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Disciplina · Linguagens

Questões de Literatura do ENEM

Questões de Literatura, da área de Linguagens, com gabarito em cada página.

  • 1.323 questões
  • 24 assuntos

Resultados: 1.323 questões

Página 39 de 67

  • Linguagens

    Literatura

    Leia o trecho do conto “São Marcos”, de Sagarana (1971).

    “...sal derramado; padre viajando com a gente no trem; não falar em raio: quando muito, e se o tempo está bom, “faísca”; nem dizer lepra; só o “mal”; passo de entrada com o pé esquerdo; ave do pescoço pelado; risada renga de suindara, cachorro, bode e galo, pretos; e, no principal, mulher feiosa, encontro sobre todos fatídico; – porque, já então, como ia dizendo, eu poderia confessar, num recenseio aproximado: doze tabus de não-uso próprio; oito regrinhas ortodoxas preventivas; vinte péssimos presságios; dezesseis casos de batida obrigatória na madeira; dez outros exigindo a figa digital napolitana, mas da legítima, ocultando bem a cabeça do polegar; e cinco ou seis indicações de rituais mais complicados; total: setenta e dois – nove fora, nada”.


    Assinale a alternativa correta.
    Escolha uma alternativa para a questão a2a47bb1-af
  • Linguagens

    Literatura

    Leia o poema “Mãos dadas”, de Carlos Drummond de Andrade.



    Não serei o poeta de um mundo caduco.

    Também não cantarei o mundo futuro.

    Estou preso à vida e olho meus companheiros.

    Estão taciturnos mas nutrem grandes

                       esperanças.

    Entre eles, considero a enorme realidade.

    O presente é tão grande, não nos afastemos.

    Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.

    Não serei o cantor de uma mulher, de uma

                              História

    não direi os suspiros ao anoitecer, a paisagem

                        vista da janela,

    não distribuirei entorpecentes ou cartas de

                           suicidas,

    não fugirei para as ilhas nem serei raptado por

                          serafins.

    O tempo é a minha matéria, o tempo presente,

                         os homens presentes,

    a vida presente.



    Assinale a alternativa correta

    Escolha uma alternativa para a questão a2aab2d7-af
  • Linguagens

    Literatura

    As ideias desenvolvidas nos textos O Cortiço, de Aluísio Azevedo [1890], e A Cidade e as Serras, de Eça de Queirós [1901], estão ligadas às consequências da civilização e do progresso que aprofundaram a divisão das classes sociais na segunda metade do século XIX e início do XX, no Brasil e em Portugal.


    Com base nessa perspectiva sócio-histórica, assinale a afirmativa incorreta.

    Escolha uma alternativa para a questão a2b0f5e8-af
  • Linguagens

    Literatura

    “Autos” são modalidades do teatro medieval cujo assunto é basicamente religioso. No Auto da Barca do Inferno, de Gil Vicente, e no Auto da Compadecida, de Ariano Suassuna, a religião domina os temas.


    Assinale a alternativa correta.

    Escolha uma alternativa para a questão a2b61df3-af
  • Linguagens

    Literatura

    Leia os fragmentos das obras Memórias de um Sargento de Milícias, de Manuel Antonio de Almeida (1852), e Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis (1881):

    Fragmento 1

    “Ao sair do Tejo, estando a Maria encostada à borda do navio, o Leonardo fingiu que passava distraído por junto dela, e com o ferrado sapatão assentou-lhe uma valente pisadela no pé direito. A Maria, como se já esperasse por aquilo, sorriu-se como envergonhada do gracejo, e deu-lhe também em ar de disfarce um tremendo beliscão nas costas da mão esquerda. Era isto uma declaração [...]; levaram o resto do dia de namoro cerrado: ao anoitecer passou-se a mesma cena de pisadela e beliscão [...]; e no dia seguinte estavam os dois amantes tão extemosos e familiares, que pareciam sê-lo de muitos anos” (ALMEIDA, 1997, p. 12-3).

