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Instituição

Questões: Universidade Estadual do Centro-Oeste (UNICENTRO) — com gabarito

1.729 questões de Universidade Estadual do Centro-Oeste (UNICENTRO), de 2010 a 2023. Cada uma tem página própria, com enunciado completo, alternativas e gabarito — e dá para responder na própria página.

  • 1.729 questões
  • 9 provas

Resultados: 1.729 questões

Página 83 de 87

  • Linguagens

    Literatura

    Fragmento I
    Esse Aires que aí aparece conserva ainda agora algumas das virtudes daquele tempo, e quase nenhum vício. Não atribuas tal estado a qualquer propósito. Nem creias que vais nisto um pouco de homenagem à modéstia da pessoa. Não, senhor, é verdade pura e natural efeito. Apesar dos quarenta anos, ou quarenta e dois, e talvez por isso mesmo, era um belo tipo de homem. Diplomata de carreira, chegara dias antes do Pacífico, com uma licença de seis meses.
    ASSIS, Machado de. Esaú e Jacó, São Paulo, FTD, 2011. p. 46.

    Fragmento II
    Também não creias que fosse outrora rico e adúltero, aberto de mãos, quando vinha de dizer adeus às suas amigas. Ni cet excès d´honneur, nit cette indignité. Era um pobre diabo sem mais ofício que a devoção.
    ASSIS, Machado de. Esaú e Jacó, São Paulo, FTD, 2011. p. 21.

    Observando os fragmentos (I e II) destacados do romance Esaú e Jacó e considerando a totalidade da obra, pode-se afirmar:
    Escolha uma alternativa para a questão c2cbd073-ff
  • Linguagens

    Literatura

    Trecho 01
    — A senhora me faz saudades de minha terra. Lembrei-me de minha casa, e das tardes em que passeava assim por aqueles sítios, com minha mãe e minha irmã.
    — O senhor tem mãe e irmã! Como deve ser feliz! disse Lúcia com sentimento.
    — Quem é que não tem uma irmã! respondi-lhe sorrindo. E minha mãe ainda é muito moça para que eu tivesse a desgraça de a haver perdido.
    — Perdi a minha muito cedo...
    ALENCAR, José de. Senhora, São Paulo, FTD, 1991. p. 21-22

    Trecho 02
    Lúcia saiu um instante e voltou. [...] o fato é que a aparição já desvanecida surgira de repente aos meus olhos.
    — Agora lembro-me! Estou vendo-a como a vi pela primeira vez!
    — Como daquela vez não me verá mais nunca!
    — O que lhe falta? — Falta o que o senhor pensava e não tornará a pensar! disse ela com a voz pungida por dor íntima!
    ALENCAR, José de. Senhora, São Paulo, FTD, 1991. p. 24.

    Trecho 03
    Quando porém os meus lábios se colaram na tez de cetim e meu peito estreitou as formas encantadoras que debuxavam a seda, pareceu-me que o sangue lhe refluía ao coração. As palpitações eram bruscas e precípites. Estava lívida e mais branca do que o alvo colarinho do seu roupão.
    ALENCAR, José de. Senhora, São Paulo, FTD, 1991. p. 25


    Considerando-se os fragmentos destacados do romance Senhora e considerando-se a totalidade da obra, assinale o único item cujas afirmações não podem ser comprovadas com a leitura da obra.
    Escolha uma alternativa para a questão c2d0fb3e-ff
  • Linguagens

    Literatura

    Legado

    Que lembrança darei ao país que me deu

    tudo que lembro e sei, tudo quanto senti?

    Na noite do sem-fim, breve o tempo esqueceu

    minha incerta medalha, e a meu nome se ri.

    E mereço esperar mais do que os outros, eu?

    Tu não me enganas, mundo, e não te engano a ti.

    Esses monstros atuais, não os cativa Orfeu,

    a vagar, taciturno, entre o talvez e o se.

    Não deixarei de mim nenhum canto radioso,

    uma voz matinal palpitando na bruma

    e que arranque de alguém seu mais secreto espinho.

    De tudo quanto foi meu passo caprichoso

    na vida, restará, pois o resto se esfuma,

    uma pedra que havia em meio do caminho.

    Disponível em:<https://www.companhiadasletras.com.br/trechos/13225.pdf> . Acesso em: 20 ago. 2019.


    Considerando-se a obra Claro Enigma, de Carlos Drummond de Andrade, no contexto histórico em que foi escrita, e o poema Legado, marque com V as afirmativas verdadeiras e com F, as demais.

    ( ) A obra Claro Enigma foi publicada durante o período da Guerra Fria, e alguns dos seus poemas fazem questionamentos sobre o futuro em tom pessimista.

    ( ) O poema Legado exemplifica uma fonte de inspiração comum aos poemas da obra Claro Enigma: foi inspirado pelas incertezas e angústias da época em que foram escritos.

    ( ) No poema Legado, pode-se constatar o tom melancólico do poeta.

    ( ) No poema Legado, fica claro que o sujeito poético passa de um estado contemplativo e melancólico para outro de renovação e de descoberta.

    ( ) No poema Legado, assim como na obra como um todo (Claro Enigma), o sujeito poético esboça um projeto de vida voltado para a superação da amargura e do sofrimento que o acompanharam durante toda a sua existência.


    A alternativa que contém a sequência correta, de cima para baixo, é a

    Escolha uma alternativa para a questão c2d51dd9-ff
  • Linguagens

    Português

    Imagem da questão de Português, UNICENTRO 2019, Interpretação de Textos


    A partir da afirmação de Marx e com apoio no que está expresso na charge, pode-se afirmar que o problema nelas contemplado está

    Escolha uma alternativa para a questão c4f2601d-ff
  • Linguagens

    Português

    Imagem da questão de Português, UNICENTRO 2019, Interpretação de Textos

    No texto, o articulista
    Escolha uma alternativa para a questão c4f6eb50-ff
  • Linguagens

    Português

    Imagem da questão de Português, UNICENTRO 2019, Interpretação de Textos

    Sobre o fragmento transcrito, está incorreto o que se afirma em
    Escolha uma alternativa para a questão c4fa5981-ff
  • Linguagens

    Português

    Imagem da questão de Português, UNICENTRO 2019, Interpretação de Textos

    Marque com V os fragmentos que retratam a devastação ambiental percebida por alguns compositores e com F, as demais.

    ( ) Toquinho: “Será que no futuro/ haverá flores?/ Será que os peixes vão estar no mar?/ Será que os arco-íris terão cores?/E os passarinho vão poder voar?” (Herdeiros do futuro).
    ( ) João Lopes da Silva: “As matas ardem em/ Grandes queimadas/ Construindo estradas que/ Nos levarão a nada/ Eu sinto pena da passarinhada/ E dos índios que/ Não podem lutar” (Blindagem).
    ( ) Luiz Gonzaga: “ Rios correndo/ As cachoeiras tão zoando/ Terra moiada/ Mato verde, que riqueza/ E a asa branca/ Tarde canta, que beleza/ Ai, ai, o povo alegre/ Mas alegre a natureza”. (A Volta da Asa Branca).
    ( ) Beto Guedes e Ronaldo Bastos: “O sal da terra / És o mais bonito dos planetas/ Tão te maltratando por dinheiro/ Tu que és a nave nossa irmã/ Canta, leva a tua vida em harmonia/ E nos alimenta com teus frutos, tu que és do homem a maçã” (O Sal da Terra).
    ( ) Catulo da Paixão Cearense e João Pernambuco: “Mas como é lindo ver depois por entre o mato/ Deslizar calmo regato transparente como um véu/ No leito azul de suas águas murmurando/ E por sua vez roubando as estrelas lá do céu” (Luar do Sertão).

    A alternativa que contém a sequência correta, de cima para baixo, é a
    Escolha uma alternativa para a questão c4fde231-ff
  • Linguagens

    Português

    Imagem da questão de Português, UNICENTRO 2019, Interpretação de Textos

    A alternativa em que o termo transcrito corresponde à sua respectiva explicação é a
    Escolha uma alternativa para a questão c500c792-ff
  • Linguagens

    Português

    Imagem da questão de Português, UNICENTRO 2019, Coesão e coerência

    A alternativa em que a alteração proposta não mantém o seu sentido original é a
    Escolha uma alternativa para a questão c5039671-ff
  • Linguagens

    Português

    Imagem da questão de Português, UNICENTRO 2019, Adjetivos

    Quanto aos recursos da língua usados no texto, Identifique com V as afirmativas verdadeiras e com F, as falsas.


    ( ) A forma verbal “acredita” (l. 1) está no singular, concordando com “maioria” (l. 1), mas poderia ter aparecido no plural, concordando com “pessoas” (l. 1).

    ( ) A vírgula que isola o termo “Atualmente” (l. 7) foi usada pela mesma razão da que está destacando a expressão “Numa região rica em recursos hídricos” (l. 29).

    ( ) A oração “que, pelo menos, 90% da energia elétrica consumida em suas cidades venha de fontes limpas, como as hidrelétricas.” (l. 30-32) tem valor adjetivo.

    ( ) A forma verbal “Há” (l. 34), se substituída por sua correspondente do verbo existir, preservando-se a correspondência modo-temporal, não sofre nenhuma alteração.

    ( ) Os adjetivos “poluente” (l. 42) e “cara” (l. 42), se deslocados para antes do substantivo que qualificam, não alteram o sentido do contexto em que estão inseridos.


    A alternativa que contém a sequência correta, de cima para baixo, é a

    Escolha uma alternativa para a questão c506500e-ff
  • Linguagens

    Português

    Imagem da questão de Português, UNICENTRO 2019, Análise sintática

    O termo transcrito está corretamente explicado na alternativa
    Escolha uma alternativa para a questão c50eb3d3-ff
  • Linguagens

    Português

    Imagem da questão de Português, UNICENTRO 2019, Interpretação de Textos

    Identifique com V ou com F, conforme sejam verdadeiras ou falsas as afirmativas sobre o texto.

    ( ) A leitura do texto leva ao pressuposto de que as conquistas tecnológicas suscitaram mudanças nem sempre benéficas no comportamento humano.
    ( ) O azáfama da vida atual impossibilita, não raro, o ser humano de destinar um tempo para analisar se suas ações estão de acordo com os padrões morais.
    ( ) A ética profissional só se efetivará se houver ética pessoal e inexiste sem responsabilidade, o que sempre dá espaço a questionamentos e discussões democráticas.
    ( ) A adoção de um comportamento ético gera benefícios não só para a categoria profissional da qual a pessoa faz parte formalmente, mas também para a sociedade em geral.
    ( ) A realização profissional do indivíduo — infere-se — está vinculada aos deveres profissionais que ele assume ao optar por determinada profissão e tem ligações estreitas com a prudência e a solidariedade.

    A alternativa que contém a sequência correta, de cima para baixo, é a
    Escolha uma alternativa para a questão c5123dcd-ff
  • Linguagens

    Português

    Imagem da questão de Português, UNICENTRO 2019, Análise sintática

    Sobre os recursos sintático-semânticos presentes no texto, a única afirmativa sem suporte gramatical é a que diz respeito à alternativa
    Escolha uma alternativa para a questão c51629c5-ff
  • Linguagens

    Português

    Imagem da questão de Português, UNICENTRO 2019, Interpretação de Textos

    Da leitura do texto, depreendesse que a agressão à natureza
    Escolha uma alternativa para a questão c519ed06-ff
  • Linguagens

    Português

    Imagem da questão de Português, UNICENTRO 2019, Interpretação de Textos

    O fragmento que encerra uma explicação lógica para o título do texto é
    Escolha uma alternativa para a questão c51d3753-ff
  • Linguagens

    Português

    Imagem da questão de Português, UNICENTRO 2019, Análise sintática

    Em relação ao texto, é correto afirmar:
    Escolha uma alternativa para a questão c520512f-ff
  • Linguagens

    Português

    Leia o texto a seguir e responda à questão.

    Aquela narrativa-padrão segundo a qual não houve tensões e conflitos em nossa formação linguística, que dizia que o português se instalou no Brasil e foi apenas “influenciado” pelas línguas dos povos originários e escravizados (ou, como ouvi na escola, de índios e escravos), já se provou inadequada para descrever o tamanho do impacto que tiveram na trajetória do nosso país as línguas que existiam aqui quando se deu o desembarque dos marinheiros da esquadra de Cabral.

    A mesma coisa, você já deve estar imaginando, se aplica ao estudo das alterações geradas em nosso idioma pela presença dos africanos escravizados desde os primeiros momentos da colonização real do território, e de modo bem mais acentuado a partir do estabelecimento de ciclos econômicos como o do açúcar e o do café, que dependiam da exploração cada vez mais intensiva de números crescentes de escravizados. Não é à toa que, descontada a fortuna singular do nheengatu, cujo destino ia se desenrolando numa área que estava (e, em certa medida, ainda está) “isolada” do Brasil litorâneo e mais densamente povoado, o fim do período de ouro da língua geral paulista coincida com o início desse novo modelo econômico.

    Num movimento que partia fundamentalmente do Nordeste açucareiro (onde as línguas gerais nunca tiveram a mesma prevalência), o Brasil de brancos e indígenas seria substituído por um Brasil cada vez mais negro. E de maneira curiosa, e até irônica, como veremos, quando se pensa nas tentativas conscientes de embranquecer a população brasileira a partir de meados do século XIX, a fim de garantir a manutenção de um modelo europeu, talvez o fator determinante para a vitória do português em terras brasileiras tenha sido a dispersão dessa mão de obra negra por seu território. [...]

    Uma alteração importante nesse nosso ponto de vista é a noção de que alguns escravizados podem já ter chegado ao Brasil com graus variados de conhecimento da língua portuguesa. Primeiro, porque a presença do idioma em Angola ia se estabelecendo como uma realidade. Segundo, pelo fato de que as pessoas capturadas em regiões no interior com frequência acabavam passando longos períodos presas nos entrepostos do litoral. Nessas feitorias, onde havia africanos lusitanizados e portugueses, é possível que a língua estivesse se instalando como instrumento de contato entre falantes de idiomas diferentes. Antes de aportarem no Rio de Janeiro ou em Salvador, essas pessoas faziam viagens transatlânticas que, a depender dos pontos de partida e de chegada, podiam se estender por cerca de três meses, de novo num ambiente multilíngue cuja única constante era o português.

    (GALINDO, C. W. Latim em pó: um passeio pela formação do nosso português. São Paulo: Companhia das Letras, 2022. p.164- 165;172.) 
    Sobre as ideias veiculadas no texto, assinale a alternativa correta.
    Escolha uma alternativa para a questão af376802-16
  • Linguagens

    Português

    Leia o texto a seguir e responda à questão.

    Aquela narrativa-padrão segundo a qual não houve tensões e conflitos em nossa formação linguística, que dizia que o português se instalou no Brasil e foi apenas “influenciado” pelas línguas dos povos originários e escravizados (ou, como ouvi na escola, de índios e escravos), já se provou inadequada para descrever o tamanho do impacto que tiveram na trajetória do nosso país as línguas que existiam aqui quando se deu o desembarque dos marinheiros da esquadra de Cabral.

    A mesma coisa, você já deve estar imaginando, se aplica ao estudo das alterações geradas em nosso idioma pela presença dos africanos escravizados desde os primeiros momentos da colonização real do território, e de modo bem mais acentuado a partir do estabelecimento de ciclos econômicos como o do açúcar e o do café, que dependiam da exploração cada vez mais intensiva de números crescentes de escravizados. Não é à toa que, descontada a fortuna singular do nheengatu, cujo destino ia se desenrolando numa área que estava (e, em certa medida, ainda está) “isolada” do Brasil litorâneo e mais densamente povoado, o fim do período de ouro da língua geral paulista coincida com o início desse novo modelo econômico.

    Num movimento que partia fundamentalmente do Nordeste açucareiro (onde as línguas gerais nunca tiveram a mesma prevalência), o Brasil de brancos e indígenas seria substituído por um Brasil cada vez mais negro. E de maneira curiosa, e até irônica, como veremos, quando se pensa nas tentativas conscientes de embranquecer a população brasileira a partir de meados do século XIX, a fim de garantir a manutenção de um modelo europeu, talvez o fator determinante para a vitória do português em terras brasileiras tenha sido a dispersão dessa mão de obra negra por seu território. [...]

    Uma alteração importante nesse nosso ponto de vista é a noção de que alguns escravizados podem já ter chegado ao Brasil com graus variados de conhecimento da língua portuguesa. Primeiro, porque a presença do idioma em Angola ia se estabelecendo como uma realidade. Segundo, pelo fato de que as pessoas capturadas em regiões no interior com frequência acabavam passando longos períodos presas nos entrepostos do litoral. Nessas feitorias, onde havia africanos lusitanizados e portugueses, é possível que a língua estivesse se instalando como instrumento de contato entre falantes de idiomas diferentes. Antes de aportarem no Rio de Janeiro ou em Salvador, essas pessoas faziam viagens transatlânticas que, a depender dos pontos de partida e de chegada, podiam se estender por cerca de três meses, de novo num ambiente multilíngue cuja única constante era o português.

    (GALINDO, C. W. Latim em pó: um passeio pela formação do nosso português. São Paulo: Companhia das Letras, 2022. p.164- 165;172.) 
    Acerca dos recursos linguísticos empregados no texto, considere as afirmativas a seguir.

    I. As aspas usadas em determinadas palavras do texto servem para enfatizar ou ironizar as ideias apresentadas.

    II. O uso dos parênteses ao longo do texto gera um efeito de sentido redundante às ideias que são expostas.

    III. No segundo parágrafo, o uso do termo “você” tem o objetivo de tornar o texto mais formal devido ao assunto tratado.

    IV. No terceiro parágrafo, o uso da expressão “como veremos” indica a inclusão do leitor no processo de leitura.

    Assinale a alternativa correta.
    Escolha uma alternativa para a questão af3a7558-16
  • Linguagens

    Português

    Leia o texto a seguir e responda à questão.

    Aquela narrativa-padrão segundo a qual não houve tensões e conflitos em nossa formação linguística, que dizia que o português se instalou no Brasil e foi apenas “influenciado” pelas línguas dos povos originários e escravizados (ou, como ouvi na escola, de índios e escravos), já se provou inadequada para descrever o tamanho do impacto que tiveram na trajetória do nosso país as línguas que existiam aqui quando se deu o desembarque dos marinheiros da esquadra de Cabral.

    A mesma coisa, você já deve estar imaginando, se aplica ao estudo das alterações geradas em nosso idioma pela presença dos africanos escravizados desde os primeiros momentos da colonização real do território, e de modo bem mais acentuado a partir do estabelecimento de ciclos econômicos como o do açúcar e o do café, que dependiam da exploração cada vez mais intensiva de números crescentes de escravizados. Não é à toa que, descontada a fortuna singular do nheengatu, cujo destino ia se desenrolando numa área que estava (e, em certa medida, ainda está) “isolada” do Brasil litorâneo e mais densamente povoado, o fim do período de ouro da língua geral paulista coincida com o início desse novo modelo econômico.

    Num movimento que partia fundamentalmente do Nordeste açucareiro (onde as línguas gerais nunca tiveram a mesma prevalência), o Brasil de brancos e indígenas seria substituído por um Brasil cada vez mais negro. E de maneira curiosa, e até irônica, como veremos, quando se pensa nas tentativas conscientes de embranquecer a população brasileira a partir de meados do século XIX, a fim de garantir a manutenção de um modelo europeu, talvez o fator determinante para a vitória do português em terras brasileiras tenha sido a dispersão dessa mão de obra negra por seu território. [...]

    Uma alteração importante nesse nosso ponto de vista é a noção de que alguns escravizados podem já ter chegado ao Brasil com graus variados de conhecimento da língua portuguesa. Primeiro, porque a presença do idioma em Angola ia se estabelecendo como uma realidade. Segundo, pelo fato de que as pessoas capturadas em regiões no interior com frequência acabavam passando longos períodos presas nos entrepostos do litoral. Nessas feitorias, onde havia africanos lusitanizados e portugueses, é possível que a língua estivesse se instalando como instrumento de contato entre falantes de idiomas diferentes. Antes de aportarem no Rio de Janeiro ou em Salvador, essas pessoas faziam viagens transatlânticas que, a depender dos pontos de partida e de chegada, podiam se estender por cerca de três meses, de novo num ambiente multilíngue cuja única constante era o português.

    (GALINDO, C. W. Latim em pó: um passeio pela formação do nosso português. São Paulo: Companhia das Letras, 2022. p.164- 165;172.) 
    Em relação à formação das palavras usadas no texto, assinale a alternativa correta.
    Escolha uma alternativa para a questão af3d00bd-16