Questões de Linguagens do ENEM

Todas as questões de Linguagens do banco, com gabarito em cada página. Combine com ano, disciplina e dificuldade para montar sua lista de estudo.

Resultados

18.995 questões encontradas. Mostrando a página 50 de 950.

  • E32B3981-40

    Português

    Interpretação de Textos
    Associação Catarinense das Fundações Educacionais - ACAFE · 2024MédioEntre para guardar nos favoritos
    Leia o fragmento do texto extraído do livro de memórias O exercício da incerteza de Drauzio Varella.


    Texto 2

            “A arte da medicina é abstrata, não obedece aos critérios daquela exibida nas obras-primas da pintura e das artes plásticas.
            [...] Em que texto didático a interferência da dúvida no relacionamento afetivo será apresentada como em Dom Casmurro, de Machado de Assis? Quem pretende estudar os efeitos disruptivos das paixões humanas vai encontrar mais densidade nas obras-primas da literatura ou nos tratados de psiquiatria?”

    VARELLA, Drauzio. A ciência e a arte. In: O exercício da incerteza. São Paulo: Companhia das Letras, 2022.


    Em relação ao Texto 2, analise as afirmativas.


    I. A medicina, por sua natureza técnica, não consegue abordar adequadamente as emoções e os dilemas humanos como a literatura consegue.

    II. A medicina deveria abandonar o rigor científico e adotar a subjetividade da arte para entender melhor o ser humano.

    III. A arte da medicina se destaca por sua capacidade de utilizar a precisão científica para compreender as dores e aflições humanas.

    IV. A arte da medicina é abstrata e lida com incertezas, diferentemente das artes plásticas, que seguem regras bem definidas.


    É CORRETO o que se afirma em: 
    Escolha uma alternativa para a questão e32b3981-40
  • E328FC48-40

    Português

    Interpretação de Textos
    Associação Catarinense das Fundações Educacionais - ACAFE · 2024FácilEntre para guardar nos favoritos

    Imagem da questão de Português, Associação Catarinense das Fundações Educacionais - ACAFE 2024, Interpretação de Textos


    Disponível em: https://veja.abril.com.br/saude/poluicao-do-ar-aumenta-riscos-de-parkinson-e-avc-apontam-estudos/mobile. Acesso em: 4 out. 2024. Adaptado.

    Assinale a alternativa que apresenta o significado CORRETO para a palavra "condição", empregada na linha 15 do Texto 1. 
    Escolha uma alternativa para a questão e328fc48-40
  • E32663E5-40

    Português

    Interpretação de Textos
    Associação Catarinense das Fundações Educacionais - ACAFE · 2024FácilEntre para guardar nos favoritos

    Imagem da questão de Português, Associação Catarinense das Fundações Educacionais - ACAFE 2024, Interpretação de Textos


    Disponível em: https://veja.abril.com.br/saude/poluicao-do-ar-aumenta-riscos-de-parkinson-e-avc-apontam-estudos/mobile. Acesso em: 4 out. 2024. Adaptado.

    No Texto 1, são marcas linguísticas características de discurso indireto, EXCETO
    Escolha uma alternativa para a questão e32663e5-40
  • E3238D51-40

    Português

    Sintaxe
    Associação Catarinense das Fundações Educacionais - ACAFE · 2024FácilEntre para guardar nos favoritos

    Imagem da questão de Português, Associação Catarinense das Fundações Educacionais - ACAFE 2024, Sintaxe


    Disponível em: https://veja.abril.com.br/saude/poluicao-do-ar-aumenta-riscos-de-parkinson-e-avc-apontam-estudos/mobile. Acesso em: 4 out. 2024. Adaptado.

    Assinale a alternativa que contém a classificação sintática CORRETA do termo sublinhado na linha 7 do Texto 1. 
    Escolha uma alternativa para a questão e3238d51-40
  • E32116C1-40

    Português

    Crase
    Associação Catarinense das Fundações Educacionais - ACAFE · 2024MédioEntre para guardar nos favoritos

    Imagem da questão de Português, Associação Catarinense das Fundações Educacionais - ACAFE 2024, Crase


    Disponível em: https://veja.abril.com.br/saude/poluicao-do-ar-aumenta-riscos-de-parkinson-e-avc-apontam-estudos/mobile. Acesso em: 4 out. 2024. Adaptado.

    As lacunas nas linhas 4 e 21 podem ser CORRETAMENTE substituídas, respectivamente, por: 
    Escolha uma alternativa para a questão e32116c1-40
  • E31E99BF-40

    Português

    Interpretação de Textos
    Associação Catarinense das Fundações Educacionais - ACAFE · 2024FácilEntre para guardar nos favoritos

    Imagem da questão de Português, Associação Catarinense das Fundações Educacionais - ACAFE 2024, Interpretação de Textos


    Disponível em: https://veja.abril.com.br/saude/poluicao-do-ar-aumenta-riscos-de-parkinson-e-avc-apontam-estudos/mobile. Acesso em: 4 out. 2024. Adaptado.

    Assinale a alternativa que descreve CORRETAMENTE o nível de linguagem utilizado no Texto 1. 
    Escolha uma alternativa para a questão e31e99bf-40
  • E31C2222-40

    Português

    Interpretação de Textos
    Associação Catarinense das Fundações Educacionais - ACAFE · 2024FácilEntre para guardar nos favoritos

    Imagem da questão de Português, Associação Catarinense das Fundações Educacionais - ACAFE 2024, Interpretação de Textos


    Disponível em: https://veja.abril.com.br/saude/poluicao-do-ar-aumenta-riscos-de-parkinson-e-avc-apontam-estudos/mobile. Acesso em: 4 out. 2024. Adaptado.

    Assinale a alternativa cuja pergunta NÃO pode ser respondida com informações contidas no Texto 1. 
    Escolha uma alternativa para a questão e31c2222-40
  • E3193622-40

    Português

    Interpretação de Textos
    Associação Catarinense das Fundações Educacionais - ACAFE · 2024FácilEntre para guardar nos favoritos

    Imagem da questão de Português, Associação Catarinense das Fundações Educacionais - ACAFE 2024, Interpretação de Textos


    Disponível em: https://veja.abril.com.br/saude/poluicao-do-ar-aumenta-riscos-de-parkinson-e-avc-apontam-estudos/mobile. Acesso em: 4 out. 2024. Adaptado.

    Assinale a alternativa que apresenta CORRETAMENTE uma consequência da poluição do ar à saúde de acordo com o Texto 1. 
    Escolha uma alternativa para a questão e3193622-40
  • E3167BED-40

    Português

    Interpretação de Textos
    Associação Catarinense das Fundações Educacionais - ACAFE · 2024FácilEntre para guardar nos favoritos

    Imagem da questão de Português, Associação Catarinense das Fundações Educacionais - ACAFE 2024, Interpretação de Textos


    Disponível em: https://veja.abril.com.br/saude/poluicao-do-ar-aumenta-riscos-de-parkinson-e-avc-apontam-estudos/mobile. Acesso em: 4 out. 2024. Adaptado.

    Assinale a alternativa que contém a expressão que completa CORRETAMENTE a lacuna da linha 17. 
    Escolha uma alternativa para a questão e3167bed-40
  • E313EEC6-40

    Português

    Interpretação de Textos
    Associação Catarinense das Fundações Educacionais - ACAFE · 2024MédioEntre para guardar nos favoritos

    Imagem da questão de Português, Associação Catarinense das Fundações Educacionais - ACAFE 2024, Interpretação de Textos


    Disponível em: https://veja.abril.com.br/saude/poluicao-do-ar-aumenta-riscos-de-parkinson-e-avc-apontam-estudos/mobile. Acesso em: 4 out. 2024. Adaptado.

    Com base na análise das funções da linguagem presentes no texto, assinale a alternativa INCORRETA
    Escolha uma alternativa para a questão e313eec6-40
  • E310C5DC-40

    Português

    Interpretação de Textos
    Associação Catarinense das Fundações Educacionais - ACAFE · 2024FácilEntre para guardar nos favoritos

    Imagem da questão de Português, Associação Catarinense das Fundações Educacionais - ACAFE 2024, Interpretação de Textos


    Disponível em: https://veja.abril.com.br/saude/poluicao-do-ar-aumenta-riscos-de-parkinson-e-avc-apontam-estudos/mobile. Acesso em: 4 out. 2024. Adaptado.

    Assinale a alternativa que apresenta informações CORRETAS em relação ao Texto 1. 
    Escolha uma alternativa para a questão e310c5dc-40
  • 9EBCC2EE-3F

    Português

    Interpretação de Textos
    Universidade Federal de Juiz de Fora - MG · 2024FácilEntre para guardar nos favoritos

    TEXTO I



    A primeira referência a quilombo que surge em documento oficial português data de 1559, mas somente em 1740 (...) as autoridades portuguesas definem, ao seu modo, o que significa quilombo: “toda habitação de negros fugidos que passem de cinco, em parte desprovida, ainda que não tenham ranchos levantados nem se achem pilões neles”.


    Disponível em: https://tinyurl.com/bsj4s9y9 Acesso em: 18/06/2024



    TEXTO II



    “Quilombismo não significa escravo fugido. Quilombo quer dizer reunião fraterna e livre, solidariedade, convivência, comunhão existencial”. “(...) “o quilombismo é um movimento político dos negros brasileiros”.


    Disponível em: https://kn.org.br/oq/2019/02/14/um-pouco-dehistoria-o-quilombismo/ Acesso em: 18/06/24.

    Após a leitura, é CORRETO afirmar que:
    Escolha uma alternativa para a questão 9ebcc2ee-3f
  • 9E9EFF93-3F

    Português

    Interpretação de Textos
    Universidade Federal de Juiz de Fora - MG · 2024FácilEntre para guardar nos favoritos

    Observe a figura abaixo.



    Imagem da questão de Português, Universidade Federal de Juiz de Fora - MG 2024, Interpretação de Textos


    Fonte: https://www.facebook.com/tirasarmandinho. Acesso em 28 jun. 2024.



    A ciência analisa fatos científicos, que terão sua veracidade ou falsidade comprovadas, sustentados pelas evidências científicas. Qual a sequência de passos CORRETA para a comprovação do processo de investigação científica? 




    Escolha uma alternativa para a questão 9e9eff93-3f
  • 9E96A90B-3F

    Português

    Interpretação de Textos
    Universidade Federal de Juiz de Fora - MG · 2024FácilEntre para guardar nos favoritos
    TEXTO V


    Ponciá Vicêncio
    Conceição Evaristo


    Quando Ponciá Vicêncio resolveu sair do povoado onde nascera, a decisão chegou forte e repentina. Estava cansada de tudo ali. De trabalhar o barro com a mãe, de ir e vir às terras dos brancos e voltar de mãos vazias. De ver a terra dos negros coberta de plantações, cuidadas pelas mulheres e crianças, pois os homens gastavam a vida trabalhando nas terras dos senhores, e depois a maior parte das colheitas ser entregues aos coronéis. Cansada da luta insana, sem glória, a que todos se entregavam para amanhecer cada dia mais pobres, enquanto alguns conseguiam enriquecer-se a todo dia. Ela acreditava que poderia traçar outros caminhos, inventar uma vida nova. 

    Fonte: EVARISTO, Conceição. Ponciá Vicêncio. Belo Horizonte: Mazza, 2003, p. 33.

    A Escritora Conceição Evaristo compreende que, em seus poemas e em suas narrativas, as vozes e experiências da população negra brasileira e, principalmente, das mulheres negras, são evocadas, configurando um conceito de escrita que ela nomeara de “Escrevivências”, que diz respeito `a escrita das “vivências” e “experiências” de pessoas negras. A partir dessa informação, e considerando o trecho do romance ”Ponciá Vicêncio”(Texto V), focado na vida da personagem negra homônima ao título, assinale a alternativa correta:
    Escolha uma alternativa para a questão 9e96a90b-3f
  • 9E9182EE-3F

    Português

    Interpretação de Textos
    Universidade Federal de Juiz de Fora - MG · 2024FácilEntre para guardar nos favoritos
    TEXTO IV


    O Canto dos Escravizados
    Paulina Chiziane


    Acorrentado vim, cruzando o mar
    Atormentado fui no negrume do porão
    Aqui estou na América
    Chorando de dor, ó mãe África!


    Escravizado sou, como animal
    Comprado fui por quem só me fez mal
    Aqui estou na América
    Chorando de dor, ó mãe África!


    Estou lutando para me libertar
    E bem depressa regressar ao lar
    Aqui estou na América
    Chorando de dor, ó mãe Africa

    Fonte: CHIZIANE, Paulina. O canto dos escravizados. Belo Horizonte: Nandyala, 2018, p. 29.

    No poema da moçambicana Paulina Chiziane, é possível observar a seguinte figura de linguagem:
    Escolha uma alternativa para a questão 9e9182ee-3f
  • 9E8EA6BE-3F

    Português

    Interpretação de Textos
    Universidade Federal de Juiz de Fora - MG · 2024FácilEntre para guardar nos favoritos
    TEXTO II


    As Caravanas
    Chico Buarque de Hollanda


    E um dia de real grandeza, tudo azul
    Um mar turquesa à la Istambul enchendo os olhos
    Um sol de torrar os miolos
    Quando pinta em Copacabana
    A caravana do Arará, do Caxangá, da Chatuba
    A caravana do Irajá, o comboio da Penha
    Não há barreira que retenha esses estranhos
    Suburbanos tipo muçulmanos do Jacarezinho
    A caminho do Jardim de Alá
    É o bicho, é o buchicho, é a charanga


    (...)


    Com negros torsos nus deixam em polvorosa
    A gente ordeira e virtuosa que apela
    Pra polícia despachar de volta
    O populacho pra favela
    Ou pra Benguela, ou pra Guiné


    Sol, a culpa deve ser do sol
    Que bate na moleira, o sol
    Que estoura as veias, o suor
    Que embaça os olhos e a razão


    E essa zoeira dentro da prisão
    Crioulos empilhados no porão
    De caravelas no alto mar


    Tem que bater, tem que matar, engrossa a gritaria
    Filha do medo, a raiva é mãe da covardia
    Ou doido sou eu que escuto vozes
    Não há gente tão insana
    Nem caravana do Arará
    Não há, não há


    Fonte: HOLLANDA, Chico Buarque de. AS CARAVANAS. In: CARAVANAS. Rio de Janeiro: Biscoito Fino, 2017. CD, (2:47).



    TEXTO III


    Luísa Mahin
    Jarid Arraes


    No século 19
    Luísa Mahin nasceu
    Com origem africana
    Sua história aconteceu
    E com incessante gana
    Seu nome prevaleceu.


    Vinda da Costa da Mina
    Afirmava ser princesa
    Mas vendida como escrava
    Teve na luta a certeza
    Depois de alforriada
    Demonstrou sua proeza.


    Viveu como quituteira
    E morou em Salvador
    Usou com inteligência
    Seus talentos de sabor
    Pois usava o tabuleiro
    De mensagens portador.
    (...)
    Importante mencionar
    Que foi mãe de Luís Gama
    Poeta e abolicionista
    De imensurável chama
    E por ele foi citada
    Respeitando sua fama.
    (...)
    O pai branco de Luís
    O vendeu quando criança
    Separando de sua mãe
    Na racista podre herança
    De ser branco dominante
    Indigno de confiança.


    Mas Luísa era guerreira
    A rebelde sem igual
    Fez ainda de sua casa
    Como um quartel general
    Onde eram planejadas
    As revoltas sem igual.


    Apesar de tudo isso
    E de tudo que lutou
    Essa mulher imponente
    Muito se silenciou
    Pois ainda não se conta
    Tudo que realizou.


    Mas apenas sua memória
    E forte o suficiente
    Pra mexer na estrutura
    Dessa gente incoerente
    Que não fala a verdade
    Sobre o negro insurgente. (...)


    Fonte: ARRAES, Jarid. Heroínas negras brasileiras: em 15 cordéis. São Paulo: Pólen, 2017.



    O poema de Jarid Arraes conta um pouco da história de Luísa Mahin, uma princesa oriunda do Golfo da Guiné, na África Ocidental. Ela foi capturada no continente africano e, tendo sido escravizada, enviada ao Brasil. Posteriormente alforriada, integrou o grupo da Insurreiçãoo dos Malês, formado, principalmente, por africanos e afrodescendentes de religião islâmica. A luta dos Malês em prol da abolição da escravatura foi importante para as lutas que vieram depois, mas a insurreição não foi vitoriosa naquele momento da história (1835). O fim da escravatura no Brasil ocorreu, legalmente, apenas em 1888.


