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Questões de Literatura do ENEM

Questões de Literatura, da área de Linguagens, com gabarito em cada página.

Resultados

48 questões encontradas. Mostrando a página 1 de 3.

  • C1F508C7-8D

    Literatura

    Escolas Literárias
    USP · 2024Entre para guardar nos favoritos
    No texto intitulado Tarsila, a pesquisadora Aracy Amaral transcreve um trecho das impressões de Tarsila do Amaral sobre a viagem às cidades históricas coloniais mineiras, que realizara em 1924 com o grupo modernista, liderado por Mário de Andrade: “(...) As decorações murais de um modesto corredor de hotel; o forro das salas, feito de taquarinhas coloridas e trançadas; as pinturas das igrejas, simples e comoventes, executadas com amor e devoção por artistas anônimos; o Aleijadinho, nas suas estátuas e nas linhas geniais da sua arquitetura religiosa, tudo era motivo para as nossas exclamações admirativas. Encontrei em Minas as cores que adorava em criança. Ensinaram-me depois que eram feias e caipiras. Segui o ramerrão do gosto apurado... Mas depois vinguei-me da opressão passando-as para as minhas telas: azul puríssimo, rosa violáceo, amarelo vivo, verde cantante, tudo em gradações mais ou menos fortes, conforme a mistura de branco. Pintura limpa, sobretudo, sem medo de cânones convencionais. Liberdade e sinceridade, uma certa estilização que a adaptava à época moderna.”



    Imagem da questão de Literatura, USP 2024, Escolas Literárias



    Considerando a obra O Mamoeiro, de Tarsila do Amaral, qual é o principal elemento que caracteriza a influência do movimento modernista brasileiro na pintura?  
    Escolha uma alternativa para a questão c1f508c7-8d
  • C1F03CCB-8D

    Literatura

    Arcadismo
    USP · 2024Entre para guardar nos favoritos
    Leia os trechos das obras Marília de Dirceu e Romanceiro da Inconfidência:

    Lira VII (Parte II)

    “Meu prezado Glauceste,
    Se fazes o conceito
    Que, bem que réu, abrigo
    A cândida Virtude no meu peito;
    Se julgas, digo, que mereço ainda
    Da tua mão socorro;
    Ah! Vem dar-mo agora,
    Agora, sim, que morro!

    Não quero que, montado
    No Pégaso fogoso,
    Venhas com dura lança
    Ao monstro infame traspassar, raivoso.
    Deixa que viva a pérfida calúnia,
    E forje o meu tormento:
    Com menos, meu Glauceste,
    Com menos me contento.”

    Tomás Antônio Gonzaga. Marília de Dirceu.


    Romance LXVI ou De Outros Maldizentes

    “- Que fica, na fortaleza,
    daquele poeta Gonzaga?
    - Um par de esporas, somente.
    Um par de esporas de prata.
    (...)
    Dizem que tinha um cavalo
    que Pégaso se chamava.
    Não pisava neste mundo,
    mas nos planaltos da Arcádia!”


    Cecília Meireles. Romanceiro da Inconfidência.


    Considerando o substantivo Pégaso, presente nos dois excertos, é correto afirmar:  
    Escolha uma alternativa para a questão c1f03ccb-8d
  • C1EB6C13-8D

    Literatura

    Barroco
    USP · 2024Entre para guardar nos favoritos
    Mais de uma vez, o brasileiro Machado de Assis e o português Eça de Queirós foram aproximados porque traçaram linhas de compreensão das suas respectivas sociedades, em um mesmo tempo historicamente situado. Os protagonistas Rubião, de Quincas Borba (1891), e Gonçalo, de A Ilustre Casa de Ramires (1900), 
    Escolha uma alternativa para a questão c1eb6c13-8d
  • C18A3DEF-8D

