Questões do ENEM 2014

Questões aplicadas na prova de 2014, cada uma em página própria com enunciado, alternativas e gabarito.

Resultados

1.069 questões encontradas. Mostrando a página 31 de 54.

  • 6C7A5AA5-B1

    Português

    Interpretação de Textos
    UNIFESP · 2014MédioEntre para guardar nos favoritos

    Leia o texto para responder a questão.


        Cumpridos dez anos de prisão por um crime que não pratiquei e do qual, entanto, nunca me defendi, morto para a vida e para os sonhos: nada podendo já esperar e coisa alguma desejando – eu venho fazer enfim a minha confissão: isto é, demonstrar a minha inocência.

    Talvez não me acreditem. Decerto que não me acreditam. Mas pouco importa. O meu interesse hoje em gritar que não assassinei Ricardo de Loureiro é nulo. Não tenho família; não preciso que me reabilitem. Mesmo quem esteve dez anos preso, nunca se reabilita. A verdade simples é esta.

        E àqueles que, lendo o que fica exposto, me perguntarem: “Mas por que não fez a sua confissão quando era tempo? Por que não demonstrou a sua inocência ao tribunal?”, a esses responderei: – A minha defesa era impossível. Ninguém me acreditaria. E fora inútil fazer-me passar por um embusteiro ou por um doido… Demais, devo confessar, após os acontecimentos em que me vira envolvido nessa época, ficara tão despedaçado que a prisão se me afigurava uma coisa sorridente. Era o esquecimento, a tranquilidade, o sono. Era um fim como qualquer outro – um termo para a minha vida devastada. Toda a minha ânsia foi pois de ver o processo terminado e começar cumprindo a minha sentença.

        De resto, o meu processo foi rápido. Oh! o caso parecia bem claro… Eu nem negava nem confessava. Mas quem cala consente… E todas as simpatias estavam do meu lado.

        O crime era, como devem ter dito os jornais do tempo, um “crime passional”. Cherchez la femme*. Depois, a vítima um poeta – um artista. A mulher romantizara-se desaparecendo. Eu era um herói, no fim de contas. E um herói com seus laivos de mistério, o que mais me aureolava. Por tudo isso, independentemente do belo discurso de defesa, o júri concedeu-me circunstâncias atenuantes. E a minha pena foi curta.

        Ah! foi bem curta – sobretudo para mim… Esses dez anos esvoaram-se-me como dez meses. É que, em realidade, as horas não podem mais ter ação sobre aqueles que viveram um instante que focou toda a sua vida. Atingido o sofrimento máximo, nada já nos faz sofrer. Vibradas as sensações máximas, nada já nos fará oscilar. Simplesmente, este momento culminante raras são as criaturas que o vivem. As que o viveram ou são, como eu, os mortos-vivos, ou – apenas – os desencantados que, muita vez, acabam no suicídio.

    Cherchez la femme: Procurem a mulher. 

    (Mário de Sá-Carneiro. A confissão de Lúcio, 2011.)

    No primeiro parágrafo, afirma-se: “eu venho fazer enfim a minha confissão”. Tal confissão se materializa textualmente em
    Escolha uma alternativa para a questão 6c7a5aa5-b1
  • 6C74ABC3-B1

    Português

    Interpretação de Textos
    UNIFESP · 2014DifícilEntre para guardar nos favoritos

    Leia o texto para responder a questão.


        Cumpridos dez anos de prisão por um crime que não pratiquei e do qual, entanto, nunca me defendi, morto para a vida e para os sonhos: nada podendo já esperar e coisa alguma desejando – eu venho fazer enfim a minha confissão: isto é, demonstrar a minha inocência.

    Talvez não me acreditem. Decerto que não me acreditam. Mas pouco importa. O meu interesse hoje em gritar que não assassinei Ricardo de Loureiro é nulo. Não tenho família; não preciso que me reabilitem. Mesmo quem esteve dez anos preso, nunca se reabilita. A verdade simples é esta.

