História
História do BrasilENEM · 2016MédioEntre para guardar nos favoritos 
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Questões de História, da área de Ciências Humanas, com gabarito em cada página.
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TEXTO I
Embora eles, artistas modernos, se deem como novos precursores duma arte a ir, nada é mais velho que a arte anormal. De há muitos já que a estudam os psiquiatras em seus tratados, documentando-se nos inúmeros desenhos que ornam as paredes internas dos manicômios. Essas considerações são provocadas pela exposição da Sra. Malfatti. Sejam sinceros: futurismo, cubismo, impressionismo e tutti quanti não passam de outros tantos ramos da arte caricatural.
LOBATO, M. Paranoia ou mistificação: a propósito da exposição de Anita Malfatti. O Estado de São Paulo, 20 dez.1917 (adaptado).
TEXTO II
Anita Malfatti, possuidora de uma alta consciência do que faz, a vibrante artista não temeu levantar com os seus cinquenta trabalhos as mais irritadas opiniões e as mais contrariantes hostilidades. As suas telas chocam o preconceito fotográfico que geralmente se leva no espírito para as nossas exposições de pintura. Na arte, a realidade na ilusão é o que todos procuram. E os naturalistas mais perfeitos são os que melhor conseguem iludir.
ANDRADE, O. A exposição Anita Malfatti. Jornal do Commercio, 11 jan. 1918 (adaptado).
TEXTO III

MALFATTI, A. O homem amarelo, 1915-1916. Óleo sobre tela, 61 x 51 cm. Disponível em: www.estadao.com.br. Acesso em: 28 fev. 2013
A análise dos documentos apresentados demonstra que o cenário artístico brasileiro no primeiro quartel do século XX
era caracterizado pelo(a)
Ô ô, com tanto pau no mato
Embaúba* é coroné
Com tanto pau no mato, ê ê
Com tanto pau no mato
Embaúba é coroné
* Embaúba: árvore comum e inútil por ser podre por dentro, segundo o historiador Stanley Stein.
STEIN, S. J. Vassouras: um município brasileiro do café, 1850-1900. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1990 (adaptado).
Os versos fazem parte de um jongo, gênero poético-musical cantado por escravos e seus descendentes no Brasil no século XIX, e procuram expressar a

Inspirada em fantasias de Carnaval, a arte apresentada se
opunha à concepção de patrimônio vigente nas décadas
de 1960 e 1970 na medida em que
Flor da negritude
Nascido numa casa antiga, pequena, com grande quintal arborizado, localizada no subúrbio de Lins de Vasconcelos, o Renascença Clube foi fundado por 29 sócios, todos negros. Buscava-se instaurar, por meio do Renascença, um campo de relações em que os filhos de famílias negras bem-sucedidas pudessem encontrar pessoas consideradas do mesmo nível social e cultural, para fins de amizade ou casamento. Os homens usavam trajes obrigatoriamente formais, flores na lapela, às vezes de summer ou até de fraque. As mulheres se vestiam com muitas sedas, cetins e rendas, não esquecendo as luvas e os chapéus.
GIACOMINI, S. M. Revista de História da Biblioteca Nacional, 19 set. 2007 (adaptado).
No início dos anos 1950, a fundação do Renascença Clube, como espaço de convivência, demonstra o(a)
No aniversário do primeiro decênio da Marcha sobre Roma, em outubro de 1932, Mussolini irá inaugurar sua Via dell impero; a nova Via Sacra do Fascismo, ornada com estátuas de César, Augusto, Trajano, servirá ao culto do antigo e à glória do Império Romano e de espaço comemorativo do ufanismo italiano. Às sombras do passado recriado ergue-se a nova Roma, que pode vangloriar-se e celebrar seus imperadores e homens fortes; seus grandes poetas e apólogos como Horácio e Virgílio.
SILVA, G. História antiga e usos do passado: um estudo de apropriações da Antiguidade sob o regime de Vichy. São Paulo: Annablume, 2007 (adaptado).
A retomada da Antiguidade clássica pela perspectiva do patrimônio cultural foi realizada com o objetivo de
A experiência do movimento organizado de mulheres no Brasil oferece excelente exemplo de como se pode utilizar a lei em favor da melhoria do status jurídico, da condição social, do avanço no sentido de uma presença mais efetiva no processo de decisão política. Ao longo de quase todo o século XX, com mais intensidade em algumas décadas do que em outras, as mulheres brasileiras conseguiram obter vitórias expressivas. Algumas vezes, abolindo dispositivos legais discriminatórios, outras, conseguindo aprovar novas leis.
TABAK, F A lei como instrumento de mudança social. In: TABAK, F; VERUCCI, F. A difícil igualdade: os direitos da mulher como direitos humanos. Rio de Janeiro: Relume Dumará, 1994.
A atuação do movimento social abordado no texto resultou, na década de 1930, em
Sobre o Regime Militar no Brasil (1964-1985) e seus desdobramentos atualmente, analise as seguintes sentenças:
I. A tomada do poder pelos militares, em 1964, contou com o apoio explícito de amplos setores sociais, religiosos, de grande parte dos políticos do Congresso Nacional e de instituições, como a Ordem dos Advogados do Brasil.
II. A Comissão Nacional da Verdade foi criada em 2011 a fim de, entre outros, apurar as violações de direitos humanos cometidas por agentes públicos no período 1964-1985 e investigar o desaparecimento de presos políticos, sem, no entanto, ter condições legais de punir os culpados.
III. De modo semelhante ao que ocorria no cenário internacional bipolarizado, no Brasil, o governo militar adotou uma posição nacionalista e pró- capitalista e combateu indivíduos e/ou grupos ligados ou suspeitos de ligação com tendências políticas comunistas, sobretudo aquelas de caráter internacionalista.
IV. Embora tenha limitado os direitos civis, o governo militar foi desprovido de corrupção, aumentou consideravelmente o Produto Interno Bruto e melhorou significativamente a distribuição de renda e o poder aquisitivo do trabalhador, se comparado ao período precedente.
As afirmativas a seguir apresentam características da Segunda Guerra Mundial.
I. A “guerra-relâmpago” (Blitzkrieg) foi a estratégia utilizada pelo exército alemão para invadir a Polônia no início da guerra. Esta ação consistia na utilização de forças móveis em ataques com velocidade e surpresa, evitando com que as forças inimigas tivessem tempo de reação.
II. A exploração e assassinato de milhões de judeus e outras vítimas, nos campos de concentração nazista, durante a Segunda Guerra Mundial, ocorreu sob o comando de Adolf Hitler. A ação dos nazistas foi considerada um dos maiores genocídios do século XX.
III. O desembarque dos aliados na costa da Normandia (França) passou a ser conhecido como o Dia D. No dia 6 de junho de 1944, aproximadamente, 100 mil soldados desembarcaram na costa, com apoio de 6 mil navios e 5 mil aviões, abrindo uma nova frente de combate.
IV. O lançamento das bombas atômicas em Hiroshima e Nagasaki pelos norte-americanos, em agosto de 1945, quebrou a resistência do Japão, que em setembro do mesmo ano assinou sua rendição, fato que assinalou o fim da Segunda Guerra Mundial.
Estão CORRETAS:
“A República, todavia, foi fruto muito mais da insatisfação gerada pela incapacidade do Estado Imperial de articular as velhas e novas demandas – de sua crise de legitimidade – do que da crença geral e efetiva nas vantagens do regime republicano”.
(BASILE, Marcello. O Império Brasileiro: Panorama Político. In: LINHARES, Maria Y. (org.). História Geral do Brasil. Rio de Janeiro: Elsevier, 1990. p. 294)
O trecho acima se refere à Proclamação da República,
ocorrida em 1889, no Brasil. Sobre este acontecimento
e os eventos que a antecedem e lhe são subsequentes,
assinale a alternativa INCORRETA.
“Nós consideramos estas verdades como evidentes por si mesmas, que todos os homens foram criados iguais, que foram dotados pelo seu Criador de certos direitos inalienáveis, que entre estes se encontram a vida, a liberdade e a busca da felicidade. Que com o fim de assegurar estes direitos, instituem-se os governos entre os homens, derivando os seus justos poderes do consentimento dos governados. Que sempre que qualquer forma de governo se torna destrutiva destes fins, cabe ao povo o direito de alterá-la ou aboli-la e instituir um novo governo, baseando-o em tais princípios, e organizando os seus poderes na forma que lhe pareça mais adequada para garantir a sua segurança e felicidade. A prudência, certamente, aconselha que não se mudem os governos estabelecidos há muito tempo por motivos leves e passageiros; e, de fato, a experiência tem demonstrado que a humanidade está mais disposta a sofrer enquanto os males são suportáveis, do que a fazer justiça abolindo as formas a que se acostumou. Mas quando uma longa série de abusos e usurpações, perseguindo invariavelmente o mesmo objetivo, evidencia um desígnio de submeter o povo ao despotismo absoluto, é do seu direito e do seu dever libertar-se de tal governo e instituir novas salvaguardas para a sua segurança futura. Tal tem sido o paciente sofrimento destas colônias; e tal é agora a necessidade que as obriga a alterar os seus sistemas de governo anteriores. A história do atual Rei da Grã-Bretanha é uma história de ofensas e usurpações reiteradas, tendo todas elas por objetivo direto o estabelecimento de uma tirania absoluta sobre estes estados.” (Trecho da Declaração de Independência dos Estados Unidos da América – as treze colônias.
(Disponível em: http://www.agal-gz.org. Acessado em setembro de 2014)
A independência dos Estados Unidos ocorreu em 04/07/ 1776. Precisamente, essa data marca a assinatura da Declaração de Independência das treze colônias. Baseando-se no trecho supracitado da referida Declaração, nas características desse evento e no contexto em que ele ocorreu e se desdobrou, assinale a alternativa INCORRETA.
Sobre a situação da classe operária, na Inglaterra, durante a Revolução Industrial, no século XIX:
I. A condição de trabalho nas fábricas era precária, marcada por baixos salários, jornadas de até 16 horas diárias e tendo que conviver com constantes humilhações.
II. Os trabalhadores ingleses vivenciavam uma série de conflitos com dirigentes políticos e empregadores, o que resultou em conquistas nas condições de trabalho, como melhores salários, distribuição dos lucros e redução da jornada de trabalho para 8 horas diárias.
III. Fora das fábricas, as condições eram difíceis, além de habitações urbanas ruins, a falta de saneamento propagava as epidemias que causavam grande número de vítimas, especialmente nas camadas mais pobres.
IV. Apesar das longas jornadas de trabalho que deveriam ser cumpridas, os trabalhadores tiveram benefícios conquistados, especialmente o acesso a uma alimentação mais saudável e variada, assim como possibilidades de avanço na carreia, o que proporcionava melhorias nas condições de vida.
Estão CORRETAS:
Sobre as revoltas provinciais deflagradas no período regencial, considere as seguintes alternativas:
I. A Cabanagem - PA (1835-1840) foi um movimento popular com a participação de índios, caboclos e negros que se opôs à Regência e ocupou, por alguns meses, o governo da província.
II. A Revolução Farroupilha - RS/SC (1835-1845) foi uma revolta motivada, sobretudo, pela política tributária do governo regencial, que, por sua vez, conseguiu conter o movimento, punir os líderes e impor as tarifas que causaram o início do movimento.
III. A Sabinada – BA (1837-1838) pregava a República federativa, estabelecendo em 1837 o novo regime na BA, o qual se manteria até a maioridade do futuro imperador. Após reação dos senhores de engenho do Recôncavo e do governo central (com a Armada) a capital da BA foi retomada.
IV. As revoltas Cabanagem, Revolução Farroupilha e Sabinada tinham em comum demandas regionais não atendidas pelo governo central. Em nenhum caso, seus líderes pretendiam ampliar as conquistas para o âmbito nacional.
Descrição de um diálogo entre o francês Jean de Léry e um índio Tupinambá.
“Jean de Léry (JL): Uma vez um velho [índio Tupinambá] perguntou-me: Índio Tupinambá (IT): Por que vindes vós outros, franceses e portugueses buscar lenha de tão longe para vos aquecer? Não tendes madeira em vossa terra? JL. Respondi que tínhamos muita, mas não daquela qualidade, e que não a queimávamos, como ele o supunha, mas dela extraíamos tinta para tingir, tal qual o faziam eles com os seu cordões de algodão e suas plumas. IT. E porventura precisais de muito? JL. Sim, respondi-lhe, pois no nosso país existem negociantes que possuem mais panos, facas, tesouras, espelhos e outras mercadorias do que podeis imaginar e um só deles compra todo o pau-brasil com que muitos navios voltam carregados. IT. Mas esse homem tão rico de que me falas não morre? JL. Sim, disse eu, morre como os outros. IT. E quando morrem para quem fica o que deixam? JL. Para seus filhos se os têm, respondi; na falta destes para os irmãos ou parentes mais próximos. IT. Agora vejo que vos outros portugueses sois grandes loucos, pois atravessais o mar e sofreis grandes incômodos [...] e trabalhais tanto para amontoar riquezas para vossos filhos ou para aqueles que vos sobrevivem! Não será a terra que vos nutriu suficiente para alimentá-los também?
Temos pais, mães e filhos a quem amamos; mas estamos certos de que depois de nossa morte a terra que nos nutriu também os nutrirá, por isso descansamos sem maiores cuidados.”
LÉRY, Jean de. Viagem à Terra do Brasil. In: VILLALTA, L. C. (Coord.). Coletânea de documentos e textos de História do Brasil Colonial. Belo Horizonte: UFMG, 2009. p. 05. (Adaptado).
O suposto diálogo acima foi registrado por Jean de Léry em seu livro “Viagem à Terra do Brasil”, de 1578. A respeito do diálogo acima e das características dos primeiros anos da colonização, considere as alternativas:
I. O encontro entre portugueses e índios no primeiro século de colonização caracterizou-se pela contratação assalariada de mão de obra indígena.
II. O eurocentrismo atuou como parâmetro a partir do qual grande parte dos valores e costumes indígenas foi avaliada pelos europeus, o que gerou incompreensões e conflitos.
III. No diálogo acima, o índio Tupinambá insinuou a Jean de Léry que não se importa com o futuro dos seus filhos, pois não se preocupa em deixar a eles bens e posses.
IV. De modo geral, o pau-brasil pode ser considerado o primeiro produto que foi sistematicamente explorado do território brasileiro, inclusive com o auxílio de índios.
Vários historiadores ressaltam que os primeiros europeus a visitarem o Brasil colonial associaram positivamente as características naturais do território àquelas atribuídas aos Jardins do Éden: o Brasil figurava como um espaço repleto de belezas, fauna e flora variada, rios caudalosos, clima agradável e terra fértil. Quase cinco séculos depois, em 1995, o Instituto Vox Populi, o Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil e o Instituto de Estudos da Religião realizaram pesquisas nas quais verificam que o principal motivo pelo qual os brasileiros pesquisados sentiam orgulho do Brasil era justamente a natureza do país.
(CARVALHO, José Murilo de. O Motivo Edênico no Imaginário Social Brasileiro.Rev. bras. Ci. Soc. 1998, vol.13, n.38)
A partir do texto acima, é possível concluir que: