Português

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    Leia o texto a seguir e responda à questão:


    Quem são e o que querem os que negam a Internet?

    Nicholas Carr


        O Vale do Silício, conjunto monótono de centros comerciais, parques empresariais e complexos de fast-food, não parece um núcleo cultural, e, no entanto, se converteu exatamente nisso. Nos últimos 20 anos, a partir do exato momento em que a empresa de tecnologia norte-americana Netscape comercializou o navegador inventado pelo visionário inglês Tim Berners-Lee, o Silicon Valley tem remodelado os Estados Unidos e grande parte do mundo à sua imagem e semelhança. Provocou uma revolução na forma de trabalhar dos meios de comunicação, mudou a forma de conversar das pessoas e reescreveu as regras de realização, venda e valorização das obras de arte e outros trabalhos relacionados com o intelecto.

        De bom grado, a maioria das pessoas foi outorgando ao setor tecnológico um crescente poder sobre suas mentes e suas vidas. No fim das contas, os computadores e a Internet são úteis e divertidos, e os empresários e engenheiros se dedicaram a fundo para inventar novas maneiras de fazer com que desfrutemos dos prazeres, benefícios e vantagens práticas da revolução tecnológica, geralmente sem ter que pagar por esse privilégio. Um bilhão de habitantes do planeta usam o Facebook diariamente. Cerca de dois bilhões levam consigo um smartphone a todos os lugares e costumam dar uma olhada no dispositivo a cada poucos minutos durante o tempo em que passam acordadas. Os números reforçam o que já sabemos: ansiamos pelas dádivas do Vale do Silício. Compramos no Amazon, viajamos com o Uber, dançamos com o Spotify e falamos por WhatsApp e Twitter.

        Mas as dúvidas sobre a chamada revolução digital têm crescido. A visão imaculada que as pessoas tinham do famoso vale tem ganhado uma sombra inclusive nos Estados Unidos, um país de apaixonados pelos equipamentos eletrônicos. Uma onda de artigos recentes, surgida após as revelações de Edward Snowden sobre a vigilância na Internet por parte dos serviços secretos, tem manchado a imagem positiva que os consumidores tinham do setor de informática. Dão a entender que, por trás da retórica sobre o empoderamento pessoal e a democratização, se esconde uma realidade que pode ser exploradora, manipuladora e até misantrópica.

        As investigações jornalísticas encontraram provas de que nos armazéns e escritórios do Amazon, assim como nas fábricas asiáticas de computadores, os trabalhadores enfrentam condições abusivas. Descobriu-se que o Facebook realiza experiências clandestinas para avaliar o efeito psicológico em seus usuários manipulando o “conteúdo emocional” das publicações e notícias sugeridas. As análises econômicas das chamadas empresas de serviços compartilhados, como Uber e Airbnb, indicam que, apesar de proporcionarem lucros a investidores privados, é possível que estejam empobrecendo as comunidades em que operam. Livros como The People’s Platform [A plataforma do povo], de Astra Taylor, publicado em 2014, mostram que com certeza a Internet está aprofundando as desigualdades econômicas e sociais, em vez de ajudar a reduzi-las.

        As incertezas políticas e econômicas ligadas aos efeitos do poder do Vale do Silício vão além, enquanto o impacto cultural dos meios de comunicação digitais se submete a uma severa reavaliação. Prestigiosos autores e intelectuais, entre eles o prêmio Nobel peruano Mario Vargas Llosa e o romancista norte-americano Jonathan Franzen, apresentam a Internet como causa e sintoma da homogeneização e da trivialização da cultura. No início deste ano, o editor e crítico social Leon Wieseltier publicou no The New York Times uma enérgica condenação do “tecnologicismo”, em que sustentou que os “gangsteres” empresariais e os filisteus tecnológicos confiscaram a cultura. “À medida que aumenta a frequência da expressão, sua força diminui”, disse, e “o debate cultural está sendo absorvido sem parar pelo debate empresarial”.

        Também no plano pessoal estão se multiplicando as preocupações sobre a nossa obsessão com os dispositivos fornecedores de dados. Em vários estudos recentes, os cientistas começaram a relacionar algumas perdas de memória e empatia com o uso de computadores e da Internet, e estão encontrando novas provas que corroboram descobertas anteriores de que as distrações do mundo digital podem dificultar nossas percepções e julgamentos. Quando o trivial nos invade, parece que perdemos o controle do que é essencial. Em Reclaiming Conversation [Recuperando a conversa], seu controverso novo livro, Sherry Turkle, professora do Massachusetts Institute of Technology (MIT), mostra como uma excessiva dependência das redes sociais e dos sistemas de mensagens eletrônicas pode empobrecer as nossas conversas e até mesmo nossos relacionamentos. Substituímos a verdadeira intimidade por uma simulada.

        Quando examinamos mais de perto a crença do Vale do Silício, descobrimos sua incoerência básica. É uma filosofia quimérica que abrange um amálgama estranho de credos, incluindo a fé neoliberal no livre mercado, a confiança maoísta no coletivismo, a desconfiança libertária na sociedade e a crença evangélica em um paraíso a caminho. Mas o que realmente motiva o Vale do Silício tem muito pouco a ver com ideologia e quase tudo com a forma de pensar de um adolescente. A veneração do setor de tecnologia pela ruptura se assemelha ao desejo de um adolescente por destruir coisas, sem conserto, mesmo que as consequências sejam as piores possíveis.

        Portanto, não surpreende que cada vez mais pessoas contemplem com olhar crítico e cético o legado do setor. Apesar de proliferarem, os críticos continuam, no entanto, constituindo a minoria. A fé da sociedade na tecnologia como uma panaceia para os males sociais e individuais permanece firme, e continua a haver uma forte resistência a qualquer questionamento ao Vale do Silício e seus produtos. Ainda hoje se costuma descartar os opositores da revolução digital chamando-os de nostálgicos retrógrados ou os tachando de “antitecnologia”.