        E àqueles que, lendo o que fica exposto, me perguntarem: “Mas por que não fez a sua confissão quando era tempo? Por que não demonstrou a sua inocência ao tribunal?”, a esses responderei: – A minha defesa era impossível. Ninguém me acreditaria. E fora inútil fazer-me passar por um embusteiro ou por um doido… Demais, devo confessar, após os acontecimentos em que me vira envolvido nessa época, ficara tão despedaçado que a prisão se me afigurava uma coisa sorridente. Era o esquecimento, a tranquilidade, o sono. Era um fim como qualquer outro – um termo para a minha vida devastada. Toda a minha ânsia foi pois de ver o processo terminado e começar cumprindo a minha sentença.

        De resto, o meu processo foi rápido. Oh! o caso parecia bem claro… Eu nem negava nem confessava. Mas quem cala consente… E todas as simpatias estavam do meu lado.

        O crime era, como devem ter dito os jornais do tempo, um “crime passional”. Cherchez la femme*. Depois, a vítima um poeta – um artista. A mulher romantizara-se desaparecendo. Eu era um herói, no fim de contas. E um herói com seus laivos de mistério, o que mais me aureolava. Por tudo isso, independentemente do belo discurso de defesa, o júri concedeu-me circunstâncias atenuantes. E a minha pena foi curta.

        Ah! foi bem curta – sobretudo para mim… Esses dez anos esvoaram-se-me como dez meses. É que, em realidade, as horas não podem mais ter ação sobre aqueles que viveram um instante que focou toda a sua vida. Atingido o sofrimento máximo, nada já nos faz sofrer. Vibradas as sensações máximas, nada já nos fará oscilar. Simplesmente, este momento culminante raras são as criaturas que o vivem. As que o viveram ou são, como eu, os mortos-vivos, ou – apenas – os desencantados que, muita vez, acabam no suicídio.

    Cherchez la femme: Procurem a mulher. 

    (Mário de Sá-Carneiro. A confissão de Lúcio, 2011.)

    No texto, o narrador sugere que tinha sido condenado por um crime
    Escolha uma alternativa para a questão 6c74abc3-b1
  • 6C70DA54-B1

    Português

    Coesão e coerência
    UNIFESP · 2014MédioEntre para guardar nos favoritos

    Analise a capa de um folder de uma campanha de trânsito.

    Imagem da questão de Português, da prova de 2014

    Explicitando-se os complementos dos verbos em “Eu cuido, eu respeito.”, obtém-se, em conformidade com a norma-padrão da língua portuguesa:

    Escolha uma alternativa para a questão 6c70da54-b1
  • 6C6BE756-B1

    Português

    Estrutura das Palavras: Radical, Desinência, Prefixo e Sufixo
    UNIFESP · 2014MédioEntre para guardar nos favoritos

    Leia o texto para responder a questão.


    Você conseguiria ficar 99 dias sem o Facebook?

    Uma organização não governamental holandesa está propondo um desafio que muitos poderão considerar impossível: ficar 99 dias sem dar nem uma “olhadinha” no Facebook. O objetivo é medir o grau de felicidade dos usuários longe da rede social.

      O projeto também é uma resposta aos experimentos psicológicos realizados pelo próprio Facebook. A diferença neste caso é que o teste é completamente voluntário. Ironicamente, para poder participar, o usuário deve trocar a foto do perfil no Facebook e postar um contador na rede social.

       Os pesquisadores irão avaliar o grau de satisfação e felicidade dos participantes no 33.º dia, no 66.º e no último dia da abstinência.

       Os responsáveis apontam que os usuários do Facebook gastam em média 17 minutos por dia na rede social. Em 99 dias sem acesso, a soma média seria equivalente a mais de 28 horas, que poderiam ser utilizadas em “atividades emocionalmente mais realizadoras”.

    (http://codigofonte.uol.com.br. Adaptado.)


    Considere os enunciados a seguir para responder a questão.

    •  [...] ficar 99 dias sem dar nem uma “olhadinha” no Facebook. (1.º parágrafo)

    •  [...] que poderiam ser utilizadas em “atividades emocionalmente mais realizadoras”. (4.º parágrafo)

    Analisando-se o emprego e a estrutura das palavras “olhadinha” e “emocionalmente”, é correto afirmar que os sufixos nelas presentes indicam, respectivamente, sentido de
    Escolha uma alternativa para a questão 6c6be756-b1
  • 6C6868D7-B1

    Português

    Pontuação
    UNIFESP · 2014DifícilEntre para guardar nos favoritos

    Leia o texto para responder a questão.


