Questões do ENEM 2015

Questões aplicadas na prova de 2015, cada uma em página própria com enunciado, alternativas e gabarito.

Resultados

3.347 questões encontradas. Mostrando a página 45 de 168.

  • 773D2A2D-DE

    Conhecimentos Gerais

    Guerras, Conflitos e Terrorismo
    Escola Superior de Administração, Marketing e Comunicação · 2015MédioEntre para guardar nos favoritos

    Leia as informações para responder a questão:


    Imagem da questão de Conhecimentos Gerais, da prova de 2015

    (Todas as bombas inteligentes são, realmente, inteligentes? (T)ERROR(ism). Charge de TOMAS. Disponível em: http://www.cartoonmovement.com/cartoon/19745. Acesso em: 04 mar. 2015, às 17h00.)


    Nesta quinta-feira [07 de agosto de 2014], o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciou que havia autorizado ataques aéreos direciona- dos contra posições do chamado Estado Islâmico, o grupo radical sunita que ocupa regiões do Iraque e da Síria. O conceito desses chamados "ataques cirúrgicos" é bem atraente para estrategistas militares. Utilizando es- se método, governos conseguem atingir objetivos sem pisar no território inimigo, obtendo um mínimo de baixas em seus efetivos, além de, segundo eles, causar poucos "danos colaterais", eufemismo que inclui a morte de civis.

    (Ataques aéreos cirúrgicos são mesmo precisos?Disponível em: http://www.defesanet.com.br/aviacao/noticia/16325/-Ataques-aereos-cirurgicos--sao-mesmo-precisos-/. Acesso em: 04 mar. 2015, às 18h00.)


    A luta contra o terror, desencadeada pelos Estados Unidos após os atentados de 11 de setembro de 2001, apresentou várias facetas nestes quase 14 anos. Invasão ao Iraque, bombardeios à Líbia, à Síria, tensões com a Coreia do Norte e, mais recentemente, o combate ao Estado Islâmico, fazem parte da lista de intervenções estadunidenses.



    Após a leitura das informações, julgue as afirmativas abaixo:


    I. Apesar de, supostamente, agir em nome da liberdade dos povos dos países atacados, os Estados Unidos têm provocado uma série de “efeitos colaterais”, que inclui a morte de um grande número de civis.

    II. Apesar dos “efeitos colaterais”, como a morte de alguns civis, as ações dos EUA têm sido eficientes em alcançar seus objetivos, uma vez que em todas as suas intervenções o terrorismo foi erradicado do país invadido.

    III. A ligação do chamado Estado Islâmico com a rede terrorista muçulmana, que inclui todos os países citados no texto, foi a motivação dos EUA para os bombardeios atuais.



    Está (ão) correta (s):

    Escolha uma alternativa para a questão 773d2a2d-de
  • 772D3872-DE

    Matemática

    Geometria Plana
    Escola Superior de Administração, Marketing e Comunicação · 2015MédioEntre para guardar nos favoritos
    A figura a seguir apresenta um quadrilátero MNOP que foi dividido em 9 quadrados menores. As áreas de dois desses quadrados (64 cm² e 81 cm²) estão indicadas na figura. Nessas condições, a área do quadrilátero MNOP é igual a:

    Imagem da questão de Matemática, da prova de 2015
    Escolha uma alternativa para a questão 772d3872-de
  • 772A65B0-DE

    Matemática

    Geometria Plana
    Escola Superior de Administração, Marketing e Comunicação · 2015MédioEntre para guardar nos favoritos
    Na figura a seguir, MNOP é um retângulo, o triângulo MPA tem área 11 cm² e o triângulo NCO tem área 18 cm². Qual é a área do quadrilátero ABCD?