        Tais acusações mostram como está distorcida a visão predominante da tecnologia. Ao confundir seu avanço com o progresso social, sacrificamos nossa capacidade de ver claramente a tecnologia e de diferenciar os seus efeitos. No melhor dos casos, a inovação tecnológica nos possibilita novas ferramentas para ampliar nossas aptidões, concentrar nosso pensamento e exercitar a nossa criatividade; amplia as possibilidades humanas e o poder de ação individual. Mas, com frequência demais, as tecnologias promulgadas pelo Vale do Silício têm o efeito oposto. As ferramentas da era digital geram uma cultura de distração e dependência, uma subordinação irreflexiva que acaba por restringir os horizontes das pessoas, em vez de ampliá-los.

        Colocar em dúvida o Vale do Silício não é se opor à tecnologia. É pedir mais aos nossos tecnólogos, a nossas ferramentas, a nós mesmos. É situar a tecnologia no plano humano que corresponde a ela. Olhando retrospectivamente, nos equivocamos ao ceder tanto poder sobre nossa cultura e nossa vida cotidiana a um punhado de grandes empresas da Costa Oeste dos Estados Unidos. Chegou o momento de corrigir o erro.

    Fonte: https://brasil.elpais.com/brasil/2015/10/23/tecnologia/1445612531_992107.html Publicado em 25/10/2015. Acesso em 06/11/2017 [Adaptado]

    Assinale a opção que identifica corretamente um subtítulo para o texto:
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  • FDBB7183-EF

    Português

    Interpretação de Textos
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    Quem são e o que querem os que negam a Internet?

    Nicholas Carr


        O Vale do Silício, conjunto monótono de centros comerciais, parques empresariais e complexos de fast-food, não parece um núcleo cultural, e, no entanto, se converteu exatamente nisso. Nos últimos 20 anos, a partir do exato momento em que a empresa de tecnologia norte-americana Netscape comercializou o navegador inventado pelo visionário inglês Tim Berners-Lee, o Silicon Valley tem remodelado os Estados Unidos e grande parte do mundo à sua imagem e semelhança. Provocou uma revolução na forma de trabalhar dos meios de comunicação, mudou a forma de conversar das pessoas e reescreveu as regras de realização, venda e valorização das obras de arte e outros trabalhos relacionados com o intelecto.

        De bom grado, a maioria das pessoas foi outorgando ao setor tecnológico um crescente poder sobre suas mentes e suas vidas. No fim das contas, os computadores e a Internet são úteis e divertidos, e os empresários e engenheiros se dedicaram a fundo para inventar novas maneiras de fazer com que desfrutemos dos prazeres, benefícios e vantagens práticas da revolução tecnológica, geralmente sem ter que pagar por esse privilégio. Um bilhão de habitantes do planeta usam o Facebook diariamente. Cerca de dois bilhões levam consigo um smartphone a todos os lugares e costumam dar uma olhada no dispositivo a cada poucos minutos durante o tempo em que passam acordadas. Os números reforçam o que já sabemos: ansiamos pelas dádivas do Vale do Silício. Compramos no Amazon, viajamos com o Uber, dançamos com o Spotify e falamos por WhatsApp e Twitter.

        Mas as dúvidas sobre a chamada revolução digital têm crescido. A visão imaculada que as pessoas tinham do famoso vale tem ganhado uma sombra inclusive nos Estados Unidos, um país de apaixonados pelos equipamentos eletrônicos. Uma onda de artigos recentes, surgida após as revelações de Edward Snowden sobre a vigilância na Internet por parte dos serviços secretos, tem manchado a imagem positiva que os consumidores tinham do setor de informática. Dão a entender que, por trás da retórica sobre o empoderamento pessoal e a democratização, se esconde uma realidade que pode ser exploradora, manipuladora e até misantrópica.

        As investigações jornalísticas encontraram provas de que nos armazéns e escritórios do Amazon, assim como nas fábricas asiáticas de computadores, os trabalhadores enfrentam condições abusivas. Descobriu-se que o Facebook realiza experiências clandestinas para avaliar o efeito psicológico em seus usuários manipulando o “conteúdo emocional” das publicações e notícias sugeridas. As análises econômicas das chamadas empresas de serviços compartilhados, como Uber e Airbnb, indicam que, apesar de proporcionarem lucros a investidores privados, é possível que estejam empobrecendo as comunidades em que operam. Livros como The People’s Platform [A plataforma do povo], de Astra Taylor, publicado em 2014, mostram que com certeza a Internet está aprofundando as desigualdades econômicas e sociais, em vez de ajudar a reduzi-las.

        As incertezas políticas e econômicas ligadas aos efeitos do poder do Vale do Silício vão além, enquanto o impacto cultural dos meios de comunicação digitais se submete a uma severa reavaliação. Prestigiosos autores e intelectuais, entre eles o prêmio Nobel peruano Mario Vargas Llosa e o romancista norte-americano Jonathan Franzen, apresentam a Internet como causa e sintoma da homogeneização e da trivialização da cultura. No início deste ano, o editor e crítico social Leon Wieseltier publicou no The New York Times uma enérgica condenação do “tecnologicismo”, em que sustentou que os “gangsteres” empresariais e os filisteus tecnológicos confiscaram a cultura. “À medida que aumenta a frequência da expressão, sua força diminui”, disse, e “o debate cultural está sendo absorvido sem parar pelo debate empresarial”.

        Também no plano pessoal estão se multiplicando as preocupações sobre a nossa obsessão com os dispositivos fornecedores de dados. Em vários estudos recentes, os cientistas começaram a relacionar algumas perdas de memória e empatia com o uso de computadores e da Internet, e estão encontrando novas provas que corroboram descobertas anteriores de que as distrações do mundo digital podem dificultar nossas percepções e julgamentos. Quando o trivial nos invade, parece que perdemos o controle do que é essencial. Em Reclaiming Conversation [Recuperando a conversa], seu controverso novo livro, Sherry Turkle, professora do Massachusetts Institute of Technology (MIT), mostra como uma excessiva dependência das redes sociais e dos sistemas de mensagens eletrônicas pode empobrecer as nossas conversas e até mesmo nossos relacionamentos. Substituímos a verdadeira intimidade por uma simulada.