    Você conseguiria ficar 99 dias sem o Facebook?

    Uma organização não governamental holandesa está propondo um desafio que muitos poderão considerar impossível: ficar 99 dias sem dar nem uma “olhadinha” no Facebook. O objetivo é medir o grau de felicidade dos usuários longe da rede social.

      O projeto também é uma resposta aos experimentos psicológicos realizados pelo próprio Facebook. A diferença neste caso é que o teste é completamente voluntário. Ironicamente, para poder participar, o usuário deve trocar a foto do perfil no Facebook e postar um contador na rede social.

       Os pesquisadores irão avaliar o grau de satisfação e felicidade dos participantes no 33.º dia, no 66.º e no último dia da abstinência.

       Os responsáveis apontam que os usuários do Facebook gastam em média 17 minutos por dia na rede social. Em 99 dias sem acesso, a soma média seria equivalente a mais de 28 horas, que poderiam ser utilizadas em “atividades emocionalmente mais realizadoras”.

    (http://codigofonte.uol.com.br. Adaptado.)


    Considere os enunciados a seguir para responder a questão.

    •  [...] ficar 99 dias sem dar nem uma “olhadinha” no Facebook. (1.º parágrafo)

    •  [...] que poderiam ser utilizadas em “atividades emocionalmente mais realizadoras”. (4.º parágrafo)

    Nos dois trechos, utilizam-se as aspas, respectivamente, para
    Escolha uma alternativa para a questão 6c6868d7-b1
  • 6C651965-B1

    Português

    Artigos
    UNIFESP · 2014MédioEntre para guardar nos favoritos

    Você conseguiria ficar 99 dias sem o Facebook?

    Uma organização não governamental holandesa está propondo um desafio que muitos poderão considerar impossível: ficar 99 dias sem dar nem uma “olhadinha” no Facebook. O objetivo é medir o grau de felicidade dos usuários longe da rede social.

      O projeto também é uma resposta aos experimentos psicológicos realizados pelo próprio Facebook. A diferença neste caso é que o teste é completamente voluntário. Ironicamente, para poder participar, o usuário deve trocar a foto do perfil no Facebook e postar um contador na rede social.

       Os pesquisadores irão avaliar o grau de satisfação e felicidade dos participantes no 33.º dia, no 66.º e no último dia da abstinência.

       Os responsáveis apontam que os usuários do Facebook gastam em média 17 minutos por dia na rede social. Em 99 dias sem acesso, a soma média seria equivalente a mais de 28 horas, que poderiam ser utilizadas em “atividades emocionalmente mais realizadoras”.

    (http://codigofonte.uol.com.br. Adaptado.)

    Examine as passagens do primeiro parágrafo do texto:


    •  “Uma organização não governamental holandesa está propondo um desafio”

    •  “O objetivo é medir o grau de felicidade dos usuários longe da rede social.”


    A utilização dos artigos destacados justifica-se em razão

    Escolha uma alternativa para a questão 6c651965-b1
  • 6C61D5D8-B1

    Português

    Interpretação de Textos
    UNIFESP · 2014DifícilEntre para guardar nos favoritos

    Você conseguiria ficar 99 dias sem o Facebook?

    Uma organização não governamental holandesa está propondo um desafio que muitos poderão considerar impossível: ficar 99 dias sem dar nem uma “olhadinha” no Facebook. O objetivo é medir o grau de felicidade dos usuários longe da rede social.

      O projeto também é uma resposta aos experimentos psicológicos realizados pelo próprio Facebook. A diferença neste caso é que o teste é completamente voluntário. Ironicamente, para poder participar, o usuário deve trocar a foto do perfil no Facebook e postar um contador na rede social.

       Os pesquisadores irão avaliar o grau de satisfação e felicidade dos participantes no 33.º dia, no 66.º e no último dia da abstinência.

       Os responsáveis apontam que os usuários do Facebook gastam em média 17 minutos por dia na rede social. Em 99 dias sem acesso, a soma média seria equivalente a mais de 28 horas, que poderiam ser utilizadas em “atividades emocionalmente mais realizadoras”.

