Questões de Literatura do ENEM
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1FC3FD33-89 Meu rosto se mistura com o diaNuvens telhados ramagens e DezembroApaixonada estou dentro do tempoQue me abriga com canto e com imagensTão abrigada estou dentro da horaQue nem lamento já a tarde antigaTudo se torna presente e se demoraSerá que o dia me pede que eu o diga?ANDRESEN, S. de M. B. Coral e outros poemas. São Paulo: Companhia das Letras, 2018. p. 185.No poema Dia, o sujeito poético de Sophia de Mello Breyner Andresen1FC1396D-89 Literatura
EstilísticaUFU-MG · 2026Entre para guardar nos favoritos
LEMBREI de nós. Intérpretes: João Gomes; Mestrinho; Jota.pê. Compositores: Kaique Carneiro; Kinho Compositor; Luizinho Compositor; Rian Luca. In: DOMINGUINHO [S. l.: s. n.], 2025. 1 recurso sonoro em linha, faixa 1.
Assinale a alternativa que descreve corretamente o efeito das rimas e repetições na letra da canção Lembrei de nós, interpretada por João Gomes, Mestrinho e Jota.pê.
1FBBAA98-89 Literatura
Classificação dos Gêneros LiteráriosUFU-MG · 2026FácilEntre para guardar nos favoritosEu vou contar uma históriaDe um pavão misteriosoQue levantou vôo na GréciaCom um rapaz corajosoRaptando uma condessaFilha de um conde orgulhoso.REZENDE, J. C. M. O romance do pavão misterioso. Fortaleza: Academia Brasileira de Cordel; Tupynanquim Editora, 2011.Os versos correspondem à primeira estrofe de O romance do pavão misterioso, um dos cordéis mais influentes do século XX. Considerando a importância do cordel para a literatura e a cultura brasileira, analise as asserções.I. “Raptando uma condessa/filha de um conde orgulhoso” evidencia que os cordéis tratam exclusivamente de conflitos da elite europeia, descendente de nobres, afastando-se de temas populares ou do cotidiano sertanejo.II. A estrofe apresenta uma característica presente na maioria dos cordéis: uma estrutura fixa em sextilha, cuja métrica e esquema de rimas favorecem a musicalidade e a oralização próprias da poesia popular.III. A influência do cordel em outras manifestações artísticas evidencia sua forte presença na cultura brasileira; o folheto O romance do pavão misterioso, por exemplo, inspirou a canção Pavão mysteriozo, composta por Ednardo em 1974.IV. O espaço citado na estrofe, Grécia, um país europeu, caracteriza a maior parte dos cordéis brasileiros, que tradicionalmente privilegiam figuras mitológicas em detrimento de ambientações nordestinas.Assinale a alternativa que apresenta apenas asserções corretas.1FB09357-89 Literatura
EstilísticaUFU-MG · 2026Muito fácilEntre para guardar nos favoritosQuando morei na Lapa, um dia que atravessava o passeio público, ouvi que me chamavam: “Manuel!” Olhei para trás, havia uns vagos sujeitos nos bancos, nenhum veio ter comigo, continuei o meu caminho. Soube muito tempo depois que quem me tinha chamado havia sido ninguém menos do que Mario Quintana, o meu querido e admirado, lido e relido poeta gaúcho Mario Quintana, que nunca tivera a fortuna de “avistar” e não conhecia nem de fotografia. [...]"Sapato Florido". Uma história em três linhas. "Uma formiguinha atravessa, em diagonal, a página ainda em branco. Mas ele, aquela noite, não escreveu nada. Para quê? Se por ali já havia passado o frêmito e o mistério da vida…" A poesia, para Quintana, é isso: o frêmito e o mistério da vida. Em todos os quintanares se sente que passou a formiguinha.Já transcrevi duas coisas do "Sapato Florido". Poderia transcrever muitas outras, quase todas. É o livro de Quintana em que talvez haja mais o "humour" quintanesco, tão impregnado de ternura, de "far niente", de pueris milagres.Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/folha-105-anos/2025/11/manuel-bandeira-escreveu-sobre-a-obra-e-a-timidez-de-marioquintana.shtml. Acesso em: 28 nov. 2025.Sobre as expressões em negrito no texto, assinale a alternativa correta.C18FCE23-6F Literatura
Escolas LiteráriasUECE · 2026Entre para guardar nos favoritosO texto, a seguir, é parte da obra Os sertões, de Euclides da Cunha, publicado em 1902, intitulada “A terra”. A obra é resultado da cobertura jornalística da Guerra de Canudos, realizada entre agosto e outubro de 1897, para o jornal O Estado de S.Paulo.TEXTO IIA terra
CUNHA, Euclides da. Os Sertões. Rio de Janeiro: Ediouro, 2003.Os sertões, de Euclides da Cunha, é a obra que inaugura o Pré-modernismo brasileiro (1902-1922). Esse período da literatura é caracterizadoC18D3CB4-6F Literatura
Escolas LiteráriasUECE · 2026Entre para guardar nos favoritosO texto, a seguir, é parte da obra Os sertões, de Euclides da Cunha, publicado em 1902, intitulada “A terra”. A obra é resultado da cobertura jornalística da Guerra de Canudos, realizada entre agosto e outubro de 1897, para o jornal O Estado de S.Paulo.TEXTO IIA terra
CUNHA, Euclides da. Os Sertões. Rio de Janeiro: Ediouro, 2003.Analise as assertivas a seguir com base na obra Os Sertões.I. Há, na obra, uma representação da violenta intervenção do Estado que resulta na total dizimação da comunidade de Canudos.II. Os sertões é uma obra fortemente influenciada pelo Determinismo, uma vez que o comportamento humano resulta da influência de fatores ligados ao meio, à raça e ao momento histórico.III. Explica a capacidade de racionalização dos indivíduos ali retratados em contraponto à exposição das condições sociais e ambientais constitutivas dos povos e da história do Brasil.IV. Descreve cientificamente os personagens retratados, aproximando a postura metafísica da concepção realista observada.Estão corretas as assertivas1F627839-76 Literatura
Gênero Épico ou NarrativoUEA · 2025Entre para guardar nos favoritosLeia o trecho do romance Triste fim de Policarpo Quaresma, de Lima Barreto, para responder a questão
Ricardo agarrou o cálice com delicadeza e respeito, levou-o aos lábios e foi como se todo ele bebesse o licor nacional.
— Está bom, hein?— indagou o major.
— Magnífico — fez Ricardo, estalando os lábios.
— É de Angra. Agora tu vais ver que magnífico vinho do Rio Grande temos… Qual Borgonha! Qual Bordeaux! Temos no Sul muito melhores…
E o jantar correu assim, nesse tom. Quaresma exaltando os produtos nacionais: a banha, o toucinho e o arroz; a irmã fazia pequenas objeções e Ricardo dizia: “É, é, não há dúvida” — rolando nas órbitas os olhos pequenos, franzindo a testa diminuta que se sumia no cabelo áspero, forçando muito a sua fisionomia miúda e dura a adquirir uma expressão sincera de delicadeza e satisfação.
Acabado o jantar foram ver o jardim. Era uma maravilha; não tinha nem uma flor… Certamente não se podia tomar por tal míseros beijos-de-frade, palmas-de-santa-rita, quaresmas lutulentas1 , manacás melancólicos e outros belos exemplares dos nossos campos e prados. Como em tudo o mais, o major era em jardinagem essencialmente nacional. Nada de rosas, de crisântemos, de magnólias — flores exóticas; as nossas terras tinham outras mais belas, mais expressivas, mais olentes2 , como aquelas que ele tinha ali.
Ricardo ainda uma vez concordou e os dois entraram na sala, quando o crepúsculo vinha devagar, muito vagaroso e lento, como se fosse um longo adeus saudoso do sol ao deixar a terra, pondo nas coisas a sua poesia dolente3 e a sua deliquescência4 .
Mal foi aceso o gás, o mestre de violão empunhou o instrumento, apertou as cravelhas, correu a escala, abaixando-se sobre ele como se o quisesse beijar. Tirou alguns acordes, para experimentar; e dirigiu-se ao discípulo, que já tinha o seu em posição:
— Vamos ver. Tire a escala, major.
(Triste fim de Policarpo Quaresma, 2010.)
1 lutulento: lamacento, lodoso.
2 olente: cheiroso, perfumado.
3 dolente: lamentosa, queixosa.
4 deliquescência: propriedade que certas substâncias têm de extrair água.
Uma característica do personagem Policarpo Quaresma que o acompanha ao longo de todo o romance e que está presente nesse trecho é sua obsessão8E43196D-75 Literatura
ArcadismoFaculdades de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo · 2025Entre para guardar nos favoritosPara responder à questão, leia o soneto do poeta português Manuel Maria Barbosa du Bocage.
(Manuel Maria Barbosa du Bocage. Poemas escolhidos, 1974.)Um traço estilístico que afasta esse soneto do Neoclassicismo, aproximando-o da estética romântica, é8E3F19D6-75 Literatura
Gênero LíricoFaculdades de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo · 2025Entre para guardar nos favoritosPara responder à questão, leia o soneto do poeta português Manuel Maria Barbosa du Bocage.
(Manuel Maria Barbosa du Bocage. Poemas escolhidos, 1974.)De acordo com o eu lírico,8E3C1BE9-75 Literatura
Gênero LíricoFaculdades de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo · 2025Entre para guardar nos favoritosPara responder à questão, leia o soneto do poeta português Manuel Maria Barbosa du Bocage.
(Manuel Maria Barbosa du Bocage. Poemas escolhidos, 1974.)Nesse soneto, o eu lírico reflete sobre os versos que produzira na mocidade. Por essa razão, o poema assume um caráter8E2D6868-75 Literatura
Gênero Épico ou NarrativoFaculdades de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo · 2025Entre para guardar nos favoritosPara responder à questão, leia a fábula “O Corvo e a Raposa” de La Fontaine.
(Maria Celeste Consolin Dezotti (org.). A tradição da fábula: de Esopo a La Fontaine, 2018.)1 Fênix: ave fabulosa, única da espécie; capaz de viver vários séculos e renascer das próprias cinzas.A fábula permite caracterizar a raposa como52AEC43A-75 Literatura
Escolas LiteráriasFaculdades de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo · 2025Entre para guardar nos favoritosA group of poets who set a new standard of formal precision in lyric poetry from the 1860s to the 1890s, partly in reaction against the emotional extravagance of romanticism. Adopting Leconte de Lisle as their leader, they followed Theophile Gautier’s principle of art for art’s sake, sometimes championing the virtues of impersonality and of traditional verse-forms.(Chris Baldick. The Concise Oxford Dictionary of Literary Terms, 2001. Adaptado.)O texto refere-se aos poetas52A3F174-75 Literatura
EstilísticaFaculdades de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo · 2025Entre para guardar nos favoritosPara responder à questão, leia o capítulo intitulado “A borboleta preta” do romance Memórias póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis.No dia seguinte, como eu estivesse a preparar-me para descer, entrou no meu quarto uma borboleta [...]. A borboleta, depois de esvoaçar muito em torno de mim, pousou-me na testa. Sacudi-a, ela foi pousar na vidraça; e, porque eu a sacudisse de novo, saiu dali e veio parar em cima de um velho retrato de meu pai. Era negra como a noite. O gesto brando com que, uma vez posta, começou a mover as asas, tinha um certo ar escarninho, que me aborreceu muito. Dei de ombros, saí do quarto; mas tornando lá, minutos depois, e achando-a ainda no mesmo lugar, senti um repelão dos nervos, lancei mão de uma toalha, bati-lhe e ela caiu.Não caiu morta; ainda torcia o corpo e movia as farpinhas da cabeça. Apiedei-me; tomei-a na palma da mão e fui depô-la no peitoril da janela. Era tarde; a infeliz expirou dentro de alguns segundos. Fiquei um pouco aborrecido, incomodado.— Também por que diabo não era ela azul? disse comigo.E esta reflexão, — uma das mais profundas que se tem feito, desde a invenção das borboletas, — me consolou do malefício, e me reconciliou comigo mesmo. Deixei-me estar a contemplar o cadáver, com alguma simpatia, confesso. Imaginei que ela saíra do mato, almoçada e feliz. A manhã era linda. Veio por ali fora, modesta e negra, espairecendo as suas borboletices, sob a vasta cúpula de um céu azul, que é sempre azul, para todas as asas. Passa pela minha janela, entra e dá comigo. Suponho que nunca teria visto um homem; não sabia, portanto, o que era o homem; descreveu infinitas voltas em torno do meu corpo, e viu que me movia, que tinha olhos, braços, pernas, um ar divino, uma estatura colossal. Então disse consigo: “Este é provavelmente o inventor das borboletas.” A ideia subjugou-a, aterrou-a; mas o medo, que é também sugestivo, insinuou-lhe que o melhor modo de agradar ao seu criador era beijá-lo na testa, e beijou-me na testa. Quando enxotada por mim, foi pousar na vidraça, viu dali o retrato de meu pai, e não é impossível que descobrisse meia verdade, a saber, que estava ali o pai do inventor das borboletas, e voou a pedir- -lhe misericórdia.Pois um golpe de toalha rematou a aventura. Não lhe valeu a imensidade azul, nem a alegria das flores, nem a pompa das folhas verdes, contra uma toalha de rosto, dois palmos de linho cru. Vejam como é bom ser superior às borboletas! Porque, é justo dizê-lo, se ela fosse azul, ou cor de laranja, não teria mais segura a vida; não era impossível que eu a atravessasse com um alfinete, para recreio dos olhos. Não era. Esta última ideia restituiu-me a consolação; uni o dedo grande ao polegar, despedi um piparote e o cadáver caiu no jardim. Era tempo: aí vinham já as próvidas formigas… Não, volto à primeira ideia; creio que para ela era melhor ter nascido azul.(Memórias póstumas de Brás Cubas, 2001.)Um traço estilístico marcante da prosa de Machado de Assis é a inclusão do leitor na própria tessitura do texto literário, a exemplo do que ocorre02B50418-74 Literatura
