Português
- Interpretação de Textos
- Prova de 2010
- UNIR
- Dificuldade: Muito difícil
- Código da questão: A305B29D-EA
Disciplina · Linguagens
Questões de Português, da área de Linguagens, com gabarito em cada página.

I.
E uma vez, quando ajoelhados assistíamos à dança nua
[das auroras
Surgiu do céu parado como uma visão de alta serenidade
Uma branca mulher de cujo sexo a luz jorrava em ondas
E de cujos seios corria um doce leite ignorado.
Oh, como ela era bela! era impura — mas como era bela!
Era como um canto ou como uma flor brotando ou como um
[cisne
Tinha um sorriso de praia em madrugada e um olhar
[esvanecente
E uma cabeleira de luz como uma cachoeira em plenilúnio
MORAES, Vinícius de. O poeta. Antologia poética. 16. ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1978. p. 25.
II.
A brisa teus negros cabelos soltou,
O orvalho da face te esfria o suor;
Teus seios palpitam — a brisa os roçou,
Beijou-os, suspira, desmaia de amor!
Teu pé tropeçou...
Não corras assim!
Donzela, onde vais?
Tem pena de mim!
AZEVEDO, Álvares de. Sonhando. Lira dos Vinte anos. São Paulo: FTD, 1994. (Coleção Grandes Leituras).
III.

Assinale V ou F, conforme sejam as afirmações verdadeiras ou falsas.
Comparando-se os textos I , II e III, está correto o que se afirma em
( ) Tanto o texto I quanto o II mostram a mulher como parte da paisagem natural.
( ) Os textos I e III apresentam uma imagem objetiva e precisa da figura feminina.
( ) O texto II, da mesma forma que o I, evidencia uma imagem da mulher como ser transformador.
( ) Os textos I, II e III interrelacionam-se ao expressarem a figura feminina portadora de sensualismo.
A alternativa que contem a sequência correta, de cima para baixo, é a
TEXTO:
Prezados senhores, somos todos
da mesma cepa se vistos de binóculo.
Mas não somos os mesmos.
Eu, com meus poemas indevassáveis
vós, com vossas gravatas coloridas /
eu, com esta consciência de mim
vós, com vossa mesa farta /
eu, buscando o sempre inatingível
vós, com vossas gravatas coloridas /
eu, meditando muito sobre vós
vós, com vossa mesa farta.
Não somos da mesma cepa, mas vistos
de binóculo somos os mesmos.
Eis uma grande injustiça.
BRASILEIRO, Antônio. Divisor de águas. Antologia poética. Salvador: Fundação Casa de Jorge Amado; COPENE, 1996. p. 77
No poema, “gravatas coloridas” conotaTEXTO
CIDADE SEM LUZ



(Olavo Drummond. O vendedor de
estrelas. Contos.)


Leia a tira abaixo para responder a questão
Levando-se em consideração os elementos constitutivos da tira, infere-se que:
TEXTO 2
A revolução digital
Texto e papel. Parceiros de uma história de êxitos. Pareciam feitos um para o outro.
Disse “pareciam”, assim, com o verbo no passado, e já me explico: estão em processo de separação.
Secular, a união não ruirá do dia para a noite. Mas o divórcio virá, certo como o pôr-do-sol a cada fim de tarde.
O texto mantinha com o papel uma relação de dependência. A perpetuação da escrita parecia condicionada à produção de celulose.
Súbito, a palavra descobriu um novo meio de propagação: o cristal líquido. Saem as árvores. Entram as nuvens de elétrons.
A mudança conduz a veredas ainda não exploradas. De concreto há apenas a impressão de que, longe de enfraquecer, a ebulição digital tonifica a escrita.
Isso é bom. Quando nos chega por um ouvido, a palavra costuma sair por outro. Vazando-nos pelos olhos, o texto inunda de imagens a alma.
Em outras palavras: falada, a palavra perde-se nos desvãos da memória; impressa, desperta o cérebro, produzindo uma circulação de ideias que gera novos textos. A Internet é, por assim dizer, um livro interativo. Plugados à rede, somos, autores e leitores. Podemos visitar as páginas de um clássico da literatura. Ou simplesmente, arriscar textos próprios.
Otto Lara Resende costumava dizer que as pessoas haviam perdido o gosto pela troca de correspondências. Antes de morrer, brindou-me com dois telefonemas. Em um deles prometeu: “Mando-te uma carta qualquer dia destes”.
Não sei se teve tempo de render-se ao computador. Creio que não. Mas, vivo, Otto estaria surpreso com a popularização crescente do correio eletrônico.
O papel começa a experimentar o mesmo martírio imposto à pedra quando da descoberta do papiro. A era digital está revolucionando o uso do texto. Estamos virando uma página. Ou, por outra, estamos pressionando a tecla “enter”.
Josias de Souza. A revolução digital. Folha de São Paulo. 6/05/96.
Caderno Brasil, p. 2).

Leia o texto V e responda a questão.
Texto V
O “Adeus” de Teresa
A vez primeira que eu fitei Teresa,
Como as plantas que arrasta a correnteza,
A valsa nos levou nos giros seus...
E amamos juntos... E depois na sala
“Adeus” eu disse-lhe a tremer co’a fala...
E ela, corando, murmurou-me: “adeus.”
Uma noite... entreabriu-se um reposteiro...
E da alcova saía um cavaleiro
Inda beijando uma mulher sem véus...
Era eu... Era a pálida Teresa!
“Adeus” lhe disse conservando-a presa...
E ela entre beijos murmurou-me: “adeus!”
Passaram tempos... séc’los de delírio
Prazeres divinais... gozos do Empíreo...
... Mas um dia volvi aos lares meus.
Partindo eu disse – “Voltarei!... descansa!...”
Ela, chorando mais que uma criança,
Ela em soluços murmurou-me: “adeus!”
Quando voltei... era o palácio em festa!...
E a voz d’Ela e de um homem lá na orquestra
Preenchiam de amor o azul dos céus.
Entrei!... Ela me olhou branca... surpresa!
Foi a última vez que eu vi Teresa!...
E ela arquejando murmurou-me: “adeus!”
(CASTRO ALVES, Antonio Frederico. Espumas flutuantes. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 2005. p. 51.)
Acerca do poema, é correto afirmar:
I. A palavra “adeus” apresenta variações de significado.
II. Na terceira estrofe, a ausência do eu-lírico é marcada por hipérboles
III. Há ruptura da idealização da figura feminina.
IV. O amor espiritual sobrepõe-se ao amor carnal.
Assinale a alternativa correta.
Leia o texto III e responda a questão.
Texto III
Bom-Crioulo não pensou em dormir, cheio, como estava, de ódio e desespero. Ecoavam-lhe ainda no ouvido, como um dobre fúnebre, aquelas palavras de uma veracidade brutal, e de uma rudez pungente: “Dizem até que está amigado!”
Amigado, o Aleixo! Amigado, ele que era todo seu, que lhe pertencia como o seu próprio coração: ele,
que nunca lhe falara em mulheres, que dantes era tão ingênuo, tão dedicado, tão bom!... Amigar-se, viver
com uma mulher, sentir o contacto de outro corpo que não o seu, deixar-se beijar, morder, nas ânsias do gozo,
por outra pessoa que não ele, Bom-Crioulo!...
Leia o texto III e responda a questão.
Texto III
Bom-Crioulo não pensou em dormir, cheio, como estava, de ódio e desespero. Ecoavam-lhe ainda no ouvido, como um dobre fúnebre, aquelas palavras de uma veracidade brutal, e de uma rudez pungente: “Dizem até que está amigado!”
Amigado, o Aleixo! Amigado, ele que era todo seu, que lhe pertencia como o seu próprio coração: ele,
que nunca lhe falara em mulheres, que dantes era tão ingênuo, tão dedicado, tão bom!... Amigar-se, viver
com uma mulher, sentir o contacto de outro corpo que não o seu, deixar-se beijar, morder, nas ânsias do gozo,
por outra pessoa que não ele, Bom-Crioulo!...

