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Disciplina · Linguagens

Questões de Português do ENEM

Questões de Português, da área de Linguagens, com gabarito em cada página.

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Resultados: 10.965 questões

Página 373 de 549

  • Linguagens

    Português

    Instrução: A questão toma por base uma passagem do romance O sertanejo, do romântico brasileiro José de Alencar (1829-1877).

                                                          O sertanejo

          O moço sertanejo bateu o isqueiro e acendeu fogo num toro carcomido, que lhe serviu de braseiro para aquentar o ferro; e enquanto esperava, dirigiu-se ao boi nestes termos e com um modo afável:

          – Fique descansado, camarada, que não o envergonharei levando-o à ponta de laço para mostrá-lo a toda aquela gente! Não; ninguém há de rir-se de sua desgraça. Você é um boi valente e destemido; vou dar-lhe a liberdade. Quero que viva muitos anos, senhor de si, zombando de todos os vaqueiros do mundo, para um dia, quando morrer de velhice, contar que só temeu a um homem, e esse foi Arnaldo Louredo.

          O sertanejo parou para observar o boi, como se esperasse mostra de o ter ele entendido, e continuou:

          – Mas o ferro da sua senhora, que também é a minha, tenha paciência, meu Dourado, esse há de levar; que é o sinal de o ter rendido o meu braço. Ser dela, não é ser escravo; mas servir a Deus, que a fez um anjo. Eu também trago o seu ferro aqui, no meu peito. Olhe, meu Dourado. O mancebo abriu a camisa, e mostrou ao boi o emblema que ele havia picado na pele, sobre o seio esquerdo, por meio do processo bem conhecido da inoculação de uma matéria colorante na epiderme. O debuxo de Arnaldo fora estresido com o suco do coipuna, que dá uma bela tinta escarlate, com que os índios outrora e atualmente os sertanejos tingem suas redes de algodão.

          Depois de ter assim falado ao animal, como a um homem que o entendesse, o sertanejo tomou o cabo de ferro, que já estava em brasa, e marcou o Dourado sobre a pá esquerda.

          – Agora, camarada, pertence a D. Flor, e portanto quem o ofender tem de haver-se comigo, Arnaldo Louredo. Tem entendido?... Pode voltar aos seus pastos; quando eu quiser, sei onde achá-lo. Já lhe conheço o rasto.

          O Dourado dirigiu-se com o passo moroso para o mato; chegado à beira, voltou a cabeça para olhar o sertanejo, soltou um mugido saudoso e desapareceu.

          Arnaldo acreditou que o boi tinha-lhe dito um afetuoso adeus.

          E o narrador deste conto sertanejo não se anima a afirmar que ele se iludisse em sua ingênua superstição.

                                                                                               (José de Alencar. O sertanejo. Rio de Janeiro:

                                                                                      Livraria Garnier, [s.d.]. tomo II, p. 79-80. Adaptado.)

    Tomando por base que estresido é particípio do verbo estresir, que significa no texto a passagem da marca da senhora para o peito do vaqueiro por meio de papel, tinta e um instrumento furador, complete a lacuna da seguinte frase com a forma adequada do pretérito perfeito do indicativo do verbo estresir:

    A bordadeira___________ o desenho sobre o pano.

    Escolha uma alternativa para a questão 3bf4eb2f-8d
  • Linguagens

    Português

    Instrução: A questão toma por base uma passagem do romance O sertanejo, do romântico brasileiro José de Alencar (1829-1877).

                                                          O sertanejo

          O moço sertanejo bateu o isqueiro e acendeu fogo num toro carcomido, que lhe serviu de braseiro para aquentar o ferro; e enquanto esperava, dirigiu-se ao boi nestes termos e com um modo afável:

          – Fique descansado, camarada, que não o envergonharei levando-o à ponta de laço para mostrá-lo a toda aquela gente! Não; ninguém há de rir-se de sua desgraça. Você é um boi valente e destemido; vou dar-lhe a liberdade. Quero que viva muitos anos, senhor de si, zombando de todos os vaqueiros do mundo, para um dia, quando morrer de velhice, contar que só temeu a um homem, e esse foi Arnaldo Louredo.

          O sertanejo parou para observar o boi, como se esperasse mostra de o ter ele entendido, e continuou:

          – Mas o ferro da sua senhora, que também é a minha, tenha paciência, meu Dourado, esse há de levar; que é o sinal de o ter rendido o meu braço. Ser dela, não é ser escravo; mas servir a Deus, que a fez um anjo. Eu também trago o seu ferro aqui, no meu peito. Olhe, meu Dourado. O mancebo abriu a camisa, e mostrou ao boi o emblema que ele havia picado na pele, sobre o seio esquerdo, por meio do processo bem conhecido da inoculação de uma matéria colorante na epiderme. O debuxo de Arnaldo fora estresido com o suco do coipuna, que dá uma bela tinta escarlate, com que os índios outrora e atualmente os sertanejos tingem suas redes de algodão.

          Depois de ter assim falado ao animal, como a um homem que o entendesse, o sertanejo tomou o cabo de ferro, que já estava em brasa, e marcou o Dourado sobre a pá esquerda.

          – Agora, camarada, pertence a D. Flor, e portanto quem o ofender tem de haver-se comigo, Arnaldo Louredo. Tem entendido?... Pode voltar aos seus pastos; quando eu quiser, sei onde achá-lo. Já lhe conheço o rasto.

          O Dourado dirigiu-se com o passo moroso para o mato; chegado à beira, voltou a cabeça para olhar o sertanejo, soltou um mugido saudoso e desapareceu.

          Arnaldo acreditou que o boi tinha-lhe dito um afetuoso adeus.

          E o narrador deste conto sertanejo não se anima a afirmar que ele se iludisse em sua ingênua superstição.

                                                                                               (José de Alencar. O sertanejo. Rio de Janeiro:

                                                                                      Livraria Garnier, [s.d.]. tomo II, p. 79-80. Adaptado.)

    Considere as seguintes palavras do texto:

    I. Moço.

    II. Mancebo.

    III. Sertanejo.

    IV. Valente.

    As palavras utilizadas pelo narrador para referir-se a Arnaldo Louredo estão contidas apenas em:

    Escolha uma alternativa para a questão 3be1b514-8d
  • Linguagens

    Português

    Instrução: A questão toma por base uma passagem da Proposta Curricular do Estado de São Paulo (2008).

                                   Prioridade para a competência da leitura e da escrita

          A humanidade criou a palavra, que é constitutiva do humano, seu traço distintivo. O ser humano constitui-se assim um ser de linguagem e disso decorre todo o restante, tudo o que transformou a humanidade naquilo que é. Ao associar palavras e sinais, criando a escrita, o homem construiu um instrumental que ampliou exponencialmente sua capacidade de comunicar-se, incluindo pessoas que estão longe no tempo e no espaço.

          Representar, comunicar e expressar são atividades de construção de significado relacionadas a vivências que se incorporam ao repertório de saberes de cada indivíduo. Os sentidos são construídos na relação entre a linguagem e o universo natural e cultural em que nos situamos. E é na adolescência, como vimos, que a linguagem adquire essa qualidade de instrumento para compreender e agir sobre o mundo real.

          A ampliação das capacidades de representação, comunicação e expressão está articulada ao domínio não apenas da língua mas de todas as outras linguagens e, principalmente, ao repertório cultural de cada indivíduo e de seu grupo social, que a elas dá sentido. A escola é o espaço em que ocorre a transmissão, entre as gerações, do ativo cultural da humanidade, seja artístico e literário, histórico e social, seja científico e tecnológico. Em cada uma dessas áreas, as linguagens são essenciais.

          As linguagens são sistemas simbólicos, com os quais recortamos e representamos o que está em nosso exterior, em nosso interior e na relação entre esses âmbitos; é com eles também que nos comunicamos com os nossos iguais e expressamos nossa articulação com o mundo.

          Em nossa sociedade, as linguagens e os códigos se multiplicam: os meios de comunicação estão repletos de gráficos, esquemas, diagramas, infográficos, fotografias e desenhos. O design diferencia produtos equivalentes quanto ao desempenho ou à qualidade. A publicidade circunda nossas vidas, exigindo permanentes tomadas de decisão e fazendo uso de linguagens sedutoras e até enigmáticas. Códigos sonoros e visuais estabelecem a comunicação nos diferentes espaços. As ciências construíram suas próprias linguagens, plenas de símbolos e códigos. A produção de bens e serviços foi em grande parte automatizada e cabe a nós programar as máquinas, utilizando linguagens específicas. As manifestações artísticas e de entretenimento utilizam, cada vez mais, diversas linguagens que se articulam.

          Para acompanhar tal contexto, a competência de leitura e de escrita vai além da linguagem verbal, vernácula – ainda que esta tenha papel fundamental – e refere-se a sistemas simbólicos como os citados, pois essas múltiplas linguagens estão presentes no mundo contemporâneo, na vida cultural e política, bem como nas designações e nos conceitos científicos e tecnológicos usados atualmente.

                                                    (Proposta Curricular do Estado de São Paulo: Língua Portuguesa / Coord.

                                                                              Maria Inês Fini. São Paulo: SEE, 2008. p. 16. Adaptado.)

    Segundo o que é afirmado no primeiro parágrafo do texto, a criação da escrita
    Escolha uma alternativa para a questão 3bbbdf5b-8d
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    Português

    TEXTO II

                      A noite dissolve os homens

    A noite
    desceu. Que noite!
    Já não enxergo meus irmãos.
    E nem tão pouco os rumores que outrora me perturbavam.

    A noite desceu. Nas casas, nas ruas onde se combate,
    nos campos desfalecidos, a noite espalhou o medo e a total
    incompreensão.
    A noite caiu. Tremenda, sem esperança...
    Os suspiros acusam a presença negra que paralisa os
    guerreiros.

    E o amor não abre caminho na noite.
    A noite é mortal, completa, sem reticências,
    a noite dissolve os homens, diz que é inútil sofrer,
    a noite dissolve as pátrias, apagou os almirantes cintilantes!
    nas suas fardas.

    A noite anoiteceu tudo... O mundo não tem remédio...
    Os suicidas tinham razão.

    Aurora, entretanto eu te diviso,
    ainda tímida, inexperiente das luzes que vais ascender
    e dos bens que repartirás com todos os homens.

    Sob o úmido véu de raivas, queixas e humilhações,
    adivinho-te que sobes,
    vapor róseo, expulsando a treva noturna.

    O triste mundo fascista se decompõe ao contato de teus
    dedos,
    teus dedos frios, que ainda se não modelaram mas que
    avançam
    na escuridão
    como um sinal verde e peremptório.

    Minha fadiga encontrará em ti o seu termo,
    minha carne estremece na certeza de tua vinda.

    O suor é um óleo suave, as mãos dos sobreviventes
    se enlaçam,
    os corpos hirtos adquirem uma fluidez, uma inocência, um
    perdão
    simples e macio...

    Havemos de amanhecer.
    O mundo se tinge com as tintas da antemanhã
    e o sangue que escorre é doce, de tão necessário
    para colorir tuas pálidas faces, aurora.

    (ANDRADE, Carlos Drummond de. Obra completa. Vol. único. Rio de Janeiro: Aguillar, 1964, p.112)


    Considerando-se o processo de formação de palavras, é correto afirmar que em
    Escolha uma alternativa para a questão 312e28b5-cf
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    Português

    TEXTO II

                      A noite dissolve os homens

    A noite
    desceu. Que noite!
    Já não enxergo meus irmãos.
    E nem tão pouco os rumores que outrora me perturbavam.

    A noite desceu. Nas casas, nas ruas onde se combate,
    nos campos desfalecidos, a noite espalhou o medo e a total
    incompreensão.
    A noite caiu. Tremenda, sem esperança...
    Os suspiros acusam a presença negra que paralisa os
    guerreiros.

    E o amor não abre caminho na noite.
    A noite é mortal, completa, sem reticências,
    a noite dissolve os homens, diz que é inútil sofrer,
    a noite dissolve as pátrias, apagou os almirantes cintilantes!
    nas suas fardas.

    A noite anoiteceu tudo... O mundo não tem remédio...
    Os suicidas tinham razão.

    Aurora, entretanto eu te diviso,
    ainda tímida, inexperiente das luzes que vais ascender
    e dos bens que repartirás com todos os homens.

    Sob o úmido véu de raivas, queixas e humilhações,
    adivinho-te que sobes,
    vapor róseo, expulsando a treva noturna.

    O triste mundo fascista se decompõe ao contato de teus
    dedos,
    teus dedos frios, que ainda se não modelaram mas que
    avançam
    na escuridão
    como um sinal verde e peremptório.

    Minha fadiga encontrará em ti o seu termo,
    minha carne estremece na certeza de tua vinda.

    O suor é um óleo suave, as mãos dos sobreviventes
    se enlaçam,
    os corpos hirtos adquirem uma fluidez, uma inocência, um
    perdão
    simples e macio...

    Havemos de amanhecer.
    O mundo se tinge com as tintas da antemanhã
    e o sangue que escorre é doce, de tão necessário
    para colorir tuas pálidas faces, aurora.

    (ANDRADE, Carlos Drummond de. Obra completa. Vol. único. Rio de Janeiro: Aguillar, 1964, p.112)


    Constitui uma afirmativa que sintetiza a ideia central do poema a indicada na alternativa:
    Escolha uma alternativa para a questão 2e2a44b8-cf
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    Português

    Imagem da questão de Português, IF-BA 2011, Interpretação de Textos

    Com base na leitura do texto, pode-se inferir que
    Escolha uma alternativa para a questão 291e7285-cf
  • Linguagens

    Português

    Imagem da questão de Português, PUC - RS 2011, Interpretação de Textos

    Neste poema, os retratos antigos

    I. buscam uma espécie de diálogo com o observador, porque nunca perdem a sua humanidade.

    II. mesmo pendurados na parede, parecem ter vida própria.

    III. simbolizam um passado fantasmagórico que pode continuar aterrorizando, por isso devem ser olhados com cautela.

    A(s) afirmativa(s) correta(s) é/são:
    Escolha uma alternativa para a questão c7eea5cf-2d
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    Português

    Imagem da questão de Português, PUC - RS 2011, Interpretação de Textos
    Com base na leitura do poema, preencha os parênte- ses com V para verdadeiro e F para falso.

    ( ) O retrato tem uma determinada hora para dialogar com o Eu poético, primeira voz no poema.

    ( ) O leitor pode ser levado, pelo retrato, a pensar sobre a brevidade da vida.

    ( ) O retrato é uma espécie de duplo ameaçador do Eu poético.

    ( ) O poema sugere que o retrato é mais duradouro do que a vida.

    ( ) O retrato suscita terror na alma do Eu poético.

    A sequência correta de preenchimento dos parênte- ses, de cima para baixo, é:
    Escolha uma alternativa para a questão c31b4d4d-2d
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    Português

    INSTRUÇÃO: Para responder à questão 40, leia o excerto do poema denominado “Graciliano Ramos”, de João Cabral de Melo Neto.

    Falo somente com o que falo:
    com as mesmas vinte palavras
    girando ao redor do sol
    que as limpa do que não é faca:
    de toda uma crosta viscosa,
    resto de janta abaianada,
    que fica na lâmina e cega
    seu gosto da cicatriz clara.
    Falo somente do que falo:
    do seco e de suas paisagens,
    Nordestes, debaixo de um sol
    ali do mais quente vinagre:
    que reduz tudo ao espinhaço,
    cresta o simplesmente folhagem,
    folha prolixa, folharada,
    onde possa esconder- se na fraude.
    Falo somente por quem falo:
    por quem existe nesses climas
    condicionados pelo sol,
    pelo gavião e outras rapinas:
    e onde estão os solos inertes
    de tantas condições caatinga
    em que só cabe cultivar
    o que é sinônimo da míngua.
    Falo somente para quem falo:
    quem padece sono de morto
    e precisa um despertador
    acre, como o sol sobre o olho:
    que é quando o sol é estridente,
    a contrapelo, imperioso,
    e bate nas pálpebras como
    se bate numa porta a socos.

    I. O poema de João Cabral dialoga com o imaginário acre e violento presente no livro Vidas Secas, de Graciliano Ramos.

    II. O poema se dirige aos que sofrem com as radicais condições da caatinga nordestina, onde o sol é estridente, atingindo as pálpebras como se bate numa porta a socos.

    III. Apesar de todas as adversidades sertanejas, a natureza local possibilita um momento para cultivar uma multiplicidade de alimentos.

    A(s) afirmativa(s) correta(s) é/são:

    Escolha uma alternativa para a questão 1838bd7a-27
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    Português

    INSTRUÇÃO: Para responder à questão 39, leia o fragmento do conto “A Hora e a Vez de Augusto Matraga”, de João Guimarães Rosa.

    O cavalo de Nhô Augusto obedeceu para diante; as ferraduras tinham e deram fogo no lajeado; e o cavaleiro, em pé nos estribos, trouxe a taca no ar, querendo a figura do velho. Mas o Major piscou, apenas, e encolheu a cabeça, porque mais não era preciso, e os capangas pulavam de cada beirada, e eram só pernas e braços. – Frecha, povo! Desmancha! Já os porretes caíam em cima do cavaleiro, que nem pinotes de matrinxãs na rede. Pauladas na cabeça, nos ombros, nas coxas. Nhô Augusto desceu o corpo e caiu. Ainda se ajoelhou em terra, querendo firmar- se nas mãos, mas isso só lhe serviu para poder ver as caras horríveis dos seus próprios bate- paus, e, no, meio deles, o capiauzinho mongo que amava a mulher- a toa Sariema. E Nhô Augusto fechou os olhos, de gastura, porque ele sabia que capiau de testa peluda, com o cabelo quase nos olhos, é uma raça de homem capaz de guardar o passado em casa, em lugar fresco perto do pote, e ir buscar na rua outras raivas pequenas, tudo para ajuntar à massa- mãe do ódio grande, até chegar o dia de tirar vingança. (...) Puxaram e arrastaram Nhô Augusto, pelo atalho do rancho do Barranco, que ficou sendo um caminho de pragas e judiação. E quando chegaram ao rancho do Barranco, ao fim da légua, o Nhô Augusto já vinha quase que só carregado, meio nu, todo picado de faca, quebrado de pancadas e enlameado grosso, poeira com sangue. Empurraram- no para o chão, e ele nem se moveu. (...) E, aí, quando tudo esteve a ponto, abrasaram o ferro com a marca do gado do Major – que soía ser um triângulo inscrito numa circunferência –, e imprimiram-na, com chiado, chamusco e fumaça, na polpa glútea direita de Nhô Augusto. Mas recuaram todos, num susto, porque Nhô Augusto viveu- se, com um berro e um salto, medonhos.

    Considerando o fragmento acima, todas as afirmativas são corretas, EXCETO:
    Escolha uma alternativa para a questão 1751e3e8-27
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    Português

    INSTRUÇÃO: Para responder à questão 38, ler o excerto do conto “Mineirinho”, de Clarice Lispector, e preencher os parênteses com V (verdadeiro) ou F (falso).

    “É, suponho que é em mim, como um dos representantes de nós, que devo procurar por que está doendo a morte de um facínora. E por que é que mais me adianta contar os treze tiros que mataram Mineirinho do que os seus crimes. Perguntei a minha cozinheira o que pensava sobre o assunto. Vi no seu rosto a pequena convulsão de um conflito, o mal-estar de não entender o que se sente, o de precisar trair sensações contraditórias por não saber como harmonizá- las. Fatos irredutíveis, mas revolta irredutível também, a violenta compaixão da revolta. Sentir- se dividido na própria perplexidade diante de não poder esquecer que Mineirinho era perigoso e já matara demais; e no entanto nós o queríamos vivo. (...) No entanto a primeira lei, a que protege corpo e vida insubstituíveis, é a de que não matarás. Ela é a minha maior garantia: assim não me matam, porque eu não quero morrer, e assim não me deixam matar, porque ter matado será a escuridão para mim. Esta é a lei. Mas há alguma coisa que, se me fez ouvir o primeiro tiro com um alívio de segurança, no terceiro me deixa alerta, no quarto desassossegada, o quinto e o sexto me cobrem de vergonha, o sétimo e o oitavo eu ouço com o coração batendo de horror, no nono e no décimo minha boca está trêmula, no décimo primeiro digo em espanto o nome de Deus, no décimo segundo chamo meu irmão. O décimo terceiro tiro me assassina – porque eu sou o outro. Porque eu quero ser o outro.”

    ( ) O narrador não compreende plenamente por que está sensibilizado com a morte de um facínora que matou muitas pessoas.

    ( ) A cozinheira apresenta- se bastante confortável em discutir a morte do Mineirinho.

    ( ) Ao longo da contagem dos tiros que abateram o criminoso, o narrador vai se apiedando progressivamente, culminando no décimo terceiro tiro, momento em que se coloca no lugar do próprio facínora.

    ( ) A certa altura do conto, o narrador, movido pela lei da sobrevivência, chega a aceitar o extermínio de facínoras como o Mineirinho.

    A sequência correta, de cima para baixo, é

    Escolha uma alternativa para a questão 166dc5e4-27
  • Linguagens

    Português

    INSTRUÇÃO: Para responder à questão 37, ler o fragmento do poema “A morte do leiteiro”, de Carlos Drummond de Andrade.

    Há pouco leite no país
    é preciso entregá- lo cedo.
    Há muita sede no país,
    é preciso entregá- lo cedo.
    Há no país uma legenda,
    que ladrão se mata com tiro.
    Então o moço que é leiteiro
    de madrugada com sua lata
    sai correndo e distribuindo
    leite bom para gente ruim.
    (...)
    E como a porta dos fundos
    também escondesse gente
    que aspira ao pouco de leite
    disponível em nosso tempo,
    avancemos por esse beco,
    peguemos o corredor,
    depositemos o litro...
    Sem fazer barulho, é claro,
    que barulho nada resolve.
    Meu leiteiro tão sutil
    de passo maneiro e leve,
    antes desliza que marcha.
    É certo que algum rumor
    sempre se faz: passo errado,
    vaso de flor no caminho,
    cão latindo por princípio,
    ou um gato quizilento.
    E há sempre um senhor que acorda,
    resmunga e torna a dormir.

    Mas este entrou em pânico
    (ladrões infestam o bairro),
    não quis saber de mais nada.
    O revólver da gaveta
    saltou para sua mão.
    Ladrão? se pega com tiro.
    Os tiros na madrugada
    liquidaram meu leiteiro.
    Se era noivo, se era virgem,
    se era alegre, se era bom,
    não sei,
    é tarde para saber.
    (...)


    Da garrafa estilhaçada.
    no ladrilho já sereno
    escorre uma coisa espessa
    que é leite, sangue... não sei
    Por entre objetos confusos,
    mal redimidos da noite,
    duas cores se procuram,
    suavemente se tocam,
    amorosamente se enlaçam,
    formando um terceiro tom
    a que chamamos aurora.

    De acordo com o texto, afirma-se:

    I. Em plena madrugada, o leiteiro cumpre um papel fundamental na distribuição de um leite bom que alimenta inclusive gente ruim.

    II. Na sua ríspida e barulhenta marcha, o leiteiro acorda todos que dormem nas casas nas quais o leite é entregue.

    III. De forma premeditada, o morador mata o raivoso leiteiro que se aproxima também para assaltá- lo.

    IV. Devido a um trágico engano, um cidadão inocente é morto no exercício da profissão.

    As afirmativas corretas são, apenas,

    Escolha uma alternativa para a questão 1585eb63-27
  • Linguagens

    Português

    Imagem da questão de Português, PUC - RS 2011, Interpretação de Textos INSTRUÇÃO: Responder à questão 25 com base nas ideias que completam a frase a seguir.

    O texto permite concluir que a narradora

    1. valoriza mais as boas lembranças do que as más.

    2. chama o que vê na praia de “coisinhas prateadas” porque não conhece ainda a palavra “peixes”.

    3. assusta- se com as ondas inquietas e a multidão que invade a praia.

    4. passa por uma quebra de expectativa no decorrer do episódio narrado.

    5. foi mais de uma vez à beira do mar.

    Apenas estão corretas as afirmativas

    Escolha uma alternativa para a questão 79f40f31-27
  • Linguagens

    Português

    Imagem da questão de Português, PUC - RS 2011, Estrutura das Palavras: Radical, Desinência, Prefixo e Sufixo INSTRUÇÃO: Para responder à questão 24, leia as informações sobre as palavras numeradas de 1 a 4 e preencha os parênteses com V (verdadeiro) e F (falso).

    1. “implacável” ( linha 02)

    2. “irrespirável” ( linha 03)

    3. “irreciclável” ( linha 16)

    4. “biodesagradável” ( linha 16)

    Sobre essas palavras, afirma- se:

    ( ) todas contêm um elemento negativo.

    ( ) o sufixo – ável denota a ideia de “passível de”, diferentemente de – adas, em “arrasadas” ( linha 08), que denota processo concluído.

    ( ) nas palavras 1 e 2, um mesmo prefixo assume grafias diversas, em decorrência das letras (“p” e “r”) seguintes.

    ( ) a palavra 4 apresenta um elemento a mais do que as palavras 1 e 2.

    O correto preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é

    Escolha uma alternativa para a questão 790b8dfd-27
  • Linguagens

    Português

    Imagem da questão de Português, PUC - RS 2011, Interpretação de Textos Considerando a forma e a função do texto, é correto afirmar que
    Escolha uma alternativa para a questão 773f99fb-27
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    Português

    Era vaqueiro, via-se mais como bicho do que como homem, as pernas faziam dois arcos, os braços moviam-se desengonçados. Parecia um macaco. (...) Vermelho, queimado, tinha os olhos azuis, a barba e os cabelos ruivos, vivia em terra alheia e cuidava de animais alheios.

    O texto acima, da obra Vidas Secas , de Graciliano Ramos, é uma caracterização de Fabiano, personagem da novela. Indique, nas alternativas abaixo, aquela que também o caracteriza de forma correta.

    Escolha uma alternativa para a questão 5e2259bc-26
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    Português

    Imagem da questão de Português, PUC - SP 2011, Interpretação de Textos O poema acima é de Vinicius de Moraes e integra a obra Antologia Poética. Dele é ERRADO afirmar que:

    Escolha uma alternativa para a questão 5d286ad6-26
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    Português

    A reportagem e as cartas inseridas nas páginas iniciais do livro Capitães de Areia, de Jorge Amado, criam uma relação entre jornal e literatura e acabam compondo a matéria propriamente dita da obra. Dessa relação, é possível afirmar que:

    Escolha uma alternativa para a questão 5c318291-26
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    Português

    Imagem da questão de Português, PUC - SP 2011, Interpretação de Textos A ordem sintática contribui para a construção dos sentidos do texto. Em “percorreram o continente americano, de sul a norte, de carro”, há:

    Escolha uma alternativa para a questão 583cf07b-26