Questões do ENEM 2016

Questões aplicadas na prova de 2016, cada uma em página própria com enunciado, alternativas e gabarito.

Resultados

1.504 questões encontradas. Mostrando a página 59 de 76.

  • FF715B07-E1

    Português

    Interpretação de Textos
    USP · 2016MédioEntre para guardar nos favoritos

    Observe a imagem e leia o texto, para responder à questão.

    Imagem da questão de Português, da prova de 2016

        O Comissário apertou-lhe mais a mão, querendo transmitir-lhe o sopro de vida. Mas a vida de Sem Medo esvaía-se para o solo do Mayombe, misturando-se às folhas em decomposição.

        [...]

        Mas o Comissário não ouviu o que o Comandante disse. Os lábios já mal se moviam.

        A amoreira gigante à sua frente. O tronco destaca-se do sincretismo da mata, mas se eu percorrer com os olhos o tronco para cima, a folhagem dele mistura-se à folhagem geral e é de novo o sincretismo. Só o tronco se destaca, se individualiza. Tal é o Mayombe, os gigantes só o são em parte, ao nível do tronco, o resto confunde-se na massa. Tal o homem. As impressões visuais são menos nítidas e a mancha verde predominante faz esbater progressivamente a claridade do tronco da amoreira gigante. As manchas verdes são cada vez mais sobrepostas, mas, num sobressalto, o tronco da amoreira ainda se afirma, debatendo-se. Tal é a vida.

        [...]

        Os olhos de Sem Medo ficaram abertos, contemplando o tronco já invisível do gigante que para sempre desaparecera no seu elemento verde.

    Pepetela, Mayombe.

    Considerando-se o excerto no contexto de Mayombe, os paralelos que nele são estabelecidos entre aspectos da natureza e da vida humana podem ser interpretados como uma
    Escolha uma alternativa para a questão ff715b07-e1
  • FF6ED892-E1

    Português

    Interpretação de Textos
    USP · 2016DifícilEntre para guardar nos favoritos

    Se pudesse mudar-se, gritaria bem alto que o roubavam. Aparentemente resignado, sentia um ódio imenso a qualquer coisa que era ao mesmo tempo a campina seca, o patrão, os soldados e os agentes da prefeitura. Tudo na verdade era contra ele. Estava acostumado, tinha a casca muito grossa, mas às vezes se arreliava. Não havia paciência que suportasse tanta coisa.

    - Um dia um homem faz besteira e se desgraça.

    Graciliano Ramos, Vidas secas.

    Tendo em vista as causas que a provocam, a revolta que vem à consciência de Fabiano, apresentada no texto como ainda contida e genérica, encontrará foco e uma expressão coletiva militante e organizada, em época posterior à publicação de Vidas secas, no movimento

    Escolha uma alternativa para a questão ff6ed892-e1
  • FF696094-E1

    Português

    Figuras de Linguagem
    USP · 2016MédioEntre para guardar nos favoritos

    TEXTO PARA A QUESTÃO

    Imagem da questão de Português, da prova de 2016

    Dentre os recursos expressivos empregados no texto, tem papel preponderante a
    Escolha uma alternativa para a questão ff696094-e1
  • FF66A097-E1

    Português

    Interpretação de Textos
    USP · 2016MédioEntre para guardar nos favoritos

    TEXTO PARA A QUESTÃO

    Imagem da questão de Português, da prova de 2016

    No último período do texto, o ritmo que o narrador imprime ao relato de seus amores corresponde sobretudo ao que se encontra expresso em
    Escolha uma alternativa para a questão ff66a097-e1
  • FF6178A9-E1

    Português

    Estrutura das Palavras: Radical, Desinência, Prefixo e Sufixo
    USP · 2016MédioEntre para guardar nos favoritos

    TEXTO PARA A QUESTÃO

        Evidentemente, não se pode esperar que Dostoiévski seja traduzido por outro Dostoiévski, mas desde que o tradutor procure penetrar nas peculiaridades da linguagem primeira, aplique-se com afinco e faça com que sua criatividade orientada pelo original permita, paradoxalmente, afastar-se do texto para ficar mais próximo deste, um passo importante será dado. Deixando de lado a fidelidade mecânica, frase por frase, tratando o original como um conjunto de blocos a serem transpostos, e transgredindo sem receio, quando necessário, as normas do “escrever bem”, o tradutor poderá trazê-lo com boa margem de fidelidade para a língua com a qual está trabalhando.

    Boris Schnaiderman, Dostoiévski Prosa Poesia.

    O prefixo presente na palavra “transpostos” tem o mesmo sentido do prefixo que ocorre em
    Escolha uma alternativa para a questão ff6178a9-e1
  • FF5C180D-E1

    Português

    Interpretação de Textos
    USP · 2016FácilEntre para guardar nos favoritos

    TEXTO PARA A QUESTÃO

        Evidentemente, não se pode esperar que Dostoiévski seja traduzido por outro Dostoiévski, mas desde que o tradutor procure penetrar nas peculiaridades da linguagem primeira, aplique-se com afinco e faça com que sua criatividade orientada pelo original permita, paradoxalmente, afastar-se do texto para ficar mais próximo deste, um passo importante será dado. Deixando de lado a fidelidade mecânica, frase por frase, tratando o original como um conjunto de blocos a serem transpostos, e transgredindo sem receio, quando necessário, as normas do “escrever bem”, o tradutor poderá trazê-lo com boa margem de fidelidade para a língua com a qual está trabalhando.

    Boris Schnaiderman, Dostoiévski Prosa Poesia.