    Imagem da questão de Matemática, da prova de 2015
    Escolha uma alternativa para a questão 772a65b0-de
  • 77276B00-DE

    Matemática

    Geometria Plana
    Escola Superior de Administração, Marketing e Comunicação · 2015MédioEntre para guardar nos favoritos

    Na figura a seguir, o quadrilátero MNOP é um trapézio, os segmentos Imagem da questão de Matemática, da prova de 2015 são congruentes e os segmentos Imagem da questão de Matemática, da prova de 2015 são paralelos. A diferença entre as medidas dos segmentos Imagem da questão de Matemática, da prova de 2015 é igual a:


    Imagem da questão de Matemática, da prova de 2015

    Escolha uma alternativa para a questão 77276b00-de
  • 7720DED2-DE

    Matemática

    Aritmética e Problemas
    Escola Superior de Administração, Marketing e Comunicação · 2015DifícilEntre para guardar nos favoritos
    Pensando em obter altos lucros, um comerciante optou por vender um Espaço para rascunho de seus produtos com preço de venda 80% superior ao preço de custo. Por vender apenas 10 produtos, decidiu conceder um desconto de 20% sobre o preço de venda conseguindo, assim, vender mais 30 produtos. Para obter o mesmo lucro que obteve com essas 40 vendas, ele poderia ter vendido todos os seus produtos com qual porcentagem sobre o preço de custo?
    Escolha uma alternativa para a questão 7720ded2-de
  • 771DF35F-DE

    Matemática

    Geometria Plana
    Escola Superior de Administração, Marketing e Comunicação · 2015Muito difícilEntre para guardar nos favoritos
    Na figura a seguir, Imagem da questão de Matemática, da prova de 2015 são congruentes e AEFJ é um trapézio isósceles, com altura igual a 12 metros. Os segmentos Imagem da questão de Matemática, da prova de 2015 são paralelos e suas medidas formam uma progressão aritmética. Nessas condições, pode-se afirmar que a soma das medidas dos segmentos Imagem da questão de Matemática, da prova de 2015 Imagem da questão de Matemática, da prova de 2015 é igual a:

    Escolha uma alternativa para a questão 771df35f-de
  • 771AEDFE-DE

    Matemática

    Análise Combinatória em Matemática
    Escola Superior de Administração, Marketing e Comunicação · 2015DifícilEntre para guardar nos favoritos
    Para realizar um estudo do meio, uma escola pretende organizar grupos com a mesma quantidade de alunos de modo que em cada grupo todos sejam do mesmo sexo. Nessa escola estudam 350 rapazes e 224 garotas e cada grupo deverá ser acompanhado de um único professor. O número mínimo de professores necessários para acompanhar todos os grupos nessa visita é:
    Escolha uma alternativa para a questão 771aedfe-de
  • 7714F94F-DE

    Matemática

    Geometria Plana
    Escola Superior de Administração, Marketing e Comunicação · 2015MédioEntre para guardar nos favoritos

    Considere o retângulo OPQR da figura a seguir:


    Imagem da questão de Matemática, da prova de 2015


    A área S do retângulo em função da abscissa x do ponto R é:

    Escolha uma alternativa para a questão 7714f94f-de
  • 771200F7-DE

    Matemática

    Geometria Plana
    Escola Superior de Administração, Marketing e Comunicação · 2015MédioEntre para guardar nos favoritos
    Um rolo de tela de 28 m de comprimento será totalmente aproveitado para cercar um jardim com formato de setor circular como mostra a figura a seguir. Se a área do setor é 40 m² e r é maior que c, então o raio do setor é igual a:

    Imagem da questão de Matemática, da prova de 2015
    Escolha uma alternativa para a questão 771200f7-de
  • 770BF420-DE

    Matemática

    Aritmética e Problemas
    Escola Superior de Administração, Marketing e Comunicação · 2015DifícilEntre para guardar nos favoritos
    Uma balança indica, com precisão, massas acima de 200 kg. Quatro amigos, interessados em usar essa balança para verificarem suas massas, decidiram subir na balança de três em três, garantindo, assim, o valor mínimo necessário para a balança funcionar. Os valores acusados pela balança foram: 242 kg, 254 kg, 256 kg e 259 kg. Dentre os quatro amigos, o mais leve pesa:
    Escolha uma alternativa para a questão 770bf420-de
  • 76FE8C7F-DE

    Português

    Figuras de Linguagem
    Escola Superior de Administração, Marketing e Comunicação · 2015FácilEntre para guardar nos favoritos

    Texto para a questão.


    Moça linda bem tratada,

    Três séculos de família,

    Burra como uma porta:

    Um amor.


    Grã-fino do despudor,

    Esporte, ignorância e sexo,

    Burro como uma porta:

    Um coió. 


    Mulher gordaça, filó *,

    De ouro por todos os poros

    Burra como uma porta:

    Paciência...


    Plutocrata sem consciência,

    Nada porta, terremoto

    Que a porta do pobre arromba:

    Uma bomba.

    (ANDRADE, Mário de. Poesias Completas. São Paulo: Círculo do Livro. p. 304.)


    *filóTecido fino e transparente, em forma de rede (www.aulete.com.br)

    Assinale a alternativa que apresenta a relação correta entre o trecho do texto e a figura de linguagem correspondente:
    Escolha uma alternativa para a questão 76fe8c7f-de
  • 76FB7DA6-DE

    Português

    Gêneros Textuais
    Escola Superior de Administração, Marketing e Comunicação · 2015DifícilEntre para guardar nos favoritos

    Texto para a questão.


    Moça linda bem tratada,

    Três séculos de família,

    Burra como uma porta:

    Um amor.


    Grã-fino do despudor,

    Esporte, ignorância e sexo,

    Burro como uma porta:

    Um coió. 


    Mulher gordaça, filó *,

    De ouro por todos os poros

    Burra como uma porta:

    Paciência...


    Plutocrata sem consciência,

    Nada porta, terremoto

    Que a porta do pobre arromba:

    Uma bomba.

    (ANDRADE, Mário de. Poesias Completas. São Paulo: Círculo do Livro. p. 304.)


    *filóTecido fino e transparente, em forma de rede (www.aulete.com.br)

    Em relação à forma, o poema apresenta:
    Escolha uma alternativa para a questão 76fb7da6-de
  • 76F8726E-DE

    Português

    Interpretação de Textos
    Escola Superior de Administração, Marketing e Comunicação · 2015FácilEntre para guardar nos favoritos

    Texto para a questão.


    Moça linda bem tratada,

    Três séculos de família,

    Burra como uma porta:

    Um amor.


    Grã-fino do despudor,

    Esporte, ignorância e sexo,

    Burro como uma porta:

    Um coió. 


    Mulher gordaça, filó *,

    De ouro por todos os poros

    Burra como uma porta:

    Paciência...


    Plutocrata sem consciência,

    Nada porta, terremoto

    Que a porta do pobre arromba:

    Uma bomba.

    (ANDRADE, Mário de. Poesias Completas. São Paulo: Círculo do Livro. p. 304.)


    *filóTecido fino e transparente, em forma de rede (www.aulete.com.br)

    No poema de Mário de Andrade (1893-1945), há:
    Escolha uma alternativa para a questão 76f8726e-de
  • 76F50541-DE

    Português

    Interpretação de Textos
    Escola Superior de Administração, Marketing e Comunicação · 2015DifícilEntre para guardar nos favoritos

    Analise a charge abaixo para responder à questão.


    Imagem da questão de Português, da prova de 2015

    - Veja, papai! O elevador vai subindo e

    os pobres vão ficando pequenininhos!

    Fonte: Vermelho

    (Angeli. Folha de São Paulo. s/d) 


    A crítica presente na charge pode ser resumida como:

    Escolha uma alternativa para a questão 76f50541-de
  • 76E8326B-DE

    Português

    Interpretação de Textos
    Escola Superior de Administração, Marketing e Comunicação · 2015MédioEntre para guardar nos favoritos
    Marginalzinho: a socialização de uma elite vazia e covarde

    Parada em um sinal de trânsito, uma cena capturou minha atenção e me fez pensar como, ao longo da vida, a segregação da sociedade brasileira nos bestializa.

    por Rosana Pinheiro-Machado — publicado 27/01/2015 15:08, última modificação 27/01/2015 15:44