    Fragmento 2
    “Marcela amou-me durante quinze meses e onze contos de réis; nada menos. Meu pai, logo que teve aragem dos onze contos, sobressaltou-se deveras; acabou que o caso excedia as raias de um capricho juvenil” (ASSIS, 1995, p. 42).

    Assinale a alternativa correta com relação à visão dos narradores sobre o amor.
    Escolha uma alternativa para a questão a2bb736f-af
  • Linguagens

    Literatura

    A obra Sagarana, de Guimarães Rosa, cinde uma das mais belas coletâneas de contos/novelas da Literatura contemporânea do Brasil, segundo a crítica. Uma de suas narrativas mais densas tem com enredo a vida de um valentão arrependido que, depois de ter sido deixado quase morto pelos capangas do adversário, levou anos a restaurar a saúde do corpo e amansar o espírito sedento de vingança.


    Assinale a alternativa que indica o título a que se refere o texto.

    Escolha uma alternativa para a questão a2c173aa-af
  • Linguagens

    Literatura

    “Algum tempo hesitei se devia abrir estas memórias pelo princípio ou pelo fim, isto é, se poria em primeiro lugar o meu nascimento ou a minha morte. Suposto o uso vulgar seja começar pelo nascimento, duas considerações me levaram a adotar diferente método: a primeira é que eu não sou propriamente um autor defunto, mas um defunto autor, para quem a campa foi outro berço”.

    O fragmento acima pertence à obra de referência na Literatura Brasileira do séc. XIX, sendo considerado o primeiro romance realista de nossa literatura.
    Dentre as alternativas, indique o título da referida obra literária.
    Escolha uma alternativa para a questão a2d0d86f-af
  • Linguagens

    Literatura

    A
    Esbraseia o Ocidente na agonia
    O sol... Aves em bandos destacados,
    Por céus de ouro e púrpura raiados,
    Fogem... Fecha-se a pálpebra do dia...
    Delineiam-se além da serrania
    Os vértices de chamas aureolados,
    E em tudo, em torno, esbatem derramados
    Uns tons suaves de melancolia.
    Um mundo de vapores no ar flutua...
    Como uma informe nódoa avulta e cresce
    A sombra à proporção que a luz recua.
    A natureza apática esmaece...
    Pouco a pouco, entre as árvores, a lua
    Surge trêmula, trêmula... Anoitece.
    CORRÊA, R. Disponível em: www.brasiliana.usp.br. Acesso em: 13 ago. 2017.

    Composição de formato fixo, o soneto tornou-se um modelo particularmente ajustado à poesia parnasiana. No poema de Raimundo Corrêa, remete(m) a essa estética
    Escolha uma alternativa para a questão a2d6f2d5-b6
  • Linguagens

    Literatura

    Sobre a obra literária portuguesa, o Auto da Barca do Inferno, obra satírica de Gil Vicente (1465 – 1537), é incorreto afirmar. 
    Escolha uma alternativa para a questão a2d73626-af
  • Linguagens

    Literatura

    No verdô da minha idade

    mode acalentá meu choro

    minha vovó de bondade

    falava em grandes tesôro

    era história de reinado

    prencesa, prinspe incantado

    com feiticêra e condão

    essas história ingraçada

    tá selada e carimbada

    dentro do meu coração

    Mas porém eu sinto e vejo

    que a grande sodade minha

    não é só de história e bejo

    da querida vovozinha

    demanhazinha bem cedo

    sodade dos meu brinquedo

    meu bodoque e meu bornó

    o meu cavalo de pau

    meu pinhão, meu berimbau

    e a minha carça cotó.


    (Digo e não peço perdão. São Paulo: Escrituras Ed., 2002.)

    Além da sonoridade (ritmo, rimas), a métrica desse poema (o número de sílabas poéticas dos versos) é traço da poesia popular oral. A métrica desses versos classifica-os como
    Escolha uma alternativa para a questão a3276d71-ea
  • Linguagens

    Literatura

    Vila Rica


    O ouro fulvo do ocaso as velhas casas cobre;

    Sangram, em laivos de ouro, as minas, que ambição

    Na torturada entranha abriu da terra nobre:

    E cada cicatriz brilha como um brasão.


    O ângelus plange ao longe em doloroso dobre,

    O último ouro de sol morre na cerração.

    E, austero, amortalhando a urbe gloriosa e pobre,

    O crepúsculo cai como uma extrema-unção.


    Agora, para além do cerro, o céu parece

    Feito de um ouro ancião, que o tempo enegreceu...

    A neblina, roçando o chão, cicia, em prece,


    Como uma procissão espectral que se move...

    Dobra o sino... Soluça um verso de Dirceu...

    Sobre a triste Ouro Preto o ouro dos astros chove.



    (BILAC, O. Poesias. São Paulo: Ed. Martim Claret, 2002.)


    Cerro – monte, serra

    Ciciar – sussurrar Fulvo – dourado,

    louro Laivo – mancha

    Urbe – cidade



    Cancioneiro da Inconfidência

    (Excerto Canto XXXI)


    Por aqui passava um homem

    – e como o povo se ria! –

    que reformava este mundo

    de cima da montaria.


    Tinha um machinho rosilho.

    Tinha um machinho castanho.

    Dizia: „Não se conhece

    país tamanho!‟ „


    Do Caeté a Vila Rica,

    tudo ouro e cobre!

    O que é nosso, vão levando...

    E o povo aqui sempre pobre!‟


    Por aqui passava um homem

    – e como o povo se ria! –

    que não passava de Alferes

    de cavalaria!


    „Quando eu voltar – afirmava –

    outro haverá que comande.

    Tudo isto vai levar volta,

    e eu serei grande!‟


    „Faremos a mesma coisa

    que fez a América Inglesa!‟

    E bradava: "Há de ser nossa

    tanta riqueza!"


    Por aqui passava um homem

    – e como o povo se ria! –

    „Liberdade ainda que tarde‟

    nos prometia.


    (MEIRELES, C. Obra poética. Rio de Janeiro: Nova Aguilar S.A., 1987.)

    Da leitura dos textos, pode-se depreender que
    Escolha uma alternativa para a questão a32aa445-ea
  • Linguagens

    Literatura

    Vila Rica


    O ouro fulvo do ocaso as velhas casas cobre;

    Sangram, em laivos de ouro, as minas, que ambição

    Na torturada entranha abriu da terra nobre:

    E cada cicatriz brilha como um brasão.


    O ângelus plange ao longe em doloroso dobre,

    O último ouro de sol morre na cerração.

    E, austero, amortalhando a urbe gloriosa e pobre,

    O crepúsculo cai como uma extrema-unção.


    Agora, para além do cerro, o céu parece

    Feito de um ouro ancião, que o tempo enegreceu...

    A neblina, roçando o chão, cicia, em prece,


    Como uma procissão espectral que se move...

    Dobra o sino... Soluça um verso de Dirceu...

    Sobre a triste Ouro Preto o ouro dos astros chove.



    (BILAC, O. Poesias. São Paulo: Ed. Martim Claret, 2002.)


    Cerro – monte, serra

    Ciciar – sussurrar Fulvo – dourado,

    louro Laivo – mancha

    Urbe – cidade



    Cancioneiro da Inconfidência

    (Excerto Canto XXXI)


    Por aqui passava um homem

    – e como o povo se ria! –

    que reformava este mundo

    de cima da montaria.


    Tinha um machinho rosilho.

    Tinha um machinho castanho.

    Dizia: „Não se conhece

    país tamanho!‟ „


    Do Caeté a Vila Rica,

    tudo ouro e cobre!

    O que é nosso, vão levando...

    E o povo aqui sempre pobre!‟


    Por aqui passava um homem

    – e como o povo se ria! –

    que não passava de Alferes

    de cavalaria!


    „Quando eu voltar – afirmava –

    outro haverá que comande.

    Tudo isto vai levar volta,

    e eu serei grande!‟


    „Faremos a mesma coisa

    que fez a América Inglesa!‟

    E bradava: "Há de ser nossa

    tanta riqueza!"


    Por aqui passava um homem

    – e como o povo se ria! –

    „Liberdade ainda que tarde‟

    nos prometia.


    (MEIRELES, C. Obra poética. Rio de Janeiro: Nova Aguilar S.A., 1987.)

    Sobre a linguagem do poema Vila Rica, assinale a afirmativa correta.
    Escolha uma alternativa para a questão a32d9287-ea
  • Linguagens

    Literatura

    Vila Rica


    O ouro fulvo do ocaso as velhas casas cobre;

    Sangram, em laivos de ouro, as minas, que ambição

    Na torturada entranha abriu da terra nobre:

    E cada cicatriz brilha como um brasão.


    O ângelus plange ao longe em doloroso dobre,

    O último ouro de sol morre na cerração.

    E, austero, amortalhando a urbe gloriosa e pobre,

    O crepúsculo cai como uma extrema-unção.


    Agora, para além do cerro, o céu parece

    Feito de um ouro ancião, que o tempo enegreceu...

    A neblina, roçando o chão, cicia, em prece,


    Como uma procissão espectral que se move...

    Dobra o sino... Soluça um verso de Dirceu...

    Sobre a triste Ouro Preto o ouro dos astros chove.



    (BILAC, O. Poesias. São Paulo: Ed. Martim Claret, 2002.)


    Cerro – monte, serra

    Ciciar – sussurrar Fulvo – dourado,

    louro Laivo – mancha

    Urbe – cidade



    Cancioneiro da Inconfidência

    (Excerto Canto XXXI)


    Por aqui passava um homem

    – e como o povo se ria! –

    que reformava este mundo

    de cima da montaria.


    Tinha um machinho rosilho.

    Tinha um machinho castanho.

    Dizia: „Não se conhece

    país tamanho!‟ „


    Do Caeté a Vila Rica,

    tudo ouro e cobre!

    O que é nosso, vão levando...

    E o povo aqui sempre pobre!‟


    Por aqui passava um homem

    – e como o povo se ria! –

    que não passava de Alferes

    de cavalaria!


    „Quando eu voltar – afirmava –

    outro haverá que comande.

    Tudo isto vai levar volta,

    e eu serei grande!‟


    „Faremos a mesma coisa

    que fez a América Inglesa!‟

    E bradava: "Há de ser nossa

    tanta riqueza!"


    Por aqui passava um homem

    – e como o povo se ria! –

    „Liberdade ainda que tarde‟

    nos prometia.


    (MEIRELES, C. Obra poética. Rio de Janeiro: Nova Aguilar S.A., 1987.)

    Sobre o poema Cancioneiro da Inconfidência, analise as afirmativas a seguir.

    I - O poema mescla dois tempos: o dos eventos relatados e o do presente do sujeito lírico, conforme comprovam os tempos verbais em Por aqui passava um homem / - e como o povo se ria! -
    II - O sujeito poético se identifica aos recebedores da promessa da personagem, Liberdade ainda que tarde / nos prometia.
    III - Cancioneiro da Inconfidência é fruto da veia simbolista de Cecília Meireles, marcada pelo vago e impreciso, pela busca de transcendência.
    IV - A descrição de Tiradentes é interrompida pelo comentário: - e como o povo se ria! - que mostra a ambiguidade no processo de torná-lo herói.