    De acordo com o texto, a boa tradução precisa
    Escolha uma alternativa para a questão ff5c180d-e1
  • FF59408F-E1

    Português

    Interpretação de Textos
    USP · 2016MédioEntre para guardar nos favoritos

    TEXTO PARA A QUESTÃO

        Nasceu o dia e expirou.

        Já brilha na cabana de Araquém o fogo, companheiro da noite. Correm lentas e silenciosas no azul do céu, as estrelas, filhas da lua, que esperam a volta da mãe ausente.

        Martim se embala docemente; e como a alva rede que vai e vem, sua vontade oscila de um a outro pensamento. Lá o espera a virgem loura dos castos afetos; aqui lhe sorri a virgem morena dos ardentes amores.

        Iracema recosta-se langue ao punho da rede; seus olhos negros e fúlgidos, ternos olhos de sabiá, buscam o estrangeiro, e lhe entram n’alma. O cristão sorri; a virgem palpita; como o saí, fascinado pela serpente, vai declinando o lascivo talhe, que se debruça enfim sobre o peito do guerreiro.

    José de Alencar, Iracema.

    É correto afirmar que, no texto, o narrador
    Escolha uma alternativa para a questão ff59408f-e1
  • FF567982-E1

    Português

    Interpretação de Textos
    USP · 2016MédioEntre para guardar nos favoritos

    TEXTO PARA A QUESTÃO

        Nasceu o dia e expirou.

        Já brilha na cabana de Araquém o fogo, companheiro da noite. Correm lentas e silenciosas no azul do céu, as estrelas, filhas da lua, que esperam a volta da mãe ausente.

        Martim se embala docemente; e como a alva rede que vai e vem, sua vontade oscila de um a outro pensamento. Lá o espera a virgem loura dos castos afetos; aqui lhe sorri a virgem morena dos ardentes amores.

        Iracema recosta-se langue ao punho da rede; seus olhos negros e fúlgidos, ternos olhos de sabiá, buscam o estrangeiro, e lhe entram n’alma. O cristão sorri; a virgem palpita; como o saí, fascinado pela serpente, vai declinando o lascivo talhe, que se debruça enfim sobre o peito do guerreiro.

    José de Alencar, Iracema.

    No texto, corresponde a uma das convenções com que o Indianismo construía suas representações do indígena
    Escolha uma alternativa para a questão ff567982-e1
  • FF4BA48C-E1

    Português

    Adjetivos
    USP · 2016DifícilEntre para guardar nos favoritos

    Examine este cartaz, cuja finalidade é divulgar uma exposição de obras de Pablo Picasso.

    Imagem da questão de Português, da prova de 2016

    Nas expressões “Mão erudita” e “Olho selvagem”, que compõem o texto do anúncio, os adjetivos “erudita” e “selvagem” sugerem que as obras do referido artista conjugam, respectivamente,

    Escolha uma alternativa para a questão ff4ba48c-e1
  • FBAC6381-E1

    Inglês

    Interpretação de texto | Reading comprehension
    CEDERJ · 2016MédioEntre para guardar nos favoritos

    A new planet in our neighborhood - how likely is life there?

    By Don Lincoln, August 24, 2016

    Imagem da questão de Inglês, da prova de 2016 

    Scientists working at the European Southern Observatory (ESO), using the La Silla telescope, claim to have discovered the closest exoplanet to Earth. Exoplanet means planets orbiting stars other than the Sun. Most of them are huge planets orbiting very near their star. The newly discovered planet, which orbits Proxima Centauri, a star within the so-called “habitable zone”, has been named Proxima b.

    Proxima Centauri is a red dwarf, which is the most common type of star in the galaxy. Red dwarfs are much smaller than our Sun, and are very dim. For instance, in the visible spectrum that we use to see, Proxima Centauri gives off 0.0056% as much light as the Sun.

    So what about life? Are there any chances that an alien lizard might bask in Proxima Centauri’s light or try to find shade under an alien tree? Dr. Guillem Anglada-Escudé, co-author of the research from London University, believes that “there is a reasonable expectation that this planet might be able to host life”

    But this belief is not consensual as other scientists think the prospect of life is improbable. Although the temperature of the planet is thought to be such that liquid water could exist, it is unlikely that Proxima b is habitable, as the planet is subject to stellar wind pressures of more than 2000 times those experienced by Earth from the solar wind. These winds would likely blow any atmosphere away, leaving the undersurface as the only vaguely habitable location on that planet. You shouldn’t imagine, thus, a lush and verdant world, with lovely blue waters, sandy beaches and green plants.

    So, what’s the bottom line? First, the discovery is extremely exciting. The existence of a nearby planet in the habitable zone will perhaps increase the interest in efforts like Project Starshot, which aims to send microprobes (instruments that apply a stable and wellfocused beam of charged particles -electrons or ions- to a sample) to Proxima Centauri. On the other hand, Proxima b is unlikely to be a haven for people trying to escape the ecological issues of Earth, so we should not view this discovery as a way to ignore our own ecosystem.

    Adapted from: < http://edition.cnn.com/2016/08/24/opinions/nearbyplanet-opinion-lincoln/> Access Oct. 2016.


    Glossário:

    claim: afirmar; dwarf: anão; dim: opaco; give off: emitir; lizard: lagarto; bask: aquecer-se; belief: crença; wind: vento; undersurface: camada inferior; lush: viçoso; bottom line: aspecto fundamental; aim: visar/ter por objetivo; sample: amostra; haven: refúgio.

    Read the text again and answer question

    According to the text, some scientists, differently from Dr. Guillem Anglada-Escudé’s opinion, believe that the

    Escolha uma alternativa para a questão fbac6381-e1
  • FBA93AC0-E1

    Inglês

    Interpretação de texto | Reading comprehension
    CEDERJ · 2016MédioEntre para guardar nos favoritos

    A new planet in our neighborhood - how likely is life there?

    By Don Lincoln, August 24, 2016

    Imagem da questão de Inglês, da prova de 2016 

    Scientists working at the European Southern Observatory (ESO), using the La Silla telescope, claim to have discovered the closest exoplanet to Earth. Exoplanet means planets orbiting stars other than the Sun. Most of them are huge planets orbiting very near their star. The newly discovered planet, which orbits Proxima Centauri, a star within the so-called “habitable zone”, has been named Proxima b.

    Proxima Centauri is a red dwarf, which is the most common type of star in the galaxy. Red dwarfs are much smaller than our Sun, and are very dim. For instance, in the visible spectrum that we use to see, Proxima Centauri gives off 0.0056% as much light as the Sun.

    So what about life? Are there any chances that an alien lizard might bask in Proxima Centauri’s light or try to find shade under an alien tree? Dr. Guillem Anglada-Escudé, co-author of the research from London University, believes that “there is a reasonable expectation that this planet might be able to host life”

    But this belief is not consensual as other scientists think the prospect of life is improbable. Although the temperature of the planet is thought to be such that liquid water could exist, it is unlikely that Proxima b is habitable, as the planet is subject to stellar wind pressures of more than 2000 times those experienced by Earth from the solar wind. These winds would likely blow any atmosphere away, leaving the undersurface as the only vaguely habitable location on that planet. You shouldn’t imagine, thus, a lush and verdant world, with lovely blue waters, sandy beaches and green plants.

    So, what’s the bottom line? First, the discovery is extremely exciting. The existence of a nearby planet in the habitable zone will perhaps increase the interest in efforts like Project Starshot, which aims to send microprobes (instruments that apply a stable and wellfocused beam of charged particles -electrons or ions- to a sample) to Proxima Centauri. On the other hand, Proxima b is unlikely to be a haven for people trying to escape the ecological issues of Earth, so we should not view this discovery as a way to ignore our own ecosystem.

    Adapted from: < http://edition.cnn.com/2016/08/24/opinions/nearbyplanet-opinion-lincoln/> Access Oct. 2016.


    Glossário:

    claim: afirmar; dwarf: anão; dim: opaco; give off: emitir; lizard: lagarto; bask: aquecer-se; belief: crença; wind: vento; undersurface: camada inferior; lush: viçoso; bottom line: aspecto fundamental; aim: visar/ter por objetivo; sample: amostra; haven: refúgio.

    Leia o texto e responda à questão.

    De acordo com o texto, o brilho da estrela Proxima Centauri é

    Escolha uma alternativa para a questão fba93ac0-e1
  • FBA68D35-E1

    Inglês

    Interpretação de texto | Reading comprehension
    CEDERJ · 2016MédioEntre para guardar nos favoritos

    A new planet in our neighborhood - how likely is life there?

    By Don Lincoln, August 24, 2016

    Imagem da questão de Inglês, da prova de 2016 

    Scientists working at the European Southern Observatory (ESO), using the La Silla telescope, claim to have discovered the closest exoplanet to Earth. Exoplanet means planets orbiting stars other than the Sun. Most of them are huge planets orbiting very near their star. The newly discovered planet, which orbits Proxima Centauri, a star within the so-called “habitable zone”, has been named Proxima b.

    Proxima Centauri is a red dwarf, which is the most common type of star in the galaxy. Red dwarfs are much smaller than our Sun, and are very dim. For instance, in the visible spectrum that we use to see, Proxima Centauri gives off 0.0056% as much light as the Sun.

    So what about life? Are there any chances that an alien lizard might bask in Proxima Centauri’s light or try to find shade under an alien tree? Dr. Guillem Anglada-Escudé, co-author of the research from London University, believes that “there is a reasonable expectation that this planet might be able to host life”

    But this belief is not consensual as other scientists think the prospect of life is improbable. Although the temperature of the planet is thought to be such that liquid water could exist, it is unlikely that Proxima b is habitable, as the planet is subject to stellar wind pressures of more than 2000 times those experienced by Earth from the solar wind. These winds would likely blow any atmosphere away, leaving the undersurface as the only vaguely habitable location on that planet. You shouldn’t imagine, thus, a lush and verdant world, with lovely blue waters, sandy beaches and green plants.

    So, what’s the bottom line? First, the discovery is extremely exciting. The existence of a nearby planet in the habitable zone will perhaps increase the interest in efforts like Project Starshot, which aims to send microprobes (instruments that apply a stable and wellfocused beam of charged particles -electrons or ions- to a sample) to Proxima Centauri. On the other hand, Proxima b is unlikely to be a haven for people trying to escape the ecological issues of Earth, so we should not view this discovery as a way to ignore our own ecosystem.

    Adapted from: < http://edition.cnn.com/2016/08/24/opinions/nearbyplanet-opinion-lincoln/> Access Oct. 2016.


    Glossário:

    claim: afirmar; dwarf: anão; dim: opaco; give off: emitir; lizard: lagarto; bask: aquecer-se; belief: crença; wind: vento; undersurface: camada inferior; lush: viçoso; bottom line: aspecto fundamental; aim: visar/ter por objetivo; sample: amostra; haven: refúgio.

    Leia o texto e responda à questão.

    Segundo o texto, Proxima Centauri é uma estrela

    Escolha uma alternativa para a questão fba68d35-e1
  • FB4F2408-E1

    Português

    Interpretação de Textos
    CEDERJ · 2016MédioEntre para guardar nos favoritos

    Imagem da questão de Português, da prova de 2016

    No fragmento “Por um lado, acentua-se que criança tem curiosidade sobre política. E sobre as palavras que encontra e não conhece. Por outro lado, nos recorda que a satisfação dessa curiosidade tem a obrigação ética de procurar ser clara e equilibrada.”, (linhas 23-27) veicula-se a ideia de
    Escolha uma alternativa para a questão fb4f2408-e1
  • FB4CAE89-E1

    Português

    Interpretação de Textos
    CEDERJ · 2016MédioEntre para guardar nos favoritos

    Imagem da questão de Português, da prova de 2016

    “A maioria dos que então estudaram acompanhava o desenvolvimento da história lida em voz alta pelos alunos em classe, desde o início em que o pai fingia dormir para não ter de revelar que não sabia a história, passando pela insistência do filho e a pressão da mãe para que tirasse a dúvida da criança, até a cena de zanga paterna que incluía sair da sala e se trancar no quarto.” (linhas 6-13)

    A construção do enunciado acima configura uma estrutura de
    Escolha uma alternativa para a questão fb4cae89-e1
  • 59A38293-D8

    Português

    Interpretação de Textos
    PUC - SP · 2016FácilEntre para guardar nos favoritos

    Os textos a seguir serão a base da questão objetiva. 


    Recado dado ao STF 

    Editorial Folha de S.Paulo, 13 set. 2016

      Poucas vezes a posse de um presidente do Supremo Tribunal Federal se revestiu de tanto simbolismo quanto a de Cármen Lúcia, cuja chegada ao comando do órgão de cúpula do Judiciário se consumou nesta segunda-feira (12). 

      Em uma cerimônia simples, a ministra quebrou o protocolo já no início de seu discurso. Em vez de cumprimentar primeiro o presidente da República, Michel Temer (PMDB), Cármen Lúcia considerou que a maior autoridade presente era "Sua Excelência, o povo" – e, por isso, saudou antes de todos o "cidadão brasileiro".

      Partisse de outrem, o gesto talvez pudesse ser considerado mero populismo; vindo da nova presidente do STF, guarda coerência com outras iniciativas de valor simbólico semelhante, como abrir mão de carro oficial com motorista ou dispensar a festa em sua própria posse.

      Como se pudesse haver dúvidas a respeito disso, Cármen Lúcia deixa clara a intenção de, no próximo biênio, conduzir o STF com a mesma austeridade que pauta sua conduta pessoal. "Privilégios são incompatíveis com a República", disse a esta Folha no ano passado.

      É de imaginar, assim, que a nova presidente de fato reveja uma das principais bandeiras da agenda corporativista de seu antecessor, Ricardo Lewandowski: o indefensável aumento salarial para os ministros do Supremo.

      Não há de ser esse o único contraste entre as gestões. Espera-se que Cármen Lúcia moralize os gastos com diárias de viagens oficiais no STF, amplie a transparência e a previsibilidade das decisões do Judiciário e, acima de tudo, resgate o papel disciplinar do Conselho Nacional de Justiça, esvaziado sob a batuta de Lewandowski.

      Desfrutando de sólida reputação no meio jurídico, a ministra suscita altas expectativas ainda por outro motivo: ela relatou o processo do ex-deputado federal Natan Donadon, condenado por desvio de dinheiro público e primeiro político a ter sua prisão determinada pelo STF desde a promulgação da Constituição de 1988.

      Daí por que o ministro Celso de Mello se sentiu à vontade para, antes do discurso de Cármen Lúcia, proferir palavras duríssimas contra "os marginais da República, cuja atuação criminosa tem o efeito deletério de subverter a dignidade da função política e da própria atividade governamental".

      No plenário do Supremo, diversos figurões da política investigados ou processados por crimes contra o patrimônio público apenas ouviam, constrangidos. Que o recado da gestão Cármen Lúcia possa ir além do plano simbólico.


    De Caetano a Guimarães Rosa, veja as referências de Cármen Lúcia em seu discurso de posse


    POR LUMA POLETTI | 13/09/2016 10:00

       Ao longo de seu discurso de posse, a ministra Cármen Lúcia, que assumiu a presidência do Supremo Tribunal Federal nesta segunda-feira (12), citou trechos de canções de Caetano Veloso, Titãs, além de versos de Cecília Meirelles, Carlos Drummond de Andrade, Paulo Mendes Campos e fez menção a Riobaldo, personagem de Grande Sertão: Veredas, clássico de Guimarães Rosa e uma das mais.
      A escolha das referências musicais da ministra dá pistas sobre sua visão acerca do atual momento sociopolítico. Citando o cantor e compositor Caetano Veloso, presente na sessão – que interpretou em voz e violão o hino nacional – Cármen Lúcia concordou que “alguma coisa está fora da ordem”.
      “Caetanos e não caetanos deste Brasil tão plural concluem em uníssono: alguma coisa está fora de ordem, fora da nova ordem mundial”, disse a ministra. “O que nos cumpre, a nós servidores públicos em especial, é questionar e achar resposta: de qual ordem está tudo fora…”, acrescentou.
      O cantor já se posicionou contra o governo do presidente Michel Temer, nos bastidores da cerimônia de abertura das Olimpíadas de 2016.
      A nova presidente do STF também citou a música “Comida”, da banda Titãs. “Cumpre-nos dedicar-nos de forma intransigente e integral a dar cobro ao que nos é determinado pela Constituição da República e que de nós é esperado pelo cidadão brasileiro, o qual quer saúde, educação, trabalho, sossego para andar em paz por ruas, estradas do país e trilhas livres para poder sonhar além do mais. Que, como na fala do poeta da música popular brasileira, ninguém quer só comida, quer também diversão e arte”.
      Um dos compositores da canção citada é Arnaldo Antunes, que também se posicionou contra o impeachment de Dilma Rousseff nas redes sociais.
      Versos
      Cármen Lúcia também citou versos da escritora Cecília Meireles, ao dizer que “liberdade é um sonho que o mundo inteiro alimenta” – da obra Romanceiro da Inconfidência, lançada em 1953.
      “Se, no verso de Cecília Meireles, a liberdade é um sonho, que o mundo inteiro alimenta, parece-me ser a Justiça um sentimento, que a humanidade inteira acalenta”, discursou a ministra.
      Mais adiante em seu discurso, Cármen Lúcia fez menção a um personagem do livro Grande Sertão: Veredas, do escritor mineiro (tal como a ministra) Guimarães Rosa. “Riobaldo afirmava que 'natureza da gente não cabe em nenhuma certeza'. Mas parece-me que a natureza da gente não se aguenta em tantas incertezas. Especialmente quando o incerto é a Justiça que se pede e que se espera do Estado”, disse a nova presidente do STF.
      Em seguida, outro escritor mineiro foi lembrado por Cármen Lúcia. “Em tempos cujo nome é tumulto escrito em pedra, como diria Drummond, os desafios são maiores. Ser difícil não significa ser impossível. De resto, não acho que para o ser humano exista, na vida, o impossível”, disse a ministra, em referência ao poema “Nosso tempo”, do escritor mineiro.
      A sucessora de Ricardo Lewandowski concluiu o discurso citando um terceiro escritor mineiro: Paulo Mendes Campos. “O Judiciário brasileiro sabe dos seus compromissos e de suas responsabilidades. Em tempo de dores multiplicadas, há que se multiplicarem também as esperanças, à maneira da lição de Paulo Mendes Campos”, disse Cármen Lúcia, em referência ao “Poema Didático”, de Paulo Mendes Campos.

    Disponível em: http://congressoemfoco.uol.com.br/noticias/de-caetano-a-guimaraes-rosa-vejaas-referencias-de-carmen-lucia-em-seu-discurso-de-posse/ . Acesso em: 26 set.2016.
    [Adaptado]  

    Em relação ao uso da linguagem, tanto no editorial como na matéria de Poletti,
    Escolha uma alternativa para a questão 59a38293-d8
  • 59A00659-D8

    Português

    Interpretação de Textos
    PUC - SP · 2016FácilEntre para guardar nos favoritos

    Os textos a seguir serão a base da questão objetiva. 


    Recado dado ao STF 

    Editorial Folha de S.Paulo, 13 set. 2016

      Poucas vezes a posse de um presidente do Supremo Tribunal Federal se revestiu de tanto simbolismo quanto a de Cármen Lúcia, cuja chegada ao comando do órgão de cúpula do Judiciário se consumou nesta segunda-feira (12). 

      Em uma cerimônia simples, a ministra quebrou o protocolo já no início de seu discurso. Em vez de cumprimentar primeiro o presidente da República, Michel Temer (PMDB), Cármen Lúcia considerou que a maior autoridade presente era "Sua Excelência, o povo" – e, por isso, saudou antes de todos o "cidadão brasileiro".

      Partisse de outrem, o gesto talvez pudesse ser considerado mero populismo; vindo da nova presidente do STF, guarda coerência com outras iniciativas de valor simbólico semelhante, como abrir mão de carro oficial com motorista ou dispensar a festa em sua própria posse.

      Como se pudesse haver dúvidas a respeito disso, Cármen Lúcia deixa clara a intenção de, no próximo biênio, conduzir o STF com a mesma austeridade que pauta sua conduta pessoal. "Privilégios são incompatíveis com a República", disse a esta Folha no ano passado.

      É de imaginar, assim, que a nova presidente de fato reveja uma das principais bandeiras da agenda corporativista de seu antecessor, Ricardo Lewandowski: o indefensável aumento salarial para os ministros do Supremo.

      Não há de ser esse o único contraste entre as gestões. Espera-se que Cármen Lúcia moralize os gastos com diárias de viagens oficiais no STF, amplie a transparência e a previsibilidade das decisões do Judiciário e, acima de tudo, resgate o papel disciplinar do Conselho Nacional de Justiça, esvaziado sob a batuta de Lewandowski.

      Desfrutando de sólida reputação no meio jurídico, a ministra suscita altas expectativas ainda por outro motivo: ela relatou o processo do ex-deputado federal Natan Donadon, condenado por desvio de dinheiro público e primeiro político a ter sua prisão determinada pelo STF desde a promulgação da Constituição de 1988.

      Daí por que o ministro Celso de Mello se sentiu à vontade para, antes do discurso de Cármen Lúcia, proferir palavras duríssimas contra "os marginais da República, cuja atuação criminosa tem o efeito deletério de subverter a dignidade da função política e da própria atividade governamental".

      No plenário do Supremo, diversos figurões da política investigados ou processados por crimes contra o patrimônio público apenas ouviam, constrangidos. Que o recado da gestão Cármen Lúcia possa ir além do plano simbólico.


    De Caetano a Guimarães Rosa, veja as referências de Cármen Lúcia em seu discurso de posse


    POR LUMA POLETTI | 13/09/2016 10:00

       Ao longo de seu discurso de posse, a ministra Cármen Lúcia, que assumiu a presidência do Supremo Tribunal Federal nesta segunda-feira (12), citou trechos de canções de Caetano Veloso, Titãs, além de versos de Cecília Meirelles, Carlos Drummond de Andrade, Paulo Mendes Campos e fez menção a Riobaldo, personagem de Grande Sertão: Veredas, clássico de Guimarães Rosa e uma das mais.
      A escolha das referências musicais da ministra dá pistas sobre sua visão acerca do atual momento sociopolítico. Citando o cantor e compositor Caetano Veloso, presente na sessão – que interpretou em voz e violão o hino nacional – Cármen Lúcia concordou que “alguma coisa está fora da ordem”.
      “Caetanos e não caetanos deste Brasil tão plural concluem em uníssono: alguma coisa está fora de ordem, fora da nova ordem mundial”, disse a ministra. “O que nos cumpre, a nós servidores públicos em especial, é questionar e achar resposta: de qual ordem está tudo fora…”, acrescentou.
      O cantor já se posicionou contra o governo do presidente Michel Temer, nos bastidores da cerimônia de abertura das Olimpíadas de 2016.
      A nova presidente do STF também citou a música “Comida”, da banda Titãs. “Cumpre-nos dedicar-nos de forma intransigente e integral a dar cobro ao que nos é determinado pela Constituição da República e que de nós é esperado pelo cidadão brasileiro, o qual quer saúde, educação, trabalho, sossego para andar em paz por ruas, estradas do país e trilhas livres para poder sonhar além do mais. Que, como na fala do poeta da música popular brasileira, ninguém quer só comida, quer também diversão e arte”.
      Um dos compositores da canção citada é Arnaldo Antunes, que também se posicionou contra o impeachment de Dilma Rousseff nas redes sociais.
      Versos
      Cármen Lúcia também citou versos da escritora Cecília Meireles, ao dizer que “liberdade é um sonho que o mundo inteiro alimenta” – da obra Romanceiro da Inconfidência, lançada em 1953.
      “Se, no verso de Cecília Meireles, a liberdade é um sonho, que o mundo inteiro alimenta, parece-me ser a Justiça um sentimento, que a humanidade inteira acalenta”, discursou a ministra.
      Mais adiante em seu discurso, Cármen Lúcia fez menção a um personagem do livro Grande Sertão: Veredas, do escritor mineiro (tal como a ministra) Guimarães Rosa. “Riobaldo afirmava que 'natureza da gente não cabe em nenhuma certeza'. Mas parece-me que a natureza da gente não se aguenta em tantas incertezas. Especialmente quando o incerto é a Justiça que se pede e que se espera do Estado”, disse a nova presidente do STF.
      Em seguida, outro escritor mineiro foi lembrado por Cármen Lúcia. “Em tempos cujo nome é tumulto escrito em pedra, como diria Drummond, os desafios são maiores. Ser difícil não significa ser impossível. De resto, não acho que para o ser humano exista, na vida, o impossível”, disse a ministra, em referência ao poema “Nosso tempo”, do escritor mineiro.
      A sucessora de Ricardo Lewandowski concluiu o discurso citando um terceiro escritor mineiro: Paulo Mendes Campos. “O Judiciário brasileiro sabe dos seus compromissos e de suas responsabilidades. Em tempo de dores multiplicadas, há que se multiplicarem também as esperanças, à maneira da lição de Paulo Mendes Campos”, disse Cármen Lúcia, em referência ao “Poema Didático”, de Paulo Mendes Campos.

    Disponível em: http://congressoemfoco.uol.com.br/noticias/de-caetano-a-guimaraes-rosa-vejaas-referencias-de-carmen-lucia-em-seu-discurso-de-posse/ . Acesso em: 26 set.2016.
    [Adaptado]  

    Assinale a passagem do texto de Luma Poletti em que Cármen Lúcia caracteriza sua função.
    Escolha uma alternativa para a questão 59a00659-d8
  • 599D07C5-D8

    Português

    Interpretação de Textos
    PUC - SP · 2016FácilEntre para guardar nos favoritos

    Os textos a seguir serão a base da questão objetiva. 


    Recado dado ao STF 

    Editorial Folha de S.Paulo, 13 set. 2016

      Poucas vezes a posse de um presidente do Supremo Tribunal Federal se revestiu de tanto simbolismo quanto a de Cármen Lúcia, cuja chegada ao comando do órgão de cúpula do Judiciário se consumou nesta segunda-feira (12). 

      Em uma cerimônia simples, a ministra quebrou o protocolo já no início de seu discurso. Em vez de cumprimentar primeiro o presidente da República, Michel Temer (PMDB), Cármen Lúcia considerou que a maior autoridade presente era "Sua Excelência, o povo" – e, por isso, saudou antes de todos o "cidadão brasileiro".

      Partisse de outrem, o gesto talvez pudesse ser considerado mero populismo; vindo da nova presidente do STF, guarda coerência com outras iniciativas de valor simbólico semelhante, como abrir mão de carro oficial com motorista ou dispensar a festa em sua própria posse.

      Como se pudesse haver dúvidas a respeito disso, Cármen Lúcia deixa clara a intenção de, no próximo biênio, conduzir o STF com a mesma austeridade que pauta sua conduta pessoal. "Privilégios são incompatíveis com a República", disse a esta Folha no ano passado.

      É de imaginar, assim, que a nova presidente de fato reveja uma das principais bandeiras da agenda corporativista de seu antecessor, Ricardo Lewandowski: o indefensável aumento salarial para os ministros do Supremo.

      Não há de ser esse o único contraste entre as gestões. Espera-se que Cármen Lúcia moralize os gastos com diárias de viagens oficiais no STF, amplie a transparência e a previsibilidade das decisões do Judiciário e, acima de tudo, resgate o papel disciplinar do Conselho Nacional de Justiça, esvaziado sob a batuta de Lewandowski.

      Desfrutando de sólida reputação no meio jurídico, a ministra suscita altas expectativas ainda por outro motivo: ela relatou o processo do ex-deputado federal Natan Donadon, condenado por desvio de dinheiro público e primeiro político a ter sua prisão determinada pelo STF desde a promulgação da Constituição de 1988.