Teoria LiteráriaUEA · 2025Entre para guardar nos favoritosLeia o trecho do romance Triste fim de Policarpo Quaresma, de Lima Barreto, para responder à questão.Ricardo agarrou o cálice com delicadeza e respeito, levou-o aos lábios e foi como se todo ele bebesse o licor nacional.— Está bom, hein?— indagou o major.— Magnífico— fez Ricardo, estalando os lábios. — É de Angra. Agora tu vais ver que magnífico vinho do Rio Grande temos… Qual Borgonha! Qual Bordeaux! Temos no Sul muito melhores…E o jantar correu assim, nesse tom. Quaresma exaltando os produtos nacionais: a banha, o toucinho e o arroz; a irmã fazia pequenas objeções e Ricardo dizia: “É, é, não há dúvida” — rolando nas órbitas os olhos pequenos, franzindo a testa diminuta que se sumia no cabelo áspero, forçando muito a sua fisionomia miúda e dura a adquirir uma expressão sincera de delicadeza e satisfação.Acabado o jantar foram ver o jardim. Era uma maravilha; não tinha nem uma flor… Certamente não se podia tomar por tal míseros beijos-de-frade, palmas-de-santa-rita, quaresmas lutulentas1 , manacás melancólicos e outros belos exemplares dos nossos campos e prados. Como em tudo o mais, o major era em jardinagem essencialmente nacional. Nada de rosas, de crisântemos, de magnólias — flores exóticas; as nossas terras tinham outras mais belas, mais expressivas, mais olentes2 , como aquelas que ele tinha ali.Ricardo ainda uma vez concordou e os dois entraram na sala, quando o crepúsculo vinha devagar, muito vagaroso e lento, como se fosse um longo adeus saudoso do sol ao deixar a terra, pondo nas coisas a sua poesia dolente3 e a sua deliquescência4.Mal foi aceso o gás, o mestre de violão empunhou o instrumento, apertou as cravelhas, correu a escala, abaixando-se sobre ele como se o quisesse beijar. Tirou alguns acordes, para experimentar; e dirigiu-se ao discípulo, que já tinha o seu em posição:— Vamos ver. Tire a escala, major.(Triste fim de Policarpo Quaresma, 2010.)1 lutulento: lamacento, lodoso.2 olente: cheiroso, perfumado.3 dolente: lamentosa, queixosa.4 deliquescência: propriedade que certas substâncias têm de extrair água.O narrador do romance manifesta-se ironicamente, em tom jocoso, em:E55EA4B6-74 Literatura
Teoria LiteráriaUEA · 2025Entre para guardar nos favoritosLeia o trecho a seguir, retirado do romance Macunaíma, de Mário de Andrade, para responder à questão.Uma feita a Sol cobrira os três manos duma escaminha de suor e Macunaíma se lembrou de tomar banho. Porém no rio era impossível por causa das piranhas tão vorazes que de quando em quando, na luta pra pegar um naco de irmã espedaçada, pulavam aos cachos pra fora d’água metro e mais. Então Macunaíma enxergou numa lapa bem no meio do rio uma cova cheia d’água. E a cova era que nem a marca dum pé gigante. Abicaram. O herói depois de muitos gritos por causa do frio da água entrou na cova e se lavou inteirinho. Mas a água era encantada porque aquele buraco na lapa era marca do pezão do Sumé, do tempo em que andava pregando o evangelho de Jesus pra indiada brasileira. Quando o herói saiu do banho estava branco loiro e de olhos azuizinhos, água lavara o pretume dele. E ninguém não seria capaz mais de indicar nele um filho da tribo retinta dos Tapanhumas.Nem bem Jiguê percebeu o milagre, se atirou na marca do pezão do Sumé. Porém a água já estava muito suja da negrura do herói e por mais que Jiguê esfregasse feito maluco atirando água pra todos os lados só conseguiu ficar da cor do bronze novo. Macunaíma teve dó e consolou:— Olhe, mano Jiguê, branco você ficou não, porém pretume foi-se e antes fanhoso que sem nariz.(Macunaíma, 2013.)O episódio narrado neste trecho exemplifica uma característica marcante da personagem Macunaíma:D19AD559-74 Literatura
Gênero Épico ou NarrativoUEA · 2025FácilEntre para guardar nos favoritosLeia o trecho do romance Triste fim de Policarpo Quaresma, de Lima Barreto, para responder a questão
Ricardo agarrou o cálice com delicadeza e respeito, levou-o aos lábios e foi como se todo ele bebesse o licor nacional.