    Estão corretas as afirmativas
    Escolha uma alternativa para a questão a3348fa8-ea
  • Linguagens

    Literatura

    INSTRUÇÃO: A partir da leitura de Galvez, imperador do Acre, de Márcio de Souza, responda:
    Em relação à construção do romance, marque V para as afirmativas verdadeiras e F para as falsas.

    ( ) A narrativa é organizada em quatro capítulos nomeados de acordo com o espaço em que se passa a história.
    ( ) Tópicos curtos apresentam as peripécias de Galvez no Brasil, intercaladas por relatos de suas aventuras anteriores e descrições do contexto histórico.
    ( ) O tom cômico da obra é abandonado nas passagens que trazem eventos de morte, doença, ou loucura.
    ( ) Revela uma vertente metatextual: volta-se para sua feitura e comenta a literatura, de modo geral.
    ( ) O narrador é interrompido por uma segunda voz que coloca em questão a veracidade de alguns fatos.
    ( ) As personagens femininas são sedutoras, mas submissas, sua atuação não contribui para o desenrolar da ação.

    Assinale a sequência correta.
    Escolha uma alternativa para a questão a33c3f05-ea
  • Linguagens

    Literatura

    INSTRUÇÃO: A partir da leitura de O rio comanda a vida, de Leandro Tocantins, responda:
    A respeito da obra, seu gênero e estilo, assinale a afirmativa correta.
    Escolha uma alternativa para a questão a33f91d8-ea
  • Linguagens

    Literatura

    Leia o trecho a seguir.



    Tornemos à câmara nupcial, onde se representa a primeira cena do drama original, de que apenas conhecemos o prólogo. Os dois atores ainda conservam a mesma posição em que os deixamos. Fernando Seixas obedecendo automaticamente Aurélia, sentara-se, e fitava a moça com um olhar estupefato. A moça arrastou a cadeira e colocou-se em face do marido, cujas faces crestava o seu hálito abrasado.


    (ALENCAR, J. de. Senhora. Rio de Janeiro: Edições de Ouro, 1971. p. 149.)


    De acordo com o trecho citado, pertencente ao nono capítulo da 2ª parte, assinale a alternativa correta.

    Escolha uma alternativa para a questão a35de2c2-b1
  • Linguagens

    Literatura

    Leia o trecho a seguir, que dá início à quarta parte – “Resgate”, de Senhora, e responda à questão.

    Havia baile em São Clemente. Aurélia ali estava como sempre, deslumbrante de formosura, de espírito e de luxo. Seu traje era um primor de elegância; suas jóias valiam um tesouro, mas ninguém apercebia-se disso. O que se via e admirava era ela, sua beleza, que enchia a sala, como um esplendor. O baile em vez de fatigá-la, ao contrário a expandia. Semelhante às flores tropicais, filhas do sol, que ostentam o brilhante matiz nas horas mais ardentes do dia, era justamente nesse pélago de luz e paixões, que Aurélia revelava toda a opulência de sua beleza. Seixas a contemplava de parte. As outras moças, de meia noite em diante, começavam a murchar-se; o cansaço desbotava-lhes a cor, ou afogueava-lhes o rosto. O talhe denunciava o excesso da fadiga na languidez das inflexões ou na rispidez do gesto. Aurélia ao contrário, à medida que adiantava-se a noite, desferia de si mais seduções, e parecia entrar na plenitude de sua graça. A correção artística de seu traje ia desaparecendo no bulício do baile. Como o primeiro esboço que surge afinal do cinzel impetuoso do artista, ao fogo da inspiração, sua estátua recebia da admiração da turba os últimos toques. Quando em torno se revolvia o turbilhão, ela conservava sua inalterável serenidade. O colo arfava-lhe mansamente, ao influxo das brandas emoções; o sorriso coalhava-se em enlevos nos lábios entreabertos, por onde escapava-se a respiração calma. Desprendia-se de seus olhos, de toda sua pessoa, uma efusão celeste que era como a sua irradiação. Quando completou-se esta assunção de sua beleza, o baile estava a terminar.
    (ALENCAR, J. de. Senhora. Rio de Janeiro: Edições de Ouro, 1971. p. 225-6.)
    Com base no trecho e no romance, considere as afirmativas a seguir.