    Literatura

    Escolas Literárias
    USP · 2024Entre para guardar nos favoritos
    Carlos Drummond de Andrade foi o criador de uma obra lírica que, ao mesmo tempo, se aproxima e se afasta do Modernismo de 1922, propondo, a partir de traços desse movimento, uma poética original. Com base no exposto, em Alguma poesia (1930), 
    Escolha uma alternativa para a questão c18a3def-8d
  • C17408AB-8D

    Literatura

    Gênero Épico ou Narrativo
    USP · 2024Entre para guardar nos favoritos
       “São os ratos!... Vai escutar com atenção, a respiração meio parada. Hão de ser muitos: há várias fontes daquele guinchinho, e de quando em quando, no forro, em vários pontos, o rufar...
        A casa está cheia de ratos...”

    Dyonélio Machado. Os ratos.


    A obra Os ratos (1935), de Dyonélio Machado, narra o dia em que Naziazeno saiu pela cidade de Porto Alegre no intuito de conseguir dinheiro para pagar a conta do leiteiro. Os animais que dão título à narrativa apenas aparecem em seus últimos capítulos e ocupam o tempo reservado para o descanso do protagonista. É possível, então, afirmar: 
    Escolha uma alternativa para a questão c17408ab-8d
  • C12DEB75-8D

    Literatura

    Gênero Épico ou Narrativo
    USP · 2024Entre para guardar nos favoritos
    Os quadrinhos a seguir são parte da obra Dois irmãos, de Fábio Moon e Gabriel Bá (2015), uma adaptação do romance Dois irmãos, de Milton Hatoum, para o universo das novelas gráficas (graphic novels). 



    Imagem da questão de Literatura, USP 2024, Gênero Épico ou Narrativo




    Considerando as características visuais dos quadrinhos e os traços narrativos do romance Dois irmãos, de Milton Hatoum, é correto afirmar:  
    Escolha uma alternativa para a questão c12deb75-8d
  • D38A35E9-75

    Literatura

    Escolas Literárias
    Faculdades de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo · 2024Entre para guardar nos favoritos
        Imaginação, sentimento, emoção prevalecem sobre a razão. É o triunfo do individualismo e do subjetivismo. Idealiza-se a realidade, foge-se do mundo pelo sonho; angústia e pessimismo preponderam; pratica-se o culto da morte, do passado e da natureza. Grandes temas dominam toda a poesia: saudade, Indianismo, “mal do século”, natureza brasileira, “exaltação nacionalista” e causas sociais (abolicionismo). Descartam-se as imposições da arte poética clássica.


    (Paul Teyssier. Dicionário de literatura brasileira, 2003.)


    O texto trata do movimento
    Escolha uma alternativa para a questão d38a35e9-75
  • 386C2DA2-DF

    Literatura

    Escolas Literárias
    CEDERJ · 2024FácilEntre para guardar nos favoritos
    A Semana de Arte Moderna de 1922 significou o estabelecimento de um novo paradigma para a cultura brasileira. Uma das opções abaixo contém elementos que confirmam esse estabelecimento. Assinale-a:
    Escolha uma alternativa para a questão 386c2da2-df
  • 71085FF8-D2

    Literatura

    Escolas Literárias
    ENEM · 2024MédioEntre para guardar nos favoritos

    Símbolos



    Eu e tu, ante a noite e o amplo desdobramento

    do mar, fero, a estourar de encontro à rocha nua...

    Um símbolo descubro aqui, neste momento

    esta rocha, este mar... a minha vida e a tua.


    O mar vem, o mar vai, nele há o gesto violento

    de quem maltrata e, após, se arrepende e recua.

    Como compreendo bem da rocha o sentimento!

    São muito iguais, por certo, a minha mágoa e a sua.


    Contemplo neste quadro a nossa triste vida;

    tu és dúbio mar que, na sua inconsciência,

    tem carinhos de amor e fúrias de demência!


    Eu sou a dor estanque, a dor empedernida,

    sou rocha a emergir de um côncavo de areia,

    imóvel, muda, isenta e alheia ao mar, alheia.


    MACHADO, G. Poesia completa. Rio de Janeiro:

    Cátedra/MEC, 1978.

    Nesse soneto, os traços da estética simbolista são resgatados pelo eu lírico ao
    Escolha uma alternativa para a questão 71085ff8-d2
  • 70FA54E6-D2

    Literatura

    Escolas Literárias
    ENEM · 2024MédioEntre para guardar nos favoritos
    — Vejo, disse ele com algum acanhamento, que o doutor não é nenhum pé-rapado, mas nunca é bom facilitar... Minha filha Nocência fez 18 anos pelo Natal, e é rapariga que pela feição parece moça de cidade, muito ariscazinha de modos, mas bonita e boa deveras... Coitada, foi criada sem mãe, e aqui nestes fundões. [...]
    — Ora muito que bem, continuou Pereira caindo aos poucos na habitual garrulice, quando vi a menina tomar corpo, tratei logo de casá-la.
     — Ah! é casada? perguntou Cirino.
    — Isto é, é e não é. A coisa está apalavrada. Por aqui costuma labutar no costeio do gado para São Paulo um homem de mão- cheia, que talvez o sr. conheça... o Manecão Doca...
    — Não, respondeu Cirino abanando a cabeça.
    — Pois isso é um homem às direitas, desempenado e trabucador como ele só... fura estes sertões todos e vem tangendo pontes de gado que metem pasmo. Também dizem que tem bichado muito e ajuntado cobre grosso, o que é possível, porque não é gastador nem dado a mulheres. Uma feita que estava aqui de pousada... olhe, mesmo neste lugar onde estava mecê inda agorinha, falei-lhe em casamento... isto é, dei-lhe uns toques... porque os pais devem tomar isso a si para bem de suas famílias; não acha?
    — Boa dúvida, aprovou Cirino, dou-lhe toda a razão; era do seu dever.

    TAUNAY, A. d’E. Inocência. Disponível em: www.dominiopublico.gov.br.
    Acesso em: 29 fev. 2024. 
    Nesse trecho, ao se referir à sua filha, o pai de Inocência reproduz os ideais românticos, presentes na
    Escolha uma alternativa para a questão 70fa54e6-d2
  • C9ED33C7-CC

    Literatura

    Escolas Literárias
    Universidade Federal de Juiz de Fora - MG · 2024MédioEntre para guardar nos favoritos

    Sete annos de pastor Jacob servia


    Luís Vaz de Camões


    Sete annos de pastor Jacob servia

    Labão, pae de Raquel, serrana bella:

    Mas n˜ao servia ao pae, servia a ella,

    Que a ella só por premio pertendia.


    Os dias na esperança de hum só dia

    Passava, contentando-se com vella:

    Porém o pae, usando de cautella,

    Em lugar de Raquel lhe deo a Lia.


    Vendo o triste Pastor que com enganos

    Assi lhe era negada a sua Pastora,

    Como se a não tivera merecida;


    Começou a servir outros sete annos,

    Dizendo: Mais servíra, senão fôra

    Para tão longo amor tão curta a vida.


    Fonte: CAMOES, Luís Vaz de. Obras Completas de Luis de Camões, Tomo II (Portuguese Edition). Edição do Kindle.

    Assinale a única alternativa INCORRETA sobre o poema de Gregório de Matos.
    Escolha uma alternativa para a questão c9ed33c7-cc
  • CA2CCFA8-5A

    Literatura

    Escolas Literárias
    UFRGS · 2024FácilEntre para guardar nos favoritos

    Leia com atenção o poema abaixo, de Manuel Bandeira.



    O Bicho


    Vi ontem um bicho

    Na imundície do pátio

    Catando comida entre os detritos.

    Quando achava alguma coisa,

    Não examinava nem cheirava:

    Engolia com voracidade.


    O bicho não era um cão,

    Não era um gato,

    Não era um rato.


    O bicho, meu Deus, era um homem.



    Assinale a alternativa correta em relação ao poema.  

    Escolha uma alternativa para a questão ca2ccfa8-5a
  • CA24EC79-5A

    Literatura

    Teoria Literária
    UFRGS · 2024FácilEntre para guardar nos favoritos

    Leia o trecho abaixo, de Cem anos de solidão, de Gabriel Garcia Marquez.


    Mal tinham começado quando Amaranta percebeu que Remédios, a Bela, estava quase transparente, com uma palidez intensa.


    — Você está se sentindo mal? — perguntou.


    Remédios, a Bela, que tinha agarrado o lençol pela outra ponta, fez um sorriso de lástima.


    — Ao contrário — disse —, nunca me senti melhor. Acabou de falar e Fernanda sentiu um delicado vento de luz que arrancou os lençóis de suas mãos e os estendeu em toda sua amplitude. Amaranta sentiu um tremor misterioso nas rendas de suas anáguas e tratou de se agarrar no lençol para não cair, no mesmo instante em que Remédios, a Bela, começava a se elevar. Úrsula, já quase cega, foi a única que teve serenidade para identificar a natureza daquele vento irreparável, e deixou os lençóis à mercê da luz, vendo Remédios, a Bela, que dizia adeus com a mão, entre o deslumbrante bater de asas dos lençóis que subiam com ela, que abandonavam com ela o ar dos besouros e das dálias, e passavam com ela através do ar onde as quatro da tarde terminavam, e se perderam com ela para sempre nos altos ares onde não podiam alcançá-la nem os mais altos pássaros da memória.


    Os forasteiros, claro, acharam que Remédios, a Bela, havia enfim sucumbido ao seu irrevogável destino de abelha rainha e que sua família tratava de salvar a honra com o engodo da levitação. Fernanda, mordida pela inveja, acabou aceitando o prodígio, e durante muito tempo continuou rogando a Deus que lhe devolvesse os lençóis. A maioria acreditou no milagre, e até acendeu velas e rezou novenas.



    Assinale a alternativa correta sobre o fragmento acima, considerando, também, a leitura integral de Cem anos de solidão.

    Escolha uma alternativa para a questão ca24ec79-5a
  • CA129C37-5A

    Literatura

    Escolas Literárias
    UFRGS · 2024DifícilEntre para guardar nos favoritos

    Considere os trechos abaixo, retirados da obra A falência, de Júlia Lopes de Almeida, e a leitura integral da obra.



    I. — Minha senhora, eu sou da opinião de que a mulher nasceu para mãe de família. Crie os seus filhos, seja fiel ao seu marido, dirija bem a sua casa e terá cumprido a sua missão. Este foi sempre o meu juízo e não me dei mal com ele; não quis casar com mulher sabichona. É nas medíocres que se encontram as esposas.


    II. (...) tinha ascendência sobre a criadagem, que a tratava por dona. Mesmo entre os brancos a palavra da sua experiência era ouvida com acatamento. Ela era a mulher desembaraçada, a doceira dos grandes dias de festa, a única das engomadeiras capaz de satisfazer as impertinências do dono da casa; ninguém sabia como a (...) preparar um remédio, um suadouro, nem dar um escalda-pés sinapisado, nem tão bem escolher o peixe, preparar um pudim ou vestir uma criança.


    III. Aos doze anos conservava o seu ar estúpido e humilde; não conhecia uma letra, mas ensinava as criadas novas a varrerem a casa e a porem a mesa com perfeição. Como o Mário lhe bateu um dia com os arreios do seu cavalo de pau, Francisco Theodoro resolveu pô-la em um colégio, de pensionista, recomendando uma instrução prática, nada ornamental.



    Assinale a alternativa correta acerca dos perfis femininos que compõem o enredo.

    Escolha uma alternativa para a questão ca129c37-5a
  • CA0FC5B2-5A

    Literatura

    Escolas Literárias
    UFRGS · 2024DifícilEntre para guardar nos favoritos
    Assinale a alternativa correta a respeito do enredo de alguns contos de Várias histórias, de Machado de Assis.
    Escolha uma alternativa para a questão ca0fc5b2-5a
  • CA0D3515-5A

    Literatura

    Escolas Literárias
    UFRGS · 2024FácilEntre para guardar nos favoritos

    No bloco superior abaixo, estão listados nomes de poetas brasileiros; no inferior, alguns excertos de poemas representantes da poesia árcade, barroca, romântica e simbolista brasileiras.



    Associe adequadamente o bloco inferior ao superior.


    1 – Álvares de Azevedo


    2 – Casimiro de Abreu


    3 – Cruz e Souza


    4 – Gregório de Matos


    5 – Tomás Antônio Gonzaga



    ( ) Pintam, Marília, os Poetas A um menino vendado, Com uma aljava de setas, Arco empunhado na mão; Ligeiras asas nos ombros, O tenro corpo despido, E de Amor, ou de Cupido São os nomes, que lhe dão.


    ( ) Ó Formas alvas, brancas, Formas claras De luares, de neves, de neblinas! Ó Formas vagas, fluidas, cristalinas… Incensos dos turíbulos das aras Formas do Amor, constelarmente puras, De Virgens e de Santas vaporosas… Brilhos errantes, mádidas frescuras E dolências de lírios e de rosas…


    ( ) Pequei, Senhor; mas não porque hei pecado, Da vossa alta clemência me despido; Antes, quanto mais tenho delinquido, Vos tenho a perdoar mais empenhado. Se basta a vos irar tanto pecado, A abrandar-vos sobeja um só gemido: Que a mesma culpa, que vos há ofendido, Vos tem para o perdão lisonjeado.


    ( ) Oh! dias da minha infância! Oh! meu céu de primavera! Que doce a vida não era Nessa risonha manhã! Em vez das mágoas de agora, Eu tinha nessas delícias De minha mãe as carícias E beijos de minhã irmã!



    A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é

    Escolha uma alternativa para a questão ca0d3515-5a
  • E332A04A-40

    Literatura

    Teoria Literária
    Associação Catarinense das Fundações Educacionais - ACAFE · 2024MédioEntre para guardar nos favoritos
    Analise as afirmativas seguintes em relação ao romance O Vendededor de Passados, de José Eduardo Agualusa.


    I. A narrativa do romance é conduzida exclusivamente em terceira pessoa onisciente, mantendo uma perspectiva distanciada de eventos e personagens.

    II. A obra apresenta uma estrutura narrativa não linear, alternando entre diferentes tempos e perspectivas narrativas, o que contribui para a complexidade da trama e a exploração dos temas de identidade e memória.

    III. A utilização de um narrador não humano, a osga que acredita ser a reencarnação de um fotógrafo, acrescenta uma camada de realismo mágico à estrutura narrativa.

    IV. A estrutura narrativa incorpora metaficção, com personagens que estão conscientes dos processos de criação de histórias e identidades, o que desafia as fronteiras entre realidade e ficção dentro do romance.


    É CORRETO o que se afirma em: 
    Escolha uma alternativa para a questão e332a04a-40
  • E3305132-40

    Literatura

    Escolas Literárias
    Associação Catarinense das Fundações Educacionais - ACAFE · 2024MédioEntre para guardar nos favoritos
    Considere o movimento da Catequese Poética, criado pelo poeta catarinense Lindolf Bell, na década de 1960, juntamente com a simbologia das águas como eixo norteador da leitura do poema VI.


    VI

    A linha do horizonte
    atravessa meus olhos

    Meus olhos
    que a linha final da morte atravessará

    A linha do horizonte
    viverá de horizonte a horizonte

    Sem meus olhos
    E sem a minha vida

    BELL, Lindolf. O Código das Águas. Global: 1984.


    A partir da leitura, assinale a alternativa CORRETA
    Escolha uma alternativa para a questão e3305132-40
  • 95E7F4AC-3F

    Literatura

    Teoria Literária
    Universidade Federal de Juiz de Fora - MG · 2024FácilEntre para guardar nos favoritos
    TEXTO III


    Amor
    Clarice Lispector


            Os filhos de Ana eram bons, uma coisa verdadeira e sumarenta. Cresciam, tomavam banho, exigiam para si, malcriados, instantes cada vez mais completos. A cozinha era enfim espaçosa, o fogão enguiçado dava estouros. O calor era forte no apartamento que estavam aos poucos pagando. Mas o vento batendo nas cortinas que ela mesma cortara lembrava-lhe que se quisesse podia parar e enxugar a testa, olhando o calmo horizonte.Como um lavrador. [...] No fundo, Ana sempre tivera necessidade de sentir a raiz firme das coisas. E isso um lar perplexamente lhe dera. Por caminhos tortos, viera a cair num destino de mulher, com a surpresa de nele caber como se o tivesse inventado. O homem com quem casara era um homem verdadeiro, os filhos que tivera eram filhos verdadeiros. Sua juventude anterior parecia-lhe estranha como uma doença de vida. Dela havia aos poucos emergido para descobrir que também sem a felicidade se vivia: abolindo-a, encontrara uma legião de pessoas, antes invisíveis, que viviam como quem trabalha - com persistência, continuidade, alegria. [...] O bonde se arrastava, em seguida estacava. Até Humaitá tinha tempo de descansar. Foi então que olhou para o homem parado no ponto. A diferença entre ele e os outros é que ele estava realmente parado. De pé, suas mãos se mantinham avançadas. Era um cego. O que havia mais que fizesse Ana se aprumar em desconfiança? Alguma coisa intranquila estava sucedendo. Então ela viu: o cego mascava chicles... Um homem cego mascava chicles. Ana ainda teve tempo de pensar por um segundo que os irmãos viriam jantar - o coração batia-lhe violento, espaçado. Inclinada, olhava o cego profundamente, como se olha o que não nos vê. Ele mastigava goma na escuridão. Sem sofrimento, com os olhos abertos [...]

    - o bonde deu uma arrancada súbita jogandoa desprevenida para trás, o pesado saco de tricô despencou-se do colo, ruiu no chão - Ana deu um grito, o condutor deu ordem de parada antes de saber do que se tratava - o bonde estacou, os passageiros olharam assustados. Incapaz de se mover para apanhar suas compras, Ana se aprumava pálida. Uma expressão de rosto, há muito não usada, ressurgiralhe com dificuldade, ainda incerta, incompreensível. O moleque dos jornais ria entregando-lhe o volume. Mas os ovos se haviam quebrado no embrulho de jornal. Gemas amarelas e viscosas pingavam entre os filhos da rede. [...] A rede perdera o sentido e estar num bonde era um fio partido; não sabia o que fazer com as compras no colo. [...] como se pudesse cair do bonde, como se as coisas pudessem ser revertidas com a mesma calma com que não o eram. O que chamava de crise viera afinal. E sua marca era o prazer intenso com que olhava agora as coisas, sofrendo espantada. O calor se tornara mais abafado, tudo tinha ganho uma força e vozes mais altas.


                                                                              FONTE: LISPECTOR, Clarice. O Amor. In: MORICONI, Ítalo (org). Os cem melhores contos brasileiros do século, Editora Objetiva: Rio de Janeiro, 2000, p. 212-219.  



    TEXTO IV


            A questão da epifania (epiphaneia) pode ser compreendida num sentido místico-religioso e num sentido literário. No sentido místico-religioso, a epifania é o aparecimento de uma divindade e uma manifestação espiritual - e é neste sentido que a palavra surge descrevendo a aparição de Cristo aos gentios. Aplicado à literatura, o termo significa o relato de uma experiência que, a princípio, se mostra simples e rotineira, mas que acaba por mostrar toda a força de uma inusitada revelação. É a percepção de uma realidade atordoante quando os objetos mais simples, os gestos mais banais e as situações mais cotidianas comportam iluminação súbita na consciência dos figurantes, e a grandiosidade do êxtase pouco tem a ver com o elemento prosaico em que se inscreve a personagem.

    Fonte: SANT'ANNA, Affonso Romano de. Com Clarice. São Paulo: Editora Unesp, 2013, p.128.
    Considerando o conteúdo do texto IV, assinale a alternativa em que há o momento de "epifania" da personagem Ana, do conto de Clarice Lispector, no Texto III.
    Escolha uma alternativa para a questão 95e7f4ac-3f
  • 95E5121B-3F

    Literatura

    Gêneros Literários
    Universidade Federal de Juiz de Fora - MG · 2024MédioEntre para guardar nos favoritos
    TEXTO III


    Amor
    Clarice Lispector


            Os filhos de Ana eram bons, uma coisa verdadeira e sumarenta. Cresciam, tomavam banho, exigiam para si, malcriados, instantes cada vez mais completos. A cozinha era enfim espaçosa, o fogão enguiçado dava estouros. O calor era forte no apartamento que estavam aos poucos pagando. Mas o vento batendo nas cortinas que ela mesma cortara lembrava-lhe que se quisesse podia parar e enxugar a testa, olhando o calmo horizonte.Como um lavrador. [...] No fundo, Ana sempre tivera necessidade de sentir a raiz firme das coisas. E isso um lar perplexamente lhe dera. Por caminhos tortos, viera a cair num destino de mulher, com a surpresa de nele caber como se o tivesse inventado. O homem com quem casara era um homem verdadeiro, os filhos que tivera eram filhos verdadeiros. Sua juventude anterior parecia-lhe estranha como uma doença de vida. Dela havia aos poucos emergido para descobrir que também sem a felicidade se vivia: abolindo-a, encontrara uma legião de pessoas, antes invisíveis, que viviam como quem trabalha - com persistência, continuidade, alegria. [...] O bonde se arrastava, em seguida estacava. Até Humaitá tinha tempo de descansar. Foi então que olhou para o homem parado no ponto. A diferença entre ele e os outros é que ele estava realmente parado. De pé, suas mãos se mantinham avançadas. Era um cego. O que havia mais que fizesse Ana se aprumar em desconfiança? Alguma coisa intranquila estava sucedendo. Então ela viu: o cego mascava chicles... Um homem cego mascava chicles. Ana ainda teve tempo de pensar por um segundo que os irmãos viriam jantar - o coração batia-lhe violento, espaçado. Inclinada, olhava o cego profundamente, como se olha o que não nos vê. Ele mastigava goma na escuridão. Sem sofrimento, com os olhos abertos [...]

    - o bonde deu uma arrancada súbita jogandoa desprevenida para trás, o pesado saco de tricô despencou-se do colo, ruiu no chão - Ana deu um grito, o condutor deu ordem de parada antes de saber do que se tratava - o bonde estacou, os passageiros olharam assustados. Incapaz de se mover para apanhar suas compras, Ana se aprumava pálida. Uma expressão de rosto, há muito não usada, ressurgiralhe com dificuldade, ainda incerta, incompreensível. O moleque dos jornais ria entregando-lhe o volume. Mas os ovos se haviam quebrado no embrulho de jornal. Gemas amarelas e viscosas pingavam entre os filhos da rede. [...] A rede perdera o sentido e estar num bonde era um fio partido; não sabia o que fazer com as compras no colo. [...] como se pudesse cair do bonde, como se as coisas pudessem ser revertidas com a mesma calma com que não o eram. O que chamava de crise viera afinal. E sua marca era o prazer intenso com que olhava agora as coisas, sofrendo espantada. O calor se tornara mais abafado, tudo tinha ganho uma força e vozes mais altas.


    FONTE: LISPECTOR, Clarice. O Amor. In: MORICONI, Ítalo (org). Os cem melhores contos brasileiros do século, Editora Objetiva: Rio de Janeiro, 2000, p. 212-219.
    Nos trechos apresentados do conto "Amor", de Clarice Lispector, observa-se:
    Escolha uma alternativa para a questão 95e5121b-3f