Questões do ENEM 2010

Questões aplicadas na prova de 2010, cada uma em página própria com enunciado, alternativas e gabarito.

Resultados

1.564 questões encontradas. Mostrando a página 51 de 79.

  • 0FBB673B-36

    Português

    Interpretação de Textos
    UNESP · 2010MédioEntre para guardar nos favoritos

    Instrução: A   questão  toma  por base uma matéria assinada por Danilo Albergaria na revista eletrônica COMCIÊNCIA:


               Cinema e Telejornalismo: Convergência de Linguagens para Divulgar Ciência


          Encampando um ponto de vista em que um vídeo de divulgação científica não deve apenas ensinar e informar, mas também entreter, motivar e gerar curiosidade, Iara Cardoso defendeu a convergência das linguagens telejornalística e cinematográfica para incrementar as produções de vídeo voltadas para a ciência: “A convergência é possível, é necessária, e cada vez mais acessível com as novas tecnologias digitais”, disse a jornalista em apresentação durante o Foro Iberoamericano de Comunicação e Divulgação Científica, que ocorreu na Unicamp entre os dias 23 e 25 de novembro.

          A ideia de mesclar linguagens aparentemente distantes surgiu quando Cardoso começou a produzir o vídeo SitRaios, encomendado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para divulgar a ciência por trás de um software que localizava mais facilmente descargas elétricas atmosféricas nas linhas de energia e possibilitava um religamento mais rápido da eletricidade. “Seria maçante produzir esse vídeo da maneira tradicional. Então, introduzimos, num vídeo que usualmente estaria destinado a ser muito próximo do telejornalismo, a linguagem do cinema. Utilizamos conceitos como o de revelação e de aumento de expectativa – introduzimos uma narrativa, enfim”, afirma Cardoso. Além da roteirista e diretora, a equipe, enxuta, teve apenas mais um editor e um cinegrafista. “Esse tipo de convergência não demanda mais recursos do que uma produção tradicional”, defende.

          As produções de cinema são tradicionalmente mais dispendiosas do que vídeos jornalísticos. Porém, contrariando o que o senso comum pensa sobre os custos dos vídeos que incorporam linguagens cinematográficas, Cardoso esclarece que os custos de  produção tornaram-se mais acessíveis com o surgimento das novas tecnologias digitais. Ela aponta, por exemplo, que tornaram-se amplamente acessíveis as câmeras digitais, hoje largamente utilizadas tanto no cinema quanto na produção jornalística. “Os próprios cineastas estão, cada vez mais, filmando com o suporte digital”, afirma. Outra facilidade está na edição digital: “Mesmo quem ainda não aderiu ao suporte digital nas filmagens nunca deixa de utilizar a edição digital, que se tornou imprescindível. Perto da edição em computadores, os antigos métodos tornaram-se inviáveis”, avalia.

          Enquanto o suporte tecnológico facilita a convergência e aproxima linguagens, o que é realmente fundamental, na visão da jornalista, são as ideias por trás do vídeo: são elas, as concepções, que vão formar um roteiro interessante, as bases do apelo dos vídeos de ciência para o grande público. Segundo a diretora, a incorporação da dramaticidade, do suspense – ferramentas usuais na narrativa ficcional – ajudam um vídeo a tornar mais atraente uma teoria ou explicação científica. Ao mesmo tempo, se feita com o devido preparo e seriedade, não compromete a qualidade da informação transmitida — pelo contrário, a potencializa.


    (Danilo Albergaria. Cinema e telejornalismo: convergência de linguagens para divulgar ciência. COMCIÊNCIA, www.comciencia.br, 26.11.2009.)

    O texto apresentado se encontra em uma conceituada revista eletrônica de divulgação científica e revela como tema central:
    Escolha uma alternativa para a questão 0fbb673b-36
  • 0FB5ED4B-36

    Literatura

    Escolas Literárias
    UNESP · 2010FácilEntre para guardar nos favoritos

    Instrução: A  questão  toma  por base o soneto Acrobata da dor, do poeta simbolista brasileiro Cruz e Sousa (1861-1898):


                                                 Acrobata da Dor


                                 Gargalha, ri, num riso de tormenta,

                                 como um palhaço, que desengonçado,

                                 nervoso, ri, num riso absurdo, inflado

                                 de uma ironia e de uma dor violenta.


