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Questões de Linguagens do ENEM

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  • 18.995 questões
  • 4 disciplinas
  • 219 assuntos

Resultados: 18.995 questões

Página 578 de 950

  • Linguagens

    Inglês

    Imagem da questão de Inglês, UFRN 2011, Interpretação de texto | Reading comprehension
    Em relação à banda larga, todos os cidadãos estadunidenses devem ter
    Escolha uma alternativa para a questão 8dd4c7f8-dc
  • Linguagens

    Inglês

    Water Availability and Access


    Water availability and access are key constraints to poverty reduction and food security. Maintaining enough water for agriculture of reasonable quality will be increasingly difficult due to climate change, competition for water with industries, urban uses and the environment, and the need to produce biofuels. Much of the world is faced with a situation where water supplies for various uses are overallocated, with river flows much reduced, groundwater levels dropping, and important ecosystems threatened - a situation of physical water scarcity. Much of this is driven by agricultural water use. In other parts of the world, availability of water in rivers, wetlands, and aquifers is ample, but access is difficult because people have not found means to develop the water resource - a situation of economic water scarcity. Adaptive management strategies are required to balance decreasing availability with increasing demand, while coping with uncertainties. These include water allocation strategies, development of appropriate types of water storage ranging from small ponds to large reservoirs and from surface structures to managed aquifers, and adopting policies that provide incentives to use water differently. As new water infrastructure is a key strategy for improving secure access for agriculture, the theme considers various benefits and costs of infrastructural development. The overall aim is to maintain equity in water access, agricultural productivity, human health and environmental quality in the face of increasing water scarcity at local, basin and transboundary scales via development of adaptive management strategies, policy responses and tradeoffs.

    Source: http://www.iwmi.cgiar.org/research_impacts/Research_Themes/Theme_1/index.aspx 
    Analisando o texto, pode-se afirmar que a única alternativa correta relacionada ao tema é:
    Escolha uma alternativa para a questão dbe4c70f-dc
  • Linguagens

    Português

    Sobre o poema de Herbert Emanuel abaixo, assinale a alternativa correta.

    Imagem da questão de Português, Universidade Federal do Pará 2011, Funções da Linguagem: emotiva, apelativa, referencial, metalinguística, fática e poética.

    (Nada ou quase uma arte, 2. ed., Editora Spia Vídeos e Produções, Macapá: 2009, p.6)

    Escolha uma alternativa para a questão db8163fb-dc
  • Linguagens

    Inglês

    When stars disappear…


    One of the negative effects of industrialization on human activity and the environment is the production of excessive light. Most people do not consider the surplus of artificial light as a form of pollution because it is not permanent; all we must do is collectively turn out our lights to make it disappear. In reality, however, such a solution is unrealistic because our society needs artificial light to function. Light pollution is mainly caused by lighting systems that are misdirected, excessive, inefficient or unnecessary. The negative effects of light pollution on human activity are numerous. From an economic point of view, for example, the use of excessive lighting or unnecessary lighting constitutes a waste of energy that is costly to both the individual and to industries. On a larger scale, excessive lighting can have an impact on global climate change if the required electricity was generated by burning fossil fuels. Wildlife and plants are also affected. For example, nighttime lighting can confuse animals that migrate (like migratory birds), can modify predator-prey relationships, and can even alter competitiveness within the same species.

    It is even possible for entire ecosystems to be affected. In lakes, for example, zooplankton may stop feeding on algae if nighttime lighting is too strong. The result is excessive algae growth that eventually decomposes and causes an increase in bacterial activity. This leads to oxygen depletion in the lake, and many species of invertebrates and fish then die by asphyxiation. In astronomy, light pollution is a real and pressing problem. It diminishes the contrast between the dark sky and celestial sources of light, which makes it harder to see the stars. For professional astronomers, artificial light is undesirable because it interferes with the collection of data. This is why new observatories are built in isolated regions.

    Programs to reduce light pollution have been started up by several astronomical centres across Canada, including ASTROLab and the Mont-Mégantic Observatory, the David Dunlap Observatory in Toronto. A number of amateur astronomy associations are also involved in protecting our endangered legacy, the starry night sky. The focus of light pollution abatement programs is to change the habits of the general population, companies and urban planners so that less artificial light will be wasted or misdirected.
    Source: http://astro-canada.ca/_en/a3800.html
    Tendo como base medidas de combate à poluição, pode-se afirmar que a única alternativa que corresponde integralmente à ideia do texto é:
    Escolha uma alternativa para a questão 70b5a204-d8
  • Linguagens

    Literatura

    Sobre a obra O ensaio sobre a cegueira, de José Saramago, marque a alternativa incorreta.
    Escolha uma alternativa para a questão 6ff30024-d8
  • Linguagens

    Literatura

    Combinando lenda e humor, O Coronel e o lobisomem, escrito por José Cândido de Carvalho, em 1964, é uma obra que evidencia a permanência e a transformação do regionalismo na Literatura Brasileira, pois:
    Escolha uma alternativa para a questão 6fee1251-d8
  • Linguagens

    Literatura

    Leia atentamente o poema abaixo, de Herbert Emanuel, e responda o que se pede.

    Da Impossibilidade

    um pouco mais e eu me arrisco
    a esta palavra felina, arisca
    mas a mão trêmula de medo
    como um gato escaldado em segredo

    hesita em escrever neste branco véu
    ou página-noiva a pedir-me provas
    de que realmente a mereço
    com um gesto de afeto ou apreço

    e assim eu me fico:
    se continuo ou se risco
    se admito o fracasso

    ou se me lanço onde não chego
    pois sonhar é possível
    diz o otimismo mais cego

    (Nada ou quase uma arte, 2. ed., Editora Spia Vídeos e Produções, Macapá: 2009, p.1)

    Quanto aos elementos estruturais e linguísticos do poema, é correto afirmar que:
    Escolha uma alternativa para a questão 6fe1a35e-d8
  • Linguagens

    Português

    A solidão essencial

    O amor que nos resolve a vida é uma promessa enganosa

    Acho que foi um professor de cursinho quem contou em classe o mito dos andróginos. Parte homem e parte mulher, esses seres eram tão completos e tão felizes que despertaram a inveja de Zeus. Irado, o patriarca do Olimpo disparou raios que separaram em duas cada uma das criaturas perfeitas. Desde então, elas vagam pelo mundo em busca de sua metade. São solitárias e incompletas. Somos nós.

    Não sei o que os gregos queriam dizer ao criar essa lenda, mas a maneira como nós a interpretamos, modernamente, é muito clara: existe alguém lá fora que nasceu para nós. Enquanto não acharmos essa metade (o amor verdadeiro), jamais seremos felizes.

    Muitos de nós acreditamos nisso o tempo todo. Outros acreditam apenas de vez em quando. Raro é encontrar alguém totalmente imune a essa espécie de esperança (ou seria armadilha?) romântica.

    Mas eu às vezes me pergunto se essa é uma ideia construtiva. É saudável imaginar que a nossa felicidade não depende de nós, mas, sim, de outra pessoa qualquer? Mesmo sem tomar o mito dos andróginos ao pé da letra, milhões de pessoas adiam o futuro diariamente à espera de que a vida lhes traga um grande amor, aquele que vai colocar tudo nos eixos.

    Eu pergunto de novo: essa é uma ideia saudável?

    Há um livro do qual eu gosto muito que trata dessa questão – a ideia do amor romântico – como nenhum outro. Chama-se “Sem fraude nem favor, estudos sobre o amor romântico” e foi escrito pelo psiquiatra e psicanalista pernambucano Jurandir Freire Costa, uma das pessoas que melhor fala dos sentimentos e das emoções no mundo real (que é o contrário do mundo idealizado no qual a gente, sem perceber, passa a maior parte da nossa vida).

    Nesse livro, Jurandir afirma que o amor romântico – ao contrário de tudo que nos dizem – não é natural e universal, não é incontrolável e nem é condição essencial à felicidade humana. Isso seriam apenas coisas em que se acredita.

    Não vou reproduzir os argumentos minuciosos e nem a prosa erudita do escritor, mas essencialmente ele afirma que o amor exaltado, sublime e raro que nós endeusamos é uma invenção social (como a música) e uma crença (como a religião) que pode perfeitamente ser questionada e modificada. Não existe um jeito eterno e imutável de amar, diz ele. O amor e a forma de encará-lo sempre variaram ao longo da história. Se nosso jeito atual de amar nos parece opressivo, antiquado ou insatisfatório, que tal tentar outra forma de amar?

