Questões de Interpretação de Textos com gabarito
9.018 questões de Interpretação de Textos, em Português, da área de Linguagens. Cada questão tem página própria, com enunciado completo, alternativas e gabarito.
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9.018 questões encontradas. Mostrando a página 324 de 451.
CFA0698D-ED “É claro que a juventude de classe média brasileira não acordou sozinha. E não acordou de repente. A internet tornou o despertar mais rápido, sem dúvida. Mas existe uma esquerda resistente, que está representada nos pequenos partidos, que empunha a bandeira da ética e da transparência e que há muito tempo vem conquistando a juventude, usando a mesma linguagem e os mesmos meios que ela: a internet. Dar asas à sociedade civil para que ela assuma seu papel transformador, a partir do ressurgimento do sentimento de brasilidade, da certeza de que os verdadeiros donos do país somos nós. Utópico, porém alcançável, principalmente em tempos de internet.”FONTE: Observatório da Imprensa. RIBEIRO, Mehane Albuquerque. Publicado em 25-06-2013. Adaptado. http:// www.observatoriodaimprensa.com.br/news/view/_ed752_sobre_os_recentes_movimentos_sociais_urbanos_no_ brasil Acessado em 16-09-2013A respeito do texto é possível afirmar que:
CF9B5515-ED Português
Interpretação de TextosFaculdade Cásper Líbero · 2013MédioEntre para guardar nos favoritosA Política da Boa Vizinhança foi uma estratégia norte-americana desenvolvida entre as duas grandes guerras mundiais. Essa política tinha por objetivo ampliar a influência dos EUA na América Latina, por meio de estratégias de imperialismo cultural. Considerando esse contexto e a análise da charge concluiu-se que
Fonte: http://www.cartoonmovement.com/ cartoon/351?fq=theme.culture_n_identity Acessado em 14-09-2013
257702E1-E9 Português
Interpretação de TextosUFTM · 2013MédioEntre para guardar nos favoritosClaudius tirou do bolso um papel amarelado e amarrotado: atirou-o na mesa. Johann leu:Não me odeies, mulher, se no passadoNódoa sombria desbotou-me a vida:No vício ardente requeimando os lábiosE de tudo descri com fronte erguida.A máscara de Don Juan queimou-me o rostoNa fria palidez do libertino:Desbotou-me esse olhar – e os lábios friosOusam de maldizer do meu destino.Sim! longas noites no fervor do jogoEsperdicei febril e macilento:E votei o porvir ao Deus do acasoE o amor profaneino esquecimento!Murchei no escárnio as coroas do poetaNa ironia da glória e dos amores:Aos vapores do vinho, à noite insanoDebrucei-me do jogo nos fervores!A flor da mocidade profanei-aEntre as águas lodosas do passadoNo crânio a febre, a palidez nas facesSó cria no sepulcro sossegado!(Álvares de Azevedo. Noite na Taverna, 2001.)
Os versos – Aos vapores do vinho, à noite insano / Debrucei-me do jogo nos fervores! – redigidos em ordem direta, assumem a seguinte estrutura:25709C46-E9 Português
Interpretação de TextosUFTM · 2013MédioEntre para guardar nos favoritosClaudius tirou do bolso um papel amarelado e amarrotado: atirou-o na mesa. Johann leu:Não me odeies, mulher, se no passadoNódoa sombria desbotou-me a vida:No vício ardente requeimando os lábiosE de tudo descri com fronte erguida.A máscara de Don Juan queimou-me o rostoNa fria palidez do libertino:Desbotou-me esse olhar – e os lábios friosOusam de maldizer do meu destino.Sim! longas noites no fervor do jogoEsperdicei febril e macilento:E votei o porvir ao Deus do acasoE o amor profaneino esquecimento!Murchei no escárnio as coroas do poetaNa ironia da glória e dos amores:Aos vapores do vinho, à noite insanoDebrucei-me do jogo nos fervores!A flor da mocidade profanei-aEntre as águas lodosas do passadoNo crânio a febre, a palidez nas facesSó cria no sepulcro sossegado!(Álvares de Azevedo. Noite na Taverna, 2001.)Os versos lidos pela personagem Johann tematizam
256D871B-E9 Português
Interpretação de TextosUFTM · 2013MédioEntre para guardar nos favoritosEnsinar direitoSem contar com uma proposta acabada sobre o tema, o Ministério da Educação (MEC) pôs em circulação nas últimas semanas algumas ideias para melhorar a qualidade das faculdades de direito no Brasil.O MEC divulgara, em fevereiro, que estudava alterar as regras para abertura de cursos jurídicos, limitando a expansão de vagas e direcionando novas instituições para regiões carentes de advogados – tal como pretende fazer com faculdades de medicina.(Folha de S.Paulo, 18.03.2013. Adaptado.)Em relação aos dois parágrafos transcritos, o título do texto contém informação
256A69E1-E9 Português
Interpretação de TextosUFTM · 2013DifícilEntre para guardar nos favoritosLeia o poema de Mário Quintana para responder à questão.
Quem ama inventa
Quem ama inventa as coisas a que ama...
Talvez chegaste quando eu te sonhava.
Então de súbito acendeu-se a chama!
Era a brasa dormida que acordava...
E era um revoo sobre a ruinaria,
No ar atônito bimbalhavam sinos,
Tangidos por uns anjos peregrinos
Cujo dom é fazer ressurreições...
Um ritmo divino? Oh! Simplesmente
O palpitar de nossos corações
Batendo juntos e festivamente,
Ou sozinhos, num ritmo tristonho...
Ó! meu pobre, meu grande amor distante,
Nem sabes tu o bem que faz à gente
Haver sonhado... e ter vivido o sonho!
(Quintana de bolso, 2006.)
Ocorre objeto direto preposicionado quando, principalmente nos verbos que exprimem sentimentos ou manifestações de sentimento, se deseja encarecer a pessoa ou ser personificado a quem a ação verbal se dirige ou favorece.(Evanildo Bechara. Moderna gramática portuguesa, 2005. Adaptado.)A definição de Bechara é exemplificada com o seguinte verso do poema:
25673BBB-E9 Português
Interpretação de TextosUFTM · 2013FácilEntre para guardar nos favoritosLeia o poema de Mário Quintana para responder à questão.
Quem ama inventa
Quem ama inventa as coisas a que ama...
Talvez chegaste quando eu te sonhava.
Então de súbito acendeu-se a chama!
Era a brasa dormida que acordava...
E era um revoo sobre a ruinaria,
No ar atônito bimbalhavam sinos,
Tangidos por uns anjos peregrinos
Cujo dom é fazer ressurreições...
Um ritmo divino? Oh! Simplesmente
O palpitar de nossos corações
Batendo juntos e festivamente,
Ou sozinhos, num ritmo tristonho...
Ó! meu pobre, meu grande amor distante,
Nem sabes tu o bem que faz à gente
Haver sonhado... e ter vivido o sonho!
(Quintana de bolso, 2006.)
No contexto, as expressões a brasa e um revoo podem ser interpretadas, respectivamente, como2560D98C-E9 Português
Interpretação de TextosUFTM · 2013MédioEntre para guardar nos favoritosEm nossos dias, o neo-indianismo dos modernos de 1922 (precedido por meio século de etnografia sistemática) iria acentuar aspectos autênticos da vida do índio, encarando-o, não como gentil-homem embrionário, mas como primitivo, cujo interesse residia precisamente no que trouxesse de diferente, contraditório em relação à nossa cultura europeia. O indianismo dos românticos, porém, preocupou-se sobremaneira em equipará-lo qualitativamente ao conquistador, realçando ou inventando aspectos do seu comportamento que pudessem fazê-lo ombrear com este – no cavalheirismo, na generosidade, na poesia.A altivez, o culto da vindita, a destreza bélica, a generosidade, encontravam alguma ressonância nos costumes aborígines, como os descreveram cronistas nem sempre capazes de observar fora dos padrões europeus e, sobretudo, como os quiseram deliberadamente ver escritores animados do desejo patriótico de chancelar a independência política do país com o brilho de uma grandeza heroica especificamente brasileira.(Antonio Candido. Formação da literatura brasileira, 2000. Adaptado.)
