Questões de Português do ENEM

Questões de Português, da área de Linguagens, com gabarito em cada página.

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10.965 questões encontradas. Mostrando a página 32 de 549.

  • E32116C1-40

    Português

    Crase
    Associação Catarinense das Fundações Educacionais - ACAFE · 2024MédioEntre para guardar nos favoritos

    texto_1-10.png (826×482)


    Disponível em: https://veja.abril.com.br/saude/poluicao-do-ar-aumenta-riscos-de-parkinson-e-avc-apontam-estudos/mobile. Acesso em: 4 out. 2024. Adaptado.

    As lacunas nas linhas 4 e 21 podem ser CORRETAMENTE substituídas, respectivamente, por: 
    Escolha uma alternativa para a questão e32116c1-40
  • E31E99BF-40

    Português

    Interpretação de Textos
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    texto_1-10.png (826×482)


    Disponível em: https://veja.abril.com.br/saude/poluicao-do-ar-aumenta-riscos-de-parkinson-e-avc-apontam-estudos/mobile. Acesso em: 4 out. 2024. Adaptado.

    Assinale a alternativa que descreve CORRETAMENTE o nível de linguagem utilizado no Texto 1. 
    Escolha uma alternativa para a questão e31e99bf-40
  • E31C2222-40

    Português

    Interpretação de Textos
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    texto_1-10.png (826×482)


    Disponível em: https://veja.abril.com.br/saude/poluicao-do-ar-aumenta-riscos-de-parkinson-e-avc-apontam-estudos/mobile. Acesso em: 4 out. 2024. Adaptado.

    Assinale a alternativa cuja pergunta NÃO pode ser respondida com informações contidas no Texto 1. 
    Escolha uma alternativa para a questão e31c2222-40
  • E3193622-40

    Português

    Interpretação de Textos
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    texto_1-10.png (826×482)


    Disponível em: https://veja.abril.com.br/saude/poluicao-do-ar-aumenta-riscos-de-parkinson-e-avc-apontam-estudos/mobile. Acesso em: 4 out. 2024. Adaptado.

    Assinale a alternativa que apresenta CORRETAMENTE uma consequência da poluição do ar à saúde de acordo com o Texto 1. 
    Escolha uma alternativa para a questão e3193622-40
  • E3167BED-40

    Português

    Interpretação de Textos
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    texto_1-10.png (826×482)


    Disponível em: https://veja.abril.com.br/saude/poluicao-do-ar-aumenta-riscos-de-parkinson-e-avc-apontam-estudos/mobile. Acesso em: 4 out. 2024. Adaptado.

    Assinale a alternativa que contém a expressão que completa CORRETAMENTE a lacuna da linha 17. 
    Escolha uma alternativa para a questão e3167bed-40
  • E313EEC6-40

    Português

    Interpretação de Textos
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    Disponível em: https://veja.abril.com.br/saude/poluicao-do-ar-aumenta-riscos-de-parkinson-e-avc-apontam-estudos/mobile. Acesso em: 4 out. 2024. Adaptado.

    Com base na análise das funções da linguagem presentes no texto, assinale a alternativa INCORRETA
    Escolha uma alternativa para a questão e313eec6-40
  • E310C5DC-40

    Português

    Interpretação de Textos
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    texto_1-10.png (826×482)


    Disponível em: https://veja.abril.com.br/saude/poluicao-do-ar-aumenta-riscos-de-parkinson-e-avc-apontam-estudos/mobile. Acesso em: 4 out. 2024. Adaptado.

    Assinale a alternativa que apresenta informações CORRETAS em relação ao Texto 1. 
    Escolha uma alternativa para a questão e310c5dc-40
  • 9EBCC2EE-3F

    Português

    Interpretação de Textos
    Universidade Federal de Juiz de Fora - MG · 2024FácilEntre para guardar nos favoritos

    TEXTO I



    A primeira referência a quilombo que surge em documento oficial português data de 1559, mas somente em 1740 (...) as autoridades portuguesas definem, ao seu modo, o que significa quilombo: “toda habitação de negros fugidos que passem de cinco, em parte desprovida, ainda que não tenham ranchos levantados nem se achem pilões neles”.


    Disponível em: https://tinyurl.com/bsj4s9y9 Acesso em: 18/06/2024



    TEXTO II



    “Quilombismo não significa escravo fugido. Quilombo quer dizer reunião fraterna e livre, solidariedade, convivência, comunhão existencial”. “(...) “o quilombismo é um movimento político dos negros brasileiros”.


    Disponível em: https://kn.org.br/oq/2019/02/14/um-pouco-dehistoria-o-quilombismo/ Acesso em: 18/06/24.

    Após a leitura, é CORRETO afirmar que:
    Escolha uma alternativa para a questão 9ebcc2ee-3f
  • 9E9EFF93-3F

    Português

    Interpretação de Textos
    Universidade Federal de Juiz de Fora - MG · 2024FácilEntre para guardar nos favoritos

    Observe a figura abaixo.



    8.png (299×284)


    Fonte: https://www.facebook.com/tirasarmandinho. Acesso em 28 jun. 2024.



    A ciência analisa fatos científicos, que terão sua veracidade ou falsidade comprovadas, sustentados pelas evidências científicas. Qual a sequência de passos CORRETA para a comprovação do processo de investigação científica? 




    Escolha uma alternativa para a questão 9e9eff93-3f
  • 9E96A90B-3F

    Português

    Interpretação de Textos
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    TEXTO V


    Ponciá Vicêncio
    Conceição Evaristo


    Quando Ponciá Vicêncio resolveu sair do povoado onde nascera, a decisão chegou forte e repentina. Estava cansada de tudo ali. De trabalhar o barro com a mãe, de ir e vir às terras dos brancos e voltar de mãos vazias. De ver a terra dos negros coberta de plantações, cuidadas pelas mulheres e crianças, pois os homens gastavam a vida trabalhando nas terras dos senhores, e depois a maior parte das colheitas ser entregues aos coronéis. Cansada da luta insana, sem glória, a que todos se entregavam para amanhecer cada dia mais pobres, enquanto alguns conseguiam enriquecer-se a todo dia. Ela acreditava que poderia traçar outros caminhos, inventar uma vida nova. 

    Fonte: EVARISTO, Conceição. Ponciá Vicêncio. Belo Horizonte: Mazza, 2003, p. 33.

    A Escritora Conceição Evaristo compreende que, em seus poemas e em suas narrativas, as vozes e experiências da população negra brasileira e, principalmente, das mulheres negras, são evocadas, configurando um conceito de escrita que ela nomeara de “Escrevivências”, que diz respeito `a escrita das “vivências” e “experiências” de pessoas negras. A partir dessa informação, e considerando o trecho do romance ”Ponciá Vicêncio”(Texto V), focado na vida da personagem negra homônima ao título, assinale a alternativa correta:
    Escolha uma alternativa para a questão 9e96a90b-3f
  • 9E9182EE-3F

    Português

    Interpretação de Textos
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    TEXTO IV


    O Canto dos Escravizados
    Paulina Chiziane


    Acorrentado vim, cruzando o mar
    Atormentado fui no negrume do porão
    Aqui estou na América
    Chorando de dor, ó mãe África!


    Escravizado sou, como animal
    Comprado fui por quem só me fez mal
    Aqui estou na América
    Chorando de dor, ó mãe África!


    Estou lutando para me libertar
    E bem depressa regressar ao lar
    Aqui estou na América
    Chorando de dor, ó mãe Africa

    Fonte: CHIZIANE, Paulina. O canto dos escravizados. Belo Horizonte: Nandyala, 2018, p. 29.

    No poema da moçambicana Paulina Chiziane, é possível observar a seguinte figura de linguagem:
    Escolha uma alternativa para a questão 9e9182ee-3f
  • 9E8EA6BE-3F

    Português

    Interpretação de Textos
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    TEXTO II


    As Caravanas
    Chico Buarque de Hollanda


    E um dia de real grandeza, tudo azul
    Um mar turquesa à la Istambul enchendo os olhos
    Um sol de torrar os miolos
    Quando pinta em Copacabana
    A caravana do Arará, do Caxangá, da Chatuba
    A caravana do Irajá, o comboio da Penha
    Não há barreira que retenha esses estranhos
    Suburbanos tipo muçulmanos do Jacarezinho
    A caminho do Jardim de Alá
    É o bicho, é o buchicho, é a charanga


    (...)


    Com negros torsos nus deixam em polvorosa
    A gente ordeira e virtuosa que apela
    Pra polícia despachar de volta
    O populacho pra favela
    Ou pra Benguela, ou pra Guiné


    Sol, a culpa deve ser do sol
    Que bate na moleira, o sol
    Que estoura as veias, o suor
    Que embaça os olhos e a razão


    E essa zoeira dentro da prisão
    Crioulos empilhados no porão
    De caravelas no alto mar


    Tem que bater, tem que matar, engrossa a gritaria
    Filha do medo, a raiva é mãe da covardia
    Ou doido sou eu que escuto vozes
    Não há gente tão insana
    Nem caravana do Arará
    Não há, não há


    Fonte: HOLLANDA, Chico Buarque de. AS CARAVANAS. In: CARAVANAS. Rio de Janeiro: Biscoito Fino, 2017. CD, (2:47).



    TEXTO III


    Luísa Mahin
    Jarid Arraes


    No século 19
    Luísa Mahin nasceu
    Com origem africana
    Sua história aconteceu
    E com incessante gana
    Seu nome prevaleceu.


    Vinda da Costa da Mina
    Afirmava ser princesa
    Mas vendida como escrava
    Teve na luta a certeza
    Depois de alforriada
    Demonstrou sua proeza.


    Viveu como quituteira
    E morou em Salvador
    Usou com inteligência
    Seus talentos de sabor
    Pois usava o tabuleiro
    De mensagens portador.
    (...)
    Importante mencionar
    Que foi mãe de Luís Gama
    Poeta e abolicionista
    De imensurável chama
    E por ele foi citada
    Respeitando sua fama.
    (...)
    O pai branco de Luís
    O vendeu quando criança
    Separando de sua mãe
    Na racista podre herança
    De ser branco dominante
    Indigno de confiança.


    Mas Luísa era guerreira
    A rebelde sem igual
    Fez ainda de sua casa
    Como um quartel general
    Onde eram planejadas
    As revoltas sem igual.


    Apesar de tudo isso
    E de tudo que lutou
    Essa mulher imponente
    Muito se silenciou
    Pois ainda não se conta
    Tudo que realizou.


    Mas apenas sua memória
    E forte o suficiente
    Pra mexer na estrutura
    Dessa gente incoerente
    Que não fala a verdade
    Sobre o negro insurgente. (...)


    Fonte: ARRAES, Jarid. Heroínas negras brasileiras: em 15 cordéis. São Paulo: Pólen, 2017.



    O poema de Jarid Arraes conta um pouco da história de Luísa Mahin, uma princesa oriunda do Golfo da Guiné, na África Ocidental. Ela foi capturada no continente africano e, tendo sido escravizada, enviada ao Brasil. Posteriormente alforriada, integrou o grupo da Insurreiçãoo dos Malês, formado, principalmente, por africanos e afrodescendentes de religião islâmica. A luta dos Malês em prol da abolição da escravatura foi importante para as lutas que vieram depois, mas a insurreição não foi vitoriosa naquele momento da história (1835). O fim da escravatura no Brasil ocorreu, legalmente, apenas em 1888.


    A partir dessa informação, tendo como base o poema de Jarid Arraes e a canção de Chico Buarque (Texto II), marque a opção cujos versos, de ambos os textos, melhor indiquem a representação da expressão do racismo na sociedade brasileira:
    Escolha uma alternativa para a questão 9e8ea6be-3f
  • 9E8BD647-3F

    Português

    Interpretação de Textos
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    TEXTO I


    (...)


    ‘Stamos em pleno mar... Abrindo as velas
    Ao quente arfar das virações marinhas,
    Veleiro brigue corre à flor dos mares,
    Como roçam na vaga as andorinhas...


    Donde vem? Onde vai? Das naus errantes
    Quem sabe o rumo se é tão grande o espaço?
    Neste saara os corcéis o pó levantam,
    Galopam, voam, mas não deixam traço.


    Bem feliz quem ali pode nest’hora
    Sentir deste painel a majestade!...
    Embaixo – o mar... em cima – o firmamento...
    E no mar e no céu – a imensidade!


    Oh! que doce harmonia traz-me a brisa!
    Que mésica suave ao longe soa!
    Meu Deus! Como é sublime um canto ardente
    Pelas vagas sem fim boiando à toa!


    (...)


    Era um sonho dantesco... O tombadilho
    Que das luzernas avermelha o brilho,
    Em sangue a se banhar.
    Tinir de ferros... estalar de açoite...
    Legiões de homens negros como a noite,
    Horrendos a dançar...


    Negras mulheres, suspendendo às tetas
    Magras crianças, cujas bocas pretas
    Rega o sangue das mães:
    Outras moças, mas nuas e espantadas,
    No turbilhão de espectros arrastadas,
    Em ânsia e mágoa vãs! (...)


    Ouvem-se gritos... o chicote estala.
    E voam mais e mais...
    Presa nos elos de uma só cadeia,
    A multidão faminta cambaleia,
    E chora e dança ali!
    Um de raiva delira, outro enlouquece,
    Outro, que martírios embrutece,
    Cantando, geme e ri! (...)


    Fonte: ALVES, Castro. “O navio negreiro”. Disponível em: http://www.dominiopublico.gov.br/download /texto/bv000068.pdf. Acesso em: 17 jun. 2024.


    GLOSSÁRIO:
    Tombadilho: Parte do navio.
    Luzerna: Conjunto de luzes. 



    TEXTO II


    As Caravanas
    Chico Buarque de Hollanda


    E um dia de real grandeza, tudo azul
    Um mar turquesa à la Istambul enchendo os olhos
    Um sol de torrar os miolos
    Quando pinta em Copacabana
    A caravana do Arará, do Caxangá, da Chatuba
    A caravana do Irajá, o comboio da Penha
    Não há barreira que retenha esses estranhos
    Suburbanos tipo muçulmanos do Jacarezinho
    A caminho do Jardim de Alá
    É o bicho, é o buchicho, é a charanga


    (...)


    Com negros torsos nus deixam em polvorosa
    A gente ordeira e virtuosa que apela
    Pra polícia despachar de volta
    O populacho pra favela
    Ou pra Benguela, ou pra Guiné


    Sol, a culpa deve ser do sol
    Que bate na moleira, o sol
    Que estoura as veias, o suor
    Que embaça os olhos e a razão


    E essa zoeira dentro da prisão
    Crioulos empilhados no porão
    De caravelas no alto mar


    Tem que bater, tem que matar, engrossa a gritaria
    Filha do medo, a raiva é mãe da covardia
    Ou doido sou eu que escuto vozes
    Não há gente tão insana
    Nem caravana do Arará
    Não há, não há


    Fonte: HOLLANDA, Chico Buarque de. AS CARAVANAS. In: CARAVANAS. Rio de Janeiro: Biscoito Fino, 2017. CD, (2:47).
    Em relação ao Texto I, de Castro Alves, e a canção de Chico Buarque, texto II, marque a única alternativa que não se adequa a uma interpretação pertinente.
    Escolha uma alternativa para a questão 9e8bd647-3f
  • 9E8820E6-3F

    Português

    Interpretação de Textos
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    TEXTO I


    (...)


    ‘Stamos em pleno mar... Abrindo as velas
    Ao quente arfar das virações marinhas,
    Veleiro brigue corre à flor dos mares,
    Como roçam na vaga as andorinhas...


    Donde vem? Onde vai? Das naus errantes
    Quem sabe o rumo se é tão grande o espaço?
    Neste saara os corcéis o pó levantam,
    Galopam, voam, mas não deixam traço.


    Bem feliz quem ali pode nest’hora
    Sentir deste painel a majestade!...
    Embaixo – o mar... em cima – o firmamento...
    E no mar e no céu – a imensidade!


    Oh! que doce harmonia traz-me a brisa!
    Que mésica suave ao longe soa!
    Meu Deus! Como é sublime um canto ardente
    Pelas vagas sem fim boiando à toa!


    (...)


    Era um sonho dantesco... O tombadilho
    Que das luzernas avermelha o brilho,
    Em sangue a se banhar.
    Tinir de ferros... estalar de açoite...
    Legiões de homens negros como a noite,
    Horrendos a dançar...


    Negras mulheres, suspendendo às tetas
    Magras crianças, cujas bocas pretas
    Rega o sangue das mães:
    Outras moças, mas nuas e espantadas,
    No turbilhão de espectros arrastadas,
    Em ânsia e mágoa vãs! (...)


    Ouvem-se gritos... o chicote estala.
    E voam mais e mais...
    Presa nos elos de uma só cadeia,
    A multidão faminta cambaleia,
    E chora e dança ali!
    Um de raiva delira, outro enlouquece,
    Outro, que martírios embrutece,
    Cantando, geme e ri! (...)


    Fonte: ALVES, Castro. “O navio negreiro”. Disponível em: http://www.dominiopublico.gov.br/download /texto/bv000068.pdf. Acesso em: 17 jun. 2024.


    GLOSSÁRIO:
    Tombadilho: Parte do navio.
    Luzerna: Conjunto de luzes. 
    O fragmento ao lado (Texto I) apresenta dois importantes momentos em relação ao estado de espírito do sujeito poético. Sobre isso, considerando o que ele observa e o que demonstra sentir, leia atentamente as sentenças abaixo e marque a alternativa que melhor indique esse estado psicológico:
    Escolha uma alternativa para a questão 9e8820e6-3f
  • 960ED045-3F

    Português

    Interpretação de Textos
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    Leia o trecho da entrevista e observe a imagem abaixo.


            O torturador, o traficante de escravos, o senhor de escravos, o capataz da plantação, todas essas pessoas tornaram-se piores ao ter a autorização para cometer os crimes que cometeram. Essa discussão continua atualíssima porque o policial que assedia, agride, mata um negro, também se torna um péssimo ser humano. 

    Trecho de entrevista de Eurídice Figueiredo, professora do programa de pós-graduação em estudos de literatura da UFF (Universidade Federal Fluminense). Disponível em: https://tinyurl.com/42cdmmyd. Acesso em 12 ago. 2024.


    Captura_de tela 2025-06-03 100424.png (312×208)

    Manifestantes protestam em Saint Louis, nos EUA, contra a violência policial. Disponível em: https://vermelho.org.br/2016/07/11/eua-tem-mais-protestoscontra-racismo-e-violencia-policial/ Acesso em: 20 jun. 2024.


    Marque a alternativa CORRETA: 
    Escolha uma alternativa para a questão 960ed045-3f
  • 95EA7EE8-3F

    Português

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    TEXTO III


    Amor
    Clarice Lispector


            Os filhos de Ana eram bons, uma coisa verdadeira e sumarenta. Cresciam, tomavam banho, exigiam para si, malcriados, instantes cada vez mais completos. A cozinha era enfim espaçosa, o fogão enguiçado dava estouros. O calor era forte no apartamento que estavam aos poucos pagando. Mas o vento batendo nas cortinas que ela mesma cortara lembrava-lhe que se quisesse podia parar e enxugar a testa, olhando o calmo horizonte.Como um lavrador. [...] No fundo, Ana sempre tivera necessidade de sentir a raiz firme das coisas. E isso um lar perplexamente lhe dera. Por caminhos tortos, viera a cair num destino de mulher, com a surpresa de nele caber como se o tivesse inventado. O homem com quem casara era um homem verdadeiro, os filhos que tivera eram filhos verdadeiros. Sua juventude anterior parecia-lhe estranha como uma doença de vida. Dela havia aos poucos emergido para descobrir que também sem a felicidade se vivia: abolindo-a, encontrara uma legião de pessoas, antes invisíveis, que viviam como quem trabalha - com persistência, continuidade, alegria. [...] O bonde se arrastava, em seguida estacava. Até Humaitá tinha tempo de descansar. Foi então que olhou para o homem parado no ponto. A diferença entre ele e os outros é que ele estava realmente parado. De pé, suas mãos se mantinham avançadas. Era um cego. O que havia mais que fizesse Ana se aprumar em desconfiança? Alguma coisa intranquila estava sucedendo. Então ela viu: o cego mascava chicles... Um homem cego mascava chicles. Ana ainda teve tempo de pensar por um segundo que os irmãos viriam jantar - o coração batia-lhe violento, espaçado. Inclinada, olhava o cego profundamente, como se olha o que não nos vê. Ele mastigava goma na escuridão. Sem sofrimento, com os olhos abertos [...] - o bonde deu uma arrancada súbita jogandoa desprevenida para trás, o pesado saco de tricô despencou-se do colo, ruiu no chão - Ana deu um grito, o condutor deu ordem de parada antes de saber do que se tratava - o bonde estacou, os passageiros olharam assustados. Incapaz de se mover para apanhar suas compras, Ana se aprumava pálida. Uma expressão de rosto, há muito não usada, ressurgiralhe com dificuldade, ainda incerta, incompreensível. O moleque dos jornais ria entregando-lhe o volume. Mas os ovos se haviam quebrado no embrulho de jornal. Gemas amarelas e viscosas pingavam entre os filhos da rede. [...] A rede perdera o sentido e estar num bonde era um fio partido; não sabia o que fazer com as compras no colo. [...] como se pudesse cair do bonde, como se as coisas pudessem ser revertidas com a mesma calma com que não o eram. O que chamava de crise viera afinal. E sua marca era o prazer intenso com que olhava agora as coisas, sofrendo espantada. O calor se tornara mais abafado, tudo tinha ganho uma força e vozes mais altas.


    FONTE: LISPECTOR, Clarice. O Amor. In: MORICONI, Ítalo (org). Os cem melhores contos brasileiros do século, Editora Objetiva: Rio de Janeiro, 2000, p. 212-219.



    TEXTO V


    Legiões de mulheres não têm por quinhão senão uma fadiga indefinidamente recomeçada no decorrer de um combate que jamais comporta uma vitória. Mesmo em casos mais privilegiados, essa vitória nunca é definitiva. Há poucas tarefas que se aparentem, mais do que as da dona de casa, ao suplício de Sísifo; dia após dia, é preciso lavar os pratos, espanar os móveis, consertar a roupa, que no dia seguinte já estarão novamente sujos, empoeirados, rasgada.
    No trecho acima (texto V), Simone de Beauvoir compara o trabalho de uma mulher do lar, dedicada aos afazeres domésticos e à criação dos filhos, ao mito de Sísifo, personagem da mitologia grega que foi condenado a repetir eternamente a tarefa de empurrar uma pedra até o topo de uma montanha. Considerando os textos III e V, assinale a alternativa correta:
    Escolha uma alternativa para a questão 95ea7ee8-3f
  • 95E29BE9-3F

    Português

    Interpretação de Textos
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    TEXTO II



    Um Índio

    Caetano Veloso



    Um índio descerá de uma estrela colorida,  brilhante

        

    De uma estrela que virá numa velocidade estonteante

        

    E pousará no coração do Hemisfério Sul, na  América, num claro instante

        

    Depois de exterminada a última nação indígena


    E o espírito dos pássaros das fontes de água límpida

          

    Mais avançado que a mais avançada das mais avançadas das tecnologias

       




    Virá Impávido que nem Muhammad Ali


    Virá que eu vi


    Apaixonadamente como Peri


    Virá que eu vi


    Tranquilo e infalível como Bruce Lee


    Virá que eu vi


    O axé do afoxé Filhos de Gandhi


    Virá



    Um índio preservado em pleno corpo físico


    Em todo sólido, todo gás e todo líquido


    Em átomos, palavras, alma, cor


    Em gesto, em cheiro, em sombra, em luz, em som magnífico

      

    Num ponto equidistante entre o Atlântico e o Pacífco

       

    Do objeto-sim resplandecente descerá o índio


    E as coisas que eu sei que ele dirá, fará


    Não sei dizer assim de um modo explícito


    (...)



    E aquilo que nesse momento se revelará aos  povos

        

    Surpreenderá a todos não por ser exótico


    Mas pelo fato de poder ter sempre estado  oculto

        

    Quando terá sido o óbvio



    Fonte: UM ÍNDIO. Caetano Veloso. In: BICHO. Philips Records, 1977. 1 LP, faixa 5.



    GLOSSÁRIO:


    Muhammad Ali: foi um famoso pugilista estadunidense.

    Peri: personagem indígena da obra "O guarani", de José de Alencar.

    Bruce Lee: de origem chinesa, foi um conhecedor e praticante de muitas artes marciais, além de ator e diretor de cinema.

    Afoxé Filhos de Gandhi: "O Desfile de Afoxés", ou "Cortejo de Afoxés", é uma expressão característica do carnaval baiano, com raízes vinculadas à religiosidade afro-baiana, e reconhecido como patrimônio cultural imaterial no estado" Já o "Afoxé Filhos de Gandhi" é um importante grupo baiano que desfila tradicionalmente no carnaval de Salvador.



    Disponível em https://www.multirio.rj.gov.br/index.php/reportagens/17562- afox%C3%A9, Acesso em 07/08/2024.

    Sobre a canção "Um índio", de Caetano Veloso, marque a única alternativa que NÃO se apresenta como uma leitura possível:

    Escolha uma alternativa para a questão 95e29be9-3f
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    Português

    Interpretação de Textos
    Universidade Federal de Juiz de Fora - MG · 2024FácilEntre para guardar nos favoritos

    TEXTO I



    Melro

    Carlos Drummond de Andrade



    Melro que cantas no morrer da noite,

    com estas asas rotas aprende teu voo.

    A vida toda

    esperaste a hora e a vez de teu voo.


    Melro que cantas no morrer da noite,

    com estes olhos fundos aprende a ver.

    A vida toda

    esperaste a hora e a vez de ser livre.


    Voa, melro, voa, melro,

    para o clarão da escura noite.


    Voa, melro, voa, melro,

    para o clarão da escura noite.


    Melro que cantas no morrer da noite,

    com estas asas rotas aprende teu voo

    A vida toda

    esperaste a hora e a vez de teu voo

    esperaste a hora e a vez de teu voo

    esperaste a hora e a vez de teu voo.


    Fonte: ANDRADE, Carlos Drummond de. Tradução de "Blackbird", canção de Lenon e McCaartney. In: REALIDADE. São Paulo: Editora Abril, ano III, nº 36, mar. 1969, p. 61 (Pesquisado na hemeroteca digital da Biblioteca Nacional).



    GLOSSÁRIO:


    Melro: ave de penas pretas, também chamada de açum-preto, graúna, pássaro preto, entre outros nomes.

    Em março de 1969, o poeta Carlos Drummond de Andrade traduziu algumas canções da banda inglesa The Beatles, do então recém lançado Álbum Branco. Dentre as canções, escreveu o poema "Melro", uma tradução da composição dos Beatles, cujo título original é "Blackbird" (pássaro preto - outro possível sinônimo de Melro, em língua portuguesa). Essa canção composta pela banda britânica teria como motivação a luta do Movimento dos Direitos Civis dos Negros, nos Estados Unidos.


    A partir da leitura do poema de Drummond e considerando as informações acima, assinale a alternativa que melhor interprete os versos lidos:
    Escolha uma alternativa para a questão 95df1caf-3f
  • 99C86376-3C

    Português

    Interpretação de Textos
    Universidade Federal de Juiz de Fora - MG · 2024MédioEntre para guardar nos favoritos

    Leia o texto a seguir para responder a questão.


    TEXTO III


    O operário em construção


    Vinicius de Moraes


    Era ele que erguia casas

    Onde antes só havia chão.

    Como um pássaro sem asas

    Ele subia com as casas

    Que lhe brotavam da mão.

    Mas tudo desconhecia

    De sua grande missão:

    Não sabia, por exemplo

    Que a casa de um homem é um templo


    Um templo sem religião

    Como tampouco sabia

    Que a casa que ele fazia

    Sendo a sua liberdade

    Era a sua escravidão.

    De fato, como podia

    Um operário em construção

    Compreender por que um tijolo

    Valia mais do que um pão?


    [...] Mas ele desconhecia

    Esse fato extraordinário:

    Que o operário faz a coisa

    E a coisa faz o operário.

    De forma que, certo dia

    A mesa, ao cortar o pão 

    O operário foi tomado

    De uma súbita emoção

    Ao constatar assombrado


    Que tudo naquela mesa

    – Garrafa, prato, facão –

    Era ele quem os fazia

    Ele, um humilde operário,

    Um operário em construção.


    [...] E foi assim que o operário

    Do edifício em construção

    Que sempre dizia sim

    Começou a dizer não

    E aprendeu a notar coisas

    A que não dava atenção:

    Notou que sua marmita

    Era o prato do patrão

    Que sua cerveja preta

    Era o uísque do patrão

    Que seu macacão de zuarte

    Era o terno do patrão

    Que o casebre onde morava

    Era a mansão do patrão


    [...] Que sua imensa fadiga

    Era amiga do patrão.

    E o operário disse: Não!

    E o operário fez-se forte

    Na sua resolução.

    Como era de se esperar

    As bocas da delação

    Começaram a dizer coisas

    Aos ouvidos do patrão.


    [...] Dia seguinte, o operário

    Ao sair da construção

    Viu-se súbito cercado

    Dos homens da delação

    E sofreu, por destinado

    Sua primeira agressão.

    Teve seu rosto cuspido

    Teve seu braço quebrado

    Mas quando foi perguntado

    O operário disse: Não! 


    [...] Sentindo que a violência

    Não dobraria o operário

    Um dia tentou o patrão

    Dobrá-lo de modo vário.

    De sorte que o foi levando

    Ao alto da construção

    E num momento de tempo

    Mostrou-lhe toda a região

    E apontando-a ao operário

    Fez-lhe esta declaração:

    — Dar-te-ei todo esse poder

    E a sua satisfação


    [...] E o operário disse: Não!

    — Loucura! – gritou o patrão

    Não vês o que te dou eu?

    — Mentira! – disse o operário

    Não podes dar-me o que é meu.

    [...]


    Fonte: https://edisciplina.usp.br/mod/resource/view.php?id=5229060. Acesso em: 08 jul. 2024. (adaptado).



    Embora os textos sejam de gêneros de texto diferentes, eles relacionam-se quanto à temática e à crítica presentes.

    Por isso, ao comparar os textos, pode-se afirmar que
    Escolha uma alternativa para a questão 99c86376-3c
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    Português

    Interpretação de Textos
    Universidade Federal de Juiz de Fora - MG · 2024Muito fácilEntre para guardar nos favoritos
    Capitalismo com tração Sanguínea

    Emiliano Gullo foi trabalhar no Rappi por dez dias: ganhava 2300 pesos. Da ansiedade das primeiras ordens ao ódio a um emprego que paga mal e que mostra o pior do capitalismo: a exploração com cara boa. Entre GPS e algoritmos, uma crônica em primeira pessoa da aplicação mais selvagem da economia de plataformas.

    Por: Emiliano Gullo

            Espero que você seja pego por um feroz.

            Esperançosamente. Esperançosamente. Esperançosamente.

            Repito o desejo silencioso como um mantra de suportar a chuva e a raiva enquanto vejo como o cliente da rua Boulogne Sur Mer retorna ao elevador com seu nhoque estilo bolonhesa. Volta rápido e seco. Dou um passo em direção à calçada e fico encharcado de novo. As gotas chocalham muito na minha jaqueta de borracha. Ainda não tenho o piloto laranja. Isso vai acontecer em poucos dias, quando eu cumprir os 15 pedidos entregues. Agora fecho a caixa-mochila de telgopor e o último suspiro quente que a massa deixou antes de sair escapa. Quente e pontual.

            Em algumas semanas, o Rappi vai me pagar 50 pesos por essa remessa. O cliente não me deixou um centavo na ponta.

            No Rappi não há tempo para fúria. Ou sim: na bicicleta. [...]

            Antes da chuva, diante das ordens e das pedaladas frenéticas, as promessas de um emprego livre, sem patrões ou horários, de ganhos imediatos, me levam a um escritório em Villa Crespo, na Rua Castillo, 1200. É a primeira inaugurada pela empresa colombiana Rappi na Argentina, que chegou em março e está crescendo mais rápido que a inflação. [...] No final de agosto, já havia 9 mil rappitenderos na Argentina. Ou melhor, 9 mil trabalhadores não reconhecidos.Hoje já são mais de 12 mil sem assistência social, sem ART, nem férias, nem seguro, nem benefícios de qualquer natureza. [...] O diretor-presidente local da Rappi, Matías Casoy, diz que os rappintenderos não são trabalhadores formais, mas “microempreendedores porque têm seu tempo”. [...]

            Para treinar como rappitendero existem três horários, três dias por semana. Entre 40 e 50 pessoas estão amontoadas em cada fila; quase todos homens com menos de 40 anos de idade.[...] Há duas filas aqui. Uma para nós, os novos. Outra para ativos. [...]

            Sem caixa, não há trabalho. [...]

            As conversas na porta de Castillo giram em torno do labirinto burocrático. O segundo passo é a monotaxa. O Rappi dá 15 dias para que eles apresentem. Durante esse tempo, você pode trabalhar e acumular dinheiro para pedidos. Mas se o trabalhador não conseguir, a empresa bloqueia o usuário e não pode recolher seus ganhos. [...] Eu também vou ter que voltar várias vezes para resolver problemas cotidianos como um trabalhador para esta empresa. Faltam mochilas, pagamentos que não chegam, pedidos que não saem, usuários bloqueados ou recursos não ativados. [...]

            Agora estamos na clandestinidade. Somos cerca de 40 meninos e 1 menina. Não há cadeiras livres. Alguns de nós sentaram-se no chão. A palestra é ministrada por Viviana. Começa a operação de sedução. Viviana projeta um powerpoint. Ela promete que não pedalaremos mais do que 3 quilômetros, explica o comportamento do bom rappitendero, nos mostra os possíveis ganhos e, acima de tudo, vai nos empolgar com os principais benefícios. Trabalhar sem patrões, o número de horas que queremos e, como se não bastasse, temos os “benefícios de ser monotributista”. [...]

            Viviana diz para não nos preocuparmos com a caixa. Se quisermos, podemos alugá-la. Senão, faze-mos pedidos menores. [...]

            A única oportunidade em que o véu da falsa liberdade será transparente será quando Viviana falar da “taxa de aceitabilidade”. Assim que o pedido aparecer no aplicativo SoyRappi, são 30 segundos para decidir se aceita ou não a corrida. Quanto menos pedidos forem aceitos, menor será a taxa de aceitabilidade. E, quanto menor a taxa, menos pedidos aparecerão. [...] Também temos que aproveitar os horários de pico. De 12h às 16h e de 19h/20h às 24h/1h. Os ganhos para cada entrega variam de 40 a 60 pesos, dependendo - sempre em teoria - do número de quilômetros. [...]

            No Rappi há uma diferença entre dois grupos não antagônicos. Os venezuelanos, que representam mais de 90% da tropa da Rappitenda e costumam dedicar o dia inteiro a essa atividade. E os argentinos, uma clara minoria que costuma usar o aplicativo porque não se sustenta com seu trabalho formal. A etapa final é a ativação do usuário. Eu sou Id 9133. [...]

            Viajei 9 quilômetros. Fiz 125 pesos, que vou recolher quando o Rappi acertar os ganhos e fizer a transferência para a minha conta. [...]

            Eu, enquanto isso, continuo circulando sem um destino fixo. Tento horários diferentes, dias diferentes. É sexta-feira à noite. Estou indo pela ciclovia Billinghurst. Estou com o celular na mão. [...]

            Eu tenho que pegar algumas empanadas venezuelanas em El Salvador em 4400 e levá-los para Recoleta. O aplicativo me orienta através de uma série de etapas para que todos saibam onde estou e o que estou fazendo. Aviso primeiro que estou a caminho. Para o restaurante quando eu chegar. Ao cliente quando já tenho os produtos. Por fim, aviso que dei tudo. Estou pronto para mais. [...]

            Sou controlado por satélites, sou designado e não atribuído tarefas de um telefone, sou suspenso ou disparado de um tablet, mas pedalo uma bicicleta para o trabalho. Os novos modos de exploração parecem evoluir de forma bastante singular. O século 21 nas mãos das empresas, trabalhadores ancorados no século 19. O capital viaja no tempo. Pode ser o último filme de “De Volta para o Futuro”. O mais sinistro. O capitalismo moderno se move com tração de sangue. Economia de plataforma, dizem economistas e sociólogos. A uberização da economia, dizem outros. [...]

            Como cheguei depois de 35 minutos no último pedido, o Rappi vai premiar a entrega. O telefone toca novamente. “Temos uma ordem perfeita para você.” Tenho sorte hoje. [...]

            Mudança de dias. Trabalho ao meio-dia. Trabalho noturno. Trabalho dia e noite. Com e sem chuva. Não importa se há uma tempestade ou um sol brilhante. [...]

            O Rappi se alimenta, por um lado, de duas fragilidades muito específicas e complementares: a necessidade do imigrante e o desespero dos desempregados. De outro, a fetichização do imediatismo.[...]

    Fonte:

    https://www.revistaanfibia.com/capitalismo-traccion-sangre/. Acesso em: 05 jul. 2024. Texto adaptado para fins didáticos.

    GLOSSÁRIO:

    Monotributista: Uma forma de pagar impostos simplificada e de baixo custo utilizada por trabalhadores independentes da Argentina.

    Peso: Moeda argentina, como o Real no Brasil

    Telgopor: Material térmico semelhante a isopor.
    Com a afirmação “O século 21 nas mãos das empresas, trabalhadores ancorados no século 19”, parágrafo 17 , o autor
    Escolha uma alternativa para a questão 99bd22d4-3c