Questões do ENEM 2018

Questões aplicadas na prova de 2018, cada uma em página própria com enunciado, alternativas e gabarito.

Resultados

2.168 questões encontradas. Mostrando a página 48 de 109.

  • 8DF7AAC5-D5

    Português

    Interpretação de Textos
    Centro de Estudos Superiores de Maceió - Centro Universitário · 2018Muito difícilEntre para guardar nos favoritos
    TEXTO 1


    A realidade da saúde no Brasil.


    (1) A crise da saúde no Brasil vem de longa data e continua presente. Frequentemente, nos deparamos com notícias de filas de pacientes nos hospitais públicos, além da falta de leitos, equipamentos etc. E, no meio da crise, está a população que precisa de atendimento, e estão os médicos que, quase sempre, atuam em condições precárias.
    (2) Independente do jogo de empurra-empurra, há escassez de recursos financeiros, materiais e humanos, para manter os serviços de saúde operando com eficiência. Problemas, como atraso no repasse dos pagamentos do Ministério da Saúde, baixos valores pagos pelo SUS aos procedimentos médico-hospitalares consolidam o entrave no setor. O mundo econômico da saúde é cruel. Segundo estatísticas oficiais, são gastos R$ 31 bilhões para cuidar de 35 milhões de segurados, enquanto todo o SUS, para suprir o direito à saúde de mais de 145 milhões de brasileiros, gasta quase a mesma quantia. Por essas razões, nos encontramos no 124º lugar no ranking da OMS em qualidade de saúde.
    (3) É difícil para qualquer especialista apontar apenas um motivo para tal crise. Mesmo com a evolução do contexto político-social pelo qual o Brasil passou, pouco mudou. Na realidade, em 500 anos de Brasil, independentemente do regime vigente, a saúde nunca ocupou lugar de destaque. Só se olhou atentamente para o setor quando certas epidemias representaram eminentes ameaças à sociedade.
    (4) É assim desde o Brasil Colônia, quando o país não dispunha de um modelo de atenção à saúde e nem mesmo do interesse em criá-lo, por parte do governo colonizador. As noções empíricas (a cargo dos curandeiros) eram a opção. Com a vinda da família real ao Brasil, se fez necessária a organização de uma estrutura sanitária mínima, capaz de dar suporte ao poder que se instalava no Rio de Janeiro. A carência de médicos no Brasil Colônia e no Brasil Império era enorme. Para se ter uma ideia, no Rio, em 1789, só existiam quatro médicos exercendo a profissão. Em outros estados, eram mesmo inexistentes, o que fez com que proliferassem pelo país os Boticários, a quem cabia a manipulação das fórmulas prescritas pelos médicos.
    (5) Veio a República, e o Brasil continuou o mesmo. No início do século passado, a cidade do Rio apresentava um quadro sanitário caótico, com doenças graves que acometiam a população, como varíola, malária e febre amarela. Isso gerou sérias consequências tanto para a saúde coletiva quanto para o comércio exterior, já que navios estrangeiros evitavam atracar no porto do Rio. Poderíamos escrever muito mais sobre o tema e chegaríamos à mesma conclusão: em pleno século XXI, no Brasil, pouco se evoluiu em política de saúde.
    (6) Dados do Conselho Federal de Medicina revelam que a má distribuição de médicos no país ainda persiste. São 65,9% deles atuando nas regiões Sul e Sudeste, onde se concentra apenas cerca de 25% da população.
    (7) É a saúde continuando um sistema embrionário e contraditório, pois nos destacamos mundialmente por nossas pesquisas pioneiras, no combate a Aids, por exemplo, mas não conseguimos dar atendimento básico à maioria do povo.
    Disponível em: https://www.boletimjuridico.com.br/doutrina/artigo/1466/a-realidadesaude-brasil.
    O Texto 1 apresenta argumentos relevantes, ou seja, fora da ‘obviedade’ da linguagem cotidiana, quando, por exemplo, afirma que:
    Escolha uma alternativa para a questão 8df7aac5-d5
  • 8DF49208-D5

    Português

    Interpretação de Textos
    Centro de Estudos Superiores de Maceió - Centro Universitário · 2018DifícilEntre para guardar nos favoritos
    TEXTO 1


    A realidade da saúde no Brasil.