— Está bom, hein?— indagou o major.
— Magnífico — fez Ricardo, estalando os lábios.
— É de Angra. Agora tu vais ver que magnífico vinho do Rio Grande temos… Qual Borgonha! Qual Bordeaux! Temos no Sul muito melhores…
E o jantar correu assim, nesse tom. Quaresma exaltando os produtos nacionais: a banha, o toucinho e o arroz; a irmã fazia pequenas objeções e Ricardo dizia: “É, é, não há dúvida” — rolando nas órbitas os olhos pequenos, franzindo a testa diminuta que se sumia no cabelo áspero, forçando muito a sua fisionomia miúda e dura a adquirir uma expressão sincera de delicadeza e satisfação.
Acabado o jantar foram ver o jardim. Era uma maravilha; não tinha nem uma flor… Certamente não se podia tomar por tal míseros beijos-de-frade, palmas-de-santa-rita, quaresmas lutulentas1 , manacás melancólicos e outros belos exemplares dos nossos campos e prados. Como em tudo o mais, o major era em jardinagem essencialmente nacional. Nada de rosas, de crisântemos, de magnólias — flores exóticas; as nossas terras tinham outras mais belas, mais expressivas, mais olentes2 , como aquelas que ele tinha ali.
Ricardo ainda uma vez concordou e os dois entraram na sala, quando o crepúsculo vinha devagar, muito vagaroso e lento, como se fosse um longo adeus saudoso do sol ao deixar a terra, pondo nas coisas a sua poesia dolente3 e a sua deliquescência4 .
Mal foi aceso o gás, o mestre de violão empunhou o instrumento, apertou as cravelhas, correu a escala, abaixando-se sobre ele como se o quisesse beijar. Tirou alguns acordes, para experimentar; e dirigiu-se ao discípulo, que já tinha o seu em posição:
— Vamos ver. Tire a escala, major.
(Triste fim de Policarpo Quaresma, 2010.)
Uma característica do personagem Policarpo Quaresma que o acompanha ao longo de todo o romance e que está presente nesse trecho é sua obsessãoFD30524A-74 Literatura
Escolas LiteráriasFaculdade de Medicina de São José do Rio Preto · 2025Entre para guardar nos favoritosPara responder à questão, leia o soneto “Tortura”, da poeta portuguesa Florbela Espanca (1894-1930).Tirar dentro do peito a Emoção,A lúcida Verdade, o Sentimento!— E ser, depois de vir do coração,Um punhado de cinza esparso ao vento!...um verso de alto pensamento,E puro como um ritmo de oração!— E ser, depois de vir do coração,O pó, o nada, o sonho dum momento...São assim ocos, rudes, os meus versos:Rimas perdidas, vendavais dispersos,Com que eu iludo os outros, com que minto!Quem me dera encontrar o verso puro,O verso altivo e forte, estranho e duro,Que dissesse, a chorar, isto que sinto!!(Florbela Espanca. Sonetos, 2025.)Contemporânea dos poetas portugueses Fernando Pessoa e Mário de Sá-Carneiro, Florbela Espanca não se filiou a nenhuma escola literária e sua poesia é considerada de difícil classificação. Considerando os aspectos formais (gênero poético adotado, métrica empregada e esquema de rimas), o soneto de Florbela Espanca aproxima-se doF63D46E9-6E Literatura
Gêneros LiteráriosUFRGS · 2025Entre para guardar nos favoritosLuis Fernando Verissimo criou diversos personagens que se tornaram símbolos de sua obra, como Ed Mort, Analista de Bagé e Velhinha de Taubaté. Sobre esses personagens, assinale a alternativa correta.F63AB16C-6E Literatura
EstilísticaUFRGS · 2025Entre para guardar nos favoritosInstrução: Para responder a questão, leia os excertos abaixo, retirados de Mas em que mundo tu vive, de José Falero.Eu também poderia contar aqui sobre como os colegas me chamavam, na época em que trabalhei num certo supermercado: macaco branco, babuíno malpassado. Ou, então, poderia falar sobre como o pessoal da Bela Vista, onde trabalhei como porteiro, corria a guardar o celular tão logo botava os olhos em mim.Aqui na Lomba do Pinheiro existe uma lenda conhecida como C98, ou Circular Pinheiro. Esse ônibus – que dá mil e uma voltas no bairro pra depois ir morrer de cansado lá no alto do Campus do Vale –, nossa mãe!, o bicho passa quando bem entende. A coisa é tanta que as pessoas nunca sabem dizer com certeza se a linha ainda tá funcionando.– Vem cá, e o C98, que nunca mais vi, hein? Será que ainda existe aquilo?– Ué, e já existiu mesmo alguma vez? Ouvi falar desse troço aqui e ali, mas ver, ver, que é bom, nunca nem vi.Pois o troço existe mesmo. E no ano passado, quando comecei a estudar no Colégio de Aplicação, me dei conta de que o C98 era a linha que melhor me servia na ida da Pinheiro pro campus.A partir das leitura dos excertos e da leitura integral da obra Mas em que mundo tu vive, considere as seguintes afirmações.I - A obra contém textos divididos em quatro seções: “Assalariados”, “Em construção”, “Branco é a vó” e “Entre as tripas e a razão”. Nesse conjunto de crônicas, o autor se compromete em denunciar questões como as desigualdades econômica e social e o racismo estrutural.II - O projeto literário de Falero revela-se no desejo de assumir-se como voz oriunda da periferia. Tal intenção é reiterada em diferentes passagens de suas crônicas, ainda que não seja enunciada de forma literal, transparecendo tanto na escolha temática quanto na elaboração estilística de seus textos.III- O autor das crônicas constrói sua escrita de modo a recriar o ritmo da fala, sobretudo aquela própria da periferia de Porto Alegre, seu lugar de origem. Suas crônicas apresentam, frequentemente, gírias e formas de expressão que rompem com a norma culta padrão.Quais estão corretas?F6381A28-6E Literatura
Teoria LiteráriaUFRGS · 2025Entre para guardar nos favoritosInstrução: Para responder a questão, leia o excerto abaixo, retirado de A visão das plantas, de Djaimilia Pereira de Almeida.As plantas viam o jardineiro como as plantas veem. Não se sentiam agradecidas. Tratavam o seu regador à semelhança da chuva que caía sobre elas nas noites de Outono. Florescerem não era o seu meio de meterem conversa com o jardineiro, mas uma forma de acentuarem a sua indiferença à declaração de amor que ele cultivava a cada hora.Tanto lhes fazia serem cuidadas por um assassino, se eram sujas as mãos que as amparavam ou o que viera antes do amor que ele lhes dedicava.[…]Nenhuma flor lamentava a morte dos escravos que Celestino sufocara em mar alto. Os homens despejaram a cal no porão, saco a saco. Os negros viram que um pó caía sobre eles, mas não entenderam o que se passava. Os sacos de cal foram vazados no porão e a porta fechada por Celestino. Ouviram-se gemidos, pedidos de socorro e, passado algum tempo, um silêncio que apaziguou os piratas. O rapaz que lhes abrira o porão pela calada manteve-se a um canto, aturdido.Assinale com V (verdadeiro) ou F (falso) as seguintes afirmações sobre esse excerto, considerando, também, a leitura integral da obra A visão das plantas.( ) O capitão, ao contrário da indiferença das flores, se arrepende do assassinato dos escravizados.( ) O capitão busca consolo para seus crimes nas conversas com o padre Alfredo.( ) O capitão passa a ver uma “velha negra”, uma das vítimas.( ) O capitão conta para as crianças apenas as belezas de suas viagens marítimas.A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é