    (http://codigofonte.uol.com.br. Adaptado.)

    Uma informação possível de se concluir da leitura do texto é:
    Escolha uma alternativa para a questão 6c61d5d8-b1
  • 6C5EEB9D-B1

    Português

    Interpretação de Textos
    UNIFESP · 2014MédioEntre para guardar nos favoritos

    Você conseguiria ficar 99 dias sem o Facebook?

    Uma organização não governamental holandesa está propondo um desafio que muitos poderão considerar impossível: ficar 99 dias sem dar nem uma “olhadinha” no Facebook. O objetivo é medir o grau de felicidade dos usuários longe da rede social.

      O projeto também é uma resposta aos experimentos psicológicos realizados pelo próprio Facebook. A diferença neste caso é que o teste é completamente voluntário. Ironicamente, para poder participar, o usuário deve trocar a foto do perfil no Facebook e postar um contador na rede social.

       Os pesquisadores irão avaliar o grau de satisfação e felicidade dos participantes no 33.º dia, no 66.º e no último dia da abstinência.

       Os responsáveis apontam que os usuários do Facebook gastam em média 17 minutos por dia na rede social. Em 99 dias sem acesso, a soma média seria equivalente a mais de 28 horas, que poderiam ser utilizadas em “atividades emocionalmente mais realizadoras”.

    (http://codigofonte.uol.com.br. Adaptado.)

    De acordo com os pressupostos da campanha holandesa, o usuário do Facebook
    Escolha uma alternativa para a questão 6c5eeb9d-b1
  • 6C5B6DB7-B1

    Português

    Emprego do hífen
    UNIFESP · 2014MédioEntre para guardar nos favoritos

    Imagem da questão de Português, da prova de 2014Ciência explica____________.

    Testes mostram que ____________

    de Leonardo da Vinci está sumindo

    (www.uol.com.br, 05.06.2014. Adaptado.)


    Em conformidade com a norma-padrão da língua portuguesa e com o Novo Acordo Ortográfico, as lacunas do texto devem ser preenchidas, respectivamente, com:
    Escolha uma alternativa para a questão 6c5b6db7-b1
  • 6C575911-B1

    Português

    Coesão e coerência
    UNIFESP · 2014MédioEntre para guardar nos favoritos

    Mau despertar


                                                                    Saio do sono como

                                                                     de uma batalha

                                                                     travada em

                                                                     lugar algum


                                                                     Não sei na madrugada

                                                                     se estou ferido

                                                                     se o corpo

                                                                         tenho

                                                                      riscado

                                                                         de hematomas 


                                                                     Zonzo lavo

                                                                     na pia

                                                                     os olhos donde

                                                                     ainda escorrem

                                                                     uns restos de treva

                  (Ferreira Gullar. Muitas vozes, 2013.)

    Assinale a alternativa em que a reescrita dos versos altera o sentido original do texto.
    Escolha uma alternativa para a questão 6c575911-b1
  • 6C52F1D8-B1

    Português

    Interpretação de Textos
    UNIFESP · 2014MédioEntre para guardar nos favoritos

    Mau despertar


                                                                    Saio do sono como

                                                                     de uma batalha

                                                                     travada em

                                                                     lugar algum


                                                                     Não sei na madrugada

                                                                     se estou ferido

                                                                     se o corpo

                                                                         tenho

                                                                      riscado

                                                                         de hematomas 


                                                                     Zonzo lavo

                                                                     na pia

                                                                     os olhos donde

                                                                     ainda escorrem

                                                                     uns restos de treva

                  (Ferreira Gullar. Muitas vozes, 2013.)

    Analisando-se as três estrofes do poema, atribui-se a cada uma os seguintes sentidos, respectivamente,
    Escolha uma alternativa para a questão 6c52f1d8-b1
  • 6C4FF8FE-B1

    Português

    Interpretação de Textos
    UNIFESP · 2014MédioEntre para guardar nos favoritos

    Mau despertar


                                                                    Saio do sono como

                                                                     de uma batalha

                                                                     travada em

                                                                     lugar algum


                                                                     Não sei na madrugada

                                                                     se estou ferido

                                                                     se o corpo

                                                                         tenho

                                                                      riscado

                                                                         de hematomas 


                                                                     Zonzo lavo

                                                                     na pia

                                                                     os olhos donde

                                                                     ainda escorrem

                                                                     uns restos de treva

                  (Ferreira Gullar. Muitas vozes, 2013.)

    A leitura do poema permite inferir que
    Escolha uma alternativa para a questão 6c4ff8fe-b1
  • 6C4A86B8-B1

    Português

    Interpretação de Textos
    UNIFESP · 2014MédioEntre para guardar nos favoritos
    É preciso ler esse livro singular sem a obsessão de enquadrá-lo em um determinado gênero literário, o que implicaria em prejuízo paralisante. Ao contrário, a abertura a mais de uma perspectiva é o modo próprio de enfrentá-lo. A descrição minuciosa da terra, do homem e da luta situa-o no nível da cultura científica e histórica. Seu autor fez geografia humana e sociologia como um espírito atilado poderia fazê-las no começo do século, em nosso meio intelectual, então avesso à observação demorada e à pesquisa pura. Situando a obra na evolução do pensamento brasileiro, diz lucidamente o crítico Antonio Candido: “Livro posto entre a literatura e a sociologia naturalista, esta obra assinala um fim e um começo: o fim do imperialismo literário, o começo da análise científica aplicada aos aspectos mais importantes da sociedade brasileira (no caso, as contradições contidas na diferença de cultura entre as regiões litorâneas e o interior).”

    (Alfredo Bosi. História concisa da literatura brasileira, 1994. Adaptado.)

    O excerto trata da obra
    Escolha uma alternativa para a questão 6c4a86b8-b1
  • 6C468DEE-B1

    Português

    Interpretação de Textos
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    Leia o poema de Ricardo Reis, heterônimo de Fernando Pessoa.


    Coroai-me de rosas,

    Coroai-me em verdade

    De rosas –

    Rosas que se apagam

    Em fronte a apagar-se

    Tão cedo!

    Coroai-me de rosas

    E de folhas breves.

    E basta.

    (As múltiplas faces de Fernando Pessoa, 1995.)


    O tema tratado no poema é a

    Escolha uma alternativa para a questão 6c468dee-b1
  • 6C436E18-B1

    Português

    Concordância verbal, Concordância nominal
    UNIFESP · 2014MédioEntre para guardar nos favoritos

    Leia o texto para responder a questão.


    A palavra falada é um fenômeno natural; a palavra escrita é um fenômeno cultural. O homem natural pode viver perfeitamente sem ler nem escrever. Não o pode o homem a que chamamos civilizado: por isso, como disse, a palavra escrita é um fenômeno cultural, não da natureza mas da civilização, da qual a cultura é a essência e o esteio.

    Pertencendo, pois, a mundos (mentais) essencialmente diferentes, os dois tipos de palavra obedecem forçosamente a leis ou regras essencialmente diferentes. A palavra falada é um caso, por assim dizer, democrático. Ao falar, temos que obedecer à lei do maior número, sob pena de ou não sermos compreendidos ou sermos inutilmente ridículos. Se a maioria pronuncia mal uma palavra, temos que a pronunciar mal. Se a maioria usa de uma construção gramatical errada, da mesma construção teremos que usar. Se a maioria caiu em usar estrangeirismos ou outras irregularidades verbais, assim temos que fazer. Os termos ou expressões que na linguagem escrita são justos, e até obrigatórios, tornam-se em estupidez e pedantaria, se deles fazemos uso no trato verbal. Tornam- -se até em má-criação, pois o preceito fundamental da civilidade é que nos conformemos o mais possível com as maneiras, os hábitos, e a educação da pessoa com quem falamos, ainda que nisso faltemos às boas maneiras ou à etiqueta, que são a cultura exterior.

    (Fernando Pessoa. A língua portuguesa, 1999. Adaptado.)

    Assinale a alternativa cujo enunciado atende à norma- -padrão da língua portuguesa.
    Escolha uma alternativa para a questão 6c436e18-b1
  • 6C3F55F9-B1

    Português

    Interpretação de Textos
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    Leia o texto para responder a questão.


