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Disciplina · Linguagens

Questões de Português do ENEM

Questões de Português, da área de Linguagens, com gabarito em cada página.

  • 10.965 questões
  • 95 assuntos

Resultados: 10.965 questões

Página 449 de 549

  • Linguagens

    Português

    Leia a narrativa “O protetor”, de Millôr Fernandes, para responder à questão.

            O homem vinha guiando o carro a 120 km/h quando o pneu furou. O carro deu três voltas sobre si mesmo, foi atirado pelos ares, bateu num galho de árvore e, quando ia se esborrachando no chão, alguém o segurou sem que ele pu desse ver quem. Ele ficou um pouco tonto e foi aí que ouviu a voz misteriosa que lhe disse: “Não se estás morto, não! Estás vivo! Eu continuo aqui para proteger-te. Sou teu anjo da guarda. Quando tiveste aquele ataque de coqueluche, aos seis meses de idade, eu estava lá para te salvar. Quando ficaste na frente do trem, aos seis anos, eu estava lá para te ajudar. Quando foste para a guerra na Itália, quando saltaste de paraquedas na Coreia, quando ias te afogando em Copa cabana, sempre fui eu quem te ajudou.”

            “Está bem, está bem, muito obrigado”, disse então o homem agradecido. “Mas onde diabos estava você quando eu me casei?”

    (Millôr Fernandes. Contos fabulosos, 2007.)
    “a voz misteriosa [...] lhe disse: [...] ‘Eu continuo aqui para proteger-te.’” (1° parágrafo) Ao ser transposto para o discurso indireto, o trecho assume a seguinte redação:
    Escolha uma alternativa para a questão d31ecfec-74
  • Linguagens

    Português

    Leia o texto para responder à questão:


    Uma porção significativa do Brasil é diretamente influenciada pelas variações do nível dos caudalosos rios que cortam a região que, cotidianamente, apresenta elevadas temperaturas e vive temporadas de seca e cheia dos rios que são influenciadas pelo regime das chuvas e derretimento de geleiras, entre outros fatores climáticos. Essas variações ditam mudanças no comportamento de espécies da flora e da fauna, na qualidade da água e nos modos de vida das populações humanas, contribuindo também em moldar os ecossistemas como os que conhecemos hoje.


    (https://fas-amazonia.org/bioma-e-ecossistemas-da-amazonia .Adaptado)


    O texto descreve a natureza
    Escolha uma alternativa para a questão d3270b77-11
  • Linguagens

    Português

    Leia o texto a seguir:


        A proclamação da Independência do Brasil, em 7 de setembro de 1822, não produziu efeitos imediatos em províncias como Bahia e Grão‑Pará. Ao contrário, a opressão dos militares portugueses aumentou e foi preciso abrir guerra para expulsá‑los do país.

        Portugal, contudo, não contava com a resistência baiana à qual se juntou a participação das mulheres. Sóror Joana Angélica, Maria Quitéria e Maria Felipa foram verdadeiras protagonistas nas lutas bélicas e diplomáticas transcorridas na nação emergente.

        Em 26 de julho de 2018, Maria Felipa foi declarada “Heroína da Pátria Brasileira” pela Lei Federal n° 13.697, juntamente com a Sóror Joana Angélica de Jesus, Maria Quitéria e também a imperatriz Maria Leopoldina.


    (https://ensinarhistoria.com.br/as-heroinas-baianas-da-independencia-do-brasil/ - Blog: Ensinar História - Joelza Ester Domingues. Acesso em 30.09.2025. Adaptado)


    O texto revela que
    Escolha uma alternativa para a questão d32e4962-11
  • Linguagens

    Português

    Leia o trecho inicial do conto “Evolução”, de Machado de Assis, para responder à questão


        Chamo-me Inácio; ele, Benedito. Não digo o resto dos nossos nomes por um sentimento de compostura, que toda a gente discreta apreciará. Inácio basta. Contentem-se com Benedito. Não é muito, mas é alguma coisa, e está com a filosofia de Julieta: “Que valem nomes, perguntava ela ao namorado. A rosa, como quer que se lhe chame, terá sempre o mesmo cheiro.” Vamos ao cheiro do Benedito.



        E desde logo assentemos que ele era o menos Romeu deste mundo. Tinha quarenta e cinco anos, quando o conheci; não declaro em que tempo, porque tudo neste conto há de ser misterioso e truncado. Quarenta e cinco anos, e muitos cabelos pretos; para os que o não eram, usava um processo químico, tão eficaz que não se lhe distinguiam os pretos dos outros — salvo ao levantar da cama; mas ao levantar da cama não aparecia a ninguém. Tudo mais era natural, pernas, braços, cabeça, olhos, roupa, sapatos, corrente do relógio e bengala. O próprio alfinete de diamante, que trazia na gravata, um dos mais lindos que tenho visto, era natural e legítimo; custou-lhe bom dinheiro; eu mesmo o vi comprar na casa do... lá me ia escapando o nome do joalheiro; — fiquemos na rua do Ouvidor.



        Moralmente, era ele mesmo. Ninguém muda de caráter, e o do Benedito era bom, — ou para melhor dizer, pacato. Mas, intelectualmente, é que ele era menos original. Podemos compará-lo a uma hospedaria bem afreguesada, aonde iam ter ideias de toda parte e de toda sorte, que se sentavam à mesa com a família da casa. Às vezes, acontecia acharem--se ali duas pessoas inimigas, ou simplesmente antipáticas; ninguém brigava, o dono da casa impunha aos hóspedes a indulgência recíproca. Era assim que ele conseguia ajustar uma espécie de ateísmo vago com duas irmandades que fundou, não sei se na Gávea, na Tijuca ou no Engenho Velho. Usava assim, promiscuamente, a devoção, a irreligião e as meias de seda. Nunca lhe vi as meias, note-se; mas ele não tinha segredos para os amigos.


    (Machado de Assis. Contos: uma antologia, 1998.)


    Está empregado em sentido figurado o termo sublinhado em:
    Escolha uma alternativa para a questão d332edac-75
  • Linguagens

    Português

    O conto “Famigerado”, presente no livro Primeiras estórias, de Guimarães Rosa, aborda um tema comum ao processo de modernização do sertão brasileiro, pois retrata
    Escolha uma alternativa para a questão d33c4a8f-6f
  • Linguagens

    Português

    Imagem da questão de Português, CEDERJ 2017, Gêneros Textuais

    “A viuvinha” é uma das mais conhecidas obras do Romantismo Brasileiro.


    A estrutura do fragmento em tela, é de um texto

    Escolha uma alternativa para a questão d3421866-b4
  • Linguagens

    Português

    Leia o trecho inicial do conto “Evolução”, de Machado de Assis, para responder à questão


        Chamo-me Inácio; ele, Benedito. Não digo o resto dos nossos nomes por um sentimento de compostura, que toda a gente discreta apreciará. Inácio basta. Contentem-se com Benedito. Não é muito, mas é alguma coisa, e está com a filosofia de Julieta: “Que valem nomes, perguntava ela ao namorado. A rosa, como quer que se lhe chame, terá sempre o mesmo cheiro.” Vamos ao cheiro do Benedito.



        E desde logo assentemos que ele era o menos Romeu deste mundo. Tinha quarenta e cinco anos, quando o conheci; não declaro em que tempo, porque tudo neste conto há de ser misterioso e truncado. Quarenta e cinco anos, e muitos cabelos pretos; para os que o não eram, usava um processo químico, tão eficaz que não se lhe distinguiam os pretos dos outros — salvo ao levantar da cama; mas ao levantar da cama não aparecia a ninguém. Tudo mais era natural, pernas, braços, cabeça, olhos, roupa, sapatos, corrente do relógio e bengala. O próprio alfinete de diamante, que trazia na gravata, um dos mais lindos que tenho visto, era natural e legítimo; custou-lhe bom dinheiro; eu mesmo o vi comprar na casa do... lá me ia escapando o nome do joalheiro; — fiquemos na rua do Ouvidor.



        Moralmente, era ele mesmo. Ninguém muda de caráter, e o do Benedito era bom, — ou para melhor dizer, pacato. Mas, intelectualmente, é que ele era menos original. Podemos compará-lo a uma hospedaria bem afreguesada, aonde iam ter ideias de toda parte e de toda sorte, que se sentavam à mesa com a família da casa. Às vezes, acontecia acharem--se ali duas pessoas inimigas, ou simplesmente antipáticas; ninguém brigava, o dono da casa impunha aos hóspedes a indulgência recíproca. Era assim que ele conseguia ajustar uma espécie de ateísmo vago com duas irmandades que fundou, não sei se na Gávea, na Tijuca ou no Engenho Velho. Usava assim, promiscuamente, a devoção, a irreligião e as meias de seda. Nunca lhe vi as meias, note-se; mas ele não tinha segredos para os amigos.


    (Machado de Assis. Contos: uma antologia, 1998.)


    O leitor é figura fundamental na prosa de Machado de Assis. Observa-se a inclusão do leitor na narrativa no seguinte trecho:
    Escolha uma alternativa para a questão d3430ab7-75
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    Português

    Imagem da questão de Português, CEDERJ 2017, Coesão e coerência

    “Começou a contemplar aquela menina como se fosse uma santa; e, quando ela se levantou para retirar-se com sua mãe, seguiu-a insensivelmente até a casa que lhe descrevi porque esta moça era a mesma de que lhe falei, e sua mãe D. Maria.”


    O termo “menina” é retomado no trecho por vários outros. O único que estabelece o processo de coesão lexical é

    Escolha uma alternativa para a questão d34a307f-b4
  • Linguagens

    Português

    Imagem da questão de Português, CEDERJ 2017, Figuras de Linguagem

    “Escuso contar o que se passou depois. Quem não sabe a história simples e eterna de um amor inocente, que começa por um olhar, passa ao sorriso, chega ao aperto de mão às escondidas e acaba afinal por um beijo e por um sim, palavras sinônimas no dicionário do coração? ” (linhas 17-22)


    O trecho sublinhado exemplifica a figura de linguagem:

    Escolha uma alternativa para a questão d34e1077-b4
  • Linguagens

    Português

    Imagem da questão de Português, CEDERJ 2017, Interpretação de Textos

    “Escuso contar o que se passou depois. Quem não sabe a história simples e eterna de um amor inocente, que começa por um olhar, passa ao sorriso, chega ao aperto de mão às escondidas e acaba afinal por um beijo e por um sim, palavras sinônimas no dicionário do coração? ” (linhas 17-22)


    De acordo com os costumes da época em que o romance foi escrito, “beijo” e “sim” serem “palavras sinônimas do dicionário do coração” significa que:

    Escolha uma alternativa para a questão d3517b49-b4
  • Linguagens

    Português

    Se o movimento de maio de 1968 não foi a origem de uma revolução, isso não ocorreu apenas porque era essencialmente um movimento de estudantes; foi, acima de tudo, porque a democracia é esse regime no qual o conflito, por mais intenso que seja, geralmente encontra lugar.

    (Claude Lefort. “Relecture”. In: Edgar Morin et al. Mai 68: la brèche, suivi de Vingt ans après, 1988. Adaptado.)

    Ao avaliar o impacto do movimento estudantil francês de maio de 1968, o excerto
    Escolha uma alternativa para a questão d3522d56-74
  • Linguagens

    Português

    Imagem da questão de Português, CEDERJ 2017, Adjetivos

    “Creio que se algum dia metesse a estudar as altas questões sociais que preocupam os grandes políticos, havia de cogitar alguma coisa sobre essa força invencível do mais nobre dos sentimentos humanos.” (...)


    A posição do adjetivo anteposto ao substantivo nos sintagmas nominais sublinhados revela:

    Escolha uma alternativa para a questão d3550ac0-b4
  • Linguagens

    Português

    Leia o trecho inicial do conto “Evolução”, de Machado de Assis, para responder à questão


        Chamo-me Inácio; ele, Benedito. Não digo o resto dos nossos nomes por um sentimento de compostura, que toda a gente discreta apreciará. Inácio basta. Contentem-se com Benedito. Não é muito, mas é alguma coisa, e está com a filosofia de Julieta: “Que valem nomes, perguntava ela ao namorado. A rosa, como quer que se lhe chame, terá sempre o mesmo cheiro.” Vamos ao cheiro do Benedito.



        E desde logo assentemos que ele era o menos Romeu deste mundo. Tinha quarenta e cinco anos, quando o conheci; não declaro em que tempo, porque tudo neste conto há de ser misterioso e truncado. Quarenta e cinco anos, e muitos cabelos pretos; para os que o não eram, usava um processo químico, tão eficaz que não se lhe distinguiam os pretos dos outros — salvo ao levantar da cama; mas ao levantar da cama não aparecia a ninguém. Tudo mais era natural, pernas, braços, cabeça, olhos, roupa, sapatos, corrente do relógio e bengala. O próprio alfinete de diamante, que trazia na gravata, um dos mais lindos que tenho visto, era natural e legítimo; custou-lhe bom dinheiro; eu mesmo o vi comprar na casa do... lá me ia escapando o nome do joalheiro; — fiquemos na rua do Ouvidor.



        Moralmente, era ele mesmo. Ninguém muda de caráter, e o do Benedito era bom, — ou para melhor dizer, pacato. Mas, intelectualmente, é que ele era menos original. Podemos compará-lo a uma hospedaria bem afreguesada, aonde iam ter ideias de toda parte e de toda sorte, que se sentavam à mesa com a família da casa. Às vezes, acontecia acharem--se ali duas pessoas inimigas, ou simplesmente antipáticas; ninguém brigava, o dono da casa impunha aos hóspedes a indulgência recíproca. Era assim que ele conseguia ajustar uma espécie de ateísmo vago com duas irmandades que fundou, não sei se na Gávea, na Tijuca ou no Engenho Velho. Usava assim, promiscuamente, a devoção, a irreligião e as meias de seda. Nunca lhe vi as meias, note-se; mas ele não tinha segredos para os amigos.


    (Machado de Assis. Contos: uma antologia, 1998.)


    O pronome sublinhado no segundo parágrafo do texto refere--se a
    Escolha uma alternativa para a questão d3574db0-75
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    Português

    Imagem da questão de Português, CEDERJ 2017, Morfologia

    Recentemente, a mídia brasileira usou a expressão “bela, recatada e ‘do lar’” para descrever a primeira-dama, Marcela Temer. Essa expressão é formada por sintagmas:
    Escolha uma alternativa para a questão d3587a7a-b4
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    Português

    Figura 1 de 2 da questão de Português, CEDERJ 2017, Interpretação de Textos

    A expressão “bela, recatada e ‘do lar’” foi reutilizada em inúmeros textos na Internet, como no exemplo seguinte, no qual é associada à imagem da jogadora Marta, da seleção brasileira de futebol:


    Figura 2 de 2 da questão de Português, CEDERJ 2017, Interpretação de Textos


    Nesse caso, o sentido da expressão

    Escolha uma alternativa para a questão d35bfd94-b4
  • Linguagens

    Português

    Leia o trecho inicial do conto “Evolução”, de Machado de Assis, para responder à questão


        Chamo-me Inácio; ele, Benedito. Não digo o resto dos nossos nomes por um sentimento de compostura, que toda a gente discreta apreciará. Inácio basta. Contentem-se com Benedito. Não é muito, mas é alguma coisa, e está com a filosofia de Julieta: “Que valem nomes, perguntava ela ao namorado. A rosa, como quer que se lhe chame, terá sempre o mesmo cheiro.” Vamos ao cheiro do Benedito.



        E desde logo assentemos que ele era o menos Romeu deste mundo. Tinha quarenta e cinco anos, quando o conheci; não declaro em que tempo, porque tudo neste conto há de ser misterioso e truncado. Quarenta e cinco anos, e muitos cabelos pretos; para os que o não eram, usava um processo químico, tão eficaz que não se lhe distinguiam os pretos dos outros — salvo ao levantar da cama; mas ao levantar da cama não aparecia a ninguém. Tudo mais era natural, pernas, braços, cabeça, olhos, roupa, sapatos, corrente do relógio e bengala. O próprio alfinete de diamante, que trazia na gravata, um dos mais lindos que tenho visto, era natural e legítimo; custou-lhe bom dinheiro; eu mesmo o vi comprar na casa do... lá me ia escapando o nome do joalheiro; — fiquemos na rua do Ouvidor.



        Moralmente, era ele mesmo. Ninguém muda de caráter, e o do Benedito era bom, — ou para melhor dizer, pacato. Mas, intelectualmente, é que ele era menos original. Podemos compará-lo a uma hospedaria bem afreguesada, aonde iam ter ideias de toda parte e de toda sorte, que se sentavam à mesa com a família da casa. Às vezes, acontecia acharem--se ali duas pessoas inimigas, ou simplesmente antipáticas; ninguém brigava, o dono da casa impunha aos hóspedes a indulgência recíproca. Era assim que ele conseguia ajustar uma espécie de ateísmo vago com duas irmandades que fundou, não sei se na Gávea, na Tijuca ou no Engenho Velho. Usava assim, promiscuamente, a devoção, a irreligião e as meias de seda. Nunca lhe vi as meias, note-se; mas ele não tinha segredos para os amigos.


    (Machado de Assis. Contos: uma antologia, 1998.)


    Em “ao levantar da cama não aparecia a ninguém” (2o parágrafo), a oração sublinhada expressa ideia de
    Escolha uma alternativa para a questão d366c1df-75
  • Linguagens

    Português

    Leia o trecho inicial do conto “Evolução”, de Machado de Assis, para responder à questão


        Chamo-me Inácio; ele, Benedito. Não digo o resto dos nossos nomes por um sentimento de compostura, que toda a gente discreta apreciará. Inácio basta. Contentem-se com Benedito. Não é muito, mas é alguma coisa, e está com a filosofia de Julieta: “Que valem nomes, perguntava ela ao namorado. A rosa, como quer que se lhe chame, terá sempre o mesmo cheiro.” Vamos ao cheiro do Benedito.



        E desde logo assentemos que ele era o menos Romeu deste mundo. Tinha quarenta e cinco anos, quando o conheci; não declaro em que tempo, porque tudo neste conto há de ser misterioso e truncado. Quarenta e cinco anos, e muitos cabelos pretos; para os que o não eram, usava um processo químico, tão eficaz que não se lhe distinguiam os pretos dos outros — salvo ao levantar da cama; mas ao levantar da cama não aparecia a ninguém. Tudo mais era natural, pernas, braços, cabeça, olhos, roupa, sapatos, corrente do relógio e bengala. O próprio alfinete de diamante, que trazia na gravata, um dos mais lindos que tenho visto, era natural e legítimo; custou-lhe bom dinheiro; eu mesmo o vi comprar na casa do... lá me ia escapando o nome do joalheiro; — fiquemos na rua do Ouvidor.



        Moralmente, era ele mesmo. Ninguém muda de caráter, e o do Benedito era bom, — ou para melhor dizer, pacato. Mas, intelectualmente, é que ele era menos original. Podemos compará-lo a uma hospedaria bem afreguesada, aonde iam ter ideias de toda parte e de toda sorte, que se sentavam à mesa com a família da casa. Às vezes, acontecia acharem--se ali duas pessoas inimigas, ou simplesmente antipáticas; ninguém brigava, o dono da casa impunha aos hóspedes a indulgência recíproca. Era assim que ele conseguia ajustar uma espécie de ateísmo vago com duas irmandades que fundou, não sei se na Gávea, na Tijuca ou no Engenho Velho. Usava assim, promiscuamente, a devoção, a irreligião e as meias de seda. Nunca lhe vi as meias, note-se; mas ele não tinha segredos para os amigos.


    (Machado de Assis. Contos: uma antologia, 1998.)


    A vírgula marca uma pausa de pequena duração e é empregada, entre outras possibilidades, para indicar a supressão de uma palavra. Verifica-se o emprego de vírgula para assinalar a supressão de um verbo em:
    Escolha uma alternativa para a questão d370b182-75
  • Linguagens

    Português

    Leia o trecho inicial do conto “Evolução”, de Machado de Assis, para responder à questão


        Chamo-me Inácio; ele, Benedito. Não digo o resto dos nossos nomes por um sentimento de compostura, que toda a gente discreta apreciará. Inácio basta. Contentem-se com Benedito. Não é muito, mas é alguma coisa, e está com a filosofia de Julieta: “Que valem nomes, perguntava ela ao namorado. A rosa, como quer que se lhe chame, terá sempre o mesmo cheiro.” Vamos ao cheiro do Benedito.



        E desde logo assentemos que ele era o menos Romeu deste mundo. Tinha quarenta e cinco anos, quando o conheci; não declaro em que tempo, porque tudo neste conto há de ser misterioso e truncado. Quarenta e cinco anos, e muitos cabelos pretos; para os que o não eram, usava um processo químico, tão eficaz que não se lhe distinguiam os pretos dos outros — salvo ao levantar da cama; mas ao levantar da cama não aparecia a ninguém. Tudo mais era natural, pernas, braços, cabeça, olhos, roupa, sapatos, corrente do relógio e bengala. O próprio alfinete de diamante, que trazia na gravata, um dos mais lindos que tenho visto, era natural e legítimo; custou-lhe bom dinheiro; eu mesmo o vi comprar na casa do... lá me ia escapando o nome do joalheiro; — fiquemos na rua do Ouvidor.



        Moralmente, era ele mesmo. Ninguém muda de caráter, e o do Benedito era bom, — ou para melhor dizer, pacato. Mas, intelectualmente, é que ele era menos original. Podemos compará-lo a uma hospedaria bem afreguesada, aonde iam ter ideias de toda parte e de toda sorte, que se sentavam à mesa com a família da casa. Às vezes, acontecia acharem--se ali duas pessoas inimigas, ou simplesmente antipáticas; ninguém brigava, o dono da casa impunha aos hóspedes a indulgência recíproca. Era assim que ele conseguia ajustar uma espécie de ateísmo vago com duas irmandades que fundou, não sei se na Gávea, na Tijuca ou no Engenho Velho. Usava assim, promiscuamente, a devoção, a irreligião e as meias de seda. Nunca lhe vi as meias, note-se; mas ele não tinha segredos para os amigos.


    (Machado de Assis. Contos: uma antologia, 1998.)


    Prefixação é o processo de formação de uma nova palavra a partir do acréscimo de um prefixo a uma palavra já existente. Verifica-se o emprego de palavra formada com prefixo que exprime ideia de negação no seguinte trecho:
    Escolha uma alternativa para a questão d37f6721-75
  • Linguagens

    Português

    Instrução: Leia o texto para responder às questões.

           Um sarau é o bocado mais delicioso que temos, de telhado
    abaixo. Em um sarau todo o mundo tem que fazer. O
    diplomata ajusta, com um copo de champagne na mão, os
    mais intrincados negócios; todos murmuram, e não há quem
    deixe de ser murmurado. O velho lembra-se dos minuetes e
    das cantigas do seu tempo, e o moço goza todos os regalos da
    sua época; as moças são no sarau como as estrelas no céu;
    estão no seu elemento: aqui uma, cantando suave cavatina,
    eleva-se vaidosa nas asas dos aplausos, por entre os quais
    surde, às vezes, um bravíssimo inopinado, que solta de lá
    da sala do jogo o parceiro que acaba de ganhar sua partida
    no écarté, mesmo na ocasião em que a moça se espicha
    completamente, desafinando um sustenido; daí a pouco vão
    outras, pelos braços de seus pares, se deslizando pela sala e
    marchando em seu passeio, mais a compasso que qualquer
    de nossos batalhões da Guarda Nacional, ao mesmo tempo
    que conversam sempre sobre objetos inocentes que movem
    olhaduras e risadinhas apreciáveis. Outras criticam de uma
    gorducha vovó, que ensaca nos bolsos meia bandeja de doces
    que veio para o chá, e que ela leva aos pequenos que, diz,
    lhe ficaram em casa. Ali vê-se um ataviado dandy que dirige
    mil finezas a uma senhora idosa, tendo os olhos pregados
    na sinhá, que senta-se ao lado. Finalmente, no sarau não é
    essencial ter cabeça nem boca, porque, para alguns é regra,
    durante ele, pensar pelos pés e falar pelos olhos.
            E o mais é que nós estamos num sarau. Inúmeros batéis
    conduziram da corte para a ilha de... senhoras e senhores,
    recomendáveis por caráter e qualidades; alegre, numerosa e
    escolhida sociedade enche a grande casa, que brilha e mostra
    em toda a parte borbulhar o prazer e o bom gosto.
            Entre todas essas elegantes e agradáveis moças, que
    com aturado empenho se esforçam para ver qual delas vence
    em graças, encantos e donaires, certo sobrepuja a travessa
    Moreninha, princesa daquela festa.
    (Joaquim Manuel de Macedo. A Moreninha, 1997.)

    Considerando os papéis desempenhados pelas personagens no texto, é correto afirmar que

    Escolha uma alternativa para a questão d386cfe1-fe
  • Linguagens

    Português


    Um exemplo de metalinguagem, que é o uso de uma linguagem para descrever a si mesma, encontra-se em:
    Escolha uma alternativa para a questão d392312a-9c