    É estranho pensar no amor dessa maneira, não? Estamos acostumados a vê-lo como algo imutável, quase sagrado, que as pessoas têm ou não têm, conseguem ou não conseguem. Mas claramente não é assim. Ao redor de nós existem pessoas que tratam o amor de forma muito diferente entre si. Fulano é muito romântico, quase tonto, enquanto fulana é de um pragmatismo inquietante: sabe exatamente o que deseja e vai atrás. Essas são diferenças reais, que mostram que o bicho amor não é exatamente o mesmo para todo o mundo.

    Quando se compara o nosso modo de agir e pensar com o das outras culturas, as diferenças ficam ainda mais óbvias.

    Nos últimos dias, eu tenho pensado muito em um aspecto particular da nossa ideologia do amor, aquele que diz que é impossível ser feliz sozinho. Não é só a música de Tom Jobim que afirma isso. Tudo que nos circunda brada a mesma mensagem. Ela está nos filmes, nas novelas, nas conversas. Ausência de parceiro é sinônimo de infelicidade, fracasso ou esquisitice. Ou tudo isso junto. Talvez seja verdade que a maioria das pessoas sem parceiros tendem a serem menos felizes, mas o contrário certamente é falso: estar com alguém, ter alguém, não é garantia de felicidade. A gente sabe disso, a gente vive isso, mas, socialmente, a gente não divide essa informação. Para todos os efeitos públicos, vale o seguinte combinado: se a pessoa está casada, ou tem um namorado bacana, sua vida está “resolvida”. Mas isso é falso, não? 

    Namorei uma vez uma moça cujo pai, um sujeito espetacular, casado com uma mulher encantadora, estava há meses numa terrível depressão. Eu olhava para o sujeito e não entendia. Ele tinha mulher, filhos, casa, profissão, amigos e... tinha desmoronado. Os motivos íntimos da derrocada talvez nem ele soubesse, mas a lição para mim foi clara: nossas questões interiores não se resolvem com a parceria amorosa, nem mesmo com a família.

    Não adianta nos cercamos de um cenário de propaganda de margarina (mulher, filhos, cachorro, condomínio) porque, ao final, nossa felicidade depende de nós, das forças interiores que nós somos capazes de mobilizar. As pessoas que amamos nos ajudam, mas elas não substituem nosso amor próprio, nossa motivação e a nossa estabilidade. Precisamos das pessoas, mas precisamos ainda mais de nós mesmos.

    É por isso que a promessa de felicidade amorosa às vezes me incomoda. Ela é falsa. Ela é uma forma de propaganda enganosa. Ele conduz as pessoas numa procura inútil por alguém que as faça sentir inteiras e completas, quando, na verdade, essa sensação de inteireza talvez seja inalcançável.

    Se a gente olhar de novo para o mito do andrógino, talvez haja nele outra sabedoria a ser extraída: a de que nós, homens e mulheres, somos criaturas intrinsecamente solitárias. Vivemos em grupo, precisamos do grupo e buscamos conforto na intimidade do outro, no amor. Mas talvez seja da nossa natureza jamais nos sentirmos inteiros e completos.

    Talvez haja em nós uma inquietação inextinguível e uma angústia que advêm da nossa própria consciência e que nos torna humanos. O amor seria então um alento, um consolo, uma fogueira que nos protege do frio. Mas o frio está lá. E a melhor medida da felicidade talvez seja a forma como lidamos com ele. Como indivíduos, não como casais.

    (Ivan Martins. Época on line, 06/01/2010.)
    Sobre o 8º parágrafo, não se pode afirmar que:
    Escolha uma alternativa para a questão 6fd680a6-d8
  • Linguagens

    Português

    A solidão essencial

    O amor que nos resolve a vida é uma promessa enganosa

    Acho que foi um professor de cursinho quem contou em classe o mito dos andróginos. Parte homem e parte mulher, esses seres eram tão completos e tão felizes que despertaram a inveja de Zeus. Irado, o patriarca do Olimpo disparou raios que separaram em duas cada uma das criaturas perfeitas. Desde então, elas vagam pelo mundo em busca de sua metade. São solitárias e incompletas. Somos nós.

    Não sei o que os gregos queriam dizer ao criar essa lenda, mas a maneira como nós a interpretamos, modernamente, é muito clara: existe alguém lá fora que nasceu para nós. Enquanto não acharmos essa metade (o amor verdadeiro), jamais seremos felizes.

    Muitos de nós acreditamos nisso o tempo todo. Outros acreditam apenas de vez em quando. Raro é encontrar alguém totalmente imune a essa espécie de esperança (ou seria armadilha?) romântica.

    Mas eu às vezes me pergunto se essa é uma ideia construtiva. É saudável imaginar que a nossa felicidade não depende de nós, mas, sim, de outra pessoa qualquer? Mesmo sem tomar o mito dos andróginos ao pé da letra, milhões de pessoas adiam o futuro diariamente à espera de que a vida lhes traga um grande amor, aquele que vai colocar tudo nos eixos.

    Eu pergunto de novo: essa é uma ideia saudável?

    Há um livro do qual eu gosto muito que trata dessa questão – a ideia do amor romântico – como nenhum outro. Chama-se “Sem fraude nem favor, estudos sobre o amor romântico” e foi escrito pelo psiquiatra e psicanalista pernambucano Jurandir Freire Costa, uma das pessoas que melhor fala dos sentimentos e das emoções no mundo real (que é o contrário do mundo idealizado no qual a gente, sem perceber, passa a maior parte da nossa vida).

    Nesse livro, Jurandir afirma que o amor romântico – ao contrário de tudo que nos dizem – não é natural e universal, não é incontrolável e nem é condição essencial à felicidade humana. Isso seriam apenas coisas em que se acredita.

    Não vou reproduzir os argumentos minuciosos e nem a prosa erudita do escritor, mas essencialmente ele afirma que o amor exaltado, sublime e raro que nós endeusamos é uma invenção social (como a música) e uma crença (como a religião) que pode perfeitamente ser questionada e modificada. Não existe um jeito eterno e imutável de amar, diz ele. O amor e a forma de encará-lo sempre variaram ao longo da história. Se nosso jeito atual de amar nos parece opressivo, antiquado ou insatisfatório, que tal tentar outra forma de amar?

    É estranho pensar no amor dessa maneira, não? Estamos acostumados a vê-lo como algo imutável, quase sagrado, que as pessoas têm ou não têm, conseguem ou não conseguem. Mas claramente não é assim. Ao redor de nós existem pessoas que tratam o amor de forma muito diferente entre si. Fulano é muito romântico, quase tonto, enquanto fulana é de um pragmatismo inquietante: sabe exatamente o que deseja e vai atrás. Essas são diferenças reais, que mostram que o bicho amor não é exatamente o mesmo para todo o mundo.

    Quando se compara o nosso modo de agir e pensar com o das outras culturas, as diferenças ficam ainda mais óbvias.

    Nos últimos dias, eu tenho pensado muito em um aspecto particular da nossa ideologia do amor, aquele que diz que é impossível ser feliz sozinho. Não é só a música de Tom Jobim que afirma isso. Tudo que nos circunda brada a mesma mensagem. Ela está nos filmes, nas novelas, nas conversas. Ausência de parceiro é sinônimo de infelicidade, fracasso ou esquisitice. Ou tudo isso junto. Talvez seja verdade que a maioria das pessoas sem parceiros tendem a serem menos felizes, mas o contrário certamente é falso: estar com alguém, ter alguém, não é garantia de felicidade. A gente sabe disso, a gente vive isso, mas, socialmente, a gente não divide essa informação. Para todos os efeitos públicos, vale o seguinte combinado: se a pessoa está casada, ou tem um namorado bacana, sua vida está “resolvida”. Mas isso é falso, não? 

    Namorei uma vez uma moça cujo pai, um sujeito espetacular, casado com uma mulher encantadora, estava há meses numa terrível depressão. Eu olhava para o sujeito e não entendia. Ele tinha mulher, filhos, casa, profissão, amigos e... tinha desmoronado. Os motivos íntimos da derrocada talvez nem ele soubesse, mas a lição para mim foi clara: nossas questões interiores não se resolvem com a parceria amorosa, nem mesmo com a família.

    Não adianta nos cercamos de um cenário de propaganda de margarina (mulher, filhos, cachorro, condomínio) porque, ao final, nossa felicidade depende de nós, das forças interiores que nós somos capazes de mobilizar. As pessoas que amamos nos ajudam, mas elas não substituem nosso amor próprio, nossa motivação e a nossa estabilidade. Precisamos das pessoas, mas precisamos ainda mais de nós mesmos.

    É por isso que a promessa de felicidade amorosa às vezes me incomoda. Ela é falsa. Ela é uma forma de propaganda enganosa. Ele conduz as pessoas numa procura inútil por alguém que as faça sentir inteiras e completas, quando, na verdade, essa sensação de inteireza talvez seja inalcançável.

