História
- História do Brasil
- Prova de 2015
- Universidade Federal do Ceará
- Dificuldade: Fácil
- Código da questão: A8EDAD18-FC
Disciplina · Ciências Humanas
Questões de História, da área de Ciências Humanas, com gabarito em cada página.

NÃO DEIXEM ACABAR COM OS IANOMÂMIS

Ianomâmi. Talvez você nunca tenha ouvido falar nesse nome. Pois saiba que é o nome genérico de cerca de 8400 brasileiros, gente boa que vive em 203 cabanas, no interior da floresta tropical, bem na fronteira com a Venezuela. Formam 14% da população de Roraima e encontram-se ainda no Amazonas.
Os ianomâmis correm no momento um grande risco e estão precisando de você. Cabe a você interessar-se pelo projeto de um grupo de antropólogos, juristas, médicos e jornalistas, que visa a proteger a vida pacífica dos ianomâmis, nos locais que habitam, e dentro do tipo de cultura que é tradicionalmente o deles. Esse projeto, ou anteprojeto, propõe a criação do Parque Indígena Ianomâmi.
Essa é a única maneira de salvar a comunidade social e cultural desses homens, mulheres e crianças que desde 1974 vêm sofrendo as consequências do processo de expansão econômica da Amazônia em sua parte negativa, sem se beneficiar com suas possíveis vantagens. A abertura da Perimetral Norte, BR-210, levou àquela região gripe, sarampo, tuberculose, moléstias de pele e doenças venéreas. O garimpo irrompeu como outra modalidade da doença. Em 1978, é a Cia. Vale do Rio Doce que se apresta para extrair a cassiterita, antes explorada ilegalmente pelos garimpeiros. E a Perimetral Norte vai prosseguir, fornecendo espaço à colonização. Topógrafos percorrem o território ianomâmi, demarcando lotes em terras insofismavelmente pertencentes aos índios.
CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE
Adaptado de Caderno Ilustrado, Folha de S. Paulo, 02/08/1979.
Em seu artigo de 1979, o escritor Carlos Drummond de Andrade situa circunstâncias do projeto de criação do Parque Indígena Ianomâmi, no contexto das ações de exploração da Amazônia durante os governos militares (1964-1985).
A defesa da criação desse Parque, naquela conjuntura, tinha como objetivo tornar pública a
seguinte problemática:

No Brasil, o sistema escravocrata transformou-se num modelo tão enraizado que acabou se convertendo numa linguagem, com graves consequências. Grassou por aqui, do século XVI ao XIX, uma escandalosa injustiça amparada pela artimanha da legalidade.
SCHWARCZ, Lilia M. Sobre o autoritarismo brasileiro. São Paulo: Companhia das Letras, 2019. p. 27.
Lilia Moritz Schwarcz reflete sobre a formação da sociedade brasileira, no que diz respeito ao sistema escravocrata no Brasil. Sobre esse sistema, é correto afirmar que
Para enganar o mundo, e fazer com que ele acredite que o homem branco na África do Sul está ajudando os africanos a trilharem a estrada da civilização, o homem branco se arrogou o título e o papel de tutor do povo africano.
MANDELA, Nelson, 1944. In: LOPES, Marta Maria. O Apartheid. São Paulo: Atual, 1990. p. 31
O trecho do discurso de Nelson Mandela, em meados do século XX, contrapõe a ideia da supremacia do “homem branco” em relação ao povo africano. Na África do Sul, ocorreu um violento regime de segregação racial denominado Apartheid. Sobre esse regime, é correto afirmar que

Criada durante o governo de Getúlio Vargas (1950-1954), em um contexto de intensos debates e mobilizações associados à campanha “O petróleo é nosso”, a Petrobras se vinculou, naquela época, à valorização da “bandeira nacionalista”, conforme se observa no cartaz.
No que diz respeito à exploração do petróleo, essa valorização esteve manifesta na seguinte
atribuição da empresa:
O MASSACRE DE SOWETO

Em 1974, o governo sul-africano emitiu um decreto exigindo o estudo do africâner nas escolas do país no mesmo nível do inglês. O africâner era língua majoritária entre a minoria branca que controlava o país. Estudantes negros se opuseram. Eles queriam estudar em seu idioma nativo (zulu) e em inglês.
No bairro negro de Soweto, em Joanesburgo, estudantes do Orlando West Institute planejaram uma série de ações contra essa lei, que entrou em vigor em janeiro de 1975. No dia 16 de junho de 1976, cerca de 3000 manifestantes, entre alunos e professores, começaram a protestar pacificamente. Aos poucos, outras pessoas se juntaram e estima-se que a marcha reuniu cerca de 10000 pessoas (algumas fontes dizem 20000), que percorreram as ruas com faixas e slogans como “Abaixo o africâner” e “Se aprendermos africâner, que Vorster (primeiro-ministro na época) aprenda zulu”.
Os confrontos entre as forças de segurança e os manifestantes duraram todo o dia. O saldo oficial foi de 23 crianças mortas. Porém, a realidade foi bem diferente, já que o número de mortos chegou a 700 e o de feridos ultrapassou mil. Hector Pierterson, um estudante de 13 anos, foi o primeiro manifestante a cair morto. A fotografia daquele momento, feita pelo fotojornalista Sam Nzima, tornou-se um ícone da luta dos estudantes negros sul-africanos.
CHEMA CABALLERO
Adaptado de elpais.com, 14/06/2016.
O regime de Apartheid na África do Sul instituiu a segregação racial e outras formas de controle social sobre as populações negras.
A obrigatoriedade do ensino de africâner, destacada na reportagem, está relacionada à seguinte
estratégia de dominação colonial:
“Pernambucanos [...] o povo está contente, já não há distinção entre brasileiros e europeus, todos se conhecem irmãos, descendentes da mesma origem, habitantes do mesmo país, professos na mesma religião. Um governo provisório iluminado, escolhido entre todas as ordens do Estado, preside a vossa felicidade; confiai no seu zelo e no seu patriotismo. Vós vereis consolidar-se a vossa fortuna, vós sereis livres do peso de enormes tributos que gravam sobre vós; o vosso, e nosso país subirá ao ponto de grandeza que há muito o espera, e vós colhereis o fruto dos trabalhos e do zelo dos vossos cidadãos. [...] A pátria é a nossa mãe comum; vós sois seus filhos, sois descendentes dos valorosos lusos, sois portugueses, sois americanos, sois brasileiros, sois pernambucanos”.
Proclamação do Governo Provisório Revolucionário de Pernambuco. 9 mar. 1817.
A partir da leitura do documento e dos seus conhecimentos sobre o assunto, marque a alternativa INCORRETA a respeito das propostas dos revolucionários pernambucanos de 1817.

O cartaz acima mostra Lord Kitchener, Secretário de Estado da Guerra do governo britânico, entre 1914 e 1916, conclamando a população a se alistar nas forças armadas britânicas por ocasião da Primeira Guerra Mundial.
O cartaz põe em destaque:
Ouro de Tolo
Raul Seixas
Eu devia estar contente
Porque eu tenho um emprego
Sou um dito cidadão respeitável E ganho quatro mil cruzeiros por mês
Eu devia agradecer ao Senhor
Por ter tido sucesso na vida como artista
Eu devia estar feliz
Porque consegui comprar um Corcel 73
Eu devia estar alegre e satisfeito
Por morar em Ipanema
Depois de ter passado fome por dois anos
Aqui na Cidade Maravilhosa [...]

A charge acima foi publicada na revista O Malho, em 1905, quando as reformas urbanas de Pereira Passos se encontravam
em estágio avançado.
Leia, atentamente, a transcrição de trechos do documento enviado à Comissão de Anistia:
“Várzea da Palma, 21 de agosto de 2002.
Excelentíssimo Senhor:
Presidente da Comissão de Anistia
Vimos, respeitosamente, à presença desta Comissão requerer os direitos de anistiado político, em favor de Flávio Ferreira da Silva.
Flávio Ferreira da Silva era natural da cidade de Pirapora (MG), de nacionalidade brasileira, nascido aos 07-12- 1934. [...]
Esclareço, portanto, que Flávio Ferreira da Silva foi preso e torturado, durante o período militar, que vigorou no país a partir de março de 1964. Foi punido com a cassação de seu mandato eletivo, na cidade de Três Marias (MG), onde acabara de ocupar o cargo de Prefeito Municipal; vale ressaltar que foi o primeiro prefeito eleito daquela cidade. [...]
Fomos condenados a viver sem um pai amoroso, responsável, que nos ensinou a ler e nos fazia valorizar acima de tudo os estudos. Para piorar ainda mais a situação, perdemos no mesmo dia a nossa mãe, nosso amparo e toda nossa fonte de segurança e formação Estamos requerendo os seguintes direitos do Artigo 1° da Medida Provisória n.° 2.151-3, de 24 de agosto de 2001:
Inciso I – Declaração da condição de anistiado político;
Inciso II – Reparação econômica, de caráter indenizatório, em prestação mensal, permanente e continuada.
Desde já, agradecemos a atenção.”
Fonte: ARQUIVO NACIONAL. DOSSIÊ. Fundo: Comissão especial sobre mortos e desaparecidos políticos. Adaptado.
O documento faz referência ao processo de prisão e tortura do prefeito da cidade de Três Marias pela ditadura civilmilitar (1964-1985) e foi enviado pelos seus filhos, radicados em Várzea da Palma, município da região do Alto São Francisco.
A repressão, na ditadura civil-militar no Brasil,