Questões de Conhecimentos Gerais do ENEM
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8AE43161-B0 No início da década de 1980, mais especificamente, em 1982, ocorreu um conflito militar entre a Argentina e Reino Unido, conhecido como “Guerra das Malvinas”. Esse conflito teve como motivação a disputa pela posse e soberania política das Ilhas Malvinas/ Falklands. Considerando esse enfrentamento militar, argumenta-se que:
8ADAFF6F-B0 Conhecimentos Gerais
Movimentos Sociais, Discriminação e Desigualdade: Raça, classe e gêneroUFGD · 2016DifícilEntre para guardar nos favoritos
A charge, produzida pelo cartunista Nani, traz um diálogo entre pai e filho sobre a problemática social. No diálogo, ironicamente, o pai salienta ao seu filho que quando serem “muito ricos” vão poder gozar efetivamente os Direitos Humanos. Nessa direção, considerando a charge e a temática “Diretos Humanos”, argumenta-se que:Autor: Nani. Fonte: Charge disponível em - http://brainly.com.br/tarefa/1724729. Acesso em: 08/out/2016.
8AD5B7B1-B0 Conhecimentos Gerais
Movimentos Sociais, Discriminação e Desigualdade: Raça, classe e gêneroUFGD · 2016DifícilEntre para guardar nos favoritos“Numa palavra, ao invés de conceber políticas públicas de que todos seriam beneficiários independente da sua raça, cor ou sexo, o Estado passa a levar em conta esses fatores na implementação das suas decisões, não para prejudicar quem quer que seja, mas para evitar que a discriminação, que inegavelmente tem fundo histórico e cultural, e não raro se subtrai ao enquadramento nas categoriais jurídicas clássicas, finde por perpetuar as iniquidades sociais”.(GOMES, Joaquim B. Barbosa. Ação Afirmativa & Princípio Constitucional da Igualdade : o direito como instrumento de transformação social. Rio de Janeiro: Renovar, 2001. p. 39)O fragmento de texto citado, do pesquisador e jurista Joaquim B. Barbosa Gomes, reflete sobre a nova postura do Estado no entendimento e construção de políticas públicas afirmativas. Sobre as ações afirmativas, argumenta-se que:
8AD00A03-B0 Conhecimentos Gerais
Movimentos Sociais, Discriminação e Desigualdade: Raça, classe e gêneroUFGD · 2016DifícilEntre para guardar nos favoritos“A história social ensina que não existe política social sem um movimento social capaz de impô -la, e que não é o mercado, como se tenta convencer hoje em dia, mas sim o movimento social que ‘civilizou’ a economia de mercado, contribuindo ao mesmo tempo para sua eficiência”.(BOURDIEU, Pierre. Contrafogos 2: por um movimento social europeu. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2001. p. 19).Em diferentes momentos históricos, seja no Brasil ou em outros países do mundo, existiram diversos e distintos movimentos sociais no campo e na cidade. Considerando a dinâmica dos movimentos sociais e a citação de texto, do autor Pierre Bourdieu, extraída do seu livro “Contrafogos 2: por um movimento social europeu”, considera -se que:
8FC3B737-B0 Conhecimentos Gerais
PolíticaUDESC · 2016DifícilEntre para guardar nos favoritos"Um, dois, três, quatro, cinco, mil... Queremos eleger o presidente do Brasil!"Estas palavras foram entoadas por grande parcela da população que, no primeiro semestre de 1984, foi às ruas reivindicar eleições diretas para a presidência da República. Este movimento, conhecido como "Diretas já!", tornou-se um marco do processo de redemocratização política no Brasil.Analise a alternativa correta sobre este processo.8F9C1A87-B0 Conhecimentos Gerais
Conhecimentos Gerais Sobre Arte e CulturaUEL · 2016MédioEntre para guardar nos favoritos
(Disponível em:<https://sociologiareflexaoeacao.files.wordpress.com/2015/07/cena-cotidiana-autor-desconhecidofacebook.jpg>. Acesso em: 20 abr. 2016.)
Observe a figura a seguir.

Cinthia Marcelle, Sobre este mesmo mundo, lousa e giz, 120 × 840 × 8 cm, 2010.
Na instalação da artista brasileira Cinthia Marcelle, verifica-se um conjunto de elementos do cotidiano escolar, como a lousa, o pó de giz e o apagador.
Com base nessa instalação e nos conhecimentos sobre arte contemporânea, considere as afirmativas a seguir.
I. Ao atestar que é Sobre este mesmo mundo, a instalação aponta para os sentidos das transformações do cotidiano escolar. II. O conjunto de elementos propostos e o modo como eles estão dispostos indicam o caráter temporal abordado pela instalação.
III. A arte contemporânea desvela, por meio do que lhe é próprio, o que é, ao mesmo tempo íntimo e social, pessoal e cultural.
IV. A produção de arte contemporânea, apartada de toda a temporalidade que a precede, abandona os materiais tradicionais e elege a instalação como forma ideal da arte.
Assinale a alternativa correta.
8F989A4A-B0 Conhecimentos Gerais
EconomiaUEL · 2016DifícilEntre para guardar nos favoritos
(Disponível em:<https://sociologiareflexaoeacao.files.wordpress.com/2015/07/cena-cotidiana-autor-desconhecidofacebook.jpg>. Acesso em: 20 abr. 2016.)
Analise o gráfico a seguir.

(SENE, E.; MOREIRA, J. C. Geografia Geral e do Brasil: espaço geográfico e globalização. 2.ed. São Paulo: Scipione, 2013. p.36.)
Com base no gráfico e nos conhecimentos sobre a economia brasileira a partir de 1985, considere as afirmativas a seguir.
I. No Brasil dos anos 1990, uma linha telefônica fixa era considerada patrimônio pessoal, cuja aquisição era inacessível à maioria da população.
II. Com as privatizações dos serviços de telefonia ocorridas nos anos 1990, o setor recebeu grandes investimentos privados e passou a operar em melhores condições técnicas.
III. A expansão ocorrida no setor de telefonia, no período de 1997 a 2011, demandou investimentos na ordem de bilhões de dólares pelo Estado que, possuidor de recursos, resolveu investir no setor para atrair investimentos.
IV. Atualmente, as empresas de telefonia no Brasil prestam serviços de alta qualidade a seus clientes, comparados aos serviços prestados nos países desenvolvidos.
Assinale a alternativa correta.
8F7CABDA-B0 Conhecimentos Gerais
Conhecimentos Gerais Sobre Arte e CulturaUEL · 2016MédioEntre para guardar nos favoritosTexto I
O tempo nada mais é que a forma da nossa intuição interna. Se a condição particular da nossa sensibilidade lhe for suprimida, desaparece também o conceito de tempo, que não adere aos próprios objetos, mas apenas ao sujeito que os intui.
(KANT, I. Crítica da razão pura. Trad. Valério Rohden e Udo Baldur Moosburguer. São Paulo: Abril Cultural, 1980. p.47. Coleção Os Pensadores.)
A velocidade da luz no vácuo tem valores diferentes para observadores em referenciais privilegiados.

Distantes geográfica e temporalmente, o artista modernista brasileiro José Pancetti e a artista contemporânea norte-americana Janine Antoni dialogam nesses trabalhos. O ex-marinheiro tematiza o que vivenciou ao longo da vida no mar. Ela, artista performática, aborda a relação com o espaço onde passou sua infância. Pancetti altera a superfície da pintura ao criar a ilusão de profundidade com os planos e a iluminação. Na performance, Antoni subverte a condição “real”, tornando possível, com o artifício de uma corda, “caminhar” sobre as águas.
Com base nas figuras e nos conhecimentos sobre as manifestações artísticas na contemporaneidade, considere as afirmativas a seguir.
I. A arte é o espaço de ressignificação das relações humanas com o mundo, onde se podem atualizar situações relativas à memória e à passagem do tempo.
II. A videoinstalação de Antoni e a pintura de Pancetti têm como referência a paisagem, tanto real quanto como gênero pictórico.
III. Na arte contemporânea, o embate e a apreensão da paisagem natural pelo artista são questões superadas.
IV. A pintura de Pancetti e a videoperformance de Antoni revelam o início e o desfecho da crise do artista contemporâneo com os procedimentos tradicionais da arte.
Assinale a alternativa correta.
8F60C735-B0 Conhecimentos Gerais
Conhecimentos Gerais Sobre Arte e CulturaUEL · 2016DifícilEntre para guardar nos favoritosObserve a figura e leia o texto a seguir.

Imagem do espetáculo de 2009.
(Disponível em:<http://www.grupocorpo.com.br/obras/benguele#fotos>. Acesso em: 12 ago. 2016.)
Corpo é um grupo de dança mineiro que, em 2016, comemora quarenta anos de história. Seu tempo de atuação é marcado pela pluralidade, questão reconhecida tanto na arte contemporânea, quanto na constituição dos aspectos identitários da cultura brasileira. O espetáculo intitulado Benguelê, executado pelo grupo em 2009, é uma exaltação ao passado africano e às suas marcantes e profundas raízes na cultura brasileira. Riscando o palco, sem nenhum pudor, o coreógrafo evoca, do início ao fim, ritmos afro-brasileiros como o maracatu, o candomblé e o congado. Anarquia e frenesi se dão através das batidas de pé, remelexos de quadril, ombros e pélvis. A diversidade rítmica ganha vida ao som da música do compositor, cantor e violonista João Bosco. Ora festivos, ora ritualísticos, os movimentos sugerem danças tribais, em que a representação das figuras humanas, vergadas pelo tempo, ou animalizadas, pontua o espetáculo.
(Adaptado de:<http://www.grupocorpo.com.br/obras/benguele#release>. Acesso em: 12 ago. 2016.)
Com base no texto, nas imagens e nos conhecimentos sobre manifestações artísiticas, considere as afirmativas a seguir.
I. Benguelê é um espetáculo de dança popular que parte de pressupostos como a simetria, a beleza e a leveza para a composição coreográfica, a fim de abordar os aspectos folclóricos da arte.
II. Na arte contemporânea, convivem temporalidades diversas da tradição artística, em consonância com o tempo presente.
III. Dança é um movimento executado dentro de certas regras, não necessariamente regulares ou aparentes, e que se desenvolve no espaço e num tempo.
IV. Em Benguelê, a variedade rítmica e a diversidade de movimentos executados atestam o caráter plural do espetáculo.
Assinale a alternativa correta.F363F67B-AF Conhecimentos Gerais
Movimentos Sociais, Discriminação e Desigualdade: Raça, classe e gêneroUNIOESTE · 2016MédioEntre para guardar nos favoritosLeia as indicações abaixo sobre as questões indígenas no Brasil:
I
“Logo que cheguei à província do Paraná, de que fui presidente pouco mais de sete mezes, de 28 de setembro de 1885 a 4 de maio de 1886, tive que me avir com os chamados índios de Guarapuava. Vagava pelas ruas de Curityba uma turma semi-nua dessa gente, reclamando ferramentas, roupas, dinheiro, etc., e lamentandose de haverem sido maltratados por brasileiros e despojados de terras que lhe pertenciam”.
TAUNAY, Visconde de. Entre os Nossos Índios. São Paulo: Melhoramentos. 1931, p. 84.
II
“A antropóloga Manuela Carneiro da Cunha, em artigo publicado no jornal Folha de S. Paulo, argumenta que: essas reservas superlotadas, cujos recursos naturais não permitem um modo de vida tradicional, são focos permanentes de conflitos, suicídios e miséria. Contrastam tristemente com as aldeias Kaiowá, as tekoha, cujo nome literalmente significa “o lugar onde vivemos segundo nossas regras morais” (Folha de S. Paulo, 19 de novembro de 2014). [...]
Na década de 1970, a Usina Hidrelétrica de Itaipu, no Rio Paraná, cobriu aproximadamente 60 aldeias Guarani em ambas as margens (do lado do Brasil e do Paraguai). Reconhecendo parcialmente sua responsabilidade, o empreendimento binacional devolveu aos Guarani menos de 1% das terras indígenas que foram alagadas. Essas comunidades seguem sem terra, sem o reconhecimento concreto de seus direitos e sem qualquer tipo de reparação. [...]
Apenas 34% dos recursos destinados a ações, como a de demarcação dos territórios indígenas, foram liquidados até 2014”.
RANGEL, Lúcia H. (Coord.). Violência contra os povos indígenas. Relatório. Dados de 2014. Brasília: CIMI, 2015, p.18; 21, 36)
Sobre os indígenas no Brasil, é INCORRETO afirmar.34AB72AF-3B Conhecimentos Gerais
PolíticaUFPR · 2016DifícilEntre para guardar nos favoritosConsidere o seguinte extrato da declaração de independência haitiana:

(Transcrição a partir da versão publicada em David Armitage, Declaração de independência: uma história global. São Paulo: Companhia das Letras, 2011).
Com base nesse fragmento e nos conhecimentos sobre o assunto, considere as seguintes afirmativas sobre a Revolução Haitiana (1791-1804) e seu significado para as independências americanas:
1. Antes de se chamar Haiti, a ilha se chamava Santo Domingo e estava sob domínio espanhol, sendo invadida pelos franceses a mando de Napoleão.
2. O Haiti foi a primeira república das Américas a se libertar da dominação europeia e abolir a escravidão.
3. A particularidade da revolução haitiana é que foi dirigida por escravos, libertos e mulatos e inspirada nos princípios que os próprios franceses teriam levantado durante sua revolução.
4. A revolução haitiana contou com o apoio de escravos e libertos da colônia espanhola de Cuba.
Assinale a alternativa correta.
C77074AC-31 Conhecimentos Gerais
Migração, Refugiados e DemografiaUNESPAR · 2016DifícilEntre para guardar nos favoritosEm relação aos fluxos migratórios dos séculos XX e XXI, considere as seguintes alternativas:
I. O Brasil, há décadas, é considerado um país atrativo por migrantes bolivianos, peruanos e, recentemente, haitianos, que fogem das condições econômicas adversas dos seus respectivos países de origem.
II. O regime político cubano dificulta e, em alguns casos, impede a saída de seus cidadãos para outros países sem autorização prévia do governo, o que, por vezes, gera uma emigração ilegal e que põe em risco a integridade física dos emigrantes.
III. Na segunda metade do século XX e início do XXI, é possível constatar um fluxo migratório de indivíduos originários de países colonizados no século XIX para as suas antigas metrópoles.
IV. A emigração atual de sírios está ligada a conflitos internos e suas consequências, como fome, violência e perseguições políticas e religiosas.
C767C216-31 Conhecimentos Gerais
Movimentos Sociais, Discriminação e Desigualdade: Raça, classe e gêneroUNESPAR · 2016DifícilEntre para guardar nos favoritos“Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele, por sua origem ou ainda por sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender, e se podem aprender a odiar, elas podem ser ensinadas a amar.”
(Nelson Mandela – citado em: SILVA, Aida M. M. Apresentação. In: SILVA, Aida M. M.; TIRIBA, Léa (orgs.). Direito ao ambiente como direito à vida: desafios para a educação em direitos humanos. São Paulo: Cortez, 2015. p. 08.)
“[...] E de pai pra filho o racismo passa Em forma de piadas que teriam bem mais graça Se não fossem o retrato da nossa ignorância Transmitindo a discriminação desde a infância E o que as crianças aprendem brincando É nada mais nada menos do que a estupidez se propagando Qualquer tipo de racismo não se justifica Ninguém explica Precisamos da lavagem cerebral pra acabar com esse lixo que é uma herança cultural [...].”
(GABRIEL O PENSADOR. Lavagem Cerebral. Álbum: Gabriel O Pensador. Sony Music, 1993. CD.)
Os dois trechos acima fazem menção à discriminação racial. Com base neles e nas condições históricas do racismo no Brasil, escolha a alternativa CORRETA.
1B04580F-30 Conhecimentos Gerais
Sociedade e ComportamentoUNESP · 2016MédioEntre para guardar nos favoritosNossa felicidade depende daquilo que somos, de nossa individualidade; enquanto, na maior parte das vezes, levamos em conta apenas a nossa sorte, apenas aquilo que temos ou representamos. Pois, o que alguém é para si mesmo, o que o acompanha na solidão e ninguém lhe pode dar ou retirar, é manifestamente mais essencial para ele do que tudo quanto puder possuir ou ser aos olhos dos outros. Um homem espiritualmente rico, na mais absoluta solidão, consegue se divertir primorosamente com seus próprios pensamentos e fantasias, enquanto um obtuso, por mais que mude continuamente de sociedades, espetáculos, passeios e festas, não consegue afugentar o tédio que o martiriza.(Schopenhauer. Aforismos sobre a sabedoria de vida, 2015. Adaptado.)Com base no texto, é correto afirmar que a ética de Schopenhauer1ADBF4C0-30 Conhecimentos Gerais
Questões SociaisUNESP · 2016MédioEntre para guardar nos favoritos
Examinando a imagem e considerando as características dos meios de transporte rodoviário, ferroviário e hidroviário, é correto afirmar que
6E66AA94-1D Conhecimentos Gerais
Meio Ambiente, Sustentabilidade e Aquecimento GlobalUNICAMP · 2016FácilEntre para guardar nos favoritos“Rios caudalosos, florestas impenetráveis, tribos indígenas desconhecidas e histórias de animais gigantes que se alimentam de seres humanos. Um cenário assustador para a maioria, mas perfeito para aventureiros em busca de fama e riqueza no final do século XIX e início do XX. Foi nessa época que a Amazônia recebeu milhares de trabalhadores para a indústria de extração da borracha e para a construção de uma ferrovia de quase 400 quilômetros, que escoaria essa produção cortando os rios Madeira e Mamoré, a oeste do atual estado de Rondônia.”(Cristina Romanelli, “A ferro e sangue”. Disponível em http://www.revistadehistoria.com.br/secao/artigos-revista/a-ferro-e-sangue. Acessado em 05/08/2016.)A construção da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré0ACF3EEB-0D Conhecimentos Gerais
Questões SociaisUECE · 2016MédioEntre para guardar nos favoritosLeia atentamente os excertos a seguir:
“Os escravos são as mãos e os pés do senhor de engenho, porque sem eles no Brasil não é possível fazer, conservar e aumentar fazenda, nem ter engenho corrente. E do modo com que se há com eles, depende tê-los bons ou maus para o serviço”;
André João Antonil. Cultura e Opulência do Brasil por suas
drogas e minas. Belo Horizonte. Itatiaia, 1982. p.89.
“A democracia no Brasil foi sempre um lamentável mal-entendido. Uma aristocracia rural e semifeudal importou-a e tratou de acomodá-la, onde fosse possível, aos seus direitos ou privilégios, os mesmos privilégios que tinham sido, no Velho Mundo, o alvo da luta da burguesia contra os aristocratas”.
Sérgio Buarque de Holanda. Raízes do Brasil. Rio de janeiro.
José Olímpio editora, 1984. p. 119.
Considerando os vários aspectos da formação social do Brasil, pode-se afirmar corretamente que os dois trechos acima tratam
D1C12874-E4 Conhecimentos Gerais
EconomiaPUC-GO · 2016DifícilEntre para guardar nos favoritosTEXTO 8
IX
Horas depois, teve Rubião um pensamento horrível. Podiam crer que ele próprio incitara o amigo à viagem, para o fim de o matar mais depressa, e entrar na posse do legado, se é que realmente estava incluso no testamento. Sentiu remorsos. Por que não empregou todas as forças, para contê-lo? Viu o cadáver do Quincas Borba, pálido, hediondo, fitando nele um olhar vingativo; resolveu, se acaso o fatal desfecho se desse em viagem, abrir mão do legado.
Pela sua parte o cão vivia farejando, ganindo, querendo fugir; não podia dormir quieto, levantava-se muitas vezes, à noite, percorria a casa, e tornava ao seu canto. De manhã, Rubião chamava-o à cama, e o cão acudia alegre; imaginava que era o próprio dono; via depois que não era, mas aceitava as carícias, e fazia-lhe outras, como se Rubião tivesse de levar as suas ao amigo, ou trazê-lo para ali. Demais, havia-se-lhe afeiçoado também, e para ele era a ponte que o ligava à existência anterior. Não comeu durante os primeiros dias. Suportando menos a sede, Rubião pôde alcançar que bebesse leite; foi a única alimentação por algum tempo. Mais tarde, passava as horas, calado, triste, enrolado em si mesmo, ou então com o corpo estendido e a cabeça entre as mãos.
Quando o médico voltou, ficou espantado da temeridade do doente; deviam tê-lo impedido de sair; a morte era certa.
— Certa?
— Mais tarde ou mais cedo. Levou o tal cachorro?
— Não, senhor, está comigo; pediu que cuidasse dele, e chorou, olhe que chorou que foi um nunca acabar. Verdade é, disse ainda Rubião para defender o enfermo, verdade é que o cachorro merece a estima do dono; parece gente.
O médico tirou o largo chapéu de palha para concertar a fita; depois sorriu. Gente? Com que então parecia gente? Rubião insistia, depois explicava; não era gente como a outra gente, mas tinha coisas de sentimento, e até de juízo. Olhe, ia contar-lhe uma...
— Não, homem, não, logo, logo, vou a um doente de erisipela... Se vierem cartas dele, e não forem reservadas, desejo vê-las, ouviu? E lembranças ao cachorro, concluiu saindo.
Algumas pessoas começaram a mofar do Rubião e da singular incumbência de guardar um cão em vez de ser o cão que o guardasse a ele. Vinha a risota, choviam as alcunhas. Em que havia de dar o professor! sentinela de cachorro! Rubião tinha medo da opinião pública. Com efeito, parecia-lhe ridículo; fugia aos olhos estranhos, olhava com fastio para o animal, dava-se ao diabo, arrenegava da vida. Não tivesse a esperança de um legado, pequeno que fosse. Era impossível que lhe não deixasse uma lembrança.
(ASSIS, Machado de. Quincas Borba. São Paulo: Ática, 2011. p. 30-31.)
A partir de um projeto de modernidade europeia, o Estado-Nação construído na América espanhola tinha como inspiração a organização política e econômica da Europa. Nesse sentido, é possível afirmar que o processo de formação da nação argentina ocorreu (assinale a resposta correta):D14A5B3C-E4 Conhecimentos Gerais
Sociedade e ComportamentoPUC-GO · 2016MédioEntre para guardar nos favoritosTEXTO 3
Escalada para o inferno
Iniciava-se ali, meu estágio no inferno. A ardida solidão corroía cada passo que eu dava. Via crucis vivida aos seis anos de idade, ao sol das duas horas. Vermelhidão por todos os lados daquela rua íngreme e poeirenta. Meus olhos pediam socorro mas só encontravam uma infinitude de terra e desolação. Tentava acompanhar os passos de meu pai. E eles eram enormes. Não só os passos mas as pernas. Meus olhos olhavam duplamente: para os passos e para as pernas e não alcançavam nem um nem outro. Apenas se defrontavam com um vazio empoeirado que entrava no meu ser inteiro. Eu queria chorar mas tinha medo. Tropeçava a cada tentativa de correr para alcançar meu pai. E eu tinha medo de ter medo. E eu tinha medo de chorar. E era um sofrimento com todos os vórtices de agonia. À minha frente, até onde meus olhos conseguiram enxergar, estavam os pés e as pernas de meu pai que iam firmes subindo subindo subindo sem cessar. À minha volta eu podia ver e sentir a terra vermelha e minha vida envolta num turbilhão de desespero. Na verdade eu não sabia muito bem para onde estava indo. Eu era bestializado nos meus próprios passos. Nas minhas próprias pernas. Tinha a impressão que o ponto de chegada era aquele redemoinho em que me encontrava e que dele nunca mais sairia. Na ânsia de ir sem querer ir eu gaguejava no caminhar. E olhava com sofreguidão para os meus pés e via ainda com mais aflição que os bicos de meus sapatos novos estavam sujos daquela poeira impregnante, vasculhante, suja. Eu sempre gostei de sapatos. Eu sempre gostei de sapatos novos. Novos e luzidios. E eles estavam sujos. Cobertos de poeira. E a subida prosseguia inalterada. Tentava olhar para o alto e só conseguia ver os enormes joelhos de meu pai que dobravam num ritmo compassado. Via suas pernas e seus pés. E só. Sentia, lá no fundo, um desejo calado de dizer alguma coisa. De dizer-lhe que parasse. Que fosse mais devagar. Que me amparasse. Mas esse desejo era um calo na minha pequenina garganta que jamais seria curado. E eu prossegui ao extremo de meus limites. Tinha de acontecer: desamarrou o cadarço de meu sapato. A loucura do sol das duas horas parece ter se engraçado pelo meu desatino. Tudo ficou muito mais quente. Tudo ficou mais empoeirado e muito mais vermelho. O desatino me levou ao choro. Não sei se chorei ou se choraminguei. Só sei que dei índices de que eu precisava de meu pai. E ele atendeu. Voltou-se para mim e viu que estava pisando no cadarço. Que estava prestes a cair. Então me socorreu. Olhou-me nos olhos com a expressão casmurra. Levou suas enormes mãos aos meus pés e amarrou o cadarço firmemente com um intrincado nó. A cena me levou a um estado de cegueira anestésica tão intensa que sofri uma espécie de amnésia passageira. Estado de torpor. Quando dei por mim, já tinha chegado ao meu destino: cadeira do barbeiro. Alta, prepotente e giratória. Ele, o barbeiro, cabeça enorme, mãos enormes, enormes unhas, sorriso nos lábios dos quais surgiam grandes caninos. Ele portava enorme máquina que apontava em minha direção. E ouvi a voz do pai: pode tirar quase tudo! deixa só um pouco em cima! Ali, finalmente, para lembrar Rimbaud, ia se encerrar meu estágio no inferno.
(GONÇALVES, Aguinaldo. Das estampas. São Paulo: Nankin, 2013. p. 45-46.)
O Texto 3 aborda o sofrimento de uma criança ainda pequena acompanhando o pai em um ambiente árido e atemorizador. A cena inicial possui semelhanças com uma narrativa importante para as três grandes religiões monoteístas: o sacrifício de Isaque por Abraão. Deus teria pedido ao ancião que sacrificasse o filho que havia gerado milagrosamente com sua esposa, também idosa, Sara. Devido ao gesto de tomar o filho e levá-lo para o altar sacrificial, o patriarca foi chamado de “O Pai da Fé”. Além dessa narrativa comum, o Judaísmo, o Cristianismo e o Islamismo possuem historicamente características que os aproximam. Sobre esse tema, analise as afirmações a seguir:
I - Essas religiões apresentam a imagem de um Deus profundamente étnico, que escolhe um único povo, exige a execução de rituais sacrificiais e de ritos que reforçam essa identidade coletiva.
II - As três religiões apresentam a imagem de um Deus misericordioso e único, criador de toda a humanidade, apesar de muitas perseguições e conflitos terem sido gerados em razão da fé religiosa desses povos.
III - Elas utilizam um livro como referência para conhecer esse Deus, bem como para transmitir seus ensinamentos e valores.
IV - As três religiões se separaram e passaram a entrar em guerra logo após a morte de Abraão, já que o clã patriarcal não manteve o consenso na conquista de Canaã
De acordo com os itens analisados, marque a alternativa que contém todas as proposições corretas:
D122F6A1-E4 Conhecimentos Gerais
PolíticaPUC-GO · 2016DifícilEntre para guardar nos favoritosTEXTO 1
Democracia
Punhos de redes embalaram o meu canto
para adoçar o meu país, ó Whitman.
Jenipapo coloriu o meu corpo contra os maus-
[olhados,
catecismo me ensinou a abraçar os hóspedes,
carumã me alimentou quando eu era criança,
Mãe-negra me contou histórias de bicho,
moleque me ensinou safadezas,
massoca, tapioca, pipoca, tudo comi,
bebi cachaça com caju para limpar-me,
tive maleita, catapora e ínguas,
bicho-de-pé, saudade, poesia;
fiquei aluado, mal-assombrado, tocando maracá,
dizendo coisas, brincando com as crioulas,
vendo espíritos, abusões, mães-d’água,
conversando com os malucos, conversando sozinho,
emprenhando tudo que encontrava,
abraçando as cobras pelos matos,
me misturando, me sumindo, me acabando,
para salvar a minha alma benzida
e meu corpo pintado de urucu,
tatuado de cruzes de corações, de mãos-ligadas,
de nomes de amor em todas as línguas de branco, de
[mouro ou de pagão.
(LIMA, Jorge de. Melhores poemas. São Paulo: Global, 2006. p. 74.)
O Texto 1 tem como título “Democracia”, regime conhecido como “governo do povo”. Questões políticas pressupõem relações de poder. É sabido que na Antiguidade a função do governo era assegurar a vida boa; já na Idade Média, a natureza humana estava sujeita ao pecado. Desta forma, o papel de intimidação para todos agirem retamente cabia ao Estado. Daí, a estreita ligação entre política e moral, pois a obediência aos princípios da moral cristã exige a formação do governante justo. Sobre política e religião na Idade Média, marque a alternativa correta: