Literatura
- Escolas Literárias
- Prova de 2014
- UEG
- Dificuldade: Médio
- Com imagem
- Código da questão: 5D9F8B92-FB
A pintura apresentada e o conto “A máquina extraviada” se aproximam da seguinte corrente estética:Disciplina · Linguagens
Questões de Literatura, da área de Linguagens, com gabarito em cada página.
A pintura apresentada e o conto “A máquina extraviada” se aproximam da seguinte corrente estética:I.
Chegou no verão, em janeiro, quando soube que Geraldo cancelara o contrato de locação da casa, nos Barris. Primeiro, e logo que se deu a Geraldo como uma escrava, foi o Jardim da Piedade com a casa tão perto da igreja que acordava com o sino batendo forte todas as manhãs. O Campo Grande, a seguir, lugar de grandes árvores e muitos pássaros. Depois, o prédio magro de três andares na ruazinha da ladeira, no Rio Vermelho, onde permaneceria os últimos quinze anos ao lado do mar e de Geraldo. E dali, após vender os móveis para apurar um pouco mais de dinheiro, dali saiu enxotada para o Bângala.
FILHO, Adonias. O Largo da Palma. Novelas. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1981. p. 29.
II.
No momento de ajoelhar aos pés do celebrante, e de pronunciar o voto perpétuo que a ligava ao destino do homem por ela escolhido, Aurélia, com o decoro que revestia seus menores gestos e movimentos, curvara a fronte, envolvendo-se pudicamente nas sombras diáfanas dos cândidos véus de noiva.
Malgrado seu, porém, o contentamento que lhe enchia o coração e estava a borbotar nos olhos cintilantes e nos lábios aljofrados de sorrisos, erigia-lhe aquela fronte gentil, cingida nesse instante por uma auréola de júbilo.
No altivo realce da cabeça e no enlevo das feições cuja formosura se toucava de lumes esplêndidos, estava-se debuxando a soberba expressão do triunfo, que exalta a mulher quando consegue a realidade de um desejo férvido e longamente ansiado.
ALENCAR, José de. Senhora: perfil de mulher. 2. ed. São Paulo: FTD, 1993. p. 73.
O texto II faz parte do romance Senhora, de José de Alencar, obra representativa do Romantismo no Brasil.
Comparando-o com o texto I, inserido na narrativa O Largo da Palma, sobre as figuras femininas em foco está correto o que se afirma na alternativa

(CAMPOS, Augusto. Pós-tudo. 1984. Disponível em: http://www2.uol.com.br/augustodecampos/poemas.htm. Acesso: 19 ago. 2013).
O poema de Augusto de Campos pertence à poesia concreta. Constitui uma característica desse movimento:
O rio que fazia uma volta atrás de nossa casa era a imagem
de um vidro mole que fazia uma volta atrás de casa.
Passou um homem depois e disse: Essa volta que o rio faz
por trás de sua casa se chama enseada.
Não era mais a imagem de uma cobra de vidro que fazia
uma volta atrás da casa.
Era uma enseada.
Acho que o nome empobreceu a imagem.
BARROS, M. O livro das ignorãças. Rio de Janeiro: Record, 2001.
Manoel de Barros desenvolve uma poética singular, marcada por “narrativas alegóricas”, que transparecem nas imagens construídas ao longo do texto. No poema, essa característica aparece representada pelo uso do recurso de

Nas últimas décadas, a ruptura, o efêmero, o descartável
incorporam-se cada vez mais ao fazer artístico, em
consonância com a pós-modernidade. No detalhe da obra
Bastidores, percebe-se a

Soneto IV de Via-Láctea
Como a floresta secular, sombria,
Virgem do passo humano e do machado,
Onde apenas, horrendo, ecoa o brado
Do tigre, cuja agreste ramaria.
Não atravessa nunca a luz do dia,
Assim também, da luz do amor privado,
Tinhas o coração ermo e fechado,
Como a floresta secular, sombria...
Hoje, entre os ramos, a canção sonora
Soltam festivamente os passarinhos.
Tinge o cimo das árvores a aurora...
Palpitam flores, estremecem ninhos...
E o sol do amor, que não entrava outrora,
Entra dourando a areia dos caminhos.
Ofendi-vos, meu Deus, é bem verdade;
verdade é, meu Senhor, que hei delinquido,
delinquido vos tenho, e ofendido;
ofendido vos tem minha maldade.
Maldade encaminhada a uma vaidade;
vaidade, que de todo me há vencido;
vencido quero ver-me, e arrependido;
arrependido em tanta enormidade.
Arrependido estou de coração;
de coração vós busco, dai-me abraços;
abraços que mereçam vossa Luz.
Luz, que clara me mostre a Salvação,
a Salvação que pretendo com tais braços:
Piedade, meu Senhor, Jesus, Jesus.
MATOS, Gregório de. In: HOLLANDA, Sérgio Buarque de. Antologia dos poetas brasileiros
da fase colonial. São Paulo: Perspectiva, 1979, p. 57-58.
Texto para as questão.
Poema
Encontrado por Thiago de Mello
No Itinerário de Pasárgada
Vênus luzia sobre nós tão grande,
Tão intensa, tão bela, que chegava
A parecer escandalosa, e dava
Vontade de morrer.
Manuel Bandeira
Nesse breve poema de Bandeira, manifesta-se um aspecto que alguns de seus principais estudiosos consideram central e decisivo na obra do poeta, a saber,