    Se a gente olhar de novo para o mito do andrógino, talvez haja nele outra sabedoria a ser extraída: a de que nós, homens e mulheres, somos criaturas intrinsecamente solitárias. Vivemos em grupo, precisamos do grupo e buscamos conforto na intimidade do outro, no amor. Mas talvez seja da nossa natureza jamais nos sentirmos inteiros e completos.

    Talvez haja em nós uma inquietação inextinguível e uma angústia que advêm da nossa própria consciência e que nos torna humanos. O amor seria então um alento, um consolo, uma fogueira que nos protege do frio. Mas o frio está lá. E a melhor medida da felicidade talvez seja a forma como lidamos com ele. Como indivíduos, não como casais.

    (Ivan Martins. Época on line, 06/01/2010.)
    Após a vírgula, que conectores podem ser inseridos, sem alteração de sentido, no fragmento “... um sujeito espetacular, casado com uma mulher encantadora...” (12º parágrafo) ?

    I. Mesmo.
    II. Embora.
    III. Porque.
    IV. Apesar de.
    V. Porém.
    Escolha uma alternativa para a questão 6fd357c0-d8
  • Linguagens

    Português

    A solidão essencial

    O amor que nos resolve a vida é uma promessa enganosa

    Acho que foi um professor de cursinho quem contou em classe o mito dos andróginos. Parte homem e parte mulher, esses seres eram tão completos e tão felizes que despertaram a inveja de Zeus. Irado, o patriarca do Olimpo disparou raios que separaram em duas cada uma das criaturas perfeitas. Desde então, elas vagam pelo mundo em busca de sua metade. São solitárias e incompletas. Somos nós.

    Não sei o que os gregos queriam dizer ao criar essa lenda, mas a maneira como nós a interpretamos, modernamente, é muito clara: existe alguém lá fora que nasceu para nós. Enquanto não acharmos essa metade (o amor verdadeiro), jamais seremos felizes.

    Muitos de nós acreditamos nisso o tempo todo. Outros acreditam apenas de vez em quando. Raro é encontrar alguém totalmente imune a essa espécie de esperança (ou seria armadilha?) romântica.

    Mas eu às vezes me pergunto se essa é uma ideia construtiva. É saudável imaginar que a nossa felicidade não depende de nós, mas, sim, de outra pessoa qualquer? Mesmo sem tomar o mito dos andróginos ao pé da letra, milhões de pessoas adiam o futuro diariamente à espera de que a vida lhes traga um grande amor, aquele que vai colocar tudo nos eixos.

    Eu pergunto de novo: essa é uma ideia saudável?

    Há um livro do qual eu gosto muito que trata dessa questão – a ideia do amor romântico – como nenhum outro. Chama-se “Sem fraude nem favor, estudos sobre o amor romântico” e foi escrito pelo psiquiatra e psicanalista pernambucano Jurandir Freire Costa, uma das pessoas que melhor fala dos sentimentos e das emoções no mundo real (que é o contrário do mundo idealizado no qual a gente, sem perceber, passa a maior parte da nossa vida).

    Nesse livro, Jurandir afirma que o amor romântico – ao contrário de tudo que nos dizem – não é natural e universal, não é incontrolável e nem é condição essencial à felicidade humana. Isso seriam apenas coisas em que se acredita.

    Não vou reproduzir os argumentos minuciosos e nem a prosa erudita do escritor, mas essencialmente ele afirma que o amor exaltado, sublime e raro que nós endeusamos é uma invenção social (como a música) e uma crença (como a religião) que pode perfeitamente ser questionada e modificada. Não existe um jeito eterno e imutável de amar, diz ele. O amor e a forma de encará-lo sempre variaram ao longo da história. Se nosso jeito atual de amar nos parece opressivo, antiquado ou insatisfatório, que tal tentar outra forma de amar?

    É estranho pensar no amor dessa maneira, não? Estamos acostumados a vê-lo como algo imutável, quase sagrado, que as pessoas têm ou não têm, conseguem ou não conseguem. Mas claramente não é assim. Ao redor de nós existem pessoas que tratam o amor de forma muito diferente entre si. Fulano é muito romântico, quase tonto, enquanto fulana é de um pragmatismo inquietante: sabe exatamente o que deseja e vai atrás. Essas são diferenças reais, que mostram que o bicho amor não é exatamente o mesmo para todo o mundo.