         Era a largada de duas escolas que estavam situadas uma do lado da outra, separadas por um muro altíssimo de uma delas. Da escola pública saíam crianças correndo, brincando e falando alto. A maioria estava desacompanhada e dirigia-se ao ponto de ônibus da grande avenida, que terminaria nas periferias. Era uma massa escura, especialmente quando contrastada com a massa mais clara que saía da escola particular do lado: crianças brancas, de mãos dadas com os pais, babás ou seguranças, caminhando duramente em direção à fila de caminhonetes. Lado a lado, os dois grupos não se misturavam. Cada um sabia exatamente seu lugar. Desde muito pequenas, aquelas crianças tinham literalmente incorporado a segregação à brasileira, que se caracteriza pela mistura única entre o sistema de apartheid racial e o de castas de classes. Os corpos domesticados revelavam o triste processo de socialização ao desprezo, que tende a só piorar na vida adulta.
         Mas eis que, de repente, um menino negro, magro e sorridente, ousou subverter as regras tácitas. Brincando de correr em ziguezague, ele “invadiu” a área branca e se esbarrou num menino que, imediatamente, se agarrou desesperadamente no braço da mulher que lhe buscara. Foi um reflexo automático do medo. O menino “invasor” fez um gesto de desculpas – algo como “foi mal” -, e voltou a correr entre os seus, enquanto que a outra criança seguia petrificada.
         No olhar do menino “invadido”, havia um misto de medo, de raiva, mas principalmente, de nojo – como que se a outra criança tivesse uma doença altamente contagiosa. Não é difícil imaginar o impacto de esse olhar no inconsciente do menino negro e pobre. Este aprendia, desde muito cedo, que era um intocável, que vivia em uma sociedade na qual seu corpo, na esfera pública, valia menos que o de um menino da mesma idade, que ainda não tinha nenhum mérito conquistado, apenas privilégios herdados. As consequências desse gesto minúsculo serão trágicas para o menino "invadido", pois é vítima da ignorância social. Mas será muito mais trágica para quem é negro e desprovido de capital econômico, social e cultural. Para que essa criança não se corrompa no futuro, ela precisa ser salva do olhar de nojo.
         É possível que, por meio de leitura e mistura, o menino amedrontado se engrandeça politicamente no futuro, se liberte do muro que lhe protege e dispense o braço da babá. Mas, infelizmente, há uma tendência grande de que ele, cercado por medo e preconceito, passe o resto de sua existência se protegendo do “marginalzinho”. Pivetes, favelados, fedorentos: isso é tudo que ele ouve sobre seus vizinhos. Trata-se de uma verdade histórica a priori, para além da qual não se consegue pensar. Essas categorias compõem o discurso forjado sobre a pobreza, que, em última instância, visa à intervenção e à manutenção do poder. Reproduzindo este discurso, então, o menino tornar-se-á um adulto. Ele blindará seu carro, colocará alarme em sua casa, pedirá a morte de traficantes. Dirá que rolezinho é arrastão, pedirá mais polícia e curtirá a vida em camarotes. Pode ser até que ele peça a volta da ditadura. Achando que é um cidadão de bem que age contra a marginalidade do mal, forma-se um perfeito idiota.
    (Adaptado de , 27/01/2015. Disponível em Carta Capital http://www.cartacapital.com.br/sociedade/marginalzinho-asocializacao-de-uma-elite-vazia-e-covarde-3514.html)
    Analisando uma cena do presente, o enunciador do texto levanta hipóteses sobre as futuras consequências do que vê. Sobre tais projeções, é falso o que se afirma em:
    Escolha uma alternativa para a questão 76e8326b-de
  • 76E53ADA-DE

    Português

    Interpretação de Textos
    Escola Superior de Administração, Marketing e Comunicação · 2015MédioEntre para guardar nos favoritos
    Marginalzinho: a socialização de uma elite vazia e covarde

    Parada em um sinal de trânsito, uma cena capturou minha atenção e me fez pensar como, ao longo da vida, a segregação da sociedade brasileira nos bestializa.

    por Rosana Pinheiro-Machado — publicado 27/01/2015 15:08, última modificação 27/01/2015 15:44