De acordo com a argumentação de Antonio Candido e ainda mobilizando outros conhecimentos sobre a literatura brasileira, é correto afirmar que o indianismo romântico funcionou como expressão255D9A6F-E9 Português
Interpretação de TextosUFTM · 2013MédioEntre para guardar nos favoritosEm nossos dias, o neo-indianismo dos modernos de 1922 (precedido por meio século de etnografia sistemática) iria acentuar aspectos autênticos da vida do índio, encarando-o, não como gentil-homem embrionário, mas como primitivo, cujo interesse residia precisamente no que trouxesse de diferente, contraditório em relação à nossa cultura europeia. O indianismo dos românticos, porém, preocupou-se sobremaneira em equipará-lo qualitativamente ao conquistador, realçando ou inventando aspectos do seu comportamento que pudessem fazê-lo ombrear com este – no cavalheirismo, na generosidade, na poesia.A altivez, o culto da vindita, a destreza bélica, a generosidade, encontravam alguma ressonância nos costumes aborígines, como os descreveram cronistas nem sempre capazes de observar fora dos padrões europeus e, sobretudo, como os quiseram deliberadamente ver escritores animados do desejo patriótico de chancelar a independência política do país com o brilho de uma grandeza heroica especificamente brasileira.(Antonio Candido. Formação da literatura brasileira, 2000. Adaptado.)Em sua análise, o crítico Antonio Candido argumenta que
255A744D-E9 Português
Interpretação de TextosUFTM · 2013MédioEntre para guardar nos favoritos
(Gazeta do Povo, 06.11.2012.)
Na charge, para efeito de humor, faz-se um jogo de palavras
300A73E5-E2 Português
Interpretação de TextosUniversidade Católica de Pelotas · 2013MédioEntre para guardar nos favoritos
Leia as alternativas a seguir e assinale a opção correta.I. O autor, na crônica, fala sobre a contenda entre os moradores do Jandaia e as mansuetas babás.II. O texto, no terceiro parágrafo, diz que todos os moradores do Jandaia preferiam os casais noturnos à algazarra da rapaziada.III. Não há, na narrativa, referências à solução da altercação do murinho.30063D33-E2 Português
Interpretação de TextosUniversidade Católica de Pelotas · 2013DifícilEntre para guardar nos favoritos
Na linha 81, a palavra “mansuetas” só não pode ser entendida como
984A5825-E0 Português
Interpretação de TextosCentro universitário FAG · 2013Muito fácilEntre para guardar nos favoritosTradicionalmente, a redação de um texto de tipo dissertativo está estruturada em partes complementares. Qual das alternativas abaixo traz a designação comum destas partes?98451ACD-E0 Português
Interpretação de TextosCentro universitário FAG · 2013FácilEntre para guardar nos favoritosAssinale a alternativa na qual o enunciado expressa um nível de linguagem coloquial:98329C3E-E0 Português
Interpretação de TextosCentro universitário FAG · 2013MédioEntre para guardar nos favoritosLeia o texto a seguir para responder à questão.Quem escreve as bulas?Quando me perguntam a profissão e eu digo que sou escritor, logo vem outra em cima: de que? De tudo, minha senhora. De tudo, menos de bula.Romance, cinema, teatro, televisão, poesia, ensaios, tudo tudo, menos bula! Não que eu não aprecie as bulas. Pelo contrário. Adoro lê-las. E com atenção. E, sempre, depois de ler uma, já começo a sentir todas as "reações adversas".Admiro, invejo esse colega que escreve bulas. Fico imaginando a cara dele, como deve ser a sua casa. Que papo tal escrivão deve levar com a mulher e com os vizinhos? Quanto ele ganha por bula? Será que ele leva os obrigatórios dez por cento de direitos autorais? Merecem, são gênios.Jamais, numa peça de teatro, num roteiro de um filme ou mesmo numa simples crônica conseguiria a concisão seguinte: "é apresentado sob forma de uma solução isotônica (que lindo!) de cloreto de sódio, que não altera a fisiologia das células da mucosa nasal, em associação com cloreto de benzalcônio". Sabe o que é? O velho e inocente Rinosoro.Vejam o texto seguinte e sintam na narrativa como o autor é sádico: "você poderá ter sonolência, fadiga transitória, sensação de inquietação, aumento de apetite, confusão acompanhada de desorientação e alucinações, estado de ansiedade, agitação, distúrbios do sono, mania, hipomania, agressividade, déficit de memória, bocejos, despersonalização, insônia, pesadelos, agravamento da depressão e concentração deficiente. Vertigens, delírios, tremores, distúrbios da fala, convulsões e ataxia". Pronto, tenho que ir ao dicionário ver o que é ataxia. Já sentindo tudo descrito acima. Quem mandou ler?E lembre-se sempre: todo medicamento deve ser mantido fora do alcance das crianças. E não tome remédio sem o conhecimento do seu médico. Pode ser perigoso para a sua saúde. E pra cabeça!PRATA, Mário. Quem escreve as bulas?, 2009. (Adaptado).
Qual é o efeito de sentido promovido pelo uso das expressões “E lembre-se” e “E não tome remédio”, no penúltimo parágrafo do texto?A5D01BCC-E0 Português
Interpretação de TextosFaculdade Adventista da Bahia · 2013DifícilEntre para guardar nos favoritosHistória de um nomeNo capítulo dos nomes difíceis têm acontecido coisas das mais pitorescas. Ou é um camarada chamado Mimoso, que tem físico de mastodonte, ou é um sujeito fraquinho e insignificante chamado Hércules. Os nomes difíceis, principalmente os nomes tirados de adjetivos condizentes com seus portadores, são raríssimos, e é por isso que minha avó a paterna - dizia:- Gente honesta, se for homem deve ser José, se for mulher, deve ser Maria!É verdade que Vovó não tinha nada contra os joões, paulos, mários, odetes e - vá lá - fidélis. A sua implicância era, sobretudo, com nomes inventados, comemorativos de um acontecimento qualquer, como era o caso, muito citado por ela, de uma tal Dona Holofotina, batizada no dia em que inauguraram a luz elétrica na rua em que a família morava.Acrescente-se também que Vovó não mantinha relações com pessoas de nomes tirados metade da mãe e metade do pai. Jamais perdoou a um velho amigo seu - o "Seu" Wagner - porque se casara com uma senhora chamada Emília, muito respeitável, aliás, mas que tivera o mau-gosto de convencer o marido de batizar o primeiro filho com o nome leguminoso de Wagem - "wag" de Wagner e "em" de Emília. É verdade que a vagem comum, crua ou ensopada, será sempre com "v", enquanto o filho de "Seu" Wagner herdara o "w" do pai.Mas isso não tinha nenhuma importância: a consoante não era um detalhe bastante forte para impedir o risinho gozador de todos aqueles que eram apresentados ao menino Wagem. Mas deixemos de lado as birras de minha avó - velhinha que Deus tenha, em Sua santa glória - e passemos ao estranho caso da família Veiga, que morava pertinho de nossa casa, em tempos idos."Seu" Veiga, amante de boa leitura e cuja cachaça era colecionar livros, embora colecionasse também filhos, talvez com a mesma paixão, levou sua mania ao extremo de batizar os rebentos com nomes que tivessem relação com livros. Assim, o mais velho chamou-se Prefácio da Veiga; o segundo, Prólogo; o terceiro, Índice e, sucessivamente, foram nascendo o Tomo, o Capítulo e, por fim, Epílogo da Veiga, caçula do casal.Lembro-me bem dos filhos de "Seu" Veiga, todos excelentes rapazes, principalmente o Capítulo, sujeito prendado na confecção de balões e papagaios. Até hoje (é verdade que não me tenho dedicado muito na busca) não encontrei ninguém que fizesse um papagaio tão bem quanto Capítulo. Nem balões. Tomo era um bom extrema-direita e Prefácio pegou o vício do pai - vivia comprando livros. Era, aliás, o filho querido de "Seu" Veiga, pai extremoso, que não admitia piadas. Não tinha o menor senso de humor. Certa vez ficou mesmo de relações estremecidas com meu pai, por causa de uma brincadeira. "Seu" Veiga ia passando pela nossa porta, levando a família para o banho de mar. Iam todos armados de barracas de praia, toalhas etc. Papai estava na janela e, ao saudá-lo, fez a graça:- Vai levar a biblioteca para o banho? "Seu" Veiga ficou queimado durante muito tempo.Dona Odete - por alcunha "A Estante" - mãe dos meninos, sofria o desgosto de ter tantos filhos homens e não ter uma menina "para me fazer companhia" - como costumava dizer. Acreditava, inclusive, que aquilo era castigo de Deus, por causa da ideia do marido de botar aqueles nomes nos garotos. Por isso, fez uma promessa: se ainda tivesse uma menina, havia de chamá-la Maria.
As esperanças já estavam quase perdidas. Epílogozinho já tinha oito anos, quando a vontade de Dona Odete tornou-se uma bela realidade, pesando cinco quilos e mamando uma enormidade. Os vizinhos comentaram que "Seu" Veiga não gostou, ainda que se conformasse, com a vinda de mais um herdeiro, só porque já lhe faltavam palavras relacionadas a livros para denominar a criança.Só meses depois, na hora do batizado, o pai foi informado da antiga promessa. Ficou furioso com a mulher, esbravejou, bufou, mas - bom católico - acabou concordando em parte. E assim, em vez de receber somente o nome suave de Maria, a garotinha foi registrada, no livro da paróquia, após a cerimônia batismal, como Errata Maria da Veiga.Estava cumprida a promessa de Dona Odete, estava de pé a mania de "Seu" Veiga.(disponível em http://www.releituras.com/spontepreta_nome.asp acesso em 30/08/2012).Os romances naturalistas, em geral, apresentam as seguintes características, exceto:A5B6EEC8-E0 Português
Interpretação de TextosFaculdade Adventista da Bahia · 2013DifícilEntre para guardar nos favoritosHistória de um nomeNo capítulo dos nomes difíceis têm acontecido coisas das mais pitorescas. Ou é um camarada chamado Mimoso, que tem físico de mastodonte, ou é um sujeito fraquinho e insignificante chamado Hércules. Os nomes difíceis, principalmente os nomes tirados de adjetivos condizentes com seus portadores, são raríssimos, e é por isso que minha avó a paterna - dizia:- Gente honesta, se for homem deve ser José, se for mulher, deve ser Maria!É verdade que Vovó não tinha nada contra os joões, paulos, mários, odetes e - vá lá - fidélis. A sua implicância era, sobretudo, com nomes inventados, comemorativos de um acontecimento qualquer, como era o caso, muito citado por ela, de uma tal Dona Holofotina, batizada no dia em que inauguraram a luz elétrica na rua em que a família morava.Acrescente-se também que Vovó não mantinha relações com pessoas de nomes tirados metade da mãe e metade do pai. Jamais perdoou a um velho amigo seu - o "Seu" Wagner - porque se casara com uma senhora chamada Emília, muito respeitável, aliás, mas que tivera o mau-gosto de convencer o marido de batizar o primeiro filho com o nome leguminoso de Wagem - "wag" de Wagner e "em" de Emília. É verdade que a vagem comum, crua ou ensopada, será sempre com "v", enquanto o filho de "Seu" Wagner herdara o "w" do pai.Mas isso não tinha nenhuma importância: a consoante não era um detalhe bastante forte para impedir o risinho gozador de todos aqueles que eram apresentados ao menino Wagem. Mas deixemos de lado as birras de minha avó - velhinha que Deus tenha, em Sua santa glória - e passemos ao estranho caso da família Veiga, que morava pertinho de nossa casa, em tempos idos."Seu" Veiga, amante de boa leitura e cuja cachaça era colecionar livros, embora colecionasse também filhos, talvez com a mesma paixão, levou sua mania ao extremo de batizar os rebentos com nomes que tivessem relação com livros. Assim, o mais velho chamou-se Prefácio da Veiga; o segundo, Prólogo; o terceiro, Índice e, sucessivamente, foram nascendo o Tomo, o Capítulo e, por fim, Epílogo da Veiga, caçula do casal.Lembro-me bem dos filhos de "Seu" Veiga, todos excelentes rapazes, principalmente o Capítulo, sujeito prendado na confecção de balões e papagaios. Até hoje (é verdade que não me tenho dedicado muito na busca) não encontrei ninguém que fizesse um papagaio tão bem quanto Capítulo. Nem balões. Tomo era um bom extrema-direita e Prefácio pegou o vício do pai - vivia comprando livros. Era, aliás, o filho querido de "Seu" Veiga, pai extremoso, que não admitia piadas. Não tinha o menor senso de humor. Certa vez ficou mesmo de relações estremecidas com meu pai, por causa de uma brincadeira. "Seu" Veiga ia passando pela nossa porta, levando a família para o banho de mar. Iam todos armados de barracas de praia, toalhas etc. Papai estava na janela e, ao saudá-lo, fez a graça:- Vai levar a biblioteca para o banho? "Seu" Veiga ficou queimado durante muito tempo.Dona Odete - por alcunha "A Estante" - mãe dos meninos, sofria o desgosto de ter tantos filhos homens e não ter uma menina "para me fazer companhia" - como costumava dizer. Acreditava, inclusive, que aquilo era castigo de Deus, por causa da ideia do marido de botar aqueles nomes nos garotos. Por isso, fez uma promessa: se ainda tivesse uma menina, havia de chamá-la Maria.
As esperanças já estavam quase perdidas. Epílogozinho já tinha oito anos, quando a vontade de Dona Odete tornou-se uma bela realidade, pesando cinco quilos e mamando uma enormidade. Os vizinhos comentaram que "Seu" Veiga não gostou, ainda que se conformasse, com a vinda de mais um herdeiro, só porque já lhe faltavam palavras relacionadas a livros para denominar a criança.Só meses depois, na hora do batizado, o pai foi informado da antiga promessa. Ficou furioso com a mulher, esbravejou, bufou, mas - bom católico - acabou concordando em parte. E assim, em vez de receber somente o nome suave de Maria, a garotinha foi registrada, no livro da paróquia, após a cerimônia batismal, como Errata Maria da Veiga.Estava cumprida a promessa de Dona Odete, estava de pé a mania de "Seu" Veiga.(disponível em http://www.releituras.com/spontepreta_nome.asp acesso em 30/08/2012).Sobre o texto ―História de um nome‖, podemos afirmar que:1DBDAD57-DE Português
Interpretação de TextosFGV · 2013MédioEntre para guardar nos favoritosTexto para a questão
CHEGANDO AO RECIFE, O RETIRANTE SENTA-SE PARA DESCANSAR AO PÉ DE UM MURO ALTO E CAIADO E OUVE, SEM SER NOTADO, A CONVERSA DE DOIS COVEIROS— O dia hoje está difícil;
não sei onde vamos parar.
Deviam dar um aumento,
ao menos aos deste setor de cá.
As avenidas do centro são melhores,
mas são para os protegidos:
há sempre menos trabalho
e gorjetas pelo serviço;
e é mais numeroso o pessoal
(toma mais tempo enterrar os ricos).
— pois eu me daria por contente
se me mandassem para cá.
Se trabalhasses no de Casa Amarela
não estarias a reclamar.
De trabalhar no de Santo Amaro
deve alegrar-se o colega
porque parece que a gente
que se enterra no de Casa Amarela
está decidida a mudar-se
toda para debaixo da terra.
João Cabral de Melo Neto, Morte e vida severina.
Atente para as seguintes afirmações referentes ao excerto, considerado no contexto da obra à qual pertence:I No diálogo dos coveiros, no cemitério, o ponto de vista orientado pela morte revela-se o mais adequado para se apreender o conjunto da organização social a que remete o texto.II Embora seja macabro o assunto, usa-se o recurso do chiste e do humor negro para se expor os avessos da sociedade.III Na descrição dos cemitérios, a morte mostra-se antes como fenômeno social que natural
1DA7C037-DE Português
Interpretação de TextosFGV · 2013DifícilEntre para guardar nos favoritosTexto para a questão
Capítulo um
Antes de iniciar este livro, imaginei construí-lo pela divisão do trabalho.
Dirigi-me a alguns amigos, e quase todos consentiram de boa vontade em contribuir para o desenvolvimento das letras nacionais. Padre Silvestre ficaria com a parte moral e as citações latinas; João Nogueira aceitou a pontuação, a ortografia e a sintaxe; prometi ao Arquimedes a composição tipográfica; para a composição literária convidei Lúcio Gomes de Azevedo Gondim, redator e diretor do Cruzeiro. Eu traçaria o plano, introduziria na história rudimentos de agricultura e pecuária, faria as despesas e poria o meu nome na capa.
São Bernardo, Graciliano Ramos.
Ao declarar que imaginara construir o livro “pela divisão do trabalho”, explicando a seguir o que entende por esse método, Paulo Honório revela que1D7E681F-DE Português
Flexão verbal de tempo (presente, pretérito, futuro)FGV · 2013DifícilEntre para guardar nos favoritosTexto para a questão.

Machado de Assis, Quincas Borba.
Empregou-se o presente com ideia de futuro no seguinte excerto do texto: