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Disciplina · Linguagens

Questões de Português do ENEM

Questões de Português, da área de Linguagens, com gabarito em cada página.

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Resultados: 10.965 questões

Página 235 de 549

  • Linguagens

    Português

    Imagem da questão de Português, UECE 2014, Interpretação de Textos

    Assinale a opção que NÃO expressa com clareza a funcionalidade da tortura. 

    Escolha uma alternativa para a questão 6b44cb63-b9
  • Linguagens

    Português

    Imagem da questão de Português, UECE 2014, Interpretação de Textos

    O dicionário Houaiss eletrônico dá para o vocábulo “suplício” acepções variadas quase todas relacionadas ao sofrimento físico. Já para o substantivo “opróbrio”, as acepções são ligadas ao sofrimento moral e psicológico. Diante do exposto sobre a significação desses dois vocábulos, assinale a assertiva verdadeira. 

    Escolha uma alternativa para a questão 6b4e9eb2-b9
  • Linguagens

    Português

    Imagem da questão de Português, UECE 2014, Interpretação de Textos

    No final do texto, há a sugestão de que


    I. no torturado arma-se um embate entre o corpo e a mente.

    II. o torturado, no início da tortura, luta para não morrer fisicamente e, no final, anseia por essa morte, que lhe dará alívio.

    III. só há duas maneiras de o torturado ver-se livre do sofrimento: morrer fisicamente ou prestar as informações que o torturador deseja.


    Estão corretas as complementações contidas em

    Escolha uma alternativa para a questão 6b52290d-b9
  • Linguagens

    Português

    Imagem da questão de Português, UECE 2014, Interpretação de Textos

    Quando um torturador diz “Que Deus que nada, porque Deus aqui é nós mesmo” (linhas 38- 39), só NÃO se deve entender ou concluir que

    Escolha uma alternativa para a questão 6b551be8-b9
  • Linguagens

    Português

    Imagem da questão de Português, UECE 2014, Interpretação de Textos

    A crônica de João Ubaldo tem uma estrutura curiosa. Escreva V para o que for verdadeiro e F, para o que for falso sobre essa estrutura.


    ( ) O primeiro enunciado da crônica, que é também o primeiro da introdução (linha 49), expressa a ideia central do texto.

    ( ) A introdução é interrompida já na linha 49.

    ( ) Da linha 50 até a linha 58, quando retoma o enunciado introdutório, o enunciador faz uma digressão ou divagação, afastando-se do tema principal do texto.

    ( ) A introdução de pequenos fatos narrados levanos a entender que o texto, na realidade, não é uma crônica. Ele configura um novo tipo de texto que poderíamos denominar de gênero misto.

    ( ) A conclusão da crônica começa na linha 147, com o vocábulo “vestibular”. A partir dessa linha, poderíamos ter um novo parágrafo.


    Está correta, de cima para baixo, a seguinte sequência: 

    Escolha uma alternativa para a questão 6b59a827-b9
  • Linguagens

    Português

    Imagem da questão de Português, UECE 2014, Figuras de Linguagem

    No texto há um tom de ironia que se revela em muitos trechos. Abaixo, você verá alguns excertos. Assinale a opção que traz uma expressão NÃO IRÔNICA.

    Escolha uma alternativa para a questão 6b5fdbc8-b9
  • Linguagens

    Português

    TEXTO 1

                                  Queimada

    À fúria da rubra língua

    do fogo

    na queimada

    envolve e lambe

    o campinzal

    estiolado em focos

    enos

    sinal.

    É um correr desesperado

    de animais silvestres

    o que vai, ali, pelo mundo

    incendiado e fundo,

    talvez,


    como o canto da araponga

    nos vãos da brisa!


    Tambores na tempestade


    [...]

    E os tambores

      e os tambores

        e os tambores

    soando na tempestade,

    ao efêmero de sua eterna idade.


    [...]

              Onde?

    Eu vos contemplo

         à inércia do que me leva

         ao movimento


    de naufragar-me

         eternamente

    na secura de suas águas

       mais à frente!


    Ó tambores

       ruflai

    sacudi suas dores!


    Eu

    que não me sei

    não me venho

       por ser

    busco apenas ser somenos

    no viver,

    nada mais que isso!

    (VIEIRA, Delermando. Os tambores da tempestade. Goiânia: Poligráfica, 2010. p. 164, 544, 552.)

    Sobre a palavra “somenos”, presente nos versos finais do fragmento do poema “Tambores na tempestade”, segunda parte do Texto 1, assinale a alternativa correta:
    Escolha uma alternativa para a questão 6b6191bc-24
  • Linguagens

    Português

    Imagem da questão de Português, UECE 2014, Parênteses

    Atente ao trecho abaixo e ao que é dito sobre ele.


    “Já estou chegando, ou já cheguei, à altura da vida em que tudo de bom era no meu tempo; meu e dos outros coroas. Acho inadmissível e mesmo chocante (no sentido antigo) um coroa não ser reacionário. Somos uma força histórica de grande valor. Se não agíssemos com o vigor necessário — evidentemente o condizente com a nossa condição provecta —, tudo sairia fora de controle, mais do que já está.” (linhas 50-58)


    I. O trecho todo é um grande parêntese sem a marcação gráfica chamada parêntese.

    II. Os longos parênteses dificultam a compreensão dos textos. A leitura de textos com essa estrutura exige muita atenção.

    III. Uma possível omissão dos parênteses enfraqueceria o texto em termos argumentativos.


    Está correto o que se diz em

    Escolha uma alternativa para a questão 6b62e169-b9
  • Linguagens

    Português

    Imagem da questão de Português, UECE 2014, Interpretação de Textos

    Uma das marcas da escrita de João Ubaldo Ribeiro é a estrutura parentética. Assim denominamos um estilo que usa muitas intercalações. Essas intercalações vêm, geralmente, com a marcação gráfica (parênteses ou travessões). Dos exemplos a seguir, assinale aquele que, embora tenha uma marcação gráfica de parágrafo, NÃO é exemplo de estilo parentético. 

    Escolha uma alternativa para a questão 6b65faf9-b9
  • Linguagens

    Português

    Figura 1 de 2 da questão de Português, Universidade Federal de Juiz de Fora - MG 2017, Interpretação de Textos

    Figura 2 de 2 da questão de Português, Universidade Federal de Juiz de Fora - MG 2017, Interpretação de Textos

    De acordo com o texto, é correto afirmar que as gírias são
    Escolha uma alternativa para a questão 6b6f1a3f-b5
  • Linguagens

    Português

    Imagem da questão de Português, PUC - RS 2014, Interpretação de Textos

    WOOD JR, Thomaz. Analfabetismo funcional.
    (fragmento adaptado) In: http://www.cartacapital.com.br/
    revista/758/analfabetismo-funcional-6202.html,
    publicado em 24/7/2013.


    Quanto ao sentido das palavras do texto, é correto afirmar que
    Escolha uma alternativa para a questão 6b70b88e-03
  • Linguagens

    Português

    Figura 1 de 2 da questão de Português, Universidade Federal de Juiz de Fora - MG 2017, Interpretação de Textos

    Figura 2 de 2 da questão de Português, Universidade Federal de Juiz de Fora - MG 2017, Interpretação de Textos

    Releia a frase:

    Há também gírias características de uma geração, muitas vezes empregadas por adolescentes como uma forma de se distinguir dos mais jovens e dos mais velhos. Como observa o sociolinguista Anthony Julius Naro, gírias adquiridas nesse período continuam sendo empregadas ao longo da vida, como marca da juventude.


    Segundo Naro, é correto afirmar que a gíria:

    Escolha uma alternativa para a questão 6b741cfb-b5
  • Linguagens

    Português

    Figura 1 de 2 da questão de Português, Universidade Federal de Juiz de Fora - MG 2017, Interpretação de Textos

    Figura 2 de 2 da questão de Português, Universidade Federal de Juiz de Fora - MG 2017, Interpretação de Textos

    Considerando o que se apresenta nas figuras 1, 2 e 3, pode-se afirmar que as gírias:
    Escolha uma alternativa para a questão 6b780376-b5
  • Linguagens

    Português

    TEXTO 1

                                  Queimada

    À fúria da rubra língua

    do fogo

    na queimada

    envolve e lambe

    o campinzal

    estiolado em focos

    enos

    sinal.

    É um correr desesperado

    de animais silvestres

    o que vai, ali, pelo mundo

    incendiado e fundo,

    talvez,


    como o canto da araponga

    nos vãos da brisa!


    Tambores na tempestade


    [...]

    E os tambores

      e os tambores

        e os tambores

    soando na tempestade,

    ao efêmero de sua eterna idade.


    [...]

              Onde?

    Eu vos contemplo

         à inércia do que me leva

         ao movimento


    de naufragar-me

         eternamente

    na secura de suas águas

       mais à frente!


    Ó tambores

       ruflai

    sacudi suas dores!


    Eu

    que não me sei

    não me venho

       por ser

    busco apenas ser somenos

    no viver,

    nada mais que isso!

    (VIEIRA, Delermando. Os tambores da tempestade. Goiânia: Poligráfica, 2010. p. 164, 544, 552.)

    Sobre o poema “Queimada”, de Delermando Vieira, primeira parte do Texto 1, marque a alternativa correta quanto à sua linguagem e temática:
    Escolha uma alternativa para a questão 6b789008-24
  • Linguagens

    Português

    TEXTO 2

                                              VI

          Para entenderes bem o que é a morte e a vida, basta contar-te como morreu minha avó.

          — Como foi?

          — Senta-te.

          Rubião obedeceu, dando ao rosto o maior interesse possível, enquanto Quincas Borba continuava a andar.

          — Foi no Rio de Janeiro, começou ele, defronte da Capela Imperial, que era então Real, em dia de grande festa; minha avó saiu, atravessou o adro, para ir ter à cadeirinha, que a esperava no Largo do Paço. Gente como formiga. O povo queria ver entrar as grandes senhoras nas suas ricas traquitanas. No momento em que minha avó saía do adro para ir à cadeirinha, um pouco distante, aconteceu espantar-se uma das bestas de uma sege; a besta disparou, a outra imitou-a, confusão, tumulto, minha avó caiu, e tanto as mulas como a sege passaram-lhe por cima. Foi levada em braços para uma botica da Rua Direita, veio um sangrador, mas era tarde; tinha a cabeça rachada, uma perna e o ombro partidos, era toda sangue; expirou minutos depois.

          — Foi realmente uma desgraça, disse Rubião.

          — Não.

          — Não?

          — Ouve o resto. Aqui está como se tinha passado o caso. O dono da sege estava no adro, e tinha fome, muita fome, porque era tarde, e almoçara cedo e pouco. Dali pôde fazer sinal ao cocheiro; este fustigou as mulas para ir buscar o patrão. A sege no meio do caminho achou um obstáculo e derribou-o; esse obstáculo era minha avó. O primeiro ato dessa série de atos foi um movimento de conservação: Humanitas tinha fome. Se em vez de minha avó, fosse um rato ou um cão, é certo que minha avó não morreria, mas o fato era o mesmo; Humanitas precisa comer. Se em vez de um rato ou de um cão, fosse um poeta, Byron ou Gonçalves Dias diferia o caso no sentido de dar matéria a muitos necrológios; mas o fundo subsistia. O universo ainda não parou por lhe faltarem alguns poemas mortos em flor na cabeça de um varão ilustre ou obscuro; mas Humanitas (e isto importa, antes de tudo) Humanitas precisa comer.

          Rubião escutava, com a alma nos olhos, sinceramente desejoso de entender; mas não dava pela necessidade a que o amigo atribuía a morte da avó. Seguramente o dono da sege, por muito tarde que chegasse à casa, não morria de fome, ao passo que a boa senhora morreu de verdade, e para sempre. Explicou-lhe, como pôde, essas dúvidas, e acabou perguntando-lhe:

          — E que Humanitas é esse?

          — Humanitas é o princípio. Mas não, não digo nada, tu não és capaz de entender isto, meu caro Rubião; falemos de outra coisa.

          — Diga sempre.

          Quincas Borba, que não deixara de andar, parou alguns instantes.

          — Queres ser meu discípulo?

          — Quero.

          — Bem, irás entendendo aos poucos a minha filosofia; no dia em que a houveres penetrado inteiramente, ah! nesse dia terás o maior prazer da vida, porque não há vinho que embriague como a verdade. Crê-me, o Humanitismo é o remate das coisas; e eu, que o formulei, sou o maior homem do mundo. Olha, vês como o meu bom Quincas Borba está olhando para mim? Não é ele, é Humanitas...

          — Mas que Humanitas é esse?

          — Humanitas é o principio. Há nas coisas todas certa substância recôndita e idêntica, um princípio único, universal, eterno, comum, indivisível e indestrutível, — ou, para usar a linguagem do grande Camões:

          Uma verdade que nas coisas anda,

          Que mora no visíbil e invisíbil. 