    (1) A crise da saúde no Brasil vem de longa data e continua presente. Frequentemente, nos deparamos com notícias de filas de pacientes nos hospitais públicos, além da falta de leitos, equipamentos etc. E, no meio da crise, está a população que precisa de atendimento, e estão os médicos que, quase sempre, atuam em condições precárias.
    (2) Independente do jogo de empurra-empurra, há escassez de recursos financeiros, materiais e humanos, para manter os serviços de saúde operando com eficiência. Problemas, como atraso no repasse dos pagamentos do Ministério da Saúde, baixos valores pagos pelo SUS aos procedimentos médico-hospitalares consolidam o entrave no setor. O mundo econômico da saúde é cruel. Segundo estatísticas oficiais, são gastos R$ 31 bilhões para cuidar de 35 milhões de segurados, enquanto todo o SUS, para suprir o direito à saúde de mais de 145 milhões de brasileiros, gasta quase a mesma quantia. Por essas razões, nos encontramos no 124º lugar no ranking da OMS em qualidade de saúde.
    (3) É difícil para qualquer especialista apontar apenas um motivo para tal crise. Mesmo com a evolução do contexto político-social pelo qual o Brasil passou, pouco mudou. Na realidade, em 500 anos de Brasil, independentemente do regime vigente, a saúde nunca ocupou lugar de destaque. Só se olhou atentamente para o setor quando certas epidemias representaram eminentes ameaças à sociedade.
    (4) É assim desde o Brasil Colônia, quando o país não dispunha de um modelo de atenção à saúde e nem mesmo do interesse em criá-lo, por parte do governo colonizador. As noções empíricas (a cargo dos curandeiros) eram a opção. Com a vinda da família real ao Brasil, se fez necessária a organização de uma estrutura sanitária mínima, capaz de dar suporte ao poder que se instalava no Rio de Janeiro. A carência de médicos no Brasil Colônia e no Brasil Império era enorme. Para se ter uma ideia, no Rio, em 1789, só existiam quatro médicos exercendo a profissão. Em outros estados, eram mesmo inexistentes, o que fez com que proliferassem pelo país os Boticários, a quem cabia a manipulação das fórmulas prescritas pelos médicos.
    (5) Veio a República, e o Brasil continuou o mesmo. No início do século passado, a cidade do Rio apresentava um quadro sanitário caótico, com doenças graves que acometiam a população, como varíola, malária e febre amarela. Isso gerou sérias consequências tanto para a saúde coletiva quanto para o comércio exterior, já que navios estrangeiros evitavam atracar no porto do Rio. Poderíamos escrever muito mais sobre o tema e chegaríamos à mesma conclusão: em pleno século XXI, no Brasil, pouco se evoluiu em política de saúde.
    (6) Dados do Conselho Federal de Medicina revelam que a má distribuição de médicos no país ainda persiste. São 65,9% deles atuando nas regiões Sul e Sudeste, onde se concentra apenas cerca de 25% da população.
    (7) É a saúde continuando um sistema embrionário e contraditório, pois nos destacamos mundialmente por nossas pesquisas pioneiras, no combate a Aids, por exemplo, mas não conseguimos dar atendimento básico à maioria do povo.
    Disponível em: https://www.boletimjuridico.com.br/doutrina/artigo/1466/a-realidadesaude-brasil.
    Qualquer ‘ação de linguagem’ tem, explícita ou implicitamente, um ‘propósito comunicativo’, uma intenção. Em relação ao Texto 1, pode-se entender que a intenção do autor foi:
    Escolha uma alternativa para a questão 8df49208-d5
  • FDAE64EA-D1

    Inglês

    Interpretação de texto | Reading comprehension
    UEA · 2018MédioEntre para guardar nos favoritos

    Leia o texto para responder à questão.

    Imagem da questão de Inglês, UEA 2018, Interpretação de texto | Reading comprehension

    (Claire Marshall. www.bbc.com, 15.05.2019. Adaptado.)

    In the excerpt from the fourth paragraph “without penetrating them”, the underlined word refers to
    Escolha uma alternativa para a questão fdae64ea-d1
  • FDA9C376-D1

    Inglês

    Interpretação de texto | Reading comprehension
    UEA · 2018MédioEntre para guardar nos favoritos

    Leia o texto para responder à questão.

    Imagem da questão de Inglês, UEA 2018, Interpretação de texto | Reading comprehension

    (Claire Marshall. www.bbc.com, 15.05.2019. Adaptado.)

    O trecho do terceiro parágrafo “Just like an Magnetic Resonance Imaging scan of the brain helps us to understand how the brain works, this global map of the fungi beneath the soil helps us to understand how global ecosystems work” estabelece uma relação de
    Escolha uma alternativa para a questão fda9c376-d1
  • FDA600A0-D1

    Inglês

    Interpretação de texto | Reading comprehension
    UEA · 2018FácilEntre para guardar nos favoritos

    Leia o texto para responder à questão.

    Imagem da questão de Inglês, UEA 2018, Interpretação de texto | Reading comprehension

    (Claire Marshall. www.bbc.com, 15.05.2019. Adaptado.)

    De acordo com o segundo e o terceiro parágrafos, os pesquisadores
    Escolha uma alternativa para a questão fda600a0-d1
  • FDA27B72-D1

    Inglês

    Interpretação de texto | Reading comprehension
    UEA · 2018MédioEntre para guardar nos favoritos

    Leia o texto para responder à questão.

    Imagem da questão de Inglês, UEA 2018, Interpretação de texto | Reading comprehension

    (Claire Marshall. www.bbc.com, 15.05.2019. Adaptado.)

    De acordo com o texto, a “wood wide web”, conhecida como a “internet das florestas”, corresponde
    Escolha uma alternativa para a questão fda27b72-d1
  • FD86101B-D1

    Português

    Interpretação de Textos
    UEA · 2018FácilEntre para guardar nos favoritos

    Considere a tirinha de André Dahmer para responder à questão.



    Imagem da questão de Português, UEA 2018, Interpretação de Textos

    (www.folha.uol.com.br)

    A palavra “só”, no primeiro quadrinho, foi utilizada no mesmo sentido da palavra sublinhada em
    Escolha uma alternativa para a questão fd86101b-d1
  • FD818CFA-D1

    Português

    Interpretação de Textos
    UEA · 2018Muito fácilEntre para guardar nos favoritos

    Considere a tirinha de André Dahmer para responder à questão.



    Imagem da questão de Português, UEA 2018, Interpretação de Textos

    (www.folha.uol.com.br)

    A tirinha expressa de maneira ácida a ideia de que
    Escolha uma alternativa para a questão fd818cfa-d1
  • 50899DA0-CB

    Português

    Figuras de Linguagem
    IF-PR · 2018MédioEntre para guardar nos favoritos

    Analise a imagem com atenção.


    Imagem da questão de Português, IF-PR 2018, Figuras de Linguagem


    As imagens do texto publicitário acima foram utilizadas, em sua maioria, para traduzir um recurso de linguagem muito usado na vida cotidiana. Assinale a alternativa que apresenta esse recurso.

    Escolha uma alternativa para a questão 50899da0-cb
  • 5086519C-CB

    Português

    Sintaxe
    IF-PR · 2018MédioEntre para guardar nos favoritos

    Obsessão por felicidade pode deixar você Extremamente infeliz


         A felicidade é algo tão subjetivo quanto científico. Biologicamente, poderíamos falar em serotonina e ocitocina, ou outros nomes difíceis de neurotransmissores (mensageiros químicos) que estão relacionados com a existência dessa sensação. Mas psicologicamente a história é outra. Como a maioria dos sentimentos, substantivos abstratos, felicidade representa algo diferente para cada ser humano. De acordo com a “psicologia positiva”, não precisamos esperar que a felicidade dê as caras: ela está ao alcance das nossas mãos.

         Mas até que ela virou uma ditadura não tão feliz assim. Essa obrigação de ser feliz não é novidade, mas ninguém realmente sabe quem primeiro cunhou essa regra – e como ela se tornou o objetivo de vida de quase todo mundo. O que se sabe é que ela vem machucando: “a depressão é o mal de uma sociedade que decidiu ser feliz a todo preço”, diz o escritor francês Pascal Bruckner no livro A Euforia Perpétua. E ele estava certo: um novo estudo da Universidade de Melbourne, Austrália, finalmente concluiu que a infelicidade de muita gente é causada pela tentativa incessante de ser feliz. (...)

    (super.abril.com.br/comportamento/obsessao-por-felicidade-pode-deixar-voce-extremamente-infeliz – acesso em 22.08.18)

    Assinale a alternativa que substitui a expressão “Mas até que”, em negrito (2o parágrafo), sem alterar o sentido do texto.
    Escolha uma alternativa para a questão 5086519c-cb
  • 50838194-CB

    Português

    Coesão e coerência
    IF-PR · 2018DifícilEntre para guardar nos favoritos

    Obsessão por felicidade pode deixar você Extremamente infeliz


         A felicidade é algo tão subjetivo quanto científico. Biologicamente, poderíamos falar em serotonina e ocitocina, ou outros nomes difíceis de neurotransmissores (mensageiros químicos) que estão relacionados com a existência dessa sensação. Mas psicologicamente a história é outra. Como a maioria dos sentimentos, substantivos abstratos, felicidade representa algo diferente para cada ser humano. De acordo com a “psicologia positiva”, não precisamos esperar que a felicidade dê as caras: ela está ao alcance das nossas mãos.

         Mas até que ela virou uma ditadura não tão feliz assim. Essa obrigação de ser feliz não é novidade, mas ninguém realmente sabe quem primeiro cunhou essa regra – e como ela se tornou o objetivo de vida de quase todo mundo. O que se sabe é que ela vem machucando: “a depressão é o mal de uma sociedade que decidiu ser feliz a todo preço”, diz o escritor francês Pascal Bruckner no livro A Euforia Perpétua. E ele estava certo: um novo estudo da Universidade de Melbourne, Austrália, finalmente concluiu que a infelicidade de muita gente é causada pela tentativa incessante de ser feliz. (...)

    (super.abril.com.br/comportamento/obsessao-por-felicidade-pode-deixar-voce-extremamente-infeliz – acesso em 22.08.18)

    Assinale a alternativa na qual a redação foi alterada para eliminar o uso de dois pontos (:), sem prejudicar o sentido do trecho em negrito no texto.
    Escolha uma alternativa para a questão 50838194-cb
  • 507F6920-CB

    Português

    Interpretação de Textos
    IF-PR · 2018DifícilEntre para guardar nos favoritos

    Imagem da questão de Português, IF-PR 2018, Interpretação de Textos

    Em relação às funções dos recursos verbais e não-verbais utilizados no texto, assinale a alternativa correta.
    Escolha uma alternativa para a questão 507f6920-cb
  • 5079C3C8-CB

    Português

    Coesão e coerência
    IF-PR · 2018MédioEntre para guardar nos favoritos
    Assinale a alternativa em que se identifica um texto incoerente.
    Escolha uma alternativa para a questão 5079c3c8-cb
  • 5076DDBD-CB

    Português

    Interpretação de Textos
    IF-PR · 2018MédioEntre para guardar nos favoritos
    Considerando apenas os elementos negritados nos textos das alternativas abaixo, retirados da revista Capricho, identifique onde a norma padrão está sendo respeitada.
    Escolha uma alternativa para a questão 5076ddbd-cb
  • 5074096E-CB

    Português

    Gêneros Textuais
    IF-PR · 2018DifícilEntre para guardar nos favoritos
    Os infelizes cálculos da felicidade (fragmento),
                                                              Mia Couto.