    A partir dessa informação, tendo como base o poema de Jarid Arraes e a canção de Chico Buarque (Texto II), marque a opção cujos versos, de ambos os textos, melhor indiquem a representação da expressão do racismo na sociedade brasileira:
    Escolha uma alternativa para a questão 9e8ea6be-3f
  • 9E8BD647-3F

    Português

    Interpretação de Textos
    Universidade Federal de Juiz de Fora - MG · 2024FácilEntre para guardar nos favoritos
    TEXTO I


    (...)


    ‘Stamos em pleno mar... Abrindo as velas
    Ao quente arfar das virações marinhas,
    Veleiro brigue corre à flor dos mares,
    Como roçam na vaga as andorinhas...


    Donde vem? Onde vai? Das naus errantes
    Quem sabe o rumo se é tão grande o espaço?
    Neste saara os corcéis o pó levantam,
    Galopam, voam, mas não deixam traço.


    Bem feliz quem ali pode nest’hora
    Sentir deste painel a majestade!...
    Embaixo – o mar... em cima – o firmamento...
    E no mar e no céu – a imensidade!


    Oh! que doce harmonia traz-me a brisa!
    Que mésica suave ao longe soa!
    Meu Deus! Como é sublime um canto ardente
    Pelas vagas sem fim boiando à toa!


    (...)


    Era um sonho dantesco... O tombadilho
    Que das luzernas avermelha o brilho,
    Em sangue a se banhar.
    Tinir de ferros... estalar de açoite...
    Legiões de homens negros como a noite,
    Horrendos a dançar...


    Negras mulheres, suspendendo às tetas
    Magras crianças, cujas bocas pretas
    Rega o sangue das mães:
    Outras moças, mas nuas e espantadas,
    No turbilhão de espectros arrastadas,
    Em ânsia e mágoa vãs! (...)


    Ouvem-se gritos... o chicote estala.
    E voam mais e mais...
    Presa nos elos de uma só cadeia,
    A multidão faminta cambaleia,
    E chora e dança ali!
    Um de raiva delira, outro enlouquece,
    Outro, que martírios embrutece,
    Cantando, geme e ri! (...)


    Fonte: ALVES, Castro. “O navio negreiro”. Disponível em: http://www.dominiopublico.gov.br/download /texto/bv000068.pdf. Acesso em: 17 jun. 2024.


    GLOSSÁRIO:
    Tombadilho: Parte do navio.
    Luzerna: Conjunto de luzes. 



    TEXTO II


    As Caravanas
    Chico Buarque de Hollanda


    E um dia de real grandeza, tudo azul
    Um mar turquesa à la Istambul enchendo os olhos
    Um sol de torrar os miolos
    Quando pinta em Copacabana
    A caravana do Arará, do Caxangá, da Chatuba
    A caravana do Irajá, o comboio da Penha
    Não há barreira que retenha esses estranhos
    Suburbanos tipo muçulmanos do Jacarezinho
    A caminho do Jardim de Alá
    É o bicho, é o buchicho, é a charanga


    (...)


    Com negros torsos nus deixam em polvorosa
    A gente ordeira e virtuosa que apela
    Pra polícia despachar de volta
    O populacho pra favela
    Ou pra Benguela, ou pra Guiné


    Sol, a culpa deve ser do sol
    Que bate na moleira, o sol
    Que estoura as veias, o suor
    Que embaça os olhos e a razão


    E essa zoeira dentro da prisão
    Crioulos empilhados no porão
    De caravelas no alto mar


    Tem que bater, tem que matar, engrossa a gritaria
    Filha do medo, a raiva é mãe da covardia
    Ou doido sou eu que escuto vozes
    Não há gente tão insana
    Nem caravana do Arará
    Não há, não há


    Fonte: HOLLANDA, Chico Buarque de. AS CARAVANAS. In: CARAVANAS. Rio de Janeiro: Biscoito Fino, 2017. CD, (2:47).
    Em relação ao Texto I, de Castro Alves, e a canção de Chico Buarque, texto II, marque a única alternativa que não se adequa a uma interpretação pertinente.
    Escolha uma alternativa para a questão 9e8bd647-3f
  • 9E8820E6-3F

    Português

    Interpretação de Textos
    Universidade Federal de Juiz de Fora - MG · 2024FácilEntre para guardar nos favoritos
    TEXTO I


    (...)


    ‘Stamos em pleno mar... Abrindo as velas
    Ao quente arfar das virações marinhas,
    Veleiro brigue corre à flor dos mares,
    Como roçam na vaga as andorinhas...


    Donde vem? Onde vai? Das naus errantes
    Quem sabe o rumo se é tão grande o espaço?
    Neste saara os corcéis o pó levantam,
    Galopam, voam, mas não deixam traço.


    Bem feliz quem ali pode nest’hora
    Sentir deste painel a majestade!...
    Embaixo – o mar... em cima – o firmamento...
    E no mar e no céu – a imensidade!


    Oh! que doce harmonia traz-me a brisa!
    Que mésica suave ao longe soa!
    Meu Deus! Como é sublime um canto ardente
    Pelas vagas sem fim boiando à toa!


    (...)


    Era um sonho dantesco... O tombadilho
    Que das luzernas avermelha o brilho,
    Em sangue a se banhar.
    Tinir de ferros... estalar de açoite...
    Legiões de homens negros como a noite,
    Horrendos a dançar...


    Negras mulheres, suspendendo às tetas
    Magras crianças, cujas bocas pretas
    Rega o sangue das mães:
    Outras moças, mas nuas e espantadas,
    No turbilhão de espectros arrastadas,
    Em ânsia e mágoa vãs! (...)


    Ouvem-se gritos... o chicote estala.
    E voam mais e mais...
    Presa nos elos de uma só cadeia,
    A multidão faminta cambaleia,
    E chora e dança ali!
    Um de raiva delira, outro enlouquece,
    Outro, que martírios embrutece,
    Cantando, geme e ri! (...)


    Fonte: ALVES, Castro. “O navio negreiro”. Disponível em: http://www.dominiopublico.gov.br/download /texto/bv000068.pdf. Acesso em: 17 jun. 2024.


    GLOSSÁRIO:
    Tombadilho: Parte do navio.
    Luzerna: Conjunto de luzes. 
    O fragmento ao lado (Texto I) apresenta dois importantes momentos em relação ao estado de espírito do sujeito poético. Sobre isso, considerando o que ele observa e o que demonstra sentir, leia atentamente as sentenças abaixo e marque a alternativa que melhor indique esse estado psicológico:
    Escolha uma alternativa para a questão 9e8820e6-3f
  • 960ED045-3F

    Português

    Interpretação de Textos
    Universidade Federal de Juiz de Fora - MG · 2024FácilEntre para guardar nos favoritos
    Leia o trecho da entrevista e observe a imagem abaixo.


            O torturador, o traficante de escravos, o senhor de escravos, o capataz da plantação, todas essas pessoas tornaram-se piores ao ter a autorização para cometer os crimes que cometeram. Essa discussão continua atualíssima porque o policial que assedia, agride, mata um negro, também se torna um péssimo ser humano. 

    Trecho de entrevista de Eurídice Figueiredo, professora do programa de pós-graduação em estudos de literatura da UFF (Universidade Federal Fluminense). Disponível em: https://tinyurl.com/42cdmmyd. Acesso em 12 ago. 2024.


    Imagem da questão de Português, Universidade Federal de Juiz de Fora - MG 2024, Interpretação de Textos

    Manifestantes protestam em Saint Louis, nos EUA, contra a violência policial. Disponível em: https://vermelho.org.br/2016/07/11/eua-tem-mais-protestoscontra-racismo-e-violencia-policial/ Acesso em: 20 jun. 2024.


    Marque a alternativa CORRETA: 
    Escolha uma alternativa para a questão 960ed045-3f
  • 95EA7EE8-3F

    Português

    Interpretação de Textos
    Universidade Federal de Juiz de Fora - MG · 2024FácilEntre para guardar nos favoritos
    TEXTO III


    Amor
    Clarice Lispector


            Os filhos de Ana eram bons, uma coisa verdadeira e sumarenta. Cresciam, tomavam banho, exigiam para si, malcriados, instantes cada vez mais completos. A cozinha era enfim espaçosa, o fogão enguiçado dava estouros. O calor era forte no apartamento que estavam aos poucos pagando. Mas o vento batendo nas cortinas que ela mesma cortara lembrava-lhe que se quisesse podia parar e enxugar a testa, olhando o calmo horizonte.Como um lavrador. [...] No fundo, Ana sempre tivera necessidade de sentir a raiz firme das coisas. E isso um lar perplexamente lhe dera. Por caminhos tortos, viera a cair num destino de mulher, com a surpresa de nele caber como se o tivesse inventado. O homem com quem casara era um homem verdadeiro, os filhos que tivera eram filhos verdadeiros. Sua juventude anterior parecia-lhe estranha como uma doença de vida. Dela havia aos poucos emergido para descobrir que também sem a felicidade se vivia: abolindo-a, encontrara uma legião de pessoas, antes invisíveis, que viviam como quem trabalha - com persistência, continuidade, alegria. [...] O bonde se arrastava, em seguida estacava. Até Humaitá tinha tempo de descansar. Foi então que olhou para o homem parado no ponto. A diferença entre ele e os outros é que ele estava realmente parado. De pé, suas mãos se mantinham avançadas. Era um cego. O que havia mais que fizesse Ana se aprumar em desconfiança? Alguma coisa intranquila estava sucedendo. Então ela viu: o cego mascava chicles... Um homem cego mascava chicles. Ana ainda teve tempo de pensar por um segundo que os irmãos viriam jantar - o coração batia-lhe violento, espaçado. Inclinada, olhava o cego profundamente, como se olha o que não nos vê. Ele mastigava goma na escuridão. Sem sofrimento, com os olhos abertos [...] - o bonde deu uma arrancada súbita jogandoa desprevenida para trás, o pesado saco de tricô despencou-se do colo, ruiu no chão - Ana deu um grito, o condutor deu ordem de parada antes de saber do que se tratava - o bonde estacou, os passageiros olharam assustados. Incapaz de se mover para apanhar suas compras, Ana se aprumava pálida. Uma expressão de rosto, há muito não usada, ressurgiralhe com dificuldade, ainda incerta, incompreensível. O moleque dos jornais ria entregando-lhe o volume. Mas os ovos se haviam quebrado no embrulho de jornal. Gemas amarelas e viscosas pingavam entre os filhos da rede. [...] A rede perdera o sentido e estar num bonde era um fio partido; não sabia o que fazer com as compras no colo. [...] como se pudesse cair do bonde, como se as coisas pudessem ser revertidas com a mesma calma com que não o eram. O que chamava de crise viera afinal. E sua marca era o prazer intenso com que olhava agora as coisas, sofrendo espantada. O calor se tornara mais abafado, tudo tinha ganho uma força e vozes mais altas.


    FONTE: LISPECTOR, Clarice. O Amor. In: MORICONI, Ítalo (org). Os cem melhores contos brasileiros do século, Editora Objetiva: Rio de Janeiro, 2000, p. 212-219.



    TEXTO V


    Legiões de mulheres não têm por quinhão senão uma fadiga indefinidamente recomeçada no decorrer de um combate que jamais comporta uma vitória. Mesmo em casos mais privilegiados, essa vitória nunca é definitiva. Há poucas tarefas que se aparentem, mais do que as da dona de casa, ao suplício de Sísifo; dia após dia, é preciso lavar os pratos, espanar os móveis, consertar a roupa, que no dia seguinte já estarão novamente sujos, empoeirados, rasgada.
    No trecho acima (texto V), Simone de Beauvoir compara o trabalho de uma mulher do lar, dedicada aos afazeres domésticos e à criação dos filhos, ao mito de Sísifo, personagem da mitologia grega que foi condenado a repetir eternamente a tarefa de empurrar uma pedra até o topo de uma montanha. Considerando os textos III e V, assinale a alternativa correta:
    Escolha uma alternativa para a questão 95ea7ee8-3f