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Disciplina · Linguagens

Questões de Literatura do ENEM

Questões de Literatura, da área de Linguagens, com gabarito em cada página.

  • 1.323 questões
  • 24 assuntos

Resultados: 1.323 questões

Página 41 de 67

  • Linguagens

    Literatura

    Texto II e III: base para a questão.


                       VASO GREGO

                            (Texto 2)

    Esta de áureos relevos, trabalhada

    De divas mãos, brilhante copa, um dia,

    Já de ais deuses servir como cansada,

    Vinda do Olimpo, a um novo deus servia.


    Era o poeta de Teos que a suspendia

    Então, e, ora repleta ora esvasada,

    A taça amiga aos dedos seus tinia,

    Toda de roxas pétalas colmada.


    Depois...Mas o lavor da taça admira,

    Toca-a, e de ouvido aproximando-a, às bordas

    Finas hás de lhe ouvir, canora e doce,


    Ignota voz, qual se da antiga lira

    Fosse a encantada música das cordas,

    Qual se fosse a voz de Anacreonte fosse.

    (Alberto de Oliveira) 


                CÁRCERE DAS ALMAS

                            (Texto3)

    Ah! Toda a alma num cárcere anda presa,

    Soluçando nas trevas, entre as grades

    Do calabouço olhando imensidades,

    Mares, estrelas, tardes, natureza.


    Tudo se veste de uma igual grandeza

    Quando a alma entre grilhões as liberdades

    Sonha e sonhando, as imortalidades

    Rasga no etéreo Espaço da Pureza.


    Ó almas presas, mudas e fechadas

    Nas prisões colossais e abandonadas,

    Da Dor no calabouço atroz, funéreo!


    Nesses silêncios solitários, graves,

    Que chaveiro do Céu possui as chaves

    Para abrir-vos as portas do Mistério?! 

    (Cruz e Souza)

    Ao lermos o texto 3, percebemos diferenças e pontos de contato em relação ao texto 2, tanto na forma quanto no conteúdo. Isso se explicita, pois:


    I - Em ambos se mantém uma estrutura poética formal em consonância com os modelos clássicos da literatura: versos decassílabos, rimas regulares, valorização de um estilo rebuscado sob os aspectos linguísticos.

    II - Os pontos que diferem estão inseridos na temática.

    III - No texto 2, a temática é calcada na observação pura e simples de um objeto de arte, o que provoca o distanciamento do eu-lírico para questões mais profundas da existência humana; no texto 3, tal fato não ocorre, pois nele o eu-lírico desnuda e se aprofunda em um dos grandes temas da humanidade: a vida e a morte.


    A partir das assertivas acima, julgue-as e marque a alternativa correta.

    Escolha uma alternativa para a questão b85f2aa8-10
  • Linguagens

    Literatura

    Texto IV: base para a questão.


                              Um homem de consciência


          Chamava-se João Teodoro, só. O mais pacato e modesto dos homens. Honestíssimo e lealíssimo, com um defeito apenas: não dar o mínimo valor a si próprio. Para João Teodoro, a coisa de menos importância no mundo era João Teodoro.

          Nunca fora nada na vida, nem admitia a hipótese de vir a ser alguma coisa. E por muito tempo não quis nem sequer o que todos ali queriam: mudar-se para terra melhor.

          Mas João Teodoro acompanhava com aperto de coração o desaparecimento visível de sua Itaoca.

          — Isto já foi muito melhor, dizia consigo. Já teve três médicos bem bons - agora só um e bem ruinzote. Já teve seis advogados e hoje mal dá serviço para um rábula ordinário como o Tenório. Nem circo de cavalinhos bate mais por aqui. A gente que presta se muda. Fica o restolho. Decididamente, a minha Itaoca está acabando...

          João Teodoro entrou a incubar a ideia de também mudar-se, mas para isso necessitava dum fato qualquer que o convencesse de maneira absoluta de que Itaoca não tinha mesmo conserto ou arranjo possível.