                                 Da gargalhada atroz, sanguinolenta,

                                 agita os guizos, e convulsionado

                                 Salta, gavroche, salta clown, varado

                                 pelo estertor dessa agonia lenta...


                                 Pedem-te bis e um bis não se despreza!

                                 Vamos! retesa os músculos, retesa,

                                 nessas macabras piruetas d’aço...


                                 E embora caias sobre o chão, fremente,

                                 afogado em teu sangue estuoso e quente,

                                 ri! Coração, tristíssimo palhaço.


                    (João da Cruz e Sousa. Obra completa. Rio de Janeiro: Editora Aguilar, 1961.)

    O Simbolismo se caracterizou, entre outros aspectos, pela exploração dos sons da língua para estabelecer nos poemas uma musicalidade característica, por meio de diferentes processos de repetição de sons ao longo dos versos e em estrofes inteiras. Na primeira estrofe do soneto de Cruz e Sousa nota-se esse procedimento de repetição, especialmente no


    I. primeiro verso.


    II. segundo verso.


    III. terceiro verso.


    IV. quarto verso.

    Escolha uma alternativa para a questão 0fb5ed4b-36
  • 0FB10B19-36

    Português

    Flexão verbal de número (singular, plural)
    UNESP · 2010DifícilEntre para guardar nos favoritos

    Instrução: A  questão  toma  por base o soneto Acrobata da dor, do poeta simbolista brasileiro Cruz e Sousa (1861-1898):


                                                 Acrobata da Dor


                                 Gargalha, ri, num riso de tormenta,

                                 como um palhaço, que desengonçado,

                                 nervoso, ri, num riso absurdo, inflado

                                 de uma ironia e de uma dor violenta.


                                 Da gargalhada atroz, sanguinolenta,

                                 agita os guizos, e convulsionado

                                 Salta, gavroche, salta clown, varado

                                 pelo estertor dessa agonia lenta...


                                 Pedem-te bis e um bis não se despreza!

                                 Vamos! retesa os músculos, retesa,

                                 nessas macabras piruetas d’aço...


                                 E embora caias sobre o chão, fremente,

                                 afogado em teu sangue estuoso e quente,

                                 ri! Coração, tristíssimo palhaço.


                    (João da Cruz e Sousa. Obra completa. Rio de Janeiro: Editora Aguilar, 1961.)

    Como se verifica na leitura atenta do soneto, o eu-lírico dirige-se ao coração servindo-se do tratamento de segunda pessoa do singular (tu, te, ti, contigo). Se utilizasse o tratamento de segunda pessoa do plural, o último terceto assumiria a seguinte forma:
    Escolha uma alternativa para a questão 0fb10b19-36
  • 0FAC397D-36

    Português

    Interpretação de Textos
    UNESP · 2010MédioEntre para guardar nos favoritos

    Instrução: A  questão  toma  por base o soneto Acrobata da dor, do poeta simbolista brasileiro Cruz e Sousa (1861-1898):


                                                 Acrobata da Dor


                                 Gargalha, ri, num riso de tormenta,

                                 como um palhaço, que desengonçado,

                                 nervoso, ri, num riso absurdo, inflado

                                 de uma ironia e de uma dor violenta.


                                 Da gargalhada atroz, sanguinolenta,

                                 agita os guizos, e convulsionado

                                 Salta, gavroche, salta clown, varado

                                 pelo estertor dessa agonia lenta...


                                 Pedem-te bis e um bis não se despreza!

                                 Vamos! retesa os músculos, retesa,

                                 nessas macabras piruetas d’aço...


                                 E embora caias sobre o chão, fremente,

                                 afogado em teu sangue estuoso e quente,

                                 ri! Coração, tristíssimo palhaço.


                    (João da Cruz e Sousa. Obra completa. Rio de Janeiro: Editora Aguilar, 1961.)

    No poema, os conceitos relacionados com a alegria e o riso, característicos da imagem dos palhaços, são aproximados de conceitos como dor, tristeza, agonia, sangue. Aponte a alternativa que melhor justifica essa aproximação de conceitos contraditórios:
    Escolha uma alternativa para a questão 0fac397d-36
  • 0FA7C79D-36

    Português

    Divisão Silábica
    UNESP · 2010DifícilEntre para guardar nos favoritos

    Instrução: A  questão  toma  por base o soneto Acrobata da dor, do poeta simbolista brasileiro Cruz e Sousa (1861-1898):


                                                 Acrobata da Dor


                                 Gargalha, ri, num riso de tormenta,

                                 como um palhaço, que desengonçado,

                                 nervoso, ri, num riso absurdo, inflado

                                 de uma ironia e de uma dor violenta.


                                 Da gargalhada atroz, sanguinolenta,

                                 agita os guizos, e convulsionado

                                 Salta, gavroche, salta clown, varado

                                 pelo estertor dessa agonia lenta...


                                 Pedem-te bis e um bis não se despreza!

                                 Vamos! retesa os músculos, retesa,

                                 nessas macabras piruetas d’aço...


                                 E embora caias sobre o chão, fremente,

                                 afogado em teu sangue estuoso e quente,

                                 ri! Coração, tristíssimo palhaço.


                    (João da Cruz e Sousa. Obra completa. Rio de Janeiro: Editora Aguilar, 1961.)

    Cruz e Sousa utiliza o verso tradicionalmente empregado no soneto, o decassílabo de origem italiana. Aponte a alternativa cujo verso apresenta o esquema acentual 1-4-6-10:
    Escolha uma alternativa para a questão 0fa7c79d-36
  • 0FA37EB1-36

    Português

    Adjetivos
    UNESP · 2010FácilEntre para guardar nos favoritos

    Instrução: A  questão  toma  por base o soneto Acrobata da dor, do poeta simbolista brasileiro Cruz e Sousa (1861-1898):


                                                 Acrobata da Dor


                                 Gargalha, ri, num riso de tormenta,

                                 como um palhaço, que desengonçado,

                                 nervoso, ri, num riso absurdo, inflado

                                 de uma ironia e de uma dor violenta.


                                 Da gargalhada atroz, sanguinolenta,

                                 agita os guizos, e convulsionado

                                 Salta, gavroche, salta clown, varado

                                 pelo estertor dessa agonia lenta...


                                 Pedem-te bis e um bis não se despreza!

                                 Vamos! retesa os músculos, retesa,

                                 nessas macabras piruetas d’aço...


                                 E embora caias sobre o chão, fremente,

                                 afogado em teu sangue estuoso e quente,

                                 ri! Coração, tristíssimo palhaço.


                    (João da Cruz e Sousa. Obra completa. Rio de Janeiro: Editora Aguilar, 1961.)

    O soneto Acrobata da dor revela, entre outras, uma das características notáveis do estilo poético de Cruz e Sousa, que é a grande presença de adjetivos, colocados antes ou após os substantivos a que se referem. Observe estes cinco exemplos retirados do texto:


    I. Riso absurdo.


    II. Gargalhada atroz.


    III. Agonia lenta.


    IV. Macabras piruetas.


    V. Tristíssimo palhaço.


    Aponte os dois exemplos em que o adjetivo precede o substantivo:

    Escolha uma alternativa para a questão 0fa37eb1-36
  • 0F9E8D46-36

    Português

    Sintaxe
    UNESP · 2010FácilEntre para guardar nos favoritos

    Instrução: A  questão  toma  por base uma passagem do livro Palhaços, do docente e pesquisador da UNESP Mario Fernando Bolognesi:


          [...] O circo é a exposição do corpo humano em seus limites biológico e social. O espetáculo fundamenta-se na relação do homem com a natureza, expondo a dominação e a superação humanas. O adestramento de feras é demonstração do controle do homem sobre o mundo natural, confirmando, assim, a sua superioridade sobre as demais espécies animais. Acrobacias, malabarismos, equilibrismos e ilusionismos diversos deixam evidente a capacidade humana de superação de seus próprios limites. Mas, ao apresentar espetacularmente a superação, terminam por confirmar a contingência natural da existência, expressa na sublimidade do corpo altivo, distante do cotidiano.

          Os riscos dos artistas circenses são reais, dentro do contexto espetaculoso de cada função. No espetáculo, os artistas não apresentam “interioridades”; eles são puro corpo exteriorizado, sublime ou grotesco, que se realiza e se extingue na dimensão mesma do seu gesto. Eles não são atores a interpretar um “outro”, uma realidade externa e distante. O espetáculo, assim, se aproxima de um ritual que se repete e que evidencia a possibilidade concreta de fracasso. A emoção da plateia então oscila entre uma possível frustração diante do malogro do acrobata e a sugestão de superação de limites presente a cada número. Um trapezista pode cair, como acontece vez ou outra. Por isso o público não afasta o olhar das evoluções aéreas. Estabelece-se, assim, uma relação ritualística que encontra eco, em última instância, nas estruturas coletivas de sobrevivência e necessidade de transposição dos percalços do cotidiano. Se o artista falha, ele é aplaudido porque ao menos tentou. Ele ousou, e isso já é o bastante para impulsionar a fantasia coletiva da superação.

          Os números cômicos, por sua vez, ao explorar os estereótipos e situações extremas, evidenciam os limites psicológicos e sociais do existir. Eles trabalham, no plano simbólico, com tipos que não deixam de ser máscaras sociais biologicamente determinadas (os palhaços são desajeitados, lerdos, fisicamente deformados, estúpidos etc.). Esses limites se revelam com o riso espontâneo que escancara as estreitas fronteiras do social. Quando os palhaços entram no picadeiro, o olhar espetaculoso se desloca objetivamente para a realidade diária da plateia.

          [...]

       [...] O movimento de superação da natureza e a possibilidade (quando não a capacidade) de subjugar as limitações biológicas e de criticar as máscaras sociais garantem a legitimidade do exercício do sonho. Está aberto, no espetáculo de circo, o terreno da utopia.


                        (Mario Fernando Bolognesi. Palhaços. São Paulo: Editora da Unesp, 2003.)

    Está aberto, no espetáculo de circo, o terreno da utopia.


    Na oração, “o terreno da utopia” exerce a função sintática de:

    Escolha uma alternativa para a questão 0f9e8d46-36
  • 0F9A5013-36

    Português

    Interpretação de Textos
    UNESP · 2010DifícilEntre para guardar nos favoritos

    Instrução: A  questão  toma  por base uma passagem do livro Palhaços, do docente e pesquisador da UNESP Mario Fernando Bolognesi:


          [...] O circo é a exposição do corpo humano em seus limites biológico e social. O espetáculo fundamenta-se na relação do homem com a natureza, expondo a dominação e a superação humanas. O adestramento de feras é demonstração do controle do homem sobre o mundo natural, confirmando, assim, a sua superioridade sobre as demais espécies animais. Acrobacias, malabarismos, equilibrismos e ilusionismos diversos deixam evidente a capacidade humana de superação de seus próprios limites. Mas, ao apresentar espetacularmente a superação, terminam por confirmar a contingência natural da existência, expressa na sublimidade do corpo altivo, distante do cotidiano.

          Os riscos dos artistas circenses são reais, dentro do contexto espetaculoso de cada função. No espetáculo, os artistas não apresentam “interioridades”; eles são puro corpo exteriorizado, sublime ou grotesco, que se realiza e se extingue na dimensão mesma do seu gesto. Eles não são atores a interpretar um “outro”, uma realidade externa e distante. O espetáculo, assim, se aproxima de um ritual que se repete e que evidencia a possibilidade concreta de fracasso. A emoção da plateia então oscila entre uma possível frustração diante do malogro do acrobata e a sugestão de superação de limites presente a cada número. Um trapezista pode cair, como acontece vez ou outra. Por isso o público não afasta o olhar das evoluções aéreas. Estabelece-se, assim, uma relação ritualística que encontra eco, em última instância, nas estruturas coletivas de sobrevivência e necessidade de transposição dos percalços do cotidiano. Se o artista falha, ele é aplaudido porque ao menos tentou. Ele ousou, e isso já é o bastante para impulsionar a fantasia coletiva da superação.