    A palavra falada é um fenômeno natural; a palavra escrita é um fenômeno cultural. O homem natural pode viver perfeitamente sem ler nem escrever. Não o pode o homem a que chamamos civilizado: por isso, como disse, a palavra escrita é um fenômeno cultural, não da natureza mas da civilização, da qual a cultura é a essência e o esteio.

    Pertencendo, pois, a mundos (mentais) essencialmente diferentes, os dois tipos de palavra obedecem forçosamente a leis ou regras essencialmente diferentes. A palavra falada é um caso, por assim dizer, democrático. Ao falar, temos que obedecer à lei do maior número, sob pena de ou não sermos compreendidos ou sermos inutilmente ridículos. Se a maioria pronuncia mal uma palavra, temos que a pronunciar mal. Se a maioria usa de uma construção gramatical errada, da mesma construção teremos que usar. Se a maioria caiu em usar estrangeirismos ou outras irregularidades verbais, assim temos que fazer. Os termos ou expressões que na linguagem escrita são justos, e até obrigatórios, tornam-se em estupidez e pedantaria, se deles fazemos uso no trato verbal. Tornam- -se até em má-criação, pois o preceito fundamental da civilidade é que nos conformemos o mais possível com as maneiras, os hábitos, e a educação da pessoa com quem falamos, ainda que nisso faltemos às boas maneiras ou à etiqueta, que são a cultura exterior.

    (Fernando Pessoa. A língua portuguesa, 1999. Adaptado.)

    De acordo com o autor, “ao falar, temos que obedecer à lei do maior número”. Atendendo a esse princípio, para o português oral contemporâneo, está adequado o enunciado:
    Escolha uma alternativa para a questão 6c3f55f9-b1
  • 6C3AC4F4-B1

    Português

    Interpretação de Textos
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    Leia o texto para responder a questão.


    A palavra falada é um fenômeno natural; a palavra escrita é um fenômeno cultural. O homem natural pode viver perfeitamente sem ler nem escrever. Não o pode o homem a que chamamos civilizado: por isso, como disse, a palavra escrita é um fenômeno cultural, não da natureza mas da civilização, da qual a cultura é a essência e o esteio.

    Pertencendo, pois, a mundos (mentais) essencialmente diferentes, os dois tipos de palavra obedecem forçosamente a leis ou regras essencialmente diferentes. A palavra falada é um caso, por assim dizer, democrático. Ao falar, temos que obedecer à lei do maior número, sob pena de ou não sermos compreendidos ou sermos inutilmente ridículos. Se a maioria pronuncia mal uma palavra, temos que a pronunciar mal. Se a maioria usa de uma construção gramatical errada, da mesma construção teremos que usar. Se a maioria caiu em usar estrangeirismos ou outras irregularidades verbais, assim temos que fazer. Os termos ou expressões que na linguagem escrita são justos, e até obrigatórios, tornam-se em estupidez e pedantaria, se deles fazemos uso no trato verbal. Tornam- -se até em má-criação, pois o preceito fundamental da civilidade é que nos conformemos o mais possível com as maneiras, os hábitos, e a educação da pessoa com quem falamos, ainda que nisso faltemos às boas maneiras ou à etiqueta, que são a cultura exterior.

    (Fernando Pessoa. A língua portuguesa, 1999. Adaptado.)

    Em sua argumentação, o autor estabelece que
    Escolha uma alternativa para a questão 6c3ac4f4-b1
  • 09A1AA04-B1

    Português

    Interpretação de Textos
    FATEC · 2014FácilEntre para guardar nos favoritos

    O escritor, dramaturgo e poeta Ariano Suassuna morreu em 2014, aos 87 anos. Membro da Academia Brasileira de Letras (ABL), esse autor traduziu em suas obras a tradição popular do Nordeste.


    Assinale a alternativa que apresenta um trecho da obra Auto da Compadecida, de Ariano Suassuna.

    Escolha uma alternativa para a questão 09a1aa04-b1
  • 099D54F5-B1

    Português

    Análise sintática
    FATEC · 2014FácilEntre para guardar nos favoritos

    Felicidade Clandestina

    Clarice Lispector

          Ela era gorda, baixa, sardenta e de cabelos excessivamente crespos, meio arruivados. Tinha um busto enorme, enquanto nós todas ainda éramos achatadas. (...) Mas possuía o que qualquer criança devoradora de histórias gostaria de ter: um pai dono de livraria. (...)

          Ela toda era pura vingança, chupando balas com barulho. Como essa menina devia nos odiar, nós que éramos imperdoavelmente bonitinhas, esguias, altinhas, de cabelos livres. Comigo exerceu com calma ferocidade o seu sadismo. Na minha ânsia de ler, eu nem notava as humilhações a que ela me submetia: continuava a implorar-lhe emprestados os livros que ela não lia.

          Até que veio para ela o magno dia de começar a exercer sobre mim uma tortura chinesa. Como casualmente, informou-me que possuía As reinações de Narizinho, de Monteiro Lobato.

          Era um livro grosso, meu Deus, era um livro para se ficar vivendo com ele, comendo-o, dormindo-o. E, completamente acima de minhas posses. Disse-me que eu passasse pela sua casa no dia seguinte e que ela o emprestaria. (...)

          No dia seguinte fui à sua casa, literalmente correndo. Ela não morava num sobrado como eu, e sim numa casa. Não me mandou entrar. Olhando bem para meus olhos, disse-me que havia emprestado o livro a outra menina, e que eu voltasse no dia seguinte para buscá-lo. Boquiaberta, saí devagar, mas em breve a esperança de novo me tomava toda e eu recomeçava na rua a andar pulando, que era o meu modo estranho de andar pelas ruas de Recife. Dessa vez nem caí: guiava-me a promessa do livro, o dia seguinte viria, os dias seguintes seriam mais tarde a minha vida inteira, o amor pelo mundo me esperava, andei pulando pelas ruas como sempre e não caí nenhuma vez.

          Mas não ficou simplesmente nisso. O plano secreto da filha do dono da livraria era tranquilo e diabólico. No dia seguinte lá estava eu à porta de sua casa, com um sorriso e o coração batendo. Para ouvir a resposta calma: o livro ainda não estava em seu poder, que eu voltasse no dia seguinte. (...) E assim continuou. Quanto tempo? Não sei. (...) Eu ia diariamente à sua casa, sem faltar um dia sequer. Às vezes ela dizia: pois o livro esteve comigo ontem, mas você só veio de manhã, de modo que o emprestei a outra menina. (...)

          Até que um dia, quando eu estava à porta de sua casa, ouvindo humilde e silenciosa a sua recusa, apareceu sua mãe. Ela devia estar estranhando a aparição muda e diária daquela menina à porta de sua casa. Pediu explicações a nós duas. Houve uma confusão silenciosa, entrecortada de palavras pouco elucidativas. A senhora achava cada vez mais estranho o fato de não estar entendendo. Até que essa mãe boa entendeu. Voltou-se para a filha e com enorme surpresa exclamou: mas este livro nunca saiu daqui de casa e você nem quis ler!(...)

          Foi então que, finalmente se refazendo, disse firme e calma para a filha: você vai emprestar o livro agora mesmo. E para mim: “E você fica com o livro por quanto tempo quiser.” Entendem? Valia mais do que me dar o livro: “pelo tempo que eu quisesse” é tudo o que uma pessoa, grande ou pequena, pode ter a ousadia de querer.

          Como contar o que se seguiu? Eu estava estonteada, e assim recebi o livro na mão. Acho que eu não disse nada. Peguei o livro. Não, não saí pulando como sempre. Saí andando bem devagar. (...) Chegando em casa, não comecei a ler. Fingia que não o tinha, só para depois ter o susto de o ter. (...) Criava as mais falsas dificuldades para aquela coisa clandestina que era a felicidade. A felicidade sempre ia ser clandestina para mim. Parece que eu já pressentia. Como demorei! Eu vivia no ar... Havia orgulho e pudor em mim. Eu era uma rainha delicada. (...)

    (http://tinyurl.com/veele-contos Acesso em: 27.08.14. Adaptado)

    Leia este fragmento: “Eu estava estonteada, e assim recebi o livro na mão.”