        Quando examinamos mais de perto a crença do Vale do Silício, descobrimos sua incoerência básica. É uma filosofia quimérica que abrange um amálgama estranho de credos, incluindo a fé neoliberal no livre mercado, a confiança maoísta no coletivismo, a desconfiança libertária na sociedade e a crença evangélica em um paraíso a caminho. Mas o que realmente motiva o Vale do Silício tem muito pouco a ver com ideologia e quase tudo com a forma de pensar de um adolescente. A veneração do setor de tecnologia pela ruptura se assemelha ao desejo de um adolescente por destruir coisas, sem conserto, mesmo que as consequências sejam as piores possíveis.

        Portanto, não surpreende que cada vez mais pessoas contemplem com olhar crítico e cético o legado do setor. Apesar de proliferarem, os críticos continuam, no entanto, constituindo a minoria. A fé da sociedade na tecnologia como uma panaceia para os males sociais e individuais permanece firme, e continua a haver uma forte resistência a qualquer questionamento ao Vale do Silício e seus produtos. Ainda hoje se costuma descartar os opositores da revolução digital chamando-os de nostálgicos retrógrados ou os tachando de “antitecnologia”.

        Tais acusações mostram como está distorcida a visão predominante da tecnologia. Ao confundir seu avanço com o progresso social, sacrificamos nossa capacidade de ver claramente a tecnologia e de diferenciar os seus efeitos. No melhor dos casos, a inovação tecnológica nos possibilita novas ferramentas para ampliar nossas aptidões, concentrar nosso pensamento e exercitar a nossa criatividade; amplia as possibilidades humanas e o poder de ação individual. Mas, com frequência demais, as tecnologias promulgadas pelo Vale do Silício têm o efeito oposto. As ferramentas da era digital geram uma cultura de distração e dependência, uma subordinação irreflexiva que acaba por restringir os horizontes das pessoas, em vez de ampliá-los.

        Colocar em dúvida o Vale do Silício não é se opor à tecnologia. É pedir mais aos nossos tecnólogos, a nossas ferramentas, a nós mesmos. É situar a tecnologia no plano humano que corresponde a ela. Olhando retrospectivamente, nos equivocamos ao ceder tanto poder sobre nossa cultura e nossa vida cotidiana a um punhado de grandes empresas da Costa Oeste dos Estados Unidos. Chegou o momento de corrigir o erro.

    Fonte: https://brasil.elpais.com/brasil/2015/10/23/tecnologia/1445612531_992107.html Publicado em 25/10/2015. Acesso em 06/11/2017 [Adaptado]

    Segundo o texto, ao examinar mais de perto a crença do Vale do Silício, descobre-se sua incoerência básica. Assinale a opção que identifica corretamente essa incoerência:
    Escolha uma alternativa para a questão fdbb7183-ef
  • FDAC9EEB-EF

    Português

    Interpretação de Textos
    Faculdade Cásper Líbero · 2017DifícilEntre para guardar nos favoritos

    Leia o texto a seguir e responda à questão:


    Quem são e o que querem os que negam a Internet?

    Nicholas Carr


        O Vale do Silício, conjunto monótono de centros comerciais, parques empresariais e complexos de fast-food, não parece um núcleo cultural, e, no entanto, se converteu exatamente nisso. Nos últimos 20 anos, a partir do exato momento em que a empresa de tecnologia norte-americana Netscape comercializou o navegador inventado pelo visionário inglês Tim Berners-Lee, o Silicon Valley tem remodelado os Estados Unidos e grande parte do mundo à sua imagem e semelhança. Provocou uma revolução na forma de trabalhar dos meios de comunicação, mudou a forma de conversar das pessoas e reescreveu as regras de realização, venda e valorização das obras de arte e outros trabalhos relacionados com o intelecto.

        De bom grado, a maioria das pessoas foi outorgando ao setor tecnológico um crescente poder sobre suas mentes e suas vidas. No fim das contas, os computadores e a Internet são úteis e divertidos, e os empresários e engenheiros se dedicaram a fundo para inventar novas maneiras de fazer com que desfrutemos dos prazeres, benefícios e vantagens práticas da revolução tecnológica, geralmente sem ter que pagar por esse privilégio. Um bilhão de habitantes do planeta usam o Facebook diariamente. Cerca de dois bilhões levam consigo um smartphone a todos os lugares e costumam dar uma olhada no dispositivo a cada poucos minutos durante o tempo em que passam acordadas. Os números reforçam o que já sabemos: ansiamos pelas dádivas do Vale do Silício. Compramos no Amazon, viajamos com o Uber, dançamos com o Spotify e falamos por WhatsApp e Twitter.

        Mas as dúvidas sobre a chamada revolução digital têm crescido. A visão imaculada que as pessoas tinham do famoso vale tem ganhado uma sombra inclusive nos Estados Unidos, um país de apaixonados pelos equipamentos eletrônicos. Uma onda de artigos recentes, surgida após as revelações de Edward Snowden sobre a vigilância na Internet por parte dos serviços secretos, tem manchado a imagem positiva que os consumidores tinham do setor de informática. Dão a entender que, por trás da retórica sobre o empoderamento pessoal e a democratização, se esconde uma realidade que pode ser exploradora, manipuladora e até misantrópica.

