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Questões de Linguagens do ENEM

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  • 18.995 questões
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  • 219 assuntos

Resultados: 18.995 questões

Página 936 de 950

  • Linguagens

    Português

    Para responder à questão, leia o ensaio “Mercúrio” do neurologista inglês Oliver Sacks (1933-2015), cuja morte completou 10 anos em 30 de agosto deste ano.

    1  Noite passada sonhei com o mercúrio: glóbulos enormes, brilhantes, ora subindo, ora descendo. O mercúrio é o elemento número 80, e meu sonho é um lembrete de que na terça-feira farei oitenta anos. Elementos químicos e aniversários andam ligados para mim desde menino, quando aprendi sobre os números atômicos. Com onze anos eu podia dizer “sou sódio” (elemento 11), e agora, aos 79, sou ouro. Alguns anos atrás, quando dei um frasco de mercúrio de presente a um amigo pelo seu octogésimo aniversário — um recipiente especial que não vaza nem se quebra —, ele me olhou de um jeito esquisito, mas depois me enviou uma cartinha simpática, gracejando: “Tomo um pouco toda manhã, para a saúde”.
        Oitenta! É difícil de acreditar. Muitas vezes sinto que a vida está prestes a começar, e percebo que está quase no fim. Beirando os oitenta, com esparsos problemas de saúde e cirurgias, nenhum deles incapacitante, me sinto feliz por estar vivo — “Estou feliz por não estar morto!” é uma frase que às vezes irrompe lá dentro de mim quando o tempo está perfeito. Sou grato por ter vivenciado muitas coisas — algumas fascinantes, outras horríveis — e por ter sido capaz de escrever uma dúzia de livros, de receber incontáveis cartas de amigos, colegas e leitores e de desfrutar do que Nathaniel Hawthorne chamou de “um intercurso com o mundo”.
        Lamento ter perdido (e ainda perder) tanto tempo; lamento ser tão angustiantemente tímido aos oitenta quanto era aos vinte; lamento não falar outra língua além da materna e não ter viajado ou vivenciado outras culturas de modo tão produtivo quanto deveria. Sinto que precisaria tentar concluir minha vida, seja o que for “concluir uma vida”. Quanto a mim, não creio em (nem desejo) uma existência após a morte, exceto na memória dos amigos e na esperança de que alguns dos meus livros ainda possam “falar” às pessoas depois que eu morrer.
        Quando chegar a minha hora, espero que eu possa morrer na ativa, como o biólogo molecular Francis Crick. Quando lhe informaram que seu câncer de cólon tinha voltado, de início ele não disse nada; simplesmente olhou ao longe por um minuto, depois retomou o que vinha pensando. Ao lhe perguntarem sobre seu diagnóstico algumas semanas depois, ele respondeu: “Tudo o que tem um começo deve ter um fim”. Morreu aos 88 anos, ainda totalmente comprometido com seu trabalho mais criativo.
    5  Meu pai, que viveu até os 94 anos, costumava dizer que seus oitenta anos tinham sido uma das décadas mais agradáveis de sua vida. Ele sentiu, como começo a sentir, não um encolhimento, e sim uma expansão da vida mental e da perspectiva. Nesta altura já tivemos uma longa experiência de vida, não só da nossa, mas também da de outros. Já vimos triunfos e tragédias, altos e baixos, revoluções e guerras, grandes realizações e profundas ambiguidades também. Já assistimos notáveis teorias ascenderem e acabarem derrubadas por fatos teimosos. Somos mais conscientes da transitoriedade e, talvez, da beleza. Aos oitenta podemos relembrar um vasto panorama e ter um senso claro de história vivida impossível aos mais novos. Posso imaginar, sentir nos ossos, o que é um século, coisa que não podia fazer aos quarenta ou sessenta. Não penso na velhice como uma fase cada vez mais penosa que é preciso suportar e levar o melhor possível, mas como um período de liberdade e tempo descomprometido, sem as infundadas urgências de outrora, livre para explorar o que eu quiser e para amarrar os pensamentos e sentimentos de toda uma vida. Não vejo a hora de fazer oitenta anos.

    (Oliver Sacks. Gratidão, 2015. Adaptado.)
    “Quanto a mim, não creio em (nem desejo) uma existência após a morte, exceto na memória dos amigos e na esperança de que alguns dos meus livros ainda possam ‘falar’ às pessoas depois que eu morrer.” (3º parágrafo)

    Nesse trecho, a posição dos parênteses, após a preposição “em” e não imediatamente após o verbo “creio”, explica-se por uma questão
    Escolha uma alternativa para a questão fd3fac81-74
  • Linguagens

    Inglês

    Leia o texto para responder à questão.

    Imagem da questão de Inglês, Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto 2025, Interpretação de texto | Reading comprehension

        Of every 1,000 children born in Kenya, a country in East Africa, 32 don’t make it to their first birthdays. Study after study has explored how to improve those impressive numbers, in Kenya and elsewhere. But a decade-long study on alleviating poverty found a simple solution. Giving $1,000 to poor families lowered infant mortality rates by nearly half, and deaths in children under 5 by 45 percent. Those are much bigger drops than have been credited to routine immunizations, for example, or bed nets to prevent malaria.
        “This is easily the biggest impact on child survival that I’ve seen from an intervention that was designed to alleviate poverty,” said Harsha Thirumurthy, an economist at the University of Pennsylvania who was not involved in the work. The decline in infant mortality is a “showstopping result,” he said.
        The outcomes suggest that delivering even smaller amounts of money to families — especially those that live near a hospital — immediately before or after the birth of a child might allow women to seek medical care and drastically improve their children’s chances of survival. More than 100 low- and middle-income countries have explored so-called cash transfers, especially after the pandemic began. Generally, the experiments have found that giving money to poor families improves school attendance, nutrition and use of health services.

    (Apoorva Mandavilli. www.nytimes.com, 18.08.2025. Adaptado.)
    The main purpose of the text is to
    Escolha uma alternativa para a questão fd423b44-74
  • Linguagens

    Inglês

    Leia o texto para responder à questão.

    Imagem da questão de Inglês, Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto 2025, Interpretação de texto | Reading comprehension

        Of every 1,000 children born in Kenya, a country in East Africa, 32 don’t make it to their first birthdays. Study after study has explored how to improve those impressive numbers, in Kenya and elsewhere. But a decade-long study on alleviating poverty found a simple solution. Giving $1,000 to poor families lowered infant mortality rates by nearly half, and deaths in children under 5 by 45 percent. Those are much bigger drops than have been credited to routine immunizations, for example, or bed nets to prevent malaria.
        “This is easily the biggest impact on child survival that I’ve seen from an intervention that was designed to alleviate poverty,” said Harsha Thirumurthy, an economist at the University of Pennsylvania who was not involved in the work. The decline in infant mortality is a “showstopping result,” he said.
        The outcomes suggest that delivering even smaller amounts of money to families — especially those that live near a hospital — immediately before or after the birth of a child might allow women to seek medical care and drastically improve their children’s chances of survival. More than 100 low- and middle-income countries have explored so-called cash transfers, especially after the pandemic began. Generally, the experiments have found that giving money to poor families improves school attendance, nutrition and use of health services.

    (Apoorva Mandavilli. www.nytimes.com, 18.08.2025. Adaptado.)
    In the excerpt from the first paragraph “Those are much bigger drops than have been credited”, the underlined word refers to
    Escolha uma alternativa para a questão fd44bd94-74
  • Linguagens

    Inglês

    Leia o texto para responder à questão.

    Imagem da questão de Inglês, Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto 2025, Interpretação de texto | Reading comprehension

        Of every 1,000 children born in Kenya, a country in East Africa, 32 don’t make it to their first birthdays. Study after study has explored how to improve those impressive numbers, in Kenya and elsewhere. But a decade-long study on alleviating poverty found a simple solution. Giving $1,000 to poor families lowered infant mortality rates by nearly half, and deaths in children under 5 by 45 percent. Those are much bigger drops than have been credited to routine immunizations, for example, or bed nets to prevent malaria.
        “This is easily the biggest impact on child survival that I’ve seen from an intervention that was designed to alleviate poverty,” said Harsha Thirumurthy, an economist at the University of Pennsylvania who was not involved in the work. The decline in infant mortality is a “showstopping result,” he said.
        The outcomes suggest that delivering even smaller amounts of money to families — especially those that live near a hospital — immediately before or after the birth of a child might allow women to seek medical care and drastically improve their children’s chances of survival. More than 100 low- and middle-income countries have explored so-called cash transfers, especially after the pandemic began. Generally, the experiments have found that giving money to poor families improves school attendance, nutrition and use of health services.

    (Apoorva Mandavilli. www.nytimes.com, 18.08.2025. Adaptado.)
    No trecho do segundo parágrafo “The decline in infant mortality is a ‘showstopping result,’ he said”, o termo sublinhado pode ser substituído, sem alteração de sentido para o texto, por:
    Escolha uma alternativa para a questão fd46ed36-74
  • Linguagens

    Inglês

    Leia o texto para responder à questão.

    Imagem da questão de Inglês, Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto 2025, Interpretação de texto | Reading comprehension

        Of every 1,000 children born in Kenya, a country in East Africa, 32 don’t make it to their first birthdays. Study after study has explored how to improve those impressive numbers, in Kenya and elsewhere. But a decade-long study on alleviating poverty found a simple solution. Giving $1,000 to poor families lowered infant mortality rates by nearly half, and deaths in children under 5 by 45 percent. Those are much bigger drops than have been credited to routine immunizations, for example, or bed nets to prevent malaria.
        “This is easily the biggest impact on child survival that I’ve seen from an intervention that was designed to alleviate poverty,” said Harsha Thirumurthy, an economist at the University of Pennsylvania who was not involved in the work. The decline in infant mortality is a “showstopping result,” he said.
        The outcomes suggest that delivering even smaller amounts of money to families — especially those that live near a hospital — immediately before or after the birth of a child might allow women to seek medical care and drastically improve their children’s chances of survival. More than 100 low- and middle-income countries have explored so-called cash transfers, especially after the pandemic began. Generally, the experiments have found that giving money to poor families improves school attendance, nutrition and use of health services.

    (Apoorva Mandavilli. www.nytimes.com, 18.08.2025. Adaptado.)
    In the excerpt from the third paragraph “The outcomes suggest that delivering even smaller amounts of money to families — especially those that live near a hospital — immediately before or after the birth of a child might allow women to seek medical care and drastically improve their children’s chances of survival”, the underlined word expresses a 
    Escolha uma alternativa para a questão fd49a622-74
  • Linguagens

    Inglês

    Leia o texto para responder à questão.

    Imagem da questão de Inglês, Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto 2025, Interpretação de texto | Reading comprehension

        Of every 1,000 children born in Kenya, a country in East Africa, 32 don’t make it to their first birthdays. Study after study has explored how to improve those impressive numbers, in Kenya and elsewhere. But a decade-long study on alleviating poverty found a simple solution. Giving $1,000 to poor families lowered infant mortality rates by nearly half, and deaths in children under 5 by 45 percent. Those are much bigger drops than have been credited to routine immunizations, for example, or bed nets to prevent malaria.
        “This is easily the biggest impact on child survival that I’ve seen from an intervention that was designed to alleviate poverty,” said Harsha Thirumurthy, an economist at the University of Pennsylvania who was not involved in the work. The decline in infant mortality is a “showstopping result,” he said.
        The outcomes suggest that delivering even smaller amounts of money to families — especially those that live near a hospital — immediately before or after the birth of a child might allow women to seek medical care and drastically improve their children’s chances of survival. More than 100 low- and middle-income countries have explored so-called cash transfers, especially after the pandemic began. Generally, the experiments have found that giving money to poor families improves school attendance, nutrition and use of health services.

    (Apoorva Mandavilli. www.nytimes.com, 18.08.2025. Adaptado.)
    De acordo com o texto, o subsídio financeiro destinado a pessoas em situação de vulnerabilidade econômica no Quênia demonstrou ter um impacto para além da redução no índice de mortalidade infantil. O trecho do texto que confirma essa afirmação é:
    Escolha uma alternativa para a questão fd4c2114-74
  • Linguagens

    Inglês

    Read the quote from basketball player Michael Jordan.


    Imagem da questão de Inglês, Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto 2025, Interpretação de texto | Reading comprehension


    According to the quote, Michael Jordan

    Escolha uma alternativa para a questão fd4ed671-74
  • Linguagens

    Inglês

    Leia o trecho de uma música escrita pelo cantor George Michael para responder à questão.

    How can I help you?
    Please let me try to I can heal the pain that you’re feeling inside
    Whenever you want me, you know that I will be
    Waiting for the day that you say you’ll be mine

    Won’t you let me in? Let this love begin
    Won’t you show me your heart now?
    I’ll be good to you, I can make this thing true
    Show me that heart right now

    Who needs a lover that can’t be a friend
    Something tells me I’m the one you’ve been looking for, oh
    If you ever should see him again
    Won’t you tell him you’ve found someone who gives you more?

    Someone who will protect you, love and respect you
    All those things that he never could bring to you
    Like I do or rather I would
    Won’t you show me your heart like you should?

    (www.streetdirectory.com. Adaptado.)
    The lyrics suggest that the speaker is primarily expressing
    Escolha uma alternativa para a questão fd51d83d-74
  • Linguagens

    Inglês

    Leia o trecho de uma música escrita pelo cantor George Michael para responder à questão.

    How can I help you?
    Please let me try to I can heal the pain that you’re feeling inside
    Whenever you want me, you know that I will be
    Waiting for the day that you say you’ll be mine

    Won’t you let me in? Let this love begin
    Won’t you show me your heart now?
    I’ll be good to you, I can make this thing true
    Show me that heart right now

    Who needs a lover that can’t be a friend
    Something tells me I’m the one you’ve been looking for, oh
    If you ever should see him again
    Won’t you tell him you’ve found someone who gives you more?

    Someone who will protect you, love and respect you
    All those things that he never could bring to you
    Like I do or rather I would
    Won’t you show me your heart like you should?

    (www.streetdirectory.com. Adaptado.)
    No trecho “Who needs a lover that can’t be a friend” (3ª estrofe), o termo sublinhado é empregado com o mesmo sentido do termo sublinhado em:
    Escolha uma alternativa para a questão fd546b27-74
  • Linguagens

    Inglês

    Leia o trecho de uma música escrita pelo cantor George Michael para responder à questão.

    How can I help you?
    Please let me try to I can heal the pain that you’re feeling inside
    Whenever you want me, you know that I will be
    Waiting for the day that you say you’ll be mine

    Won’t you let me in? Let this love begin
    Won’t you show me your heart now?
    I’ll be good to you, I can make this thing true
    Show me that heart right now

    Who needs a lover that can’t be a friend
    Something tells me I’m the one you’ve been looking for, oh
    If you ever should see him again
    Won’t you tell him you’ve found someone who gives you more?

    Someone who will protect you, love and respect you
    All those things that he never could bring to you
    Like I do or rather I would
    Won’t you show me your heart like you should?

    (www.streetdirectory.com. Adaptado.)
    O trecho da música que revela uma correção enunciativa no discurso do eu lírico é:
    Escolha uma alternativa para a questão fd574cf6-74
  • Linguagens

    Inglês

    Read the poster of a campaign launched by the New York State Office of Addiction Services and Supports (OASAS)

    Imagem da questão de Inglês, Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto 2025, Interpretação de texto | Reading comprehension


    The campaign intends to.

    Escolha uma alternativa para a questão fd599cd4-74
  • Linguagens

    Literatura

    Leia o conto a seguir e responda à questão.

    Preciosidade (para Mafalda)

    De manhã cedo era sempre a mesma coisa renovada: acordar. O que era vagaroso, desdobrado, vasto. Vastamente ela abria os olhos. Tinha quinze anos e não era bonita. Mas por dentro da magreza, a vastidão quase majestosa em que se movia como dentro de uma meditação. E dentro da nebulosidade algo precioso. Que não se espreguiçava, não se comprometia, não se contaminava. Que era intenso como uma joia. Ela acordava antes de todos, pois para ir à escola teria que pegar um ônibus e um bonde, o que lhe tomaria uma hora. O que lhe daria uma hora. De devaneio agudo como um crime. O vento da manhã violentando a janela e o rosto até que os lábios ficavam duros, gelados. Então ela sorria. Como se sorrir fosse em si um objetivo. Tudo isso aconteceria se tivesse a sorte de “ninguém olhar para ela”. Era uma manhã ainda mais fria e escura que as outras, ela estremeceu no suéter. A branca nebulosidade deixava o fim da rua invisível. Tudo estava algodoado, não se ouviu sequer o ruído de algum ônibus que passasse pela avenida. Foi andando para o imprevisível da rua. As casas dormiam nas portas fechadas. Os jardins endurecidos de frio. No ar escuro, mais que no céu, no meio da rua uma estrela. Uma grande estrela de gelo que não voltara ainda, incerta no ar, úmida, informe. Surpreendida no seu atraso, arredondava- -se na hesitação. Ela olhou a estrela próxima. Caminhava sozinha na cidade bombardeada. Não, ela não estava sozinha. Com os olhos franzidos pela incredulidade no fim longínquo de sua rua, de dentro do vapor, viu dois homens. Dois rapazes vindo. Olhou ao redor como se pudesse ter errado de rua ou de cidade. Mas errara os minutos: saíra de casa antes que a estrela e dois homens tivessem tempo de sumir. Seu coração se espantou. O que se seguiu foram quatro mãos difíceis, foram quatro mãos que não sabiam o que queriam, quatro mãos erradas de quem não tinha a vocação, quatro mãos que a tocaram tão inesperadamente que ela fez a coisa mais certa que poderia ter feito no mundo dos movimentos: ficou paralisada. Eles, cujo papel predeterminado era apenas o de passar junto do escuro de seu medo, e então o primeiro dos sete mistérios cairia; eles que representariam apenas o horizonte de um só passo aproximado, eles não compreenderam a função que tinham e, com a individualidade dos que têm medo, haviam atacado. Foi menos de uma fração de segundo na rua tranquila. Numa fração de segundo a tocaram como se a eles coubessem todos os sete mistérios. Que ela conservou todos, e mais larva se tornou, e mais sete anos de atraso. Quando foi molhar os cabelos diante do espelho, ela era tão feia. Ela possuía tão pouco, e eles haviam tocado. Ela era tão feia e preciosa. Estava pálida, os traços afinados. As mãos, umedecendo os cabelos, sujas de tinta ainda do dia anterior. “Preciso cuidar mais de mim”, pensou. Não sabia como. A verdade é que cada vez sabia menos como. A expressão do nariz era a de um focinho apontando na cerca. Voltou ao banco e ficou quieta, com um focinho. “Uma pessoa não é nada.” “Não”, retrucou-se em mole protesto, “não diga isso”, pensou com bondade e melancolia. “Uma pessoa é alguma coisa”, disse por gentileza. Mas no jantar a vida tomou um senso imediato e histérico:
    – Preciso de sapatos novos! Os meus fazem muito barulho, uma mulher não pode andar com salto de madeira, chama muita atenção! Ninguém me dá nada! Ninguém me dá nada! – e estava tão frenética e estertorada que ninguém teve coragem de lhe dizer que não os ganharia. Só disseram:
    – Você não é uma mulher e todo salto é de madeira. Até que, assim como uma pessoa engorda, ela deixou, sem saber por que processo, de ser preciosa. Há uma obscura lei que faz com que se proteja o ovo até que nasça o pinto, pássaro de fogo. E ela ganhou os sapatos novos.

    (LISPECTOR, C. Laços de Família. São Paulo: Rocco, 1998. p.95-108.)
    A respeito da autora e de sua obra, assinale a alternativa correta.
    Escolha uma alternativa para a questão fd7db658-06
  • Linguagens

    Português

    Considere a tirinha de André Dahmer para responder à questão.



    Imagem da questão de Português, UEA 2018, Interpretação de Textos

    (www.folha.uol.com.br)

    A tirinha expressa de maneira ácida a ideia de que
    Escolha uma alternativa para a questão fd818cfa-d1
  • Linguagens

    Português

        O conceito de Cidades MIL, isto é, Cidades Media and Information Literacy (Cidades com Alfabetização Midiática e Informacional), surgiu em 2018, durante eventos da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). É uma evolução do conceito de Cidade Inteligente e Cidade do Conhecimento, dado que, para serem verdadeiramente sustentáveis, as cidades inteligentes também devem ser cidades MIL. Isso implica educar, capacitar e empoderar moradores e empresas para que estabeleçam redes de cooperação e façam um uso crítico, ético, criativo e responsável das novas infraestruturas e tecnologias que oferecem as cidades contemporâneas. A ênfase desse conceito, diferente dos anteriores, reside nos elementos humanos e não nos tecnológicos.

    (https://ceacom.com.br. Adaptado.)

    O conceito de Cidades MIL, explicado no excerto, busca
    Escolha uma alternativa para a questão fd826e62-74
  • Linguagens

    Português

    Leia o conto a seguir e responda à questão.

    Preciosidade (para Mafalda)

    De manhã cedo era sempre a mesma coisa renovada: acordar. O que era vagaroso, desdobrado, vasto. Vastamente ela abria os olhos. Tinha quinze anos e não era bonita. Mas por dentro da magreza, a vastidão quase majestosa em que se movia como dentro de uma meditação. E dentro da nebulosidade algo precioso. Que não se espreguiçava, não se comprometia, não se contaminava. Que era intenso como uma joia. Ela acordava antes de todos, pois para ir à escola teria que pegar um ônibus e um bonde, o que lhe tomaria uma hora. O que lhe daria uma hora. De devaneio agudo como um crime. O vento da manhã violentando a janela e o rosto até que os lábios ficavam duros, gelados. Então ela sorria. Como se sorrir fosse em si um objetivo. Tudo isso aconteceria se tivesse a sorte de “ninguém olhar para ela”. Era uma manhã ainda mais fria e escura que as outras, ela estremeceu no suéter. A branca nebulosidade deixava o fim da rua invisível. Tudo estava algodoado, não se ouviu sequer o ruído de algum ônibus que passasse pela avenida. Foi andando para o imprevisível da rua. As casas dormiam nas portas fechadas. Os jardins endurecidos de frio. No ar escuro, mais que no céu, no meio da rua uma estrela. Uma grande estrela de gelo que não voltara ainda, incerta no ar, úmida, informe. Surpreendida no seu atraso, arredondava- -se na hesitação. Ela olhou a estrela próxima. Caminhava sozinha na cidade bombardeada. Não, ela não estava sozinha. Com os olhos franzidos pela incredulidade no fim longínquo de sua rua, de dentro do vapor, viu dois homens. Dois rapazes vindo. Olhou ao redor como se pudesse ter errado de rua ou de cidade. Mas errara os minutos: saíra de casa antes que a estrela e dois homens tivessem tempo de sumir. Seu coração se espantou. O que se seguiu foram quatro mãos difíceis, foram quatro mãos que não sabiam o que queriam, quatro mãos erradas de quem não tinha a vocação, quatro mãos que a tocaram tão inesperadamente que ela fez a coisa mais certa que poderia ter feito no mundo dos movimentos: ficou paralisada. Eles, cujo papel predeterminado era apenas o de passar junto do escuro de seu medo, e então o primeiro dos sete mistérios cairia; eles que representariam apenas o horizonte de um só passo aproximado, eles não compreenderam a função que tinham e, com a individualidade dos que têm medo, haviam atacado. Foi menos de uma fração de segundo na rua tranquila. Numa fração de segundo a tocaram como se a eles coubessem todos os sete mistérios. Que ela conservou todos, e mais larva se tornou, e mais sete anos de atraso. Quando foi molhar os cabelos diante do espelho, ela era tão feia. Ela possuía tão pouco, e eles haviam tocado. Ela era tão feia e preciosa. Estava pálida, os traços afinados. As mãos, umedecendo os cabelos, sujas de tinta ainda do dia anterior. “Preciso cuidar mais de mim”, pensou. Não sabia como. A verdade é que cada vez sabia menos como. A expressão do nariz era a de um focinho apontando na cerca. Voltou ao banco e ficou quieta, com um focinho. “Uma pessoa não é nada.” “Não”, retrucou-se em mole protesto, “não diga isso”, pensou com bondade e melancolia. “Uma pessoa é alguma coisa”, disse por gentileza. Mas no jantar a vida tomou um senso imediato e histérico:
    – Preciso de sapatos novos! Os meus fazem muito barulho, uma mulher não pode andar com salto de madeira, chama muita atenção! Ninguém me dá nada! Ninguém me dá nada! – e estava tão frenética e estertorada que ninguém teve coragem de lhe dizer que não os ganharia. Só disseram:
    – Você não é uma mulher e todo salto é de madeira. Até que, assim como uma pessoa engorda, ela deixou, sem saber por que processo, de ser preciosa. Há uma obscura lei que faz com que se proteja o ovo até que nasça o pinto, pássaro de fogo. E ela ganhou os sapatos novos.

    (LISPECTOR, C. Laços de Família. São Paulo: Rocco, 1998. p.95-108.)
    Em relação ao conto “Preciosidade”, considere as afirmativas a seguir.

    I. Narra a história de uma adolescente comum, sem nenhuma beleza que a tornasse especial e nenhum acontecimento em sua vida que a fizesse olhar para si.
    II. Sua preciosidade era sua virgindade.
    III. Os sapatos simbolizam a passagem da infância para a vida adulta, além de lhe trazer a culpa de ter sido estuprada por fazer barulho e chamar a atenção na rua.
    IV. O barulho dos sapatos a incomodava porque ela não queria ser notada por ninguém por onde passasse porque era muito tímida. Assinale a alternativa correta.
    Escolha uma alternativa para a questão fd85c893-06
  • Linguagens

    Português

    Considere a tirinha de André Dahmer para responder à questão.



    Imagem da questão de Português, UEA 2018, Interpretação de Textos

    (www.folha.uol.com.br)

    A palavra “só”, no primeiro quadrinho, foi utilizada no mesmo sentido da palavra sublinhada em
    Escolha uma alternativa para a questão fd86101b-d1
  • Linguagens

    Português

    Leia o conto a seguir e responda à questão.

    Preciosidade (para Mafalda)

    De manhã cedo era sempre a mesma coisa renovada: acordar. O que era vagaroso, desdobrado, vasto. Vastamente ela abria os olhos. Tinha quinze anos e não era bonita. Mas por dentro da magreza, a vastidão quase majestosa em que se movia como dentro de uma meditação. E dentro da nebulosidade algo precioso. Que não se espreguiçava, não se comprometia, não se contaminava. Que era intenso como uma joia. Ela acordava antes de todos, pois para ir à escola teria que pegar um ônibus e um bonde, o que lhe tomaria uma hora. O que lhe daria uma hora. De devaneio agudo como um crime. O vento da manhã violentando a janela e o rosto até que os lábios ficavam duros, gelados. Então ela sorria. Como se sorrir fosse em si um objetivo. Tudo isso aconteceria se tivesse a sorte de “ninguém olhar para ela”. Era uma manhã ainda mais fria e escura que as outras, ela estremeceu no suéter. A branca nebulosidade deixava o fim da rua invisível. Tudo estava algodoado, não se ouviu sequer o ruído de algum ônibus que passasse pela avenida. Foi andando para o imprevisível da rua. As casas dormiam nas portas fechadas. Os jardins endurecidos de frio. No ar escuro, mais que no céu, no meio da rua uma estrela. Uma grande estrela de gelo que não voltara ainda, incerta no ar, úmida, informe. Surpreendida no seu atraso, arredondava- -se na hesitação. Ela olhou a estrela próxima. Caminhava sozinha na cidade bombardeada. Não, ela não estava sozinha. Com os olhos franzidos pela incredulidade no fim longínquo de sua rua, de dentro do vapor, viu dois homens. Dois rapazes vindo. Olhou ao redor como se pudesse ter errado de rua ou de cidade. Mas errara os minutos: saíra de casa antes que a estrela e dois homens tivessem tempo de sumir. Seu coração se espantou. O que se seguiu foram quatro mãos difíceis, foram quatro mãos que não sabiam o que queriam, quatro mãos erradas de quem não tinha a vocação, quatro mãos que a tocaram tão inesperadamente que ela fez a coisa mais certa que poderia ter feito no mundo dos movimentos: ficou paralisada. Eles, cujo papel predeterminado era apenas o de passar junto do escuro de seu medo, e então o primeiro dos sete mistérios cairia; eles que representariam apenas o horizonte de um só passo aproximado, eles não compreenderam a função que tinham e, com a individualidade dos que têm medo, haviam atacado. Foi menos de uma fração de segundo na rua tranquila. Numa fração de segundo a tocaram como se a eles coubessem todos os sete mistérios. Que ela conservou todos, e mais larva se tornou, e mais sete anos de atraso. Quando foi molhar os cabelos diante do espelho, ela era tão feia. Ela possuía tão pouco, e eles haviam tocado. Ela era tão feia e preciosa. Estava pálida, os traços afinados. As mãos, umedecendo os cabelos, sujas de tinta ainda do dia anterior. “Preciso cuidar mais de mim”, pensou. Não sabia como. A verdade é que cada vez sabia menos como. A expressão do nariz era a de um focinho apontando na cerca. Voltou ao banco e ficou quieta, com um focinho. “Uma pessoa não é nada.” “Não”, retrucou-se em mole protesto, “não diga isso”, pensou com bondade e melancolia. “Uma pessoa é alguma coisa”, disse por gentileza. Mas no jantar a vida tomou um senso imediato e histérico:
    – Preciso de sapatos novos! Os meus fazem muito barulho, uma mulher não pode andar com salto de madeira, chama muita atenção! Ninguém me dá nada! Ninguém me dá nada! – e estava tão frenética e estertorada que ninguém teve coragem de lhe dizer que não os ganharia. Só disseram:
    – Você não é uma mulher e todo salto é de madeira. Até que, assim como uma pessoa engorda, ela deixou, sem saber por que processo, de ser preciosa. Há uma obscura lei que faz com que se proteja o ovo até que nasça o pinto, pássaro de fogo. E ela ganhou os sapatos novos.

    (LISPECTOR, C. Laços de Família. São Paulo: Rocco, 1998. p.95-108.)
    Sobre a linguagem do conto, atribua V (verdadeiro) ou F (falso) às afirmativas a seguir.

    ( ) Há a presença constante do sentido conotativo da linguagem.
    ( ) A linguagem é predominantemente coloquial, com certo desleixo em algumas situações.
    ( ) Há predomínio da linguagem poética, trazendo um alto lirismo ao conto.
    ( ) É possível perceber que a autora utiliza uma linguagem objetiva, sem grandes descrições ou elementos conotativos.
    ( ) Há uma mescla entre as variedades padrão e coloquial da língua dando mais verossimilhança à personagem.

    Assinale a alternativa que contém, de cima para baixo, a sequência correta.
    Escolha uma alternativa para a questão fd89775d-06
  • Linguagens

    Literatura

    Capitulo LIV — A pêndula

    Saí dali a saborear o beijo. Não pude dormir; estirei-me na cama, é certo, mas foi o mesmo que nada. Ouvi as horas todas da noite. Usualmente, quando eu perdia o sono, o bater da pêndula fazia-me muito mai; esse tique-taque soturno, vagaroso e seco parecia dizer a cada golpe que eu ia ter um instante menos de vida. Imaginava então um velho diabo, sentado entre dois sacos, o da vida e o da morte, e a contá-las assim:

    — Outra de menos...
    — Outra de menos...
    — Outra de menos...
    — Outra de menos...

    O mais singular é que, se o relógio parava, eu dava-lhe corda, para que ele não deixasse de bater nunca, e eu pudesse contar todos os meus instanles perdidos, invenções há, que se transformam ou acabam; as mesmas instituições morrem; o relógio é definitivo e perpétuo. O derradeiro homem, ao despedir-se do sol frio e gasto, há de ter um relógio na algibeira, para saber a hora exata em que morre.

    Naquela noite não padeci essa triste sensação de enfado, mas outra, e deleitosa, As fantasias tumultuavam-me cá dentro, vinham umas sobre outras, â semelhança de devotas que se abaíroam para ver o anjo-cantor das procissões. Não ouvia os instantes perdidos, mas os minutos ganhados.

    ASSIS. M. Memórias póstumas de Brás Cubas, Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1992 (fragmento).

    O capitulo apresenta o instante em que Brás Cubas revive a sensação do beijo trocado com Virgüia, casada com Lobo Neves. Nesse contexto, a metáfora do relógio desconstrói certos paradigmas românticos, porque

    Escolha uma alternativa para a questão fd8ac6c6-96
  • Linguagens

    Português

        Lixo verde é composto por resíduos vegetais biodegradáveis que vêm principalmente de casas e jardins. Isso inclui restos como aparas de grama, folhas que caíram, pedaços de frutas e vegetais, além de flores e plantas que já não estão boas, e também galhos e troncos menores. A principal característica desse tipo de lixo é que ele pode ser transformado em composto. Esse composto é muito rico e ajuda a tornar o solo mais fértil de forma sustentável.

    (https://diamundialdalimpeza.com.br)

    Na natureza, em áreas florestais, o “lixo verde” corresponde à
    Escolha uma alternativa para a questão fd8c8429-74
  • Linguagens

    Português

    Leia o conto a seguir e responda à questão.

    Preciosidade (para Mafalda)

    De manhã cedo era sempre a mesma coisa renovada: acordar. O que era vagaroso, desdobrado, vasto. Vastamente ela abria os olhos. Tinha quinze anos e não era bonita. Mas por dentro da magreza, a vastidão quase majestosa em que se movia como dentro de uma meditação. E dentro da nebulosidade algo precioso. Que não se espreguiçava, não se comprometia, não se contaminava. Que era intenso como uma joia. Ela acordava antes de todos, pois para ir à escola teria que pegar um ônibus e um bonde, o que lhe tomaria uma hora. O que lhe daria uma hora. De devaneio agudo como um crime. O vento da manhã violentando a janela e o rosto até que os lábios ficavam duros, gelados. Então ela sorria. Como se sorrir fosse em si um objetivo. Tudo isso aconteceria se tivesse a sorte de “ninguém olhar para ela”. Era uma manhã ainda mais fria e escura que as outras, ela estremeceu no suéter. A branca nebulosidade deixava o fim da rua invisível. Tudo estava algodoado, não se ouviu sequer o ruído de algum ônibus que passasse pela avenida. Foi andando para o imprevisível da rua. As casas dormiam nas portas fechadas. Os jardins endurecidos de frio. No ar escuro, mais que no céu, no meio da rua uma estrela. Uma grande estrela de gelo que não voltara ainda, incerta no ar, úmida, informe. Surpreendida no seu atraso, arredondava- -se na hesitação. Ela olhou a estrela próxima. Caminhava sozinha na cidade bombardeada. Não, ela não estava sozinha. Com os olhos franzidos pela incredulidade no fim longínquo de sua rua, de dentro do vapor, viu dois homens. Dois rapazes vindo. Olhou ao redor como se pudesse ter errado de rua ou de cidade. Mas errara os minutos: saíra de casa antes que a estrela e dois homens tivessem tempo de sumir. Seu coração se espantou. O que se seguiu foram quatro mãos difíceis, foram quatro mãos que não sabiam o que queriam, quatro mãos erradas de quem não tinha a vocação, quatro mãos que a tocaram tão inesperadamente que ela fez a coisa mais certa que poderia ter feito no mundo dos movimentos: ficou paralisada. Eles, cujo papel predeterminado era apenas o de passar junto do escuro de seu medo, e então o primeiro dos sete mistérios cairia; eles que representariam apenas o horizonte de um só passo aproximado, eles não compreenderam a função que tinham e, com a individualidade dos que têm medo, haviam atacado. Foi menos de uma fração de segundo na rua tranquila. Numa fração de segundo a tocaram como se a eles coubessem todos os sete mistérios. Que ela conservou todos, e mais larva se tornou, e mais sete anos de atraso. Quando foi molhar os cabelos diante do espelho, ela era tão feia. Ela possuía tão pouco, e eles haviam tocado. Ela era tão feia e preciosa. Estava pálida, os traços afinados. As mãos, umedecendo os cabelos, sujas de tinta ainda do dia anterior. “Preciso cuidar mais de mim”, pensou. Não sabia como. A verdade é que cada vez sabia menos como. A expressão do nariz era a de um focinho apontando na cerca. Voltou ao banco e ficou quieta, com um focinho. “Uma pessoa não é nada.” “Não”, retrucou-se em mole protesto, “não diga isso”, pensou com bondade e melancolia. “Uma pessoa é alguma coisa”, disse por gentileza. Mas no jantar a vida tomou um senso imediato e histérico:
    – Preciso de sapatos novos! Os meus fazem muito barulho, uma mulher não pode andar com salto de madeira, chama muita atenção! Ninguém me dá nada! Ninguém me dá nada! – e estava tão frenética e estertorada que ninguém teve coragem de lhe dizer que não os ganharia. Só disseram:
    – Você não é uma mulher e todo salto é de madeira. Até que, assim como uma pessoa engorda, ela deixou, sem saber por que processo, de ser preciosa. Há uma obscura lei que faz com que se proteja o ovo até que nasça o pinto, pássaro de fogo. E ela ganhou os sapatos novos.

    (LISPECTOR, C. Laços de Família. São Paulo: Rocco, 1998. p.95-108.)
    Leia a notícia a seguir e responda à questão.

    90% das mulheres estupradas não denunciam agressor, diz especialista
    Medo de morte, vergonha e humilhação e sentimento de culpa são os principais motivos para a falta de denúncia.

    Três dias antes do Natal do ano passado, a agente de atendimento Isabela (nome fictício), de 18 anos de idade, estava voltando para casa após um culto na igreja onde frequenta quando foi abordada por um desconhecido em uma moto. A princípio, ela diz ter pensado se tratar de um assalto e chegou a entregar o telefone celular ao homem com capacete. “Esse foi o único dia que eu estava voltando para casa sozinha. Ele me pegou em uma rua deserta e apontou a arma para mim. Por medo, eu não gritei. Ele pegou o celular e disse que ia me guiar. Me levou a uma rua mais deserta e colocou um capuz em mim para eu não ver o rosto dele”, diz. O estupro aconteceu na rua mesmo. Com medo do agressor que a ameaçou de morte caso contasse para alguém, Isabela ficou calada e relatou apenas o assalto para a mãe.

    (Adaptado de: OLIVEIRA, A. Disponível em: <http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/2014-04-25/90-das-mulheres-estupradas-nao-denunciam-agressor-diz-especialista.html>. Acesso em: 25 abr. 2014.)

    Com base no conto “Preciosidade” e na notícia, assinale a alternativa correta.
    Escolha uma alternativa para a questão fd8da374-06