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Instituição

Questões: Universidade Estadual do Maranhão — com gabarito

329 questões de Universidade Estadual do Maranhão, de 2015 a 2023. Cada uma tem página própria, com enunciado completo, alternativas e gabarito — e dá para responder na própria página.

  • 329 questões
  • 4 provas

Resultados: 119 questões

Página 2 de 6

  • Linguagens

    Português

    O estrangeiro apertou a mão calosa e áspera do velho, que abriu os lábios numa rude expressão de riso, mostrando as gengivas roxas e desdentadas. A cafuza não se mexeu; apenas, mudando vagarosamente o olhar, descansou-o, cheio de preguiça e desalento, no rosto do viajante. A criança acolheu-se a ela, boquiaberta, com a baba a escorrer dos beiços túmidos.

    [...]

    — Mora aqui há muito tempo? perguntou Milkau.

    — Fui nascido e criado nessas bandas, sinhô moço... Ali perto do Mangaraí.

    — E, tateando o espaço, estendia a mão para o outro lado do rio. — Não vê um casarão lá no fundo? Foi ali que me fiz homem, na fazenda do Capitão Matos, defunto meu sinhô, que Deus haja!

    O estrangeiro, acompanhando o gesto, apenas divisava ao longe um amontoado de ruínas que interrompia a verdura da mata.

    E a conversa foi continuando por uma série de perguntas de Milkau sobre a vida passada daquela região, às quais o velho respondia gostoso, por ter ocasião de relembrar os tempos de outrora, sentindo-se incapaz, como todos os humildes e primitivos, de tomar a iniciativa dos assuntos.

    [...]

    — Ah, tudo isto, meu sinhô moço, se acabou... Cadê fazenda? Defunto meu sinhô morreu, filho dele foi vivendo até que governo tirou os escravos. Tudo debandou. Patrão se mudou com a família para Vitória, onde tem seu emprego; meus parceiros furaram esse mato grande e cada um levantou casa aqui e acolá, onde bem quiseram. Eu com minha gente vim para cá, para essas terras do seu coronel. Tempo hoje anda triste. Governo acabou com as fazendas, e nos pôs todos no olho do mundo, a caçar de comer, a comprar de vestir, a trabalhar como boi para viver. Ah! tempo bom de fazenda!

    [...]

    — Mas, meu amigo — disse Milkau

    —, você aqui ao menos está no que é seu, tem sua casa, sua terra, é dono de si mesmo.

    — Qual terra, qual nada... Rancho é do marido de minha filha, que está aí sentada, terra é de seu coronel, arrendada por dez mil-réis por ano. Hoje em dia tudo aqui é de estrangeiro, Governo não faz nada por brasileiro, só pune por alemão... ARANHA, G. (1868-1931). Canaã. 3 ed. São Paulo: Martins Claret, 2013.

    Dentre os trechos extraídos do diálogo dos personagens, indique aquele em que predomina a intenção crítica do autor acerca da política da época. 

    Escolha uma alternativa para a questão 6446913e-b0
  • Linguagens

    Português

    O (não) lugar do “pardo”

         Lá no fim do século XIX e no começo do XX, o Brasil passava pelo dilema que todas as nações modernas enfrentaram (e, de certa maneira, ainda enfrentam): como criar uma identidade nacional que justifique e mantenha o Estado?

         Notem que eu ouso criar, porque é bem isso mesmo, inventar uma história que servisse aos interesses da elite dominante e homogeneizasse a população brasileira. Ora, essa população era formada, principalmente, por pretos escravos ou ex-escravos, indígenas perseguidos e uma parcela de gente branca. No centro da discussão estava: quem seria o cidadão brasileiro.

         Houve quem defendesse a educação para o trabalho: ensinar os pretos amolecidos e degenerados pela escravidão (faz me rir) a trabalhar resignado. Teve aqueles que achavam que a inferioridade dos pretos era tão grande que não adiantava educar nem nada, era melhor expulsar ou deixar morrer. O Brasil, em seus debates sobre a nação e seus cidadãos, bebeu muito das teorias racialistas que estavam em voga na Europa e sendo amplamente utilizadas para justificar a colonização na África depois de séculos e séculos de saque humano. [...]

        Daí surge o pardo como a gente conhece hoje. O pardo não é raça, não é povo, não é cidadão brasileiro. Ele é o estágio transitório entre a base da pirâmide (os negros) e o topo (os brancos). Não é branco, ainda não chegou no estágio sublime de branquitude que garante o direito à vida, oportunidades e cidadania, mas é prova viva da boa vontade e do esforço de se embranquecer tão valorizado por uma elite branca que, desde sempre, morre de medo dos pretos fazerem daqui o Haiti.

         Como fala Foucault, o poder, no estado moderno, não é negativo, ele é normatizador. Ou seja, estabelece normas de conduta, estéticas, discursivas, e beneficia aqueles que fazem o jogo. No caso do Brasil, o jogo da branquitude. Quanto mais branco você tentar ser, seja usando intervenções estéticas ou compartilhando o discurso político e social, mais “tolerável” você vai ser. Nisso, nós que somos claros, temos uma vantagem: o branqueamento estético é mais alcançável para nós. Mas nada disso garante que você vai passar de boa em uma sociedade racialmente hierarquizada, o embranquecimento é, sobretudo, uma mutilação. E pra quem ainda tem dúvidas, mutilação é sempre ruim ok? Não tem gradação de violência e mutilação. [...]


    https://medium.com/@isabelapsena/o-n%C3%A3o-lugar-do-pardo 

    Dos fragmentos a seguir, a palavra sublinhada cuja relação morfossintática difere das demais é
    Escolha uma alternativa para a questão 6440fd64-b0
  • Linguagens

    Inglês

    TEXT II

    Veggies You Can Regrow From Discarded Roots

    Patrick Phillips 

       When it comes to cooking with healthy, fresh ingredients, we always end up facing the same issue: what to do with all of the roots we chop off of our veggies? Instead of tossing them in the trash, there’s actually something quite useful you can do with them, and it’ll save you a good chunk of change.
        Regrowing green onions has become quite popular, and it’s easy to understand why: it’s very simple and fun to check on its growth progress on a daily basis. It’s also a great way to help avoid food waste. However, there are plenty of vegetables you can regrow for yourself at home using scraps.
       Green Onion
       Let’s start with the basics: green onions. These are the fastest plants to regrow and also the easiest. To do so, put the root and 1 inch of the white part in a bowl or jar, then fill it with enough water to cover up to halfway up the white part of the onion. Change out the water every 2 to 3 days. You’ll notice it growing within a day and after a week, you’ll have greens that you can use!
        Romaine Lettuce
       You can regrow romaine lettuce and also other lettuces by placing the roots of it in a jar filled with at least 1 inch of water. Leave for a few days until it begins to grow, then transfer the roots into soil to continue growing the thriving plant.
       Cabbage
      You can regrow cabbage in the same way that you regrow lettuce. Simply save a stump of the cabbage with its roots and place it in 1 inch of water. Then transfer the sprouting leaves into soil.
       Leeks
      Since leeks are actually directly related to green onions, they can be regrown using the same method. Place the root and about 2 inches of the white part in a jar with water that reaches about halfway up the white part. These will take a bit longer to regrow, but don’t give up! Make sure to keep changing out the water every 2 or 3 days.
       Carrot Tops
       Cut a carrot at the top (the root) and place the piece, cut side-down, in a bowl of water. The leaves of the carrots will grow as opposed to the carrot itself, however, these leaves can be used in salads, be used as a garnish, or can even be put into a pesto. Simply change the water every few days.
       Celery
      Celery can be regrown in the same way as the cabbage and romaine. Place the root end of the stalk in 1 inch of water. When the leaves will begin to sprout, wait about a week in order for the celery to become stronger. Make sure you change the water every few days. Once this process is done, you can replant the celery in soil. Celery leaves can also be used in salads.

    https://www.sizzlfy.com/healthy/veggies-regrow. Slighted modified. Accessed on September the 30th
    The veggies which have the same way of regrowing are
    Escolha uma alternativa para a questão 04274861-b3
  • Linguagens

    Português

    Mario Quintana, poeta gaúcho, foi um dos maiores expoentes da literatura brasileira. Com estilo eclético, estreou em 1940, desafiando os críticos literários por se ter tornado um poeta popular. Sua poesia é compreensível sem ser banal; sua originalidade é natural; suas metáforas são claras, mas, ao mesmo tempo, surpreendentes.   

    O poema Noturno citadino é a base para responder à questão.

    Um cartaz luminoso ri no ar.
    Ó noite, ó minha nêga
    toda acesa
    de letreiros!... Pena
    é que a gente saiba ler... Senão
    tu serias de uma beleza única
    inteiramente feita
    para o amor dos nossos olhos. 

    QUINTANA, M. Esconderijos do tempo. Rio de Janeiro: Objetiva, 2013.
    O articulador argumentativo “Senão” imprime no poema um valor semântico de  
    Escolha uma alternativa para a questão 041d6930-b3
  • Linguagens

    Português

    Mario Quintana, poeta gaúcho, foi um dos maiores expoentes da literatura brasileira. Com estilo eclético, estreou em 1940, desafiando os críticos literários por se ter tornado um poeta popular. Sua poesia é compreensível sem ser banal; sua originalidade é natural; suas metáforas são claras, mas, ao mesmo tempo, surpreendentes.   

    O poema Noturno citadino é a base para responder à questão.

    Um cartaz luminoso ri no ar.
    Ó noite, ó minha nêga
    toda acesa
    de letreiros!... Pena
    é que a gente saiba ler... Senão
    tu serias de uma beleza única
    inteiramente feita
    para o amor dos nossos olhos. 

    QUINTANA, M. Esconderijos do tempo. Rio de Janeiro: Objetiva, 2013.
    O sujeito lírico, para fazer entender seus sentimentos no poema, pretende criar um dialogismo imaginário íntimo no(s)
    Escolha uma alternativa para a questão 041aeaf4-b3
  • Linguagens

    Português

    Leia o trecho a seguir para responder à questão.

    [...]
    — Mãe, quem que leva nossa casa pra outra banda do rio no banhado, quem que leva? Pergunta assim!  
    A velha fez. Macunaíma pediu pra ela ficar com os olhos fechados e carregou todos os carregos, tudo, pro lugar em que estavam de já-hoje no mondongo imundado. Quando a velha abriu os olhos tudo estava no lugar de dantes, vizinhando com os tejupares de mano Maanape e de mano Jiguê com a linda Iriqui. E todos ficaram roncando de fome outra vez.  
    Então a velha teve uma raiva malvada. Carregou o herói na cintura e partiu. Atravessou o mato e chegou no capoeirão chamado Cafundó do Judas. Andou légua e meia nele, nem se enxergava mato mais, era um coberto plano apenas movimentado com o pulinho dos cajueiros. 
    Nem guaxe animava a solidão. A velha botou o curumim no campo onde ele podia crescer mais não e falou: 
    — Agora vossa mãe vai embora. Tu ficas perdido no coberto e podes crescer mais não. 

    Andrade, M. Macunaíma. Porto Alegre: L&PM, 2018.

    Em Macunaíma, Mário de Andrade inova nos padrões linguísticos, nos níveis lexical, morfológico e sintático, ao empregar a linguagem coloquial popular falada como marca de identidade nacional. No trecho acima, essa brasilidade está presente no(a)
    Escolha uma alternativa para a questão 041370c3-b3
  • Linguagens

    Inglês

    Read the text II to answer the question.


    TEXT II

    Common Dog Training Mistakes You Might Be Making


    Priya Faith


    You've welcomed a new furry friend into the family, and you can't wait to start training them. Whether it's to do all kinds of tricks or you want to ensure you have a well-behaved canine, it's not always straight forward. When it comes to training your four-legged friend, a lot of mistakes can occur… 

    Fear not, we're on hand with some of the most common mistakes so you can avoid them.

    1. You're Focusing on The Negatives
    If you're focusing on the negatives during training, it's not nearly as effective than using positive reinforcement. Rather than reprimanding poor behavior, concentrate on recognizing the good. While it will take a bit of practice, but it will pay off.

    2. Training Sessions Last Too Long
    Once you've seen some positive results, you should call time on your session. Just like us, your dog will get bored if you drag out training sessions too long. Instead, train in manageable stages, so it's more fun and useful for everyone.

    3. You Stay in The Same Place to Train Your Dog
    While you'll probably do the majority of your training at home, you should avoid limiting practice to just one place. If you teach your dog to behave inside four walls, it's likely that as soon as they get out into the big wide world, they'll have a much harder time paying attention 

    4. You're Using Your Clicker Too Much
    Clicker training is pretty popular, and it can be a handy training tool when used correctly. However, you must understand how to use your clicker before you start clicking away. If you're not using it correctly, things can get pretty confusing pretty quickly.

    5. You Rely on Treats Too Much
    Granted, treats are a great way to keep your pup motivated and engaged. However, you should vary your rewards. Rather than just limiting rewards to treats, use toys, praise and play to mix things up. 

    6. You Repeat Commands Too Often
    So, you're teaching your dog to sit, but it's not working. Instead of repeating the command over and over until your canine sits out of boredom, you should try something else. Your dog needs to be clear that the behavior should come directly after the command and stalling can undo this hard work.

    7. You're Not Considering Your Dogs Personality
    Even if you've trained a dog or dogs before successfully, it doesn't mean the same approach will work for your new pup. Every dog has a distinct character and behavioral profile, so to find out what will work, you need to be mindful of this. One size fits all is certainly not the case when it comes to dog training.

    8. You Lack Confidence
    Lack of confidence is a straight-up weakness. As natural predators, dogs can sense any weakness instinctively. So, with every command, you need to be confident.

    https://en.wackojaco.com/8-common-dog-training-mistakes-you-might-be.Text slightly modified.
    In every subpart (numbered 1 to 8) of the main text, one finds linking-words. Among them, HOWEVER and SO. The option which synthesizes correctly the function of these expressions, respectively, is
    Escolha uma alternativa para a questão 7a673d46-b2
  • Linguagens

    Inglês

    Read the text II to answer the question.


    TEXT II

    Common Dog Training Mistakes You Might Be Making


    Priya Faith


    You've welcomed a new furry friend into the family, and you can't wait to start training them. Whether it's to do all kinds of tricks or you want to ensure you have a well-behaved canine, it's not always straight forward. When it comes to training your four-legged friend, a lot of mistakes can occur… 

    Fear not, we're on hand with some of the most common mistakes so you can avoid them.

    1. You're Focusing on The Negatives
    If you're focusing on the negatives during training, it's not nearly as effective than using positive reinforcement. Rather than reprimanding poor behavior, concentrate on recognizing the good. While it will take a bit of practice, but it will pay off.

    2. Training Sessions Last Too Long
    Once you've seen some positive results, you should call time on your session. Just like us, your dog will get bored if you drag out training sessions too long. Instead, train in manageable stages, so it's more fun and useful for everyone.

    3. You Stay in The Same Place to Train Your Dog
    While you'll probably do the majority of your training at home, you should avoid limiting practice to just one place. If you teach your dog to behave inside four walls, it's likely that as soon as they get out into the big wide world, they'll have a much harder time paying attention 

    4. You're Using Your Clicker Too Much
    Clicker training is pretty popular, and it can be a handy training tool when used correctly. However, you must understand how to use your clicker before you start clicking away. If you're not using it correctly, things can get pretty confusing pretty quickly.

    5. You Rely on Treats Too Much
    Granted, treats are a great way to keep your pup motivated and engaged. However, you should vary your rewards. Rather than just limiting rewards to treats, use toys, praise and play to mix things up. 

    6. You Repeat Commands Too Often
    So, you're teaching your dog to sit, but it's not working. Instead of repeating the command over and over until your canine sits out of boredom, you should try something else. Your dog needs to be clear that the behavior should come directly after the command and stalling can undo this hard work.

    7. You're Not Considering Your Dogs Personality
    Even if you've trained a dog or dogs before successfully, it doesn't mean the same approach will work for your new pup. Every dog has a distinct character and behavioral profile, so to find out what will work, you need to be mindful of this. One size fits all is certainly not the case when it comes to dog training.

    8. You Lack Confidence
    Lack of confidence is a straight-up weakness. As natural predators, dogs can sense any weakness instinctively. So, with every command, you need to be confident.

    https://en.wackojaco.com/8-common-dog-training-mistakes-you-might-be.Text slightly modified.
    Based on the common mistakes observed in Priya Faith’s text, the option which points out correctly that one matching the specific part with the main idea is
    Escolha uma alternativa para a questão 7a64633c-b2
  • Linguagens

    Português

    Leia o texto a seguir para responder à questão. 


    Racismo no Brasil: todo mundo sabe que existe, mas ninguém acha que é racista, diz Djamila Ribeiro 


    Em entrevista à BBC News Brasil, a autora do Pequeno Manual Antirracista diz o que deve ser feito por quem quer combater o racismo e sobre o papel dos pais na educação antirracista de seus filhos. Segundo a escritora: "Não basta só reconhecer o privilégio, precisa ter ação antirracista de fato. Ir a manifestações é uma delas, apoiar projetos importantes que visem à melhoria de vida das populações negras é importante, ler intelectuais negros, colocar na bibliografia. Quem a gente convida para entrevistar? Quem são as pessoas que a gente visibiliza?"

    Djamila Ribeiro é mestre em filosofia política pela Unifesp e uma das vozes mais influentes do movimento pelos direitos das mulheres negras no Brasil. Ela está na lista da BBC de 100 mulheres mais influentes e inspiradoras do mundo.

    Disponível em https://www.bbc.com/portuguese/brasil (Adaptado)

    A fala da escritora Djamila Marques, citada no texto, é encerrada com duas interrogativas que corroboram seu argumento contra o racismo. As interrogativas retóricas, em relação ao argumento, produzem no texto, um sentido de
    Escolha uma alternativa para a questão 7a5ca66e-b2
  • Linguagens

    Literatura

    Leia o poema para responder à questão.

         Selva selvaggia

    As palavras espiam como animais:
    umas, rajadas, sensuais, que nem panteras...
    outras, escuras, furtivas raposas...
    mas as mais belas palavras estão pousadas nas frondes mais altas, como pássaros...
    O poema está parado em meio da clareira.

    O poema
    caiu
    na armadilha! debate-se
    e ora subdivide-se e entrechoca-se como esferas de vidro colorido
    ora é uma fórmula algébrica
    ora, como um sexo, palpita... Que importa
    que importa qual seja enfim o seu verdadeiro universo?
    Ele em breve será inteiramente devorado pelas palavras!

    QUINTANA, M. Esconderijos do tempo. Rio de Janeiro: Objetiva, 2013.

    Selva selvaggia exemplifica uma das características da poética de Mário Quintana: 
    Escolha uma alternativa para a questão 7a5a0fcb-b2
  • Linguagens

    Português

    Mario Quintana, poeta gaúcho, foi um dos maiores expoentes da literatura brasileira. Com estilo eclético, estreou em 1940, desafiando os críticos literários por se ter tornado um poeta popular. Sua poesia é compreensível sem ser banal; sua originalidade é natural; suas metáforas são claras, mas, ao mesmo tempo, surpreendentes.

    A questão trata do poema deste poeta de nossa literatura.

    Leia o poema Solau à moda antiga para responder à questão. 

    Senhora, eu vos amo tanto
    Que até por vosso marido
    Me dá um certo quebranto...
    Pois que tem que a gente inclua
    No mesmo alastrante amor
    Pessoa animal ou cousa
    Ou seja lá o que for,
    Só porque os banha o esplendor
    Daquela a quem se ama tanto?
    E sendo desta maneira,
    Não me culpeis, por favor,
    Da chama que ardente abrasa
    O nome de vossa rua,
    Vossa gente e vossa casa
    E vossa linda macieira
    Que ainda ontem deu flor...

    QUINTANA, M. Esconderijos do tempo. Rio de Janeiro: Objetiva, 2013.

    Nesse poema, marcado pelo senso de humor, reconhece-se, fortemente, características da poesia medieval trovadoresca nos versos: 
    Escolha uma alternativa para a questão 7a54dd48-b2
  • Linguagens

    Português

    Leia o trecho do Cap. 1 para responder à questão. 

    Capítulo I

    [...]

    Nem bem teve seis anos deram água num chocalho pra ele e Macunaíma principiou falando como todos. E pediu pra mãe que largasse da mandioca ralando na cevadeira e levasse ele passear no mato. A mãe não quis porque não podia largar da mandioca não. Macunaíma choramingou dia inteiro. De-noite continuou chorando. No outro dia esperou com o olho esquerdo dormindo que a mãe principiasse o trabalho. Então pediu pra ela que largasse de tecer o paneiro de guarumá-membeca e levasse ele no mato passear. A mãe não quis porque não podia largar o paneiro não. E pediu pra nora, companheira de Jiguê, que levasse o menino. A companheira de Jiguê era bem moça e chamava Sofará. Foi se aproximando ressabiada porém desta vez Macunaíma ficou muito quieto sem botar a mão na graça de ninguém. A moça carregou o piá nas costas e foi até o pé de aninga na beira do rio. A água parara pra inventar um ponteio de gozo nas folhas do javari. O longe estava bonito com muitos biguás e biguatingas avoando na estrada do furo. A moça botou Macunaíma na praia porém ele principiou choramingando, que tinha muita formiga!... e pediu pra Sofará que o levasse até o derrame do morro lá dentro do mato. A moça fez. Mas assim que deitou o curumim nas tiriricas, tajás e trapoerabas da serrapilheira, ele botou corpo num átimo e ficou um príncipe lindo. Andaram por lá muito.

    [...]

    Andrade, M. Macunaíma. São Paulo: Ótima, 2015.
    As metamorfoses experimentadas pelo herói no percurso da obra concorrem para a solidez do epíteto “herói sem nenhum caráter”. Além dessas transformações, Macunaíma apresenta, ao longo da narrativa, indícios de sua falta de caráter, tal como se comprova no trecho:
    Escolha uma alternativa para a questão 7a4d5335-b2
  • Linguagens

    Inglês

    Imagem da questão de Inglês, Universidade Estadual do Maranhão 2015, Vocabulário | Vocabulary


    A figura do Uncle Sam sempre está relacionada à convocação de soldados americanos para a guerra. As duas figuras acima estão fazendo essa convocação, porém de maneiras diferentes. Considerando que os dois cartazes indicam uma ordem, a expressão utilizada em um desses cartazes que torna a ordem mais educada é

    Escolha uma alternativa para a questão fce9f05a-dc
  • Linguagens

    Português

    Leia o fragmento extraído do referido romance, para responder à questão


    Imagem da questão de Português, Universidade Estadual do Maranhão 2015, Pontuação

    A pontuação sintático-estilística, no fragmento, compõe a autoexpressividade da personagem, com o emprego da vírgula no vocativo, no seguinte trecho:
    Escolha uma alternativa para a questão fcbb4fa0-dc
  • Linguagens

    Literatura

    Para responder a questão, leia os poemas de Carlos Drummond de Andrade e de Olavo Bilac.


    Texto 

    Procura da Poesia

    [...]

    Penetra surdamente no reino das palavras.

    Lá estão os poemas que esperam ser escritos.

    Estão paralisados, mas não há desespero,

    há calma e frescura na superfície intata.

    Ei-los sós e mudos, em estado de dicionário.

    Convive com teus poemas, antes de escrevê-los.

    [...]

    Não forces o poema a desprender-se do limbo.

    Não colhas no chão o poema que se perdeu.

    Não adules o poema. Aceita-o

    Como ele aceitará sua forma definitiva e concentrada

    no espaço.


    Chega mais perto e contempla as palavras.

    Cada uma

    tem mil faces secretas sob a face neutra

    e te pergunta, sem interesse pela resposta,

    pobre ou terrível, que lhe deres:

    Trouxeste a chave?


    Repara:

    ermas de melodia e conceito,

    elas se refugiaram na noite, as palavras.

    Ainda úmidas e impregnadas de sono,

    rolam num rio difícil e se transformam em desprezo.

    ANDRADE, Carlos Drummond de. A Rosa do Povo. 1 ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2012. 



    Texto 

    Profissão de fé

    [...]

    Invejo o ourives

    Quando escrevo:

    Imito o amor

    Com que ele, em ouro, o alto-relevo

    Faz de uma flor.


    Imito-o. E, pois, nem de Carrara

    A pedra firo:

    O alvo cristal, a pedra rara,

    O ônix prefiro.


    Por isso, corre, por servir-me,

    Sobre o papel

    A pena, como em prata firme

    Corre o cinzel.

    [...]

    Torce , aprimora, alteia, lima

    A frase; e, enfim,

    no verso de ouro engasta a rima

    como um rubim.


    Quero que a estrofe cristalina,

    Dobrada ao jeito

    Do ourives, saia da oficina

    Sem um defeito.

    [...]

    Porque o escrever – tanta perícia,

    Tanta requer,

    Que oficio tal... nem há notícia

    De outro qualquer.

                                                     BILAC, Olavo. Poesia. Rio de Janeiro: Agir, 2005.



    Comparando os Textos sobre aspectos temáticos e organização enunciativa, observa-se que
    Escolha uma alternativa para a questão ef362c7d-d1
  • Linguagens

    Português

    O trecho a seguir faz parte do livro, Um amor conquistado: o mito do amor materno, escrito pela pesquisadora francesa Elisabeth Badinter que desenvolveu uma análise crítica, a partir de uma perspectiva histórica e cultural das sociedades ocidentais, sobre a maneira que a ideia do amor materno é concebida e reproduzida socialmente.

          O amor materno é apenas um sentimento humano. E como todo sentimento, é incerto, frágil e imperfeito. (...) Observando-se a evolução das atitudes maternas, constata-se que o interesse e a dedicação à criança se manifestam ou não se manifestam. A ternura existe ou não existe. As diferentes maneiras de expressar o amor materno vão do mais ao menos, passando pelo nada, ou o quase nada. Na França, em meados do século XVIII o envio das crianças para a casa de amas se estende por todas as camadas da sociedade urbana. Dos mais pobres aos mais ricos, nas pequenas ou grandes cidades, a entrega dos filhos aos exclusivos cuidados de uma ama é um fenômeno generalizado.Todavia, é no último terço do século XVIII que se opera uma espécie de revolução das mentalidades. A imagem da mãe, de seu papel e de sua importância, modifica-se radicalmente, ainda que, na prática, os comportamentos tardassem a se alterar. São inúmeras as publicações que recomendam às mães cuidar pessoalmente dos filhos e lhes "ordenam" amamentá-los. Elas impõem, à mulher, a obrigação de ser mãe antes de tudo, e engendram o mito que continuará bem vivo duzentos anos mais tarde: o do instinto materno, ou do amor espontâneo de toda mãe pelo filho. Moralistas, administradores, médicos puseram-se em campo e expuseram seus argumentos mais sutis para persuadi-las a retornar a melhores sentimentos e a "dar novamente o seio". Outro discurso, mais sedutor aos seus ouvidos, esboçava-se atrás desse primeiro. Era o discurso da felicidade e da igualdade que as atingia acima de tudo. Durante quase dois séculos, todos os ideólogos lhes prometeram mundos e fundos se assumissem suas tarefas maternas: “Sede boas mães, e sereis felizes e respeitadas. Tornai-vos indispensáveis na família, e obtereis o direito de cidadania”. A curiosa, a ambiciosa, a audaciosa metamorfoseia-se numa criatura modesta e ponderada, cujas ambições não ultrapassam os limites do lar.

    BADINTER, Elisabeth. Um amor conquistado: o mito do amor materno. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1985. Adaptado
     

    Ao analisar, sociologicamente, o texto, é correto afirmar que esse sentimento materno é
    Escolha uma alternativa para a questão d2149d3d-c4
  • Linguagens

    Português

    Texto I
     
    [...] A abertura da Perimetral Norte, BR-2010, sem os necessários cuidados de saúde, levou àquela região gripe, sarampo, tuberculose, moléstias de peles e doenças venéreas. [...] O garimpo irrompeu como outra modalidade de doença, subtraindo dos Yanomami mais de 150 toneladas de cassiterita. Os índios reagiram, houve conflitos e as autoridades fizeram recuar os garimpeiros, interrompendo-se as obras da Perimetral Norte. De tudo isso resultou o saldo da morte de vários indígenas.

    Carlos Drummond de Andrade (1979)
    Texto II

    Imagem da questão de Português, Universidade Estadual do Maranhão 2023, Interpretação de Textos
       

    Os dois textos podem ser unidos pela crítica à situação em que se encontra o povo Yanomami em distintos períodos. Pode-se inferir da leitura comparativa dos textos que
    Escolha uma alternativa para a questão d1fa224b-c4
  • Linguagens

    Inglês

    This text refers to question.


    Sprowston mother in stand-off with school over bullying

                                         By David HannantDHannant87Specialist reporter: health and education



    A Sprowston mother is locked in a stand-off with her daughter's school after keeping her at home for the past six weeks to avoid what she describes as "brutal" bullying.


    Rebecca Everson says the treatment her 12-year-old daughter Phoebe suffers has become so severe that the youngster has been left "a shell of a girl".


    She says the Year 8 Sprowston Community Academy pupil is subjected to cruel messages on social media platforms like Whatsapp, Instagram and Snapchat and has abuse hurled at her by classmates regularly.


    After raising her concerns with school leaders, Ms. Everson said her daughter's issues only got worse so for the past six weeks she has refused to send her in. However, she now claims the school is threatening her with fines over Phoebe's attendance record.


    She said: "The bullying Phoebe has suffered has been awful. They send her messages calling her every name under the sun. It is brutal.


    "I have rung the school and told them she does not feel safe at school and requested work to be sent home for her, but they have done nothing."


    Ms. Everson the issue started in October last year, which she reported to Phoebe's teachers.


    She said: "The school said they would talk to the girls involved, but when they did it just aggravated the situation.


    "Some of the girls involved in the cyberbullying attend other schools nearby too, so moving schools is just not viable.


    "Phoebe is a shell of the girl she was before this all began. She has done nothing to deserve this but now she's terrified to even go to school.


    "I just feel like I'm going around and around in circles trying to get something done - it's terribly awful."


    Sprowston Community Academy was approached for comment but said the school was unable to comment on individual cases.



    Sprowston mother in stand-off with school over bullying | Extract taken from Eastern Daily Press (edp24.co.uk) and slightly modified.

    Based on Phoebe’s mother complaining about her suffering bullying daughter, one can say that, after such a negative experience, Phoebe
    Escolha uma alternativa para a questão d1da0ee4-c4
  • Linguagens

    Português

    Conceição Evaristo nasceu numa favela da zona sul de Belo Horizonte. Trabalhava como empregada doméstica, até concluir o Curso Normal, já então com 25 anos. Mudou-se para o Rio de Janeiro, tendo estudado Letras em uma universidade pública, a UFRJ. Suas obras abordam temas como discriminação racial, de gênero e de classe. A pobreza e a vulnerabilidade da população afro-brasileira, envolvendo mulheres e homens, é a tônica da autora em Olhos D’Água.

    O conto Maria serve de base para responder à questão.


    MARIA

        Maria estava parada há mais de meia hora no ponto do ônibus. Estava cansada de esperar. Se a distância fosse menor, teria ido a pé. Era preciso mesmo ir se acostumando com a caminhada. O preço da passagem estava aumentando tanto! Além do cansaço, a sacola estava pesada. No dia anterior, no domingo, havia tido festa na casa da patroa. Ela levava para casa os restos.
    [...]
     
        Quando o ônibus apontou lá na esquina, Maria abaixou o corpo, pegando a sacola que estava no chão entre as suas pernas. O ônibus não estava cheio, havia lugares. Ela poderia descansar um pouco, cochilar até a hora da descida. Ao entrar, um homem levantou lá de trás, do último banco, fazendo um sinal para o trocador. Passou em silêncio, pagando a passagem dele e de Maria. Ela reconheceu o homem. Quanto tempo, que saudades! Como era difícil continuar a vida sem ele. Maria sentou-se na frente. O homem sentou-se a seu lado. Ela se lembrou do passado. Do homem deitado com ela. Da vida dos dois no barraco. Dos primeiros enjoos. Da barriga enorme que todos diziam de gêmeos, e da alegria dele. Que bom! Nasceu! Era um menino! E haveria de se tornar um homem. Maria viu, sem olhar, que era o pai de seu filho. Ele continuava o mesmo. Bonito, grande, o olhar assustado não se fixando em nada e em ninguém. Sentiu uma mágoa imensa. Por que não podia ser de uma outra forma? Por que não podiam ser felizes? E o menino, Maria? Como vai o menino? cochichou o homem. Sabe que sinto falta de vocês? Tenho um buraco no peito, tamanha a saudade! Tou sozinho! Não arrumei, não quis mais ninguém. Você já teve outros... outros filhos? A mulher baixou os olhos como que pedindo perdão. É. Ela teve mais dois filhos, mas não tinha ninguém também.
    [...]

        O homem falava, mas continuava estático, preso, fixo no banco. Cochichava com Maria as palavras, sem, entretanto, virar para o lado dela. Ela sabia o que o homem dizia. Ele estava dizendo de dor, de prazer, de alegria, de filho, de vida, de morte, de despedida. Do buraco-saudade no peito dele... Desta vez ele cochichou um pouquinho mais alto. Ela, ainda sem ouvir direito, adivinhou a fala dele: um abraço, um beijo, um carinho no filho. E, logo após, levantou rápido sacando a arma. Outro lá atrás gritou que era um assalto. Maria estava com muito medo. Não dos assaltantes. Não da morte. Sim da vida. Tinha três filhos. O mais velho, com onze anos, era filho daquele homem que estava ali na frente com uma arma na mão. O de lá de trás vinha recolhendo tudo. O motorista seguia a viagem. Havia o silêncio de todos no ônibus. Apenas a voz do outro se ouvia pedindo aos passageiros que entregassem tudo rapidamente. O medo da vida em Maria ia aumentando. Meu Deus, como seria a vida dos seus filhos?
    [...]

        Os assaltantes desceram rápido. (...). Ela não conhecia assaltante algum. Conhecia o pai de seu primeiro filho. Conhecia o homem que tinha sido dela e que ela ainda amava tanto. Ouviu uma voz: Negra safada, vai ver que estava de coleio com os dois. Outra voz vinda lá do fundo do ônibus acrescentou: Calma, gente! Se ela estivesse junto com eles, teria descido também. Alguém argumentou que ela não tinha descido só para disfarçar. Estava mesmo com os ladrões. Foi a única a não ser assaltada. Mentira, eu não fui e não sei por quê. Maria olhou na direção de onde vinha a voz e viu um rapazinho negro e magro, com feições de menino e que relembravam vagamente o seu filho. A primeira voz, a que acordou a coragem de todos, tornou-se um grito: Aquela puta, aquela negra safada estava com os ladrões! O dono da voz levantou e se encaminhou em direção à Maria. A mulher teve medo e raiva. Que merda! Não conhecia assaltante algum. Não devia satisfação a ninguém. Olha só, a negra ainda é atrevida, disse o homem, lascando um tapa no rosto da mulher. Alguém gritou: Lincha! Lincha! Lincha!... Uns passageiros desceram e outros voaram em direção à Maria. O motorista tinha parado o ônibus para defender a passageira:

    — Calma pessoal! Que loucura é esta? Eu conheço esta mulher de vista. Todos os dias, mais ou menos neste horário, ela toma o ônibus comigo. Está vindo do trabalho, da luta para sustentar os filhos...

        Lincha! Lincha! Lincha! Maria punha sangue pela boca, pelo nariz e pelos ouvidos. A sacola havia arrebentado e as frutas rolavam pelo chão. Será que os meninos iriam gostar de melão?

        Tudo foi tão rápido, tão breve, Maria tinha saudades de seu ex-homem. Por que estavam fazendo isto com ela? O homem havia segredado um abraço, um beijo, um carinho no filho. Ela precisava chegar em casa para transmitir o recado. Estavam todos armados com facas a laser que cortam até a vida. Quando o ônibus esvaziou, quando chegou a polícia, o corpo da mulher estava todo dilacerado, todo pisoteado.

    Maria queria tanto dizer ao filho que o pai havia mandado um abraço, um beijo, um carinho.


    EVARISTO, Conceição. Olhos D’Água. Rio de Janeiro: Pallas: Fundação Biblioteca Nacional, 2016.
    A linguagem tem funções que levam em consideração a intencionalidade do emissor, o que pode ser exemplificado na cena final do conto que, apesar de retratar uma situação que se poderia tornar manchete de jornal, portanto referencial, leva o leitor a observar
    Escolha uma alternativa para a questão d1c86795-c4
  • Linguagens

    Português

    Conceição Evaristo nasceu numa favela da zona sul de Belo Horizonte. Trabalhava como empregada doméstica, até concluir o Curso Normal, já então com 25 anos. Mudou-se para o Rio de Janeiro, tendo estudado Letras em uma universidade pública, a UFRJ. Suas obras abordam temas como discriminação racial, de gênero e de classe. A pobreza e a vulnerabilidade da população afro-brasileira, envolvendo mulheres e homens, é a tônica da autora em Olhos D’Água.

    O conto Maria serve de base para responder à questão.


    MARIA

        Maria estava parada há mais de meia hora no ponto do ônibus. Estava cansada de esperar. Se a distância fosse menor, teria ido a pé. Era preciso mesmo ir se acostumando com a caminhada. O preço da passagem estava aumentando tanto! Além do cansaço, a sacola estava pesada. No dia anterior, no domingo, havia tido festa na casa da patroa. Ela levava para casa os restos.
    [...]
     
        Quando o ônibus apontou lá na esquina, Maria abaixou o corpo, pegando a sacola que estava no chão entre as suas pernas. O ônibus não estava cheio, havia lugares. Ela poderia descansar um pouco, cochilar até a hora da descida. Ao entrar, um homem levantou lá de trás, do último banco, fazendo um sinal para o trocador. Passou em silêncio, pagando a passagem dele e de Maria. Ela reconheceu o homem. Quanto tempo, que saudades! Como era difícil continuar a vida sem ele. Maria sentou-se na frente. O homem sentou-se a seu lado. Ela se lembrou do passado. Do homem deitado com ela. Da vida dos dois no barraco. Dos primeiros enjoos. Da barriga enorme que todos diziam de gêmeos, e da alegria dele. Que bom! Nasceu! Era um menino! E haveria de se tornar um homem. Maria viu, sem olhar, que era o pai de seu filho. Ele continuava o mesmo. Bonito, grande, o olhar assustado não se fixando em nada e em ninguém. Sentiu uma mágoa imensa. Por que não podia ser de uma outra forma? Por que não podiam ser felizes? E o menino, Maria? Como vai o menino? cochichou o homem. Sabe que sinto falta de vocês? Tenho um buraco no peito, tamanha a saudade! Tou sozinho! Não arrumei, não quis mais ninguém. Você já teve outros... outros filhos? A mulher baixou os olhos como que pedindo perdão. É. Ela teve mais dois filhos, mas não tinha ninguém também.
    [...]

        O homem falava, mas continuava estático, preso, fixo no banco. Cochichava com Maria as palavras, sem, entretanto, virar para o lado dela. Ela sabia o que o homem dizia. Ele estava dizendo de dor, de prazer, de alegria, de filho, de vida, de morte, de despedida. Do buraco-saudade no peito dele... Desta vez ele cochichou um pouquinho mais alto. Ela, ainda sem ouvir direito, adivinhou a fala dele: um abraço, um beijo, um carinho no filho. E, logo após, levantou rápido sacando a arma. Outro lá atrás gritou que era um assalto. Maria estava com muito medo. Não dos assaltantes. Não da morte. Sim da vida. Tinha três filhos. O mais velho, com onze anos, era filho daquele homem que estava ali na frente com uma arma na mão. O de lá de trás vinha recolhendo tudo. O motorista seguia a viagem. Havia o silêncio de todos no ônibus. Apenas a voz do outro se ouvia pedindo aos passageiros que entregassem tudo rapidamente. O medo da vida em Maria ia aumentando. Meu Deus, como seria a vida dos seus filhos?
    [...]

        Os assaltantes desceram rápido. (...). Ela não conhecia assaltante algum. Conhecia o pai de seu primeiro filho. Conhecia o homem que tinha sido dela e que ela ainda amava tanto. Ouviu uma voz: Negra safada, vai ver que estava de coleio com os dois. Outra voz vinda lá do fundo do ônibus acrescentou: Calma, gente! Se ela estivesse junto com eles, teria descido também. Alguém argumentou que ela não tinha descido só para disfarçar. Estava mesmo com os ladrões. Foi a única a não ser assaltada. Mentira, eu não fui e não sei por quê. Maria olhou na direção de onde vinha a voz e viu um rapazinho negro e magro, com feições de menino e que relembravam vagamente o seu filho. A primeira voz, a que acordou a coragem de todos, tornou-se um grito: Aquela puta, aquela negra safada estava com os ladrões! O dono da voz levantou e se encaminhou em direção à Maria. A mulher teve medo e raiva. Que merda! Não conhecia assaltante algum. Não devia satisfação a ninguém. Olha só, a negra ainda é atrevida, disse o homem, lascando um tapa no rosto da mulher. Alguém gritou: Lincha! Lincha! Lincha!... Uns passageiros desceram e outros voaram em direção à Maria. O motorista tinha parado o ônibus para defender a passageira:

    — Calma pessoal! Que loucura é esta? Eu conheço esta mulher de vista. Todos os dias, mais ou menos neste horário, ela toma o ônibus comigo. Está vindo do trabalho, da luta para sustentar os filhos...

        Lincha! Lincha! Lincha! Maria punha sangue pela boca, pelo nariz e pelos ouvidos. A sacola havia arrebentado e as frutas rolavam pelo chão. Será que os meninos iriam gostar de melão?

        Tudo foi tão rápido, tão breve, Maria tinha saudades de seu ex-homem. Por que estavam fazendo isto com ela? O homem havia segredado um abraço, um beijo, um carinho no filho. Ela precisava chegar em casa para transmitir o recado. Estavam todos armados com facas a laser que cortam até a vida. Quando o ônibus esvaziou, quando chegou a polícia, o corpo da mulher estava todo dilacerado, todo pisoteado.

    Maria queria tanto dizer ao filho que o pai havia mandado um abraço, um beijo, um carinho.


    EVARISTO, Conceição. Olhos D’Água. Rio de Janeiro: Pallas: Fundação Biblioteca Nacional, 2016.
    As palavras denotativas, modernamente, são consideradas marcadores discursivos, que contribuem para a coesão, a ligação entre as partes do texto.

    No trecho “Olha só, a negra ainda é atrevida, disse o homem, lascando um tapa no rosto da mulher.”, a função semântica do termo sublinhado é
    Escolha uma alternativa para a questão d1c5dc68-c4