        As investigações jornalísticas encontraram provas de que nos armazéns e escritórios do Amazon, assim como nas fábricas asiáticas de computadores, os trabalhadores enfrentam condições abusivas. Descobriu-se que o Facebook realiza experiências clandestinas para avaliar o efeito psicológico em seus usuários manipulando o “conteúdo emocional” das publicações e notícias sugeridas. As análises econômicas das chamadas empresas de serviços compartilhados, como Uber e Airbnb, indicam que, apesar de proporcionarem lucros a investidores privados, é possível que estejam empobrecendo as comunidades em que operam. Livros como The People’s Platform [A plataforma do povo], de Astra Taylor, publicado em 2014, mostram que com certeza a Internet está aprofundando as desigualdades econômicas e sociais, em vez de ajudar a reduzi-las.

        As incertezas políticas e econômicas ligadas aos efeitos do poder do Vale do Silício vão além, enquanto o impacto cultural dos meios de comunicação digitais se submete a uma severa reavaliação. Prestigiosos autores e intelectuais, entre eles o prêmio Nobel peruano Mario Vargas Llosa e o romancista norte-americano Jonathan Franzen, apresentam a Internet como causa e sintoma da homogeneização e da trivialização da cultura. No início deste ano, o editor e crítico social Leon Wieseltier publicou no The New York Times uma enérgica condenação do “tecnologicismo”, em que sustentou que os “gangsteres” empresariais e os filisteus tecnológicos confiscaram a cultura. “À medida que aumenta a frequência da expressão, sua força diminui”, disse, e “o debate cultural está sendo absorvido sem parar pelo debate empresarial”.

        Também no plano pessoal estão se multiplicando as preocupações sobre a nossa obsessão com os dispositivos fornecedores de dados. Em vários estudos recentes, os cientistas começaram a relacionar algumas perdas de memória e empatia com o uso de computadores e da Internet, e estão encontrando novas provas que corroboram descobertas anteriores de que as distrações do mundo digital podem dificultar nossas percepções e julgamentos. Quando o trivial nos invade, parece que perdemos o controle do que é essencial. Em Reclaiming Conversation [Recuperando a conversa], seu controverso novo livro, Sherry Turkle, professora do Massachusetts Institute of Technology (MIT), mostra como uma excessiva dependência das redes sociais e dos sistemas de mensagens eletrônicas pode empobrecer as nossas conversas e até mesmo nossos relacionamentos. Substituímos a verdadeira intimidade por uma simulada.

        Quando examinamos mais de perto a crença do Vale do Silício, descobrimos sua incoerência básica. É uma filosofia quimérica que abrange um amálgama estranho de credos, incluindo a fé neoliberal no livre mercado, a confiança maoísta no coletivismo, a desconfiança libertária na sociedade e a crença evangélica em um paraíso a caminho. Mas o que realmente motiva o Vale do Silício tem muito pouco a ver com ideologia e quase tudo com a forma de pensar de um adolescente. A veneração do setor de tecnologia pela ruptura se assemelha ao desejo de um adolescente por destruir coisas, sem conserto, mesmo que as consequências sejam as piores possíveis.

        Portanto, não surpreende que cada vez mais pessoas contemplem com olhar crítico e cético o legado do setor. Apesar de proliferarem, os críticos continuam, no entanto, constituindo a minoria. A fé da sociedade na tecnologia como uma panaceia para os males sociais e individuais permanece firme, e continua a haver uma forte resistência a qualquer questionamento ao Vale do Silício e seus produtos. Ainda hoje se costuma descartar os opositores da revolução digital chamando-os de nostálgicos retrógrados ou os tachando de “antitecnologia”.

        Tais acusações mostram como está distorcida a visão predominante da tecnologia. Ao confundir seu avanço com o progresso social, sacrificamos nossa capacidade de ver claramente a tecnologia e de diferenciar os seus efeitos. No melhor dos casos, a inovação tecnológica nos possibilita novas ferramentas para ampliar nossas aptidões, concentrar nosso pensamento e exercitar a nossa criatividade; amplia as possibilidades humanas e o poder de ação individual. Mas, com frequência demais, as tecnologias promulgadas pelo Vale do Silício têm o efeito oposto. As ferramentas da era digital geram uma cultura de distração e dependência, uma subordinação irreflexiva que acaba por restringir os horizontes das pessoas, em vez de ampliá-los.

        Colocar em dúvida o Vale do Silício não é se opor à tecnologia. É pedir mais aos nossos tecnólogos, a nossas ferramentas, a nós mesmos. É situar a tecnologia no plano humano que corresponde a ela. Olhando retrospectivamente, nos equivocamos ao ceder tanto poder sobre nossa cultura e nossa vida cotidiana a um punhado de grandes empresas da Costa Oeste dos Estados Unidos. Chegou o momento de corrigir o erro.

    Fonte: https://brasil.elpais.com/brasil/2015/10/23/tecnologia/1445612531_992107.html Publicado em 25/10/2015. Acesso em 06/11/2017 [Adaptado]

    Pode-se afirmar que no texto o autor defende a ideia de que:
    Escolha uma alternativa para a questão fdac9eeb-ef
  • FA38DE92-E7

    Matemática

    Aritmética e Problemas
    Faculdade Cásper Líbero · 2016FácilEntre para guardar nos favoritos
    Em junho deste ano, os britânicos aprovaram em um referendo a proposta de sair da União Europeia (Brexit). O Reino Unido faz parte da União Europeia, mas não aderiu à União Econômica e Monetária (UEM), por essa razão, jamais adotou o euro e manteve a libra esterlina como sua moeda oficial. Supondo que 1 euro seja equivalente a 0,90 libras e que 1 libra possa valer 4,10 reais, com o montante de R$ 41,00 compramos:
    Escolha uma alternativa para a questão fa38de92-e7
  • FA3540C8-E7

    Matemática

    Aritmética e Problemas
    Faculdade Cásper Líbero · 2016MédioEntre para guardar nos favoritos

    Segundo reportagem publicada no site UOL, o número de visualizações de vídeos de David Bowie no Youtube aumentou 1800% no domingo 10 de janeiro, após a divulgação da notícia de sua morte. No dia 11 de janeiro, os vídeos de Bowie também foram os mais assistidos e os vídeos de Justin Bieber ficaram em segundo lugar com 25% menos views que os do cantor britânico.

    Fonte: http://musica.uol.com.br/noticias/redacao/2016/01/14/visualizacoes-de-videos-de-david- -bowie-aumentam-1800-apos-a-sua-morte.htm Acesso 28-10-2016



    Nas alternativas abaixo, assinale aquela que apresenta um número seguido de outro número 25% menor

    Escolha uma alternativa para a questão fa3540c8-e7
  • FA30A90D-E7

    Matemática

    Análise de Tabelas e Gráficos
    Faculdade Cásper Líbero · 2016FácilEntre para guardar nos favoritos
    No sábado 11 de janeiro de 2014, foi postada em um blog da internet a fotografia da tela da TV com o gráfico apresentado no programa Conta Corrente da Globonews. Dois dias depois o programa publicou uma nota e se comprometeu a retificar no ar a informação.Analisando-se os dados da imagem, podemos concluir que o gráfico:



    Escolha uma alternativa para a questão fa30a90d-e7
  • FA2C6573-E7

    Matemática

    Aritmética e Problemas
    Faculdade Cásper Líbero · 2016MédioEntre para guardar nos favoritos
    Dentre os grandes astros que vieram competir nas Olimpíadas do Rio de Janeiro, o jamaicano Usain Bolt foi o segundo atleta mais comentado nas redes sociais, perdendo apenas para o nosso craque Neymar, segundo site da BBC. Dono de 1,95m de altura, o velocista é o mais alto ganhador dos 100m rasos. Segundo http://esporte.band.uol.com.br/ “Em geral, os atletas de velocidade são mais baixos, o que os ajuda na largada. No entanto, apesar de Bolt não ser um especialista na saída, ele tira vantagem de sua altura em outros aspectos:

    • Número de passos: em geral, Bolt precisa de 41 passos para completar os 100m, enquanto a média de um atleta de alto nível é 45.
    • Alta velocidade: a altura de Bolt permite que ele se mantenha em alta velocidade por mais tempo e que desacelere mais devagar que seus adversários.”
    http://www.bbc.com/portuguese/brasil/2016/04/160427_rio_100dias_graficos_cc


    Dentre os dados fornecidos pelo texto acima, podemos dizer que que o comprimento da passada de Bolt:


    Escolha uma alternativa para a questão fa2c6573-e7
  • FA2961E2-E7

    Matemática

    Análise de Tabelas e Gráficos
    Faculdade Cásper Líbero · 2016MédioEntre para guardar nos favoritos
    Durante o ano de 2015 o dólar sofreu a maior alta dos últimos 13 anos.



    Observando o gráfico acima, pode-se concluir que, em termos percentuais, a variação de janeiro a fevereiro foi inferior à de:
    Escolha uma alternativa para a questão fa2961e2-e7
  • FA25DCE1-E7

    Inglês

    Interpretação de texto | Reading comprehension
    Faculdade Cásper Líbero · 2016DifícilEntre para guardar nos favoritos

    First read the review below and then answer question.


    REVIEW: ‘MULTITUDINOUS HEART,’ NEWLY TRANSLATED POETRY BY CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE


    Books of The Times

    By Dwight Garner JULY 2, 2015




        Carlos Drummond de Andrade (1902-1987) is widely considered the greatest poet in the history of Brazil, a country where poets are taken seriously. One of his poems, “Canção Amiga” (“Friendly Song”), was once printed on the 50 cruzados bill.

        Mr. Drummond’s bald, equine, bespectacled visage appears on T-shirts and book bags in Brazil. Since 2002 there has been a statue of him on the Copacabana in Rio de Janeiro, his adopted hometown. This statue faces away from, not toward, the ocean. This was a witty decision (he was an inward poet) that annoys the unintelligentsia, who want him spun around.

        Now we have “Multitudinous Heart,” an expanded, reshuffled and welcome selection of Mr. Drummond’s verse. In new translations by Richard Zenith, we meet a sophisticated and cerebral poet who, true to this book’s title, speaks in many registers. He is by turns melancholy and ironic, sentimental and self-deprecating, remote and boyish.

        His wealthy father owned ranches in the mountainous state of Minas Gerais, and the poet was the fifth of six children to reach adulthood. He was used to hubbub. Large family meals are recalled, and there is a constant sense of a raucous daily grind: “Weddings, mortgages,/the cousins with TB,/ the crazy aunt.”

        Yet the poems more often contain a measured sense of solitude. Mr. Drummond studied to become a pharmacist but worked most of his life as a civil servant in the Ministry of Education.

        He was said to be anything but gregarious; he was never a “smiling public man,” in Yeats’s locution. He was animated on the inside. One of his favorite words was “twisted.” He thought we humans were mostly impertinent and odd.

        He felt wizened before his time. In a 1945 poem, he speaks of “the old man in me./He began to harass me in childhood.” In a 1951 poem, “The Table,” he writes:


    A bunch of louts in our fifties,

    balding, used up, burned out,

    yet in our chests we preserve

    intact that boyish candor,

    that scampering into the woods,

    that craving for things forbidden.


        Mr. Drummond is worth encountering on the page. You probably need this volume and the earlier one, alas, to glimpse him in full. In a satirical 1945 poem titled “In Search of Poetry,” he offered this advice for the apprentice poet:


        Don’t dramatize, don’t invoke,

    don’t inquire. Don’t waste time lying.

    Don’t get cross.

    Your ivory yacht, your diamond shoe,

    your mazurkas and superstitions, your family skeletons

    all vanish in the curve of time, they’re worthless.


        Ha. The good news about “Multitudinous Heart” is that it proves Mr. Drummond didn’t believe a word of that hooey.


    Source: http://www.nytimes.com/2015/07/03/books/review-multitudinous-heart-newly-translated- -poetry-by-carlos-drummond-de-andrade.html Access October 15, 2016. Adapted.

    The book “Multitudinous Heart’, according to the review, :
    Escolha uma alternativa para a questão fa25dce1-e7
  • FA22252F-E7

    Inglês

    Interpretação de texto | Reading comprehension
    Faculdade Cásper Líbero · 2016Muito difícilEntre para guardar nos favoritos

    First read the review below and then answer question.


    REVIEW: ‘MULTITUDINOUS HEART,’ NEWLY TRANSLATED POETRY BY CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE


    Books of The Times

    By Dwight Garner JULY 2, 2015




        Carlos Drummond de Andrade (1902-1987) is widely considered the greatest poet in the history of Brazil, a country where poets are taken seriously. One of his poems, “Canção Amiga” (“Friendly Song”), was once printed on the 50 cruzados bill.

        Mr. Drummond’s bald, equine, bespectacled visage appears on T-shirts and book bags in Brazil. Since 2002 there has been a statue of him on the Copacabana in Rio de Janeiro, his adopted hometown. This statue faces away from, not toward, the ocean. This was a witty decision (he was an inward poet) that annoys the unintelligentsia, who want him spun around.

        Now we have “Multitudinous Heart,” an expanded, reshuffled and welcome selection of Mr. Drummond’s verse. In new translations by Richard Zenith, we meet a sophisticated and cerebral poet who, true to this book’s title, speaks in many registers. He is by turns melancholy and ironic, sentimental and self-deprecating, remote and boyish.

        His wealthy father owned ranches in the mountainous state of Minas Gerais, and the poet was the fifth of six children to reach adulthood. He was used to hubbub. Large family meals are recalled, and there is a constant sense of a raucous daily grind: “Weddings, mortgages,/the cousins with TB,/ the crazy aunt.”

        Yet the poems more often contain a measured sense of solitude. Mr. Drummond studied to become a pharmacist but worked most of his life as a civil servant in the Ministry of Education.

        He was said to be anything but gregarious; he was never a “smiling public man,” in Yeats’s locution. He was animated on the inside. One of his favorite words was “twisted.” He thought we humans were mostly impertinent and odd.

        He felt wizened before his time. In a 1945 poem, he speaks of “the old man in me./He began to harass me in childhood.” In a 1951 poem, “The Table,” he writes:


    A bunch of louts in our fifties,

    balding, used up, burned out,

    yet in our chests we preserve

    intact that boyish candor,

    that scampering into the woods,

    that craving for things forbidden.


        Mr. Drummond is worth encountering on the page. You probably need this volume and the earlier one, alas, to glimpse him in full. In a satirical 1945 poem titled “In Search of Poetry,” he offered this advice for the apprentice poet:


        Don’t dramatize, don’t invoke,

    don’t inquire. Don’t waste time lying.

    Don’t get cross.

    Your ivory yacht, your diamond shoe,

    your mazurkas and superstitions, your family skeletons

    all vanish in the curve of time, they’re worthless.


        Ha. The good news about “Multitudinous Heart” is that it proves Mr. Drummond didn’t believe a word of that hooey.


    Source: http://www.nytimes.com/2015/07/03/books/review-multitudinous-heart-newly-translated- -poetry-by-carlos-drummond-de-andrade.html Access October 15, 2016. Adapted.

    It is correct to say that Mr. Garner describes Mr. Drummond as:
    Escolha uma alternativa para a questão fa22252f-e7
  • FA1F0104-E7

    Inglês

    Interpretação de texto | Reading comprehension
    Faculdade Cásper Líbero · 2016DifícilEntre para guardar nos favoritos

    Read the following interview to answer question.


    ISSIE LAPOWSKY SCIENCE 05.24.16 6:50 AM


    10 YEARS AFTER AN INCONVENIENT TRUTH,

    AL GORE MAY ACTUALLY BE WINNING



        AL GORE SNEEZES a hefty achoo. “Excuse me,” the former vice president says, dabbing a tissue at his nose before offering up an explanation. “Spring.”

        Outside Gore’s New York City office, spring has certainly sprung—early too. This March was the hottest one ever, beating the prior record set in March 2015. The same goes for February and January of this year, and, oh, the eight consecutive months before. Gore knows these statistics by heart. The fact that you might know them too is likely because of him. These kinds of numbers— and the scary story they tell about the future of Earth—have been Gore’s chief motivation since he failed to win the presidency in 2000. Gore emerged from that weird, disputed election armed with what is now possibly the most famous slide¬show in human history. He has traveled the world delivering that deck to hundreds of people at a time, showing in irrefutable detail just how mind-bogglingly badly we have treated our planet and what we might be able to do about it.

        Ten years ago, the slide¬show became An Inconvenient Truth, the documentary that spread those ideas to millions. Gore says he still tinkers with the slide¬show every day, because, well, the numbers keep changing. Not always for the better. Yet this year Gore and his fellow activists have a rare reason to celebrate. In April, 175 world leaders gathered at the United Nations to sign the Paris Agreement, a global pact that aims to keep global temperatures from rising more than 2 degrees Celsius above preindustrial levels. Now, a decade after his movie sounded the alarm about climate change and 16 years after he ran for president, it looks like Al Gore might finally be … winning?


        WIRED: Why did you want to make An Inconvenient Truth?

        GORE: I have to admit to you that initially I did not want to do a documentary.


        What? Why not?

       It’s a dumb reason. I didn’t think a slide¬show could translate into a movie. (…) Participant Media and Davis Guggenheim had to convince me it was a good idea, and I’m so glad they found ways to reveal to me the depths of my ignorance about moviemaking. It’s a message that has to be heard. Sorry to risk sounding grandiose, but the future of human civilization is at stake.


        The Paris Agreement must feel like a big point of progress.

        It really does. Sometimes in sports you can sense a palpable shift in the momentum of the contest. A team will be behind on the scoreboard, but the shift in momentum is so obvious and dramatic that you just have the feeling they’re going to win. That’s where we are in solving the climate crisis. We’re still behind on the scoreboard, but the momentum has shifted. We are winning.

        When renewable electricity becomes cheaper than electricity that comes from burning coal or gas, then that changes everything. The marketplace makes it the default option, and you get what you saw in the world in 2015—90 percent of the new electricity generated in the world last year was from renewables. That is an astonishing change. The Paris Agreement exceeded the upper range of my expectations. Does it go far enough? No, of course not. Can it be improved? Yes, it’s designed to be constantly improved, and that’s what I’m focused on now.


        You’ve been at this a long time. Was it lonely fighting for this stuff in government in the 1980s and 1990s?

        It was certainly a different time and a different environment. But I don’t ever remember feeling lonely, because I was always focused on reaching more and more people. Building a global grassroots movement is really the only way to solve this, because so many political systems have been captured by legacy industries. And that influence over policymaking has to be counterbalanced by a grassroots awareness.


        It’s sometimes tough for people to get climate change because they’re not seeing its effects every day—or at least they don’t realize they are. What have you seen that has stuck with you?

        In March, I went to Tacloban in the Philippines and talked with survivors there who endured the ravages of Super Typhoon Haiyan. When you see how their lives were utterly transformed and feel the painful losses they suffered, it certainly will stick with you. I conducted a training in Miami last fall during one of the highest high tides and saw fish from the ocean swimming in the streets in Miami Beach and Fort Lauderdale on a sunny day.


        You talk a lot about “winning” the fight against climate change. How do you define a win?

       Winning means avoiding catastrophic consequences that could utterly disrupt the future of human civilization. It means bending the curves downward so that the global warming pollution stops accumulating in the atmosphere and begins to reduce in volume. It means creating tens of millions of new jobs to retrofit buildings, to transform energy systems and install advanced batteries, to transform agriculture and forestry, and to make the solutions to the climate crisis the central organizing principle of our civilization.

    Source: https://www.wired.com/2016/05/wired-al-gore-climate-change/ Access October 16, 2016. Adapted.

    Building a global grassroots movement was:
    Escolha uma alternativa para a questão fa1f0104-e7
  • FA1B7805-E7

    Inglês

    Interpretação de texto | Reading comprehension
    Faculdade Cásper Líbero · 2016DifícilEntre para guardar nos favoritos

    Read the following interview to answer question.


    ISSIE LAPOWSKY SCIENCE 05.24.16 6:50 AM


    10 YEARS AFTER AN INCONVENIENT TRUTH,

    AL GORE MAY ACTUALLY BE WINNING



        AL GORE SNEEZES a hefty achoo. “Excuse me,” the former vice president says, dabbing a tissue at his nose before offering up an explanation. “Spring.”

        Outside Gore’s New York City office, spring has certainly sprung—early too. This March was the hottest one ever, beating the prior record set in March 2015. The same goes for February and January of this year, and, oh, the eight consecutive months before. Gore knows these statistics by heart. The fact that you might know them too is likely because of him. These kinds of numbers— and the scary story they tell about the future of Earth—have been Gore’s chief motivation since he failed to win the presidency in 2000. Gore emerged from that weird, disputed election armed with what is now possibly the most famous slide¬show in human history. He has traveled the world delivering that deck to hundreds of people at a time, showing in irrefutable detail just how mind-bogglingly badly we have treated our planet and what we might be able to do about it.

        Ten years ago, the slide¬show became An Inconvenient Truth, the documentary that spread those ideas to millions. Gore says he still tinkers with the slide¬show every day, because, well, the numbers keep changing. Not always for the better. Yet this year Gore and his fellow activists have a rare reason to celebrate. In April, 175 world leaders gathered at the United Nations to sign the Paris Agreement, a global pact that aims to keep global temperatures from rising more than 2 degrees Celsius above preindustrial levels. Now, a decade after his movie sounded the alarm about climate change and 16 years after he ran for president, it looks like Al Gore might finally be … winning?


        WIRED: Why did you want to make An Inconvenient Truth?

        GORE: I have to admit to you that initially I did not want to do a documentary.


        What? Why not?

       It’s a dumb reason. I didn’t think a slide¬show could translate into a movie. (…) Participant Media and Davis Guggenheim had to convince me it was a good idea, and I’m so glad they found ways to reveal to me the depths of my ignorance about moviemaking. It’s a message that has to be heard. Sorry to risk sounding grandiose, but the future of human civilization is at stake.


        The Paris Agreement must feel like a big point of progress.

        It really does. Sometimes in sports you can sense a palpable shift in the momentum of the contest. A team will be behind on the scoreboard, but the shift in momentum is so obvious and dramatic that you just have the feeling they’re going to win. That’s where we are in solving the climate crisis. We’re still behind on the scoreboard, but the momentum has shifted. We are winning.

        When renewable electricity becomes cheaper than electricity that comes from burning coal or gas, then that changes everything. The marketplace makes it the default option, and you get what you saw in the world in 2015—90 percent of the new electricity generated in the world last year was from renewables. That is an astonishing change. The Paris Agreement exceeded the upper range of my expectations. Does it go far enough? No, of course not. Can it be improved? Yes, it’s designed to be constantly improved, and that’s what I’m focused on now.


        You’ve been at this a long time. Was it lonely fighting for this stuff in government in the 1980s and 1990s?

        It was certainly a different time and a different environment. But I don’t ever remember feeling lonely, because I was always focused on reaching more and more people. Building a global grassroots movement is really the only way to solve this, because so many political systems have been captured by legacy industries. And that influence over policymaking has to be counterbalanced by a grassroots awareness.


        It’s sometimes tough for people to get climate change because they’re not seeing its effects every day—or at least they don’t realize they are. What have you seen that has stuck with you?

        In March, I went to Tacloban in the Philippines and talked with survivors there who endured the ravages of Super Typhoon Haiyan. When you see how their lives were utterly transformed and feel the painful losses they suffered, it certainly will stick with you. I conducted a training in Miami last fall during one of the highest high tides and saw fish from the ocean swimming in the streets in Miami Beach and Fort Lauderdale on a sunny day.


        You talk a lot about “winning” the fight against climate change. How do you define a win?

       Winning means avoiding catastrophic consequences that could utterly disrupt the future of human civilization. It means bending the curves downward so that the global warming pollution stops accumulating in the atmosphere and begins to reduce in volume. It means creating tens of millions of new jobs to retrofit buildings, to transform energy systems and install advanced batteries, to transform agriculture and forestry, and to make the solutions to the climate crisis the central organizing principle of our civilization.

    Source: https://www.wired.com/2016/05/wired-al-gore-climate-change/ Access October 16, 2016. Adapted.

    ‘I did not want to make a documentary’, said Al Gore, referring to:
    Escolha uma alternativa para a questão fa1b7805-e7
  • FA140B74-E7

    História

    História do Brasil
    Faculdade Cásper Líbero · 2016MédioEntre para guardar nos favoritos
    Em 2 de março de 1983, o Deputado Federal Dante de Oliveira encaminhou ao Congresso Nacional uma emenda à Constituição, que previa as eleições diretas para Presidente do país. A proposta do deputado ganhou as ruas e foi expressa por Henfil, cartunista engajado na resistência à ditadura militar.


    Imagem da questão de História, da prova de 2016
    Fonte: http://zonacurva.com.br/henfil- -e-diretas-ja/ Acesso 12-10-2016

    A charge de Henfil representa:
    Escolha uma alternativa para a questão fa140b74-e7
  • FA0FC83A-E7

    Atualidades

    Desastres Naturais e Humanos na Atualidade
    Faculdade Cásper Líbero · 2016MédioEntre para guardar nos favoritos
    Em 5 novembro de 2015, ocorreu o pior acidente da mineração brasileira no município de Mariana, em Minas Gerais. A tragédia ocorreu após o rompimento de uma barragem (Fundão) da mineradora Samarco, que é controlada pela Vale e pela BHP Billiton. O rompimento da barragem provocou uma enxurrada de lama, que devastou o distrito de Bento Rodrigues, deixando um rastro de destruição, à medida que avançava pelo Rio Doce. Os impactos ambientais são incalculáveis e, provavelmente, irreversíveis.

    Fonte: http://mundoeducacao.bol.uol.com.br/biologia/ acidente-mariana-mg-seus-impactos-ambientais.htm | Acesso 12-10-2016


    O texto denuncia a gravidade do acidente ambiental ocorrido em Mariana. Pode ser considerado parte integrante desse contexto:
    Escolha uma alternativa para a questão fa0fc83a-e7
  • FA0CD281-E7

    História

    História do Brasil
    Faculdade Cásper Líbero · 2016FácilEntre para guardar nos favoritos
    Em primeiro lugar, do meu ponto de vista, o golpe de estado no Brasil não foi somente militar, mas também civil. Os militares sempre contaram com o apoio de setores conservadores, de segmentos da direita e da grande imprensa, que festejam o 31 de março como a data da “gloriosa revolução”. Hoje, fazem de tudo para tentar apagar esse passado e esquecer esse período sombrio da história política brasileira em nome, segundo eles próprios, da harmonia nacional.
    Fonte: FOUCHER, Marilza de Melo. Adaptado. http://www.correiodobrasil.com.br/analise-a-ditadura- -no-brasil-como-ela-se-impos/ | Publicado: 08/12/2013 | Acesso: 11/10/2016.


    Na perspectiva da autora, a ditadura militar brasileira:
    Escolha uma alternativa para a questão fa0cd281-e7
  • FA09EBC4-E7

    Conhecimentos Gerais

    Política
    Faculdade Cásper Líbero · 2016DifícilEntre para guardar nos favoritos
    A Lei Áurea trouxe implícita a igualdade jurídica do negro liberto, coisa que não ficou muito clara na Constituição de 1891, que condicionou a cidadania ao ter propriedade e ao ser alfabetizado, não ser mendigo, não ser mulher... No dia 13 de maio de 1888, não libertamos ninguém, pois quem não é igual não pode ser livre. Continuamos todos escravos da escravidão que não acaba, da moral retorcida que nos legou, da consciência cindida que nos faz crer que somos uma coisa, sendo outra. A igualdade do 13 de Maio era, portanto, uma igualdade relativa.
    Fonte: MARTINS, José de Souza http://www.estadao.com.br/noticias/geral,eu-nao-meu-senhor,1128202 Publicado: 08/02/2014 | Acesso: 11/10/2016 | Adaptado.


    O autor do texto, um sociólogo brasileiro, explicita a fragilidade da Lei Áurea. Historicamente, a situação descrita por ele, no texto, se justifica pela:
    Escolha uma alternativa para a questão fa09ebc4-e7
  • FA06CAD4-E7

    História

    Brasil Monárquico – Segundo Reinado 1831- 1889
    Faculdade Cásper Líbero · 2016MédioEntre para guardar nos favoritos
    Cândido Aragonez de Faria foi um artista brasileiro do século XIX que teve sua formação no Rio de Janeiro, frequentando o Liceu de Artes e Ofício e a Academia Imperial de Belas Artes, na capital. No Brasil, publicou em mídias impressas de sua época, antes de sua carreira alçar voos internacionais. Nas publicações brasileiras, foram veiculadas várias charges com conteúdo político, como a que segue:


    Imagem da questão de História, da prova de 2016
    Fonte: http://www.ensinarhistoriajoelza.com.br/caricaturas-do-segundo-reinado-critica-com-humor- -e-ironia/ | Acesso: 11/10/2016

    A análise da charge, que retrata a política no Segundo Império, expressa a
    Escolha uma alternativa para a questão fa06cad4-e7