         Era a largada de duas escolas que estavam situadas uma do lado da outra, separadas por um muro altíssimo de uma delas. Da escola pública saíam crianças correndo, brincando e falando alto. A maioria estava desacompanhada e dirigia-se ao ponto de ônibus da grande avenida, que terminaria nas periferias. Era uma massa escura, especialmente quando contrastada com a massa mais clara que saía da escola particular do lado: crianças brancas, de mãos dadas com os pais, babás ou seguranças, caminhando duramente em direção à fila de caminhonetes. Lado a lado, os dois grupos não se misturavam. Cada um sabia exatamente seu lugar. Desde muito pequenas, aquelas crianças tinham literalmente incorporado a segregação à brasileira, que se caracteriza pela mistura única entre o sistema de apartheid racial e o de castas de classes. Os corpos domesticados revelavam o triste processo de socialização ao desprezo, que tende a só piorar na vida adulta.
         Mas eis que, de repente, um menino negro, magro e sorridente, ousou subverter as regras tácitas. Brincando de correr em ziguezague, ele “invadiu” a área branca e se esbarrou num menino que, imediatamente, se agarrou desesperadamente no braço da mulher que lhe buscara. Foi um reflexo automático do medo. O menino “invasor” fez um gesto de desculpas – algo como “foi mal” -, e voltou a correr entre os seus, enquanto que a outra criança seguia petrificada.
         No olhar do menino “invadido”, havia um misto de medo, de raiva, mas principalmente, de nojo – como que se a outra criança tivesse uma doença altamente contagiosa. Não é difícil imaginar o impacto de esse olhar no inconsciente do menino negro e pobre. Este aprendia, desde muito cedo, que era um intocável, que vivia em uma sociedade na qual seu corpo, na esfera pública, valia menos que o de um menino da mesma idade, que ainda não tinha nenhum mérito conquistado, apenas privilégios herdados. As consequências desse gesto minúsculo serão trágicas para o menino "invadido", pois é vítima da ignorância social. Mas será muito mais trágica para quem é negro e desprovido de capital econômico, social e cultural. Para que essa criança não se corrompa no futuro, ela precisa ser salva do olhar de nojo.
         É possível que, por meio de leitura e mistura, o menino amedrontado se engrandeça politicamente no futuro, se liberte do muro que lhe protege e dispense o braço da babá. Mas, infelizmente, há uma tendência grande de que ele, cercado por medo e preconceito, passe o resto de sua existência se protegendo do “marginalzinho”. Pivetes, favelados, fedorentos: isso é tudo que ele ouve sobre seus vizinhos. Trata-se de uma verdade histórica a priori, para além da qual não se consegue pensar. Essas categorias compõem o discurso forjado sobre a pobreza, que, em última instância, visa à intervenção e à manutenção do poder. Reproduzindo este discurso, então, o menino tornar-se-á um adulto. Ele blindará seu carro, colocará alarme em sua casa, pedirá a morte de traficantes. Dirá que rolezinho é arrastão, pedirá mais polícia e curtirá a vida em camarotes. Pode ser até que ele peça a volta da ditadura. Achando que é um cidadão de bem que age contra a marginalidade do mal, forma-se um perfeito idiota.
    (Adaptado de , 27/01/2015. Disponível em Carta Capital http://www.cartacapital.com.br/sociedade/marginalzinho-asocializacao-de-uma-elite-vazia-e-covarde-3514.html)
    Ainda no segundo parágrafo, a expressão “foi mal”:
    Escolha uma alternativa para a questão 76e53ada-de
  • 76E207A7-DE

    Português

    Interpretação de Textos
    Escola Superior de Administração, Marketing e Comunicação · 2015MédioEntre para guardar nos favoritos
    Marginalzinho: a socialização de uma elite vazia e covarde

    Parada em um sinal de trânsito, uma cena capturou minha atenção e me fez pensar como, ao longo da vida, a segregação da sociedade brasileira nos bestializa.

    por Rosana Pinheiro-Machado — publicado 27/01/2015 15:08, última modificação 27/01/2015 15:44


         Era a largada de duas escolas que estavam situadas uma do lado da outra, separadas por um muro altíssimo de uma delas. Da escola pública saíam crianças correndo, brincando e falando alto. A maioria estava desacompanhada e dirigia-se ao ponto de ônibus da grande avenida, que terminaria nas periferias. Era uma massa escura, especialmente quando contrastada com a massa mais clara que saía da escola particular do lado: crianças brancas, de mãos dadas com os pais, babás ou seguranças, caminhando duramente em direção à fila de caminhonetes. Lado a lado, os dois grupos não se misturavam. Cada um sabia exatamente seu lugar. Desde muito pequenas, aquelas crianças tinham literalmente incorporado a segregação à brasileira, que se caracteriza pela mistura única entre o sistema de apartheid racial e o de castas de classes. Os corpos domesticados revelavam o triste processo de socialização ao desprezo, que tende a só piorar na vida adulta.
         Mas eis que, de repente, um menino negro, magro e sorridente, ousou subverter as regras tácitas. Brincando de correr em ziguezague, ele “invadiu” a área branca e se esbarrou num menino que, imediatamente, se agarrou desesperadamente no braço da mulher que lhe buscara. Foi um reflexo automático do medo. O menino “invasor” fez um gesto de desculpas – algo como “foi mal” -, e voltou a correr entre os seus, enquanto que a outra criança seguia petrificada.
         No olhar do menino “invadido”, havia um misto de medo, de raiva, mas principalmente, de nojo – como que se a outra criança tivesse uma doença altamente contagiosa. Não é difícil imaginar o impacto de esse olhar no inconsciente do menino negro e pobre. Este aprendia, desde muito cedo, que era um intocável, que vivia em uma sociedade na qual seu corpo, na esfera pública, valia menos que o de um menino da mesma idade, que ainda não tinha nenhum mérito conquistado, apenas privilégios herdados. As consequências desse gesto minúsculo serão trágicas para o menino "invadido", pois é vítima da ignorância social. Mas será muito mais trágica para quem é negro e desprovido de capital econômico, social e cultural. Para que essa criança não se corrompa no futuro, ela precisa ser salva do olhar de nojo.
         É possível que, por meio de leitura e mistura, o menino amedrontado se engrandeça politicamente no futuro, se liberte do muro que lhe protege e dispense o braço da babá. Mas, infelizmente, há uma tendência grande de que ele, cercado por medo e preconceito, passe o resto de sua existência se protegendo do “marginalzinho”. Pivetes, favelados, fedorentos: isso é tudo que ele ouve sobre seus vizinhos. Trata-se de uma verdade histórica a priori, para além da qual não se consegue pensar. Essas categorias compõem o discurso forjado sobre a pobreza, que, em última instância, visa à intervenção e à manutenção do poder. Reproduzindo este discurso, então, o menino tornar-se-á um adulto. Ele blindará seu carro, colocará alarme em sua casa, pedirá a morte de traficantes. Dirá que rolezinho é arrastão, pedirá mais polícia e curtirá a vida em camarotes. Pode ser até que ele peça a volta da ditadura. Achando que é um cidadão de bem que age contra a marginalidade do mal, forma-se um perfeito idiota.
    (Adaptado de , 27/01/2015. Disponível em Carta Capital http://www.cartacapital.com.br/sociedade/marginalzinho-asocializacao-de-uma-elite-vazia-e-covarde-3514.html)
    Os sentidos atribuídos às expressões “invadiu” e “invadido”, no segundo e no terceiro parágrafos, estão relacionados, respectivamente, à dimensão:
    Escolha uma alternativa para a questão 76e207a7-de
  • 76DEE78D-DE

    Português

    Interpretação de Textos
    Escola Superior de Administração, Marketing e Comunicação · 2015FácilEntre para guardar nos favoritos
    Marginalzinho: a socialização de uma elite vazia e covarde

    Parada em um sinal de trânsito, uma cena capturou minha atenção e me fez pensar como, ao longo da vida, a segregação da sociedade brasileira nos bestializa.

    por Rosana Pinheiro-Machado — publicado 27/01/2015 15:08, última modificação 27/01/2015 15:44


         Era a largada de duas escolas que estavam situadas uma do lado da outra, separadas por um muro altíssimo de uma delas. Da escola pública saíam crianças correndo, brincando e falando alto. A maioria estava desacompanhada e dirigia-se ao ponto de ônibus da grande avenida, que terminaria nas periferias. Era uma massa escura, especialmente quando contrastada com a massa mais clara que saía da escola particular do lado: crianças brancas, de mãos dadas com os pais, babás ou seguranças, caminhando duramente em direção à fila de caminhonetes. Lado a lado, os dois grupos não se misturavam. Cada um sabia exatamente seu lugar. Desde muito pequenas, aquelas crianças tinham literalmente incorporado a segregação à brasileira, que se caracteriza pela mistura única entre o sistema de apartheid racial e o de castas de classes. Os corpos domesticados revelavam o triste processo de socialização ao desprezo, que tende a só piorar na vida adulta.
         Mas eis que, de repente, um menino negro, magro e sorridente, ousou subverter as regras tácitas. Brincando de correr em ziguezague, ele “invadiu” a área branca e se esbarrou num menino que, imediatamente, se agarrou desesperadamente no braço da mulher que lhe buscara. Foi um reflexo automático do medo. O menino “invasor” fez um gesto de desculpas – algo como “foi mal” -, e voltou a correr entre os seus, enquanto que a outra criança seguia petrificada.
         No olhar do menino “invadido”, havia um misto de medo, de raiva, mas principalmente, de nojo – como que se a outra criança tivesse uma doença altamente contagiosa. Não é difícil imaginar o impacto de esse olhar no inconsciente do menino negro e pobre. Este aprendia, desde muito cedo, que era um intocável, que vivia em uma sociedade na qual seu corpo, na esfera pública, valia menos que o de um menino da mesma idade, que ainda não tinha nenhum mérito conquistado, apenas privilégios herdados. As consequências desse gesto minúsculo serão trágicas para o menino "invadido", pois é vítima da ignorância social. Mas será muito mais trágica para quem é negro e desprovido de capital econômico, social e cultural. Para que essa criança não se corrompa no futuro, ela precisa ser salva do olhar de nojo.
         É possível que, por meio de leitura e mistura, o menino amedrontado se engrandeça politicamente no futuro, se liberte do muro que lhe protege e dispense o braço da babá. Mas, infelizmente, há uma tendência grande de que ele, cercado por medo e preconceito, passe o resto de sua existência se protegendo do “marginalzinho”. Pivetes, favelados, fedorentos: isso é tudo que ele ouve sobre seus vizinhos. Trata-se de uma verdade histórica a priori, para além da qual não se consegue pensar. Essas categorias compõem o discurso forjado sobre a pobreza, que, em última instância, visa à intervenção e à manutenção do poder. Reproduzindo este discurso, então, o menino tornar-se-á um adulto. Ele blindará seu carro, colocará alarme em sua casa, pedirá a morte de traficantes. Dirá que rolezinho é arrastão, pedirá mais polícia e curtirá a vida em camarotes. Pode ser até que ele peça a volta da ditadura. Achando que é um cidadão de bem que age contra a marginalidade do mal, forma-se um perfeito idiota.
    (Adaptado de , 27/01/2015. Disponível em Carta Capital http://www.cartacapital.com.br/sociedade/marginalzinho-asocializacao-de-uma-elite-vazia-e-covarde-3514.html)
    O segundo parágrafo traz em si a expressão “regras tácitas”, que significa:
    Escolha uma alternativa para a questão 76dee78d-de
  • 03EAF16E-DE

    Sociologia

    O processo de socialização
    Centro de Estudos Superiores de Maceió - Centro Universitário · 2015FácilEntre para guardar nos favoritos
    A humanidade tem, ao longo da história, seu desenvolvimento promovido, sobretudo pela ‘herança social’:
    Escolha uma alternativa para a questão 03eaf16e-de