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Instituição

Questões: Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) — com gabarito

667 questões de Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), de 2005 a 2021. Cada uma tem página própria, com enunciado completo, alternativas e gabarito — e dá para responder na própria página.

  • 667 questões
  • 13 provas

Resultados: 453 questões

Página 21 de 23

  • Linguagens

    Português

    A palavra bullying ainda é pouco conhecida do grande público brasileiro. De origem inglesa e ainda sem tradução no Brasil, é utilizada para qualificar comportamentos violentos no âmbito escolar, tanto de meninos quanto de meninas. Dentre esses comportamentos podemos destacar as agressões, os assédios e as ações desrespeitosas, todos realizados de maneira recorrente e intencional por parte dos agressores. É fundamental explicitar que as atitudes tomadas por um ou mais agressores contra um ou alguns estudantes, geralmente, não apresentam motivações específicas ou justificáveis. Isso significa dizer que, de forma quase “natural”, os mais fortes utilizam os mais frágeis como meros objetos de diversão, prazer e poder, com o intuito de maltratar, intimidar, humilhar e amedrontar suas vítimas. E isso,  invariavelmente, produz, alimenta e até perpetua muita dor e sofrimento nos vitimados.


    De acordo com o texto,
    Escolha uma alternativa para a questão eab310e7-46
  • Linguagens

    Inglês

    Imagem da questão de Inglês, UNIFESP 2012, Interpretação de texto | Reading comprehension

    Instrução: Assinale as alternativas que completam, correta e respectivamente, as lacunas numeradas de 42 a 45 no texto.

    Escolha uma alternativa para a questão ec35256f-fe
  • Linguagens

    Português

    Leia o texto.
     
    O cyberbullying é um problema crescente justamente porque os jovens usam cada vez mais a tecnologia. Ana, 13 anos, já era perseguida na escola – e passou a ser acuada, prisioneira de seus agressores via internet. Hoje, vive com medo e deixou de adicionar “amigos” em seu perfil no Orkut. Além disso, restringiu o acesso ao MSN. Mesmo assim, o tormento continua. As meninas de sua sala enviam mensagens depreciativas, com apelidos maldosos e recados humilhantes, para amigos comuns. Os qualificativos mais leves são “nojenta, nerd e lésbica”. Outros textos dizem: “Você deveria parar de falar com aquela piranha” e “A emo já mudou a sua cabeça, hein? Vá pro inferno”. Ana, é claro, fica arrasada. “Uso preto, ouço rock e pinto o cabelo. Curto coisas diferentes e falo de outros assuntos. Por isso, não me aceitam.”
    (Beatriz Santomauro. Nova Escola, junho/julho 2010. Adaptado.)

    Conforme o texto


    Escolha uma alternativa para a questão ec68fb43-46
  • Linguagens

    Português

    Imagem da questão de Português, UNIFESP 2005, Interpretação de Textos Para o narrador, os olhos de Capitu eram olhos de ressaca, como a vaga que se retira da praia, nos dias de ressaca. Entende- se, então, que ele
    Escolha uma alternativa para a questão ec721a86-29
  • Linguagens

    Português

    Imagem da questão de Português, UNIFESP 2005, Interpretação de Textos Só me perguntava o que era, se nunca os vira...

    O trecho, transposto para discurso direto, em norma padrão, assume a seguinte forma:

    Só me perguntava:
    Escolha uma alternativa para a questão edf2ff1d-29
  • Linguagens

    Português

    Leia o texto.

      Dimitria cursava a oitava série no colégio e desapareceu durante as férias de julho de 2008. Segundo a polícia, a garota avisou que iria viajar em companhia do caseiro, mas nunca mais foi vista. (...) De acordo com a polícia, [o caseiro] Silva disse que matou a menina porque era apaixonado
    por ela, mas ela não o correspondia.
    (Folha de S.Paulo, 16.08.2010.)

    No texto, há um erro gramatical. O tipo de erro e a versão que o corrige estão, respectivamente, em

    Escolha uma alternativa para a questão ee11210b-46
  • Linguagens

    Português

    INSTRUÇÃO: As questões baseiam- se no poema de Filinto Elísio.

    Uns lindos olhos, vivos, bem rasgados,

    Um garbo senhoril, nevada alvura,

    Metal de voz que enleva de doçura,

    Dentes de aljôfar, em rubi cravados.

    Fios de ouro, que enredam meus cuidados,

    Alvo peito, que cega de candura,

    Mil prendas; e (o que é mais que formosura)

    Uma graça, que rouba mil agrados.

    Mil extremos de preço mais subido

    Encerra a linda Márcia, a quem of’reço

    Um culto, que nem dela inda é sabido.

    Tão pouco de mim julgo que a mereço,

    Que enojá- la não quero de atrevido

    Co’as penas que por ela em vão padeço.

    Considere as informações:

    I. O poeta mantém certo distanciamento amoroso, pois a mulher é vista como um ser superior e inalcançável.

    II. O jogo amoroso descrito no soneto distancia-se do convencionalismo, sendo exposto o amor de forma intensa.

    III. A forma do poema — um soneto — e a sua metrificação permitem considerá- lo uma produção literária do período clássico.

    IV. Estão explícitos no soneto a sensualidade e o carpe diem.

    Está correto o que se afirma apenas em

    Escolha uma alternativa para a questão ef684cf3-29
  • Linguagens

    Português

    Instrução: Leia o texto para responder às questões de números 05 a 07

           Nos últimos três anos foram assassinadas mais de 140 mil pessoas no Brasil. Uma média de 47 mil pessoas por ano. Uma parcela expressiva destas mortes, que varia de região para região, é atribuída à ação da polícia, que se respalda na impunidade para continuar cometendo seus crimes. São 25 assassinatos ao ano por cada 100 mil pessoas, índice considerado de violência epidêmica, segundo organismos internacionais.

           Se os assassinatos com armas de fogo são uma face da violência vivida na nossa sociedade, ela não é a única. Logo atrás, em termos de letalidade, estão os acidentes fatais de trânsito, com cerca de 33 mil mortos em 2002 e 35 mil mortes por ano em 2004 e 2005. Isto, sem falar nos acidentados não fatais socorridos pelo Sistema Único de Saúde, que multiplicam muitas vezes os números aqui apresentados e representam um custo que o IPEA estima em R$ 5,3 bilhões para o ano de 2002.

           A lista da violência alonga-se incrivelmente. Sobre as mulheres, os negros, os índios, os gays, sobre os mendigos na rua, sobre os movimentos sociais etc. Uma discussão num botequim de periferia pode  terminar em morte. A privação do emprego, do salário digno, da educação, da saúde, do transporte público, da moradia, da segurança alimentar, tudo isso pode ser compreendido, considerando que incide sobre direitos assegurados por nossa Constituição, como tantas outras formas de violência.

      (Silvio Caccia Bava. Le Monde Diplomatique Brasil, agosto 2010. Adaptado.)


    Segundo o texto,
    Escolha uma alternativa para a questão efd7ccde-46
  • Linguagens

    Português

    INSTRUÇÃO: As questões baseiam- se no poema de Filinto Elísio.

    Uns lindos olhos, vivos, bem rasgados,

    Um garbo senhoril, nevada alvura,

    Metal de voz que enleva de doçura,

    Dentes de aljôfar, em rubi cravados.

    Fios de ouro, que enredam meus cuidados,

    Alvo peito, que cega de candura,

    Mil prendas; e (o que é mais que formosura)

    Uma graça, que rouba mil agrados.

    Mil extremos de preço mais subido

    Encerra a linda Márcia, a quem of’reço

    Um culto, que nem dela inda é sabido.

    Tão pouco de mim julgo que a mereço,

    Que enojá- la não quero de atrevido

    Co’as penas que por ela em vão padeço.

    Pelas informações do poema, é correto afirmar que o poeta

    Escolha uma alternativa para a questão f0e532ac-29
  • Linguagens

    Português

    Instrução: Leia o texto para responder às questões de números 05 a 07

           Nos últimos três anos foram assassinadas mais de 140 mil pessoas no Brasil. Uma média de 47 mil pessoas por ano. Uma parcela expressiva destas mortes, que varia de região para região, é atribuída à ação da polícia, que se respalda na impunidade para continuar cometendo seus crimes. São 25 assassinatos ao ano por cada 100 mil pessoas, índice considerado de violência epidêmica, segundo organismos internacionais.

           Se os assassinatos com armas de fogo são uma face da violência vivida na nossa sociedade, ela não é a única. Logo atrás, em termos de letalidade, estão os acidentes fatais de trânsito, com cerca de 33 mil mortos em 2002 e 35 mil mortes por ano em 2004 e 2005. Isto, sem falar nos acidentados não fatais socorridos pelo Sistema Único de Saúde, que multiplicam muitas vezes os números aqui apresentados e representam um custo que o IPEA estima em R$ 5,3 bilhões para o ano de 2002.

           A lista da violência alonga-se incrivelmente. Sobre as mulheres, os negros, os índios, os gays, sobre os mendigos na rua, sobre os movimentos sociais etc. Uma discussão num botequim de periferia pode  terminar em morte. A privação do emprego, do salário digno, da educação, da saúde, do transporte público, da moradia, da segurança alimentar, tudo isso pode ser compreendido, considerando que incide sobre direitos assegurados por nossa Constituição, como tantas outras formas de violência.

      (Silvio Caccia Bava. Le Monde Diplomatique Brasil, agosto 2010. Adaptado.)


    No período Uma parcela expressiva destas mortes, que varia de região para região, é atribuída à ação da polícia, que se respalda na impunidade para continuar cometendo seus crimes, as palavras sublinhadas referem-se, respectivamente,
    Escolha uma alternativa para a questão f1a4a6de-46
  • Linguagens

    Português

    INSTRUÇÃO: As questões baseiam- se no poema de Filinto Elísio.

    Uns lindos olhos, vivos, bem rasgados,

    Um garbo senhoril, nevada alvura,

    Metal de voz que enleva de doçura,

    Dentes de aljôfar, em rubi cravados.

    Fios de ouro, que enredam meus cuidados,

    Alvo peito, que cega de candura,

    Mil prendas; e (o que é mais que formosura)

    Uma graça, que rouba mil agrados.

    Mil extremos de preço mais subido

    Encerra a linda Márcia, a quem of’reço

    Um culto, que nem dela inda é sabido.

    Tão pouco de mim julgo que a mereço,

    Que enojá- la não quero de atrevido

    Co’as penas que por ela em vão padeço.

    Os termos enleva, rouba e penas assumem no poema, respectivamente, os seguintes significados:
    Escolha uma alternativa para a questão f26838b4-29
  • Linguagens

    Português

    Instrução: Leia o texto para responder às questões de números 05 a 07

           Nos últimos três anos foram assassinadas mais de 140 mil pessoas no Brasil. Uma média de 47 mil pessoas por ano. Uma parcela expressiva destas mortes, que varia de região para região, é atribuída à ação da polícia, que se respalda na impunidade para continuar cometendo seus crimes. São 25 assassinatos ao ano por cada 100 mil pessoas, índice considerado de violência epidêmica, segundo organismos internacionais.

           Se os assassinatos com armas de fogo são uma face da violência vivida na nossa sociedade, ela não é a única. Logo atrás, em termos de letalidade, estão os acidentes fatais de trânsito, com cerca de 33 mil mortos em 2002 e 35 mil mortes por ano em 2004 e 2005. Isto, sem falar nos acidentados não fatais socorridos pelo Sistema Único de Saúde, que multiplicam muitas vezes os números aqui apresentados e representam um custo que o IPEA estima em R$ 5,3 bilhões para o ano de 2002.

           A lista da violência alonga-se incrivelmente. Sobre as mulheres, os negros, os índios, os gays, sobre os mendigos na rua, sobre os movimentos sociais etc. Uma discussão num botequim de periferia pode  terminar em morte. A privação do emprego, do salário digno, da educação, da saúde, do transporte público, da moradia, da segurança alimentar, tudo isso pode ser compreendido, considerando que incide sobre direitos assegurados por nossa Constituição, como tantas outras formas de violência.

      (Silvio Caccia Bava. Le Monde Diplomatique Brasil, agosto 2010. Adaptado.)


    Considere as afirmações.

    I. A falta de empregos, a baixa remuneração e o déficit habitacional raramente são compreendidos como forma de violência.

    II. O não-oferecimento de educação, saúde e transporte público a toda a população também pode ser visto como uma forma de violência.

    III. Uma briga de bar que resulta em morte é um ingrediente a mais a engrossar o caldo da violência no país.

    As ideias apresentadas no texto encontram-se em
    Escolha uma alternativa para a questão f346b9a2-46
  • Linguagens

    Português

    INSTRUÇÃO: As questões baseiam- se no poema de Filinto Elísio.

    Uns lindos olhos, vivos, bem rasgados,

    Um garbo senhoril, nevada alvura,

    Metal de voz que enleva de doçura,

    Dentes de aljôfar, em rubi cravados.

    Fios de ouro, que enredam meus cuidados,

    Alvo peito, que cega de candura,

    Mil prendas; e (o que é mais que formosura)

    Uma graça, que rouba mil agrados.

    Mil extremos de preço mais subido

    Encerra a linda Márcia, a quem of’reço

    Um culto, que nem dela inda é sabido.

    Tão pouco de mim julgo que a mereço,

    Que enojá- la não quero de atrevido

    Co’as penas que por ela em vão padeço.

    No verso Metal de voz que enleva de doçura, a preposição de ocorre duas vezes, formando expressões que indicam, respectivamente, relação de

    Escolha uma alternativa para a questão f3f1f39a-29
  • Linguagens

    Português

    Instrução: Leia o texto para responder às questões de números 08 a 10.

     Por causa do assassinato do caminhoneiro Pascoal de Oliveira, o Nego, pelo – também caminhoneiro – japonês Kababe Massame, após uma discussão, em 31 de julho de 1946, a população de Osvaldo Cruz (SP), que já estava com os nervos à flor da pele em virtude de dois atentados da Shindô-Renmei* na cidade, saiu às ruas e invadiu casas, disposta a maltratar “impiedosamente”, na palavra do historiador local José Alvarenga, qualquer japonês que encontrasse pela frente. O linchamento dos japoneses só foi totalmente controlado com a intervenção de um destacamento do Exército, vindo de Tupã, chamado pelo médico Oswaldo Nunes, um herói daquele dia totalmente atípico na história de Osvaldo Cruz e das cidades brasileiras.

       Com o final da Segunda Guerra Mundial, o eclipse do Estado Novo e o desmantelamento da Shindô-Renmei, inicia-se um ciclo de emudecimento, de ambos os lados, sobre as quatro décadas de intolerância vividas pelos japoneses. Do lado local, foi sedimentando-se no mundo das letras a ideia do país como um “paraíso racial”. Do lado dos imigrantes, as segundas e terceiras gerações de filhos de japoneses se concentraram, a partir da década de 1950, na construção da sua ascensão social. A história foi sendo esquecida, junto com o idioma e os hábitos culturais de seus pais e avós.
     (Matinas Suzuki Jr. Folha de S.Paulo, 20.04.2008. Adaptado.)

     * Shindô-Renmei foi uma organização nacionalista, que surgiu no Brasil após o término da Segunda Guerra Mundial, formada por japoneses que não acreditavam na derrota do Japão na guerra. Possuía alguns membros mais fanáticos que cometiam atentados, tendo matado e ferido diversos cidadãos nipo-brasileiros.

    O texto permite afirmar que
    Escolha uma alternativa para a questão f4de0af5-46
  • Linguagens

    Português

    INSTRUÇÃO: As questões baseiam- se no poema de Filinto Elísio.

    Uns lindos olhos, vivos, bem rasgados,

    Um garbo senhoril, nevada alvura,

    Metal de voz que enleva de doçura,

    Dentes de aljôfar, em rubi cravados.

    Fios de ouro, que enredam meus cuidados,

    Alvo peito, que cega de candura,

    Mil prendas; e (o que é mais que formosura)

    Uma graça, que rouba mil agrados.

    Mil extremos de preço mais subido

    Encerra a linda Márcia, a quem of’reço

    Um culto, que nem dela inda é sabido.

    Tão pouco de mim julgo que a mereço,

    Que enojá- la não quero de atrevido

    Co’as penas que por ela em vão padeço.

    Considere as afirmaões:

    I. No poema de Garrett, o amor é apresentado como um sentimento que acontece na vida de alguém independentemente de sua vontade.

    II. No poema de Filinto, vê- se que o amor não se realiza fisicamente; no de Garrett, explora- se o amor pelo seu aspecto físico e sensual.

    III. Tanto no poema de Filinto quanto no de Garrett, há uma linha tênue entre o utópico e o real, resultando numa visão de amor sôfrega e intensa, prestes a tomar formas plenas na realidade vivida pelos amantes.

    Está correto somente o que se afirma em

    Escolha uma alternativa para a questão f569b25e-29
  • Linguagens

    Inglês

    Examine o cartum de Liana Finck, publicado em sua conta no Instagram em 13.08.2019.


    Imagem da questão de Inglês, UNIFESP 2019, Interpretação de texto | Reading comprehension


    No cartum, a casa pode ser vista como uma metáfora da

    Escolha uma alternativa para a questão f586c2c3-fc
  • Linguagens

    Português

    Para responder à questão, leia o trecho do livro O homem cordial, de Sérgio Buarque de Holanda.

       Já se disse, numa expressão feliz, que a contribuição brasileira para a civilização será de cordialidade — daremos ao mundo o “homem cordial”. A lhaneza1 no trato, a hospitalidade, a generosidade, virtudes tão gabadas por estrangeiros que nos visitam, representam, com efeito, um traço definido do caráter brasileiro, na medida, ao menos, em que permanece ativa e fecunda a influência ancestral dos padrões de convívio humano, informados no meio rural e patriarcal. Seria engano supor que essas virtudes possam significar “boas maneiras”, civilidade. São antes de tudo expressões legítimas de um fundo emotivo extremamente rico e transbordante. Na civilidade há qualquer coisa de coercitivo — ela pode exprimir-se em mandamentos e em sentenças. Entre os japoneses, onde, como se sabe, a polidez envolve os aspectos mais ordinários do convívio social, chega a ponto de confundir-se, por vezes, com a reverência religiosa. Já houve quem notasse este fato significativo, de que as formas exteriores de veneração à divindade, no cerimonial xintoísta, não diferem essencialmente das maneiras sociais de demonstrar respeito.
       Nenhum povo está mais distante dessa noção ritualista da vida do que o brasileiro. Nossa forma ordinária de convívio social é, no fundo, justamente o contrário da polidez. Ela pode iludir na aparência — e isso se explica pelo fato de a atitude polida consistir precisamente em uma espécie de mímica deliberada de manifestações que são espontâneas no “homem cordial”: é a forma natural e viva que se converteu em fórmula. Além disso a polidez é, de algum modo, organização de defesa ante a sociedade. Detém-se na parte exterior, epidérmica do indivíduo, podendo mesmo servir, quando necessário, de peça de resistência. Equivale a um disfarce que permitirá a cada qual preservar intatas sua sensibilidade e suas emoções.
       Por meio de semelhante padronização das formas exteriores da cordialidade, que não precisam ser legítimas para se manifestarem, revela-se um decisivo triunfo do espírito sobre a vida. Armado dessa máscara, o indivíduo consegue manter sua supremacia ante o social. E, efetivamente, a polidez implica uma presença contínua e soberana do indivíduo.
        No “homem cordial”, a vida em sociedade é, de certo modo, uma verdadeira libertação do pavor que ele sente em viver consigo mesmo, em apoiar-se sobre si próprio em todas as circunstâncias da existência. Sua maneira de expansão para com os outros reduz o indivíduo, cada vez mais, à parcela social, periférica, que no brasileiro — como bom americano — tende a ser a que mais importa. Ela é antes um viver nos outros.
    (O homem cordial, 2012.)
    1 lhaneza: afabilidade. 
    De acordo com o autor,
    Escolha uma alternativa para a questão f589d91a-fc
  • Linguagens

    Português

    Para responder à questão, leia o trecho do livro O homem cordial, de Sérgio Buarque de Holanda.

       Já se disse, numa expressão feliz, que a contribuição brasileira para a civilização será de cordialidade — daremos ao mundo o “homem cordial”. A lhaneza1 no trato, a hospitalidade, a generosidade, virtudes tão gabadas por estrangeiros que nos visitam, representam, com efeito, um traço definido do caráter brasileiro, na medida, ao menos, em que permanece ativa e fecunda a influência ancestral dos padrões de convívio humano, informados no meio rural e patriarcal. Seria engano supor que essas virtudes possam significar “boas maneiras”, civilidade. São antes de tudo expressões legítimas de um fundo emotivo extremamente rico e transbordante. Na civilidade há qualquer coisa de coercitivo — ela pode exprimir-se em mandamentos e em sentenças. Entre os japoneses, onde, como se sabe, a polidez envolve os aspectos mais ordinários do convívio social, chega a ponto de confundir-se, por vezes, com a reverência religiosa. Já houve quem notasse este fato significativo, de que as formas exteriores de veneração à divindade, no cerimonial xintoísta, não diferem essencialmente das maneiras sociais de demonstrar respeito.
       Nenhum povo está mais distante dessa noção ritualista da vida do que o brasileiro. Nossa forma ordinária de convívio social é, no fundo, justamente o contrário da polidez. Ela pode iludir na aparência — e isso se explica pelo fato de a atitude polida consistir precisamente em uma espécie de mímica deliberada de manifestações que são espontâneas no “homem cordial”: é a forma natural e viva que se converteu em fórmula. Além disso a polidez é, de algum modo, organização de defesa ante a sociedade. Detém-se na parte exterior, epidérmica do indivíduo, podendo mesmo servir, quando necessário, de peça de resistência. Equivale a um disfarce que permitirá a cada qual preservar intatas sua sensibilidade e suas emoções.
       Por meio de semelhante padronização das formas exteriores da cordialidade, que não precisam ser legítimas para se manifestarem, revela-se um decisivo triunfo do espírito sobre a vida. Armado dessa máscara, o indivíduo consegue manter sua supremacia ante o social. E, efetivamente, a polidez implica uma presença contínua e soberana do indivíduo.
        No “homem cordial”, a vida em sociedade é, de certo modo, uma verdadeira libertação do pavor que ele sente em viver consigo mesmo, em apoiar-se sobre si próprio em todas as circunstâncias da existência. Sua maneira de expansão para com os outros reduz o indivíduo, cada vez mais, à parcela social, periférica, que no brasileiro — como bom americano — tende a ser a que mais importa. Ela é antes um viver nos outros.
    (O homem cordial, 2012.)
    1 lhaneza: afabilidade. 
    Aproxima-se do argumento exposto no último parágrafo do texto a seguinte citação do filósofo Friedrich Nietzsche:
    Escolha uma alternativa para a questão f58cc3ae-fc