    I. O contraste entre Aurélia e as outras moças atende ao propósito de singularização da heroína romântica.

    II. A graça com que Aurélia transita no baile contrasta com a rispidez expressa em diversos momentos íntimos de seu convívio com Seixas.

    III. A focalização do baile decorre da ambientação urbana do romance, que põe em evidência as relações sociais daquele tempo.

    IV. A desenvoltura e o êxito de Aurélia no baile confirmam a degradação moral da protagonista que contraiu casamento por interesses financeiros.


    Assinale a alternativa correta.
    Escolha uma alternativa para a questão a3622a62-b1
  • Linguagens

    Literatura

    Leia o trecho a seguir, que dá início à quarta parte – “Resgate”, de Senhora, e responda à questão.

    Havia baile em São Clemente. Aurélia ali estava como sempre, deslumbrante de formosura, de espírito e de luxo. Seu traje era um primor de elegância; suas jóias valiam um tesouro, mas ninguém apercebia-se disso. O que se via e admirava era ela, sua beleza, que enchia a sala, como um esplendor. O baile em vez de fatigá-la, ao contrário a expandia. Semelhante às flores tropicais, filhas do sol, que ostentam o brilhante matiz nas horas mais ardentes do dia, era justamente nesse pélago de luz e paixões, que Aurélia revelava toda a opulência de sua beleza. Seixas a contemplava de parte. As outras moças, de meia noite em diante, começavam a murchar-se; o cansaço desbotava-lhes a cor, ou afogueava-lhes o rosto. O talhe denunciava o excesso da fadiga na languidez das inflexões ou na rispidez do gesto. Aurélia ao contrário, à medida que adiantava-se a noite, desferia de si mais seduções, e parecia entrar na plenitude de sua graça. A correção artística de seu traje ia desaparecendo no bulício do baile. Como o primeiro esboço que surge afinal do cinzel impetuoso do artista, ao fogo da inspiração, sua estátua recebia da admiração da turba os últimos toques. Quando em torno se revolvia o turbilhão, ela conservava sua inalterável serenidade. O colo arfava-lhe mansamente, ao influxo das brandas emoções; o sorriso coalhava-se em enlevos nos lábios entreabertos, por onde escapava-se a respiração calma. Desprendia-se de seus olhos, de toda sua pessoa, uma efusão celeste que era como a sua irradiação. Quando completou-se esta assunção de sua beleza, o baile estava a terminar.
    (ALENCAR, J. de. Senhora. Rio de Janeiro: Edições de Ouro, 1971. p. 225-6.)
    Sobre o trecho, assinale a alternativa correta.
    Escolha uma alternativa para a questão a365fca8-b1
  • Linguagens

    Literatura

    Leia o texto a seguir.


    Algum tempo hesitei se devia abrir estas memórias pelo princípio ou pelo fim, isto é, se poria em primeiro lugar o meu nascimento ou a minha morte. Suposto o uso vulgar seja começar pelo nascimento, duas considerações me levaram a adotar diferente método: a primeira é que eu não sou propriamente um autor defunto, mas um defunto autor, para quem a campa foi outro berço; a segunda é que o escrito ficaria assim mais galante e mais novo.

    (ASSIS, M. de. Memórias Póstumas de Brás Cubas. 18 ed. São Paulo: Ática, 1992. p. 17.)


    De acordo com o início do primeiro capítulo de Memórias póstumas de Brás Cubas, assinale a alternativa correta.
    Escolha uma alternativa para a questão a36a4dbb-b1
  • Linguagens

    Literatura

    Assinale a alternativa que contém trecho de história literária referente a Memórias póstumas de Brás Cubas.
    Escolha uma alternativa para a questão a3715fdc-b1