        O homem da história é chamado Julio Novesfora. Noutras falas o mestre Novesfora. Homem bastante matemático, vivendo na quantidade exata, morando sempre no acertado lugar. O mundo, para ele, estava posto em equação de infinito grau. Qualquer situação lhe algebrava o pensamento. Integrais, derivadas, matrizes para tudo existia a devida fórmula. A maior parte das vezes mesmo ele nem incomodava os neurónios*:
        – É conta que se faz sem cabeça.
        Doseava o coração em aplicações regradas, reduzida a paixão ao seu equivalente numérico. Amores, mulheres, filhos: tudo isso era hipótese nula. O sentimento, dizia ele, não tem logaritmo. Por isso, nem se justifica a sua equação. Desde menino se abstivera de afetos. Do ponto de vista da álgebra, dizia, a ternura é um absurdo. Como o zero negativo. Vocês vejam, dizia ele aos alunos: a erva não se enerva, mesmo sabendo-se acabada em ruminagem de boi. E a cobra morde sem ódio. É só o justo praticar da dentadura injetável dela. Na natureza não se concebe sentimento. Assim, a vida prosseguia e Julio Novesfora era nela um aguarda-factos*. Certa vez, porém, o mestre se apaixonou por uma aluna, menina de incorreta idade. Toda a gente advertia: essa menina é mais que nova, não dá para si*.
        – Faça as contas mestre.
        Mas o mestre já perdera o cálculo. Desvalessem os razoáveis conselhos. Ainda mais grave: ele perdia o matemático tino. Já nem sabia o abecedário dos números. Seu pensamento perdia as limpezas da lógica. Dizia coisas sem pés. Parecia, naquele caso, se confirmar o lema: quanto mais sexo menos nexo. Agora, a razão vinha tarde de mais*. O mestre já tinha traçado a hipotenusa à menina. Em folgas e folguedos, Julio Novesfora se afastava dos rigores da geometria. O oito deitado é um infinito. E, assim, o professor ataratonto, relembrava:
    – A paixão é o mundo a dividir por zero.

    *grafia usada em Moçambique 


    Poesia matemática, Millôr Fernandes.


    Às folhas tantas
    Do livro matemático
    Um Quociente apaixonou-se
    Um dia
    Doidamente
    Por uma Incógnita.
    Olhou-a com seu olhar inumerável
    E viu-a, do Ápice à Base.
    Uma figura ímpar:
    Olhos romboides, boca trapezoide,
    Corpo ortogonal, seios esferoides.
    Fez da sua
    Uma vida Paralela à dela
    Até que se encontraram No infinito.
    “Quem és tu?” indagou ele
    Com ânsia radical.
    “Sou a soma do quadrado dos catetos.
    Mas pode chamar-me de Hipotenusa.”
    E de falarem descobriram que eram
    — O que, em aritmética, corresponde
    A almas irmãs
    — Primos entre si.
    E assim se amaram
    Ao quadrado da velocidade da luz
    Numa sexta potenciação
    Traçando
    Ao sabor do momento
    E da paixão
    Retas, curvas, círculos e linhas sinusoidais.
    Em relação ao assunto: “poema, prosa e poesia”, analise as informações sobre os textos de Mia Couto e de Millôr Fernandes.

    I) Os dois textos apresentados diferem: o de Mia Couto está escrito em prosa, ainda que incorpore poesia, e o de Millôr é um poema, esvaziado de poesia.
    II) A narrativa de Mia Couto possui muitos elementos poéticos, perceptíveis especialmente pelas palavras e expressões que ganham significados diversos dos habituais, por vezes, incomuns.
    III) O texto de Millôr pode ser considerado poético, por se tratar de um poema e ser essa a condição indispensável para ganhar essa caracterização.
    IV) Sequência de versos sem métrica e sem rima, que abordam assunto risível, como acontece com o texto de Millôr, sequer pode ser chamada de poema.
    V) Não há possibilidade de definir ambos os textos como poesia, porque lhes faltam as características principais para tanto, entre as quais estão: métrica, ritmo, rima.
    Estão corretas apenas:
    Escolha uma alternativa para a questão 5074096e-cb
  • 50710ECC-CB

    Português

    Interpretação de Textos
    IF-PR · 2018DifícilEntre para guardar nos favoritos
    Os infelizes cálculos da felicidade (fragmento),
                                                              Mia Couto.

        O homem da história é chamado Julio Novesfora. Noutras falas o mestre Novesfora. Homem bastante matemático, vivendo na quantidade exata, morando sempre no acertado lugar. O mundo, para ele, estava posto em equação de infinito grau. Qualquer situação lhe algebrava o pensamento. Integrais, derivadas, matrizes para tudo existia a devida fórmula. A maior parte das vezes mesmo ele nem incomodava os neurónios*:
        – É conta que se faz sem cabeça.
        Doseava o coração em aplicações regradas, reduzida a paixão ao seu equivalente numérico. Amores, mulheres, filhos: tudo isso era hipótese nula. O sentimento, dizia ele, não tem logaritmo. Por isso, nem se justifica a sua equação. Desde menino se abstivera de afetos. Do ponto de vista da álgebra, dizia, a ternura é um absurdo. Como o zero negativo. Vocês vejam, dizia ele aos alunos: a erva não se enerva, mesmo sabendo-se acabada em ruminagem de boi. E a cobra morde sem ódio. É só o justo praticar da dentadura injetável dela. Na natureza não se concebe sentimento. Assim, a vida prosseguia e Julio Novesfora era nela um aguarda-factos*. Certa vez, porém, o mestre se apaixonou por uma aluna, menina de incorreta idade. Toda a gente advertia: essa menina é mais que nova, não dá para si*.
        – Faça as contas mestre.
        Mas o mestre já perdera o cálculo. Desvalessem os razoáveis conselhos. Ainda mais grave: ele perdia o matemático tino. Já nem sabia o abecedário dos números. Seu pensamento perdia as limpezas da lógica. Dizia coisas sem pés. Parecia, naquele caso, se confirmar o lema: quanto mais sexo menos nexo. Agora, a razão vinha tarde de mais*. O mestre já tinha traçado a hipotenusa à menina. Em folgas e folguedos, Julio Novesfora se afastava dos rigores da geometria. O oito deitado é um infinito. E, assim, o professor ataratonto, relembrava:
    – A paixão é o mundo a dividir por zero.

    *grafia usada em Moçambique 


    Poesia matemática, Millôr Fernandes.


    Às folhas tantas
    Do livro matemático
    Um Quociente apaixonou-se
    Um dia
    Doidamente
    Por uma Incógnita.
    Olhou-a com seu olhar inumerável
    E viu-a, do Ápice à Base.
    Uma figura ímpar:
    Olhos romboides, boca trapezoide,
    Corpo ortogonal, seios esferoides.
    Fez da sua
    Uma vida Paralela à dela
    Até que se encontraram No infinito.
    “Quem és tu?” indagou ele
    Com ânsia radical.
    “Sou a soma do quadrado dos catetos.
    Mas pode chamar-me de Hipotenusa.”
    E de falarem descobriram que eram
    — O que, em aritmética, corresponde
    A almas irmãs
    — Primos entre si.
    E assim se amaram
    Ao quadrado da velocidade da luz
    Numa sexta potenciação
    Traçando
    Ao sabor do momento
    E da paixão
    Retas, curvas, círculos e linhas sinusoidais.
    Comparando o texto de Mia Couto, com o de Millôr Fernandes, pode-se afirmar que:
    Escolha uma alternativa para a questão 50710ecc-cb
  • 506E2097-CB

    Português

    Interpretação de Textos
    IF-PR · 2018DifícilEntre para guardar nos favoritos
    Os infelizes cálculos da felicidade (fragmento),
                                                              Mia Couto.

        O homem da história é chamado Julio Novesfora. Noutras falas o mestre Novesfora. Homem bastante matemático, vivendo na quantidade exata, morando sempre no acertado lugar. O mundo, para ele, estava posto em equação de infinito grau. Qualquer situação lhe algebrava o pensamento. Integrais, derivadas, matrizes para tudo existia a devida fórmula. A maior parte das vezes mesmo ele nem incomodava os neurónios*:
        – É conta que se faz sem cabeça.
        Doseava o coração em aplicações regradas, reduzida a paixão ao seu equivalente numérico. Amores, mulheres, filhos: tudo isso era hipótese nula. O sentimento, dizia ele, não tem logaritmo. Por isso, nem se justifica a sua equação. Desde menino se abstivera de afetos. Do ponto de vista da álgebra, dizia, a ternura é um absurdo. Como o zero negativo. Vocês vejam, dizia ele aos alunos: a erva não se enerva, mesmo sabendo-se acabada em ruminagem de boi. E a cobra morde sem ódio. É só o justo praticar da dentadura injetável dela. Na natureza não se concebe sentimento. Assim, a vida prosseguia e Julio Novesfora era nela um aguarda-factos*. Certa vez, porém, o mestre se apaixonou por uma aluna, menina de incorreta idade. Toda a gente advertia: essa menina é mais que nova, não dá para si*.
        – Faça as contas mestre.
        Mas o mestre já perdera o cálculo. Desvalessem os razoáveis conselhos. Ainda mais grave: ele perdia o matemático tino. Já nem sabia o abecedário dos números. Seu pensamento perdia as limpezas da lógica. Dizia coisas sem pés. Parecia, naquele caso, se confirmar o lema: quanto mais sexo menos nexo. Agora, a razão vinha tarde de mais*. O mestre já tinha traçado a hipotenusa à menina. Em folgas e folguedos, Julio Novesfora se afastava dos rigores da geometria. O oito deitado é um infinito. E, assim, o professor ataratonto, relembrava:
    – A paixão é o mundo a dividir por zero.

    *grafia usada em Moçambique 
    Nesse texto, o escritor “brinca” com o leitor e o desafia a utilizar a imaginação para interpretar e entender toda a trama. Analisando-o segundo os elementos característicos das narrativas literárias, assinale a alternativa correta.
    Escolha uma alternativa para a questão 506e2097-cb
  • 506B4C43-CB

    Português

    Interpretação de Textos
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    Os infelizes cálculos da felicidade (fragmento),
                                                              Mia Couto.

        O homem da história é chamado Julio Novesfora. Noutras falas o mestre Novesfora. Homem bastante matemático, vivendo na quantidade exata, morando sempre no acertado lugar. O mundo, para ele, estava posto em equação de infinito grau. Qualquer situação lhe algebrava o pensamento. Integrais, derivadas, matrizes para tudo existia a devida fórmula. A maior parte das vezes mesmo ele nem incomodava os neurónios*:
        – É conta que se faz sem cabeça.
        Doseava o coração em aplicações regradas, reduzida a paixão ao seu equivalente numérico. Amores, mulheres, filhos: tudo isso era hipótese nula. O sentimento, dizia ele, não tem logaritmo. Por isso, nem se justifica a sua equação. Desde menino se abstivera de afetos. Do ponto de vista da álgebra, dizia, a ternura é um absurdo. Como o zero negativo. Vocês vejam, dizia ele aos alunos: a erva não se enerva, mesmo sabendo-se acabada em ruminagem de boi. E a cobra morde sem ódio. É só o justo praticar da dentadura injetável dela. Na natureza não se concebe sentimento. Assim, a vida prosseguia e Julio Novesfora era nela um aguarda-factos*. Certa vez, porém, o mestre se apaixonou por uma aluna, menina de incorreta idade. Toda a gente advertia: essa menina é mais que nova, não dá para si*.
        – Faça as contas mestre.
        Mas o mestre já perdera o cálculo. Desvalessem os razoáveis conselhos. Ainda mais grave: ele perdia o matemático tino. Já nem sabia o abecedário dos números. Seu pensamento perdia as limpezas da lógica. Dizia coisas sem pés. Parecia, naquele caso, se confirmar o lema: quanto mais sexo menos nexo. Agora, a razão vinha tarde de mais*. O mestre já tinha traçado a hipotenusa à menina. Em folgas e folguedos, Julio Novesfora se afastava dos rigores da geometria. O oito deitado é um infinito. E, assim, o professor ataratonto, relembrava:
    – A paixão é o mundo a dividir por zero.

    *grafia usada em Moçambique 
    Compare as expressões I e II abaixo (também negritadas no texto) e, a seguir, assinale a alternativa correta.

    I) “...reduzida a paixão ao seu equivalente numérico.”
    II) “A paixão é o mundo a dividir por zero.”
    Escolha uma alternativa para a questão 506b4c43-cb
  • 50684FE6-CB

    Português

    Interpretação de Textos
    IF-PR · 2018DifícilEntre para guardar nos favoritos
    Os infelizes cálculos da felicidade (fragmento),
                                                              Mia Couto.

        O homem da história é chamado Julio Novesfora. Noutras falas o mestre Novesfora. Homem bastante matemático, vivendo na quantidade exata, morando sempre no acertado lugar. O mundo, para ele, estava posto em equação de infinito grau. Qualquer situação lhe algebrava o pensamento. Integrais, derivadas, matrizes para tudo existia a devida fórmula. A maior parte das vezes mesmo ele nem incomodava os neurónios*:
        – É conta que se faz sem cabeça.
        Doseava o coração em aplicações regradas, reduzida a paixão ao seu equivalente numérico. Amores, mulheres, filhos: tudo isso era hipótese nula. O sentimento, dizia ele, não tem logaritmo. Por isso, nem se justifica a sua equação. Desde menino se abstivera de afetos. Do ponto de vista da álgebra, dizia, a ternura é um absurdo. Como o zero negativo. Vocês vejam, dizia ele aos alunos: a erva não se enerva, mesmo sabendo-se acabada em ruminagem de boi. E a cobra morde sem ódio. É só o justo praticar da dentadura injetável dela. Na natureza não se concebe sentimento. Assim, a vida prosseguia e Julio Novesfora era nela um aguarda-factos*. Certa vez, porém, o mestre se apaixonou por uma aluna, menina de incorreta idade. Toda a gente advertia: essa menina é mais que nova, não dá para si*.
        – Faça as contas mestre.
        Mas o mestre já perdera o cálculo. Desvalessem os razoáveis conselhos. Ainda mais grave: ele perdia o matemático tino. Já nem sabia o abecedário dos números. Seu pensamento perdia as limpezas da lógica. Dizia coisas sem pés. Parecia, naquele caso, se confirmar o lema: quanto mais sexo menos nexo. Agora, a razão vinha tarde de mais*. O mestre já tinha traçado a hipotenusa à menina. Em folgas e folguedos, Julio Novesfora se afastava dos rigores da geometria. O oito deitado é um infinito. E, assim, o professor ataratonto, relembrava:
    – A paixão é o mundo a dividir por zero.

    *grafia usada em Moçambique 
    Analisando o contexto em que é empregada a expressão: “A paixão é o mundo a dividir por zero”, assinale a alternativa que melhor a explica.
    Escolha uma alternativa para a questão 50684fe6-cb