          Os números cômicos, por sua vez, ao explorar os estereótipos e situações extremas, evidenciam os limites psicológicos e sociais do existir. Eles trabalham, no plano simbólico, com tipos que não deixam de ser máscaras sociais biologicamente determinadas (os palhaços são desajeitados, lerdos, fisicamente deformados, estúpidos etc.). Esses limites se revelam com o riso espontâneo que escancara as estreitas fronteiras do social. Quando os palhaços entram no picadeiro, o olhar espetaculoso se desloca objetivamente para a realidade diária da plateia.

          [...]

       [...] O movimento de superação da natureza e a possibilidade (quando não a capacidade) de subjugar as limitações biológicas e de criticar as máscaras sociais garantem a legitimidade do exercício do sonho. Está aberto, no espetáculo de circo, o terreno da utopia.


                        (Mario Fernando Bolognesi. Palhaços. São Paulo: Editora da Unesp, 2003.)

    No segundo parágrafo do fragmento, foram utilizados pelo autor os termos:


    I. Ritual.


    II. Fracasso.


    III. Malogro.


    IV. Fantasia.


    Marque a alternativa que indica, entre os termos acima, todos aqueles que o autor associa à ideia de frustração da expectativa do público:

    Escolha uma alternativa para a questão 0f9a5013-36
  • 0F964062-36

    Português

    Interpretação de Textos
    UNESP · 2010FácilEntre para guardar nos favoritos

    Instrução: A  questão  toma  por base uma passagem do livro Palhaços, do docente e pesquisador da UNESP Mario Fernando Bolognesi:


          [...] O circo é a exposição do corpo humano em seus limites biológico e social. O espetáculo fundamenta-se na relação do homem com a natureza, expondo a dominação e a superação humanas. O adestramento de feras é demonstração do controle do homem sobre o mundo natural, confirmando, assim, a sua superioridade sobre as demais espécies animais. Acrobacias, malabarismos, equilibrismos e ilusionismos diversos deixam evidente a capacidade humana de superação de seus próprios limites. Mas, ao apresentar espetacularmente a superação, terminam por confirmar a contingência natural da existência, expressa na sublimidade do corpo altivo, distante do cotidiano.

          Os riscos dos artistas circenses são reais, dentro do contexto espetaculoso de cada função. No espetáculo, os artistas não apresentam “interioridades”; eles são puro corpo exteriorizado, sublime ou grotesco, que se realiza e se extingue na dimensão mesma do seu gesto. Eles não são atores a interpretar um “outro”, uma realidade externa e distante. O espetáculo, assim, se aproxima de um ritual que se repete e que evidencia a possibilidade concreta de fracasso. A emoção da plateia então oscila entre uma possível frustração diante do malogro do acrobata e a sugestão de superação de limites presente a cada número. Um trapezista pode cair, como acontece vez ou outra. Por isso o público não afasta o olhar das evoluções aéreas. Estabelece-se, assim, uma relação ritualística que encontra eco, em última instância, nas estruturas coletivas de sobrevivência e necessidade de transposição dos percalços do cotidiano. Se o artista falha, ele é aplaudido porque ao menos tentou. Ele ousou, e isso já é o bastante para impulsionar a fantasia coletiva da superação.

          Os números cômicos, por sua vez, ao explorar os estereótipos e situações extremas, evidenciam os limites psicológicos e sociais do existir. Eles trabalham, no plano simbólico, com tipos que não deixam de ser máscaras sociais biologicamente determinadas (os palhaços são desajeitados, lerdos, fisicamente deformados, estúpidos etc.). Esses limites se revelam com o riso espontâneo que escancara as estreitas fronteiras do social. Quando os palhaços entram no picadeiro, o olhar espetaculoso se desloca objetivamente para a realidade diária da plateia.

          [...]

       [...] O movimento de superação da natureza e a possibilidade (quando não a capacidade) de subjugar as limitações biológicas e de criticar as máscaras sociais garantem a legitimidade do exercício do sonho. Está aberto, no espetáculo de circo, o terreno da utopia.


                        (Mario Fernando Bolognesi. Palhaços. São Paulo: Editora da Unesp, 2003.)

    Pelo que se depreende do posicionamento assumido pelo autor em todo o fragmento, o emprego da palavra utopia, no final,
    Escolha uma alternativa para a questão 0f964062-36
  • 0F8C9399-36

    Português

    Interpretação de Textos
    UNESP · 2010DifícilEntre para guardar nos favoritos

    Instrução: A  questão  toma  por base uma passagem do livro Palhaços, do docente e pesquisador da UNESP Mario Fernando Bolognesi:


          [...] O circo é a exposição do corpo humano em seus limites biológico e social. O espetáculo fundamenta-se na relação do homem com a natureza, expondo a dominação e a superação humanas. O adestramento de feras é demonstração do controle do homem sobre o mundo natural, confirmando, assim, a sua superioridade sobre as demais espécies animais. Acrobacias, malabarismos, equilibrismos e ilusionismos diversos deixam evidente a capacidade humana de superação de seus próprios limites. Mas, ao apresentar espetacularmente a superação, terminam por confirmar a contingência natural da existência, expressa na sublimidade do corpo altivo, distante do cotidiano.

          Os riscos dos artistas circenses são reais, dentro do contexto espetaculoso de cada função. No espetáculo, os artistas não apresentam “interioridades”; eles são puro corpo exteriorizado, sublime ou grotesco, que se realiza e se extingue na dimensão mesma do seu gesto. Eles não são atores a interpretar um “outro”, uma realidade externa e distante. O espetáculo, assim, se aproxima de um ritual que se repete e que evidencia a possibilidade concreta de fracasso. A emoção da plateia então oscila entre uma possível frustração diante do malogro do acrobata e a sugestão de superação de limites presente a cada número. Um trapezista pode cair, como acontece vez ou outra. Por isso o público não afasta o olhar das evoluções aéreas. Estabelece-se, assim, uma relação ritualística que encontra eco, em última instância, nas estruturas coletivas de sobrevivência e necessidade de transposição dos percalços do cotidiano. Se o artista falha, ele é aplaudido porque ao menos tentou. Ele ousou, e isso já é o bastante para impulsionar a fantasia coletiva da superação.

          Os números cômicos, por sua vez, ao explorar os estereótipos e situações extremas, evidenciam os limites psicológicos e sociais do existir. Eles trabalham, no plano simbólico, com tipos que não deixam de ser máscaras sociais biologicamente determinadas (os palhaços são desajeitados, lerdos, fisicamente deformados, estúpidos etc.). Esses limites se revelam com o riso espontâneo que escancara as estreitas fronteiras do social. Quando os palhaços entram no picadeiro, o olhar espetaculoso se desloca objetivamente para a realidade diária da plateia.

          [...]

       [...] O movimento de superação da natureza e a possibilidade (quando não a capacidade) de subjugar as limitações biológicas e de criticar as máscaras sociais garantem a legitimidade do exercício do sonho. Está aberto, no espetáculo de circo, o terreno da utopia.


                        (Mario Fernando Bolognesi. Palhaços. São Paulo: Editora da Unesp, 2003.)

    Mas, ao apresentar espetacularmente a superação, terminam por confirmar a contingência natural da existência, expressa na sublimidade do corpo altivo, distante do cotidiano.


    Examine as quatro afirmações seguintes:


    I. Os feitos dos artistas circenses superam a limitação física do homem.


    II. Os artistas do circo são homens comuns e fazem o mesmo que os homens comuns.


    III. A superação das limitações físicas pelos artistas circenses acaba comprovando essas mesmas limitações nas pessoas comuns.


    IV. O homem comum se sente humilhado ante os feitos espetaculares dos artistas circenses.


    Marque a alternativa que aponta todas as afirmações coincidentes com a opinião manifestada pelo autor no trecho mencionado:

    Escolha uma alternativa para a questão 0f8c9399-36
  • 0F73FC6E-36

    Português

    Interpretação de Textos
    UNESP · 2010DifícilEntre para guardar nos favoritos

    Instrução: A  questão  toma  por base o seguinte fragmento do livro Reflexões sobre a linguagem, de Noam Chomsky (1928-):


    Por que estudar a linguagem? Há muitas respostas possíveis e, ao focalizar algumas delas, não pretendo, é claro, depreciar outras ou questionar sua legitimidade. Algumas pessoas, por exemplo, podem simplesmente achar os elementos da linguagem fascinantes em si mesmos e querer descobrir sua ordem e combinação, sua origem na história ou no indivíduo, ou os modos de sua utilização no pensamento, na ciência ou na arte, ou no intercurso social normal. Uma das razões para estudar a linguagem – e para mim, pessoalmente, a mais premente delas – é a possibilidade instigante de ver a linguagem como “um espelho do espírito”, como diz a expressão tradicional. Com isto não quero apenas dizer que os conceitos expressados e as distinções desenvolvidas no uso normal da linguagem nos revelam os modelos do pensamento e o universo do “senso comum” construídos pela mente humana. Mais intrigante ainda, pelo menos para mim, é a possibilidade de descobrir, através do estudo da linguagem, princípios abstratos que governam sua estrutura e uso, princípios que são universais por necessidade biológica e não por simples acidente histórico, e que decorrem de características mentais da espécie. Uma língua humana é um sistema de notável complexidade. Chegar a conhecer uma língua humana seria um feito intelectual extraordinário para uma criatura não especificamente dotada para realizar esta tarefa. Uma criança normal adquire esse conhecimento expondo-se relativamente pouco e sem treinamento específico. Ela consegue, então, quase sem esforço, fazer uso de uma estrutura intrincada de regras específicas e princípios reguladores para transmitir seus pensamentos e sentimentos aos outros, provocando nestes ideias novas, percepções e juízos sutis.


                             (Noam Chomsky. Reflexões sobre a linguagem. Trad. Carlos Vogt.

                                                                                   São Paulo: Editora Cultrix, 1980.)

    No início do fragmento, Chomsky afirma que há muitos motivos para estudar a linguagem e aponta alguns deles. Releia o fragmento e, a seguir, assinale a única alternativa que contém um objetivo de estudo da linguagem não mencionado pelo autor:
    Escolha uma alternativa para a questão 0f73fc6e-36
  • B7FC987E-13

    Espanhol

    Interpretação de Texto | Comprensión de Lectura
    PUC - RS · 2010DifícilEntre para guardar nos favoritos

    Imagem da questão de Espanhol, da prova de 2010

    INSTRUCCIÓN: Responder a la cuestión en base a los dos textos y a las afirmativas presentadasabajo.
    I. El texto 1 comenta una festividad y el texto 2 incluye una cita.
    II. Los dos textos se valen de números romanos en las explicaciones dadas.
    III. El texto 1 resalta las cualidades de un idioma y el texto 2 detalla diversas metas e intenciones.
    IV. El texto 1 analiza la trayectoria del español y el texto 2 rechaza tecnologías fuera de uso.

    El análisis de las afirmativas permite concluir que están correctas solamente
    Escolha uma alternativa para a questão b7fc987e-13
  • B7FC5184-13

    Espanhol

    Conjunções | Conjunciones
    PUC - RS · 2010DifícilEntre para guardar nos favoritos

    Imagem da questão de Espanhol, da prova de 2010

    Las palabras que rellenan correctamente los huecos de las líneas 26 y 27 son, respectivamente,
    Escolha uma alternativa para a questão b7fc5184-13
  • B7FC097F-13

    Espanhol

    Significação Contextual de Palavras e Expressões | Significacción Contextual de Palabras y Expresiones
    PUC - RS · 2010MédioEntre para guardar nos favoritos

    Imagem da questão de Espanhol, da prova de 2010

    Las palabras “efeméride" (línea 16) y “sino" (línea 32),pueden ser traducidas al portugués, respectivamente, por
    Escolha uma alternativa para a questão b7fc097f-13
  • B7FB700E-13

    Espanhol

    Interpretação de Texto | Comprensión de Lectura
    PUC - RS · 2010DifícilEntre para guardar nos favoritos

    Imagem da questão de Espanhol, da prova de 2010

    El autor del texto se propone
    Escolha uma alternativa para a questão b7fb700e-13
  • B7FB2338-13

    Espanhol

    Numerais | Numerales
    PUC - RS · 2010DifícilEntre para guardar nos favoritos

    Imagem da questão de Espanhol, da prova de 2010

    La redacción correcta de los números 450 (línea 03) y 21 (línea 04) es, respectivamente:


    Escolha uma alternativa para a questão b7fb2338-13
  • B7FAD61D-13

    Espanhol

    Verbos | Verbos
    PUC - RS · 2010DifícilEntre para guardar nos favoritos

    Imagem da questão de Espanhol, da prova de 2010

    Los verbos que tienen el mismo tipo de irregularidad que “sirve" (línea 19), en el Presente del Indicativo, se encuentra en la alternativa
    Escolha uma alternativa para a questão b7fad61d-13
  • B7FA3095-13

    Espanhol

    Sinônimos | Sinónimo
    PUC - RS · 2010MédioEntre para guardar nos favoritos

    Imagem da questão de Espanhol, da prova de 2010

    De acuerdo con el texto, sinónimos de las palabras “rincones" (que consta en el título) y “añoranza" (línea 11), son, respectivamente,
    Escolha uma alternativa para a questão b7fa3095-13
  • 00F62CCD-E4

    Português

    Interpretação de Textos
    UFGD · 2010DifícilEntre para guardar nos favoritos
    Leia os trechos a seguir, retirados do romance Ensaio sobre a cegueira, de José Saramago, publicado pela Editora Caminho em 1998.

    I. "A culpa foi minha, chorava ela, e era verdade, não se podia negar, mas também é certo, se isso lhe serve de consolação, que se antes de cada acto nosso nos puséssemos a prever todas as conseqüências dele, a pensar nelas a sério, primeiro as imediatas, depois as prováveis, depois as possíveis, depois as imagináveis, não chegaríamos sequer a mover-nos de onde o primeiro pensamento nos tivesse feito parar. Os bons e os maus resultados dos nossos ditos e obras vão-se distribuindo, supõe-se que de uma forma bastante uniforme e equilibrada, por todos os dias do futuro" (p. 68).

    II. "Pela primeira vez, desde que aqui entrara, a mulher do médico sentiu-se como se estivesse por trás de um microscópio a observar o comportamento de uns seres que não podiam nem sequer suspeitar da sua presença, e isto pareceu- lhe subitamente indigno, obsceno, Não tenho o direito de olhar se os outros não me podem olhar a mim, pensou. Com a mão trémula, a rapariga punha algumas gotas do seu colírio. Assim sempre poderia dizer que não eram lágrimas o que lhe estava escorrendo dos olhos" (p. 71).

    III. "(...) tão longe estamos do mundo que não tarda que comecemos a não saber quem somos, nem nos lembramos sequer de dizer-nos como nos chamamos, e para quê, para que iriam servir-nos os nomes, nenhum cão reconhece outro cão, ou se lhe dá a conhecer, pelos nomes que lhes foram postos, é pelo cheiro que identifica e se dá a identificar, nós aqui somos como uma outra raça de cães, conhecemo-nos pelo ladrar, pelo falar, o resto, feições, cor dos olhos, da pele, do cabelo, não conta, é como se não existisse" (p. 64).

    Considerando o que foi afirmado, assinale a alternativa correta.
    Escolha uma alternativa para a questão 00f62ccd-e4
  • FFEFFF01-E4

    Português

    Interpretação de Textos
    UFGD · 2010MédioEntre para guardar nos favoritos
    Leia os seguintes trechos de Terra sonâmbula, de Mia Couto, publicado pela Editora Caminho em 1992.

    I. "Quero pôr os tempos, em sua mansa ordem, conforme esperas e sofrências. Mas as lembranças desobedecem, entre a vontade de serem nada e o gosto de me roubarem do presente. Acendo a estória, me apago a mim. No fim destes escritos, serei de novo uma sombra sem voz"(p. 15).

    II. "Deixei o caminho antigo da casa, olhei a paisagem, o paciente verde. Meus olhos derretiam aquelas visões, fosse para guardar o passado em navegáveis águas. Era noite quando a canoa desatou o caminho. O escuro me fechava, apagando os lugares que foram meus. Sem que eu soubesse começava uma viagem que iria matar certezas da minha infância" (p.34).

    A propósito desses fragmentos, assinale a alternativa correta.
    Escolha uma alternativa para a questão ffefff01-e4