          Pois essa sustância ou verdade, esse princípio indestrutível é que é Humanitas. Assim lhe chamo, porque resume o universo, e o universo é o homem. Vais entendendo?

          — Pouco; mas, ainda assim, como é que a morte de sua avó...

          — Não há morte. O encontro de duas expansões, ou a expansão de duas formas, pode determinar a supressão de uma delas; mas, rigorosamente, não há morte, há vida, porque a supressão de uma é a condição da sobrevivência da outra, e a destruição não atinge o princípio universal e comum. Daí o carácter conservador e benéfico da guerra. Supõe tu um campo de batatas e duas tribos famintas. As batatas apenas chegam para alimentar uma das tribos, que assim adquire forças para transpor a montanha e ir à outra vertente, onde há batatas em abundância; mas, se as duas tribos dividirem em paz as batatas do campo, não chegam a nutrir-se suficientemente e morrem de inanição. A paz, nesse caso, é a destruição; a guerra é a conservação. Uma das tribos extermina a outra e recolhe os despojos. Daí a alegria da vitória, os hinos, aclamações, recompensas públicas e todos os demais efeitos das ações bélicas. Se a guerra não fosse isso, tais demonstrações não chegariam a dar-se, pelo motivo real de que o homem só comemora e ama o que lhe é aprazível ou vantajoso, e pelo motivo racional de que nenhuma pessoa canoniza uma ação que virtualmente a destrói. Ao vencido, ódio ou compaixão; ao vencedor, as batatas.

          — Mas a opinião do exterminado?

          — Não há exterminado. Desaparece o fenômeno; a substância é a mesma. Nunca viste ferver água? Hás de lembrar-te que as bolhas fazem-se e desfazem-se de contínuo, e tudo fica na mesma água. Os indivíduos são essas bolhas transitórias.

          — Bem; a opinião da bolha...

          — Bolha não tem opinião. Aparentemente, há nada mais contristador que uma dessas terríveis pestes que devastam um ponto do globo? E, todavia, esse suposto mal é um benefício, não só porque elimina os organismos fracos, incapazes de resistência, como porque dá lugar à observação, à descoberta da droga curativa. A higiene é filha de podridões seculares; devemo-la a milhões de corrompidos e infectos. Nada se perde, tudo é ganho. Repito, as bolhas ficam na água. Vês este livro? É Dom Quixote. Se eu destruir o meu exemplar, não elimino a obra, que continua eterna nos exemplares subsistentes e nas edições posteriores. Eterna e bela, belamente eterna, como este mundo divino e supradivino.

    (ASSIS, Machado de. Quincas Borba. 18. ed. São Paulo: Ática, 2011. p. 26-28.)

    Sobre as funções da palavra “que”, no Texto 2, assinale a alternativa correta:
    Escolha uma alternativa para a questão 6b7cedc8-24
  • Linguagens

    Português

    Figura 1 de 2 da questão de Português, Universidade Federal de Juiz de Fora - MG 2017, Figuras de Linguagem

    Figura 2 de 2 da questão de Português, Universidade Federal de Juiz de Fora - MG 2017, Figuras de Linguagem

    O eufemismo é uma figura de linguagem em que se emprega um termo de sentido mais “leve” para falar de algo cujo significado é mais pejorativo. Qual das gírias abaixo foi formada a partir dessa estratégia?
    Escolha uma alternativa para a questão 6b7d2fe9-b5
  • Linguagens

    Português

    Figura 1 de 2 da questão de Português, Universidade Federal de Juiz de Fora - MG 2017, Análise sintática

    Figura 2 de 2 da questão de Português, Universidade Federal de Juiz de Fora - MG 2017, Análise sintática

    Releia:


    As gírias são neologismos empregados por grupos que têm em comum a profissão, a idade, a classe social ou a região, com o objetivo de criar uma identidade linguística, facilitando a comunicação entre os pares e excluindo os que não pertencem àquela comunidade.


    No trecho acima, os verbos facilitar e excluir estão: 

    Escolha uma alternativa para a questão 6b813c47-b5
  • Linguagens

    Português

    Leia o poema de Gregório de Matos para responder à questão.

    Discreta, e formosíssima Maria,
    Enquanto estamos vendo a qualquer hora
    Em tuas faces a rosada Aurora,
    Em teus olhos, e boca o Sol, e o dia:

    Enquanto com gentil descortesia
    O ar, que fresco Adônis te namora,
    Te espalha a rica trança voadora,
    Quando vem passear-te pela fria:

    Goza, goza da flor da mocidade,
    Que o tempo trota a toda ligeireza,
    E imprime em toda a flor sua pisada

    Oh não aguardes, que a madura idade
    Te converta em flor, essa beleza
    Em terra, em cinza, em pó, em sombra, em nada.

                                (www.itaucultural.org.br)

    De acordo com o texto, é correto afirmar que o eu lírico
    Escolha uma alternativa para a questão 6b8c3c23-ab
  • Linguagens

    Português

    Imagem da questão de Português, UNESP 2013, Interpretação de Textos Em seu depoimento no artigo, o músico Lucas Santtana sugere que o grande mercado talvez não passe da imposição de uma máfia. O termo máfia, nesse caso, foi empregado no sentido de:
    Escolha uma alternativa para a questão 6b956b9a-9f
  • Linguagens

    Português

    TEXTO 2

                                              VI

          Para entenderes bem o que é a morte e a vida, basta contar-te como morreu minha avó.

          — Como foi?

          — Senta-te.

          Rubião obedeceu, dando ao rosto o maior interesse possível, enquanto Quincas Borba continuava a andar.

          — Foi no Rio de Janeiro, começou ele, defronte da Capela Imperial, que era então Real, em dia de grande festa; minha avó saiu, atravessou o adro, para ir ter à cadeirinha, que a esperava no Largo do Paço. Gente como formiga. O povo queria ver entrar as grandes senhoras nas suas ricas traquitanas. No momento em que minha avó saía do adro para ir à cadeirinha, um pouco distante, aconteceu espantar-se uma das bestas de uma sege; a besta disparou, a outra imitou-a, confusão, tumulto, minha avó caiu, e tanto as mulas como a sege passaram-lhe por cima. Foi levada em braços para uma botica da Rua Direita, veio um sangrador, mas era tarde; tinha a cabeça rachada, uma perna e o ombro partidos, era toda sangue; expirou minutos depois.

          — Foi realmente uma desgraça, disse Rubião.

          — Não.

          — Não?

          — Ouve o resto. Aqui está como se tinha passado o caso. O dono da sege estava no adro, e tinha fome, muita fome, porque era tarde, e almoçara cedo e pouco. Dali pôde fazer sinal ao cocheiro; este fustigou as mulas para ir buscar o patrão. A sege no meio do caminho achou um obstáculo e derribou-o; esse obstáculo era minha avó. O primeiro ato dessa série de atos foi um movimento de conservação: Humanitas tinha fome. Se em vez de minha avó, fosse um rato ou um cão, é certo que minha avó não morreria, mas o fato era o mesmo; Humanitas precisa comer. Se em vez de um rato ou de um cão, fosse um poeta, Byron ou Gonçalves Dias diferia o caso no sentido de dar matéria a muitos necrológios; mas o fundo subsistia. O universo ainda não parou por lhe faltarem alguns poemas mortos em flor na cabeça de um varão ilustre ou obscuro; mas Humanitas (e isto importa, antes de tudo) Humanitas precisa comer.

          Rubião escutava, com a alma nos olhos, sinceramente desejoso de entender; mas não dava pela necessidade a que o amigo atribuía a morte da avó. Seguramente o dono da sege, por muito tarde que chegasse à casa, não morria de fome, ao passo que a boa senhora morreu de verdade, e para sempre. Explicou-lhe, como pôde, essas dúvidas, e acabou perguntando-lhe:

          — E que Humanitas é esse?

          — Humanitas é o princípio. Mas não, não digo nada, tu não és capaz de entender isto, meu caro Rubião; falemos de outra coisa.

          — Diga sempre.

          Quincas Borba, que não deixara de andar, parou alguns instantes.

          — Queres ser meu discípulo?

          — Quero.

          — Bem, irás entendendo aos poucos a minha filosofia; no dia em que a houveres penetrado inteiramente, ah! nesse dia terás o maior prazer da vida, porque não há vinho que embriague como a verdade. Crê-me, o Humanitismo é o remate das coisas; e eu, que o formulei, sou o maior homem do mundo. Olha, vês como o meu bom Quincas Borba está olhando para mim? Não é ele, é Humanitas...

          — Mas que Humanitas é esse?

          — Humanitas é o principio. Há nas coisas todas certa substância recôndita e idêntica, um princípio único, universal, eterno, comum, indivisível e indestrutível, — ou, para usar a linguagem do grande Camões:

          Uma verdade que nas coisas anda,

          Que mora no visíbil e invisíbil. 

          Pois essa sustância ou verdade, esse princípio indestrutível é que é Humanitas. Assim lhe chamo, porque resume o universo, e o universo é o homem. Vais entendendo?

          — Pouco; mas, ainda assim, como é que a morte de sua avó...

          — Não há morte. O encontro de duas expansões, ou a expansão de duas formas, pode determinar a supressão de uma delas; mas, rigorosamente, não há morte, há vida, porque a supressão de uma é a condição da sobrevivência da outra, e a destruição não atinge o princípio universal e comum. Daí o carácter conservador e benéfico da guerra. Supõe tu um campo de batatas e duas tribos famintas. As batatas apenas chegam para alimentar uma das tribos, que assim adquire forças para transpor a montanha e ir à outra vertente, onde há batatas em abundância; mas, se as duas tribos dividirem em paz as batatas do campo, não chegam a nutrir-se suficientemente e morrem de inanição. A paz, nesse caso, é a destruição; a guerra é a conservação. Uma das tribos extermina a outra e recolhe os despojos. Daí a alegria da vitória, os hinos, aclamações, recompensas públicas e todos os demais efeitos das ações bélicas. Se a guerra não fosse isso, tais demonstrações não chegariam a dar-se, pelo motivo real de que o homem só comemora e ama o que lhe é aprazível ou vantajoso, e pelo motivo racional de que nenhuma pessoa canoniza uma ação que virtualmente a destrói. Ao vencido, ódio ou compaixão; ao vencedor, as batatas.

          — Mas a opinião do exterminado?

          — Não há exterminado. Desaparece o fenômeno; a substância é a mesma. Nunca viste ferver água? Hás de lembrar-te que as bolhas fazem-se e desfazem-se de contínuo, e tudo fica na mesma água. Os indivíduos são essas bolhas transitórias.

          — Bem; a opinião da bolha...

          — Bolha não tem opinião. Aparentemente, há nada mais contristador que uma dessas terríveis pestes que devastam um ponto do globo? E, todavia, esse suposto mal é um benefício, não só porque elimina os organismos fracos, incapazes de resistência, como porque dá lugar à observação, à descoberta da droga curativa. A higiene é filha de podridões seculares; devemo-la a milhões de corrompidos e infectos. Nada se perde, tudo é ganho. Repito, as bolhas ficam na água. Vês este livro? É Dom Quixote. Se eu destruir o meu exemplar, não elimino a obra, que continua eterna nos exemplares subsistentes e nas edições posteriores. Eterna e bela, belamente eterna, como este mundo divino e supradivino.

    (ASSIS, Machado de. Quincas Borba. 18. ed. São Paulo: Ática, 2011. p. 26-28.)

    Com relação à narrativa Quincas Borba, de Machado de Assis, de que faz parte o Texto 2, muitos críticos já afirmaram e continuam afirmando tratar-se de um dos romances mais significativos das décadas finais do século XIX. Seu prestígio se estendeu por todo o século XX e o texto persiste como obra de grande importância até nossos dias.

    Dessa forma, podemos afirmar que o êxito alcançado por esse romance se deve principalmente ao fato de (analise os itens que se seguem):

    I-o romance apresentar uma linguagem madura, livre dos adereços verborrágicos do Romantismo, ao qual se contrapõe, e discutir com refinada ironia as questões fundamentais inerentes ao ser humano em sua existência terrena.

    II-o romance apresentar uma linguagem dotada de resquícios das idealizações românticas, e discutir, de forma direta, questões relativas ao ser humano em suas relações com os animais.

    III-A obra machadiana em debate alcançou tanta popularidade, principalmente devido a sua linguagem acessível, mas profunda, que chama a atenção do leitor, por abordar um tema de elevado cunho filosófico ao atribuir características humanas a um animal, o cachorro Quincas Borba.

    IV-A obra machadiana em debate alcançou tamanho êxito, principalmente devido a sua linguagem, em que cada detalhe deve ser levado em conta, porque guarda sentidos múltiplos que conduzem o leitor a reflexões profundas sobre si mesmo e sobre o mundo. Marque, abaixo, a alternativa correta:

    Escolha uma alternativa para a questão 6b9d4e4c-24