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Instituição

Questões: Universidade Estadual do Maranhão — com gabarito

329 questões de Universidade Estadual do Maranhão, de 2015 a 2023. Cada uma tem página própria, com enunciado completo, alternativas e gabarito — e dá para responder na própria página.

  • 329 questões
  • 4 provas

Resultados: 119 questões

Página 2 de 6

  • Linguagens

    Português

    [...] E os dois imigrantes, no silêncio dos caminhos, unidos enfim numa mesma comunhão de esperança e admiração, puseram-se a louvar a Terra de Canaã.

    Eles disseram que ela era formosa com os seus trajes magníficos, vestida de sol, coberta com o manto do voluptuoso e infinito azul; que era amimada pelas coisas; sobre o seu colo águas dos rios fazem voltas e outras enlaçam-lhe a cintura desejada; [...]

    Eles disseram que ela era opulenta, porque no seu bojo fantástico guarda a riqueza inumerável, o ouro puro e a pedra iluminada; porque os seus rebanhos fartam as suas nações e o fruto das suas árvores consola o amargor da existência; porque um só grão das suas areias fecundas fertilizaria o mundo inteiro e apagaria para sempre a miséria e a fome entre os homens. Oh! poderosa!...

    Eles disseram que ela, amorosa, enfraquece o sol com as suas sombras; para o orvalho da noite fria tem o calor da pele aquecida, e os homens encontram nela, tão meiga e consoladora, o esquecimento instantâneo da agonia eterna...

    Eles disseram que ela era feliz entre as outras, porque era a mãe abastada, a casa de ouro, a providência dos filhos despreocupados, que a não enjeitam por outra, não deixam as suas vestes protetoras e a recompensam com o gesto perpetuamente infantil e carinhoso, e cantam-lhe hinos saídos de um peito alegre...

    Eles disseram que ela era generosa, porque distribui os seus dons preciosos aos que deles têm desejo; a sua porta não se fecha, as suas riquezas não têm dono; não é perturbada pela ambição e pelo orgulho; os seus olhos suaves e divinos não distinguem as separações miseráveis; o seu seio maternal se abre a todos como um farto e tépido agasalho... Oh! esperança nossa!

    Eles disseram esses e outros louvores e caminharam dentro da luz...


    ARANHA, G. (1868-1931). Canaã. 3 ed. São Paulo: Martins Claret, 2013.

    A presença constante da repetição de termos e de expressões no início do parágrafo é conhecida como anáfora.

    O uso da anáfora – Eles disseram – , no contexto, expressa tom 

    Escolha uma alternativa para a questão 64540388-b0
  • Linguagens

    Português

    [...] E os dois imigrantes, no silêncio dos caminhos, unidos enfim numa mesma comunhão de esperança e admiração, puseram-se a louvar a Terra de Canaã.

    Eles disseram que ela era formosa com os seus trajes magníficos, vestida de sol, coberta com o manto do voluptuoso e infinito azul; que era amimada pelas coisas; sobre o seu colo águas dos rios fazem voltas e outras enlaçam-lhe a cintura desejada; [...]

    Eles disseram que ela era opulenta, porque no seu bojo fantástico guarda a riqueza inumerável, o ouro puro e a pedra iluminada; porque os seus rebanhos fartam as suas nações e o fruto das suas árvores consola o amargor da existência; porque um só grão das suas areias fecundas fertilizaria o mundo inteiro e apagaria para sempre a miséria e a fome entre os homens. Oh! poderosa!...

    Eles disseram que ela, amorosa, enfraquece o sol com as suas sombras; para o orvalho da noite fria tem o calor da pele aquecida, e os homens encontram nela, tão meiga e consoladora, o esquecimento instantâneo da agonia eterna...

    Eles disseram que ela era feliz entre as outras, porque era a mãe abastada, a casa de ouro, a providência dos filhos despreocupados, que a não enjeitam por outra, não deixam as suas vestes protetoras e a recompensam com o gesto perpetuamente infantil e carinhoso, e cantam-lhe hinos saídos de um peito alegre...

    Eles disseram que ela era generosa, porque distribui os seus dons preciosos aos que deles têm desejo; a sua porta não se fecha, as suas riquezas não têm dono; não é perturbada pela ambição e pelo orgulho; os seus olhos suaves e divinos não distinguem as separações miseráveis; o seu seio maternal se abre a todos como um farto e tépido agasalho... Oh! esperança nossa!

    Eles disseram esses e outros louvores e caminharam dentro da luz...


    ARANHA, G. (1868-1931). Canaã. 3 ed. São Paulo: Martins Claret, 2013.

    No trecho “Eles disseram que ela, amorosa, enfraquece o sol e as suas sombras”, o termo "amorosa" possibilita duas funções sintáticas distintas. Considerando a anáfora predominante no fragmento, a função sintática prevalente é 
    Escolha uma alternativa para a questão 6456a2c0-b0
  • Linguagens

    Português

    A Escrava, de Maria Firmina dos Reis, é um exemplar de conto do movimento abolicionista brasileiro, que projeta, no contexto de 1887, uma autora negra, pobre, maranhense, em texto publicado na Revista Maranhense nº. 3. Você vai ler a primeira cena dessa narrativa curta.

         Em um salão onde se achavam reunidas muitas pessoas distintas, e bem colocadas na sociedade, e depois de versar a conversação sobre diversos assuntos mais ou menos interessantes, recaiu sobre o elemento servil.

        O assunto era por sem dúvida de alta importância. A conversação era geral; as opiniões, porém, divergiam. Começou a discussão.

         — Admira-me, — disse uma senhora, de sentimentos sinceramente abolicionistas; faz-me até pasmar como se possa sentir, e expressar sentimentos escravocratas, no presente século, no século dezenove! A moral religiosa e a moral cívica aí se erguem, e falam bem alto esmagando a hidra que envenena a família no mais sagrado santuário seu, e desmoraliza, e avilta a nação inteira!

         Levantai os olhos ao Gólgota, ou percorrei-os em torno da sociedade, e dizei-me:

         — Para que se deu em sacrifício o Homem Deus, que ali exalou seu derradeiro atento? Ah!

         Então não era verdade que seu sangue era o resgate do homem! É então uma mentira abominável ter esse sangue comprado a liberdade!? E depois, olhai a sociedade... Não verdes o abutre que a corrói constantemente!... Não sentis a desmoralização que a enerva, o cancro que a destrói?

    Reis, Maria Firmina dos, 1825-1917. Úrsula e outras obras [recurso eletrônico] / Maria Firmina dos Reis. – Brasília: Câmara dos Deputados, Edições Câmara, 2018. – (Série prazer de ler; n. 11 e-book)


    A fala da senhora, ao se contrapor aos escravocratas, apresenta argumentação, ancorada na perspectiva da (do)

    Escolha uma alternativa para a questão 6459609c-b0
  • Linguagens

    Português

        Custou a ir à cidade: quando foi demorou-se algumas semanas, e quando chegou, entregou a meu pai uma folha de papel escrita, dizendo-lhe:

        – Toma, e guarda, com cuidado, é a carta de liberdade de Joana. Meu pai não sabia ler, de agradecido beijou as mãos daquela fera. Abraçou-me, chorou de alegria, e guardou a suposta carta de liberdade.

        Então furtivamente eu comecei a aprender a ler, com um escravo mulato, e a viver com alguma liberdade.

        Isso durou dois anos. Meu pai morreu de repente, e, no dia imediato, meu senhor disse a minha mãe:

        – Joana que vá para o serviço, tem já sete anos, e eu não admito escrava vadia.

        Minha mãe, surpresa e confundida, cumpriu a ordem sem articular uma palavra.

        Nunca a meu pai passou pela ideia, que aquela suposta carta de liberdade era uma fraude; nunca deu a ler a ninguém; mas, minha mãe, à vista do rigor de semelhante ordem, tomou o papel, e deu-o a ler, àquele que me dava as lições. Ah! Eram umas quatro palavras sem nexo, sem assinatura, sem data! Eu também a li, quando caiu das mãos do mulato. Minha pobre mãe deu um grito, e caiu estrebuchando.


    Reis, Maria Firmina dos, 1825-1917. Úrsula e outras obras [recurso eletrônico] / Maria Firmina dos Reis. – Brasília: Câmara dos Deputados, Edições Câmara, 2018. – (Série prazer de ler; n. 11 e-book).


    Os discursos sexista e escravocrata, manifestações da sociedade patriarcal, denunciadas por Maria Firmina, em A Escrava, se fazem representados no trecho

    Escolha uma alternativa para a questão 645c014a-b0
  • Linguagens

    Português

    TEXTO I

     Por qualquer modo que encaremos a escravidão, ela é, e sempre será um grande mal. Dela a decadência do comércio; porque o comércio, e a lavoura caminham de mãos dadas, e o escravo não pode fazer florescer a lavoura; porque o seu trabalho é forçado. Ele não tem futuro; o seu trabalho não é indenizado; ainda dela nos vem o opróbrio, a vergonha; porque de fronte altiva e desassombrada não podemos encarar as nações
    livres; por isso que o estigma da escravidão, pelo cruzamento das raças, estampa-se na fronte de todos nós. Embalde procurará um dentro nós convencer ao estrangeiro que em suas veias não gira uma só gota de sangue escravo...
     E depois, o caráter que nos imprime, e nos envergonha!
     O escravo é olhado por todos como vítima – e o é.

    REIS, Maria Firmina dos. A escrava. <https://www.letras.ufmg.br/literafro


    TEXTO II

    E Lentz via por toda parte o homem branco apossando-se resolutamente da terra e expulsando definitivamente o homem moreno que ali se gerara. E Lentz sorria com orgulho na perspectiva da vitória e do domínio de sua raça. Um desdém pelo mulato, em que ele exprimia o seu desprezo pela languidez, pela fatuidade e fragilidade deste, turvou-lhe a visão radiosa que a natureza do país lhe imprimira no espírito. Tudo nele era agora um sonho de grandeza e triunfo...

    ARANHA, Graça (1868-1931). Canaã. 3 ed. São Paulo: Martins Claret, 2013.
    Entre os dois textos, embora os fatos atuem em épocas diferentes, as argumentações de ambos constroem uma literatura de caráter social em que se pode identificar uma relação de
    Escolha uma alternativa para a questão 645eb3e0-b0
  • Linguagens

    Português

    TEXTO I

     Por qualquer modo que encaremos a escravidão, ela é, e sempre será um grande mal. Dela a decadência do comércio; porque o comércio, e a lavoura caminham de mãos dadas, e o escravo não pode fazer florescer a lavoura; porque o seu trabalho é forçado. Ele não tem futuro; o seu trabalho não é indenizado; ainda dela nos vem o opróbrio, a vergonha; porque de fronte altiva e desassombrada não podemos encarar as nações
    livres; por isso que o estigma da escravidão, pelo cruzamento das raças, estampa-se na fronte de todos nós. Embalde procurará um dentro nós convencer ao estrangeiro que em suas veias não gira uma só gota de sangue escravo...
     E depois, o caráter que nos imprime, e nos envergonha!
     O escravo é olhado por todos como vítima – e o é.

    REIS, Maria Firmina dos. A escrava. <https://www.letras.ufmg.br/literafro


    TEXTO II

    E Lentz via por toda parte o homem branco apossando-se resolutamente da terra e expulsando definitivamente o homem moreno que ali se gerara. E Lentz sorria com orgulho na perspectiva da vitória e do domínio de sua raça. Um desdém pelo mulato, em que ele exprimia o seu desprezo pela languidez, pela fatuidade e fragilidade deste, turvou-lhe a visão radiosa que a natureza do país lhe imprimira no espírito. Tudo nele era agora um sonho de grandeza e triunfo...

    ARANHA, Graça (1868-1931). Canaã. 3 ed. São Paulo: Martins Claret, 2013.
    Em relação à coesão textual dos textos I e II, é correto afirmar que, no texto
    Escolha uma alternativa para a questão 64612c85-b0
  • Linguagens

    Português

    Analise a charge a seguir.

    Imagem da questão de Português, Universidade Estadual do Maranhão 2022, Interpretação de Textos


    Estado de Minas 03-12-2021 https://www.em.com.br/app/charge/2021/12/03/interna_charge,1328062/racismo.shtml


    A charge apresenta uma crítica severa à falta de liberdade do ser humano. Há relação temática, sobretudo, evidenciada na sequência do segundo ao quarto quadrinhos com o seguinte trecho do conto A Escrava: 

    Escolha uma alternativa para a questão 6463d2e7-b0
  • Linguagens

    Inglês

    Imagem da questão de Inglês, Universidade Estadual do Maranhão 2022, Interpretação de texto | Reading comprehension

    MALLOTE, Stan. The Painless Path to Proper English Usage: the basics of law, New York: St. Martin’s Press. 1986. 

    The option which reflects CORRECTLY the humor approach of the text “The Basics of Law” is

    Escolha uma alternativa para a questão 6466769c-b0
  • Linguagens

    Inglês

    Imagem da questão de Inglês, Universidade Estadual do Maranhão 2022, Interpretação de texto | Reading comprehension
    Outside Magazine - Live Bravely. BEST TOWNS 2021.
    The amount of miles there was in the Atlanta BeltLine by the time the author wrote the text Atlanta, Georgia: an example of urban-outdoor balance in the face of rapid growth is
    Escolha uma alternativa para a questão 646915bc-b0
  • Linguagens

    Inglês

    Imagem da questão de Inglês, Universidade Estadual do Maranhão 2022, Interpretação de texto | Reading comprehension
    Outside Magazine - Live Bravely. BEST TOWNS 2021.
    The option which points out the mayor’s campaign commitment is
    Escolha uma alternativa para a questão 646bc143-b0
  • Linguagens

    Inglês

    Low-Context Versus High-Context Cultures


        If you have traveled much, perhaps you have noticed that people in various parts of the world differ in how direct and explicit their language is. You may have spent time in both low- and high-context cultures in your travels, with context here referring to the broad range of factors surrounding every act of communication.

        In a low-context culture, people are expected to be direct and to say what they mean. Individuals in lowcontext cultures prefer precise, concrete language for sending and receiving messages, and are unlikely to rely on the context of a message to determine its meaning. The United States is an example of a low-context society, as are Canada, Israel, and most northern European countries.

        In contrast, people in a high-context culture — such as Korea and the cultures of Native Americans and the Maori of New Zealand — are taught to speak in a much less direct way. In such cultures, maintaining harmony and avoiding offense are more important than expressing true feelings. Speech is more ambiguous and people convey much more of their meaning through subtle behaviors and contextual cues, such as their facial expressions and tone of voice.

        The difference between low-context and high-context cultures is evident in the ways in which people handle criticism and disagreement. In a low-context culture, a supervisor might reprimand an irresponsible employee openly, to make an example of the individual. The supervisor would probably be direct and explicit about the employee’s shortcomings, the company’s expectations for improvement, and the consequences of the employee’s failing to meet those expectations.

        In a high-context culture, however, the supervisor probably wouldn’t reprimand the employee publicly for fear that it would put the employee to shame and cause the worker to “lose face.” Criticism in high-context cultures is more likely to take place in private. The supervisor would also likely use more ambiguous language to convey what the employee was doing wrong, “talking around” the issue instead of confronting it directly. To reprimand an employee for repeated absences, for example, a supervisor might point out that responsibility to coworkers is important and that letting down the team would be cause for shame. The supervisor may never actually say that the employee needs to improve his or her attendance record. Instead, the employee would be expected to understand that message by listening to what the supervisor says and paying attention to the supervisor’s body language, tone of voice, and facial expressions.

        When people from low- and high-context cultures communicate with one another, the potential for misunderstanding is great. To appreciate that point, imagine that you’ve asked two of your friends to meet you tomorrow evening for a coffee tasting at a popular bookstore cafe. Tina, an American, says, “No, I’ve got a lot of studying to do, but thanks anyway.” Lee, who grew up in South Korea, nods his head and says, “That sounds like fun.” Thus, you’re surprised later when Lee doesn’t show up.

        How can you account for those different behaviors? The answer is that people raised in a high-context culture (such as that of South Korea) are often reluctant to say no—even when they mean no—for fear of causing offense. Another person raised in the South Korean culture might have understood from Lee’s facial expression or tone of voice that he didn’t intend to go to the coffee tasting. If you, like Tina, grew up in a low-context society, however, then you probably interpreted his answer and his nods to mean he was accepting your invitation.


    Referência Bibliográfica FLOYD, KORY. Communication Matters. New York: McGraw-Hill Education. 2018.


    The traits of a person who’s grown up in a low-context culture country is

    Escolha uma alternativa para a questão 646e7c0a-b0
  • Linguagens

    Inglês

    The sentence in which contrasting ideas can be reflected by one of the linking words in it is
    Escolha uma alternativa para a questão 64712d26-b0
  • Linguagens

    Português

    Leia o trecho do Cap. 1 para responder à questão. 

    Capítulo I

    [...]

    Nem bem teve seis anos deram água num chocalho pra ele e Macunaíma principiou falando como todos. E pediu pra mãe que largasse da mandioca ralando na cevadeira e levasse ele passear no mato. A mãe não quis porque não podia largar da mandioca não. Macunaíma choramingou dia inteiro. De-noite continuou chorando. No outro dia esperou com o olho esquerdo dormindo que a mãe principiasse o trabalho. Então pediu pra ela que largasse de tecer o paneiro de guarumá-membeca e levasse ele no mato passear. A mãe não quis porque não podia largar o paneiro não. E pediu pra nora, companheira de Jiguê, que levasse o menino. A companheira de Jiguê era bem moça e chamava Sofará. Foi se aproximando ressabiada porém desta vez Macunaíma ficou muito quieto sem botar a mão na graça de ninguém. A moça carregou o piá nas costas e foi até o pé de aninga na beira do rio. A água parara pra inventar um ponteio de gozo nas folhas do javari. O longe estava bonito com muitos biguás e biguatingas avoando na estrada do furo. A moça botou Macunaíma na praia porém ele principiou choramingando, que tinha muita formiga!... e pediu pra Sofará que o levasse até o derrame do morro lá dentro do mato. A moça fez. Mas assim que deitou o curumim nas tiriricas, tajás e trapoerabas da serrapilheira, ele botou corpo num átimo e ficou um príncipe lindo. Andaram por lá muito.

    [...]

    Andrade, M. Macunaíma. São Paulo: Ótima, 2015.
    A obra Macunaíma apresenta uma exploração criativa da linguagem, em nível oral e popular, que se distancia da linguagem padrão. No trecho acima, essa subversão linguística é marcada pelo(a)
    Escolha uma alternativa para a questão 7a4a00f3-b2
  • Linguagens

    Português

    Leia o trecho do Cap. 1 para responder à questão. 

    Capítulo I

    [...]

    Nem bem teve seis anos deram água num chocalho pra ele e Macunaíma principiou falando como todos. E pediu pra mãe que largasse da mandioca ralando na cevadeira e levasse ele passear no mato. A mãe não quis porque não podia largar da mandioca não. Macunaíma choramingou dia inteiro. De-noite continuou chorando. No outro dia esperou com o olho esquerdo dormindo que a mãe principiasse o trabalho. Então pediu pra ela que largasse de tecer o paneiro de guarumá-membeca e levasse ele no mato passear. A mãe não quis porque não podia largar o paneiro não. E pediu pra nora, companheira de Jiguê, que levasse o menino. A companheira de Jiguê era bem moça e chamava Sofará. Foi se aproximando ressabiada porém desta vez Macunaíma ficou muito quieto sem botar a mão na graça de ninguém. A moça carregou o piá nas costas e foi até o pé de aninga na beira do rio. A água parara pra inventar um ponteio de gozo nas folhas do javari. O longe estava bonito com muitos biguás e biguatingas avoando na estrada do furo. A moça botou Macunaíma na praia porém ele principiou choramingando, que tinha muita formiga!... e pediu pra Sofará que o levasse até o derrame do morro lá dentro do mato. A moça fez. Mas assim que deitou o curumim nas tiriricas, tajás e trapoerabas da serrapilheira, ele botou corpo num átimo e ficou um príncipe lindo. Andaram por lá muito.

    [...]

    Andrade, M. Macunaíma. São Paulo: Ótima, 2015.
    As metamorfoses experimentadas pelo herói no percurso da obra concorrem para a solidez do epíteto “herói sem nenhum caráter”. Além dessas transformações, Macunaíma apresenta, ao longo da narrativa, indícios de sua falta de caráter, tal como se comprova no trecho:
    Escolha uma alternativa para a questão 7a4d5335-b2
  • Linguagens

    Português

    O tempo, na arte literária, opera diversificado conforme os gêneros. Analise os fragmentos extraídos dos capítulos 3 e 4, de Macunaíma.

    Cap. 3
    No outro dia quando Macunaíma foi visitar o túmulo do filho, viu que nascera do corpo uma plantinha. Trataram dela com muito cuidado e foi o guaraná.

    Cap. 4
    No outro dia bem cedo o herói padecendo saudades de Ci, a companheira pra sempre inesquecível, furou o beiço inferior e fez da muiraquitã um tembetá.

    A expressão “no outro dia”, exemplificada acima, é frequentemente usada pelo narrador ao longo da obra Macunaíma. A recorrência desse marcador temporal mostra a intencionalidade do narrador em
    Escolha uma alternativa para a questão 7a4fdbed-b2
  • Linguagens

    Português

    Macunaíma, o herói sem nenhum caráter, é um ser que alegoricamente traz em si ambiguidades, ironias e diversas marcas como um mosaico da cultura original do Brasil.

    Há correspondência entre o fragmento do texto e o sentimento expresso pela palavra dos parênteses em:
    Escolha uma alternativa para a questão 7a5265b3-b2
  • Linguagens

    Português

    Mario Quintana, poeta gaúcho, foi um dos maiores expoentes da literatura brasileira. Com estilo eclético, estreou em 1940, desafiando os críticos literários por se ter tornado um poeta popular. Sua poesia é compreensível sem ser banal; sua originalidade é natural; suas metáforas são claras, mas, ao mesmo tempo, surpreendentes.

    A questão trata do poema deste poeta de nossa literatura.

    Leia o poema Solau à moda antiga para responder à questão. 

    Senhora, eu vos amo tanto
    Que até por vosso marido
    Me dá um certo quebranto...
    Pois que tem que a gente inclua
    No mesmo alastrante amor
    Pessoa animal ou cousa
    Ou seja lá o que for,
    Só porque os banha o esplendor
    Daquela a quem se ama tanto?
    E sendo desta maneira,
    Não me culpeis, por favor,
    Da chama que ardente abrasa
    O nome de vossa rua,
    Vossa gente e vossa casa
    E vossa linda macieira
    Que ainda ontem deu flor...

    QUINTANA, M. Esconderijos do tempo. Rio de Janeiro: Objetiva, 2013.

    Nesse poema, marcado pelo senso de humor, reconhece-se, fortemente, características da poesia medieval trovadoresca nos versos: 
    Escolha uma alternativa para a questão 7a54dd48-b2
  • Linguagens

    Português

    Leia o poema a seguir para responder à questão.


     Se um poeta falar num gato


    Se o poeta falar num gato, numa flor,

    num vento que anda por descampados e desvios

    e nunca chegou à cidade...

    se falar numa esquina mal e mal iluminada...

    numa antiga sacada... num jogo de dominó...

    se falar naqueles obedientes soldadinhos de chumbo que morriam de verdade...


    se falar na mão decepada no meio de uma escada

    de caracol...

    Se não falar em nada

    e disser simplesmente tralalá... Que importa?

    Todos os poemas são de amor!


    QUINTANA, M. Esconderijos do tempo. Rio de Janeiro: Objetiva, 2013.

    No poema, nota-se a presença reiterada da preposição "em", que se liga ao verbo falar, acrescentando-lhe um termo nominal dependente. Em alguns versos, seu emprego dá-se em contração com artigos definidos e indefinidos e com pronome demonstrativo.

    Considerando o sentido contextual que essa preposição apresenta no poema, a relação semântica que se estabelece entre os termos que ela liga é de

    Escolha uma alternativa para a questão 7a575155-b2
  • Linguagens

    Literatura

    Leia o poema para responder à questão.

         Selva selvaggia

    As palavras espiam como animais:
    umas, rajadas, sensuais, que nem panteras...
    outras, escuras, furtivas raposas...
    mas as mais belas palavras estão pousadas nas frondes mais altas, como pássaros...
    O poema está parado em meio da clareira.

    O poema
    caiu
    na armadilha! debate-se
    e ora subdivide-se e entrechoca-se como esferas de vidro colorido
    ora é uma fórmula algébrica
    ora, como um sexo, palpita... Que importa
    que importa qual seja enfim o seu verdadeiro universo?
    Ele em breve será inteiramente devorado pelas palavras!

    QUINTANA, M. Esconderijos do tempo. Rio de Janeiro: Objetiva, 2013.

    Selva selvaggia exemplifica uma das características da poética de Mário Quintana: 
    Escolha uma alternativa para a questão 7a5a0fcb-b2
  • Linguagens

    Português

    Leia o texto a seguir para responder à questão. 


    Racismo no Brasil: todo mundo sabe que existe, mas ninguém acha que é racista, diz Djamila Ribeiro 


    Em entrevista à BBC News Brasil, a autora do Pequeno Manual Antirracista diz o que deve ser feito por quem quer combater o racismo e sobre o papel dos pais na educação antirracista de seus filhos. Segundo a escritora: "Não basta só reconhecer o privilégio, precisa ter ação antirracista de fato. Ir a manifestações é uma delas, apoiar projetos importantes que visem à melhoria de vida das populações negras é importante, ler intelectuais negros, colocar na bibliografia. Quem a gente convida para entrevistar? Quem são as pessoas que a gente visibiliza?"

    Djamila Ribeiro é mestre em filosofia política pela Unifesp e uma das vozes mais influentes do movimento pelos direitos das mulheres negras no Brasil. Ela está na lista da BBC de 100 mulheres mais influentes e inspiradoras do mundo.

    Disponível em https://www.bbc.com/portuguese/brasil (Adaptado)

    A fala da escritora Djamila Marques, citada no texto, é encerrada com duas interrogativas que corroboram seu argumento contra o racismo. As interrogativas retóricas, em relação ao argumento, produzem no texto, um sentido de
    Escolha uma alternativa para a questão 7a5ca66e-b2