    A função sintática do termo destacado nesse período é

    Escolha uma alternativa para a questão 099d54f5-b1
  • 0995BF79-B1

    Português

    Interpretação de Textos
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    Felicidade Clandestina

    Clarice Lispector

          Ela era gorda, baixa, sardenta e de cabelos excessivamente crespos, meio arruivados. Tinha um busto enorme, enquanto nós todas ainda éramos achatadas. (...) Mas possuía o que qualquer criança devoradora de histórias gostaria de ter: um pai dono de livraria. (...)

          Ela toda era pura vingança, chupando balas com barulho. Como essa menina devia nos odiar, nós que éramos imperdoavelmente bonitinhas, esguias, altinhas, de cabelos livres. Comigo exerceu com calma ferocidade o seu sadismo. Na minha ânsia de ler, eu nem notava as humilhações a que ela me submetia: continuava a implorar-lhe emprestados os livros que ela não lia.

          Até que veio para ela o magno dia de começar a exercer sobre mim uma tortura chinesa. Como casualmente, informou-me que possuía As reinações de Narizinho, de Monteiro Lobato.

          Era um livro grosso, meu Deus, era um livro para se ficar vivendo com ele, comendo-o, dormindo-o. E, completamente acima de minhas posses. Disse-me que eu passasse pela sua casa no dia seguinte e que ela o emprestaria. (...)

          No dia seguinte fui à sua casa, literalmente correndo. Ela não morava num sobrado como eu, e sim numa casa. Não me mandou entrar. Olhando bem para meus olhos, disse-me que havia emprestado o livro a outra menina, e que eu voltasse no dia seguinte para buscá-lo. Boquiaberta, saí devagar, mas em breve a esperança de novo me tomava toda e eu recomeçava na rua a andar pulando, que era o meu modo estranho de andar pelas ruas de Recife. Dessa vez nem caí: guiava-me a promessa do livro, o dia seguinte viria, os dias seguintes seriam mais tarde a minha vida inteira, o amor pelo mundo me esperava, andei pulando pelas ruas como sempre e não caí nenhuma vez.

          Mas não ficou simplesmente nisso. O plano secreto da filha do dono da livraria era tranquilo e diabólico. No dia seguinte lá estava eu à porta de sua casa, com um sorriso e o coração batendo. Para ouvir a resposta calma: o livro ainda não estava em seu poder, que eu voltasse no dia seguinte. (...) E assim continuou. Quanto tempo? Não sei. (...) Eu ia diariamente à sua casa, sem faltar um dia sequer. Às vezes ela dizia: pois o livro esteve comigo ontem, mas você só veio de manhã, de modo que o emprestei a outra menina. (...)

          Até que um dia, quando eu estava à porta de sua casa, ouvindo humilde e silenciosa a sua recusa, apareceu sua mãe. Ela devia estar estranhando a aparição muda e diária daquela menina à porta de sua casa. Pediu explicações a nós duas. Houve uma confusão silenciosa, entrecortada de palavras pouco elucidativas. A senhora achava cada vez mais estranho o fato de não estar entendendo. Até que essa mãe boa entendeu. Voltou-se para a filha e com enorme surpresa exclamou: mas este livro nunca saiu daqui de casa e você nem quis ler!(...)

          Foi então que, finalmente se refazendo, disse firme e calma para a filha: você vai emprestar o livro agora mesmo. E para mim: “E você fica com o livro por quanto tempo quiser.” Entendem? Valia mais do que me dar o livro: “pelo tempo que eu quisesse” é tudo o que uma pessoa, grande ou pequena, pode ter a ousadia de querer.

          Como contar o que se seguiu? Eu estava estonteada, e assim recebi o livro na mão. Acho que eu não disse nada. Peguei o livro. Não, não saí pulando como sempre. Saí andando bem devagar. (...) Chegando em casa, não comecei a ler. Fingia que não o tinha, só para depois ter o susto de o ter. (...) Criava as mais falsas dificuldades para aquela coisa clandestina que era a felicidade. A felicidade sempre ia ser clandestina para mim. Parece que eu já pressentia. Como demorei! Eu vivia no ar... Havia orgulho e pudor em mim. Eu era uma rainha delicada. (...)

    (http://tinyurl.com/veele-contos Acesso em: 27.08.14. Adaptado)

    Considerando as informações do texto, é correto afirmar que a narradora-personagem possuía
    Escolha uma alternativa para a questão 0995bf79-b1