          — É isso, deliberou lá por dentro. Quando eu verificar que tudo está perdido, que Itaoca não vale mais nada de nada de nada, então arrumo a trouxa e boto-me fora daqui.

          Um dia aconteceu a grande novidade: a nomeação de João Teodoro para delegado. Nosso homem recebeu a notícia como se fosse uma porretada no crânio. Delegado, ele! Ele que não era nada, nunca fora nada, não queria ser nada, não se julgava capaz de nada...

          Ser delegado numa cidadezinha daquelas é coisa seríssima. Não há cargo mais importante. É o homem que prende os outros, que solta, que manda dar sovas, que vai à capital falar com o governo. Uma coisa colossal ser delegado - e estava ele, João Teodoro, de-le-ga-do de Itaoca!...

        João Teodoro caiu em meditação profunda. Passou a noite em claro, pensando e arrumando as malas. Pela madrugada, botou-as num burro, montou no seu cavalo magro e partiu.

         — Que é isso, João? Para onde se atira tão cedo, assim de armas e bagagens?

         — Vou-me embora, respondeu o retirante. Verifiquei que Itaoca chegou mesmo ao fim.

    — Mas, como? Agora que você está delegado?

    — Justamente por isso. Terra em que João Teodoro chega a delegado, eu não moro. Adeus. E sumiu."

    (Monteiro Lobato, CIDADES MORTAS. 12a Edição. São Paulo, Editora Brasiliense, 1965)

    Podemos reconhecer no conto elementos que o inserem no:


    I - Modernismo, cujo projeto era o desejo de revelar o "verdadeiro" Brasil para o brasileiro, numa perspectiva não idealizada.

    II - Pré-modernismo, pois há um diálogo concomitante com as estruturas estéticas do passado (como o Realismo) e as de renovação que estavam para surgir (como o Modernismo).

    III - Romantismo, pois a descrição de Itaoca, cidade do interior de São Paulo, segue os parâmetros do regionalismo dessa estética literária.


    A partir das assertivas acima, julgue-as e marque a alternativa correta.

    Escolha uma alternativa para a questão b8667d55-10
  • Linguagens

    Literatura

    No início do século XX, foram criadas as primeiras emissoras de rádio e as linhas de transporte público no Brasil, sendo que o contraste entre esse mundo moderno e o mundo natural foi tema de muitos trabalhos artísticos.


    Os artistas modernistas brasileiros manifestavam em suas obras:

    Escolha uma alternativa para a questão fec8a059-1b
  • Linguagens

    Literatura

    É com base no mito da Arcádia que erguem suas doutrinas: destruindo a “hidra do mau gosto”, os árcades procuram realizar obra semelhante à dos clássicos antigos. Daí a imitação dos modelos greco-latinos ser a primeira característica a considerar na configuração da estética arcádica.

    (Massaud Moisés. A literatura portuguesa, 1992. Adaptado.)


    A “hidra do mau gosto” mencionada no texto refere-se ao estilo

    Escolha uma alternativa para a questão 74e0f042-51
  • Linguagens

    Literatura

    Os ______ haviam “civilizado” a imagem do índio, injetando nele os padrões do cavalheirismo convencional. Os _________, ao contrário, procuraram nele e no negro o primitivismo, que injetaram nos padrões da civilização dominante como renovação e quebra das convenções acadêmicas.

    (Antonio Candido. Iniciação à literatura brasileira, 2010. Adaptado.)


    As lacunas do texto devem ser preenchidas, respectivamente, por

    Escolha uma alternativa para a questão 74fcafd6-51
  • Linguagens

    Literatura

    Para responder à questão, leia o trecho do livro Casa-grande e senzala, de Gilberto Freyre.


           Mas a casa-grande patriarcal não foi apenas fortaleza, capela, escola, oficina, santa casa, harém, convento de moças, hospedaria. Desempenhou outra função importante na economia brasileira: foi também banco. Dentro das suas grossas paredes, debaixo dos tijolos ou mosaicos, no chão, enterrava-se dinheiro, guardavam-se joias, ouro, valores. Às vezes guardavam-se joias nas capelas, enfeitando os santos. Daí Nossas Senhoras sobrecarregadas à baiana de teteias, balangandãs, corações, cavalinhos, cachorrinhos e correntes de ouro. Os ladrões, naqueles tempos piedosos, raramente ousavam entrar nas capelas e roubar os santos. É verdade que um roubou o esplendor e outras joias de São Benedito; mas sob o pretexto, ponderável para a época, de que “negro não devia ter luxo”. Com efeito, chegou a proibir-se, nos tempos coloniais, o uso de “ornatos de algum luxo” pelos negros.

          Por segurança e precaução contra os corsários, contra os excessos demagógicos, contra as tendências comunistas dos indígenas e dos africanos, os grandes proprietários, nos seus zelos exagerados de privativismo, enterraram dentro de casa as joias e o ouro do mesmo modo que os mortos queridos. Os dois fortes motivos das casas-grandes acabarem sempre mal-assombradas com cadeiras de balanço se balançando sozinhas sobre tijolos soltos que de manhã ninguém encontra; com barulho de pratos e copos batendo de noite nos aparadores; com almas de senhores de engenho aparecendo aos parentes ou mesmo estranhos pedindo padres-nossos, ave-marias, gemendo lamentações, indicando lugares com botijas de dinheiro. Às vezes dinheiro dos outros, de que os senhores ilicitamente se haviam apoderado. Dinheiro que compadres, viúvas e até escravos lhes tinham entregue para guardar. Sucedeu muita dessa gente ficar sem os seus valores e acabar na miséria devido à esperteza ou à morte súbita do depositário. Houve senhores sem escrúpulos que, aceitando valores para guardar, fingiram-se depois de estranhos e desentendidos: “Você está maluco? Deu-me lá alguma cousa para guardar?”

          Muito dinheiro enterrado sumiu-se misteriosamente. Joaquim Nabuco, criado por sua madrinha na casa-grande de Maçangana, morreu sem saber que destino tomara a ourama para ele reunida pela boa senhora; e provavelmente enterrada em algum desvão de parede. […] Em várias casas-grandes da Bahia, de Olinda, de Pernambuco se têm encontrado, em demolições ou escavações, botijas de dinheiro. Na que foi dos Pires d’Ávila ou Pires de Carvalho, na Bahia, achou-se, num recanto de parede, “verdadeira fortuna em moedas de ouro”. Noutras casas-grandes só se têm desencavado do chão ossos de escravos, justiçados pelos senhores e mandados enterrar no quintal, ou dentro de casa, à revelia das autoridades. Conta-se que o visconde de Suaçuna, na sua casa-grande de Pombal, mandou enterrar no jardim mais de um negro supliciado por ordem de sua justiça patriarcal. Não é de admirar. Eram senhores, os das casas-grandes, que mandavam matar os próprios filhos. Um desses patriarcas, Pedro Vieira, já avô, por descobrir que o filho mantinha relações com a mucama de sua predileção, mandou matá-lo pelo irmão mais velho.

                             (In: Silviano Santiago (coord.). Intérpretes do Brasil, 2000.)

    Guardadas as proporções, o ambiente retratado no texto de Gilberto Freyre aparece com destaque na produção literária de
    Escolha uma alternativa para a questão 750b0779-51
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    Literatura

    A verve social da poesia de João Cabral de Melo Neto mostra-se mais evidente nos versos:
    Escolha uma alternativa para a questão 752357c7-51
  • Linguagens

    Literatura

    Para exprimir seu pensamento, este escritor teve de forjar uma língua que é só dele. O leitor que aborda pela primeira vez um de seus livros fica desconcertado com a obscuridade dessa língua. Mas ao mesmo tempo é subjugado, e enfeitiçado, por essa maneira inteiramente nova de dizer as coisas. E pouco a pouco tudo começa a adquirir um sentido, um sentido múltiplo, ambíguo, numa palavra, poético. Seu vocabulário é inteiramente renovado pela prática sistemática do neologismo. Todos os recursos da fonética são explorados.

    (Paul Teyssier. Dicionário de literatura brasileira, 2003. Adaptado.)


    O texto refere-se ao escritor

    Escolha uma alternativa para a questão 7528dd8f-51
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    Literatura

    Leia o fragmento a seguir, extraído do primeiro capítulo de Memórias póstumas de Brás Cubas, para responder a questão.

    Algum tempo hesitei se devia abrir estas memórias pelo princípio ou pelo fim, isto é, se poria em primeiro lugar o meu nascimento ou a minha morte. Suposto o uso vulgar seja começar pelo nascimento, duas considerações me levaram a adotar diferente método: a primeira é que eu não sou propriamente um autor defunto, mas um defunto autor, para quem a campa foi outro berço; a segunda é que o escrito ficaria assim mais galante e mais novo. Moisés, que também contou a sua morte, não a pôs no introito, mas no cabo; diferença radical entre este livro e o Pentateuco.
        Dito isto, expirei às duas horas da tarde de uma sexta-feira do mês de agosto de 1869, na minha bela chácara de Catumbi. Tinha uns sessenta e quatro anos, rijos e prósperos, era solteiro, possuía cerca de trezentos contos e fui acompanhado ao cemitério por onze amigos. Onze amigos! (...)
    (ASSIS, Machado. Memórias póstumas de Brás Cubas. São Paulo: Ateliê, 2001, p. 69)


    Memórias póstumas de Brás Cubas, obra inaugural do Realismo no Brasil, apresenta vários procedimentos literários que configuram o estilo de Machado de Assis. Dentre esses procedimentos, a leitura dos primeiros parágrafos do romance já permite identificar
    Escolha uma alternativa para a questão 6284505c-b0
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    Literatura

    Leia o excerto a seguir, extraído do primeiro capítulo de A cidade e as serras, para responder a questão,


    - Aqui tens tu, Zé Fernandes - começou Jacinto, encostado à janela do mirante -, a teoria que me governa, bem comprovada. Com estes olhos que recebemos da Madre natureza, lestos e sãos, nós podemos apenas distinguir além, através da Avenida, naquela loja, uma vidraça alumiada. Mais nada! Se eu porém aos meus olhos juntar os dois vidros simples dum binóculo de corridas, percebo, por trás da vidraça, presuntos, queijos, boiões de geleia e caixas de ameixa seca. Concluo portanto que é uma mercearia. Obtive uma noção: tenho sobre ti, que com os olhos desarmados vês só o luzir da vidraça, uma vantagem positiva. Se agora, em vez destes vidros simples, eu usasse os do meu telescópio, de composição mais científica, poderia avistar além, no planeta Marte, os mares, as neves, os canais, o recorte dos golfos, toda a geografia dum astro que circula a milhares de léguas dos Campos Elísios. É outra noção, e tremenda! Tens aqui pois o olho primitivo, o da Natureza, elevado pela Civilização à sua máxima potência de visão. E desde já, pelo lado do olho portanto, eu, civilizado, sou mais feliz que o incivilizado, porque descubro realidades do Universo que ele não suspeita e de que está privado. Aplica esta prova a todos os órgãos e compreenderás o meu princípio.


    (Queirós, Eça de. A cidade e as serras. São Paulo: Ateliê, 2007, p. 63-64)

    A respeito do romance A cidade e as serras, de Eça de Queirós, é CORRETO afirmar que
    Escolha uma alternativa para a questão 6297bd7d-b0
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    Literatura

    Leia o trecho a seguir, extraído do conto “Preciosidade”, do livro Laços de família, e responda à questão.

    Não, ela não estava sozinha. Com os olhos franzidos pela incredulidade, no fim longínquo de sua rua, de dentro do vapor, viu dois homens. Dois rapazes vindo. Olhou ao redor como se pudesse ter errado de rua ou de cidade. Mas errara os minutos: saíra de casa antes que a estrela e dois homens tivessem tempo de sumir. Seu coração se espantou.

    O primeiro impulso, diante de seu erro, foi o de refazer para trás os passos dados e entrar em casa até que eles passassem: “Eles vão olhar para mim, eu sei, não há mais ninguém para eles olharem e eles vão me olhar muito!” Mas como voltar e fugir, se nascera para a dificuldade. Se toda a sua lenta preparação tinha o destino ignorado a que ela, por culto, tinha que aderir. Como recuar, e depois nunca esquecer a vergonha de ter esperado em miséria atrás de uma porta?

    (LISPECTOR, C. Laços de família. 11. ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1979. p. 101-102.)

    Com base no trecho, assinale a alternativa correta.
    Escolha uma alternativa para a questão dc238112-b2
  • Linguagens

    Literatura

    Leia o trecho a seguir, extraído do conto “Preciosidade”, do livro Laços de família, e responda à questão.

    Não, ela não estava sozinha. Com os olhos franzidos pela incredulidade, no fim longínquo de sua rua, de dentro do vapor, viu dois homens. Dois rapazes vindo. Olhou ao redor como se pudesse ter errado de rua ou de cidade. Mas errara os minutos: saíra de casa antes que a estrela e dois homens tivessem tempo de sumir. Seu coração se espantou.

    O primeiro impulso, diante de seu erro, foi o de refazer para trás os passos dados e entrar em casa até que eles passassem: “Eles vão olhar para mim, eu sei, não há mais ninguém para eles olharem e eles vão me olhar muito!” Mas como voltar e fugir, se nascera para a dificuldade. Se toda a sua lenta preparação tinha o destino ignorado a que ela, por culto, tinha que aderir. Como recuar, e depois nunca esquecer a vergonha de ter esperado em miséria atrás de uma porta?

    (LISPECTOR, C. Laços de família. 11. ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1979. p. 101-102.)

    Com base no trecho do conto, assinale a alternativa correta.
    Escolha uma alternativa para a questão dc27a25c-b2
  • Linguagens

    Literatura

    Leia o trecho a seguir, extraído do conto “Os laços de família”, do livro Laços de família, e responda à questão.

    Não, não se podia dizer que amava sua mãe. Sua mãe lhe doía, era isso. A velha guardara o espelho na bolsa, e fitava-a sorrindo. O rosto usado e ainda bem esperto parecia esforçar-se por dar aos outros alguma impressão da qual o chapéu faria parte. A campainha da Estação tocou de súbito, houve um movimento geral de ansiedade, várias pessoas correram pensando que o trem já partia: mamãe! disse a mulher. Catarina! disse a velha. Ambas se olhavam espantadas, a mala na cabeça de um carregador interrompeu-lhes a visão e um rapaz correndo segurou de passagem o braço de Catarina, deslocando-lhe a gola do vestido. Quando puderam ver-se de novo, Catarina estava sob a iminência de lhe perguntar se não esquecera de nada...
    – ... Não esqueci de nada? perguntou a mãe.
    Também a Catarina parecia que haviam esquecido de alguma coisa, e ambas se olhavam atônitas – porque se realmente haviam esquecido, agora era tarde demais. Uma mulher arrastava uma criança, a criança chorava, novamente a campainha da Estação soou... Mamãe, disse a mulher. Que coisa tinham esquecido de dizer uma a outra, e agora era tarde demais. Parecia-lhe que deveriam um dia ter dito assim: sou tua mãe, Catarina. E ela deveria ter respondido: e eu sou tua filha.
    – Não vá pegar corrente de ar! Gritou Catarina.
    – Ora menina, sou lá criança, disse a mãe sem deixar porém de se preocupar com a própria aparência.
    (LISPECTOR, C. Laços de família. 11. ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1979. p. 112-113.)
    Sobre a frase “Sua mãe lhe doía, era isso.”, na primeira linha do trecho, assinale a alternativa correta.
    Escolha uma alternativa para a questão dc2c0e42-b2
  • Linguagens

    Literatura

    Leia o trecho a seguir, extraído do conto “Os laços de família”, do livro Laços de família, e responda à questão.

    Não, não se podia dizer que amava sua mãe. Sua mãe lhe doía, era isso. A velha guardara o espelho na bolsa, e fitava-a sorrindo. O rosto usado e ainda bem esperto parecia esforçar-se por dar aos outros alguma impressão da qual o chapéu faria parte. A campainha da Estação tocou de súbito, houve um movimento geral de ansiedade, várias pessoas correram pensando que o trem já partia: mamãe! disse a mulher. Catarina! disse a velha. Ambas se olhavam espantadas, a mala na cabeça de um carregador interrompeu-lhes a visão e um rapaz correndo segurou de passagem o braço de Catarina, deslocando-lhe a gola do vestido. Quando puderam ver-se de novo, Catarina estava sob a iminência de lhe perguntar se não esquecera de nada...
    – ... Não esqueci de nada? perguntou a mãe.
    Também a Catarina parecia que haviam esquecido de alguma coisa, e ambas se olhavam atônitas – porque se realmente haviam esquecido, agora era tarde demais. Uma mulher arrastava uma criança, a criança chorava, novamente a campainha da Estação soou... Mamãe, disse a mulher. Que coisa tinham esquecido de dizer uma a outra, e agora era tarde demais. Parecia-lhe que deveriam um dia ter dito assim: sou tua mãe, Catarina. E ela deveria ter respondido: e eu sou tua filha.
    – Não vá pegar corrente de ar! Gritou Catarina.
    – Ora menina, sou lá criança, disse a mãe sem deixar porém de se preocupar com a própria aparência.
    (LISPECTOR, C. Laços de família. 11. ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1979. p. 112-113.)

    Quanto à relação entre o conto “Os laços de família” e os demais contos do livro, assinale a alternativa correta.

    Escolha uma alternativa para a questão dc2fd707-b2
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    Literatura

    Leia o poema a seguir.

    não vai dar tempo

    de viver outra vida

    posso perder o trem

    pegar a viagem errada

    ficar parada

    não muda nada

    também

    pode nunca chegar

    a passagem de volta

    e meia vamos dar

    (RUIZ S., Alice. Dois em um. São Paulo: Iluminuras, 2018. p. 171.)


    Com base no poema, considere as afirmativas a seguir.

    I. O sujeito lírico defende uma concepção de amor avessa a aventuras e ímpetos.

    II. O sujeito lírico deposita ênfase na ideia de aceleração, segundo a qual, é preciso fazer tudo funcionar satisfatoriamente no presente.

    III. O terceiro e o quarto versos apontam imagens que remetem a riscos e insucessos.

    IV. O sujeito lírico no feminino assume a condição de uma mulher que rejeita a passividade.


    Assinale a alternativa correta.

    Escolha uma alternativa para a questão dc3d75d0-b2
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    Literatura

    A obra Quarto de Despejo de Carolina Maria de Jesus é escrita na forma de diário, que se inicia em 15 de julho de 1955 e termina em 1º de janeiro de 1960.

    Sobre essa forma, assinale a alternativa correta.

    Escolha uma alternativa para a questão dc41181e-b2
  • Linguagens

    Literatura

    Leia o trecho a seguir.

    Eu classifico São Paulo assim: O Palacio, é a sala de visita. A Prefeitura é a sala de jantar e a cidade é o jardim. E a favela é o quintal onde jogam os lixos.
    (JESUS, C. M. Quarto de Despejo: diário de uma favelada. São Paulo: Ática, 1997.).

    Sobre o fragmento destacado, considere as afirmativas a seguir.
    I. Nesta descrição de São Paulo, é perceptível a visão crítica da narradora a respeito dos políticos e da desigualdade social.
    II. A aproximação entre a favela e o quintal caracteriza o modo como a narradora se vê na sociedade.
    III. Nota-se, neste fragmento, o desejo da narradora em se tornar escritora.
    IV. Percebe-se a preocupação da narradora em apresentar uma descrição objetiva das mudanças pelas quais passou o espaço urbano.

    Assinale a alternativa correta. 
    Escolha uma alternativa para a questão dc43ebfc-b2
  • Linguagens

    Literatura

    Leia os trechos destacados da obra Boca do Inferno, de Ana Miranda:


    “Ah, aquela desgraçada cidade, notável desventura de um povo néscio e sandeu. Gregório de Matos foi informado sobre a morte do alcaide. Sofria ao ver os maus modos de obrar da governança, mas reconhecia que não apenas aos governantes, mas a toda a cidade, o demo se expunha. Não era difícil assinalar os vícios em que alguns moradores se depravavam. Pegou sua pena e começou a anotar” (p. 33). 



    “– Acho que acabou para sempre tua carreira na Relação Eclesiástica, disse Gonçalo Ravasco, rindo.

    – Isso ainda veremos. Tratarei de mandar algumas adulações ao arcebispo. Dos meus versos será templo frequente, onde glórias lhe cante de contino, declarou Gregório de Matos fazendo pantominas.

    – Quanta lacônica eloquência!

    – Esta é uma grande virtude. Quae fuerant vitia mores sunt. Sim, sim, creio que há vícios que se tornam virtudes. Tudo depende de quando, como e por que se faz a coisa.

    – Para ti tudo são vícios, e por isso vives atormentado com medo do inferno.

    – Mas tudo hoje são vícios. E vícios hoje são virtudes” (p. 123-124)” 



    “A CIDADE DA BAHIA cresceu, modificou-se. Mas haveria de ser sempre um cenário de prazer e pecado, que encantava a todos os que viviam ou a visitavam, fossem seres humanos, anjos ou demônios. Não deixaria de ser, nunca, a cidade onde viveu o Boca do Inferno” (p. 331).  




    Com base na leitura dos trechos e de outros episódios da obra, todas as afirmativas são corretas, EXCETO

    Escolha uma alternativa para a questão e16ef177-b4
  • Linguagens

    Literatura

    Leia o trecho destacado do Auto de São Lourenço, de José de Anchieta.

    GUAIXARÁ

    Esta virtude estrangeira

    Me irrita sobremaneira.

    Quem a teria trazido,

    com seus hábitos polidos

    estragando a terra inteira?


    Só eu

    permaneço nesta aldeia

    como chefe guardião.

    Minha lei é a inspiração

    que lhe dou, daqui vou longe

    visitar outro torrão.


    Quem é forte como eu?

    Como eu, conceituado?

    Sou diabo bem assado.

    A fama me precedeu;

    Guaixará sou chamado


    Meu sistema é o bem viver.

    Que não seja constrangido

    o prazer, nem abolido.

    Quero as tabas acender

    com meu fogo preferido


    Boa medida é beber

    cauim até vomitar.

    Isto é jeito de gozar

    a vida, e se recomenda

    a quem queira aproveitar.


    Partindo do trecho acima e da leitura da obra, todas as alternativas estão corretas, EXCETO

    Escolha uma alternativa para a questão e171c933-b4
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    Literatura

    TEXTO 4:

    “Marília de Dirceu”, de Tomás Antônio Gonzaga

    SONETOS - 4


    Ainda que de Laura esteja ausente,

    Há de a chama durar no peito amante;

    Que existe retratado o seu semblante,

    Se não nos olhos meus, na minha mente.


    Mil vezes finjo vê-la, e eternamente

    Abraço a sombra vã; só neste instante

    Conheço que ela está de mim distante,

    Que tudo é ilusão que esta alma sente.


    Talvez que ao bem de a ver amor resista;

    Porque minha paixão, que aos céus é grata

    Por inocente assim melhor persista;


    Pois quando só na ideia ma retrata,

    Debuxa os dotes com que prende a vista,

    Esconde as obras com que ofende, ingrata.

    (PROENÇA FILHO, Domício (Org.). A poesia dos inconfidentes: poesia completa de Cláudio Manuel da Costa, Tomás Antônio Gonzaga e Alvarenga Peixoto. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1996. p. 701-702.) 

    A leitura do soneto de Tomás Antônio Gonzaga, o Texto 4, apresenta o amor como tema. São atributos deste amor:
    Escolha uma alternativa para a questão a49af062-b5