      Daí por que o ministro Celso de Mello se sentiu à vontade para, antes do discurso de Cármen Lúcia, proferir palavras duríssimas contra "os marginais da República, cuja atuação criminosa tem o efeito deletério de subverter a dignidade da função política e da própria atividade governamental".

      No plenário do Supremo, diversos figurões da política investigados ou processados por crimes contra o patrimônio público apenas ouviam, constrangidos. Que o recado da gestão Cármen Lúcia possa ir além do plano simbólico.


    De Caetano a Guimarães Rosa, veja as referências de Cármen Lúcia em seu discurso de posse


    POR LUMA POLETTI | 13/09/2016 10:00

       Ao longo de seu discurso de posse, a ministra Cármen Lúcia, que assumiu a presidência do Supremo Tribunal Federal nesta segunda-feira (12), citou trechos de canções de Caetano Veloso, Titãs, além de versos de Cecília Meirelles, Carlos Drummond de Andrade, Paulo Mendes Campos e fez menção a Riobaldo, personagem de Grande Sertão: Veredas, clássico de Guimarães Rosa e uma das mais.
      A escolha das referências musicais da ministra dá pistas sobre sua visão acerca do atual momento sociopolítico. Citando o cantor e compositor Caetano Veloso, presente na sessão – que interpretou em voz e violão o hino nacional – Cármen Lúcia concordou que “alguma coisa está fora da ordem”.
      “Caetanos e não caetanos deste Brasil tão plural concluem em uníssono: alguma coisa está fora de ordem, fora da nova ordem mundial”, disse a ministra. “O que nos cumpre, a nós servidores públicos em especial, é questionar e achar resposta: de qual ordem está tudo fora…”, acrescentou.
      O cantor já se posicionou contra o governo do presidente Michel Temer, nos bastidores da cerimônia de abertura das Olimpíadas de 2016.
      A nova presidente do STF também citou a música “Comida”, da banda Titãs. “Cumpre-nos dedicar-nos de forma intransigente e integral a dar cobro ao que nos é determinado pela Constituição da República e que de nós é esperado pelo cidadão brasileiro, o qual quer saúde, educação, trabalho, sossego para andar em paz por ruas, estradas do país e trilhas livres para poder sonhar além do mais. Que, como na fala do poeta da música popular brasileira, ninguém quer só comida, quer também diversão e arte”.
      Um dos compositores da canção citada é Arnaldo Antunes, que também se posicionou contra o impeachment de Dilma Rousseff nas redes sociais.
      Versos
      Cármen Lúcia também citou versos da escritora Cecília Meireles, ao dizer que “liberdade é um sonho que o mundo inteiro alimenta” – da obra Romanceiro da Inconfidência, lançada em 1953.
      “Se, no verso de Cecília Meireles, a liberdade é um sonho, que o mundo inteiro alimenta, parece-me ser a Justiça um sentimento, que a humanidade inteira acalenta”, discursou a ministra.
      Mais adiante em seu discurso, Cármen Lúcia fez menção a um personagem do livro Grande Sertão: Veredas, do escritor mineiro (tal como a ministra) Guimarães Rosa. “Riobaldo afirmava que 'natureza da gente não cabe em nenhuma certeza'. Mas parece-me que a natureza da gente não se aguenta em tantas incertezas. Especialmente quando o incerto é a Justiça que se pede e que se espera do Estado”, disse a nova presidente do STF.
      Em seguida, outro escritor mineiro foi lembrado por Cármen Lúcia. “Em tempos cujo nome é tumulto escrito em pedra, como diria Drummond, os desafios são maiores. Ser difícil não significa ser impossível. De resto, não acho que para o ser humano exista, na vida, o impossível”, disse a ministra, em referência ao poema “Nosso tempo”, do escritor mineiro.
      A sucessora de Ricardo Lewandowski concluiu o discurso citando um terceiro escritor mineiro: Paulo Mendes Campos. “O Judiciário brasileiro sabe dos seus compromissos e de suas responsabilidades. Em tempo de dores multiplicadas, há que se multiplicarem também as esperanças, à maneira da lição de Paulo Mendes Campos”, disse Cármen Lúcia, em referência ao “Poema Didático”, de Paulo Mendes Campos.

    Disponível em: http://congressoemfoco.uol.com.br/noticias/de-caetano-a-guimaraes-rosa-vejaas-referencias-de-carmen-lucia-em-seu-discurso-de-posse/ . Acesso em: 26 set.2016.
    [Adaptado]  

    “Caetanos e não caetanos deste Brasil tão plural concluem em uníssono”. Nessa passagem do discurso, a ministra refere-se
    Escolha uma alternativa para a questão 599d07c5-d8
  • 59979516-D8

    Português

    Interpretação de Textos
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    Os textos a seguir serão a base da questão objetiva. 


    Recado dado ao STF 

    Editorial Folha de S.Paulo, 13 set. 2016

      Poucas vezes a posse de um presidente do Supremo Tribunal Federal se revestiu de tanto simbolismo quanto a de Cármen Lúcia, cuja chegada ao comando do órgão de cúpula do Judiciário se consumou nesta segunda-feira (12). 

      Em uma cerimônia simples, a ministra quebrou o protocolo já no início de seu discurso. Em vez de cumprimentar primeiro o presidente da República, Michel Temer (PMDB), Cármen Lúcia considerou que a maior autoridade presente era "Sua Excelência, o povo" – e, por isso, saudou antes de todos o "cidadão brasileiro".

      Partisse de outrem, o gesto talvez pudesse ser considerado mero populismo; vindo da nova presidente do STF, guarda coerência com outras iniciativas de valor simbólico semelhante, como abrir mão de carro oficial com motorista ou dispensar a festa em sua própria posse.

      Como se pudesse haver dúvidas a respeito disso, Cármen Lúcia deixa clara a intenção de, no próximo biênio, conduzir o STF com a mesma austeridade que pauta sua conduta pessoal. "Privilégios são incompatíveis com a República", disse a esta Folha no ano passado.

      É de imaginar, assim, que a nova presidente de fato reveja uma das principais bandeiras da agenda corporativista de seu antecessor, Ricardo Lewandowski: o indefensável aumento salarial para os ministros do Supremo.

      Não há de ser esse o único contraste entre as gestões. Espera-se que Cármen Lúcia moralize os gastos com diárias de viagens oficiais no STF, amplie a transparência e a previsibilidade das decisões do Judiciário e, acima de tudo, resgate o papel disciplinar do Conselho Nacional de Justiça, esvaziado sob a batuta de Lewandowski.

      Desfrutando de sólida reputação no meio jurídico, a ministra suscita altas expectativas ainda por outro motivo: ela relatou o processo do ex-deputado federal Natan Donadon, condenado por desvio de dinheiro público e primeiro político a ter sua prisão determinada pelo STF desde a promulgação da Constituição de 1988.

      Daí por que o ministro Celso de Mello se sentiu à vontade para, antes do discurso de Cármen Lúcia, proferir palavras duríssimas contra "os marginais da República, cuja atuação criminosa tem o efeito deletério de subverter a dignidade da função política e da própria atividade governamental".

      No plenário do Supremo, diversos figurões da política investigados ou processados por crimes contra o patrimônio público apenas ouviam, constrangidos. Que o recado da gestão Cármen Lúcia possa ir além do plano simbólico.


    De Caetano a Guimarães Rosa, veja as referências de Cármen Lúcia em seu discurso de posse


    POR LUMA POLETTI | 13/09/2016 10:00

       Ao longo de seu discurso de posse, a ministra Cármen Lúcia, que assumiu a presidência do Supremo Tribunal Federal nesta segunda-feira (12), citou trechos de canções de Caetano Veloso, Titãs, além de versos de Cecília Meirelles, Carlos Drummond de Andrade, Paulo Mendes Campos e fez menção a Riobaldo, personagem de Grande Sertão: Veredas, clássico de Guimarães Rosa e uma das mais.
      A escolha das referências musicais da ministra dá pistas sobre sua visão acerca do atual momento sociopolítico. Citando o cantor e compositor Caetano Veloso, presente na sessão – que interpretou em voz e violão o hino nacional – Cármen Lúcia concordou que “alguma coisa está fora da ordem”.
      “Caetanos e não caetanos deste Brasil tão plural concluem em uníssono: alguma coisa está fora de ordem, fora da nova ordem mundial”, disse a ministra. “O que nos cumpre, a nós servidores públicos em especial, é questionar e achar resposta: de qual ordem está tudo fora…”, acrescentou.
      O cantor já se posicionou contra o governo do presidente Michel Temer, nos bastidores da cerimônia de abertura das Olimpíadas de 2016.
      A nova presidente do STF também citou a música “Comida”, da banda Titãs. “Cumpre-nos dedicar-nos de forma intransigente e integral a dar cobro ao que nos é determinado pela Constituição da República e que de nós é esperado pelo cidadão brasileiro, o qual quer saúde, educação, trabalho, sossego para andar em paz por ruas, estradas do país e trilhas livres para poder sonhar além do mais. Que, como na fala do poeta da música popular brasileira, ninguém quer só comida, quer também diversão e arte”.
      Um dos compositores da canção citada é Arnaldo Antunes, que também se posicionou contra o impeachment de Dilma Rousseff nas redes sociais.
      Versos
      Cármen Lúcia também citou versos da escritora Cecília Meireles, ao dizer que “liberdade é um sonho que o mundo inteiro alimenta” – da obra Romanceiro da Inconfidência, lançada em 1953.
      “Se, no verso de Cecília Meireles, a liberdade é um sonho, que o mundo inteiro alimenta, parece-me ser a Justiça um sentimento, que a humanidade inteira acalenta”, discursou a ministra.
      Mais adiante em seu discurso, Cármen Lúcia fez menção a um personagem do livro Grande Sertão: Veredas, do escritor mineiro (tal como a ministra) Guimarães Rosa. “Riobaldo afirmava que 'natureza da gente não cabe em nenhuma certeza'. Mas parece-me que a natureza da gente não se aguenta em tantas incertezas. Especialmente quando o incerto é a Justiça que se pede e que se espera do Estado”, disse a nova presidente do STF.
      Em seguida, outro escritor mineiro foi lembrado por Cármen Lúcia. “Em tempos cujo nome é tumulto escrito em pedra, como diria Drummond, os desafios são maiores. Ser difícil não significa ser impossível. De resto, não acho que para o ser humano exista, na vida, o impossível”, disse a ministra, em referência ao poema “Nosso tempo”, do escritor mineiro.
      A sucessora de Ricardo Lewandowski concluiu o discurso citando um terceiro escritor mineiro: Paulo Mendes Campos. “O Judiciário brasileiro sabe dos seus compromissos e de suas responsabilidades. Em tempo de dores multiplicadas, há que se multiplicarem também as esperanças, à maneira da lição de Paulo Mendes Campos”, disse Cármen Lúcia, em referência ao “Poema Didático”, de Paulo Mendes Campos.

    Disponível em: http://congressoemfoco.uol.com.br/noticias/de-caetano-a-guimaraes-rosa-vejaas-referencias-de-carmen-lucia-em-seu-discurso-de-posse/ . Acesso em: 26 set.2016.
    [Adaptado]  

    Ao recuperar fragmentos das canções, dos versos e do romance, a ministra
    Escolha uma alternativa para a questão 59979516-d8