Pular para o conteúdo

Disciplina · Linguagens

Questões de Literatura do ENEM

Questões de Literatura, da área de Linguagens, com gabarito em cada página.

  • 1.323 questões
  • 24 assuntos

Resultados: 1.323 questões

Página 47 de 67

  • Linguagens

    Literatura

    Ainda no que diz respeito a Memórias Póstumas de Brás Cubas, sobre a “lei da equivalência das janelas”, assinale a alternativa correta.
    Escolha uma alternativa para a questão c0eca399-b0
  • Linguagens

    Literatura

    A um Poeta

    Longe do estéril turbilhão da rua,
    Beneditino, escreve! No aconchego
    Do claustro, na paciência e no sossego,
    Trabalha, e teima, e lima, e sofre, e sua!

    Mas que na forma se disfarce o emprego
    Do esforço; e a trama viva se construa
    De tal modo, que a imagem fique nua,
    Rica mas sóbria, como um templo grego.

    Não se mostre na fábrica o suplício
    Do mestre. E, natural, o efeito agrade,
    Sem lembrar os andaimes do edifício:

    Porque a Beleza, gêmea da Verdade,
    Arte pura, inimiga do artifício,
    É a força e a graça na simplicidade.

    (BILAC, O. Poesias. 15.ed. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1931. p.339.)


    Com base nesse poema e nos conhecimentos sobre o Parnasianismo, considere as afirmativas a seguir.


    I. O eu lírico defende que o sofrimento do poeta na feitura do poema fique explícito para o leitor atento.

    II. O último verso ironiza a escola parnasiana por conta de seus excessos formais e exageros metalinguísticos.

    III. O poema retoma certos valores preconizados pela tradição clássica, como a forma soneto, por exemplo.

    IV. O poema é uma espécie de receita de como se fazer poesia, o que fica sugerido já em seu título.

    Assinale a alternativa correta.
    Escolha uma alternativa para a questão c0f08fc4-b0
  • Linguagens

    Literatura

    Leia o texto a seguir.


    Amanheci um dia pensando em casar. Foi uma ideia que me veio sem que nenhum rabo de saia a provocasse. Não me ocupo com amores, devem ter notado, e sempre me pareceu que mulher é um bicho esquisito, difícil de governar.

    A que eu conhecia era Rosa do Marciano, muito ordinária. Havia conhecido também a Germana e outras dessa laia. Por elas, eu julgava todas. Não me sentia, pois, inclinado para nenhuma: o que sentia era desejo de preparar um herdeiro para as terras de São Bernardo.


    (RAMOS, G. São Bernardo. 28.ed. Rio de Janeiro: Record, 1977. p.54.)


    Sobre a morte de Madalena, assinale a alternativa correta.

    Escolha uma alternativa para a questão c0f66528-b0
  • Linguagens

    Literatura

    Com base na leitura prévia da obra São Bernardo, considere as afirmativas a seguir.


    I. A narração em primeira pessoa é mediada por outras personagens, o padre e o jornalista, contratados por Paulo Honório para escrever suas memórias.

    II. O narrador em primeira pessoa promove um aprofundamento psicológico de Paulo Honório e sua tomada de consciência perante a vida.

    III. O tempo da história é o mesmo tempo dos acontecimentos, por isso a personagem se vê perdida em seus pensamentos, quase sempre confusos.

    IV. O tempo dos acontecimentos é um elemento supérfluo, visto que o narrador não se preocupa em marcá-los de maneira objetiva, deixando-o em aberto.


    Assinale a alternativa correta.
    Escolha uma alternativa para a questão c0faaf5f-b0
  • Linguagens

    Literatura

    Sobre o Parnasianismo brasileiro, assinale a alternativa correta.
    Escolha uma alternativa para a questão c0fe4d1e-b0
  • Linguagens

    Literatura

    TEXTO 1

                                         O mundo do menino impossível

    Fim de tarde, boquinha da noite

    com as primeiras estrelas e os derradeiros sinos.

    Entre as estrelas e lá detrás da igreja,

    surge a lua cheia

    para chorar com os poetas.

    E vão dormir as duas coisas novas desse mundo:

    o sol e os meninos.

    Mas ainda vela

    o menino impossível,

    aí do lado,

    enquanto todas as crianças mansas

    dormem

               acalentadas

    por Mãe-negra da Noite.

    O menino impossível

    que destruiu

    os brinquedos perfeitos

    que os vovós lhe deram:

    o urso de Nurnberg,

    o velho barbado jugoslavo,

    as poupées de Paris aux

    cheveux crêpés,

    o carrinho português

    feito de folha de flandres a

    caixa de música checoslovaca,

    o polichinelo italiano

    made in England,

    o trem de ferro de U. S. A.

    e o macaco brasileiro

    de Buenos Aires,

    moviendo la cola y la cabeza.

     O menino impossível

    que destruiu até

    os soldados de chumbo de Moscou

    e furou os olhos de um Papá Noel,

    brinca com sabugos de milho,

    caixas vazias,

    tacos de pau,

    pedrinhas brancas do rio...

    “Faz de conta que os sabugos

    são bois...”

    “Faz de conta...”

    “Faz de conta...”

    [...]

    O menino pousa a testa

    e sonha dentro da noite quieta

    da lâmpada apagada,

    com o mundo maravilhoso

    que ele tirou do nada...

    [...] 

    (LIMA, Jorge de. Melhores poemas. São Paulo: Global, 2006. p. 27-30. Adaptado.)

    Jorge de Lima, a partir de Poemas (1927), adere ao Modernismo e adota procedimentos estilísticos novos, como o uso do verso livre, sem deixar de manter sua estreita ligação com os clássicos e com a herança portuguesa. Nesse período, amplia sua tendência para valorizar mais o mundo noturno e imaginário, o devaneio, o sonho, como exemplifica o poema “O mundo do menino impossível". Sobre o Texto 1, marque a alternativa correta:
    Escolha uma alternativa para a questão c111c0b2-9a
  • Linguagens

    Literatura

    Os quadrinhos a seguir são parte da obra Dois irmãos, de Fábio Moon e Gabriel Bá (2015), uma adaptação do romance Dois irmãos, de Milton Hatoum, para o universo das novelas gráficas (graphic novels). 



    Imagem da questão de Literatura, USP 2024, Gênero Épico ou Narrativo




    Considerando as características visuais dos quadrinhos e os traços narrativos do romance Dois irmãos, de Milton Hatoum, é correto afirmar:  
    Escolha uma alternativa para a questão c12deb75-8d
  • Linguagens

    Literatura

         E Jerônimo via e escutava, sentindo ir-se-lhe toda a alma pelos olhos enamorados.
       Naquela mulata estava o grande mistério, a síntese das impressões que ele recebeu chegando aqui: ela era a luz ardente do meio-dia; ela era o calor vermelho das sestas da fazenda; era o aroma quente dos trevos e das baunilhas, que o atordoara nas matas brasileiras; era a palmeira virginal e esquiva que se não torce a nenhuma outra planta; era o veneno e era o açúcar gostoso; era o sapoti mais doce que o mel e era a castanha do caju, que abre feridas com o seu azeite de fogo; ela era a cobra verde e traiçoeira, a lagarta viscosa, a muriçoca doida, que esvoaçava havia muito tempo em torno do corpo dele, assanhando-lhe os desejos, acordando-lhe as fibras embambecidas pela saudade da terra, picando-lhe as artérias, para lhe cuspir dentro do sangue uma centelha daquele amor setentrional, uma nota daquela música feita de gemidos de prazer, uma larva daquela nuvem de cantáridas que zumbiam em torno da Rita Baiana e espalhavam-se pelo ar numa fosforescência afrodisíaca.
      Isto era o que Jerônimo sentia, mas o que o tonto não podia conceber. De todas as impressões daquele resto de domingo só lhe ficou no espírito o entorpecimento de uma desconhecida embriaguez, não de vinho, mas de mel chuchurreado no cálice de flores americanas, dessas muito alvas, cheirosas e úmidas, que ele na fazenda via debruçadas confidencialmente sobre os limosos pântanos sombrios, onde as oiticicas trescalam um aroma que entristece de saudade.
    (AZEVEDO, Aluísio. O Cortiço. São Paulo: Ateliê Editorial, 2012. p. 152)
    Aluísio Azevedo (1857-1913) foi um dos principais nomes do Naturalismo no Brasil. Pode-se notar características da escola naturalista no trecho de O Cortiço pois
    Escolha uma alternativa para a questão c167d03b-f2
  • Linguagens

    Literatura

       “São os ratos!... Vai escutar com atenção, a respiração meio parada. Hão de ser muitos: há várias fontes daquele guinchinho, e de quando em quando, no forro, em vários pontos, o rufar...
        A casa está cheia de ratos...”

    Dyonélio Machado. Os ratos.


    A obra Os ratos (1935), de Dyonélio Machado, narra o dia em que Naziazeno saiu pela cidade de Porto Alegre no intuito de conseguir dinheiro para pagar a conta do leiteiro. Os animais que dão título à narrativa apenas aparecem em seus últimos capítulos e ocupam o tempo reservado para o descanso do protagonista. É possível, então, afirmar: 
    Escolha uma alternativa para a questão c17408ab-8d
  • Linguagens

    Literatura

    Carlos Drummond de Andrade foi o criador de uma obra lírica que, ao mesmo tempo, se aproxima e se afasta do Modernismo de 1922, propondo, a partir de traços desse movimento, uma poética original. Com base no exposto, em Alguma poesia (1930), 
    Escolha uma alternativa para a questão c18a3def-8d
  • Linguagens

    Literatura

    O texto, a seguir, é parte da obra Os sertões, de Euclides da Cunha, publicado em 1902, intitulada “A terra”. A obra é resultado da cobertura jornalística da Guerra de Canudos, realizada entre agosto e outubro de 1897, para o jornal O Estado de S.Paulo.


    TEXTO II

    A terra

    Figura 1 de 2 da questão de Literatura, UECE 2026, Escolas Literárias
    Figura 2 de 2 da questão de Literatura, UECE 2026, Escolas Literárias

    CUNHA, Euclides da. Os Sertões. Rio de Janeiro: Ediouro, 2003.
    Analise as assertivas a seguir com base na obra Os Sertões.


    I. Há, na obra, uma representação da violenta intervenção do Estado que resulta na total dizimação da comunidade de Canudos.

    II. Os sertões é uma obra fortemente influenciada pelo Determinismo, uma vez que o comportamento humano resulta da influência de fatores ligados ao meio, à raça e ao momento histórico.

    III. Explica a capacidade de racionalização dos indivíduos ali retratados em contraponto à exposição das condições sociais e ambientais constitutivas dos povos e da história do Brasil.

    IV. Descreve cientificamente os personagens retratados, aproximando a postura metafísica da concepção realista observada.


    Estão corretas as assertivas
    Escolha uma alternativa para a questão c18d3cb4-6f
  • Linguagens

    Literatura

    O texto, a seguir, é parte da obra Os sertões, de Euclides da Cunha, publicado em 1902, intitulada “A terra”. A obra é resultado da cobertura jornalística da Guerra de Canudos, realizada entre agosto e outubro de 1897, para o jornal O Estado de S.Paulo.


    TEXTO II

    A terra

    Figura 1 de 2 da questão de Literatura, UECE 2026, Escolas Literárias
    Figura 2 de 2 da questão de Literatura, UECE 2026, Escolas Literárias

    CUNHA, Euclides da. Os Sertões. Rio de Janeiro: Ediouro, 2003.
    Os sertões, de Euclides da Cunha, é a obra que inaugura o Pré-modernismo brasileiro (1902-1922). Esse período da literatura é caracterizado 
    Escolha uma alternativa para a questão c18fce23-6f
  • Linguagens

    Literatura

    Figura 1 de 2 da questão de Literatura, PUC - RS 2010, Escolas Literárias

    Figura 2 de 2 da questão de Literatura, PUC - RS 2010, Escolas Literárias Os textos A e B pertencem, respectivamente, a ________ e _________, autores que se alinham aos movimentos literários denominados _________ e _________.

    Escolha uma alternativa para a questão c1ac73cc-28
  • Linguagens

    Literatura

    Mais de uma vez, o brasileiro Machado de Assis e o português Eça de Queirós foram aproximados porque traçaram linhas de compreensão das suas respectivas sociedades, em um mesmo tempo historicamente situado. Os protagonistas Rubião, de Quincas Borba (1891), e Gonçalo, de A Ilustre Casa de Ramires (1900), 
    Escolha uma alternativa para a questão c1eb6c13-8d
  • Linguagens

    Literatura

    Leia os trechos das obras Marília de Dirceu e Romanceiro da Inconfidência:

    Lira VII (Parte II)

    “Meu prezado Glauceste,
    Se fazes o conceito
    Que, bem que réu, abrigo
    A cândida Virtude no meu peito;
    Se julgas, digo, que mereço ainda
    Da tua mão socorro;
    Ah! Vem dar-mo agora,
    Agora, sim, que morro!

    Não quero que, montado
    No Pégaso fogoso,
    Venhas com dura lança
    Ao monstro infame traspassar, raivoso.
    Deixa que viva a pérfida calúnia,
    E forje o meu tormento:
    Com menos, meu Glauceste,
    Com menos me contento.”

    Tomás Antônio Gonzaga. Marília de Dirceu.


    Romance LXVI ou De Outros Maldizentes

    “- Que fica, na fortaleza,
    daquele poeta Gonzaga?
    - Um par de esporas, somente.
    Um par de esporas de prata.
    (...)
    Dizem que tinha um cavalo
    que Pégaso se chamava.
    Não pisava neste mundo,
    mas nos planaltos da Arcádia!”


    Cecília Meireles. Romanceiro da Inconfidência.


    Considerando o substantivo Pégaso, presente nos dois excertos, é correto afirmar:  
    Escolha uma alternativa para a questão c1f03ccb-8d
  • Linguagens

    Literatura

    No texto intitulado Tarsila, a pesquisadora Aracy Amaral transcreve um trecho das impressões de Tarsila do Amaral sobre a viagem às cidades históricas coloniais mineiras, que realizara em 1924 com o grupo modernista, liderado por Mário de Andrade: “(...) As decorações murais de um modesto corredor de hotel; o forro das salas, feito de taquarinhas coloridas e trançadas; as pinturas das igrejas, simples e comoventes, executadas com amor e devoção por artistas anônimos; o Aleijadinho, nas suas estátuas e nas linhas geniais da sua arquitetura religiosa, tudo era motivo para as nossas exclamações admirativas. Encontrei em Minas as cores que adorava em criança. Ensinaram-me depois que eram feias e caipiras. Segui o ramerrão do gosto apurado... Mas depois vinguei-me da opressão passando-as para as minhas telas: azul puríssimo, rosa violáceo, amarelo vivo, verde cantante, tudo em gradações mais ou menos fortes, conforme a mistura de branco. Pintura limpa, sobretudo, sem medo de cânones convencionais. Liberdade e sinceridade, uma certa estilização que a adaptava à época moderna.”



    Imagem da questão de Literatura, USP 2024, Escolas Literárias



    Considerando a obra O Mamoeiro, de Tarsila do Amaral, qual é o principal elemento que caracteriza a influência do movimento modernista brasileiro na pintura?  
    Escolha uma alternativa para a questão c1f508c7-8d
  • Linguagens

    Literatura

    Na coletânea Sagarana (1946), de Guimarães Rosa, há uma unidade resultante do ordenamento e da disposição dos elementos estéticos e contextuais constitutivos da narrativa, que revelam a circularidade das histórias e, ao mesmo tempo, a unidade da obra como um todo.
    Nessa perspectiva, ASSINALE A ALTERNATIVA CORRETA.
    Escolha uma alternativa para a questão c21124f2-c2
  • Linguagens

    Literatura

    Leia o soneto “Já da morte o palor me cobre o rosto”, de Álvares de Azevedo, que pertence à estética romântica brasileira, período em que uma das vertentes passou a ser designada como “geração do mal do século”, e assinale a ALTERNATIVA CORRETA.

    Soneto
    “Já da morte o palor me cobre o rosto,
    Nos lábios meus o alento desfalece,
    Surda agonia o coração fenece,
    E devora meu ser mortal desgosto!

    Do leito embalde no macio encosto
    Tento o sono reter!...já esmorece
    O corpo exausto que o repouso esquece...
    Eis o estado em que a mágoa me tem posto!

    O adeus, o teu adeus, minha saudade,
    Fazem que insano do viver me prive
    E tenha os olhos meus na escuridade.

    Dá-me a esperança com que o ser mantive!
    Volve ao amante os olhos por piedade,
    Olhos por quem viveu quem já não vive!”

    (AZEVEDO, Álvares de. Lira dos Vinte Anos (1853),
    São Paulo: Martin Claret, 1999. p. 187)
    Escolha uma alternativa para a questão c2190e40-c2
  • Linguagens

    Literatura

    “E, páginas adiante, o padre se portou ainda mais excelentemente, porque era mesmo uma brava criatura. Tanto assim, que, na despedida, insistiu:
    – Reze e trabalhe, fazendo de conta que esta vida é um dia de capina com sol quente, que às vezes custa muito a passar, mas sempre passa. E você ainda pode ter muito pedaço bom de alegria... Cada um tem a sua hora e a sua vez: você há de ter a sua.” [p. 356]
    [...]
    “Quando ficou bom para andar, escorando-se nas muletas que o preto fabricara, já tinha os seus planos, menos maus, cujo ponto de início consistia em ir para longe, para o sitiozinho perdido no sertão mais longínquo [...] que era agora a única coisa que possuía de seu. Antes de partir, teve com o padre uma derradeira conversa, muito edificante e vasta. E, junto com o casal de pretos samaritanos, que, ao hábito de se desvelarem, agora não o podiam deixar nem por nada, pegou chão, sem paixão.
    Largaram à noite, porque o começo da viagem teria de ser uma verdadeira escapada. E, ao sair, Nhô Augusto se ajoelhou, no meio da estrada, abriu os braços em cruz, e jurou:
    – Eu vou p’ra o céu, e vou mesmo, por bem ou por mal!... E a minha vez a de chegar... P’ra o céu eu vou, nem que seja a porrete!...
    E os negros aplaudiram, e a turminha pegou o passo, a caminho do sertão.” [p. 357-358]
    [...]
    “E o povo, enquanto isso, dizia: – ‘Foi Deus quem mandou esse homem no jumento, por mór de salvar as famílias da gente!...’” [p. 385]
    “Mas Nhô Augusto tinha o rosto radiante, e falou:
    – Perguntem quem é aí que algum dia já ouviu falar no nome de Nhô Augusto Esteves, das Pindaíbas! [...]
    Então, Augusto Matraga fechou um pouco os olhos, com sorriso intenso nos lábios lambuzados de sangue, e de seu rosto subia um sagaz contentamento. [...]
    Depois, morreu.” [p. 386]

    (ROSA, João Guimarães. Sagarana. Rio de Janeiro: Record, 1984)

    Leia o excerto de “A Hora e a Vez de Augusto Matraga”, publicado em Sagarana (1946), de Guimarães Rosa, e ASSINALE A ALTERNATIVA CORRETA.
    Escolha uma alternativa para a questão c21c73a7-c2
  • Linguagens

    Literatura

    TEXTO 8

    CAPÍTULO IV

          Este Quincas Borba, se acaso me fizeste o favor de ler as Memórias póstumas de Brás Cubas, é aquele mesmo náufrago da existência, que ali aparece, mendigo, herdeiro inopinado, e inventor de uma filosofia. Aqui o tens agora em Barbacena. Logo que chegou, enamorou-se de uma viúva, senhora de condição mediana e parcos meios de vida; mas, tão acanhada, que os suspiros no namorado ficavam sem eco. Chamava-se Maria da Piedade. Um irmão dela, que é o presente Rubião, fez todo o possível para casá-los. Piedade resistiu, um pleuris a levou.

         Foi esse trechozinho de romance que ligou os dois homens. Saberia Rubião que o nosso Quincas Borba trazia aquele grãozinho de sandice, que um médico supôs achar-lhe? Seguramente, não; tinha-o por homem esquisito. É, todavia, certo que o grãozinho não se despegou do cérebro de Quincas Borba, — nem antes, nem depois da moléstia que lentamente o comeu. Quincas Borba tivera ali alguns parentes, mortos já agora em 1867; o último foi o tio que o deixou por herdeiro de seus bens. Rubião ficou sendo o único amigo do filósofo. Regia então uma escola de meninos, que fechou para tratar do enfermo. Antes de professor, metera ombros a algumas empresas, que foram a pique. 

          Durou o cargo de enfermeiro mais de cinco meses, perto de seis. Era real o desvelo de Rubião, paciente, risonho, múltiplo, ouvindo as ordens do médico, dando os remédios às horas marcadas, saindo a passeio com o doente, sem esquecer nada, nem o serviço da casa, nem a leitura dos jornais, logo que chegava a mala da Corte ou a de Ouro Preto.

          — Tu és bom, Rubião, suspirava Quincas Borba.

          — Grande façanha! Como se você fosse mau!

          A opinião ostensiva do médico era que a doença do Quincas Borba iria saindo devagar. Um dia, o nosso Rubião, acompanhando o médico até à porta da rua, perguntou-lhe qual era o verdadeiro estado do amigo. Ouviu que estava perdido, completamente perdido; mas, que o fosse animando. Para que tornar-lhe a morte mais aflitiva pela certeza...?

          — Lá isso, não, atalhou Rubião; para ele, morrer é negócio fácil. Nunca leu um livro que ele escreveu, há anos, não sei que negócio de filosofia...

          — Não; mas filosofia é uma coisa, e morrer de verdade é outra; adeus.

                                                       (ASSIS, Machado de. Quincas Borba. São Paulo: Ática, 2011. p. 23-24.) 

    Assinale a alternativa correta em relação ao Texto 8, Capítulo IV de Quincas Borba, de Machado de Assis:
    Escolha uma alternativa para a questão c238461d-9a