Questões de Português do ENEM

Questões de Português, da área de Linguagens, com gabarito em cada página.

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10.965 questões encontradas. Mostrando a página 511 de 549.

  • 38D9914E-47

    Português

    Interpretação de Textos
    UFF · 2010MédioEntre para guardar nos favoritos
    Imagem 062.jpg

    Os versos dos poetas modernistas e românticos apresentam relação de intertextualidade com o poema de Ribeiro Couto, EXCETO em uma alternativa.
    Assinale-a.
    Escolha uma alternativa para a questão 38d9914e-47
  • 162547BE-47

    Português

    Interpretação de Textos
    UFF · 2010MédioEntre para guardar nos favoritos

    Imagem da questão de Português, da prova de 2010

    Todas as afirmativas sobre a construção estética ou a produção textual do poema de Gregório de Matos (Texto VII) estão adequadas, EXCETO uma. Assinale-a.
    Escolha uma alternativa para a questão 162547be-47
  • 14E1F1D1-47

    Português

    Coesão e coerência
    UFF · 2010MédioEntre para guardar nos favoritos

    Imagem da questão de Português, da prova de 2010

    Identifique a alternativa em que o pronome sublinhado retoma e sintetiza, na progressão textual, um enunciado anteriormente expresso. (Texto VII)
    Escolha uma alternativa para a questão 14e1f1d1-47
  • 100BC368-47

    Português

    Interpretação de Textos
    UFF · 2010MédioEntre para guardar nos favoritos

    Imagem da questão de Português, da prova de 2010

    Quanto à construção linguística do Texto V e a legenda do Texto VI, pode-se afirmar que
    Escolha uma alternativa para a questão 100bc368-47
  • 0DA492B3-47

    Português

    Análise sintática
    UFF · 2010MédioEntre para guardar nos favoritos

    Imagem da questão de Português, da prova de 2010

    Assinale a alternativa que apresenta comentário adequado a um dos fragmentos dos Textos II e III, com base em aspectos sintáticos, morfológicos e semânticos.
    Escolha uma alternativa para a questão 0da492b3-47
  • 0C70B9D2-47

    Português

    Interpretação de Textos
    UFF · 2010MédioEntre para guardar nos favoritos

    Imagem da questão de Português, da prova de 2010

    Assinale a alternativa que correlaciona, quanto ao sentido do termo “civilização”, o fragmento de Mário de Andrade (Texto IV) com o fragmento de Almada Negreiros (Texto II).
    Escolha uma alternativa para a questão 0c70b9d2-47
  • 0B39145C-47

    Português

    Interpretação de Textos
    UFF · 2010MédioEntre para guardar nos favoritos

    Imagem da questão de Português, da prova de 2010

    Assinale a alternativa que apresenta comentário adequado sobre a relação de sentido entre os fragmentos dos Textos II e III, a seguir transcritos:
    Escolha uma alternativa para a questão 0b39145c-47
  • FF083AF7-47

    Português

    Interpretação de Textos
    UFF · 2010MédioEntre para guardar nos favoritos
    TEXTO I
    Civilização é o estágio da cultura social e da civilidade de um agrupamento humano caracterizado pelo progresso social, científico, político, econômico, artístico, ambiental e ético.
    http://www.citador.pt/pensar. (adaptado)

    Imagem da questão de Português, da prova de 2010

    O conceito “ideal” de civilização expresso no Texto I, comparado às temáticas das três charges apresentadas acima, justifica a seguinte afirmativa:
    Escolha uma alternativa para a questão ff083af7-47
  • 1B8A0567-46

    Português

    Divisão Silábica
    UNIFESP · 2010DifícilEntre para guardar nos favoritos
    Instrução: Leia o texto para responder às questões de números 28 a 30.

     De tudo que é nego torto
    Do mangue e do cais do porto
    Ela já foi namorada
    O seu corpo é dos errantes
    Dos cegos, dos retirantes
    É de quem não tem mais nada
    Dá-se assim desde menina
    Na garagem, na cantina
    Atrás do tanque, no mato
    É a rainha dos detentos
    Das loucas, dos lazarentos
    Dos moleques do internato
    E também vai amiúde
    Co’os velhinhos sem saúde
    E as viúvas sem porvir
    Ela é um poço de bondade
    E é por isso que a cidade
    Vive sempre a repetir
    Joga pedra na Geni
    Joga pedra na Geni
    Ela é feita pra apanhar
    Ela é boa de cuspir
    Ela dá pra qualquer um
    Maldita Geni

    (Chico Buarque. Geni e o zepelim.)

    Indique a alternativa que identifica corretamente, de modo respectivo, a métrica e a natureza predominante das rimas.
    Escolha uma alternativa para a questão 1b8a0567-46
  • 17B35E09-46

    Português

    Figuras de Linguagem
    UNIFESP · 2010MédioEntre para guardar nos favoritos
    Instrução: As questões de números 25 a 27 tomam por base o fragmento.

      [Sem-Pernas] queria alegria, uma mão que o acarinhasse, alguém que com muito amor o fizesse esquecer o defeito físico e os muitos anos (talvez tivessem sido apenas meses ou semanas, mas para ele seriam sempre longos anos) que vivera sozinho nas ruas da cidade, hostilizado pelos homens que passavam, empurrado pelos guardas, surrado pelos moleques maiores. Nunca tivera família. Vivera na casa de um padeiro a quem chamava “meu padrinho” e que o surrava. Fugiu logo que pôde compreender que a fuga o libertaria. Sofreu fome, um dia levaram-no preso. Ele quer um carinho, u’a mão que passe sobre os seus olhos e faça com que ele possa se esquecer daquela noite na cadeia, quando os soldados bêbados o fizeram correr com sua perna coxa em volta de uma saleta. Em cada canto estava um com uma borracha comprida. As marcas que ficaram nas suas costas desapareceram. Mas de dentro dele nunca desapareceu a dor daquela hora. Corria na saleta como um animal perseguido por outros mais fortes. A perna coxa se recusava a ajudá-lo. E a borracha zunia nas suas costas quando o cansaço o fazia parar. A princípio chorou muito, depois, não sabe como, as lágrimas secaram. Certa hora não resistiu mais, abateu-se no chão. Sangrava. Ainda hoje ouve como os soldados riam e como riu aquele homem de colete cinzento que fumava um charuto.

    (Jorge Amado. Capitães da areia.)

    O emprego da figura de linguagem conhecida como “prosopopeia” (ou “personificação”) põe mais em evidência a principal razão pela qual Sem-Pernas é estigmatizado. O trecho que contém essa figura é
    Escolha uma alternativa para a questão 17b35e09-46
  • 15B2BEAA-46

    Português

    Flexão verbal de tempo (presente, pretérito, futuro)
    UNIFESP · 2010FácilEntre para guardar nos favoritos
    Instrução: As questões de números 25 a 27 tomam por base o fragmento.

      [Sem-Pernas] queria alegria, uma mão que o acarinhasse, alguém que com muito amor o fizesse esquecer o defeito físico e os muitos anos (talvez tivessem sido apenas meses ou semanas, mas para ele seriam sempre longos anos) que vivera sozinho nas ruas da cidade, hostilizado pelos homens que passavam, empurrado pelos guardas, surrado pelos moleques maiores. Nunca tivera família. Vivera na casa de um padeiro a quem chamava “meu padrinho” e que o surrava. Fugiu logo que pôde compreender que a fuga o libertaria. Sofreu fome, um dia levaram-no preso. Ele quer um carinho, u’a mão que passe sobre os seus olhos e faça com que ele possa se esquecer daquela noite na cadeia, quando os soldados bêbados o fizeram correr com sua perna coxa em volta de uma saleta. Em cada canto estava um com uma borracha comprida. As marcas que ficaram nas suas costas desapareceram. Mas de dentro dele nunca desapareceu a dor daquela hora. Corria na saleta como um animal perseguido por outros mais fortes. A perna coxa se recusava a ajudá-lo. E a borracha zunia nas suas costas quando o cansaço o fazia parar. A princípio chorou muito, depois, não sabe como, as lágrimas secaram. Certa hora não resistiu mais, abateu-se no chão. Sangrava. Ainda hoje ouve como os soldados riam e como riu aquele homem de colete cinzento que fumava um charuto.

    (Jorge Amado. Capitães da areia.)

    O zigue-zague temporal ligado à vida de Sem-Pernas, em- pregado no fragmento para a composição da personagem, é construído de maneira muito precisa, por meio da utilização alternada de diversos tempos verbais. Indique a alternativa em que há, respectivamente, um tempo verbal que expressa fatos ocorridos num tempo anterior a outros fatos do passado e um tempo verbal usado para marcar o caráter hipotético de certas ações ou o desejo de que se realizassem.
    Escolha uma alternativa para a questão 15b2beaa-46
  • 0DCCF892-46

    Português

    Interpretação de Textos
    UNIFESP · 2010DifícilEntre para guardar nos favoritos
    Instrução: As questões de números 21 a 24 tomam por base o fragmento seguinte.
     
     As provocações no recreio eram frequentes, oriundas do enfado; irritadiços todos como feridas; os inspetores a cada passo precisavam intervir em conflitos; as importunações andavam em busca das suscetibilidades; as suscetibilidades a procurar a sarna das importunações. Viam de joelhos o Franco, puxavamlhe os cabelos. Viam Rômulo passar, lançavam-lhe o apelido: mestre-cuca!

     Esta provocação era, além de tudo, inverdade. Cozinheiro, Rômulo! Só porque lembrava culinária, com a carnosidade bamba, fofada dos pastelões, ou porque era gordo das enxúndias enganadoras dos fregistas, dissolução mórbida de sardinha e azeite, sob os aspectos de mais volumosa saúde?
    (...)
      Rômulo era antipatizado. Para que o não manifestassem excessivamente, fazia-se temer pela brutalidade. Ao mais insignificante gracejo de um pequeno, atirava contra o infeliz toda a corpulência das infiltrações de gordura solta, desmoronava-se em socos. Dos mais fortes vingava-se, resmungando intrepidamente. 
    Para desesperá-lo, aproveitavam-se os menores do escuro. Rômulo, no meio, ficava tonto, esbravejando juras de morte, mostrando o punho. Em geral procurava reconhecer algum dos impertinentes e o marcava para a vindita. Vindita inexorável.
     No decorrer enfadonho das últimas semanas, foi Rômulo escolhido, principalmente, para expiatório do desfastio. Mestrecuca! Via-se apregoado por vozes fantásticas, saídas da terra; mestre-cuca! Por vozes do espaço rouquenhas ou esganiçadas. Sentava-se acabrunhado, vendo se se lembrava de haver tratado
    panelas algum dia na vida; a unanimidade impressionava. Mais frequentemente, entregava-se a acessos de raiva. Arremetia bufando, espumando, olhos fechados, punhos para trás, contra os grupos. Os rapazes corriam a rir, abrindo caminho, deixando rolar adiante aquela ambulância danada de elefantíase.
    (Raul Pompeia. O Ateneu.)

    Indique a alternativa em que os fragmentos selecionados exemplificam, respectivamente, a manifestação clara do ponto de vista do narrador e a opinião do grupo, a propósito de Rômulo.
    Escolha uma alternativa para a questão 0dccf892-46
  • 0C1271B7-46

    Português

    Interpretação de Textos
    UNIFESP · 2010MédioEntre para guardar nos favoritos
    Instrução: As questões de números 21 a 24 tomam por base o fragmento seguinte.
     
     As provocações no recreio eram frequentes, oriundas do enfado; irritadiços todos como feridas; os inspetores a cada passo precisavam intervir em conflitos; as importunações andavam em busca das suscetibilidades; as suscetibilidades a procurar a sarna das importunações. Viam de joelhos o Franco, puxavamlhe os cabelos. Viam Rômulo passar, lançavam-lhe o apelido: mestre-cuca!

     Esta provocação era, além de tudo, inverdade. Cozinheiro, Rômulo! Só porque lembrava culinária, com a carnosidade bamba, fofada dos pastelões, ou porque era gordo das enxúndias enganadoras dos fregistas, dissolução mórbida de sardinha e azeite, sob os aspectos de mais volumosa saúde?
    (...)
      Rômulo era antipatizado. Para que o não manifestassem excessivamente, fazia-se temer pela brutalidade. Ao mais insignificante gracejo de um pequeno, atirava contra o infeliz toda a corpulência das infiltrações de gordura solta, desmoronava-se em socos. Dos mais fortes vingava-se, resmungando intrepidamente. 
    Para desesperá-lo, aproveitavam-se os menores do escuro. Rômulo, no meio, ficava tonto, esbravejando juras de morte, mostrando o punho. Em geral procurava reconhecer algum dos impertinentes e o marcava para a vindita. Vindita inexorável.
     No decorrer enfadonho das últimas semanas, foi Rômulo escolhido, principalmente, para expiatório do desfastio. Mestrecuca! Via-se apregoado por vozes fantásticas, saídas da terra; mestre-cuca! Por vozes do espaço rouquenhas ou esganiçadas. Sentava-se acabrunhado, vendo se se lembrava de haver tratado
    panelas algum dia na vida; a unanimidade impressionava. Mais frequentemente, entregava-se a acessos de raiva. Arremetia bufando, espumando, olhos fechados, punhos para trás, contra os grupos. Os rapazes corriam a rir, abrindo caminho, deixando rolar adiante aquela ambulância danada de elefantíase.
    (Raul Pompeia. O Ateneu.)

    Considere as seguintes afirmações.

    I. A alcunha de mestre-cuca, recebida por Rômulo, advinha do fato de ter praticado, anteriormente, a arte culinária.

    II. As agressões e humilhações sofridas por Rômulo eram essencialmente motivadas por sua antipatia.

    III. As reações de Rômulo às provocações dos colegas variavam conforme as circunstâncias.

    De acordo com o texto, está correto o que se afirma apenas em
    Escolha uma alternativa para a questão 0c1271b7-46
  • 0A4D3934-46

    Português

    Interpretação de Textos
    UNIFESP · 2010MédioEntre para guardar nos favoritos
    Instrução: Leia o excerto para responder às questões de números 11 e 12.

       Ontem a Serra Leoa,
    A guerra, a caça ao leão,
    O sono dormido à toa
    Sob as tendas d’amplidão!
    Hoje... o porão negro, fundo,
    Infecto, apertado, imundo,
    Tendo a peste por jaguar...
    E o sono sempre cortado
    Pelo arranco de um finado,
    E o baque de um corpo ao mar...

    Ontem plena liberdade,
    A vontade por poder...
    Hoje... cúm’lo de maldade,
    Nem são livres p’ra morrer...
    Prende-os a mesma corrente
    – Férrea, lúgubre serpente –
    Nas roscas da escravidão.
    E assim roubados à morte,
    Dança a lúgubre coorte
    Ao som do açoite... Irrisão!...

    (Castro Alves. Fragmento de O navio negreiro – tragédia no mar.)

    (...) Um poeta dizia que o menino é o pai do homem. Se isto é verdade, vejamos alguns lineamentos do menino.
      Desde os cinco anos merecera eu a alcunha de “menino diabo”; e verdadeiramente não era outra coisa; fui dos mais malignos do meu tempo, arguto, indiscreto, traquinas e voluntarioso. Por exemplo, um dia quebrei a cabeça de uma escrava, porque me negara uma colher do doce de coco que estava fazendo,
    e, não contente com o malefício, deitei um punhado de cinza ao tacho, e, não satisfeito da travessura, fui dizer à minha mãe que a escrava é que estragara o doce “por pirraça”; e eu tinha apenas seis anos. Prudêncio, um moleque de casa, era o meu cavalo de todos os dias; punha as mãos no chão, recebia um cordel nos queixos, à guisa de freio, eu trepava-lhe ao dorso, com uma varinha na mão, fustigava-o, dava mil voltas a um e outro lado, e ele obedecia, – algumas vezes gemendo – mas obedecia sem dizer palavra, ou, quando muito, um – “ai, nhonhô!” – ao que eu retorquia: “Cala a boca, besta!” – Esconder os chapéus das visitas, deitar rabos de papel a pessoas graves, puxar pelo rabicho das cabeleiras, dar beliscões nos braços das matronas, e outras muitas façanhas deste jaez, eram mostras de um gênio indócil, mas devo crer que eram também expressões de um espírito robusto, porque meu pai tinha-me em grande admiração; e se às vezes me repreendia, à vista de gente, fazia-o por simples formalidade: em particular dava-me beijos.
     Não se conclua daqui que eu levasse todo o resto da minha vida a quebrar a cabeça dos outros nem a esconder-lhes os chapéus; mas opiniático, egoísta e algo contemptor dos homens, isso fui; se não passei o tempo a esconder-lhes os chapéus, alguma vez lhes puxei pelo rabicho das cabeleiras.

    (Machado de Assis. Memórias póstumas de Brás Cubas.)


    Compare o trecho de Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, com o fragmento do poema O navio negreiro – tragédia no mar, de Castro Alves (questões 11 e 12). Indique a alternativa que apresenta aspectos observáveis nos dois textos.

    Escolha uma alternativa para a questão 0a4d3934-46
  • 06598D00-46

    Português

    Interpretação de Textos
    UNIFESP · 2010DifícilEntre para guardar nos favoritos
    Instrução: Leia o texto para responder às questões de números 18 e 19.

     Crescia naturalmente
    Fazendo estripulia,
    Malino e muito arguto,
    Gostava de zombaria.
    A cabeça duma escrava
    Quase arrebentei um dia.
    E tudo isso porque
    Um doce me havia negado,
    De cinza no tacho cheio
    Inda joguei um punhado,
    Daí porque a alcunha
    De “Menino Endiabrado”.
    Prudêncio era um menino
    Da casa, que agora falo.
    Botava suas mãos no chão
    Pra poder depois montá-lo:
    Com um chicote na mão
    Fazia dele um cavalo.
    (Varneci Nascimento. Memórias póstumas de Brás Cubas em cordel.)

    A versão modificada, adaptada à oralidade – como usualmente se dá na produção da literatura de cordel – apresenta termos semelhantes aos do texto original de Machado de Assis, que podem ser identificados em todas as palavras da alternativa
    Escolha uma alternativa para a questão 06598d00-46
  • 04AB3E26-46

    Português

    Orações coordenadas sindéticas: Aditivas, Adversativas, Alternativas, Conclusivas...
    UNIFESP · 2010MédioEntre para guardar nos favoritos
    Instrução: As questões de 15 a 17 tomam por base o fragmento.

     (...) Um poeta dizia que o menino é o pai do homem. Se isto é verdade, vejamos alguns lineamentos do menino.
      Desde os cinco anos merecera eu a alcunha de “menino diabo”; e verdadeiramente não era outra coisa; fui dos mais malignos do meu tempo, arguto, indiscreto, traquinas e voluntarioso. Por exemplo, um dia quebrei a cabeça de uma escrava, porque me negara uma colher do doce de coco que estava fazendo,
    e, não contente com o malefício, deitei um punhado de cinza ao tacho, e, não satisfeito da travessura, fui dizer à minha mãe que a escrava é que estragara o doce “por pirraça”; e eu tinha apenas seis anos. Prudêncio, um moleque de casa, era o meu cavalo de todos os dias; punha as mãos no chão, recebia um cordel nos queixos, à guisa de freio, eu trepava-lhe ao dorso, com uma varinha na mão, fustigava-o, dava mil voltas a um e outro lado, e ele obedecia, – algumas vezes gemendo – mas obedecia sem dizer palavra, ou, quando muito, um – “ai, nhonhô!” – ao que eu retorquia: “Cala a boca, besta!” – Esconder os chapéus das visitas, deitar rabos de papel a pessoas graves, puxar pelo rabicho das cabeleiras, dar beliscões nos braços das matronas, e outras muitas façanhas deste jaez, eram mostras de um gênio indócil, mas devo crer que eram também expressões de um espírito robusto, porque meu pai tinha-me em grande admiração; e se às vezes me repreendia, à vista de gente, fazia-o por simples formalidade: em particular dava-me beijos.
     Não se conclua daqui que eu levasse todo o resto da minha vida a quebrar a cabeça dos outros nem a esconder-lhes os chapéus; mas opiniático, egoísta e algo contemptor dos homens, isso fui; se não passei o tempo a esconder-lhes os chapéus, alguma vez lhes puxei pelo rabicho das cabeleiras.

    (Machado de Assis. Memórias póstumas de Brás Cubas.)

    Para reforçar a caracterização do “menino diabo” atribuída ao narrador, é utilizado principalmente o seguinte recurso estilístico:
    Escolha uma alternativa para a questão 04ab3e26-46
  • 02D83E52-46

    Português

    Interpretação de Textos
    UNIFESP · 2010DifícilEntre para guardar nos favoritos
    Instrução: As questões de 15 a 17 tomam por base o fragmento.

     (...) Um poeta dizia que o menino é o pai do homem. Se isto é verdade, vejamos alguns lineamentos do menino.
      Desde os cinco anos merecera eu a alcunha de “menino diabo”; e verdadeiramente não era outra coisa; fui dos mais malignos do meu tempo, arguto, indiscreto, traquinas e voluntarioso. Por exemplo, um dia quebrei a cabeça de uma escrava, porque me negara uma colher do doce de coco que estava fazendo,
    e, não contente com o malefício, deitei um punhado de cinza ao tacho, e, não satisfeito da travessura, fui dizer à minha mãe que a escrava é que estragara o doce “por pirraça”; e eu tinha apenas seis anos. Prudêncio, um moleque de casa, era o meu cavalo de todos os dias; punha as mãos no chão, recebia um cordel nos queixos, à guisa de freio, eu trepava-lhe ao dorso, com uma varinha na mão, fustigava-o, dava mil voltas a um e outro lado, e ele obedecia, – algumas vezes gemendo – mas obedecia sem dizer palavra, ou, quando muito, um – “ai, nhonhô!” – ao que eu retorquia: “Cala a boca, besta!” – Esconder os chapéus das visitas, deitar rabos de papel a pessoas graves, puxar pelo rabicho das cabeleiras, dar beliscões nos braços das matronas, e outras muitas façanhas deste jaez, eram mostras de um gênio indócil, mas devo crer que eram também expressões de um espírito robusto, porque meu pai tinha-me em grande admiração; e se às vezes me repreendia, à vista de gente, fazia-o por simples formalidade: em particular dava-me beijos.
     Não se conclua daqui que eu levasse todo o resto da minha vida a quebrar a cabeça dos outros nem a esconder-lhes os chapéus; mas opiniático, egoísta e algo contemptor dos homens, isso fui; se não passei o tempo a esconder-lhes os chapéus, alguma vez lhes puxei pelo rabicho das cabeleiras.

    (Machado de Assis. Memórias póstumas de Brás Cubas.)

    É correto afirmar que
    Escolha uma alternativa para a questão 02d83e52-46
  • 0123EF87-46

    Português

    Interpretação de Textos
    UNIFESP · 2010MédioEntre para guardar nos favoritos
    Instrução: As questões de 15 a 17 tomam por base o fragmento.

     (...) Um poeta dizia que o menino é o pai do homem. Se isto é verdade, vejamos alguns lineamentos do menino.
      Desde os cinco anos merecera eu a alcunha de “menino diabo”; e verdadeiramente não era outra coisa; fui dos mais malignos do meu tempo, arguto, indiscreto, traquinas e voluntarioso. Por exemplo, um dia quebrei a cabeça de uma escrava, porque me negara uma colher do doce de coco que estava fazendo,
    e, não contente com o malefício, deitei um punhado de cinza ao tacho, e, não satisfeito da travessura, fui dizer à minha mãe que a escrava é que estragara o doce “por pirraça”; e eu tinha apenas seis anos. Prudêncio, um moleque de casa, era o meu cavalo de todos os dias; punha as mãos no chão, recebia um cordel nos queixos, à guisa de freio, eu trepava-lhe ao dorso, com uma varinha na mão, fustigava-o, dava mil voltas a um e outro lado, e ele obedecia, – algumas vezes gemendo – mas obedecia sem dizer palavra, ou, quando muito, um – “ai, nhonhô!” – ao que eu retorquia: “Cala a boca, besta!” – Esconder os chapéus das visitas, deitar rabos de papel a pessoas graves, puxar pelo rabicho das cabeleiras, dar beliscões nos braços das matronas, e outras muitas façanhas deste jaez, eram mostras de um gênio indócil, mas devo crer que eram também expressões de um espírito robusto, porque meu pai tinha-me em grande admiração; e se às vezes me repreendia, à vista de gente, fazia-o por simples formalidade: em particular dava-me beijos.
     Não se conclua daqui que eu levasse todo o resto da minha vida a quebrar a cabeça dos outros nem a esconder-lhes os chapéus; mas opiniático, egoísta e algo contemptor dos homens, isso fui; se não passei o tempo a esconder-lhes os chapéus, alguma vez lhes puxei pelo rabicho das cabeleiras.

    (Machado de Assis. Memórias póstumas de Brás Cubas.)

    Indique a frase que, no contexto do fragmento, ratifica o sentido de o menino é o pai do homem, citação inicial do narrador.
    Escolha uma alternativa para a questão 0123ef87-46
  • FF6F6DF3-46

    Português

    Interpretação de Textos
    UNIFESP · 2010MédioEntre para guardar nos favoritos
    Instrução: As questões de números 13 e 14 tomam por base o texto.

      Amaro lia até tarde, um pouco perturbado por aqueles períodos sonoros, túmidos de desejo; e no silêncio, por vezes, sentia em cima ranger o leito de Amélia; o livro escorregava-lhe das mãos, encostava a cabeça às costas da poltrona, cerrava os olhos, e parecia-lhe vê-la em colete diante do toucador desfazendo as tranças; ou, curvada, desapertando as ligas, e o decote da sua camisa entreaberta descobria os dois seios muito brancos.
      Erguia-se, cerrando os dentes, com uma decisão brutal de a possuir.
    Começara então a recomendar-lhe a leitura dos Cânticos a Jesus.
    – Verá, é muito bonito, de muita devoção! Disse ele, deixando-lhe o livrinho uma noite no cesto da costura.
    Ao outro dia, ao almoço, Amélia estava pálida, com as olheiras até o meio da face. Queixou-se de insônia, de palpitações.
    – E então, gostou dos Cânticos?
    – Muito. Orações lindas! respondeu.
     Durante todo esse dia não ergueu os olhos para Amaro. Parecia triste – e sem razão, às vezes, o rosto abrasava-se-lhe de sangue.
    (Eça de Queirós. O crime do padre Amaro.)

    O texto permite afirmar que
    Escolha uma alternativa para a questão ff6f6df3-46
  • FBF8E641-46

    Português

    Interpretação de Textos
    UNIFESP · 2010MédioEntre para guardar nos favoritos
    Instrução: Leia o excerto para responder às questões de números 11 e 12.

       Ontem a Serra Leoa,
    A guerra, a caça ao leão,
    O sono dormido à toa
    Sob as tendas d’amplidão!
    Hoje... o porão negro, fundo,
    Infecto, apertado, imundo,
    Tendo a peste por jaguar...
    E o sono sempre cortado
    Pelo arranco de um finado,
    E o baque de um corpo ao mar...

    Ontem plena liberdade,
    A vontade por poder...
    Hoje... cúm’lo de maldade,
    Nem são livres p’ra morrer...
    Prende-os a mesma corrente
    – Férrea, lúgubre serpente –
    Nas roscas da escravidão.
    E assim roubados à morte,
    Dança a lúgubre coorte
    Ao som do açoite... Irrisão!...

    (Castro Alves. Fragmento de O navio negreiro – tragédia no mar.)

    Nesse fragmento do poema,
    Escolha uma alternativa para a questão fbf8e641-46