    Quando se compara o nosso modo de agir e pensar com o das outras culturas, as diferenças ficam ainda mais óbvias.

    Nos últimos dias, eu tenho pensado muito em um aspecto particular da nossa ideologia do amor, aquele que diz que é impossível ser feliz sozinho. Não é só a música de Tom Jobim que afirma isso. Tudo que nos circunda brada a mesma mensagem. Ela está nos filmes, nas novelas, nas conversas. Ausência de parceiro é sinônimo de infelicidade, fracasso ou esquisitice. Ou tudo isso junto. Talvez seja verdade que a maioria das pessoas sem parceiros tendem a serem menos felizes, mas o contrário certamente é falso: estar com alguém, ter alguém, não é garantia de felicidade. A gente sabe disso, a gente vive isso, mas, socialmente, a gente não divide essa informação. Para todos os efeitos públicos, vale o seguinte combinado: se a pessoa está casada, ou tem um namorado bacana, sua vida está “resolvida”. Mas isso é falso, não? 

    Namorei uma vez uma moça cujo pai, um sujeito espetacular, casado com uma mulher encantadora, estava há meses numa terrível depressão. Eu olhava para o sujeito e não entendia. Ele tinha mulher, filhos, casa, profissão, amigos e... tinha desmoronado. Os motivos íntimos da derrocada talvez nem ele soubesse, mas a lição para mim foi clara: nossas questões interiores não se resolvem com a parceria amorosa, nem mesmo com a família.

    Não adianta nos cercamos de um cenário de propaganda de margarina (mulher, filhos, cachorro, condomínio) porque, ao final, nossa felicidade depende de nós, das forças interiores que nós somos capazes de mobilizar. As pessoas que amamos nos ajudam, mas elas não substituem nosso amor próprio, nossa motivação e a nossa estabilidade. Precisamos das pessoas, mas precisamos ainda mais de nós mesmos.

    É por isso que a promessa de felicidade amorosa às vezes me incomoda. Ela é falsa. Ela é uma forma de propaganda enganosa. Ele conduz as pessoas numa procura inútil por alguém que as faça sentir inteiras e completas, quando, na verdade, essa sensação de inteireza talvez seja inalcançável.

    Se a gente olhar de novo para o mito do andrógino, talvez haja nele outra sabedoria a ser extraída: a de que nós, homens e mulheres, somos criaturas intrinsecamente solitárias. Vivemos em grupo, precisamos do grupo e buscamos conforto na intimidade do outro, no amor. Mas talvez seja da nossa natureza jamais nos sentirmos inteiros e completos.

    Talvez haja em nós uma inquietação inextinguível e uma angústia que advêm da nossa própria consciência e que nos torna humanos. O amor seria então um alento, um consolo, uma fogueira que nos protege do frio. Mas o frio está lá. E a melhor medida da felicidade talvez seja a forma como lidamos com ele. Como indivíduos, não como casais.

    (Ivan Martins. Época on line, 06/01/2010.)
    Com relação ao 11º parágrafo, pode-se inferir que:

    I. A felicidade ou a infelicidade independem do ser humano estar só ou estar acompanhado.

    II. No referido parágrafo, o autor defende a ideia de parceria como sinônimo de felicidade.

    III. Muitos acreditam que é impossível ser feliz quando não se tem um parceiro.
    Escolha uma alternativa para a questão 6fd015ca-d8
  • Linguagens

    Português

    Texto para a questão

    01 O essencial é saber ver,
    02 Saber ver sem estar a pensar,
    03 Saber ver quando se vê,
    04 E nem pensar quando se vê,
    05 Nem ver quando se pensa.

    06 Mas isso (triste de nós que trazemos a alma vestida!)
    07 Isso exige um estudo profundo,
    08 Uma aprendizagem de desaprender [...].
    Alberto Caeiro, heterônimo de Fernando Pessoa
    No contexto da obra do poeta, a imagem alma vestida (verso 06) pode ser corretamente compreendida assim:
    Escolha uma alternativa para a questão f80c76c9-d8
  • Linguagens

    Português

    Texto para a questão

    Imagem da questão de Português, Universidade Presbiteriana Mackenzie 2011, Interpretação de Textos
    Adaptado de Roberto Soares Garcia, Folha de S.Paulo, 27/02/2011 
    Depreende-se corretamente do texto que:
    Escolha uma alternativa para a questão f7f9919e-d8
  • Linguagens

    Espanhol

    Imagem da questão de Espanhol, UERJ 2011, Interpretação de Texto | Comprensión de Lectura

    JULIÁN PERAGÓN

    www.concienciasinfronteras.com

    Peragón nos trae una reflexión respecto al contenido transmitido por los medios de comunicación.

    Para el autor, ante el lenguaje de los medios de comunicación, la gente debe tener la actitud de:

    Escolha uma alternativa para a questão db380949-ba
  • Linguagens

    Espanhol

    Imagem da questão de Espanhol, UERJ 2011, Interpretação de Texto | Comprensión de Lectura

    JULIÁN PERAGÓN

    www.concienciasinfronteras.com

    Nuestros oídos están acostumbrados a esa capa de irrealidad (l. 28)
    Esa idea de acción habitual presente en la locución verbal subrayada también se la encuentra en el siguiente fragmento:
    Escolha uma alternativa para a questão db3386de-ba
  • Linguagens

    Espanhol

    Imagem da questão de Espanhol, UERJ 2011, Interpretação de Texto | Comprensión de Lectura

    JULIÁN PERAGÓN

    www.concienciasinfronteras.com

    En el penúltimo parágrafo, el autor utiliza la primera persona de singular en lugar de la forma “nosotros”.

    Se puede comprender que ese cambio tiene como objetivo principal:

    Escolha uma alternativa para a questão db2e8273-ba
  • Linguagens

    Espanhol

    Imagem da questão de Espanhol, UERJ 2011, Interpretação de Texto | Comprensión de Lectura

    JULIÁN PERAGÓN

    www.concienciasinfronteras.com

    El eufemismo consiste en la sustitución de una palabra o frase por otra, para disimular la vulgaridad o gravedad de la original.

    Para Julián Peragón, la construcción y mantenimiento del eufemismo se debe principalmente a:

    Escolha uma alternativa para a questão db25059d-ba
  • Linguagens

    Português

    Imagem da questão de Português, UERJ 2011, Coesão e coerência

    Em sua reflexão acerca das possibilidades de recompor a memória para escrever o livro, o narrador utiliza um procedimento de construção textual que contribui para a expressão de suas inquietudes.

    Tal procedimento pode ser identificado como:

    Escolha uma alternativa para a questão c8de196a-ba
  • Linguagens

    Português

    Imagem da questão de Português, UERJ 2011, Interpretação de Textos

    Memórias do cárcere, do romancista Graciliano Ramos, contam as desventuras do autor enquanto foi preso político no Presídio da Ilha Grande, em 1936.

    Apesar de ser um livro autobiográfico, o autor expõe, logo na abertura, as dificuldades de reconstrução da memória.

    A consciência de Graciliano Ramos em relação ao caráter parcialmente ficcional das suas memórias está evidenciada no seguinte trecho:

    Escolha uma alternativa para a questão c8c78309-ba
  • Linguagens

    Inglês

    Read text 3 to answer question. 


    Text 3  

    Imagem da questão de Inglês, Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia - Goiás 2011, Aspectos linguísticos | Linguistic aspects

    Available in: http://rio.movie-trailer.com/2010/05/riomovie-poster.html. Access on: May 02, 2011. 

    About the sentence “He’s going to the wildest, most magical place on Earth… home.”, it is incorrect to affirm that:
    Escolha uma alternativa para a questão 9abbc81f-b6
  • Linguagens

    Literatura

     A Literatura Brasileira, no século XX, viu o aparecimento de romancistas que, em suas diversas temáticas e formas, ora se assemelham ora se diferem. Considerando tal afirmação, analise as assertivas a seguir:

    I. O "Romance de 30", a exemplo de São Bernardo, de Graciliano Ramos, reflete sobre o condicionamento das ações e sentimentos do homem ao espaço geográfico por ele habitado.
    II. A prosa de ficção produzida na segunda metade do século XX tinha uma preocupação excessiva em representar as relações amorosas, em homenagem aos valores românticos do século XIX.
    III. Clarice Lispector, uma das maiores representantes brasileiras das narrativas intimistas, explora a narração em primeira pessoa para relatar as reflexões e angústias dos seus personagens.
    IV. Em Macunaíma, Mário de Andrade refaz o percurso de lendas e mitos da cultura indígena e africana, usando da ironia para depreciar tais culturas na formação da nação brasileira.

    Estão corretas:
    Escolha uma alternativa para a questão 9a9111bb-b6